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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Everything posted by SergioB.

  1. Alguém anotou a placa? Impecavelmente belo e de uma inteligência flamejante, "Retrato de uma Jovem em Chamas" ganhou Roteiro em Cannes, e muitos prêmios pela sua admirável Fotografia. Não é certo dizer que a França bobeou, pois o filme escolhido pelo país Hexágono entrou no Oscar de Filme Internacional, mas posso dizer que o estúdio ( acho que é a Neon, de Parasite) bobeou em não ter feito campanha intensa por esse filme mais cedo, pelo menos em Fotografia, para Claire Mathon ( de "Atlantique", "Um Estranho no Lago"). Acho que dava para entrar. Eu amo "Tomboy" e gosto de "Minha Vida de Abobrinha", entã fico feliz em ver Céline Sciamma ser tão reverenciada pelo seu novo trabalho. Não está 100% correto, mas posso dizer que esse é um filme infenso aos homens, é dizer, os homens não têm direito àquele mundo, nem como atores. É um filme feminino, de cima a baixo. Estamos no Século XVIII, o casamento não era uma expressão do amor, era um negócio, um acordo. Uma pintura - para os noivos se visualizarem - funcionava como um pré-contrato. Esse era o retrato da época. Mas e o que fica fora do quadro? Se o amor entre as duas personagens parece óbvio, sua execução não o é. Tudo é construído de maneira seca, austera ( até por que o Mito do Amor Romântico nem tinha sido inventado pela cultura) quando então tudo se incendeia, num erotismo muito sofisticado. Ademais, adorei constatar que existe ainda um outro tema no filme - não só um romance - se desenvolvendo naquele ambiente, com a serviçal do local, e que rende cenas muitas belas também. No fim, é o Inverno de Vivaldi que apaga a chama. (Prevejo uma explosão de número 28 tatuado mundo afora)
  2. Alguém anotou a placa? Impecavelmente belo e de uma inteligência flamejante, "Retrato de uma Jovem em Chamas" ganhou Roteiro em Cannes, e muitos prêmios pela sua admirável Fotografia. Não é certo dizer que a França bobeou, pois o filme escolhido pelo país Hexágono entrou no Oscar de Filme Internacional, mas posso dizer que o estúdio ( acho que é a Neon, de Parasite) bobeou em não ter feito campanha intensa por esse filme mais cedo, pelo menos em Fotografia, para Claire Mathon ( de "Atlantique", "Um Estranho no Lago"). Acho que dava para entrar. Eu amo "Tomboy" e gosto de "Minha Vida de Abobrinha", entã fico feliz em ver Céline Sciamma ser tão reverenciada pelo seu novo trabalho. Não está 100% correto, mas posso dizer que esse é um filme infenso aos homens, é dizer, os homens não têm direito àquele mundo, nem como atores. É um filme feminino, de cima a baixo. Estamos no Século XVIII, o casamento não era uma expressão do amor, era um negócio, um acordo. Uma pintura - para os noivos se visualizarem - funcionava como um pré-contrato. Esse era o retrato da época. Mas e o que fica fora do quadro? Se o amor entre as duas personagens parece óbvio, sua execução não o é. Tudo é construído de maneira seca, austera ( até por que o Mito do Amor Romântico nem tinha sido inventado pela cultura) quando então tudo se incendeia, num erotismo muito sofisticado. Ademais, adorei constatar que existe ainda um outro tema no filme - não só um romance - se desenvolvendo naquele ambiente, com a serviçal do local, e que rende cenas muitas belas também. No fim, é o Inverno de Vivaldi que apaga a chama. (Prevejo uma explosão de número 28 tatuado mundo afora)
  3. GENTE..."RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS"!!!!!
  4. Ontem à noite, me deparei com essa supresa boa na Netflix. Um curta de ficção do David Lynch, escrito, dirigido e estrelado pelo próprio (e faz o Som também)! Não estava sabendo! É um curta de ficção muito maneiro, bem lynchiano, quase um noir de comédia! Eu adorei. Pena que a tradução brasileira não ficou tão boa assim, pois o texto é repleto de expressões idiomáticas envolvendo o mundo animal, que talvez acabem perdidas na tradução. Mas a ideia é ótima. De como interrogar um macaco falante sobre um crime passional. 17 minutos.
  5. Sim, acho que é intencional. Mas resulta, para mim, em mau cinema.
  6. "Sócrates" é um dos filmes brasileiros mais premiados nos últimos meses, sendo o maior deles o Prêmio no Spirit Awards, para seu diretor, Alexandre Moratto, com o "Someone To Watch Award". Conta a história de um adolescente, que perde a mãe repentinamente, e se vê completamente desassistido, emocional e financeiramente, e terá então que se virar. Passado na periferia do litoral paulista (Praia Grande?), realizado por um grupo audiovisual de Santos com pessoas em situação vulnerável, "Sócrates" leva muitos pontos pelo seu contexto. É o tipo de projeto que dificilmente conseguirá financiamento público via editais, no Brasil de hoje, já que o personagem principal é um adolescente gay. As pessoas amam o filme, se emocionam e tudo, mas...eu que tenho uma cabeça muito estruturalista ...eu, de verdade, achei tudo mal feito. As atuações são horríveis. Não curti a montagem, não curti o roteiro: Há uma passagem de homofobia tão forçada dentro da história, tão mal feita a cena... Mas minha maior desavença com esse tipo de cinema feito aos baldes no Brasil é o registro da pobreza. Eu não sabia que os brasileiros pobrem comem obrigatoriamente feito animais; que as casas dos brasileiros pobres são muquifos sem nenhuma dignidade, sem nenhuma arrumação; que os brasileiros pobres falam completamente errado sempre com palavrões. E que isso é a "Realidade" !!! As casas de pessoas mais pobres que eu visito não são assim. Os pobres com quem eu me relaciono mastigam com a boca fechada. Os pobres com quem eu me relaciono são até muito econômicos com as palavras, e são educados também. Enfim, sempre que eu vejo um filme brasileiro atual registrando a nossa desigualdade social (Tirando os maravilhosos "Temporada", e "Arabia"), eu noto menos verossimilhança e mais "lacração". É com pesar que escrevo isso, mas entendo de onde vem o horror que a ala bolsonarista do Brasil enxerga nos nossos filmes. Eu entenderei se algum idiota quiser nivelar "Sócrates" como um filme do PT. Eu entenderei. Sei de onde surge essa crítica. O retrato da pobreza no Brasil, e das minorias no Brasil, precisa de muita atenção. Precisa sem dúvida nenhuma ser representada. Mas principalmente com um pouco mais de nuance. É isso. Falta muita nuance.
  7. "Mormaço" é um filme brasileiro ambicioso: propõe-se a equiparar a gentrificação da cidade ( especialmente do Rio de Janeiro, nas vésperas dos Jogos Olímpicos) a uma doença, que acomete sua protagonista. A denominada "esquerda caviar" faz a festa, incentivando o espectador a crer que teria sido mais negócio, é dizer, "mais igualitário", um Parque Olímpico com uma favela dentro! (a chamada Vila Autódromo) - Uma coisa bem brasileira, afinal as pessoas moravam ali há décadas (maravilhoso: na Barra da Tijuca, sem pagar IPTU, nem nada). Era só deixar. Ou seja, no fundo no fundo, é um filme pró-favelização. Não sei o acontece no Rio de Janeiro, mas a noção de posse/propriedade é tão desvairada, que se fosse possível o povo apoiaria a ocupação do Monte Olimpo na Grécia, ou do Monte Fuji, no Japão. Fora o discutível plano das ideias, o filme tem alguns bons momentos. Como criticar os políticos cariocas, afinal, todos os seus próceres já foram ou estão presos, por corrupção em níveis olímpicos. O que mais gostei, no entanto, foi de alguns planos fotográficos equiparando a ideia de "mormaço" (de um verão muito quente) à poeira das obras de construção, bem como ao fumacê da dengue, ou à névoa de respingos causada por uma onda assim que acerta a areia . Achei isso muito inteligente, e muito bem sacado. Parabéns por isso.
  8. Já que o mundo está na onda do cinema coreano graças a "Parasita" ( Três pessoas já comentaram algo do tipo: "Virou modinha"; "nunca tinha visto filme coreano, vc já?"; "engraçado, ser um filme coreano...), quem sabe, depois dos Thrillers e filmes de terror, elas caiam sem querer no mundo lírico de Hong Sang-Soo?! "Na Praia à Noite Sozinha" , que, em Berlim, rendeu o Urso de Prata de Melhor Atriz para Min-Hee Kim (de "A Criada") em 2017, é uma história de perda amorosa ( e consequente perda do emprego, perda de prestígio, perda de posição social) e preconceito, realizada de uma maneira completamente inusual. Nada é mostrado, tudo é apenas "pontuado". Sabemos que a personagem é uma atriz que se envolveu com um diretor casado, e que ele a abandonou. Ela parte para a Alemanha, esperando que o cara vá viver com ela, mas ele não vai, e depois ela volta para a Coreia, e tem de recomeçar. Na Coreia, o adultério, até pouco tempo, era crime. Isso é o que o espectador depreende, em uma fala e outra, em uma situação constrangedora e outra. Conseguimos perceber que os antigos amigos têm um pouco de pena dela, bem como a consideram moralmente perigosa. O machismo oriental também é denunciado, com todos as pessoas ressaltando apenas a beleza da atriz, portanto, graças a isso, apta a reerguer-se profissionalmente. O estilo de filmar de Hong Sang-Soo é quase anti-espetáculo: natural, verdadeiro, puro, e, claro, estático. Um enquadramento pode durar 15 minutos fácil. Mas eu gosto. O texto é lindo: " Então você está procurando pelo amor?" "Para procurá-lo, é preciso vê-lo." Queria ter escrito isso.
  9. Uma das apostas da Amazon para o Oscar, "Seberg" não alcançou grandes feitos - uma temporada de marketing para esquecer da Amazon ( Prejudicando até mesmo a candidatura do Brasil. Pensávamos que seriam os reis da campanha e...não deu em nada.) O filme conta uma história pouco comentada, de como o FBI espionou e prejudicou a vida da atriz Jean Seberg, em virtude de seu envolvimento político ( e amoroso) com uma liderança do Panteras Negras. Foi dirigido por Benedict Andrews do difícil "Una". Olha...eu gostei razoavelmente do filme, por que desconhecia os fatos por completo, mas fiquei pensando no que essa história poderia ter virado nas mãos do Spike Lee. Kristen Stewart, ótima. Falador vai sempre falar mal dela e do Robert Pattinson pelo simples prazer de falar mal. No entanto, é como eu sempre digo: "peixes pequenos crescem".
  10. Eu, a cada dia, fico mais enlouquecido pelo filme! É muito legal acompanhar pela internet as descobertas da riqueza de sua construção. Esse vídeo aí de cima diz respeito à sua extraordinária montagem. Vale a pena assistir. Já me deparei com um vídeo muito legal a respeito das "linhas" que estão pelo filme todo. Como, por exemplo, quando o motorista vai ao escritório do pai, e há um vidro os separando, bem como há uma linha nesse vidro. Assim como há uma linha no vidro da sala de estar. Coisas, assim, mínimas, me encantam. Uma coisa que eu notei também - a situação da mulher da família pobre - há uma cena em que o filho deles ensaia com o pai suas falas para armar contra a governanta, e onde está a mãe? No chão, esfregando o chão, (já escrevi na minha resenha, sobre a dimensão do chão desse filme) bem subalterna, sem participar da estratégia, é dizer, uma figura social ainda menor. Outro dia é que percebi uma coisa meio óbvia, que, em certo momento, o filhinho mais novo atira nos empregados com um arco e flecha de brinquedo do alto da escada. Isso, claro, se relacionará com o final, mas também indica, em certo nível, um "desrespeito" à figura do empregado, bem como, em sua cabeça infantil, um modo de caçar o "fantasma" - que, ele já internalizou, não é da classe dele. Mas outro dia que fui me tocar que há um outro parasita na história. Um parasita metalinguístico: o espectador! Nós! Que estamos sugando esse filme para nos alimentar de cinema. É uma obra-prima esse filme. "1917" é excelente, mas não tem a profundidade e a urgência que "Parasita" tem.
  11. "Just Mercy" foi ao longo do ano de 2019 um possível contendor na batalha para chegar ao Oscar, alcançando seu maior feito no SAG: a indicação de Jamie Foxx em Ator Coadjuvante. Às vezes a gente se esquece que ele é excelente ator. Consegue a proeza de parecer até mais jovem, como nesse filme. Bom, em termos de atuação, ele está bem ao longo do filme todo, mas o final é previsivelmente seu maior momento; muito emocionante. Pena que até chegar ao final, temos que passar por duas horas e mais um tanto de enorme fastio, de enorme lenga-lenga. O filme tem um ritmo muito ruim (montagem de Nat Sanders, de "Moonligth" e "Se a Rua Beale Falasse"). Cansamos de ver esse tipo de filme na vida, então tudo se torna extremamente previsível. E escrever isso - previsível - estou falando como cinema, pois "previsível" na vida real é ultrajante e inadmissível; é, infelizmente, "previsível" que nossa sociedade comporte tantos casos de "racial profiling". O hawaiano Destin Daniel Cretton é bom diretor, mas em "Just Mercy" não acrescenta nada cinematicamente novo à história. Saudade da potência de "Temporário 12". Michael B. Jordan está bem no papel de advogado, mas poderia ter explorado mais sentimentalmente a nuance de que....o personagem também , pela cor da pele, poderia estar na situação...faltou esse sentimento de transferência no roteiro e na atuação a meu ver. Brie Larson está desperdiçada, não tem momento algum para brilhar.
  12. "Just Mercy" foi ao longo do ano de 2019 um possível contendor na batalha para chegar ao Oscar, alcançando seu maior feito no SAG: a indicação de Jamie Foxx em Ator Coadjuvante. Às vezes a gente se esquece que ele é excelente ator. Consegue a proeza de parecer até mais jovem, como nesse filme. Bom, em termos de atuação, ele está bem ao longo do filme todo, mas o final é previsivelmente seu maior momento; muito emocionante. Pena que até chegar ao final, temos que passar por duas horas e mais um tanto de enorme fastio, de enorme lenga-lenga. O filme tem um ritmo muito ruim (montagem de Nat Sanders, de "Moonligth" e "Se a Rua Beale Falasse"). Cansamos de ver esse tipo de filme na vida, então tudo se torna extremamente previsível. E escrever isso - previsível - estou falando como cinema, pois "previsível" na vida real é ultrajante e inadmissível; é, infelizmente, "previsível" que nossa sociedade comporte tantos casos de "racial profiling". O hawaiano Destin Daniel Cretton é bom diretor, mas em "Just Mercy" não acrescenta nada cinematicamente novo à história. Saudade da potência de "Temporário 12". Michael B. Jordan está bem no papel de advogado, mas poderia ter explorado mais sentimentalmente a nuance de que....o personagem também , pela cor da pele, poderia estar na situação...faltou esse sentimento de transferência no roteiro e na atuação a meu ver. Brie Larson está desperdiçada, não tem momento algum para brilhar.
  13. Agora que me dei conta: não assisti a nada da Rede Globo, ou da tv aberta, em geral, em 2019! Nada, sequer liguei o canal. Simplesmente não lembro que existe. Tv, pra mim, virou uma tela para Youtube e Netflix.
  14. SAG DE ELENCO: PARASITA!!!!!!
  15. Estou acompanhando o SAG pelo site da TNT e fiquei arrepiado agora... O elenco de Parasita entrou no palco (para apresentar o filme) e o teatro inteiro levantou-se de pé e bateu palma por uns 2 minutos. Os quatro atores favoritos venceram.
  16. "Desempenho terrível de Jorge Zarif no Mundial de Vela da Classe Finn: nenhuma regata abaixo do 27º lugar! Está em 33º no Geral. Estamos falando de um ex-campeão mundial, e de um 4ºlugar na Rio 2016. A explicação - eu acho - é certo desestímulo pessoal, já que há o anúncio de que essa classe não será disputada em Paris 2024." Escrevi sobre a sensação de "desestímulo pessoal" do Zarif, em dezembro. E nesta semana veio a explicação. Não tem nada a ver com Paris 2024, como eu chutara. E sim com um resultado de doping no horizonte. Alega o atleta que fez uso da substância em decorrência de um tratamento contra ginecomastia (ele realmente é um caso evidente disso). Bom, pelo jeito, a suspensão acabará a tempo de Tóquio2020. O que eu acompanhei é que o mundo internacional da Vela ficou chocado, pois é um esporte em que seria melhor "dopar" o barco, digamos assim. Não acontecem casos com os atletas da modalidade. A imprensa está tratando o caso de forma otimista, mas, eu conheço os ingleses...eles vão fazer muito barulho ainda se o Zarif puder disputar Tóquio.
  17. Vou confessar uma coisa para vocês, eu não gosto muito quando uma pessoa recebe seu Oscar em sua primeira indicação, e depois nunca mais é indicada. Então, por anos a fio, sempre desejei ver o Sam Mendes indicado de novo em Direção (ele é só um dos casos: Rachel Weisz é outro, finalmente recebeu sua indicação posterior; agora transferi esse sentimento bobo para a Vikander). É muita coincidência que, 20 anos depois de "Beleza Americana", o diretor inglês esteja de novo no páreo da Academia, novamente em um ano fortíssimo, e, devo dizer, num momento em que "Beleza Americana" (pelo qual sou apaixonado) vem sendo bastante relativizado, com muita gente dizendo que aquele filme não é bom assim, e, principalmente, não teria uma história "profunda", apenas algo que tangencia a hipocrisia americana."1917" é um filme excelente, mesmo, do ponto de visto técnico. Mas creio que não vai demorar 20 anos para as pessoas começarem a criticar seu roteiro. Minha experiência vendo o filme: nos primeiros 25 minutos, que se concentram basicamente em trincheiras, eu sentia tudo coreografado demais. O que me parecia artificial e programado em excesso. Nessas 25 minutos, a câmera se concentrava por tempo demais atrás dos protagonistas, ou tempo demais na frente exata deles, com os elementos cênicos acontecendo - se me faço compreender - pelos lados dos protagonistas (soldados passando, bombas, fumaça, tendas). Isso me cansou um pouco. Mas depois do primeiro terço, quando se liberta das trincheiras, o filme ganha tantas movimentos incríveis e embasbacantes de câmera, que meu lado cinéfilo começou a se empolgar. Dali pra frente, foi só "ual!!". Destaco 3 momentos de profundo "uaaall": casamata; avião; cidade à noite. Roger Deakins, pode abrir espaço na prateleira, seu segundo e merecido Oscar de Fotografia. Daqui pra frente, ele deveria ser hors-concours. Ninguém na indústria é melhor do que ele. Em "Beleza Americana" havia um elemento que se destacava também, mas que, insanamente, não venceu o Oscar naquele ano de 2000. A Trilha Sonora de Thomas Newman, em sua quarta indicação. Em 2020, ele está na sua 15º indicação, e eu sempre escrevi nesse fórum, ano após ano: "Ele só vai ganhar quando estiver em um Best Picture novamente". Ele está. Ele vai ganhar. Finalmente. Sinto muito por "Joker".Por mais que o plano noturno seja absolutamente maravilhoso, ele não seria nada sem aquela música que o acompanha. O trabalho inteiro é lindo, mas esse momento é um deleite para os ouvidos. O design do Dennis Gasner é de tirar o fôlego. Não duvido que ganhe também. Eu não consigo mensurar a trabalheira. Quantos caminhões de brita, quantos caminhões de lama para sujar tudo, quantas pessoas para cavar aquilo tudo... Ele é outro também que ganhou cedo a estatueta...Tá mais que na hora de ganhar pela segunda vez. George MacKay está excelente. Dando muita emoção e elegância ao filme. Todo mundo virou fã dele após "Capitão Fantástico", e agora seu star quality só vai aumentar. Não tenho gostado dessa propaganda falsa "filmado em um único take", ou coisa semelhante. Não o é. Ele é filmado para "parecer" que é. Mas não é. Além de inúmeros cortes invisíveis, quando os personagens adentram ambientes fechados; existe um "fade-out", lindo e significativo, no meio do filme! Acho uma bobeira ter essa divulgação enganosa, pois o filme poderia tranquilamente ter conquistado mais uma indicação em Montagem para o Lee Smith (que está creditado!). A montagem foi muito bem feita, toda pensada, pré-contruída, ensaiada, realizada internamente. Ela só não é externa, para fora. Um filmaço! Sam Mendes, depois de 20 anos, a história se repete. Outro de seus filmes ganhará Direção e Melhor Filme, em um ano considerado fortíssimo. E também se repete a experiência da guerra. Quase vimos uma no início do ano. A gente supõe que essas coisas não acontecem de novo. Acontecem. Se a paz não é uma cultura, acontece. Repetem-se! As coisas se repetem.
  18. Vou confessar uma coisa para vocês, eu não gosto muito quando uma pessoa recebe seu Oscar em sua primeira indicação, e depois nunca mais é indicada. Então, por anos a fio, sempre desejei ver o Sam Mendes indicado de novo em Direção (ele é só um dos casos: Rachel Weisz é outro, finalmente recebeu sua indicação posterior; agora transferi esse sentimento bobo para a Vikander). É muita coincidência que, 20 anos depois de "Beleza Americana", o diretor inglês esteja de novo no páreo da Academia, novamente em um ano fortíssimo, e, devo dizer, num momento em que "Beleza Americana" (pelo qual sou apaixonado) vem sendo bastante relativizado, com muita gente dizendo que aquele filme não é bom assim, e, principalmente, não teria uma história "profunda", apenas algo que tangencia a hipocrisia americana."1917" é um filme excelente, mesmo, do ponto de visto técnico. Mas creio que não vai demorar 20 anos para as pessoas começarem a criticar seu roteiro. Minha experiência vendo o filme: nos primeiros 25 minutos, que se concentram basicamente em trincheiras, eu sentia tudo coreografado demais. O que me parecia artificial e programado em excesso. Nessas 25 minutos, a câmera se concentrava por tempo demais atrás dos protagonistas, ou tempo demais na frente exata deles, com os elementos cênicos acontecendo - se me faço compreender - pelos lados dos protagonistas (soldados passando, bombas, fumaça, tendas). Isso me cansou um pouco. Mas depois do primeiro terço, quando se liberta das trincheiras, o filme ganha tantas movimentos incríveis e embasbacantes de câmera, que meu lado cinéfilo começou a se empolgar. Dali pra frente, foi só "ual!!". Destaco 3 momentos de profundo "uaaall": casamata; avião; cidade à noite. Roger Deakins, pode abrir espaço na prateleira, seu segundo e merecido Oscar de Fotografia. Daqui pra frente, ele deveria ser hors-concours. Ninguém na indústria é melhor do que ele. Em "Beleza Americana" havia um elemento que se destacava também, mas que, insanamente, não venceu o Oscar naquele ano de 2000. A Trilha Sonora de Thomas Newman, em sua quarta indicação. Em 2020, ele está na sua 15º indicação, e eu sempre escrevi nesse fórum, ano após ano: "Ele só vai ganhar quando estiver em um Best Picture novamente". Ele está. Ele vai ganhar. Finalmente. Sinto muito por "Joker".Por mais que o plano noturno seja absolutamente maravilhoso, ele não seria nada sem aquela música que o acompanha. O trabalho inteiro é lindo, mas esse momento é um deleite para os ouvidos. O design do Dennis Gasner é de tirar o fôlego. Não duvido que ganhe também. Eu não consigo mensurar a trabalheira. Quantos caminhões de brita, quantos caminhões de lama para sujar tudo, quantas pessoas para cavar aquilo tudo... Ele é outro também que ganhou cedo a estatueta...Tá mais que na hora de ganhar pela segunda vez. George MacKay está excelente. Dando muita emoção e elegância ao filme. Todo mundo virou fã dele após "Capitão Fantástico", e agora seu star quality só vai aumentar. Não tenho gostado dessa propaganda falsa "filmado em um único take", ou coisa semelhante. Não o é. Ele é filmado para "parecer" que é. Mas não é. Além de inúmeros cortes invisíveis, quando os personagens adentram ambientes fechados; existe um "fade-out", lindo e significativo, no meio do filme! Acho uma bobeira ter essa divulgação enganosa, pois o filme poderia tranquilamente ter conquistado mais uma indicação em Montagem para o Lee Smith (que está creditado!). A montagem foi muito bem feita, toda pensada, pré-contruída, ensaiada, realizada internamente. Ela só não é externa, para fora. Um filmaço! Sam Mendes, depois de 20 anos, a história se repete. Outro de seus filmes ganhará Direção e Melhor Filme, em um ano considerado fortíssimo. E também se repete a experiência da guerra. Quase vimos uma no início do ano. A gente supõe que essas coisas não acontecem de novo. Acontecem. Se a paz não é uma cultura, acontece. Repetem-se! As coisas se repetem.
  19. https://www.youtube.com/watch?time_continue=59&v=kMBnvz-dEXw&feature=emb_title
  20. Acabo de ver o filme. Gente, não acreditem em tudo que leiam ou falem pra você! E esse "um" aí da frase é impossivel. Existe um "fade-out" no meio do filme!! Aliás, um fade-out muito belo e significativo. Ou seja, tem, pelo menos, com muita boa vontade, 2 planos-sequência! Esse tweet tá mais pra uma piada mal entendida.
  21. Então a resposta foi dada. Será "1917" o vencedor de Melhor Filme. Mesmo sem indicação ao SAG de elenco, mesmo sem indicação em Montagem. Primeira vez que isso acontece na novel era do voto preferecial. É uma situação parecida com "Green Book" e "The Shape of Water" portanto. Mas não igual. "1917" deve vencer o BAFTA também. Bom, que não vença Roteiro Original no Oscar, pelo menos. Não iria gostar de ver uma situação "Birdman" se repetindo. Vamos espalhar esse ouro, Academia!
  22. PGA WINNERS 2019: Darryl F. Zanuck Award for Outstanding Producer of Theatrical Motion Pictures 1917 (Universal) Producers: Sam Mendes, Pippa Harris, Jayne‐Ann Tenggren, Callum McDougall Outstanding Producer of Animated Theatrical Motion Pictures Toy Story 4 (Disney/Pixar) Producers: Mark Nielsen, Jonas Rivera Outstanding Producer of Documentary Motion Picture Apollo 11 (Neon) Norman Felton Award for Outstanding Producer of Episodic Television – Drama Succession (Season 2) Producers: Jesse Armstrong, Adam McKay, Frank Rich, Kevin Messick, Mark Mylod, Jane Tranter, Tony Roche, Scott Ferguson, Jon Brown, Georgia Pritchett, Will Tracy, Jonathan Glatzer, Dara Schnapper, Gabrielle Mahon Danny Thomas Award for Outstanding Producer of Episodic Television – Comedy Fleabag (Season 2) Producers: Phoebe Waller‐Bridge, Harry Bradbeer, Lydia Hampson, Harry Williams, Jack Williams, Joe Lewis, Sarah Hammond David L. Wolper Award for Outstanding Producer of Limited Series Television Chernobyl (HBO) Producers: Craig Mazin, Carolyn Strauss, Jane Featherstone, Johan Renck, Chris Fry, Sanne Wohlenberg Outstanding Producer of Televised or Streamed Motion Pictures Apollo: Missions to the Moon (National Geographic) Outstanding Producer of Non-Fiction Television Leaving Neverland (HBO) Producer: Dan Reed Outstanding Producer of Live Entertainment & Talk Television Last Week Tonight with John Oliver (Season 6; HBO) Outstanding Producer of Game & Competition Television RuPaul’s Drag Race (Season 11; VH1) Producers: Fenton Bailey, Randy Barbato, Tom Campbell, Mandy Salangsang, RuPaul Charles, Steven Corfe, Bruce McCoy, Michele Mills, Jacqueline Wilson, Thairin Smothers, John Polly, Michelle Visage, Jen Passovoy Outstanding Sports Program What’s My Name: Muhammad Ali Outstanding Children’s Program Sesame Street (Season 49) Outstanding Short-Form Program Comedians In Cars Getting Coffee (Season 11) The PGA Innovation Award Vader Immortal: A Star Wars VR Series – Episode I HONORARY AWARDS Milestone Award Ted Sarandos Norman Lear Achievement Award in Television Marta Kauffman Visionary Award Octavia Spencer Stanley Kramer Award Bombshell David O. Selznick Award Plan B (Jeremy Kleiner, Dede Gardner, Brad Pitt) Charles FitzSimons Award Mari Jo Winkler
  23. PGA HOJE! E o SAG, amanhã, infelizmente, sem transmissão pela TNT!!!
  24. ACE Eddie Awards WINNERS: Drama – Parasite (!!!!!!!!!!!!!!!)Musical/Comedy – Jojo RabbitAnimated Feature – Toy Story 4Non-Commercial Editing – Game of ThronesCommercial Series – Killing EveComedy Series – FleabagComedy Series, Commercial TV – Better ThingsDocumentary – Apollo 11Doc Series – What’s My Name Muhammad AliLimited Episode or Motion Picture for TV – ChernobylNon-Scripted Episode- Vice – Amazon on Fire O vencedor do Sindicato de Montagem não acerta Best Picture há muito tempo, desde "Argo". Mesmo assim uma baita vitória para os coreanos. Pela primeira vez, em 70 anos, um filme estrangeiro ganha.
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