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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Everything posted by SergioB.

  1. Começou!!! Que o Time Brasil me surpreenda com mais medalhas do que estou prevendo, e que todos os atletas deem o seu melhor, nos inspirando para a vida! Até que enfim, Tóquio 2020!! (Off)
  2. * Além da boa vitória do futebol masculino contra a Alemanha, tivemos a notícia maravilhosa de que a Rebeca tentará dois Saltos. Hoje foi dia de reconhecimento dos aparelhos, o chamado "treino de pódium", e Rebeca apresentou dois saltos para a arbitragem, e, o melhor disso, um Cheng. Aliá, como notou uma jornalista inglesa, um "CHENG", um baita salto. Ela também aumentou o grau de dificuldade no Solo, do giro carpado para o giro esticado; e aumentou a dificuldade nas Assimétricas, com mais uma ligação. Mas esse Cheng aí já aumentaria a nota de dificuldade dela em pelo menos 0.8. Pelo somatório, alguns acreditam em Prata. Em vou ser mais comedido, e voltar com o Bronze. * Saíram também os chaveamentos do Judô, Boxe e Taekwondo. O caminho da Bia Ferreira e do Keno Marley do Boxe são muito bons. No Judô, não gostei do caminho da Mayra. Os mais acessíveis são os da Ketleyn Quadros e do Baby (embora cruze com o Rinner na semifinal). O da Altheman não é tão fácil...No confronto entre os países, Brasil deve cruzar com o vencedor de Países Baixos x Ubzequistão, e pegar a França na Semifinal. Covid Positivo de hoje: Reshmie Oogink - Taekwondo categoria +67kg - Países Baixos. Infelizmente, fim da sua carreira. Inacreditável o que ocorreu com os atletas da República Tcheca no Vôlei de Praia: O médico da comissão não se vacinou! É o paciente zero! Infectou a dupla masculina, a dupla feminina, e o técnico masculino (esposo da Hermannova). Em suja defesa, disse que fazia uso de enxaguante bucal várias vezes por dia. É um absurdo! As duas duplas tinham chance de Bronze. O Ministro da Saúde do país prometeu algum tipo de punição.
  3. Medalhas Brasil Total: 17 15º no Quadro de Medalhas. Ouro: (6) Equipe de Vôlei Masculino - Vôlei Pâmela Rosa - Skate - modalidade Street feminino Martine Grael e Kahena Kunze - Vela - classe 49er FX Isaquias Queiroz - Canoagem - C1 1000m Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Beatriz Ferreira - Boxe - categoria -60kg Prata: (1) Pedro Barros - Skate - modalidade Park masculino Bronze: (10) Bruno Fratus - Natação - 50m Livre Arthur Nory - Ginástica Artística - Barra Fixa Arthur Zanetti - Ginástica Artística - Argolas Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Individual Geral Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Salto Ágatha/Duda - Vôlei de Praia feminino Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Alison dos Santos "Piu" - Atletismo - 400m com Barreiras Maria Suelen Altheman - Judô - +78kg Equipe Mista - Judô
  4. Mais otimista do que eu, seguem as Previsões finais do avaliador matemático Gracenote:
  5. Atletas que testaram positivo hoje: Ilya Borodin - Natação - Rússia. Poderia ser até Prata nos 400m medley, nos 200m medley teria menos chances. Taylor Crabb - Vôlei de Praia - Estados Unidos. Poderia lutar pelo Bronze. Amber Hill - Tiro Esportivo Skeet - Grã-Bretanha - Maior favorita ao Ouro. * Gostei demais do organograma do Tênis de Mesa. Tudo é difícil, mas o caminho para o Calderano é acessível. Só pegaria chinês Ma Long e o japonês fera, na final. *No Taekwondo, o caminho da Milena Titoneli é o mais difícil disparado. O do Netinho é o mais "fácil". * Uma apendicite afastará Bruno Soares do tênis. Seria operado hoje. Que pena! Lamentável! * Os fãs de ginástica brasileira estão em polvorosa, por que em um vídeo que ciruclou ontem e depois foi deletado parece que a Rebeca fará sim dois saltos, e ela executaria um Cheng! Tipo, no somatório, daria nota para uma Prata. *Brasil 5 x 0 China, no futebol feminino. Dois gols da Marta. Vou ver o jogo agora. Decidirá o primeiro lugar da chave contra a Holanda. Como os Estados Unidos perderam para a Suécia, é melhor o Brasil terminar em segundo, do que em primeiro. Temos de jogar com o regulamento debaixo do braço!
  6. Por motivos de, JOGOS OLÍMPICOS DE TÓQUIO, vou dar um tempo no cinema, pelas próximas semanas!
  7. (255) "N`aum vou nem falar nada!!" O cinema é uma arte muito próxima da literatura, assim como o teatro é mais parecido com a pintura, segundo Susan Sontag em "Sobre Fotografia". O teatro é parecido com a pintura, por que podemos escolher para onde olhar, em tudo que nos é ofertado. Na literatura e no cinema, o prato está feito. Temos uma direção a seguir. Por isso, muitos cineastas contemporâneos tentam de todas as maneiras se afastar da tradição literária do romance, na busca pela autonomia completa da arte cinematográfica. O fato é que o público em geral repudia, ou não é muito fã de nada que seja mais audacioso nesse sentido; continua preferindo um esquema sustentado em trama e personagens. Eu, como cinéfilo, aprendi a aplaudir e a obter prazer também das experiências mais artísticas, mais atinentes ao nosso tempo, que reeducam o meu olhar, como, por exemplo, os mais de 15 minutos da mulher parada olhando para o painel na parede úmida em "Cães Errantes", de Tsai Ming-liang Mas como não ficar apaixonado pelo cinema literário de Éric Rohmer? "Conto de Outono", que vi, quando jovem, e hoje, de novo, é dos filmes dele mais reconhecidos. Um enredo pequenininho: Fazer-se Cupido para uma quarentona, que se fechou para o amor, com velhas desculpas intelectuais, escondendo a baixa autoestima... Altas conversas, conversas sem fim, um novelo de palavras, o tempo passando, as uvas que amadurecem. O outono é estação prévia ao inverno, na metáfora para os quarenta/cinquenta anos se afigurarem como a última estação para o amor. Mas além de suas qualidades literárias, do bom gosto no tema, nas frases, nos personagens, a par disso, quero ressaltar o quanto esse filme de 1998 tem de cinematográfico! Pode não parecer, mas é uma "Comédia Romântica", nada americanizada - como as imensamentes populares dos anos 1990. É uma comédia romântica que põe outras personas (de outra idade) como protagonistas, mais calmas, menos estressadas pelos ego, levemente corroídas pela solidão, sem tanto apego às roupas e artifícios estéticos. Uma comédia romântica que se volta contra as exigências do mercado, comédia romântica "contra si". Fora isso, amo a montagem dos filmes dele. As cenas acabam, os planos acabam, quando os passos dos atores por um ambiente acabam, montagem "por deslocamento". Vale-se da ambientação, da casa enorme, do vinhedo, do último gole na mesa do restaurante. É uma montagem espacial. Amo essa técnica. Mais um filme dele em que os créditos acabam com a cena em andamento. Aqui, o fechamento dá-se em um baile no gramado da casa, único momento de música do filme, e acompanhamos a amiga-Cupido dançando com seu marido, mas querendo olhar para outras paisagens extra-campo. "Me chame Pelo Seu Nome", meu amado, sei de onde algumas cenas suas procedem!
  8. Atletas que testaram positivo hoje: Kara Eaker - Ginasta reserva da Ginástica Artística - Estados Unidos. Katie Lou Samuelsen - Basquete 3x3 feminino - Estados Unidos. Zach LaVine - Basquete masculino - Estados Unidos. Ondrej Perusic - Vôlei de Praia - República Tcheca. Ainda não foi cortado, pois estão vendo se os jogos da dupla podem ser adiados. Candidato a medalha de Bronze. Rutger Koopelar - Salto com Vara - Países Baixos. Tinha saltado para 5m.75 recentemente. (Foto: Jamie Squire/ Getty Images)
  9. (254) Minha mãe é italiana, eu - às vezes me esqueço - sou cidadão italiano (tenho dupla cidadania), e estou acostumado com gente falando alto em casa e eu ouvindo da esquina...Mas até o costume me foi pouco para o nível de gritaria de "Amor e Anarquia" , filme de 1973, da italiana, ainda viva, Lina Wertmüller. Estou pensando aqui se há algum outro filme com tantos decibéis! Não é um filme, é um cortador de grama ligado por duas horas! Claro, é a mise-en-scène de um bordel romano, durante o governo de Mussolini, no qual se hospeda um jovem homem do campo, anarquista, a procura de sua prima - uma das mais festejadas funcionárias da casa de tolerância - que tem o plano ambicioso de matar o "duce". Muita gente em cena, muita falação, muita briga, patetices, galhofadas da "Bota", perda da inocência, paixões e tiros. O filme é sua encenação aumentativa. Mesmo com a trilha de Rota, a Fotografia de Rotunno, ou as boas atuações de Giancarlo Giannini (Melhor ator em Cannes) e Mariangela Melato, o filme é mais o seu conjunto de elementos vivos, em disputa. Uma Itália em confusão. Confusão da cena; confusão social. Ainda perdida entre o fascismo, o anarquismo, o socialismo. Três utopias falidas, que só resultaram em pobreza ou morte. E ainda hoje defendidas pelos sequelados de sempre.
  10. Acrescento que o final de "Terra Estrangeira", do Waltinho, é ipsis litteris o final desse filme. Palmas para Bogart, lógico. Principalmente na fala matadora sobre a consciência. Mas Walter Huston chutoubundas! Um dos Oscars de Coadjuvante mais merecidos da história.
  11. Aí, @Muviola, o que achei desse Doc... O fato de sequer citar o filho com Down na própria autobiografia extrapola o aceitável, heim?
  12. Jornalista brasileiro tem medo da notícia, nunca vi. Não é responsabilidade, é um temor. Só seguem a oficialidade! Noticiam que dois atletas testaram positivo dentro da vila olímpica, mas não falam qual país ou esporte. Segundo apurei logo cedo em um fórum internacional de aficcionados por olimpismo, trata-se de dois atletas e um dirigente da seleção masculina de futebol da África do Sul. Só muito mais tarde, o país africano admitiu e os jornalistas reeescreveram suas matérias. O sigilo é protetivo à delegação. Mas jornalismo pra mim é furar os bloqueios. O resto é relações públicas. Também extraoficialmente, parece que já estão certos os grupos do Taekwondo. A competição, por contar com poucos atletas, é sempre difícil, mas os brasileiros, pelo que eu vi, deram sorte, quanto às primeiras lutas. Fiquei abismado de saber que uma canoísta da Hungria, que já estava em Tóquio, recusou-se a cumprir a ordem do comitê de seu país que determinava a vacinação de toda a deleção, e abandonou os Jogos. Socorro! E o Japão que em um amistoso ganhou da França no Basquete masculino, 81-75? Japão vai brilhar em vários esportes. Ficarão em terceiro lugar, no geral, na minha opinião.
  13. (253) Hoje à tarde, "A Regra do Jogo", Jean Renoir, 1939. Ou o que conhecemos dele. Pois a história nos diz que o filme foi censurado na França, desaparecendo inclusive o que seria a versão original. O que nos chegou é essa comédia de costumes, sátira dos ricos. Pai de tantos filmes de crítica à burguesia, entre eles - um dos filmes do meu coração - "Gosford Park". Um letreiro faz questão de dizer que é passado às vésperas a Segunda Guerra Mundial. Mais que nos situar no tempo, realça a questão da superficialidade daquela gente toda, reunida em casa de campo belíssima, para promover uma festa da caça. O gigantesco plano da matança dos coelhos e faisões me faz lembrar como sofri ao ler as dezenas de páginas da caça em "Guerra e Paz" de Tosltói. Tenho certeza que há essa ligação, pois ali o "esporte" maldito também convivia com os prenúncios da guerra napoleônica. Cenas para realçar a insensibilidade e exibicionismo dos personagens. O filme se faz especial na direção por conjugar muitos personagens, e assuntos até avançados para a época (como infidelidade conjugal), em um mesmo ambiente, e é notável como a direção se faz em planos abertos, com muita profundidade, acompanhando os atores no primeiro e no fundo do plano. Dito isso, o filme do Altman é muito melhor. Não tenho pudor cinematográfico em falar isso. É uma atualização muito mais chique, mais socialmente relevante (ao incorporar o mundo dos empregados com muito mais densidade e protagonismo), com mais diversão (na sempre deliciosa resolução do "Quem matou?"). Eu nem posso pensar muito no quanto me revolta Ron Howard ter ganhado o Oscar de Diretor naquele ano! Contra Altman, Lynch e Peter Jackson! É a atroz falta de gosto! No filme de 2001, também situado nos anos 1930,o personagem de ofício sedutor que se incorpora à festa é um diretor (e um ator) da nova arte, o cinema. No filme de 1939, o personagem sedutor é um aviador que acaba de cruzar o Atlântico. Anoto isso por que, quanto às outras semelhanças, como a esposa infiel, são mais fáceis de ver. Seja em que época for, é preciso sempre resolver os assuntos mais espinhosos com classe. Muita classe.
  14. (252) Completando a tortura mental, "Rua do Medo: 1666 - Parte 3". Odiei com força a primeira parte do filme, pois não conseguia acreditar como eles instalaram os personagens naquela época antiga, com todos os cacoetes modernos de atuação, postura, falas, gestos, comportamentos. Faltou muita direção de atores, em suma; enquanto o design, que eu critiquei na parte 2, esteve melhor, mais condizente. Depois, a trama foi se resolvendo, e foi ficando melhor. Então, pra ser justo, acho que foi o melhor dos filmes/capítulos, para mim. [ A Isabela Boscov , de Veja, é da mesma opinião, que este foi o melhor]. Mas não significa para nada que seja grande coisa também. Observo que se o filme 2 tivesse sido eliminado, não teria feito falta para o entendimento da trama. OBS: Quem me conhece sabe que sou um colecionador inveterado de perfumes, então qual não foi a minha surpresa de haver uma propaganda do legendário "CK One", de Calvin Klein, a grande fragrância unissex de 1994 - aquele cheiro maravilhoso que não dura nada. Tipo, no meio de uma perseguição, a protagonista se perfuma. É patético!
  15. Incompreensível. Um dos piores filmes dele, na minha opinião.
  16. Retirei, portanto, o Bronze do Fernando Reis. Ademais, retirei o Bonze que atribuía a Rebeca Andrade no Salto, simplesmente por que não chegam notícias de que ela fará dois saltos na classificatória - exigência necessária para disputar a final especíifica do aparelho. Ela, no fim das contas, não faz dois saltos em competição desde 2018! Ela tem salto para medalha, mas talvez o medo de nova lesão a faça se concentrar apenas no Individual Geral, no qual só é necessário um salto. Discordo dessa estratégia! Ela não deveria ser pessimista! Já está lá, ué! Vai com tudo. Retirei o Bronze de Luizinho do Skate Park - ele que, apesar de jovem, é o atual vice-campeão mundial. Retirei porque acho que os jurados privilegiarão japoneses e americanos. Só Pedro Barros teria nome, e peito, para se sustentar no pódio. Esporte de nota é foda! Portanto, vejo o Brasil minguando. Número total menor que no Rio. Talvez o Taekwondo e outro atleta do Boxe nos salvem. P.S: Estou muito tentado a colocar um Bronze para o Brasil no Vôlei Feminino. É que vi as partidas amistosas entre Itália e Sérvia, e elas - sem ritmo de jogo por que preferiram não jogar a VNL com o time principal - gente, incrível, elas foram péssimas! O Brasil ganha das duas seleções, se não melhorarem. Passe inexistente de ambos os times. O principal é ganhar da Sérvia na primeira fase. Para encerrar em primeiro lugar do grupo, e pegar a Turquia na outra chave. Repito, fiquei mais animado com o que vi. A Sérvia é ganhável. O Brasil só não ganha da China. A melhor de todas as seleções.
  17. Medalhas Brasil Total: 16 15º no Quadro de Medalhas. Ouro: (6) Equipe de Vôlei Masculino - Vôlei Pâmela Rosa - Skate - modalidade Street feminino Martine Grael e Kahena Kunze - Vela - classe 49er FX Isaquias Queiroz - Canoagem - C1 1000m Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Beatriz Ferreira - Boxe - categoria -60kg Prata: (1) Pedro Barros - Skate - modalidade Park masculino Bronze: (9) Bruno Fratus - Natação - 50m Livre Arthur Nory - Ginástica Artística - Barra Fixa Arthur Zanetti - Ginástica Artística - Argolas Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Individual Geral Ágatha/Duda - Vôlei de Praia feminino Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Alison dos Santos "Piu" - Atletismo - 400m com Barreiras Maria Suelen Altheman - Judô - +78kg Equipe Mista - Judô
  18. Ontem à noite, vivi o próprio meme do Chico Buarque: felizão/tristasso. Feliz pelo Bruninho e pela Ketleyn Quadros terem sido escolhidos como nossos atletas a carregarem a nossa bandeira. Triste pelo lastimável anúncio de Doping do Fernando Reis. Como é que pode? "GH"? Tipo...um aditivo batido desses... Que ingenuidade achar que ele passaria infenso pelo posterior Controle Olímpico. Ou talvez não, ou talvez já tenha passado. E ele nunca de fato foi "limpo", vai saber. Me senti enganado. Mais uma medalha que se vai. Assim como uma carreira inteira que se vai. (Foto: Pedro Ramos/ redoesporte.gov.br)
  19. (251) Me assustei quando percebi que não tinha visto nenhum filme do Maior de Todos neste ano! Fui então com o difícil "O Silêncio", de 1963, que fecha a trilogia homônima, iniciada por Bergman, com "Através de um Espelho" e "Luz de Inverno". Curioso é que vejo mais relação deste filme com o futuro "Persona", em temas e relações conturbadas entre mulheres. A incomunicabilidade se expressa de muitas maneiras neste filme. Desde o começo, quando as irmãs e sobrinho mal se falam, no trem de calor sufocante, passando por um país do qual não conhecem a língua, e o menino tenta foneticamente ler um aviso. No hotel (de corredores vazios) onde se instalam para descansar e seguir viagem, os funcionários precisam fazer mímica. Um tanque de guerra passa silenciosamente, repressivamente, pelas ruas da cidade europeia (e olha que o evento da Primavera de Praga é de 1968!). As irmãs se odeiam em silêncio, para explodirem ao final, quando perceberemos mais nitidamente alusões a lesbianismo e incesto. Tanto ódio pelo passado, que nem diante da doença, ou do sexo violento, a paz reconciliatória (que não é silêncio) as encontrará. Talvez o menino tenha mais esperança de um futuro melhor. É um filme difícil, mas muito bem filmado e inteligente.
  20. (250) Ainda impressionado, fui atrás agora de outro filme de Ermanno Olmi, o seu segundo longa, muito premiado em Veneza, "O Posto", de 1961, também conhecido a menor como "O Emprego". Outro belíssimo filme a respeito do mundo do trabalho. Um jovem pobre de uma cidade-satélite de Milão consegue uma oportunidade de tentar uma seleção para um grande complexo fabril. Acompanhamos seu acordar de madrugada - luzes acesas, frio - com a mãe e irmãos maiores preparando-se para trabalhar. Ele é saído da escola, e precisa contribuir com a despesa. Vemos ele nervoso na chegada ao local de teste, e, lá, conhece outros jovens que almejam o cargo, entre eles, uma bela garota (futura esposa do diretor). Fazem testes físicos, psicomotores, redação, e um teste de matemática (que engraçado, os personagens dizem que é fácil, mas todos erram a conta. Falam que é 24, mas é 26. Eu parei para resolver...Achei curioso esse "erro"). Ao sair, o protagonista e a moça conversam, ela meio arrogante, ele totalmente encantado com a menina, mas ambos se deseja boa sorte. Os dois passam! Os dois começam no emprego. Têm uniformes; têm colegas de trabalho ("Aqui é uma família", diz algum funcionário, como se lhe fizesse a corte); responsabilidades; "são alguém". É a vida que lhes sorri? Acontece que a fábrica é gigante, e eles nunca se esbarram. Ele atua como mensageiro, ela como datilógrafa. Mas nunca se esbarram, nem no almoço. O amor não se cumpre. A desaparição da personagem feminina cria um buraco no filme, um vazio, que é o vazio emocional do garoto. Brilhante! Foi maravilhoso ver um filme sobre a iniciação laboral conjugada com a iniciação amorosa. A juventude pode tudo. Só não contava com tantas barreiras do mundo real. O conto de fadas se desvanece, por que a vida é real e madrasta. Excelente! Estou encantado com a sensibilidade desse diretor.
  21. (249) De madrugada, influenciado por uma comentário de Susan Sontag em um ensaio, assisti a "Os Noivos", filme de 1963, do italiano Ermanno Olmi. Fiquei esbabacado! Que filme mais maravilhoso! Sou fã de filmes sobre a questão do trabalho, e esse me pegou de jeito. Que coisa mais linda! O comentário de Susan é a sobre o quão direto um grande filme pode ser, sem que nos desperte uma "coceira interpretativa". É bem o caso. É tão direto, tão frontal, que entendemos tudo, tudo, completamente. Um trabalhador do norte italiano arranja trabalho em uma fábrica na Sicília, dos anos 1960. É uma chance de "subir de vida", para um "pobre desgraçado", como ele diz. O problema é que ele está noivo de uma jovem adorável, a quem conheceu em um salão de baile. Aquele ambiente careta, típico da época, em que todos se paqueravam a certa distância. Ou seja, a mudança de cidade implica um namoro a distância. Um possível fim de relações. Muitas saudades, e depois pouco assunto, dada a diversidade de vida. Infelizmente o desenvolvimento econômico não se dá em todas as regiões, em todos os quadrantes. Gente tem sempre de partir. Mas isso sou eu elocubrando, com "coceira interpretativa". O bom é apreciar o trabalhador chegando a nova cidade, procurando um quarto de pensão, olhando a cidade sozinho, sem amigos, sem conhecer ninguém. Os domingos quase o matam de solidão, ou tédio. Quem nunca experimentou isso ao se deslocar? Não interpretei, me identifiquei. Já senti demais isso. "Em vez de uma hermenêutica, precisamos de uma erótica da arte", arremata Susan. Ouve o protagonista comentários de outros trabalhadores infelizes; aprende o difícil labor; tem aula teórica para evoluir na profissão no fim da noite; faz troça com outros companheiros de pensão. Mas sempre a saudade da amada o pega em sonho, ou acordado, refletindo sozinho. Maravilhosamente bem dirigido, bem montado. Pensei muito no estupendo filme brasileiro "Arabia", sobre como a necessidade do trabalho arrebenta, transforma, nossos planos individuais. Um absurdo de entendimento sobre o que é a alma humana, a alma fora de seu lugar. Amei!
  22. (248) Vi o simpático "Being There"/ "Muito Além do Jardim", de 1979, do diretor Hal Ashby. Peter Sellers, Shirley MacLaine, e Melvyn Douglas estão excelentes, rendendo ao último o seu segundo Oscar de Coadjuvante - ou, então, roubando a estatueta de Robert Duvall por "Apocalypse Now", como queiram. Há vários filmes e livros sobre o o idiota "do bem", incluindo desde um clássico russo a um grande sucesso dos cinemas nos anos 1990. Mas aqui o filme é mais sobre as projeções que os outros fazem, do que sobre as características inatas do personagem. Para os outros, ele pode ser um sábio de poucas palavras, um amante compassivo, ou um amigo fiel. O humor existe, mas também uma certa pena e uma certa condescendência. O protagonista, essa criança eterna, é aficcionado por televisão, e assiste em determinada cena ao show do senhor Fred Rogers. Sintomático. Tive uma sensação parecida ao assistir a "Won`t You Be My Neighbor?" Uma aproximação entre simplicidade, inocência, humildade, bondade, e burrice. Há alguma ligação.
  23. Quando tudo isso passar, vou ao show desses caras. Viciei nessa música do Terno Rei, "Solidão de Volta". Uma enigmática canção sobre o fim de um relacionamento. Para o eu lírico, quase uma comemoração poder respirar. "Onde vou a ninguém mais importa"; bom demais.
  24. Embora já tenha lido os principais ensaios, é a primeira vez que tenho a aclamada obra. Não podia deixar de ter essa nova edição de "Contra a Interpretação", com nova tradução, e o posfácio de Susan Sontag escrito trinta anos depois do lançamento revolucionário. Beckett, Godard, Sartre, Camus, os desvarios do "camp", dissecados.
  25. (247) Um dos últimos que me faltava ver de Lars von Trier, "Europa", de 1991, foi um desafio para mim. Premiado em Cannes com o Prêmio do Júri, chama a atenção com sua Fotografia belíssima, em preto e branco, e, em certos momentos, colorida em primeiro plano, como se estivéssemos realmente nos anos 1940, com as cores esmaecidas. As pessoas ressaltam esse apuro estético do filme, e meio que se conformam com ele, mas eu não. Afinal de contas, poucos anos depois Trier seria o principal expoente de um famoso Movimento que rejeitava justamente esse tipo de truque inorgânico. "Europa" conta a história de um cidadão americano, de origem alemã, que, idealista, retorna ao país, justamente em 1945, para ajudar na reconstrução do pós-guerra. Ajudado por um tio, emprega-se em uma companhia de trem, que, vai ficar sabendo, serviu ao nazismo, embora hoje esteja vigiada/contornada pelos interesses norte-americanos. O ambiente na Alemanhã não é de paz, longe disso. Há os remasnecentes nazistas, "lobisomens", que atuam como terroristas; há militares americanos; há pessoas ainda fugindo dos campos de concentração (em uma cena incrível, usando as roupas listradas dos campos, no vagão de última classe), há judeus sobreviventes teimando em ficar no país em vez de irem "para o deserto". O clima social é tenso! O cidadão idealista se vê - como toda pessoa que tenta ser impacial - no meio do jogo entre alemães nazistas e os novos senhores do país. É curioso pensar como Lars von Trier tem paixão por esse tipo de protagonista "inocente", "do bem", característica presente em "Ondas do Destino", "Dançando no Escuro", ou "Dogville", mas aqui trata-se deu uma figura masculina. Como gênero, confunde; é um drama de guerra "noir". Temos até a loira fatal, em meio às sombras de um clima policialesco. É engraçado ver os temas da Segunda Guerra embalados como um filme de Orson Welles. Filmes que, em geral, têm uma temática meio pobre, menor. Aqui não. Aqui o conteúdo social importa, embora eu tenha entendido menos do que eu gostaria de suas nuances histórico-sociais. O filme é narrado por Max von Sydow, de forma hipnotizante. Mais um dos filmes de Trier com "narrador". Esperava mais.
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