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Forum Cinema em Cena

luccasf

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Everything posted by luccasf

  1. Os pontos que são retirados não estão ligados aos aspectos negativos. Costumo situar o filme dentro do gênero, e dentro da filmografia do diretor. Levando em conta esses aspectos, creio que a nota está de bom tamanho.
  2. Gosto de Sangue (Blood Simple.) Uma sociedade degradada moralmente, personagens corruptos e violentos, traição, ângulos e enquadramentos incomuns, locações conhecidas, cenas noturnas, e a típica descrença completa, proveniente do Niilismo. Todos esses aspectos são algumas, das muitas características do gênero noir - derivado do francês, preto. Além de contemplarem essa tendência, tais características retratam o modo de fazer cinema dos Irmãos Coen, na maioria dos seus filmes. Joel e Ethan, atualmente reconhecidos como dois, dos melhores diretores contemporâneos, começaram no cinema, na década de 80. Enquanto Joel se formara na Universidade de Nova York, Ethan optara pela filosofia, na universidade de Princeton. Em 1981, depois de se formar em Nova York, Joel conseguiu um cargo de assistente-editor, no filme "A Morte do Demônio" (Evil Dead, 1981), de Sam Raimi, onde iniciou a sua grandiosa carreira, no mundo da sétima arte. Três anos depois, os irmãos lançavam o seu primeiro filme, trabalhando juntos. "Gosto de Sangue", um belíssimo trabalho que acabou satisfazendo a corrente neo-noir, tendência que recicla as principais características do gênero citado no primeiro parágrafo, já mostrava as principais influências dos diretores, que marcariam suas futuras produções. No Texas, uma mulher e seu amante mantêm um relacionamento amoroso. No entanto, o marido acaba descobrindo a traição, e resolve pagar um detetive, para matá-los. O crime acaba não saindo como planejado, e as portas ficam abertas para um desentendimento sem fim. Um tema muito recorrente, dentro desse gênero, é o triângulo amoroso. Essa temática abre um leque de possibilidades, para o desenvolvimento da narrativa. Certas produções optam por uma abordagem mais suave, enquanto outras, no caso de "Gosto de Sangue", caminham por um rumo oposto. "Gosto de Sangue" funciona muito bem como um noir, além de ter bons traços dramáticos. O roteiro, também escrito pelos irmãos, é surpreendentemente eficiente. Logo no início, o espectador ouve um desabafo extremamente pessimista, criticando a postura do Homem. Basicamente, é o interesse que move os laços entre as pessoas, por isso, quando surge algum problema, é cada um por si. Os diálogos representam mais um atrativo de suas obras. Quando não carregam o humor negro, também presente em "Gosto de Sangue", costumam fazer críticas. Neste primeiro trabalho, os irmãos Coen fazem um estudo preciso sobre o que faz o Homem tomar certas atitudes estúpidas. O dinheiro? A insatisfação? O medo? A direção, a respeito do desenvolvimento da trama, é extremamente competente, por situar o espectador em cada cena, fazendo-o entender todo o desentendimento, que acaba gerando uma série de perspectivas diferentes, por parte dos diversos personagens. A construção dessa teia é muito bem feita. Sobre o desfecho que, futuramente, se tornaria um dos momentos mais aguardados por parte do público, devido a criatividade dos diretores em solucionar, ou não, os problemas do filme, ressalto o diálogo irônico, seguido pela faixa musical. São poucos os profissionais que conseguem criar um efeito tão incrível, com tão pouco. A violência gráfica do filme é mínima. Os Coen abrem mão de impressionar o espectador por esse aspecto, compensando no belo trabalho de câmera. Os diretores fazem uso, por vezes, de ângulos criativos, que realçam o poder da cena. A fotografia, comandada por Barry Sonnenfeld, que também trabalharia com Joel e Ethan, em "Arizona Nunca Mais" (Raising Arizona, 1987), e "Ajuste Final" (Miller's Crossing, 1990), antes do incrível Roger Deakins assumir o cargo, ganha destaque nas tomadas noturnas. Devido à grande influência da tendência supracitada, "Gosto de Sangue" tem seus melhores momentos, durante a noite, onde o suspense combina com a estética, aumentando o efeito das perseguições, e do sentimento de medo, e paranoia, dos próprios personagens. "Gosto de Sangue" dá início à trajetória de dois grandes diretores, que adotaram um estilo extremamente singular. A tentativa de sempre driblar o convencional, buscando alternativas criativas, fez com que os mesmos ganhassem respeito, no mundo da sétima arte. Um trabalho preciso, surpreendente, e, acima de tudo, puramente cinéfilo. Uma tendência resgatada pelos próprios amantes. Nota: 8 luccasf2010-12-28 18:10:09
  3. Creepshow (Creepshow) As adaptações de histórias em quadrinhos tornam-se, cada vez mais, a prioridade de certas produtoras, devido ao grande público que foi conquistado, com o passar dos anos. Diferentemente de boa parte das adaptações contemporâneas, que costumam se limitar aos super-heróis, "Creepshow", dirigido pelo cultuado diretor George A. Romero, realizador de obras marcantes, como: A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968), e Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978), aborda contos bizarros, que se restringem ao gênero terror, numa viagem deliciosa, que homenageia as HQ's, de mesmo nome, que eram publicadas na década de 80. Com roteiro de Stephen King, baseado em contos que o mesmo escrevera, "Creepshow" reforça o subgênero terror-tales. Depois da rápida introdução, onde o pai proíbe o filho de ler histórias em quadrinhos, no caso, a própria Creepshow, o filme de Romero decola por entre 5 contos inusitados. O primeiro, Father's Day, nos mostra um encontro entre membros de uma família, no Dia dos Pais. O patriarca foi assassinado por uma de suas filhas, que está indo até essa reunião familiar, onde encontraria sua irmã, e alguns sobrinhos. No entanto, dessa vez, a data ficaria marcada por uma macabra aparição. No segundo conto, The Lonesome Death of Jordy Verrill, encontramos um fazendeiro idiota - interpretado pelo próprio Stephen King - que avistou um meteoro caindo perto de sua casa. No terceiro conto, Something to Tide You Over, vemos um marido insano - interpretado por Leslie Nielsen - que quer se vingar de sua ex-esposa, e do amante da mesma. No quarto conto, The Crate, um zelador encontra uma misteriosa caixa, embaixo da escada, e resolve falar com um dos professores da faculdade, sobre o conteúdo. No quinto e último conto, They're Creeping Up On You, presenciamos um milionário ignorante, com problemas de insetos, em seu luxuoso apartamento. Uma estória mais bizarra do que a outra, e Romero, juntamente com King, faz questão de deixar isso bem claro, desde o início. Declaradamente, o filme tem a intenção de fugir de qualquer aspecto que o tornasse verossímil, por isso, além das temáticas fictícias, temos os personagens insanos, que contribuem para esse feito. Por ser Romero, muitos dizem que "Creepshow" não passa de um fracasso em sua carreira, entretanto, sua intenção é de extravasar o convencional, trazendo estórias que englobam os mais diversos personagens responsáveis pelo terror, no universo do gênero. Zumbis, monstros, seres de outro planeta, insetos, e claro, o próprio Homem. Um quesito que ainda é considerado por muitos, como um dos mais importantes da obra, é a maquiagem. Realizada por Tom Savini, um dos profissionais mais talentosos, dentro da área, a maquiagem concede ao filme, um grande diferencial. Na frente das câmeras, esse trabalho aprimorou a atmosfera sinistra do filme, por trazer, de forma íntegra, os detalhes da própria revista em quadrinhos. Agora, por trás das câmeras, acabou trazendo um grande reconhecimento, não apenas ao filme, por ser um dos poucos que trabalhara tão bem o quesito, mas, também, obviamente, ao Savini, que ainda recebe diversas intitulações, como: o melhor maquiador do gênero. Desde o começo, prometendo ser um exemplar bem divertido, "Creepshow" faz todas as referências possíveis, às revistas que serviram de formato, ao filme. Desde a mudança dos contos, onde vemos as imagens das HQ's, transformadas em cenas, até a cenografia fiel. Por se basear nas estórias de Stephen King, "Creepshow" declara o tom descompromissado, abrindo mão de um produto tecnicamente impecável, e optando por funcionar como um filme de terror, com seus traços cômicos, que pretende divertir os amantes do gênero, e, obviamente, das revistas. Um Romero menor, mas, mesmo assim, muito agradável. Nota: 7 luccasf2010-12-26 23:03:18
  4. Fotografia melhor que a de Ilha do Medo? Mas nem a pau. Fotografia melhor que Cisne Negro? Pois é, meu palpite vai para "Cisne Negro", também. A fotografia é maravilhosa. A iluminação é o grande destaque, desde os primeiros minutos. Creio eu que, o único filme que pode tirar o prêmio, das mãos do Matthew Libatique, é "Bravura Indômita". No entanto, ainda assim, acho difícil.
  5. Sou torcedor dos Cowboys, desde os 8 anos. É uma pena ver o time de Dallas nessa situação. A mudança de técnica já trouxe resultados, afinal, perdemos apenas uma, para o incrível Eagles, comandado pelo Vick, e pelo DeSean Jackson.
  6. 01-) Cisne Negro (Black Swan, 2010), de Darren Aronofsky - 5/5 02-) Inverno da Alma (Winter's Bone, 2010), de Debra Granik - 4/5
  7. Não deu pra resistir. Assisti "Cisne Negro". Confesso que superou as minhas expectativas, que já eram bem positivas. Darren Aronofsky dirige um filme sublime, do começo ao fim. Pra mim, o melhor do ano, com boa distância. Ainda vou postar minha crítica, mas ainda preciso digerir essa obra-prima.
  8. Metallica - Enter Sandman "Sleep with one eye open, Gripping your pillow tight Exit, light, Enter, night Take my hand, We're off to never never land" luccasf2010-12-22 19:18:28
  9. Depois do que tinha acontecido, eu achava que a Janaína acabaria ganhando. Quando ela saiu, tinha certeza que o ganhador já estava garantido. Bem, melhor do que a Luiza e o Abreu.
  10. Tem o "Melancholia", do Lars von Trier. Aguardo ansiosamente, desde o momento que começou a pré-produção. Acho que o dinamarquês pode aprontar, sim.
  11. “Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [já] nem o homem nem o rio são os mesmos.” – Heráclito luccasf2010-12-18 14:44:05
  12. Esse filme tem um potencial gigantesco, sem dúvida alguma. O trailer é simplesmente deslumbrante. Fazia tempo que não assistia cenas tão lindas. Espero que traga um bom diferencial, para essa temática tão complexa. Aposto minhas fichas.
  13. Cara, mas está tudo bem explicado. Vou passar a minha interpretação, que pode ser a mesma que a sua. Vamos lá: em determinado momento do filme, o diretor faz a citação de Sísifo, que foi condenado a levar uma pedra até o alto de uma montanha, para vê-la descer, num ciclo interminável. Ele foi castigado, porque tentou enganar a morte. Certo. Partindo disso, a personagem principal, interpretada pela Melissa George, acaba passando pelo mesmo problema. Quando ela sofre o acidente de carro, a morte vem busca-la, ou seja, aquele taxista, entretanto, como ela estava em choque, vendo que o seu filho morreu, e que ela não foi uma boa mãe, ela resolve fazer tudo novamente. Quando o taxista pergunta se ela vai voltar, e ela diz que sim, ela está mentindo, ou seja, está mentindo para a morte. Com isso, ela é punida, tendo que passar pela mesma coisa, todas as vezes. Se essa foi a sua interpretação, peço que me explique melhor, o que você não entendeu.
  14. Triângulo do Medo (Triangle, 2009), de Christopher Smith. Como é bom ver um nome fazendo sucesso, dentro de um gênero que se encontra num estado tão precário. Christopher Smith. É bom guardar esse nome, porque teremos boas surpresas, daqui a uns anos. Em "Triangle", é incrível como o diretor consegue jogar com o seu espectador, dentro da sua inusitada narrativa. Um enredo muito bem construído, que mantém o ritmo pesado até o final, acompanhado de uma boa fotografia, e, claro, da direção competente de Smith, que desliza sua câmera com enquadramentos precisos, e até mesmo, com a inusitada técnica dos jump cuts. Fazia tempo que não recebíamos uma obra tão boa para assistir, e decifrar. Belo suspense. Bela diversão. luccasf2010-12-16 22:44:41
  15. Pra mim, é como se ele começasse a fazer parte da história do hotel. No entanto, na verdade, não existe um desfecho certo. Esse é o melhor de tudo.
  16. Aproveitando a bela postagem do Questão: O Iluminado (The Shining) Stanley Kubrick, figura rara dentro da história do cinema, teve a carreira marcada pela sua postura cética a respeito do ser humano, e por ser dono de uma estilística incomparável, que sempre buscava a perfeição em cada take. Visto pela crítica como um diretor extremamente intelectual, Kubrick costumava abordar um tema recorrente em suas produções: a guerra. Com o passar dos anos, a fórmula pesada que o diretor utilizava em suas produções, começou a criar um certo desgosto por parte do público, fazendo com que o diretor deixasse os EUA, e caminhasse para a Inglaterra, onde trabalhou até seus últimos anos de vida. Depois de realizar alguns trabalhos na fase britânica, dentre eles: "2001 - Uma Odisseia no Espaço" e "Laranja Mecânica", obras que consagraram a filmografia do diretor, Kubrick parte para uma temática que, até então, era incompatível com o seu perfil intelectual. Como já era de se esperar, a crítica apedrejou "O Iluminado". O diretor chegou a ser criticado pelo próprio Stephen King, autor do livro no qual o filme foi baseado, que considerava Kubrick como um homem muito frio, incapaz de trazer uma abordagem agradável, para um tema tão impactante. Anos depois, após toda essa resistência, "O Iluminado" começava a ganhar seu verdadeiro reconhecimento, provando que Kubrick era dono de uma versatilidade invejável, e que estava pronto para deixar o espectador boquiaberto, a cada filme que fosse produzido. Início do rigoroso inverno americano. Jack Torrance (Jack Nicholson) é contratado para passar alguns meses, dentro de um hotel, juntamente com a sua esposa (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd), para cuidar das dependências do local, durante essa estação do ano. O que parecia ser uma boa experiência para o pai de família, que buscava mais tranquilidade para escrever o seu livro, acaba virando um pesadelo terrível, quando a solidão acaba afetando o convívio dos três. Cercados de neve por todos os cantos, o hotel vira palco de acontecimentos inexplicáveis, onde a loucura perambula pelos longos corredores. Deslumbrante em cada take. Uma atmosfera tão pesada, que o espectador fica tenso, vendo apenas uma tela preta, com as seguintes palavras: Terça-Feira. Belíssima observação de Janet Maslin, crítica do New York Times, que defendia o trabalho do diretor americano, e, principalmente, sua mudança de estilo. Com um roteiro sólido, e com certas modificações, em relação ao material que deu origem ao filme, Kubrick consegue conduzir o filme da maneira mais correta possível, acertando em cheio, ao utilizar certa ambiguidade no desenvolvimento da estória. Até um determinado ponto crucial do filme, o espectador não consegue saber se tudo aquilo que acontece pode ser justificado pela insanidade do personagem de Jack Nicholson, ou se o hotel é palco de atividades sobrenaturais. Essa dúvida é solucionada, entretanto, no belo desfecho, o diretor dá espaço para outras abordagens possíveis. Kubrick termina o seu filme, mas deixa o espectador pensando por horas. Para uma pessoa tão fria, como Stephen King comentou, o americano conseguiu criar um universo de proporções indescritíveis. O trabalho de câmera é fundamental para aprimorar a atmosfera soturna. Com o uso predominante da steadicam, que proporciona uma filmagem sem os trancos gerados pelos movimentos do corpo, além de facilitar o movimento entre os cenários, sem a utilização de cortes, o diretor opta por uma filmagem com planos abertos, para aumentar o sentimento de solidão, dentro de cada cena. As proporções dos cenários e dos personagens, colaboram para esse vazio aterrorizante. Outra técnica utilizada, é a de filmar os personagens de costas, como se os mesmos estivessem sendo perseguidos. O espectador, devido ao clima criado, encara a filmagem de forma subjetiva, sempre esperando alguém aparecer, mas não, Kubrick apenas vai preparando o espectador para os próximos minutos. Costumam dizer que o papel de Jack Nicholson, em "O Iluminado", marcou a sua carreira. Quem diz isso, está coberto de razão. Kubrick se preocupava muito com os atores que escalava para os seus filmes, e quando escolheu Jack Nicholson para viver o personagem Jack Torrance, o diretor disse que encontrou a pessoa mais apropriada, afinal de contas, sua aparência já trazia um diferencial assustador. Por mais que um ator tente trabalhar suas feições, jamais vai superar algo que é natural. O profissionalismo do ator acabou encantando o diretor, durante o período das gravações. Nicholson foi além do que o roteiro dizia, improvisando em certos takes, e trazendo um charme a mais, para a produção. Na antológica cena em que o seu personagem quebra a porta com um machado, e Jack aproxima o rosto do vão, dizendo: "Here's Johnny!", notamos uma ligação com a abertura do programa de Johnny Carson, que era bem famoso, na TV americana. Em outro momento que Jack extravasa os limites do roteiro, é a cena em que ele joga a bola de tênis contra as paredes do saguão. Neste caso, o roteiro apenas anunciava: Jack não está trabalhando. Uma atuação brilhante. É impossível imaginar outro profissional na pele de Jack Torrance. A escolha de Shelley Duvall também seguiu o padrão supracitado. O diretor dizia que sua aparência era a mais pura representação da impotência, e ele precisava de uma atriz que demonstrasse uma degradação psicológica extremamente verossímil. Por causa do seu perfeccionismo, e da sua intenção de buscar a espontaneidade do seu elenco, Kubrick fazia questão de gravar os mesmo takes, por mais de 30 vezes. Essa atitude do diretor, acabava frustrando os atores. Em certa cena em que Scatman Crothers - interpretando o personagem Dick Hallorann - participa, o americano fez com que ela fosse rodada mais de 40 vezes, fazendo com que o ator veterano começasse a chorar, devido ao imenso desgaste. Outro grande atrativo do elenco era o jovem Danny Lloyd. Como a estória de "O Iluminado" tinha um forte tom macabro, o diretor organizou as cenas em que ele aparecia, para serem gravadas de forma rápida, e sempre com a presença dos pais. Como o garoto tinha apenas 7 anos, Kubrick fazia questão de protegê-lo contra qualquer choque que ele pudesse ter, por perceber a verdadeira temática de sua produção. Essa ligação dos dois, acabou gerando um grande companheirismo entre eles. A cenografia de "O Iluminado" é mais um dos grandes atrativos da obra. Para decidir os melhores ambientes possíveis, o desenhista de produção, Roy Walker, entrou em cena, pedindo para que diversos fotógrafos tirassem fotos dos mais diversos hotéis que conheciam. Com base nessas fotos, começaram a montar os cenários do filme. Elogiar esse quesito, é fundamental. O clima não seria o mesmo, sem a combinação da direção de arte, com a fotografia. A caracterização de cada ambiente é minuciosa, e conquista o público pelo trabalho apurado. Da cena do luxuoso baile, às tomadas exteriores. O perfeccionismo de Kubrick é uma grande qualidade, sem dúvida alguma. Sobre a fotografia, ressalto o incrível jogo de luzes. Adotam uma tonalidade que remete ao fantasmagórico, dando destaque para as cenas do labirinto. Tudo é friamente calculado para causar um verdadeiro efeito pertubador, no espectador. Por mais que os ambientes sejam espaçosos, acabamos presenciando algo de caráter claustrofóbico, mediante ao produto de imagem e som, trabalhando juntos. Formada por composições de vários músicos, como por exemplo: Krzysztof Penderecki, que também contribuiu para "O Exorcista", de William Friedkin, a trilha sonora acompanha o ritmo do filme, com suas notas que alternam entre o depressivo e o lúgubre. Uma experiência cinematográfica divina. Um passeio marcante entre a insanidade e o sobrenatural, protagonizado por personagens que beiram a loucura, amedrontando e fascinando o espectador, ao mesmo tempo. A resistência da crítica não passava de um mero protesto contra a mudança repentina do diretor, entretanto, quando estamos falando de uma obra-prima, nada consegue ofuscar os seus lampejos. O americano, começando pelos quesitos básicos, consegue levantar mais uma das produções que marcaram sua carreira. Por mais que o seu perfeccionismo, por vezes, fosse encarado de forma negativa, não dá pra negar que outro diretor dificilmente teria o mesmo apreço, seja com a filmagem, com a estética, ou até mesmo, com a escolha a dedo, do seu elenco. Pela frente das câmeras, brilhou Jack Nicholson, por trás das câmeras, brilhou um gênio chamado: Stanley Kubrick. Nota: 9
  17. Não é porque eu estou elogiando o texto inteiro, postura que eu adoto em todas as críticas, deixando de lado os erros, que ele merece uma nota excelente. Eu escrevo apenas sobre os pontos positivos. Quando existe algum aspecto negativo que REALMENTE deve ser ressaltado, eu cito. A nota 7,5, pra mim, está de bom tamanho. Os elogios se resumem à isso. Se o filme fosse melhor, os elogios teriam uma intensidade diferente. Está muito justo para esse filme.luccasf2010-12-16 13:59:36
  18. The Police - Message In A Bottle "A year has passed since I wrote my note But I should have known this right from the start Only hope can keep me together Love can mend your life but Love can break your heart"
  19. Não daria mais que 7,5, por nada. Não acho que é tudo isso, não.
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