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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Everything posted by SergioB.

  1. Filmes vistos em 2021: * Um pouco abaixo do habitual, 415 filmes. Para mim, o melhor filme de 2021 foi o controverso, Palma de Ouro em Cannes, "Titane", seguido de perto, pertíssimo, por "Ataque dos Cães". Mas, no geral, o melhor filme que vi em 2021 foi a obra-prima "Os Deuses Malditos" de 1969, do italiano Luchino Visconti. Falando em obras-primas, "Os Melhores Anos de Nossas Vidas", de 1946, vencedor do Oscar de 1947, traz a frase irônica dos soldados que voltam da guerra sem reconhecimento "Ano passado era matar japoneses, neste ano é ganhar dinheiro". Em 2022, vai se dar o mesmo comigo. Vou dar um passo profissional enorme, assumir um grande desafio, e o farei com a mesma dose de quase obsessão que tenho por tudo de que gosto. Então não estarei por aqui, após tantos anos. Comecei em 2004 apenas lendo o movimentado Fórum. Tinha medo de participar. Pudera, os participantes quase se matavam. Só comecei a escrever pós-bug em 2011, quando tudo se acalmou, depois que a maioria ruidosa migrou para outras redes sociais. De lá para cá, escrevi diariamente aqui sobre filmes, livros, esportes, e, lateralmente, sobre mim. Em alguns dias, os ruins, a sensação que tive foi de "atirar pérolas aos poucos", já que pérolas e porcos não deveriam se encontrar nunca; nos bons dias, a grande maioria deles, a sensação foi de estar organizando a minha subjetividade, ou a minha forma de pensar. Foi muito bom gerir a seção do Oscar, durante anos, pois era nela que vinha buscar informações inéditas ou raras lá no princípio da coisa. Fiquei com a bandeira na mão. Agradeço a companhia e a atenção de vocês, especialmente, meu amigo, @Gust84, o sempre cortês @Big One, @Jorge Soto(sim, brow, você ganhou de mim! Encontrei uma pessoa que vê mais filmes do que eu, e, de quebra, ainda mais insana do que eu, com uma visão completíssima sobre outra parte da indústria. Te admiro!), @Jailcante, @[email protected]ão, @primo...Todos me ajudaram a aumentar a minha percepção sobre o cinema. Lembro de eu, menino, sintonizando um esquecido canal da parabólica, TV Horizonte, para ouvir um jovem crítico chamado Pablo Villaça, tão inteligente e articulado, indicando o melhor do cinema. Me moldei muito no que ele dizia. Infelizmente, ele se voltou tanto para a política que largou o próprio site. Conforme por ele mesmo publicado, viu apenas 278 filmes em 2021. Ideias mil para salvar o país, mas nenhuma para arrumar a casa. Lamento. Não sou mais um fã. Cresci. Deu nisso. 1) "L`Apollonide: Os Amores da Casa de Tolerância" - 9.5 2) "Julia" (2008) - 9.7 3) "Nomadland" - 10! 4) "Let Them All Talk" - 8.8 5) "Promising Young Woman" - 9.5 6) "Almanaque de Outono" - 9.6 7) "News of the World" - 9.0 8 ) "Ser ou Não Ser" (1942) - 8.8 9) "Pieces of a Woman" - 9.5 10) "A Mulher do Lado" - 9.5 11) "Oleanna" - 8.6 12) "Cães Errantes" - 9.8 13) "Pret-à-Porter" - 9.0 14) "The-Forty-Year-Old Version" - 9.2 15) "Minha Terra, África" - 9.2 16) "Cops and Robbers"/ "Polícia e Ladrão" - 7.5 17) "One Night in Miami" - 8.9 18) "Deus Branco"/ "White God" - 8.9 19) "A Morte Passou por Perto" - 9.1 20) "Mamãe Faz 100 anos" - 9.0 21) "Minari" - 9.2 22) "Umbrella" - 8.7 23) "A Dama de Bacu" - 9.0 24) "A Time to Love and a Time to Die" / "Amar e Morrer" - 9.7 25) "Mal dos Trópicos" - 10! 26) "Isso não é um Enterro; É uma Ressurreição" - 8.9 27) "Caro Diário"/ "Querido Diário" - 9.1 28) "Moscou" - 9.5 29) "O Dia do Chacal" - 9.0 30) "As Montanhas se Separam" - 9.1 31) "Taurus" - 9.2 32) "Naked Lunch"/ "Mistérios e Paixões" - 8.7 33) "A Excêntrica Família de Antônia" - 9.5 34) "The Ruling Class"/ "A Classe Dominante"/ " A Classe Governante"/ "A Classe Dirigente" - 8.9 35) "Maria, Cheia de Graça" - 9.2 36) "Trono Manchado de Sangue" - 10! 37) "O Presidente"/ "O Juiz" - 9.8 38) "O Dono da Noite" - 9.6 39) "Antes que o Diabo Sabia que Você está Morto" - 9.8 40) "O Tigre Branco" - 9.2 41) "Feios, Sujos, e Malvados" - 9.7 42) "Vento Seco" - 9.0 43) "O Diabo, Provavelmente" - 9.8 44) "Nova Ordem" (2020) - 8.8 45) "ABC África" - 8.4 46) "O Charlatão" - 8.5 47) "The Little Things/ "Os Pequenos Vestígios" - 8.3 48) "A Lei do Desejo" - 9.7 49) "French Can Can" - 8.9 50) "O Amor em 5 Tempos" - 9.1 51) "O que Sophia Loren Faria?" - 7.7 52) "Malcom & Marie" - 9.0 53) "A Negra de..." - 9.8 54) " Trolls 2" - 8.7 55) "O Filho Eterno" - 8.8 56) "If Anything Happens I Love You" - 9.0 57) "Sun Children"/ "Crianças do Sol" - 8.9 58) "Medo e Desejo" - 8.6 59) "Vengeance is Mine"/ "Minha Vingança" - 9.9 60) "As Luzes de um Verão" - 8.6 61) "Eurovision Song Contest: The History of Fire Saga" - 7.8 62) "Burrow/ "Toca" - 9.2 63) "O Ladrão de Cavalos" - 9.2 64) "Welcome to Chechnya" - 9.7 65) "Dick Jonhson is Dead" - 9.7 66) "La Llorona" - 9.0 67) "Antes da Revolução" - 9.1 68) "O Filho" (2002) - 9.9 69) "Time" (2020) - 9.4 70) "I Care a Lot"/ "Eu me Importo" - 8.9 71) "Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre" - 5.8 72) "Lux Æterna" - 8.7 73) "Dias de Ira" (1943) - 9.8 74) "Salomé" - 9.0 75) "Judas e o Messias Negro" - 9.1 76) "Supernova" - 6.3 77) "Music" - 3.5 (Pior filme do ano) 78) "Framing Britney Spears" - 8.9 79) "America" (2019) - 8.4 80) "A Febre" - 9.8 81) "A Bela Junie"/ " La Belle Personne" - 8.7 82) "Amor à Tarde"/ "O Amor depois do Meio-Dia" - 9.8 83) "A Árvore de Guernica" - 9.8 84) "O Coro" - 9.4 85) "Tony Manero" - 9.4 86) "Milagre em Milão" - 9.3 87) "Kapaemahu" - 9.2 88) "A Revolução dos Bichos" (1999) - 8.8 89) "Dear Comrades!" - 9.3 90) "Raya e o Último Dragão" - 9.0 91) "Do Not Split" - 8.8 92) "Asia" - 9.0 93) "Abortion Helpline, This is Lisa" - 9.0 94) "A Love Song for Latasha" - 9.2 95) "The Speed Cubers"/ "Magos do Cubo" - 9.6 96) "A Concerto is a Conversation" - 8.8 97) "The Van" (2019) - 9.5 98) "Colette" - 9.4 99) "Call Center Blues" - 9.1 100) "The Snail and the Whale" - 9.6 101) "Out"/"Segredos Mágicos" - 9.3 102) "The Mauritanian" - 9.0 103) "Feeling Through" - 9.6 104) "The United States vs Billie Holiday" - 8.4 105) "Liga da Justiça" - 8.6 106) "The Letter Room" - 8.9 107) "Better Days" - 7.5 108) "O Homem que Vendeu Sua Pele" - 9.3 109) "White Eye" - 9.8 110) "Yes-People" - 9.2 111) "Hunger Ward" - 9.7 112) "The Present" - 9.4 113) "Opera" - 9.8 114) "The One and Only Ivan" - 8.8 115) "Two Distant Strangers" - 9.7 116) "Collective" - 9.7 117) "Genius Loci" - 8.1 118) "Greyhound: Na mira do Inimigo" - 8.8 119) "Pinóquio" (2020) - 9.2 120) "Viajo porque preciso, Volto porque te amo" - 9.7 121) "Babenco: Alguém tem que Ouvir o Coração e dizer Parou" - 9.0 122) "The Father" (2020) - 9.8 123) "O Agente Duplo" - 9.3 124) "Da Yie" - 8.8 125) "Notturno" - 8.8 126) "The Human Voice" - 9.0 127) "Land" - 7.8 128) "Saint Maud" - 9.5 129) "Night of Kings" - 8.9 130) "Quatro Noites de um Sonhador" - 9.2 131) "Rambo: First Blood" / "Rambo: Programado Para Matar" - 9.5 132) "Rambo II - A Missão" / "Rambo: First Blood Part II" - 9.4 133) "Rambo III" - 8.3 134) "Rambo IV" - 7.2 135) "Rambo: Last Blood' / "Rambo: Até o Fim" - 8.6 136) "Cherry" - 6.5 137) "Como Era Verde o meu Vale" - 9.4 138) "Madre Joana dos Anjos" - 9.7 139) "Amor e Monstros" - 9.2 140) "O Raio Verde" - 10! 141) "Quo Vadis, Aida?" - 9.3 142) "Sleepers" - 8.9 143) "Não Cometerás Atos Impuros"/ "Não Cometerás Adultério" - 9.4 144) "A Carta" (1999) - 8.7 145) "O Sol por Testemunha" - 9.6 146) "Precauções Ante uma Prostituta"/ "Precauções diante de uma Prostituta Santa"/ "Cuidado com Essa Puta Sagrada" - 9.8 147) "Radioactive" (2019) - 8.9 148) "Os Homens Preferem as Louras" - 9.1 149) "Alphaville" - 9.8 150) "Os Quatro Paralamas" - 8.4 151) "Forrest Gump" - 9.3 152) "Harmada" - 7.0 153) "Burden of Dreams" - 9.8 154) "Madame Curie" (1943) - 9.1 155) "A Dança dos Vampiros" - 9.0 156) "Batalha no Céu" - 9.3 157) "His Girl Friday"/ "Jejum de Amor" - 9.8 158) "Cemitério do Esplendor" - 9.6 159) "A Última Nota" - 5.5 160) "A Família Mitchell e a Revolução das Máquinas" - 9.5 161) "O Tempo do Lobo"/ "Tempos de Lobo" - 9.1 162) "Gaviões e Passarinhos" - 9.2 163) "Era uma Vez na Anatólia" - 9.3 164) "A Via Láctea"/ "Via Láctea"/ "A Via Láctea ou O Estranho Caminho de São Tiago" - 9.1 165) "Artesão Pickpocket" - 9.7 166) "O Dinheiro" (1983) - 9.6 167) "Feelings" (1984) - 8.5 168) "Pickpocket"/ "O Batedor de Carteiras" - 9.7 169) "Amor, Palavra Prostituta" - 9.5 170) "Vitalina Varela" - 9.5 171) "Olhos Negros" - 9.4 172) "A Outra" (1988) - 9.9 173) "Tabu" (1982) - 7.6 174) "Trauma" (1993) - 9.3 175) "A Mulher na Janela" - 8.4 176) "O Resgate do Soldado Ryan" - 9.5 177) "Retrato de uma Garota no Fim dos Anos 60 em Bruxelas" - 9.2 178) "Oxygen" - 9.2 179) "Os Pornógrafos"/ "Introdução à Antropologia' - 9.7 180) "Fireworks Wednesday" - 9.3 181) "Nénette et Boni" - 9.9 182) "Os Vencidos" (1953) - 9.1 183) "Sonatine"/ "Adrenalina Máxima" - 9.6 184) "The Last Days" (1998)- 9.2 185) "Os Amantes Crucificados" - 9.8 186) "Fast Company"/ "Escuderia do Poder" - 8.7 187) "Balzac e a Costureirinha Chinesa" - 9.2 188) "Os Terroristas" (1986) - 9.4 189) "O Discípulo" (2020)- 9.4 190) "Lars and the Real Girl"/ "A Garota Ideal" - 9.0 191) "Army of the Dead: Invasão em Las Vegas" - 8.2 192) "O Sol" (2005) - 9.9 193) "French Exit" - 7.4 194) "Eva" (1962) - 9.5 195) "They Live" - 9.1 196) "Os Assassinos" (1946) - 8.8 197) "O Ataque dos Vermes Malditos" - 9.2 198) "I Live in Fear"/ "Anatomia do Medo" - 9.6 199) "O Assado de Satã" - 8.7 200) "A Canção dos Pardais" - 9.1 201) "Pasqualino Sete Belezas" - 10! 202) "Kanal" (1957) - 9.9 203) "Alemão" (2014) - 8.8 204) "A Casa Monstro" - 9.1 205) "Cruella" (2021) - 9.6 206) "Cerimônia Solene" - 9.0 207) "Camille Claudel 1915" - 9.0 208) "Fuga"/ "Sinfonia Inacabada" - 9.1 209) "Filme Socialismo" - 9.0 210) "Segredos de Sangue (2013) - 7.8 211) "Proposta Indecente" - 8.9 212) "Din e o Dragão Genial" - 8.7 213) "Expedition Happiness/ "Destino > Felicidade" - 6.9 214) "Belle Epoque"/ "Sedução" - 9.1 215) "Um Dia, Um Gato" - 9.4 216) "Onde Andará Dulce Veiga?" - 8.2 217) "In the Heights"/ "Em um Bairro de Nova York" - 8.9 218) "Salaam Bombay!" - 9.6 219) "Alpes" (2011) - 9.0 220) "O Orfanato" (2007) - 8.9 221) "E não Sobrou Nenhum" / "O Caso dos Dez Negrinhos"/ "O Vingador Invisível" (1945) - 8.8 222) "Luca" - 9.0 223) "O Plano Perfeito" - 9.6 224) "Agonia Rasputin" - 9.3 225) "Um Filme de Cinema" - 9.3 226) "Ninho Familiar" - 9.4 227) "Sorte Cega" (1987) - 9.8 228) "Cinema, Aspirinas e Urubus" - 9.4 229) "E a Vida Continua" (1992) - 9.6 230) "Permanência" - 8.8 231) "Ayka" - 9.6 232) "Notas do Subsolo" (1996) - 8.9 233) "Marighella" - 9.2 234) "Jesus Cristo Superstar" - 9.5 235) "O Baile dos Bombeiros" - 8.9 236) "Rua do Medo: Parte 1: 1994 " - 7.6 237) "A Roda da Fortuna" (1994) - 9.3 238) "O Absolutismo: A Ascensão de Luiz XIV" - 8.4 239) "Durval Discos" - 9.4 240) "Filme Demência" - 9.3 241) "O Estranho Caso de Angélica" - 7.6 242) "Meus Irmãos e Irmãs do Norte" - 8.7 243) "O Homem de Mármore" - 9.8 244) "Rua do Medo: 1978 - Parte 2" - 6.6 245) "Trabalhar Cansa" - 9.2 246) "Viagens Alucinantes" - 9.5 247) "Europa" (1991) - 9.3 248) "Being There"/ "Muito Além do Jardim" - 9.0 249) "Os Noivos" (1963) - 9.9 250) 'O Posto"/"O Emprego" - 9.8 251) "O Silêncio" (1963) - 9.2 252) "Rua do Medo: 1666 - Parte 3" - 7.9 253) "A Regra do Jogo" (1939) - 9.1 254) "Amor e Anarquia" - 8.8 255) "Conto de Outono" - 9.8 256) "Muriel" - 9.4 257) "Cinema Novo" (2016) - 9.0 258) "2 ou 3 Coisas que Eu Sei Dela" - 9.2 259) "O Caso Mattei" - 9.7 260) "Água Quente sob uma Ponte Vermelha" - 8.8 261) "O Beijo no Asfalto" (1981) - 9.4 262) "Fort Apache/ "Sangue de Heróis" - 9.4 263) " A Faca na Água" - 9.4 264) "Diário de um Pároco de Aldeia" - 9.6 265) "A Cor da Romã" - 9,0 266) "Vive L`Amour (1994) - 9.7 267) "A Árvore dos Tamancos" - 9.8 268) "A Barraca do Beijo 3" - 5.4 269) "Oslo, 31 de Agosto" - 9.7 270) "História de Taipei" - 9.1 271) "Mamma Roma" - 9.8 272) "Chorão: Marginal Alado" - 8.8 273) "Longe deste Insensato Mundo" (1967) - 8.7 274) "Atrás da Porta" (2012) - 7.7 275) "Audácia!" (19700 - 9.1 276) "A Maldição da Flor Dourada" - 8.7 277) "Tristana" - 9.5 278) "Estrada Perdida" - 9.9 279) "Introduction" (2021) - 9.1 280) "Identificação de uma Mulher " - 9.2 281) "Amor à Terra" - 8.8 282) "Bethânia Bem de Perto- A Propósito de um Show" - 8.4 283) "Hunger" (2008) - 9.4 284) "Ele é Demais" - 5.5 285) "Pierrot le Fou"/ "O Demônio das Onze Horas" - 9.7 286) "Justiça em Família" - 6.3 287) "Plataforma" (2000) - 9.7 288) "O Amigo da Minha Amiga" - 9.6 289) "Halloween: A Noite do Terror" (1978) - 9.6 290) "Halloween II" - 9.3 291) "Viver e Morrer em Los Angeles" - 9.3 292) "India Song"- 9.4 293) "Os Deuses Malditos" - 10! (Melhor Filme do Ano!) 294) "Nômade: seguindo os passos de Bruce Chatwin" - 8.9 295) "Um Dia Quente de Verão" (1991) - 9.8 296) "Os Goonies" - 9.5 297) "O Medo do Goleiro diante do Pênalti" - 9.0 298) "Schneider vs. Bax" - 9.2 299) "Batalha Real" - 9.8 300) "Tangerine" (2015) - 9.7 301) "Amar Foi Minha Ruína"- 9.6 302) "Annette" (2021) - 9.9 303) "Contos da Era Dourada" - 9.2 304) "Bananas" (1971) - 9.6 305) "A Nuvem Rosa" - 8.9 306) "O Cavaleiro Verde" - 9.7 307) "CODA (2021) - 9.1 308) "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis" - 8.8 309) "O Anjo Azul" (1930) - 9.2 310) "O Baile" (1983) - 9.7 311) "Bom Dia" - 9.8 312) "Vagina Dentada" - 9.2 313) "Halloween IV - O Retorno de Michael Myers" - 8.8 314) "Ghost in the Shell" (1995) - 9.0 315) "A Ilusão Viaja de Trem"/ "A Ilusão Viaja de Bonde" - 9.7 316) "A Que Distância" - 8.9 317) "Landru"/ "A Verdadeira História de Barba Azul" - 8.8 318) "Entre a Inocência e o Crime"/ "Cyclo" - 9.4 319) "O Padre Voador" - 8.6 320) "O Dia da Luta" - 8.6 321) "Cry Macho: O Caminho para Redenção" - 8.3 322) "Hospital" - 9.8 323) "491" - 9.6 324) "O Ciclista" (1989) - 9.9 325) "Trens Estreitamente Vigiados" - 9.3 326) "Hitler 3º Mundo"- 7.9 327) "Alice ou A Última Fuga" - 8.7 328) "O Culpado" (2021) - 8.7 329) "A Floresta para as Árvores" - 9.5 330) "Pais e Filhos" (1957) - 8.9 331) "O Grande Chefe" - 9.1 332) "A Mongolian Tale" - 8.9 333) "Cinzas e Diamantes" - 9.2 334) "Ex-Pajé" - 8.9 335) "Violência e Paixão" - 9.9 336) "Luz Depois das Trevas" - 9.2 337) "Matrix" - 10! 338) "Titane" - 10! 339) "Matrix Reloaded" - 7.1 340) "Cidade Oculta" - 6.8 341) "Dune" (2021) - 9.6 342) "Matrix Revolutions" - 6.3 343) "Pocilga" (1969) - 8.9 344) "Halloween Kills: O Terror Continua" - 9.3 345) "Fogo Sagrado!" - 8.9 346) "Sweetie" (1989) - 8.9 347) "Peel"/ "Um Exercício em Disciplina: Cascas" - 9.0 348) "Em Carne Viva" - 8.6 349) "After Hours" (1985) - 9.4 350) "The Water Diary" - 8.8 351) "Retratos de uma Mulher" - 9.0 352) "Bright Star"/ "Brilho de uma Paixão" - 9.3 353) "Os Olhos de Tammy Faye" - 9.0 354) "Starlet"/ "Uma Estranha Amizade" - 9.8 355) "A Sonata a Kreutzer" (1956) - 8.5 356) "O Jarro" - 9.3 357) "Vingança & Castigo"/ "The Harder They Fall" - 9.3 358) "Daguerreótipos" - 9.7 359) "Ball of Fire"/ "Bola de Fogo" - 9.0 360) "Minha Mãe"/ "Ma Mère" (2004) - 9.4 361) "Passing"/"Identidade" - 9.1 362) "Alerta Vermelho" (2021) - 8.6 363) "Lavoura Arcaica" - 9.1 364) "A Hora do Espanto" - 9.3 365) "Mahler, uma Paixão Violenta" - 9.2 366) "O Mar mais Violento daquele Verão" - 9.0 367) "7 Prisioneiros" - 9.2 368) "Um Lugar para os Amantes" - 8.9 369) "Tick, Tick...Boom!" - 9.3 370) "Portal do Paraíso" - 6.2 371) "Hanyo, a Empregada" - 9.6 372) "A Sombra de Stalin" - 8.8 373) "Sinais de Vida" - 8.7 374) "A Última Floresta" - 8.6 375) "Venom: Tempo de Carnificina" - 8.8 376) "Noite Passada em Soho" - 8.9 377) "Pavor na Cidade dos Zumbis"/ "City of the Living Dead" - 9.7 378) "Stillwater" - 9.1 379) "Um Toque de Pecado" - 9.7 380) "Ferida" (2020) - 8.4 381) "Encarnação do Demônio" - 9.2 382) "The Power of the Dog"/ Ataque dos Cães" - 10! 383) "Cavalo Dinheiro" - 9.4 384) "Antes do Amanhecer" - 10! 385) "O Comerciante das Quatro Estações"/ "O Mercador das Quatro Estações" - 8.8 386) "Shaun, o Carneiro: Aventura de Natal" - 9.1 387) "The Rescue" (2021) - 9.0 388) "Amores Eletrônicos" - 9.4 389) "Medos Privados em Lugares Públicos" - 9.7 390) "King Richard: Criando Campeãs" - 9.0 391) "O Vício" (1995) - 8.6 392) "Não Levantarás Falso Testemunho" - 9.0 393) "Paranoid Park" - 9.3 394) "Meu Pai, um Estranho"/ "I Never Sang for my Father" - 9.5 395) "Belfast" (2021) - 9.1 396) "Imperdoável" (2021) - 8.0 397) "Spencer" - 8.5 398) "Free Guy: Assumindo o Controle" - 8;9 399) "Estrada para Perdição" - 9.1 400) "The Hand of God/ "A Mão de Deus" - 8.8 401) "Despedida de Ontem" - 8.9 402) "Capitu e o Capítulo" - 7.3 403) "Drive My Car" - 9.3 404) "O Homem do Vento Cortante/ "Morrer para Viver" - 8.9 405) "A Crônica Francesa" - 8.9 406) "I Shout Love" - 9.0 407) "A Mulher do Aviador" - 9.1 408) "Não Olhe para Cima" - 9.4 409) "Porto das Caixas" - 9.8 410) "A Casa Assassinada" - 9.2 411) "Dias" (2020) - 9.8 412) "Mississippi Masala" - 9.1 413) "007 - No Time to Die" - 8.8 414) "Accattone - Desajuste Social" - 9.9 415) "A Filha Perdida" - 9.5 Feliz 2022!! "Bons Filmes"!!!
  2. 415) GENTE...OLIVIA COLMAN!!!! O último filme do ano ficou para o lançamento da Netflix, "A Filha Perdida", adaptação do romance de mesmo nome de Elena Ferrante, que li neste ano. O livro é ótimo, muito feminino, muito inteligente, e a adaptação foi simplesmente perfeita. Fidelíssima, e conseguiu domar o touro, que é a sempre difícil intercalação de tempos distintos. Meus parabéns à Maggie Gyllenhaal pelo Roteiro, pelo qual deverá ser justamente indicada ao Oscar. Já a sua Direção, eu achei boa, mas não ótima. Houve um excesso de closes e câmera subjetiva, que me levou por vezes a ansiar por qualquer plano médio que fosse. Essa câmera muito colada aos atores não aproveitou muito a questão da paisagem, do litoral, da praia, mesmo do mar, o que, a meu ver, acarretou em uma perda de "beleza" do filme. Poderia ter sido um filme mais bonito plasticamente. Mas quem dá um show são as atrizes do filme, várias delas ótimas, mas destaco a Jessie Buckley, que deveria ser cogitada como Atriz Coadjuvante no Oscar (pena o ano estar muito concorrido na categoria). Falei em show, e, claro, a Olivia Colman está brilhante, fantástica, e, sei lá, acho que é uma fortíssima concorrente ao Oscar de Melhor Atriz. Acho até que tem muita chance de levar a sua segunda estatueta. Os desafios da maternidade são muitos. Mas a Elena Ferrante junta eles ao desafio mais difícil ainda de - é até ridículo falar - de ser um ser humano. Uma pessoa boa. Desejante. Sonhadora. Por isso as mulheres com razão se identificarão tanto com o livro/filme. A montagem é do nosso Affonso Gonçalves, num belo trabalho. Mais um. Talvez seja indicado a Melhor Filme também.
  3. 414) Que bom terminar o ano com um "N`aum vou nem falar nada!!" Terminar não só o ano, mas terminar de ver toda a filmografia de Pasolini, que detestei a primeira vez que vi algo dele, e hoje gosto muito, gosto demais. Que homem corajoso ele foi! Apresentou novos rostos para o cinema, rostos de quem nunca teria sido filmado se dependessem dos cineastas "padrão", de olhar domesticado pelos atributos da beleza. "Accattone - Desajuste Social", de1961, é considerado por muitos a maior estreia de um diretor italiano em todos os tempos. Que filme maravilhoso, realmente! E já tão cheio de todas as características do diretor. Neorrealismo, com os não atores, buscados na periferia, nos lugares onde o diretor realmente frequentara. Assim Franco Citti, o astro do filme, foi tirado da favela italiana, e virou ator profissa, e construindo uma bela carreira, nela, sobretudo, "O Poderoso Chefão". Um filme sobre o desemprego no pós-guerra, mas com uma ponta a mais de ousadia do que só mostá-los como vítimas das dificuldades da desigualdade social. O protagonista é um desempregado mas que na verdade exerce a profissão ilícita do proxenetismo. Vive às custas das prostitutas. Um desvio moral, um "desajuste social" como remete o subtítulo moralista brasileiro...Mas acontece que ele é bom nisso. Ele alicia jovens mulheres, quase como um caráter. Poderia destacar várias coisas maravilhosas deste filme, como a famosa cena do enterro, ou a cena em que o personagem de Citti rouba o próprio filho criança, mas fiquei pensando mesmo é como Pasolini conhecia bem a questão da prostituição. O modo de falar das mulheres, as quebradas de Roma, a violência das situações, as piadas sobre se preferir um corpo ou o outro...Muito do que vemos aqui se repetirá no filme seguinte, "Mamma Roma", de 1962, sobre uma prostituta e seu gigolô também, filme em que ele novamente fará uma cena de atroz violência contra mulheres num local ermo... Pasolini, ele mesmo morto numa "quebrada", na vida real. O sexo leva as pessoas a tantos e estranhos lugares...ao dinheiro, à vergonha, ao paraíso, ao fim de uma rua escura, a um matagal, a uma praia deserta, à morte...Parece premonitório. Maravilhoso! Tendo visto todos os filmes dele, meu ranking Pier Paolo Pasolini fica assim: 1) "Saló , ou Os 120 Dias de Sodoma"; 2) "Teorema"; 3) "Accattone - Desajuste Social"; 4) "Mamma Roma"; 5) "As Bruxas" , o segmento dele "Terra Vista dalla Luna, la" 6) "Os Contos de Canterbury"; 7) "O Decameron"; 8 ) "O Evangelho Segundo São Mateus"; 9) "Édipo Rei"; 10) "Gaviões e Passarinhos"
  4. 413) Estava "Sem Tempo" para "No Time to Die", pois não sinto nenhuma atração pela franquia OO7. Mesmo assim encarei. Achei o filme apenas razoável, muito pelo péssimo vilão, interpretado sem nenhuma graça por Rami Malek; mas achei a história muito fraca. Embora considere as situações de ação muito bem elaboradas, bem resolvidas, no geral; bem como goste do Design, da beleza estética dos filme, da escala...a trama é muito novelesca. A primeira hora e meia é especialmente fraca, melhorando nos últimos 30 minutos. Não curti tampouco a música-tema da Billie Eilish, que vem quase como um clipe, fechando o primeiro ato do filme. Assim como em outros filmes já tinha sido assim. No entanto, talvez seja a canção favorita ao Oscar, nesse momento. É a despedida de Daniel Craig do personagem, que pena. Muito bom ator, bonito, malhado, e com - e geral - os melhores filmes. Mas esse é dos mais fracos.
  5. Concordo com tudo que você escreveu, @Gustavo Adler, notadamente a respeito do ponto de vista da personagem da Lawrence! Eu amei quando ela ligou o foda-se para ficar com os maloqueiros, que é um lugar, ASSIM COMO ELA, pé no chão, mas ainda sim fora da racionalidade (que já não servia mais!). Gostei demais do roteiro, principalmente o esperto título, que remete a uma sociedade dividida, entre os que olham e os que se negam a olhar. Meu único problema foi com algumas composições de direção mesmo, como o primeiro encontro entre os astrônomos e a Presidente. Achei mal dirigido. Não sei nem se foi proposital.
  6. 412) "Mississippi Masala", de 1991, é o segundo filme da indiana Mira Nair, e veio numa porção mais doce, depois de sua festejada porém dilacerante estreia com "Salaam Bombay!". Como gênero, é um romance. Um romance entre um negro e uma mulher de origem indiana, no preconceituoso estado americano. A mulher foi expulsa de Uganda onde nascera, junto com sua família, na época do ditador Idi Amin, que não queria mais indianos em seu país, pois dizia que a África era para os africanos. Eles migram então para os Estados Unidos, onde vão trabalhar com uma cadeia de motéis. Por acidente, ela conhecerá o personagem de Denzel Washington, se apaixonarão, e enfrentarão mais uma teia de preconceitos sociais. De ambos os lados das culturas. É um filme mais leve, doce, legal, na mesma "vibe" de alguns outros filmes dela, como "Casamento à Indiana". Eu gosto desse cinema mais soft, mas que não deixa de dizer algo sobre o mundo. Nos filmes dela, como neste, os personagens parecem usar mais a leveza, ou a inteligência, ou princípios, ou, no limite, a habilidade social, para se safarem das situações adversas. Não se valem do "discurso militante". Não tem discurso ativo aqui. Está nas entrelinhas. Adoro cada vez mais gente assim. Que não transforma o mundo, com razão ou sem razão, em Coitadismo. Eu realmente não tenho mais paciência.
  7. Livros lidos em 2021, e suas cotações: * Releituras não entram no ranking. Seriam todos vencedores, já que são todos 10, meus preferidos da vida. 1) "Don Juan (Narrado por ele mesmo)" - Peter Handke: 6.0 (Pior livro do ano!) 2) "Ilíada" - Homero: 9.2 3) "Odisseia" - Homero: 9.8 4) "Canções de Atormentar" - Angélica Freitas: 8.7 5) "Solução de Dois Estados" - Michel Laub: 9.3 6) "A Fazenda dos Animais" - George Orwell: 9.6 7) "A Educação Sentimental" - Gustave Flaubert: 9.6 8 ) "A Biblioteca da Piscina" - Alan Hollinghurst: 10! (Releitura!) 9) "O Preço da Desonra" - Hiroshi Hirata: 8.8 10) "Harmada" - João Gilberto Noll: 8.9 11) "Ilusões Perdidas" - Honoré de Balzac: 9.7 12) "Crônica da Casa Assassinada" - Lúcio Cardosos: 9.9 13) "Onde Andará Dulce Veiga" - Caio Fernando Abreu: 9.4 14) "Origem" - Thomas Bernhard: 10! (Melhor Livro do ano!) 15) "Torto Arado" - Itamar Vieira Júnior: 9.0 16) "Contra a Interpretação" - Susan Sontag: 9.9 17) "Diário de um Pároco de Aldeia - Georges Bernanos: 9.5 18) "Caim" - José Saramago: 9.6 19) "O deus das Avencas" - Daniel Galera: 9.7 20) "O Pecado de Liza" - Somerset Maugham: 9.3 21) "Nova York: A Vida na Grande Cidade" - Will Eisner: 9.9 22) "Os Ensaios" - Montaigne: 8.8 23) "Henri Désiré Landru" - Chabouté: 8.6 24) "A Filha Perdida" - Elena Ferrante: 9.7 25) "Terra Estranha" - James Baldwin: 10! 26) "A Sonata a Kreutzer"- Lev Tolstói: 9.7 27) "Lavoura Arcaica" - Raduan Nassar: 9.0 28) "Massa e Poder" - Elias Canetti: 7.2 29) "Não Diga Noite" - Amós Oz: 9.4 30) "O Que te Pertence" - Garth Greenwell: 9.1 31) "O Amor nos Tempos do Cólera" - Gabriel García Márquez: 10! Número bem abaixo em relação aos últimos anos; apenas 31. Deve ter haver com o tamanho de alguns calhamaços do começo do ano, e com o período de Jogos Olímpicos, quando não li nenhuma linha. A pior leitura do ano deveu-se a ficar encantado pelo título, que, no final das contas, prometeu mais do que entregou. Alguns livros, como o da minha musa intelectual, Susan Sontag, ou a obra-prima de Lúcio Cardoso, mereciam um dez, mas "nasceram em Niterói", ficaram no quase. Entre bissexuais se amando e se desrespeitando nos Estados Unidos da era do Jazz; ou o amor cálido e eterno das tardes quentes da Colômbia; o melhor livro do ano são as memórias devastadoras de um jovem pobre na Áustria, durante a Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez, senti frio com um livro. E tossi! Top 3: "Origem"; "Terra Estranha"; "O Amor nos Tempos do Cólera" Feliz 2022! Bons Livros!
  8. Meu comentário sobre ele, @Muviola: "Godard uma vez disse de Robert Bresson: "Ele é o cinema francês, pois Dostóievski é o romance russo, e Mozart é a música alemã". Em "Quatro Noites de um Sonhador", de 1971, temos um Bresson baseando-se na novela "Noites Brancas" de Dostóievski, mas, consertando a frase acima, agora com música brasileira. Ou, mais preciso, música brasileira-angolana, do antigo grupo Batuki, do mineiro de Pirapora, já falecido, Marku Ribas (que depois atuaria como ator no cinema nacional)... É legal ver a transposição do universo, da São Petesburgo para Paris, do cais do Nievá para o cais do Sena. Mas a trama se mantém, uma garota apaixonada prestes a se suicidar da ponte, que é salva por um jovem, com quem mantém um diálogo, ambos contando suas histórias de vida, o que resulta em uma aproximação de matizes platônicas. O formato sentimental, emocional, claro, inexiste. É Bresson. Tudo é mínimo, seco, gelado. Os atores parecem robôs, assim, escrevo eu, como a maioria das pessoas. Encouraçados! Nesse sentido, é extremamente realista. A protagonista é Isabelle Weingarten, de semblante misterioso, morta em 2020, que fora casada com Wim Wenders. A cena mais quente,sensual, é quando ela se despe ao lado do quarto de seu inquilino, por quem está apaixonada, e enquanto tira a camisola, revelando seu belo corpo, ouve-se português, a canção "Musseke". Aprendo, agora, ao escrever isso, que na versão de "Noites Brancas", de Visconti, de 1957, havia também uma canção brasileira, "Olé muié rendeira", do filme "O Cangaceiro". O cinema está unido, sabe? Um filme contém o espectro de outros mil filmes. Outra canção, "Porto Seguro", é ouvida mais perto do fim, com o mineiro em plano frontal. Que honra! Engraçado que Bresson é classificado como "anacrônico", ou antiquado, mas o quanto de transcultural tem esse filme? Um filme muito bom. Frio, sem emoção. Sempre os jovens como protagonistas no cinema de Bresson, como pessoas "em potência"... Jovens que olham para baixo o tempo todo. Como se as angústias existenciais estivessem em cima das costas."
  9. 411) Faltam palavras. Que filme! "Dias", de 2020, é o último esculacho de Tsai Ming-liang. Somos advertidos desde o início de que o filme não tem legendagem. Não precisava. A primeira palavra só é dita aos 96 minutos, entre os dois personagens principais, e fica nisso. O filme é silencioso, diz o diretor, para destacar os elementos da vida ao nosso redor, sem que sejam elas atrapalhados pelos diálogos artificiais. É o som da chuva do primeiro plano. É o som dos carros, o som das pessoas pelas ruas, o cantar dos pássaros, o ruídos do descascar dos legumes, o barulho do chuveiro, ou da água batendo no corpo. E, além do silêncio, mais uma vez, um filme úmido, molhado. Mas não é por que não tem falas, que ele não tem história. Em "Dias", mostra-se os preparativos dos dois protagonistas, em suas rotinas, até se encontrarem, finalmente, em um quarto de hotel. Enquanto um deles, mais velho, vivido pelo muso do diretor, Lee Kang-sheng, sofre com dores na coluna (seu torcicolo conhecido desde "O Rio"), e procura um serviço de acupunturista; o mais jovem, vivido com doçura por um ator do Laos, prepara sua refeição, em seu modesto apartamento, toma banho, arruma-se, cuida de si; até que finalmente dá-se o encontro, lá pelo meio do filme, entre os dois. Corte para uma enorme, gigantesca, cena do mais jovem só de cueca massageando o dorso e a bunda de Lee Kang-sheng. Depois de uns 15 minutos do cara passando creme e massageando o outro, começa, de fato, a "fodeção", com direito a vários minutos de passagens de língua no famoso terceiro mamilo de sheng. Mas o sexo não vem em modo Hollywood. A cena é inteiramente calma, e em paz! É um banho de cinema! O mais legal é que como não há diálogos, só podemos conjecturar...É fácil pensar romanticamente que são namorados, ou "ficantes". Mas pela diferença de idade, e por outros sinais, penso que o mais jovem é apenas um massagista erótico, que ganha sua vida assim. Já que desde o primeiro plano e depois em outro mais à frente, vemos o personagem mais velho enfrentando sua solidão, enquanto o mais jovem pareceu-me encarar tudo "objetivamente". Tem que fazer?, vai lá e faz. Depois do banho a dois, o mais jovem ganha uma caixinha-de-música delicada, e os dois saem pelas ruas da metrópole, comem qualquer coisa, e se despedem. E o plano final é o garoto sozinho no banco do ônibus, ou seja, é Tsai Ming-liang refazendo a cena final de seu "Vive L`Amour"! Ual! O cinema avança por meio desse verdadeiro gênio da Malásia! Meu ranking Tsai Ming-liang, portanto, altera-se: 1) "Adeus, Dragon Inn"; 2) "Rebeldes do Deus Néon"; 3) "O Sabor da Melancia"; 4) "Cães Errantes"; 5) "Vive L`Amour"; 6) "O Rio" 7) "Dias" 8 ) "Eu não Quero Dormir Sozinho" 9) "O Buraco" 10) "Que Horas São Aí?"
  10. 410) E para aumentar o volume de coincidências, @Muviola, acabei de assistir a "A Casa Assassinada". 😄 Foi a empolgação com "Porto das Caixas", e também foi útil para matar a curiosidade por essa adaptação, já que também li o livro de Lúcio Cardoso neste ano - sendo ele o quarto melhor livro que li em 2021. Você está coberto de razão ao dizer que o Saraceni acertou ao retirar o caráter polifônico do livro. Mas, convenhamos, não havia outro jeito. Era um desafio tremendo condensar mais de 700 páginas em menos de duas horas. É trabalho para uma minisérie. O filme não deu conta, a meu ver, da definição do caráter de Valdo ou de Demétrio. E a linha do tempo ficou meio confusa para quem não leu o livro. Mas o maior problema para mim foi a nítida falta de dinheiro para bancar a produção. Se você captou também, em algum momento do filme, fala-se em "chácara". Porque não dava pra acreditar que aquilo ali era uma fazenda, que dirá uma grande fazenda em decadência...É uma pena, pois, se houvesse achado uma locação melhor, teria ajudado bastante o filme...Não é algo trivial. A casa é a representação da velha sociedade patriarcal (Mineira..Uma Minas meio estranha por que ora é perto de Ubá, ora perto de Entre Rios de Minas, dois municípios distantes entre si) sendo substituída pelo dinheiro novo. Dito isso, achei que a Norma Bengell e o Carlos Kroeber mandaram bem demais, nos seus difíceis personagens. Os leitores brasileiros só falam de Capitu, mas a Nina é uma das outras grandes personagens da Literatura brasileira, concorda? Mais uma vez, trilha de Tom Jobim, e Fotografia de Mário Carneiro.
  11. 409) "Porto das Caixas", de 1963, é tido por alguns como o primeiro filme do Cinema Novo brasileiro, e é simplesmente um nocaute! Sério, que filme maravilhoso! É o primeiro longa-metragem de Paulo César Saraceni, cujo segundo seria simplesmente "O Desafio" - akela coisa! Baseado em um crime famoso da metade do século XX, conhecido como o "o crime da machadinha", e bebendo em "Obsessão" de Visconti, conta essa história, assinada por Lúcio Cardoso, de uma mulher ousada, bonita, e inteligente, que vive um casamento horroroso, com um marido violento, e sai pela cidade a busca de um amante, não para ter prazer sexual, para que possa matar o marido. Conjugando a estagnação social de uma cidade do interior fluminense, às vésperas de uma eleição com promessas de "Reforma Agrária", com o processo de independência individual, a esposa quer se livrar das correntes do casamento, numa era pré-divórcio. Não só pleiteia o fim do casamento infeliz, mas mesmo um livramento, no qual possa ser alegre, e sexy, de novo, como o é com os vários homens com quem tenta convencer a virar um sócio no crime. Em vão, os homens são todos uns inúteis nesse filme. Belíssimamente fotografado, belíssimamente interpretado pela atriz (argentina, naturalizada brasileira) Irma Alvarez, com bela trilha sonora de Tom Jobim...mas,a cima de tudo, magnificamente bem dirigido. O filme é uma completa sensação...de que ela está aprisionada em uma vida toda sem progresso. Não só no casamento, sem amor, sem dinheiro, mas na própria cidade que não vai para a frente. Tanto que seus amores clandestinos se dão em fábricas abandonadas, esqueletos de prédio, ou num triste e precário parque infantil, e ela ainda diz morar perto da "casa assassinada". Tanto que a montagem da cena da execução é intercalada com discursos políticos inflamados, nos quais se diz que "Não adianta nada ser campeão mundial e não ter feijão". Um filmaço! Viva o cinema brasileiro!
  12. 408) Sou supeito, pois gosto dos filmes do Adam Mckay, mesmo os mais despretensiosos. Não foi diferente com "Não Olhe Para Cima", embora tenha achado que ele foi mal dirigido em certas cenas, como, por exemplo, a do primeiro encontro dos astrônomos com a Presidente. Achei que as decisões de câmera foram muito ruins ali, e em outros momentos, o que tornaria imerecida uma terceira indicação a ele na categoria. Porém, achei o filme muitíssimo bem escrito, muito necesário, e, acima de tudo, muito legal! Adoro esse humor absurdo, crônico, pateta...Ri de várias situações, e ri pra não chorar da maioria dos eventos. Mais do que reais, presentes, em seus equivalentes, diariamente no nosso noticiário. Os atores estão excelentes, a destacar, Mark Rylance, Jonah Hill, Leonardo diCaprio, Cate Blanchett...Perfeitos! O filme não foi amado pelos críticos, mas acho que pelo menos as indicações ao Oscar em Roteiro Original e Montagem (Hank Corwin) estão asseguradas. Um comentário muito lateral, mas amei o título... A disputa entre "Olhar" e "Não Olhar" foi maravilhosa, não estava esperando por essa confrontação tão inteligente. E depois divaguei acerca do meu método de olhar o mundo, que é o método dos Liberais Clássicos. Nós olhamos também. E olhamos para cima! Não só para o céu, mas para o poder hierárquico. Tanto que a principal construção histórica que os Liberais legaram ao mundo foi o esvaziamento do poder do soberano. Um Liberal de verdade não adula o poder, o vigia, o cerca, e o quer potencialmente menor. Jamais eu, por exemplo, seria uma pessoa de raiz coletivista, pois nessa corrente os burocratas são como que "guias" infalíveis do povo (vide Vargas, Lula, etc), como também jamais apoiaria um Conservador serviçal dos "empreSaurios". Quando temos paspalhos no poder, como os mostrados no filme, como os atuais da vida real, só posso olhá-los com ódio e desejar a eles uma morte explosiva. Antes da minha. Amei!
  13. 407) Foi quase uma maratona, sem sê-lo. Vi muitos Rohmer em 2021. Mas encerrei com um exemplar mais fraco do diretor francês, este "A Mulher do Aviador", de 1981. Um filme de imaginação de um namorado ciumento. Ele vê um homem saindo do apartamento da namorada (a sempre excelente, Marie Rivière), com quem ela de fato tivera um caso. Um dia depois, acaba-lhe seguindo pelas ruas de Paris. Espiona-o na companhia de uma jovem, que por obra do acaso, esbarra com ele, e se entusiasma pela inusitada emoção detetivesca. Será que a namorada o trai? O crucial é perceber que a namorada não precisa "traí-lo". Ela é livre! Não quer casar, não quer morar junto com alguém, não quer perder sua liberdade, sua privacidade. Ela diz isso a ele em vários momentos, joga limpo, inclusive no melhor deles, no final do filme. Então entendemos que o filme é mais sobre a imaginação do homem ciumento. O ciúme te faz fazer coisas estranhas, ridículas. É uma deturpação da realidade, embora Rohmer deixe claro que há um ponto de verdade na emoção. Um ponto cego. Dos diálogos, dessa vez, eles são mais "quantitativos" do que "qualitativos". Esperava mais. A nota triste foi saber que o ator protagonista, que poderia ter seguido em outros filmes do Rohmer como o restante do elenco seguiu, morreu meses depois em um incêndio em uma barraca de camping.
  14. Estou louco para ler o livro assim que o traduzirem - pois ler em outro idioma me cansa, ainda mais em uma hora do dia que já estou cansado. Procurei saber e toda aquela parte final, dos índios - expulsos da terra pelos irmãos - dando as luvas de presente para a mãe (nesse detalhe especial), foi bastante adaptada, bem transformada pela Jane Campion.
  15. 406) Sem muito tempo, e com muita saudade dos trabalhos da canadense Sarah Polley - que prepara novo filme para 2022, a respeito de abusos sexuais em uma comunidade religiosa na Bolívia. Achei esse curta-metragem de 2001, "I Shout Love", uma comédia romântica sobre uma mulher que tenta evitar a separação do namorado. Primeiro com um ataque de choro, segundo com encenações frente a uma câmera de todos os momentos bons que eles tiveram juntos. O pavor de todos os homens: uma mulher escandalosa, superapaixonada, destemperada. Então logo de cara desgostamos da protagonista, mas a medida em que acompanhamos as reencenações dos bons momentos, vamos entendendo como ela pode ser divertida, legal, e nos surpreedemos com a revelação de um segredo, que muda toda a pespectiva. Como sempre, tudo dela é muito bem escrito. É um talento essa mulher.
  16. Sabia que eles eram noivos. Desconhecia que tinham filhos. Eu tinha meio que preguiça dele, mas me convenceu nos últimos trabalhos.
  17. 405) Com muito atraso, conferi "A Crônica Francesa", novo filme de Wes Anderson, e por mim rotulado como o seu pior. Sempre escrevo que adoro como nos filmes dele a forma e o conteúdo se retroalimentam, mas aqui não houve isso. O conteúdo morreu. Aliás, "Que conteúdo?" - muitos perguntar-se-ão. Não creio que muita gente saiba o que foi o "New Journalism", ou mesmo se interesse muito por isso. As revistas jornalísticas culturais tiveram - eis o verbo, no passado - muita importância na detecção e no lançamento de novos artistas. Pois prestigiar a arte era como uma missão do jornalismo, em seus segundos cadernos, ou bons colunistas. Visualizamos isso no filme, mas acho que só visualiza quem consegue ver. A maioria das pessoas, penso, vai achar a temática inexpressiva. E não por que elas sejam só desinteressadas desse mundo, mas é que o filme - e esse é um dos maiores problemas - trata tudo com extrema velocidade! Tudo é rapidíssimo! Não acho que essa aceleração foi benéfica para o tema. Os atores, em virtude disso, têm até dificuldade em se destacar, até por que a maioria deles mal têm direito a falas, como - chocante - uma atriz do tamanho de Saoirse Ronan. Nem preciso discorrer sobre a beleza do quadro. É Wes Anderson, com Adam "Fantástico" Stockhausen no Design, Milena Canonero no Figurino (ruma à décima indicação, em 5 décadas?), Robert Yeoman na Fotografia...Mais Alexandre Desplat em linda trilha, jogando em casa, com o sitiamento do filme em seu país. Infelizmente, o apuro estético esmagou o conteúdo.
  18. 404) Sem muito tempo por aqui, fechando um ano de muito trabalho, vi este filme japonês de título bambo, conhecido por "O Homem do Vento Cortante", ou "Morrer para Viver", de 1960, mas o que é importante é que todos o conhecem pelo seu diretor-ator principal, o grande escritor, o mítico, Yukio Mishima. De cara, você se surpreende pela atuação. Ele dá um banho, com sua cara de mau, invocada,e roupa de couro preta. Não conheço um escritor desse quilate que tenha atuado tão bem, a direção também é ótima. Um filme de gângster, um ex-Yakuza sai da cadeia, onde aparentemente se regenerara, e é perseguido pelas gangues vingativas, e, mais do que isso, por seu passado. Uma trama meio corriqueira, mas que do meio para o final dá uma guinada, e ele estará às voltas com uma namorada grávida, que ele ama, mas ele não deseja o filho, por temer a violência dos rivais. Em cenas impossíveis hoje em dia, ele bate na namorada até falar chega! É inacreditável! A xinga, a esbofeteia, pra caramba, mas...ela o ama, e permanece! Sabe que a violência que ela sofre é o medo dele de viver e ser morto. É bem legal o filme. Mas vale mais pela curiosidade extrafilme, ver como um escritor homoerótico trabalhou tantas facetas diferentes da masculinidade, ao longo de sua vida. Uma coisa até "The Power of the Dog" da vida real.
  19. Vou terminar 2021 com um livro sul-americano, finalmente. "N`um vou nem falar nada!!"
  20. 403) Os Críticos de Nova York e os Críticos de Los Angeles reconheceram, ambos, o japonês "Drive My Car", de Ryûsuke Hamaguchi, como o melhor filme do ano. O filme, que saiu de Cannes com muitos elogios e o Prêmio de Melhor Roteiro, é o candidato do país do Sol Nascente ao Oscar, e vem brigando por mais coisas, como uma possível indicação a Roteiro Adaptado, pela transformação em cinema de um conto de Haruki Murakami. Minha relação com Murakami começou ainda jovem quando surpreendi o dono da livraria em busca do maravilhoso "Caçando Carneiros". Depois viriam outros livros. Minha crítica ao filme é a mesma que aponto aos livros dele...Os sentimentos são exacerbados, quase como se o Japão fosse o México. É tão engraçado. A ponta de um lápis quebrar pode desencadear um suicídio duplo juvenil...Dito isso, existem muitos elementos que de fato encantam na literatura dele. Como a construção lentíssima dos personagens, a influência ocidental (aqui o teatro russo) na cultura japonesa, um clima entre o "estranho" e o lânguido, dores de amor...É sempre uma leitura que vale a pena... O filme tem todas essas características. É estranho e bonito. Lento, demorado, quase três horas. Com vinte minutos finais muito bons. Não acho que seja o melhor filme do ano, como muitos dirão. Aliás, não me passa batido que tenta ser "Burning", sem consegui-lo. Faltou um enredo mais entretenido, pra começar.
  21. 402) Um final de semana de cinema pouco ou nada convencional. Deve ser minha raiva por não me conceder a ida ao cinema para ver o novo Homem-Aranha. Ai, ai! Hoje com o ainda não lançado comercialmente "Capitu e o Capítulo", de Júlio Bressane. A ideia é boa. Diz o diretor que veio de Haroldo de Campos. Percebeu o poeta que um dos protagonistas em "Dom Casmurro" são os "Capítulos". Aqueles curtos, irônicos, digressivos. Bressane ficou com isso na cabeça, e fez um filme que não é uma adaptação (ainda bem!) do conhecido enredo, mas quase um ensaio desconstrutivista sobre Bentinho, Capitu, Escobar, e o Casmurro narrador... Do capítulo mais famoso deles, o dos vermes que não sabem o que roem, apenas roem, Bressane aproveita-o para colocar imagens reais de vermes. Eu pensei que o filme seria um aproveitamento curioso disso, dessa tática, e fiquei até animado. Mas não. O filme é uma doideira, doidera mesmo. Do tipo, Capitu e Bentinho fumando charuto e exclamando Epa-rei de candomblé...Putz, nessa hora me deu uma vontade de ver o Homem-Aranha... E depois o filme sai do universo de Machado para incorrer em trechos de Lima Barreto, e digressões sobre poetas brasileiros que morreram jovens... Tipo, se ejetou do próprio livro-base...Não entendi. O filme é "estrelado" por Vladimir Brichta e Mariana Ximenes. Ele não sabe o que faz em cena. Sério. É constrangedor. A Mariana...tipo, linda mulher e esforçada, mulher realmente interessada em arte...Mas, como atriz, é péssima! Não entendo como pode estar em tantos filmes dos últimos vinte anos...Socorro! Gostaria muito de ver o Bressane explicando o próprio filme. Considero-o muito culto, uma mente poderosa e instigante. Mas aqui avançou demais o sinal.
  22. 401) "Despedida de Ontem" é o primeiro longa do cineasta e, mais que isso, um dos maiores intelectuais alemães, Alexander Kluge. Um dos grandes nomes do Novo Cinema daquele país, naquela onda que abrangeu vários países do mundo nos anos 1960, da República Tcheca ao Brasil, pode-se dizer que ele é um Godard teutão. Um filme bastante difícil, quase sem fio narrativo, no qual o cineasta dirige sua irmã. "Conta" , bem entre aspas, a história da tentativa de ressocialização de uma jovem que furtou um casaco de pele, foi presa, e entrou em um período de custódia, no qual precisa arranjar uma ocupação, voltar aos estudos, ou algum outro jeito recomeçar. Ela tentará isso tudo, estudará Filosofia, por exemplo, ou tentará um emprego menor, ou ainda começa um romance com um funcionário do governo. Aos poucos, vamos entendendo que ela povém de uma família judia, que perdeu, obviamente, tudo com a guerra, e está em deslocamento, do leste para o oeste. Livre. Intensa. Despreocupada com o futuro. E seguindo uma singular teoria de vida: Aprender a desaprender. A questão é que isso que eu escrevia cima não é o filme, é quase uma forma errônea de explicar o filme segundo uma análise comercial. O filme é muito elíptico, críptico, cheios de cortes bruscos, inserção de erros de gravação, objetos da própria filmagem à mostra, idas e vindas de montagem... Realmente, um trabalho fora da curva, uma maneira de enxergar o cinema fora do padrão comercial. Não gostei, mas valeu a pena conhecer. Como a protagonista, aprender a desaprender o que o cinema convencional nos oferece.
  23. Meu comentário, @Muviola: " Muito possivelmente, o melhor filme do ano!!!! Desde Berlim, "First Cow" tem ganhado elogios entusiasmados mundo afora. Fui conferir a crítica do Pablo e ele chamou de "obra-prima". Este novo filme de Kelly Reichardt (assinando também roteiro e montagem) continua em seu estilo minimalista, de poucas palavras, lento, mas tem uma história muito melhor do que os outros filmes dela, na minha opinião, muito mais interessante, ainda que seja um fiapo de história: a amizade entre dois homens, que roubam leite, da primeira vaca trazida à região, para fazer e vender bolinhos na feira, no Oregon de 1820. O filme, no entanto, não começa naquela época de colonização. Começa 200 anos depois. E, de cara, saberemos o destino deles. Os dois atores protagonistas, John Magaro e Orion Lee, estão muito ternos e cativantes. No meio da brutalidade dos coletores de pele, no meio da brutalidade existencial dos primeiros habitantes da região, eles se destacam pelo contrário: falam manso, agem delicadamente, se tratam bem, o que ganha o público de cara; embora, na rigidez da palavra, eles possam ser enquadrados efetivamente como dois ladrões. A mim me pareceu um filme bastante político, que discute "como se ganha dinheiro". Os dois protagonistas roubam o leite para produzir, para criarem algo novo, visando a construirem futuramente um sonho. Completamente diferente dos outros homens locais, esses sim, efetivamente violentos, que enriquecem diretamente da "matéria-prima": estupram a terra, matam os animais, cortam as árvores, subjugam os índios num capitalismo de exploração. Os protagonistas não; eles sabem fazer alguma coisa. Só não têm os meios básicos para começar. Fotografia esplêndida, e desenvolvida em razão de aspecto de 1:31, da chamada "janela clássica", como uma foto antiga. Um design excelente, que reproduz não só um vilarejo de caçadores, mas também o interior das choupanas, e os precários instrumentos de uma cozinha rústica (adorei ver o "fouet"). Vai ganhar todos os prêmios Indie, se se lembrarem desse filme, lançado tão precocemente. Um adendo: O título me remete não só à primeira vaca que chega à região, mas também o "First" pronome de tratamento, como Primeiro-ministro, Primeira-dama, etc, pois é comentado que a vaca do filme tem uma linhagem "nobre". A qual o chinês diz valer mais do que ele. Amei."
  24. 400) Uma analogia com a música...Quero falar sobre o mal que Elis Regina, Marisa Monte, e Cássia Eller causaram à música brasileira. O mal, entendam bem, suas centenas de filhotes indesejados. Há uma garota em minha cidade, por exemplo, que canta todo o repertório da Elis...exatamente como a Elis faria... vestindo-se exatamente com aquele look 1970`s...e todo mundo acha o máximo! "Ôôô Madalena!" Não tenho paciência! São dezenas de imitadores de vozes, Brasil a fora. Por quê? Em certa fase da vida, é preciso queimar os ídolos, se não você não sai da sombra. No cinema existe outra descendência maldita, a que bebe em Fellini. "The Hand of God"/ "A Mão de Deus" é o candidado da Itália ao Oscar, dirigido por Paolo Sorrentino. Um filme autobiográfico, que costura memórias e intimidades, dores e alegrias, da juventude dele em Nápoles, na época em que o jogador Diego Armando Maradona foi jogar no time local. O craque argentino acabou se tornando o máximo ídolo do diretor, a quem, eu me lembro, ele agradeceu no palco do Oscar, ao receber a estatueta por "A Grande Beleza". Tudo é muito pessoal, mas faltou uma "ponte" com o espectador. Algo que tenha um significado transcendente, para além da confissão. A primeira parte é comédia; FORÇADA e sem graça, aquele jeito de encarar as pessoas como cartuns. A segunda parte tem tintas mais dramáticas. E uma cena patética, de enorme mal gosto. A rivalizar com "Spencer" qual tem a pior cena do ano. Mas o maior defeito pra mim é querer ser Fellini. Eu comprei a ideia do cinema de Sorrentino há alguns anos, mas já me cansei dela. Amo alguns filmes de Fellini; como "Amarcord" ou"Satyricon"; mas ele nunca foi meu diretor italiano preferido. Não teria por que eu gostar das cópias. Dito isso, tecnicamente, reconheço, o filme é muito bem-feito.
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