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Forum Cinema em Cena

Desmundo


Thiago Lucio
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smiley10.gifsmiley10.gif - DESMUNDO

"Desmundo" está para o cinema brasileiro assim como "Novo Mundo" está para o cinema americano, ou seja, não é um produto para ser consumido em sistema de "fast food" e faz parte de um gênero, independente da nacionalidade que estamos tratando, de raros exemplares, mas, que no caso da produção tupiniquim, padece de consistência, de "gordura" que leve os seus personagens do início ao fim da trama mesmo revelando-se bem cuidada em outros aspectos.

Aqui acompanhamos a chegada de um grupo de mulheres ( dentre elas a bela Simone Spoladore, dona de uma beleza exótica, mas ainda assim encantadora e ótima atriz ) que são enviadas ao Brasil com o propósito de serem oferecidos aos homens "selvagens" da região, responsáveis pelos primeiros passos rumo à civilização. Oferecidas como mercadoria, Oribela ( Spoladore ) acaba sendo a escolhida do bruto e rude ( e qualquer outro adjetivo dessa natureza ) Francisco de Albuquerque ( Osmar Prado, um ator que dispensa apresentações, soberbo como de costume ), mas não consegue se submeter a sua realidade o que irá gerar uma série de conflitos que no entender do roteiro se resume apenas em praticar sexo a contragosto, fugir, ser raptada e ser forçada a praticar sexo novamente. Há um entendimento natural pelo drama de Oribela, mas a história parece não sair do lugar e falta criatividade por parte do roteiro em sair desse ciclo.

A introdução do personagem Ximeno ( Caco Ciocler, pouco inspirado ) só serve para inserir um interesse romântico que no final das contas acaba não funcionando como tal. Sim, ele acaba salvando a mocinha. Sim, ele acaba "comendo" a mocinha. Mas nada muito bem desenvolvido, tudo colocado para que o público julgue a relação como sendo válida ou não. Ainda assim gostei do final, é algo emblemático, algo que dá a entender de qual relação nasceram os filhos desse solo, mãe gentil, que permite um tom de sarcasmo, melancolia e até mesmo um pouco de romantismo, mas nada que salve o marasmo da trama.

Tecnicamente o filme é impecável. A direção de Alan Fresnot, a trilha sonora de John Neschling e a direção de arte de Adrian Cooper, todos trabalhos notáveis, que criam um ambiente favorável para que seja contada uma boa história, mas não é o caso de "Desmundo". Essa boa história não foi bem pensada, não para este filme, o que deixa aquela incômoda sensação de que todos esses cuidados foram em vão, tudo o que tem de bom no filme ficou desperdiçado. Qualquer semelhança com o Brasil, nesse caso, é uma mera coincidência.

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