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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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  1. "Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo" é o substrato do novo trabalho de Charlie Kaufman, a estrear agora em setembro, na Netflix. Por tudo que se tem comentado, parece que Toni Collette tem uma personagem hábil a alçá-la a uma segunda indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante. É o romance de estreia do canadense Iain Reid. Dizem que o final do livro é fantástico.
  2. Há muito eu reclamo que "O Beijo da Mulher Aranha" quase não passa na tv a cabo, ou na tv aberta, e que dirá na Netflix, então fui atrás dele... É tão inconcebível que Raul Julia não tenha sido indicado a Melhor Ator Coadjuvante - sabe-se lá o que aconteceu no Oscar de 1986. Ele está excelente. Pelo menos, Wiliam Hurt ganhou seu Oscar, na primeira de suas três indicações consecutivas, pela sua delicada construção. O filme em si capta bem a polaridade Realidade x Sonho, e como os "filmes" dos dois presos são diferentes em perspectiva. Sônia Braga consegue tonalizar essas nuances em sua interpretação. José Lewgoy, dos brasileiros Coadjuvantes, é quem eu mais gostei, e nem lembrava que Nuno Leal Maia tinha sido dublado. Ficou engraçado, mas meio vergonhoso - se olharmos à distância. Babenco consegue uma movimentação de câmera muito boa na cela, rondando os dois personagens. Os dois sonhando com a liberdade.
  3. A Disney lança uma carta que embaralha o jogo das premiações: o fantástico "Hamilton", a obra consagrada da Broadway, de autoria de Lin-Manuel Miranda. Musical estupendo, brilhante, delicioso, importante, fantástico, não faltam adjetivos... São quase 3 horas de queixo caído com tamanho talento! Mas será isso um filme? Com um adendo, um filme para o Oscar? As generosas regrais atuais parecem indicar que a produção será elegível, mas não acho que o corpo da Academia vai comprar esse entendimento. Porque, para mim, é apenas, sem desmerecer, "teatro filmado", ou um show gravado. Ademais, vemos os intestinos do teatro: plateia aplaudindo, microfones, luzes, há um intervalo de 1 minuto ou seja, não há disfarce. É uma peça. Uma peça filmada. O lance é que é das coisas mais lindas já feitas, e, se for elegível, como parece que é, vai ser engraçado ver "Hamilton" ganhar 11 Tonys e também algum Oscar. Assistam!
  4. A Disney lança uma carta que embaralha o jogo das premiações: o fantástico "Hamilton", a obra consagrada da Broadway, de autoria de Lin-Manuel Miranda. Musical estupendo, brilhante, delicioso, importante, fantástico, não faltam adjetivos... São quase 3 horas de queixo caído com tamanho talento! Mas será isso um filme? Com um adendo, um filme para o Oscar? As generosas regrais atuais parecem indicar que a produção será elegível, mas não acho que o corpo da Academia vai comprar esse entendimento. Porque, para mim, é apenas, sem desmerecer, "teatro filmado", ou um show gravado. Ademais, vemos os intestinos do teatro: plateia aplaudindo, microfones, luzes, há um intervalo de 1 minuto ou seja, não há disfarce. É uma peça. Uma peça filmada. O lance é que é das coisas mais lindas já feitas, e, se for elegível, como parece que é, vai ser engraçado ver "Hamilton" ganhar 11 Tonys e também algum Oscar. Assistam!
  5. R.I.P. Leonardo Villar, aos 96 anos Um ator estupendo, muito elegante em cena. Maravilhoso não só em "O Pagador de Promessas", mas em "A Madona de Cedro", "Lampião, o Rei do Cangaço"...E na tv, por "Laços de Família", por exemplo.
  6. Incursão americana do sérvio Emir Kusturica, "Arizona Dream", de 1993, conserva toda a magia única do universo do diretor. Roteiro bizarro, animais pelos cenários, humor, drama, brigas quixotescas, trilha onipresente de Goran Brogovic, e ótimos atores. Aqui, Johnny Depp, Jerry Lewis, Faye Dunaway, Lilly Taylor, todos estão bem, mas quem rouba o filme inteiro é o Coajudvante, Vincent Gallo, como um ator aficionado por "Touro Indomável", ou pelo cinema de Hitchcock... Suas cenas são hilárias. E um modo de dizer que Kusturica foi formado também pela Hollywood tradicional. Premiado com o Urso de Prata em Berlim, o filme não conquistou o público. Talvez as tietes de Depp, no auge do sucesso, o tenham considerado estranho demais. Pudera, os personagens sonham em voar, ou virar uma tartaruga, ou então sonham com os sonhos dos peixes. Também não é fácil vender um filme de desconstrução dos sonhos, que promete o avermelhado Arizona, e começa no ártico, com esquimós autênticos. Não é o "Americam Dream", no qual todos podem ser o que quiserem, não podem, nem poderão; não é um sonho, mas é um devaneio delicioso sobre ele.
  7. Você não acompanha os tópicos de filmes? Nesta seção de Literatura, eu entrei com novo livro na segunda, mas não dá pra colocar um livro todo dia. Você é que não postou nada nos últimos tempos.
  8. Fechando a maratona Glauber Rocha com meu preferido, já resenhado aqui nessa seção do site em 2019, "Deus e o Diabo na Terra do Sol", mas que achei muito válido ter revisto de novo, no bojo da obra completa. Principalmente com a recente vista a "Antônio das Mortes - o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", cujo protagonista é Antônio das Mortes, esse matador de cangaceiro de poucas palavras, que, aqui, em "Deus e o Diabo na Terra do Sol", quando o sertanejo cego o recrimina, responde bravo: "Não quero que ninguém entenda nada de minha pessoa." Lindo momento, mas então, Glauber, 5 anos depois, fará um filme revelando outras facetas desse vilão atormentado. Essa frase sempre me passou meio batida, e agora tem outro significado. Foi muito bom rever esse filme, também, para entender por que Bong Joon-Ho, o diretor do momento, declarou que este é seu filme latino-americano preferido: “Sempre que posso, confiro o que estão fazendo os novos diretores chilenos, peruanos, argentinos, brasileiros”, afirma. “Porém, de todos eles, Deus e o Diabo na Terra do Sol, do Glauber Rocha, foi o filme que jamais saiu de minha cabeça. É impressionante – ainda hoje fico de boca aberta ao rever aquela maravilha!” É um filme de fato muito rico. Prejudicado no Som, mas com diálogos, roteiro, e músicas excelentes. Concluindo essa maratona, posso dizer que, sim, Glauber é o grande nome do cinema brasileiro, sua cabeça mais fervilhante, mais original, e culta. Entendia o cinema em termos marxistas, como superestrutura, incapaz de alterar o estado das coisas se não houvesse uma revolução na estrutura econômica. Se estava errado do ponto de vista ideológico, a meu ver, aos olhos de um Liberal, compreendia Glauber algo mais importante: o "colonialismo mental" do público brasileiro, doutrinado a só gostar de filmes aos moldes do cinema americano, quando muito, europeu. Seus filmes foram um tapa na cabeça do acomodado público brasileiro de cinema da época. São um sopro de Brasil autêntico para o mundo. Porém, também penso que seu descuido técnico - tratado como estilo - acabou prejudicando muito o gozo de muitos de seus filmes, quando não da própria sobreviência deles. Por exemplo, não consegui ver seu segundo curta, "A Cruz na Praça", de 1959. Nem eu, nem ninguém. É um filme perdido. Dizem que ele foi concluído, exibido a poucas pessoas, mas Glauber teria pedido para incinerá-lo. Outros dizem que ele ficou inconcluso mesmo, e, doravante, se perdeu. O outro filme não visto é "Cabeças Trocadas", de 1970, disponível ao público apenas em poucos segmentos na Internet. Que pena! O que se junta ao lastimável fato de a instituição que cuidava da obra de Glauber ter sido fechada por falta de recursos. Que país é este? Pobres de nós que sabemos tão pouco do pouco que temos. Tendo visto então 16 dos seus 18 filmes creditados, todos os possíveis, meu ranking Glauber Rocha termina assim: 1) Deus e o Diabo na Terra do Sol; 2) Terra em Transe; 3) Di Cavalcanti Di Glauber / Maranhão 66 (TIE) 4) Câncer; 5) Jorjamado no Cinema
  9. Em 1973, Glauber Rocha filmou em parceria com Marcos Medeiros um documentário chamado "História do Brasil", que é como abrir um livro de História mesmo. Em seus mais de 160 minutos, conta em minúncias desde as viagens do Descobrimento, passando por assuntos especifícos como ação jesuíta, ações governamentais do Marquês de Pombal, República Velha, a Abertura dos Portos, O Império I, Império II, República Velha, Vargas I, Vargas II, Brasília, Ditadura, Bossa Nova, até, ufa, chegar no futebol tricampeão, Pasquim, Grandes Festivais, e terminar com imagens de Pelé no Santos... Como se vê, é uma forma arcaica de falar de História, um projeto, em todos os níveis, estudantil; nada revolucionário, ou digno de um cinema novo. Tem uma finalidade muito específica: contar didaticamente quem nós somos, de onde viemos, como fomos formados, etc. Mas mais importante do que o fim, é o público-alvo. Claramente, há um destinatário certo: os estrangeiros. Pretende-se chamar a atenção deles sobre nós. Usa-se inteiramente uma voz em off, com imagens de arquivo, ou imagens que remetam aos períodos retratados, em uma grande colagem pictórica, que, como toda aula de história, é uma viagem no tempo. Glauber estava no exílio, em Cuba e Itália, entre 1971 e 1973, portanto, há um sentimento escondido nesse livro de História: saudade.
  10. Quase 10 anos sem filmar um longa, a argentina Lucrecia Martel adaptou para as telas um romance argentino de Antonio di Benedetto, fazendo esforços para tratar a história colonial de parte da América do Sul sem cair no "realismo histórico", mas, ao contrário, trabalhando os símbolos da ocupação europeia, neste seu filme "Zama", de 2017. Vemos brancos desconfortáveis com perucas da corte; alpacas domesticadas; negros trabalhando no fundo das cozinhas; ouve-se históricas de índios caçados, escravizados, ou rebeldes; e principalmente trabalha-se a dualidade: uma terra cobiçada pela coroa espanhola, ao mesmo tempo em que seus funcionários a odeiam, só querem voltar. Sentimento que também se passa hoje em dia, com argentinos, brasileiros, uruguaios: desprezam onde vivem, sonhando com a Europa, até serem desprezados lá, uma terra que também não lhes pertencem. Há uma confluência de línguas no filme: espanhol, português, idiomas indígenas; assim como registra-se a confluência do maravilhoso rio Paraguai - um rio importantíssimo, nascido no Mato Grosso, que os brasileiros não dão a mínima, esse rio que é uma artéria sul-americana para unir Brasil, Bolívia, Paraguai, e Argentina. Fico de cara com alguns comentários na internet falando a respeito do "mar". Socorro! Matheus Nachtergaele é a surpresa brasileira no elenco; só aparece ao final e,claro, toma conta do filme. O filme é ambicioso, lento, intrigante, e sonoramente incômodo, mas, pra mim, quem se sai melhor é a designer brasileira Renata Pinheiro. Recriou com mágica aquele período histórico, mas sem seguir a cartilha que estamos acostumados. Ambientou de forma selvagem essa zona de fronteira, como tinha de ser: injetando-nos medo do nosso passado bugre.
  11. F I N A L M E N T E !!! "N`um vou nem falar nada"!!! Anos e anos e anos tentando ver esse "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant", de 1972, de Fassbinder. Aliás, Fassbinder ao quadrado, Fassbinder adaptando Fassbinder. A primeira uma hora é mais "dura", mas ainda sim válida, realmente uma preparação para o vendaval que é a segunda hora, um ciclone bomba. É um caminhão passando em cima, um caminhão descarregando areia. Pagaria o que pudesse para voltar ao início dos anos 1980 e conferir Fernanda Montenegro, Renata Sorrah e Juliana Carneiro da Cunha nos papéis principais, na versão brasileira paras os palcos, que foi um enorme sucesso. Mas divago... É um texto sobre a escravização do amor, é um texto sobre a solidão homossexual, in casu, das lésbicas. A atriz Margit Carstensen tem um papel difícilimo, como a estilista esnobe, crítica, completamente sádica com sua empregada (que age como um animal servil, masoquista, na esperança muda de que obtenha algum reconhecimento amoroso futuramente ) e que vai se apaixonar perdidamente por uma arrivista, uma moça linda - que dará o troco, a fará pagar o carma - que, por sua vez, vai rejeitá-la amorosamente, depois de viver às suas custas. Pura roda da vida! Todos nós, acredito, já passamos por alguém que nos fez de gato-sapato, e, pior, descobrimos, assustados, que gostávamos disso. Éramos escravos do (des)prazer. E levou um tempo para nos libertar, geralmente com outro amor, ou com terapia. Mas divago... É um melodrama muito pomposo, alemão naquela pegada cabaré. Um único cenário: um quarto. Decorado com um painel, que nos remete a um templo de luxúria. Manequins, sem vida, sem expressão, são testemunhas silenciosas dos afetos humanos. Na segunda hora: objetos são quebrados, palavras virulentas são trocadas, os psicológicos são destruídos, e eles nada fazem....Mas divago... Fassbinder filma tudo com tanta precisão, com cada enquadramento elegantérrimo... Maravilhoso o posicionamento dos corpos sobre a cama, muitas vezes, como se uma mulher estivesse amamentando a outra...Ual! O texto é de quem conhece do riscado. Que me desculpem os héteros, mas só poderia ter sido escrito por um homossexual. Só! O grau de verdade sobre as relações é muito forte. Deixo uns acepipes: "Às vezes, havia uma certa frieza... Dava pra sentir... Você está com alguém num carro, num quarto... Quer dizer algo... Mas tem medo... Ou quer ser carinhoso... Mas também tem medo... Tem medo de perder pontos, de ser o mais fraco.... É terrível, quando sabe que não pode voltar, e começar de novo...." "Sidonie: -Todo mundo sabe que a Petra é louca pela Karin. Petra: -Louca? Não sou louca. Eu a amo. Como jamais amei ninguém antes. Valerie: -Você a ama? Você ama uma mulher? Petra: -O dedo mindinho dela vale mais que todas vocês juntas." "Marlene, dez garrafas de gin!" "Eu acho que as pessoas foram feitas pra precisar uma das outras, mas não aprenderam a viver juntas" Lembro que quando era criança, ouvi um adulto dizer algo sobre a homossexualidade feminina que me marcou muito, meu ouvido infantil já era superinteressado: "As mulheres podem sempre escolher". Fiquei com isso na cabeça, até hoje. Nunca vou saber se isso é verdade ou não. Pois não sou mulher, nem lésbica. Nunca saberei. O adulto queria dizer que, ao reverso, os homens gays estão "condenados", não podem evitar. Mas as personagens deste filme escolherem, em certa fase da vida, um homem; e sua vivência com outras mulheres tem um quê de fase redentora, como se tivessem ultrapassado gloriosamente, finalmente, as exigências familiares, a sociedade: "...E então, pouco a pouco, começou a morrer a dignidade. Vi que me tinha enganado com ele, e comigo, e decidi acabar. Acabar com o meu amor por ele. Os últimos seis meses foram horríveis, acredita, horríveis! É claro que ele reparou que tudo tinha acabado, ou pelo menos desconfiou. Mas não levou a bem. E não procedeu com muita inteligência. Já que não conseguia prender a mulher em tudo, tentou ao menos na cama. Então surgiu o nojo. Ele foi usando a técnica, a força. Deixei-o, fui aguentando, mas a verdade é que o achava um porco." Um filme obrigatório para as mulheres. Um filme infenso aos homens. O cromossomo xy não aparece. Só importa o amor das mulheres pelas outras mulheres. Minto, um homem aparece. É Fassbinder, em uma foto de jornal. Ele é o único homem desse mundo. O único homem que aparece. Amor machuca. Meu ranking Rainer Werner Fassbinder se altera, portanto: 1) Berlin Alexanderplatz (maior "filme" que já vi na vida, 15 horas); 2) As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant; 3) O Medo Devora a Alma; 4) O Direito do Mais Forte é a Liberdade; 5) Lili Marlene
  12. Parece que "I`m Thinking of Ending Things", novo trabalho de Charlie Kaufman, estreará dia 04 de setembro na Netflix.
  13. Ninguém me pediu, mas eu inventei de fazer essa maratona Glauber Rocha, e tive que rever esse curta, de 1959, "O Pátio", primeiro trabalho de Glauber. Gente...Nem com reza brava! Não há enredo. Dois atores, Solon Barreto, e a musa (?), e esposa (até 1961), Helena Ignez, andam, deitam, rolam, evoluem, enfim, sobre um pátio em formato xadrez, voltado para o mar, protegido na folhagem. A dualidade dos quadrados em preto e branco refletindo a dualidade homem-mulher? Um Adão e Eva urbano? Ficam as perguntas irrespondíveis. Inclusive a grosseira "E, daí"? Não há final, não há substância. É mais uma performance experimental, do que qualquer outra coisa. A qualidade técnica é sofrível também. 11 minutos de tortura.
  14. "O Dia em que Ele Chegar", de 2011, é um filme de Sang-Soo Hong, em belo preto-e-branco (do mesmo fotógrafo de "Memórias de um Assassino"), que acompanha um diretor de cinema, que não filma já há algum tempo, de volta a Seul, e seu reencontro com amigos, ex-companheiros de trabalho, e uma ex-namorada. Claro, em uma mesa de bar, ao deleite de muitas e muitas garrafas de vinho de arroz; e, como diz o ditado, "o álcool entra, a verdade sai". A intenção formal é falar sobre repetições. O encontro no bar é filmado de várias e várias maneiras, com modificações de assunto, e impressões díspares uns sobres os outros. Ou seja, a proposta pertence à mesma família de "Certo Agora, Errado Antes", só que lá é tudo feito de uma maneira muito mais limpa, mais organizada, e eficiente. Aqui, a cena é refeita inúmeras vezes, e acaba bastante confuso. E o padrão do texto é muito menos bom também. Não gostei muito.
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