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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Everything posted by SergioB.

  1. "Never, Rarely, Sometimes, Always" é um drama de Eliza Hittman (do ótimo "Ratos de Praia"), que fez sucesso em Sundance e ganhou o Urso de Prata em Berlim, no início do ano. Trata a questão do aborto enquanto "procedimento". O mais importante é mostrar como não é uma decisão fácil para a gestante adolescente ter que enfrentar a burocracia, meandros legislativos, as perguntas médicas (que, mesmo feitas com carinho pelo pessoal médico, colocam a pessoa na berlinda), os problemas de logística que surgem inesperadamente. Tudo se agrava, quando você é jovem, sem recursos, e tem uma família ausente. Repetindo: Não se avança à operação ou a pós-operação, nem se retroage à concepção, digamos assim. O foco é muito específico: a questão procedimental do aborto, o diagnóstico, a entrevista social, a tensão da véspera da operação...É um olhar novo sobre o tema. Bem como é novo o foco sobre a legalidade, pois recorta ainda mais o tema: a questão do aborto em adolescentes, segundo diversos estados americanos. A garota precisa ir da Pensilvânia para Nova York, em busca da resolução de seu caso. Eu não amei o filme, como imaginava. A primeira hora estava apenas sendo "ok" para mim, mas quando chega a cena em que esse belo título é justificado...Ual! Uma cena belíssima, que surpreende, e emociona. Valeu o filme. Em minha primeira lista de Previsões para o Oscar, coloquei o nome da atriz em quinto lugar para a indicação. Agora, depois de ver o filme, já não estou tão otimista. O nome de Sidney Flanigan vai frequentar as listas mais indie, com certeza. Mas a do Oscar, penso agora, já estará mais difícil.
  2. "Never, Rarely, Sometimes, Always" é um drama de Eliza Hittman (do ótimo "Ratos de Praia"), que fez sucesso em Sundance e ganhou o Urso de Prata em Berlim, no início do ano. Trata a questão do aborto enquanto "procedimento". O mais importante é mostrar como não é uma decisão fácil para a gestante adolescente ter que enfrentar a burocracia, meandros legislativos, as perguntas médicas (que, mesmo feitas com carinho pelo pessoal médico, colocam a pessoa na berlinda), os problemas de logística que surgem inesperadamente. Tudo se agrava, quando você é jovem, sem recursos, e tem uma família ausente. Repetindo: Não se avança à operação ou a pós-operação, nem se retroage à concepção, digamos assim. O foco é muito específico: a questão procedimental do aborto, o diagnóstico, a entrevista social, a tensão da véspera da operação...É um olhar novo sobre o tema. Bem como é novo o foco sobre a legalidade, pois recorta ainda mais o tema: a questão do aborto em adolescentes, segundo diversos estados americanos. A garota precisa ir da Pensilvânia para Nova York, em busca da resolução de seu caso. Eu não amei o filme, como imaginava. A primeira hora estava apenas sendo "ok" para mim, mas quando chega a cena em que esse belo título é justificado...Ual! Uma cena belíssima, que surpreende, e emociona. Valeu o filme. Em minha primeira lista de Previsões para o Oscar, coloquei o nome da atriz em quinto lugar para a indicação. Agora, depois de ver o filme, já não estou tão otimista. O nome de Sidney Flanigan vai frequentar as listas mais indie, com certeza. Mas a do Oscar, penso agora, já estará mais difícil.
  3. Como as coisas são.... O Documentário é ótimo, mas o longa-metragem, de mesmo nome, "Sergio" do mesmo diretor, Greg Barker, só conseguiu ser banal. É o gênero. Biografia é muito difícil de fazer. Pra mim, o gênero mais difícil. Espelhados, as duas produções são bastante parecidas, inclusive em sua estrutura, ao optar pela não linearidade dos fatos históricos, embora o doc foque bastante mais no resgate às vítimas do atentado. Inclusive, o filme perde um pouco da relevância pois o resgate de Sergio Vieira de Melo foi permeado por improvisações e precariedades de materiais. Ou seja, era a ONU bastante despreparada para lidar com os perigos que enfrenta. Wagner Moura consegue reproduzir bastante bem a forma de sorrir, a forma de discursar, e alguns esgares de sobrancelha, que o diplomata de fato tinha. Ana de Armas, linda demais, também atua bem a meu sentir. Será uma estrela, indiscutivelmente. O problema maior é que o lado do romance se esticou demais. Vendo mais uma cena de dança a dois, quase no fim do filme, pensei: "Não estava terminando?" Faltavam ainda mais 19 minutos! Esticaram por demais a história, quando não havia mais o que contar. A montagem é da carioca Claudia Castello, de, entre outros, "Fruitvale Station". É o trabalho técnico mais difícil, pois tem de permear lembranças, países diferentes, o resgate... Logrou fazê-lo, mas poderia ter eliminado muitas cenas.
  4. " - Disseram-que você estava fazendo um filme" " - São boatos" Premiado como Melhor Roteiro em Cannes 2018, "3 Faces" foi encarado como um Jafar Panahi menor. Como poder ser "menor" algo que a pessoa, sentenciada a 20 anos de censura, faz em clandestinidade, com a corda no pescoço, eu não sei?! Ainda mais com esse nível de qualidade! Enfim, depois de assisti-lo nessa manhã no Telecine Cult, minha cabeça superlotou! Fui ler as crÍticas do filme, e como sempre, a do Pablo é a melhor. Mas, talvez por medo de Spoiler, ele não se atentou para um detalhe. E acho que é um detalhe muito relevante. Em certo momento, é falado que o diretor Panahi, aqui atuando como ator, usando seu próprio nome, deseja fazer um filme sobre suicídio. E é isso que ele faz. Ele faz um filme de suicídio. E também faz, ao mesmo tempo, um teste para atriz. Dos três rostos; o dele, e o da conhecida atriz Behanaz Jafari, interpretando a ela mesma, são vistos o tempo todo. Mas um rosto ironicamente não aparece. A da atriz do passado, artista antes da Revolução Cultural, que é rejeitada pela própria aldeia, e que somente irá aparecer de costas. É dizer: Um Irã de passado laico em vias de desaparecer. O final é uma clara homenagem ao plano-sequência final de "Através das Oliveiras" de Abbas Kiarostami, morto em 2016. Além de o carro pelas montanhas ser "Gosto de Cereja", e as andanças pelo Irã rural ser "O Vento nos Levará". Como não reverenciar o seu legado? Ou, quem sabe, me ocorreu agora, como um arrepio diante da inteligência alheia: O rosto que falta não seja o dele? O rosto de Kiarostami? .
  5. Fora esses, imagino que a mulher no banquinho com a flor na mão seja a Macabéa de "A Hora da Estrela", filme da Suzana Amaral. E acho que a calçada semelhante ao calçadão carioca, com o coqueiro e a prancha, sejam referentes a "Rio, 40 Graus", do Nelson Pereira dos Santos. Mas pode ser qualquer outro filme nessa toada. Ou, de repente, "Copacabana me Engana", do Antônio Carlos de Fontoura.
  6. Nada acrescentar à minha resenha de 30-12-2017. É perfeito. "Call me By Your Name A remessa perfeita que esse filme faz em mim... Parece que todo mundo elabora a mesma resenha sobre cinema, hoje em dia, antes de mijar pela manhã. Não queria mais escrever assim. Vou fazer diferente. Vou falar da remessa perfeita que esse filme faz em mim... Minha família é italiana, então o filme me dá a Itália nas suas mais variadas formas. 1) O apreço pela boa mesa, o apreço pela discussão política à mesa, gostar de cozinhar, gostar de receber, a desfeita cultural que é você não se sentar à mesa para jantar - como o personagem americano em certo momento faz. 2) A cidade de Crema, na Lombardia, captada pelo fotógrafo indiano Sayombhu Mukdeeprom ( que disse muito acertadamente que a luz do Equador é uma merda pois não tem nuances, mas a da Itália é maravilhosa, "seca". Reparem na luminosidade dos jardins da casa, como a sombra é mais preta, como a grama é mais verde. É a sensualidade também da natureza! E isso o tempo todo se reflete no filme: O peixe recém-pescado abre as guelras, desesperado. Uma mosca pousa no ombro do protagonista, que a aceita, e o diretor deixa, deixa, eu queria frisar- deixa- não manda o contra-regra espantá-la) 3) A sensualidade natural das pessoas. É tão bom ser latino, né? Não ter aquele atroz medo do corpo como os americanos têm. Assisto aos vídeos dos youtubers do USA e eles a comentar o uso escandaloso dos "shorts". Os personagens usam shorts, no calor, vejam vocês! E os homens ficam sem camisa! Vejam vocês! Que coisa! 4) Os italianos amam futebol? Sim. Mas também amam voley ("pallavolo")...parece bobo, é um detalhe, mas eu amo ver o cinema agir como um detetive da cultura. 5) A riqueza na Itália visa ao conforto e não à ostentação-Kardashian. O design de produção desse filme é absurdo de maravilhoso. Captou a riqueza intelectual dos personagens. A casa da locação tem rachaduras, a pintura está descascando em alguns pontos, mas os livros estão por todo canto. São velhos, tem orelhas, foram "usados", a dizer, foram lidos...Os móveis não são de design da Armani, são de madeira, são de ferro, ficam envelhecendo e enferrujando no jardim. A piscina não tem borda infinita, a piscina é um tanque de tijolos medievais, sabe? Que locação! Que achado! As pessoas falam: "o filme é bonito", mas não sabem explicar por que é bonito. É porque se passou dias e dias procurando um lugar assim. Uma das tarefas menos "visíveis" do cinema é o trabalho duro de se achar as locações. Não é fácil. Eu sempre fui um admirador dos filmes do James Ivory. A elegância de tudo, quase um esnobismo, na verdade (Vamos contar um segredinho entre parêntesis, que é como o convém: Tudo bem ser um pouco esnobe na vida! As outras pessoas, por incrível que pareça, gostam.). O andamento calmo. As coisas mais desimportantes ganham 5 minutos de atenção. Que coisa maravilhosa que o Ivory nos ensina: que o colateral é importantíssimo! O 'plot' dos filmes dele é apresentado quase como uma "chateação"...É a vida que importa! Enfim, como cinéfilo, é prazeroso reconhecer o tanto de "A Room with a view" nós temos aqui. Não só um banho de Itália , mas o sempre artístico banho no lago. O banho de lago entre homens, vale dizer! Tanto naquele filme, como neste. Banho no lago, seja na pintura, seja no cinema, seja na literatura: uma forma aristocrática de apresentação da nudez! Naquele filme, os amantes vão para as montanhas fazer um piquenique; neste também. Amantes precisam se isolar... Eu fiquei catando esses paralelos...O novo filme que me era apresentado confrontando-se com o velho filme que existia dentro de algum escaninho empoeirado da minha mente (De dentro dela, estabeleci um outro paralelo entre a cena do trem e a cena do trem de "Summertime", de 1955, do David Lean, com a Katharine Hepburn fazendo ...uma solteirona americana apaixonada em Veneza. Foda!). James Ivory ganhará sua aguardada estatueta, pela adaptação do roteiro, tornando-se o mais velho a receber um Oscar. A remessa perfeita. A importância do primeiro amor. Como negar? Eu duvido que exista uma pessoa no mundo que não pense constantemente no seu primeiro amor. Não pode ser apenas eu que tenha esse problema mental! Não pode ser eu apenas o único louco! E não sou! Tanto que o escritor egípcio André Aciman escreveu sobre isso. Porque o primeiro amor é diferente de todos! Inaugura o corpo; inaugura o conhecimento do ciúme ( no filme, representado na cena da festa, com um close espetacular, que, é concomitantemente, uma das mais belas imagens de alguém fumando cigarro que eu já vi!); inaugura aquela vontade incontrolável de querer estar perto de outro ser humano o tempo todo ( no filme, representado na brilhante cena de Timothée quase ajoelhado, alquebrado, na porta de casa, enquanto toca a lindíssima canção do Sufjan Stevens); inaugura a vontade maluca de MORAR dentro das roupas de outra pessoa (no filme, a ardente cena da bermuda), como se vestir as roupas da outra pessoa pudesse ser um abraço contínuo (ecos de "Brokeback Mountain"? Sim, o abraço da camisa!). Roupas que o Figurino inteligentemente escolheu em tons pastéis, claros, a brincar com listras verticais para o Hammer, e horizontais para o Chalamet (A menina Marzia também usa listras. E a mãe! O que Freud diria disso? Só as listras dariam uma tese)! E ainda me matou de inveja com a camisa do Talking Heads.O primeiro amor merece um filme como este. E o primeiro amor merecia sobretudo o extraordinário monólogo do personagem do Michael Stuhlbarg! Que texto! Que coisa mais linda! Seria merecidíssima a indicação. O primeiro amor causa inveja. O Sérgio de 2017 inveja até hoje o Sérgio do ano de 2000. Nunca mais poderei sentir aquilo novamente. Daquela maneira pura e intensa. É a remessa perfeita que eu nunca mais terei. "Is it a video? Is it a video?". Mas, convenhamos, se tem um aspecto que é decisivo no filme é a não mencionada palavra "bissexualidade". É a remessa mais forte do filme em mim. A perfeita remessa. Semana passada, peguei um cara e uma menina. Meus amigos - no geral, roqueiros barbudos héteros - ainda estão tentando se acostumar a ver isso. E tão sempre me perguntando: "Mas qual você gosta mais?". A partir de agora eu posso responder a eles, pagando de culto e citar Heráclito: "Por mudar, é que permaneço o mesmo, galera. Foi dito num filme aí". No Filme também, os dois personagens gostam do corpo feminino e gostam do corpo masculino. Chalamet foi perfeito nisso, até com uma fruta ele demonstrou a força do prazer, numa cena ANTOLÓGICA. Percebo o Mito do Amor Romântico na inúmeras resenhas vendendo o filme como "história de amor entre dois homens". Sim, tem amor na sua faceta "homossexual". Mas pra mim o tesão bateu foi de ver a bissexualidade atuando! O personagem descobrindo que gosta de uma coisa e gosta de outra. Tem tesão pelas duas. As pessoas, querendo posar de libertárias, têm enxergado o filme assim: " Que lindo! Salve o amor! Salve o amor!" É dizer: O amor autoriza você a gostar seja de quem for. Como se o sentimento de amor "legitimasse". Ora, não precisa de amor! Que papo careta! "Call me By Your Name", para mim, não é "história de amor entre dois homens", é mais amplo, é uma "HISTÓRIA DO PRAZER" ! Todo ser humano está naturalmente legitimado, pela natureza, a ter relações sexuais com quem quiser! É por isso que a família, intelectualizada o bastante, orgulhosamente discreta quanto à religião!, não se incomoda de ver um dos seus representantes pegar, no mesmo dia, ora uma vizinha, ora uma visita, e nem pergunta se está ou não apaixonado, ou coisas do gênero. Não há essa pesquisa romântica. Os pais querem que o filho se descubra. Nada é forçado ("Nada foi escavado, e sim trazido à superfície"). Querem que o filho tenha liberdade ( talvez ele dê um gritão sem sentido diante de uma cachoeira, só para o TAO ouvir!). Como decorrência da liberdade, aqueles pais inclusive não veem problema em o filho transar na própria casa. A sociedade careta brasileira inventou o "motel" por que não suportava admitir o sexo passado dentro de casa! Na Europa, na França que eu conheço bem, não existe motel! Os filhos transam na casa dos pais, ora! Qual o problema? O texto já está colossal, extrapolou o confidencial, eu vou parando por aqui...Indicaria o filme a tudo: Fotografia, Trilha, as duas canções originais ( executadas em dois momentos brilhantes: a cena do ônibus e o final de encher os olhos), Montagem, Roteiro Adaptado, Ator Coajduvante ( Stuhlbarg!, pela precisão técnica, pelo speech; e o Hammer, em uma atuação "flamboyant", de um jeito como "flutuante"); Direção ( bastaria a brilhante cena do sonho); Filme; Figurino, Direção de arte; tudo que pudesse. Tudo é meritório. Mas se eu pudesse apenas escolher uma categoria, uma só, teria de ser forçosamente ATOR! Timothée Chalamet, um arraso! Uma atuação sublime! Extraordinária! O modo como ele se ajeitava no sofá, desculpe, mas nem o Daniel Day-Lewis faria melhor. Por outro lado, é maravilhoso ver um ator heterossexual acertar em maneirismos tão delicados que um cara fluído tem. Coisas de mão, certos olhares; gestos pequenos mesmos...O filme só poderia terminar com 4 minutos do rosto dele, onde se vê saudade, fossa e... um sentimento que não tem nome, mas todo mundo já sentiu: "orgulho da dor". Que alguém um dia invente uma palavra - deve ter em alemão - para esse sentimento. Foi uma remessa perfeita. Vi na tela o italiano que eu sou. O esnobe que eu sou. O jovem apaixonado que eu fui. E a cara de prazer que eu demonstro, seja com um homem, seja com uma mulher. A remessa perfeita."
  7. "Papicha" perdeu, inesperadamente, o Prêmio Un Certain Regard, em Cannes 2019, para o nosso "A Vida Invisível", e, embora não seja tão artístico quanto o outro, no conjunto, é muito melhor, agrada muito mais ao espectador. Também foi o candidato da Argélia ao Oscar de Filme Estrangeiro, inclusive sendo o primeiro candidato anunciado. Todos tinham muita confiança no filme. Não só pelo filme em si, como por sua temática. Afinal de contas, é um enorme elogio à luta das mulheres contra a opressão religiosa. Estamos na Argélia em 1997, durante a Guerra Civil, com os movimentos extremistas islâmicos se fortalecendo, e um grupo de amigas estudantes querem apenas viver sua juventude: sair à noite, se maquiar, se vestir, ir à boite, namorar. Mas começam a perceber que o ambiente lá está endurecendo, que a vida social começará a ser restringida cada vez mais. Desse grupo, sobressai uma garota que tem pendor para desenhar. Muito pendor. É uma estilista nata. Ela, além de talentosa, é muito corajosa, e, unindo as duas qualidades, decide fazer um desfile de moda. Esse desfile será sabotado de diversas maneiras pelos homens idiotas da cidade. Os homens, nesse filme da russa Mounia Meddour, aliás, só aparecem como estorvo. Machistas, trogloditas, espúrios, assediadores...Quem brilha são as mulheres! A sororidade, a amizade, a resiliência feminina diante dos problemas, são os destaques. A atuação da atriz principal foi premiada em Cannes e no Cesar! Merecido, pois a jovem e linda Lina Khoudri dá um show. E que alegria ver que ela estará em "The French Dispatch", novo filme do Wes Anderson. Amei.
  8. Decepção! Não tenho problema com nenhum gênero cinematográfico, nenhum mesmo, mas detesto quando o gênero vem em forma de alegoria. "O Ornitólogo" é um filme português, de 2016, de um diretor que eu gosto muito, João Pedro Rodrigues (do ótimo "Morrer como um Homem"). Acompanha-se um ornitólogo que estuda uma espécie de cegonha de plumagem preta, e que sofre um acidente de caiaque, e desce rio abaixo...Até aí, tudo bem. Dava para refletir filosoficamente sobre o ato de ver: em virtude da profissão do personagem; e do olho do binóculo ser um parente do olho da câmera. Aparecem imagens estáticas de animais. Bem como às vezes são os animais que olham para o estudioso. Lentamente, porém, o espectador começa a perceber que, na verdade, caiu em uma roubada mística. O filme na verdade era sobre o caminho de transformação de um homem de ciência, ateu, em um santo. Mas não qualquer Santo. A história é, até onde entendi, uma metáfora muito louca sobre Santo Antônio de Pádua/ou de Lisboa. Isso inclui, a proximidade amorosa dos animais; um contato com uma pomba ( o Espírito Santo?); um contato íntimo e violento com um jovem surdo e mudo de nome Jesus (em uma cena de sexo gay), e assim vai ...Ao final há uma transformação do ator principal Paul Hamy em outro ator ( que eu não vou dizer quem é, pois seria muito Spoiler, mais do que eu já dei). Tem gente que vai achar o máximo. Eu não. Não gosto de alegorias, não gosto de metáforas - a figura de linguagem preferida dos estudantes no ensino médio. Quando fiquei mais adulto, e mais cínico, percebi que a metáfora na verdade é pura e simplesmente uma mentira. Uma forma fácil de dizer que algo é uma coisa que não é. Sem fino controle, a metáfora torna-se só um desatino.
  9. Eu tinha comentado com o @Gust84 que só esse me vinha à mente, mas eu não posso acreditar, por que é de uma bizarrice tão grande, que destoa do conjunto...Comédia Romântica ou Musical Pornô? Resta a dúvida! hehehe
  10. Achou o gabarito desse? Não consegui decifrar a referência da melancia.
  11. Ontem à noite, no Telecine Cult, "A Flor do Meu Segredo". Um Almodóvar de 1995. Começando pelo final: Caetano Veloso cantando "Tonada de Luna Llena", em uma interpretação belíssima do clássico venezuelano! Não tem Caetano só em "Fale com Ela", não, minha gente! Outro brasileiro é o carioca Affonso Beato na Fotografia. Uma comédia deliciosa e muito inteligente, e, ademais, cheia de pegadas para outros filmes seguintes do diretor. Em certo momento, a protagonista escritora revela a ideia de um enredo, que, na vida real, será desenvolvido posteriormente em "Volver". Bem como fala de uma história envolvendo transplante de órgãos, um tema decisivo de "Tudo Sobre Minha Mãe". Mas, fora a cinefilia, esse filme conquista pelas hilárias interações entre as mulheres, principalmente entre mãe e irmãs ( Chus Lampreave e Rossy de Palma, brilhantes!) É muito espirituoso! Muito latino! Briga-se feio, diz-se coisas horríveis, e faz-se as pazes em segundos! Que delícia para mim, como leitor voraz, reencontrar citações a Djuna Barnes, por exemplo, cujo seu "No Bosque da Noite", um quase desconhecido representante da literatura no que tange às lésbicas, serve como inspiração (ou meio cópia?) à protagonista. Apesar de tantas virtudes, não é dos filmes mais cultuados do espanhol. Desconfio infelizmente que a maioria das pessoas só perceba essa camada da comédia, e não consiga se atentar para uma coisa: a crítica ao endeusamento da "realidade"! Eu diria: ao endeusamento do drama. Por que penso assim? Almodóvar por muito tempo não foi considerado "sério" o bastante, não falava sobre a "Realidade", com "R" maiúsculo. Por isso aqui ele mostra como o lado mais novelesco das relações amorosas acontece justamente na vida real! Não é coisa de telenovela de Porto Rico. Os livros da personagem de Marisa Paredes fazem sucesso, vendem, mas são considerados "subliteratura", romances de veia popular, cujo título do filme, "A Flor do Meu Segredo", soa bem representativo disso, um tanto cafona. Não se enganem, é proposital essa ironia. Há muito de novelesco, e de tragicômico, em todas as vidas. Maravilhoso! Pra fechar:
  12. Uma pena. Muito boa sorte nessa jornada! O setor de turismo (seja o de lazer ou negócios), realmente, será dos últimos a se recuperar. Agora, falando do todo, é Impossível uma economia se sustentar com uma quarentena rígida por muito tempo. Não acho que seja agora o melhor momento exatamente para se reativar alguns setores, mas é preciso sim se flexibilizar aos poucos, com alguma racionalidade.
  13. Nesta seÇão do Fórum, restaram poucos e bons.
  14. Sabe aquele sem-número de pessoas que dizem não gostar de filme nacional? Ou só de "Central do Brasil", ou só de "Cidade de Deus"? Gente..."Eles não Usam Black-Tie" é sensacional! Que vontade de esfregar esse filme - com a cópia restaurada, diga-se de passagem - na cara dessas pessoas! O cartaz está errado, não ganhou o Leão de Ouro em Veneza, ganhou os importantes Prêmio do Júri e o Prêmio da Imprensa internacional. Estava no território certo, a terra de Elio Petri! E as pessoas devem ter ficado boquiabertas ao saber que; apesar do filme ser de 1981, depois do surgimento da obra-prima "A Classe Operária vai ao Paraíso"; o texto desse filme brasileiro, irmão temático do italiano, irmão de consciência de classe, é bem mais antigo, de 1958! Aliás, um dado lateral: o sucesso da peça de 1958 salvou o grupo do Teatro de Arena de situação quase falimentar. E mais do que isso inaugurou a brasilidade de seu teatro, pois eles trabalhavam, atrevo a dizer sem muitra certeza, basicamente com textos teatrais estrangeiros, já consagrados. Aliás, que texto do Gianfrancesco Guarnieri! Um diálogo melhor do que o outro! Ninguém está 100% certo, ninguém está 100% errado. Todos defendem bravamente, belamente, seu modo de pensar. Aliás, esse filme é pra quem gosta de economia! Quanta discussão rica pode vir dele, inclusive com nosso olhar de 2020. É inegável que o direito de greve é/era essencial para defender os trabalhadores de uma constante exploração. Até um liberal clássico como eu reconhece isso. Esse é o único lado bom do marxismo, o único. Melhorou muito a situação laboral dos trabalhadores, tirou-nos a venda! Agora, passadas essas décadas, a questão laboral mudou completamente. Hoje em dia, pergunte a um trabalhar de uma fábrica se ele quer fazer greve. Pergunte. A maioria está dando graças a Deus por trabalhar ainda na indústria, ainda poupado da substituição por uma máquina, um local em que tradicionalmente se paga melhor, em que ainda há certos benefícios. Comparando as épocas, ninguém hoje fica na porta da fábrica fazendo piquete, só vejo as pessoas na porta de fábrica para pedir emprego! Engraçado, que, no filme, a greve também fracassa. Lá, por medo de retaliação; hoje, eu diria, fracassa pelo trabalhador com carteira assinada se sentir até um privilegiado... Mas o filme, mesmo assim, está atual, e será eterno, pois o texto se preocupa mais com lar, com a família e com o indivíduo. Carlos Alberto Riccelli, não bastasse a beleza, está incrível! Fernanda Montenegro, nem precisa dizer, está incrível! Bete Mendes, presa duas vezes (?) e torturada pelo DOI-CODI, acrescentando uma simbologia extra à história, está incrível! Mas quem me ganhou foi Gianfrancesco Guarnieri, um monstro! Claro, sabia por dentro a intenção de cada palavra, sabia cada meandro, cada caminho. Uma atuação colossal! Que pena o Leon Hirszman ter morrido cedo! "A Falecida" e esse filme são excelentes! Ambos os filmes são adaptações de teatro, mas como ele conseguiu transformar as palavras em ação imagética! Viva o teatro, e viva o cinema nacional!
  15. Gosto mais do filme do que do livro. São descrições e descrições e descrições sobre as estruturas do estranho planeta, criando propositalmente a sensação de tédio, que, no final das contas, entre os dois, prefiro "ver".
  16. Palma de Ouro em Cannes, em 1995, a segunda para o seu diretor, Emir Kusturica, "Underground: Mentiras de Guerra" é uma comédia felliniana, bizarra e brilhante, sobre a história da então Iugoslávia, centrando-se no triste fato de a região estar constantemente em conflito. Começa em 1941, a Alemanha bombardeando a cidade de Belgrado, especialmente o Zoológico da cidade, dando o start para uma série de loucuras, entre elas, um grupo que, enganado por um espertalhão, irá se refugiar em um porão produzindo armas - não até o fim da Segunda Guerra Mundial - mas por 20 anos a mais! Assim a história do filme se desenrola para além: atravessa as décadas de comando comunista do Marechal Tito, e, depois, ora veja, está-se novamente em outra guerra, agora a guerra civil que fragmentou o país. Bom, esse é o fio da meada da trama, mas o que importa, de fato, é a mise-en-scène espetacular que o (também músico) Kusturica constrói. Parece um precoce "A Vida é Bela" misturado com um sonho estranho e humorado de Fellini, aliás, com uma trilha sonora muito animada, de caráter balcã ou russa, presente o tempo todo, de Goran Bregovic, fazendo as vias de Nino Rota. Cenário, design, iluminação, fotografia, criam, no todo, uma atmosfera única. Tudo isso permeado por um macaco (!), que é também personagem, que rouba todas as cenas, e entrega a cena mais comovente ao final. Um trabalho estranho, engraçado, e incrivelmente executado. Acho que nunca vi nada igual.
  17. A Netflix recentemente disponibilizou esse clássico do final dos anos 1980, e eu não resisti. Já escrevi muitas vezes que eu não compartilho muito a visão do mundo de Oliver Stone, ainda mais em relação a América Latina, mas eu não nego que sou fã dele como roteirista. Acho que os seus diálogos são acima da média, e adoro a organização dramatúrgica do roteiro, que é sempre, muito, muito complexo. Há muito o que dizer. Acho que o filme tem momentos maravilhosos, como a briga de Cruise e Dafoe, ou então a incrível briga do personagem principal com sua mãe. A parte do Vietnã, em si, eu acho bem mais ou menos...Faltou dinheiro! O que eu mais gosto é o caminho da destruição dos ícones: seja a pátria, a religião, e a família. "Nascido em Quatro de Julho" é sobre queimar os ídolos para poder crescer. Mudar as ideias preconcebidas, como por exemplo, uma pessoa com paralisia não pode ter uma vida sexual. Aprende-se errado com a ignorância e o preconceito do meio, e depois a vida encarrega-se de ensinar o certo. Que libertação! Que libertação pode haver fora de uma mente sem tábuas de mandamento estipuladas sabe-se lá por quem! Mais vale aprender o certo com uma prostituta do que o errado com o médico. Todavia, a parte política do diretor às vezes entra demasiado na interpretação do filme. Confunde. Por exemplo, é mais importante abrir os olhos, despertar a consciência antiguerra, ou, como parece ao final, o personagem se transformar em um militante Democrata? Será, como ele crê, a evolução política do indivíduo americano? De todo modo, acho um ótimo filme; mas meu voto para Direção no Oscar de 1990 ( que foi o segundo do Stone) iria, com muitas dúvidas, muitas mesmo, para Jim Sheridan por "Meu Pé Esquerdo".
  18. As críticas foram ruins; a nota dos críticos foi baixíssima; não deu dinheiro nenhum; e ainda foi dividido em duas versões, a própria e a imprópria, digamos assim; mas eu gostei de "Crônicas Sexuais de uma Família Francesa", filme de 2012. De acordo que não é um grande filme, nem mesmo um ótimo filme, mas mesmo assim eu gostei. Entendi a intenção. Sei o que o diretor Pascal Arnold quis fazer. Ele naturalizou o sexo. Não precisa de nenhuma tomada excitante. Não precisa de tabus. Tudo está "domesticado", dentro de casa, e pode ser "conversado" entre família. Sem problemas. Que, na França, a moral, nem a religião, entraram no meio pra culpabilizar a todos. Então, quando as pessoas falam que o filme é morno, ou que não dá tesão, que preferem um xvideo, pois lá tem "soft porn" melhores, eu discordo! O sexo aqui é representado condizente com a personalidade de cada integrante da família. O filho virgem sofre com as questões da primeira vez, recorrendo à masturbaçao (inclusive nos lugares menos indicados); o avô precisa recorrer a uma prostituta, e precisa atuar de modo lento, e suave, para não padecer do coração; a mãe - a melhor personagem - é uma advogada decidida, que comanda a casa, a família, e a cama; a filha ama o namorado, e vive com ele uma explosão de sensualidade; já o outro filho ainda está descobrindo do que gosta, por isso aberto à experiências plurais, a jogos, à liberdade... O sexo é individual! Está adstrito ao jeito de cada um. Essa faceta do roteiro escapou à interpretação de muitas pessoas. Por isso, eu fico com a minha. Como cada ser humano é um, o filme me deu prazer. Me deu prazer assisti-lo.
  19. Ontem à noite, assisti depois de muitos anos a "Skyfall". Continuo amando a parte de Xangai: a modernidade, a sagração do dinheiro, as imagens de água-viva refletidas nos prédios, amo, amo. Também adoro a Naomie Harris nesse filme. Em contraposição, continuo não gostando daquele verdadeiro "clipe" da Adele inserido aos 10 minutos do filme, embora ache a canção boa. E continuo achando o filme mais longo do que o necessário. A dobradinha Deakins, na Fotografia, e Dennis Gassner, no Design, não tem erro. Que trabalho maravilhoso dos dois! Mas, tenho que reconhecer, seja no final de "Skyfall", seja em"1917", eles usaram os mesmos elementos da tomada noturna: uma casa/prédio incediado, à noite, ao fundo, com o ator fugindo em primeiro plano. Ao fundo, a música de Thomas Newman. Claro, os três grandes profissionais, a serviço da batuta do mesmo diretor, Sam Mendes. Quem sabe o diretor não tenha que mudar um pouco seus parceiros habituais de filmagem, para não ficar visualmente engessado pelos próprios trabalhos anteriores?
  20. Esse still corrobora a tese de que o estúdio trabalha ainda com a data original! Isso é muito bom! Jacqueline West está coassinado o figurino junto a Bob Morgan ( que costumava ficar num segundo escalão). Legal a "promoção"!
  21. Nunca tinha visto "Naked", de 1993, esse controverso e meio que esquecido filme do gênio Mike Leigh, embora tenha ganhado prêmios bem importantes na época, a saber, Melhor Ator e Melhor Direção em Cannes, e ainda o prêmio de ator no NYFCC para David Thewlis (antes de se consagrar como Professor Lupin em "Harry Potter"). Ele está excelente, realmente, num papel difícilimo: um estuprador serial, que também é, ora veja, um filósofo peripatético. Entre uma agressão e outra à mulheres, troca diálogos existenciais com quem encontra pelas ruas sombrias de Londres: um porteiro, um drogado, um colador de cartazes... As pessoas acham esse filme difícil, mas eu, por associação, não achei. Conheço muito esse tipo de "vagabundo filosofal", que eu chamei acima de "filósofo peripatético". A grande diferença é que neste filme os diálogos são escritos por Mike Leigh, não têm nada de abobrinhas de fim de noite. Há um selo de qualidade! O problema para boa parte do público é tentar separar em suas mentes que um criminoso filho da puta pode falar coisas sábias/interessantes, próximas da poesia marginal. Pois para pessoas muito pretonobranco uma chaga comportamental deve recobrir todas as facetas da personalidade. Não é assim. Outra coisa boa do filme foi ver a atriz Katrin Cartlidge atuando, ela que morreu relativamente jovem, e era muito boa de serviço. Ela também faz um papel difícil. A da mulher que é estuprada e...gosta! Gosta, pois, a uma alma muito carente, a violência pode ser quase um gesto de atenção. Nada do que é humano deveria nos estranhar. Contudo, se esse filme fosse feito agora em 2020, as feministas da nova geração iriam ter um treco. Gostei muito. Meu ranking Mike Leigh, agora atualizado: 1) Segredos & Mentiras; 2) Vera Drake; 3) Topsy-Turvy; 4) Sr. Turner; 5) Naked
  22. Vencedor do Leão de Ouro em Veneza no ano 2000, e ainda proibido no Irã, "O Círculo" é sempre mencionado como um dos melhores filmes de Jafar Panahi. Não para mim. Simplesmente por que ele tem um punhado de filmes mais espetaculares, na minha modesta opinião. No entanto, o que é a cena final? O que é a cena final? O que é a cena final? Incrível! O filme começa registrando a decepção de uma família pelo nascimento de uma menina, que esperavam, pelo ultrassom, ser um menino. A partir daí, a câmera acompanha fora do hospital a 2 mulheres que acabaram de sair temporariamente da prisão; depois a câmera as abandona para acompanhar uma mulher que efetivamente fugiu da prisão e que precisa de um aborto; depois essa mulher encontra uma outra mulher que pensa em abandonar sua filha; e depois essa mãe desnaturada, a quem passamos a seguir, é confundida com uma prostituta, a quem passamos a seguir...Enfim, é um círculo de mulheres iranianas! Suas aflições, medos, e castigos. Como sempre, o roteiro é sempre impressionante. É a melhor coisa. Infelizmente, pela falta de recursos, pelas proibições, e perseguições, falta ao filme um pouco de acabamento estético. Meu ranking Jafar Panahi: 1) Ouro Carmim; 2) O Balão Branco; 3) Cortinas Fechadas; 4) O Espelho; 5) Fora de Jogo
  23. "O Castelo Animado" é um desafio. Lógica para quê, né?! Mas artisticamente continua sendo bastante bonito e representativo do mundo de Miyazaki: sua obsessão por instrumentos de voo, transformações mágicas, a experiência da guerra, bandeirolas, navios... É impressionante como ele trata da resignação e perdão. A menina é enfeitiçada por uma bruxa, mas, depois, sem qualquer rancor, a ajuda, vira amiga dela. Isso nunca é falado, mas talvez por que a personagem vê a sua transformação como uma vantagem para se aproximar de Howl? Nada é muito explicado, pois parece que a "explicação" do enredo é, para o mestre Miyazaki, um parente próximo do maniqueísmo das emoções. Aceita-se a magia - a vida como ela é - e pronto. Quanto ao Oscar de Animação, em 2006, para o qual esse filme foi indicado, eu também teria votado em "Wallace & Gromit" (embora ame "A Noiva Cadáver").
  24. Há muitos anos não via "A Canção de Bernadette", de 1943, que rendeu o Oscar de Melhor Atriz a Jennifer Jones no ano seguinte. Uma atuação doce e pura; num ótimo trabalho. É um filme muito amado entre os católicos, por contar a história da Virgem de Lourdes. O melhor de tudo é que os cinéfilos ateus e de demais religiões podem igualmente se beneficiar do filme, pois em suas quase 3 horas de duração, acompanha-se não só a questão da fé, mas a questão política que passa a dominar a cidade, a questão médica, bem como vemos como a aparicação mariana mudou a vida de muitos habitantes do lugarejo francês. Para sempre. Gosto bem dessa forma "painel" de se registrar um evento histórico. Dá inclusive chance de outros atores, Coajuvantes, brilharem. Tanto que o filme teve 3 indicações ao Oscar para seus deuteragonistas: Charles Bickford; a sempre ótima Anne Revere; e Gladys Cooper, que dá um show nos últimos minutos do filme, quando confronta Bernadette, e se rende ao final. Ademais, uma bela Direção de Arte e uma bela Trilha (de Alfred Newman, pai de Thomas Newman), ambas também premiadas com a estatueta, vale dizer, em ano de "Casablanca". O grande senão do filme, infelizmente, é mostrar a aparição da Virgem. Que lástima essa decisão! Se ficasse só na invocação, só a cargo do belo semblante iluminado de Jennifer Jones, teria sido um filme realmente de fé, e não um filme de cunho dogmático religioso - como pode ser enquadrado. Seria, enfim, muito melhor do que é. Meu ranking Henry King é assim: 1) Suplício de uma Saudade; 2) A Canção de Bernadette; 3) Estigma da Crueldade; 4) Suave é a Noite; 5) O Favorito dos Borgia
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