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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Everything posted by SergioB.

  1. (236) Na madruga, "Rua do Medo: Parte 1: 1994" . O colega @Jailcante definiu a trama como "rocambolesca", e foi exatamente o que eu pensei. Uma trama muito "suja", misturando alhos com bugalhos, elementos de todos os tipos de terror adolescente + monstros + clima epocal... Mas além disso, as duas meninas principais são péssimas! Socorro! A loirinha, coitada, não tem carisma nenhum. Toda vez que a câmera ia para ela, a coisa caía...Pra mim, da turminha ali, só o ator loiro, mesmo com o personagem mais esterotipado, mandou bem. Achei muito fraco. E compará-lo com o excelente e marcante "Pânico" é um crime! Basta comparar as sequências iniciais de ambos. Ai, agora vou ter que ver essa bomba 2 e 3!
  2. Esse filme é lindíssimo. Estimulado por "First Cow", maratonei todos os filmes da Reichardt, e este "Antiga Alegria" ficou na segunda posição. É maravilhoso como ele se recusa a ser um drama de revelações, uma história gay, uma aventura trágica...É apenas aquilo ali, íntimo. A cachorrinha, Muviola, é a mesma do maravilhoso "Wendy and Lucy", a cachorrinha da própria diretora, a mesma Lucy a quem ela dedica "Certain Women".
  3. Quero ver. Mas não sei se espero até o terceiro sair...O que acha?
  4. Medalhas Brasil Total: 19 15º no Quadro de Medalhas. Ouro: (6) Equipe de Vôlei Masculino - Vôlei Pâmela Rosa - Skate - modalidade Street feminino Martine Grael e Kahena Kunze - Vela - classe 49er FX Isaquias Queiroz - Canoagem - C1 1000m Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Beatriz Ferreira - Boxe - categoria -60kg Prata: (1) Pedro Barros - Skate - modalidade Park masculino Bronze: (12) Bruno Fratus - Natação - 50m Livre Arthur Nory - Ginástica Artística - Barra Fixa Arthur Zanetti - Ginástica Artística - Argolas Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Individual Geral Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Salto Luizinho - Skate - modalidade Park masculino Ágatha/Duda - Vôlei de Praia feminino Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Alison dos Santos "Piu" - Atletismo - 400m com Barreiras Maria Suelen Altheman - Judô - +78kg Equipe Mista - Judô Fernando Reis - Levantamento de Peso - categoria +109kg
  5. Uma semana com bons resultados do Brasil, estragado pela enorme PIPOCADA do basquete masculino. * Eu nem vi o jogo. Fiquei vendo filme. É que eu já sou escolado com o basquete masculino brasileiro. Podem ganhar da Espanha como na Rio 2016, podem ganhar da Grécia como no Mundial, mas chega na hora do jogo decisivo, pi-po-cam. Não têm mental. Perderam hoje para a fraca Alemanha a última oportunidade de irem a Tóquio. Desde 1976, o Brasil ficará ausente no Basquete nos dois naipes. E o tal de "saímos com a cabeça erguida". Socorro! Cabeça erguida é dentro da quadra! (Divulgação/ CBB ) * Não vi o basquete, mas vi a Diamond League na Suécia, onde nosso Alison dos Santos, "Piu", venceu a prova dos 400m com Barreira, e, como de praxe, bateu o recorde sul-americano: 47s.34! O tempo poderia ter sido melhor, mas ele foi atrapalhado pelo adversário das Ilhas Virgens. O comentarista disse que Alison vinha para um 47.10, ou 47,0. Medalha de Bronze no horizonte... (Divulgação/ Diamond League) * Terei que atualizar de novo a minha previsão, pois nesta semana deu-se o anúncio da seleção de canoagem, e fomos informados que lastimosamente o Erlon nãos e recuperou da lesão no quadril. A dupla no C2 1000m será composta pelos baianos Isaquias e Jacky Godman. Sempre dei o Bronze a eles nessa prova, perdendo para Alemanha e China. Mas agora o poder de fogo caiu. O pódio deve ser: Ouro, China; Prata, Alemanha; Bronze; Cuba. É pena. Acontece. * Mais atletas do Brasi irão a Tóquio, graças a um aumento das delegações, no Futebo, Handball, e Rúgbi (no qual só classificamos o feminino). Estou esperando o Vôlei! Quem sabe não aumentam a cota, e Flávio e Maique entrem? * A CBG divulgou um vídeo curtinho de Rebeca Andrade fazendo Assimétricas, com uma ligação entre movimentos, que daria a ela mais 0,3 décimos na nota de Dificuldade. O time todo continua em Doha, treinando, antes de embarcarem para o Japão. Repíto, não vejo ela com chances de medalha neste aparelho, mas essa conexão ajudaria demais na disputa do Individual Geral.
  6. (235) Da fase theca de Milos Forman, "O Baile dos Bombeiros", de 1967. É uma comédia de costumes, uma sátira sutil ao regime comunista. Integrantes do corpo de bombeiros de uma pequena cidade articulam um baile para homenagear um antigo membro, e a população local toda comparece. Tudo que é preparado e organizado não funciona. A comida some; a disputa de musa do baile, que serviria mais ao chauvinismo e a lascívia disfarçada dos fardados, tampouco; e outros pequenos eventos pitorescos acontecem em escalada para estragar a festa. Não é um humor desopilante, não, gera pequenos sorrisos. Mas é muito bem filmado, como de costume. Um dos motivos pelos quais eu não gostei muito foi ele repetir de certa maneira o arcabouço, as linhas gerais, de "Os Amores de uma Loira", o filme anterior, que é muito melhor, Indicado ao Oscar, já resenhado aqui, no qual há também um baile de integração entre exército e população. Foi também o primeiro filme em cores de Forman, e o último em seu país natal, antes de fugir para os Estados Unidos, e realizar, de cara, "Procura Insaciável" - aquela coisa!!!
  7. Essa mulher é a fundação da minha mente. Simplesmente, a mulher mais culta da história! Recomendo vivamente a biografia. Eu a li assim que lançou, e fiquei boquiaberto. Há muitas revelações, muitas. Principalmente para quem conhecia os incríveis Diários dela, cheios de mistério. Foi um trabalho de detetive do Benjamim Moser - que havia brilhado com Clarice Lispector. Sobre ser gay ou bi, realmente, ela teve casos com homens, foi até casada, muitos,muitos homens, até Warren Beatty, para ficarmos no mundo do cinema. Mas sem dúvidas tinha maior predileção pelas mulheres. No entanto, escondia o máximo que podia. Nem a irmã dela tinha noção, pra você ter uma ideia! Ficou sabendo depois que ela morreu, por incrível que pareça. Gosto deste documentário, mas ele é muito curto pra dar conta da vida de Susan. Quanto mais da obra dela em si. A biografia, ao contrário, esmiúça todos os textos, todos os filmes que ela dirigiu, tudo que ela fez. Quanto aos livros de ficção, acho que eles são subestimados, até por rivalidade. "O Amante do Vulcão", e "Na América" (principalmente do meio para o final) são excelentes. O livro dela que me causou maior impacto foi o primeiro volume dos "Diários". Aquilo causou um terremoto na minha alma. Uma adolescente judia, no meio do século XX, escrever sobre a diferença entre homossexualidade e bissexualidade (uma linha vertical x uma linha horizontal), ou sobre ser ativa ou passiva com uma mulher, ou sobre os tapas que as namoradas lhe deram no rosto, sobre como ela não era benquista, acusado de ser gélida...E saber que foi o filho que editou aquilo ali...pesado! Fora a lista de filme e livros que ela ia anotando, anotando, anotando, até não ter mais fim....Incrível! A mulher mais culta da história da humanidade. Só isso.
  8. (234) Já escrevi aqui que acho o canadense Norman Jewison, ainda vivo, dos mais subestimados diretores de nosso tempo. Deveria ter ganhado o Oscar de Direção por sua versatilidade, por jogar nas dez. Ele já ganhou o Irving Thalberg, em 1999, que é a distinção máxima dos produtores, e mais exclusivo ainda do que o anual Oscar Honorário. Hoje revi dele "Jesus Cristo Superstar", de 1973. Que talento! Uma reimaginação hippie musicada para a "história mais conhecida". De certa forma, é um filme que costura duas tendências de gênero das décadas de 1950 e 1960, os filmes religiosos e os musicais. Não adoro as músicas, propriamente, mas acho muito legal como se dão as composições artísticas de todos os planos. De eles não serem lotados de figurantes, como qualquer filme bíblico, nem haver muito chororô, desespero, ou sanguinolência. Há um "vazio" ao redor dos cantores, um espaço, que só faz bem. Ninguém que não deveria estar nas cenas ocupa a cena. Gosto do equilíbrio entre excentricidade e o respeito à história de Jesus, e, vale lembrar, nesse sentido, o filme ganhou a aprovação do Papa à época. Não há nada desrepeitoso. Mas há avanços de forma e estilo, com um Judas protagonista, e um Jesus vesgo. Figurinos excelentes da inglesa Yvonne Blake, com o maior brilhantismo para o visú dos atléticos Anás e Caifás.
  9. (233) Diante de tanta expectativa para a sua estreia, "Marighella" já pode ser tido agora como um mero insucesso? Não sinto amor do público pelo filme. Eu também mal queria ver, mas como vejo tudo, vi hoje, vi agora... Sempre escrevo que diretores deveriam começar pelo Terror, ou pelo Drama pontual, mas não, jamais, pela Biografia - o gênero mais difícil. No caso da pessoa em questão, ardente em controversias, foi um passo ainda mais arriscado do Wagner Moura - um ator que adoro. Gosto tanto que posso reconhecer coisas pessoais dele no roteiro, como a frase de "Hamlet", que ele costuma citar nas estrevistas, "Estar pronto é tudo", citada em determinado momento. Aliás, esse é um dos pontos fracos do filme: frases de efeito. Cada vez gosto menos de frases assim no cinema. Pra mim um roteiro bem escrito, tipo Kenneth Lonergan, deve ter diálogos de uma beleza quase escondida. Em "Marighella", cada revolucionário morto ou apanhado grita uma frase marcante, do tipo: "Esse homem amou o Brasil!!", "Esse homem amou o Brasil!". Dose. Nesse sentido, o filme contém vários recados indiretos ao Brasil de hoje, que qualquer pessoa com cérebro capta, como, por exemplo, não sei de cor a frase, algo assim, "A justiça não pode ser feita com mentiras"...Enfim, é um filme com uma agenda implícita. Ninguém é bobo aqui. Há um prólogo, muito bem feito, que talvez seja das mensagens mais oportunas do filme, que é fazer a esquerda brasileira se apropriar dos símbolos nacionais. Eu gostei. Como linguagem cinematográfica, não notei grandes atributos de direção. Tem mais a ver com a televisão. Quanto a outros elementos, conta com uma fantástica reconstituição de época, supercrível e meticulosa. De longe, o melhor aspecto do filme. Figurino e som muito bons, também. As atuações...Seu Jorge está "apagado", ou então foi intencional personificar um Marighella mais discreto, mais família, um homem experiente (salvo engano, já tinha sido preso na era Vargas, já tinha sido anistiado, já tinha vivido na China maoísta...deve ser por isso.) Não é um Marighella cheio de adrenalina, não! Causa surpresa esse aspecto. O lindo Bruno Gagliasso atua relativamente "bem", como sempre, mas ele não tem um porte sombrio, nefasto, como avatar de Sergio Fleury, já que rebatizaram o personagem - certamente uma das figuras mais torpes da história. Assistam ao filme. Vai ver vocês gostem mais do que eu. Confesso que assisti com má vontade. Penso completamente diferente dos retratados. Acho que para o Brasil foi muito melhor sair da Ditadura via um processo político demorado, costurado no legislativo, cheio de idas e vindas, de derrotas e pequenas conquistas, do que nos esbaldarmos em um banho de sangue revolucionário. Ainda não sei o quê ganharíamos com isso. Pessoalmente, noto, por fim, que os herdeiros político-ideológicos de Marighella votaram contra a aprovação da Constituição de 1988. Ou seja, quando realmente chegou a hora da Democracia, fraquejaram. Não a reconheceram. Não era a imagem do espelho.
  10. (232) Li a novela "Notas do Subsolo" no ano passado, e, sinceramente, não está entre minhas obras prediletas de Dostoiévski. Ele, que, aliás, pode ser o maior escritor da história ("Os Irmãos Karamazov"), ou o mais chato escritor ("O Idiota"). Aqui, a balança cai mais para segunda coluna. A adaptação para as telas mais conhecida é de Gary Walkow, em 1995, com o canadense Henry Czerny no papel principal. A adatação é fidelíssima, mas confiando demais no poder universal da literatura, a moderniza, transportando-a para o tempo contemporâneo, para uma socidade ocidental, com nomes ocidentais...Tipo, algum interesse histórico, a saber, o protagonista ser um dos milhões de funcionários públicos ineficientes, que parasitavam o Império russo, enfim, o painel histórico, se perde. Ficamos com a angústia atemporal e sem fronteiras desse homem. Um homem sem verdadeiros amigos, sem prazer de viver, sem dinheiro, sem amor por ninguém. Que precisa desabafar.
  11. (231) Um dos filmes que estiveram na boca dos cinéfilos, e, que, simplesmente, sem razão, eu deixei passar, "Ayka", de 2018, esteve forte na corrida para o Oscar 2019, mas não se classificou. Um dos maiores prêmios que acumulou naquela temporada foi o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, coroando o trabalho excelente da atriz Samal Yeslyamova. Uma mulher do Quirguistão, vivendo ilegalmente em Moscou, abandona seu bebê recém-nascido no hospital, e foge pela cidade, em meio a uma das maiores nevascas do século. Precisando desesperadamente de dinheiro, assume qualquer trabalho, sem se importar com sangramentos, mastite, cansaço, frio, apenas temendo a máfia de imigrantes que a colocou no país, a quem deve. A direção é do cazaque Sergey Dvortsevoy, do bonito e exótico "Tulpan", de 2008, que trabalha novamente com a mesma atriz, 10 anos depois. É um filme muito pesado, de aparência semiducumental, em que a câmera segue a personagem o tempo todo, como nos filmes dos irmãos Dardenne, e essa perseguição é quase como se quisesse também acuar a personagem, tantas vezes ela recai esbaforida em um canto. Assistimos ao filme sem saber por que ela abandona o filho, o que só é revelado ao final. Entendemos tudo. Compreendemos. O julgamento se suspende. É um ótimo comentário também acerca da Rússia. Sua perseguição aos imigrantes ilegais da região, da ex-União Soviética, bem como um comentário sobre a desigualdade econômica na sociedade russa. Em uma das cenas, a pobre protagonista ouve um pouco da palestra de um coach sobre o sucesso individual no mundo capitalista depender de si, enquanto ela está a esfregar o chão. Na hospedaria de ilegais, ouve um deles elogiar a riqueza do metrô de Moscou, enquanto o lugar em que estão é miserável. Logo depois, vai trabalhar em uma clínica veterinária, em que os animais, servindo como metáfora, são tratados melhor do que ela, notadamente, uma cadela, que também recém-pariu, cujos filhotinhos mamam, enquanto da protagonista vaza leite materno na blusa. Muita gente não vai gostar, eu gostei muito.
  12. Alegria do dia: Núbia Soares, do Salto Triplo, salta 14m.68, no último dia possível para marcas, para finalmente atingir o índice olímpico. Um ciclo de muitas lesões e resultados pífios, e, no último dia, fazendo a 6ª melhor marca do ano! Já tinha desistido dela. Zona de Prata e Bronze: acima de 14m90, necessariamente. O Ouro já é da venezuelana Yulimar Rojas, que vai bater o recorde mundial, e fazer algo extraordinário, acima de 15m.50m. (Foto: Diego Barral)
  13. (230) Assisti a este filme brasileiro, de 2014, "Permanência", estreia de Leonardo Lacca, diretor de segunda unidade de "Bacurau", por exemplo, entre outros. É difícil fazer um drama urbano contemporâneo. Escrevê-lo mais ainda. Reconheço as dificuldades. Mas um filme sobre um ex-marido que se hospeda, em viagem, na casa da ex-esposa atualmente em outro casamento, não tem um apelo dramático muito forte. Teria que se ancorar muito no desempenho dos atores e na qualidade do texto. O desconforto da situação rivaliza com a educação entre os envolvidos: ex-marido, esposa, atual marido. Todos tentando ao máximo serem cabeça-aberta. O atual marido, com cara e papo de paulistano típico, finge que a presença do ex não lhe incomoda. A mulher finge que não sente mais desejo pelo ex, em sua vida mais colorida e leve de artista. O protagonista, o ex-marido, finge não ser um conquistador inveterado, fruto ele mesmo de um pai que ciscou em vários terrenos. É legal a premissa. Mas o problema é o conflito ser necessariamente muito surdo, bem diminuído. Falta um rompante, um pico de energia. E não achei o texto muito bem escrito, também. Lateralmente, o filme comenta sobre a presença nordestina/pernambucana em São Paulo. Sua dificuldade em achar certos alimentos (??), dormir em redes na pequena sacada dos apartamentos, a perda do sotaque. Nem o talento de Irandhir Santos conseguiu resolver a falta de dramaturgia do filme.
  14. (229) O @Muviolame injetou ânimo para rever Kiarostami, então fui com "E a Vida Continua", de 1992, a segunda parte da chamada Trilogia Koker, a região empobrecida do Irã, filme que dá seguimento metalinguístico a "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?". Neste filme, um diretor (avatar de Kiarostami) e seu filho procuram saber o que aconteceu com o garotinho do primeiro filme, depois do terremoto que assolou a região onde ele vivia em junho de 1990. O personagem do diretor mostra sua preocupação ética com seu elenco de não atores, já que aquele filme fez tanto sucesso. Engraçado, que eu estava preparado intelectualmente para catar as muitas semelhanças com o filme 3, "Através das Oliveiras", que é um sonho, um dos meus preferidos, mas acabei me interessando por outro aspecto da narrativa, o futebol. O terrível acidente geológico, que matou mais de 50 mil pessoas, foi parelho à Copa do Mundo de 1990, então no fillme há várias menções às partidas do início daquele certame - de más lembranças para nós. Em primeiro lugar, pai e filho interrogam-se a respeito se a partida exibida na tevê (pois a transmissão se cortou pela tragédia) era Brasil e Escócia, ou Brasil e Argentina. O filho, empolgado com a Copa, mais atento, insiste que foi Brasil e Escócia. E foi mesmo, vitória do Brasil, 1x0, gol do Müller. Mas ele só terá a confirmação quando, no final do filme, os moradores do vilarejo destruído preparam-se - porque a vida continua! - para assistir a Brasil e Argentina. E o filho do diretor ainda aposta no futuro campeão, o Brasil. Pobrezinho...Aposta uma bola, ou um "caderno" (Como não rir metalinguisticamente disso, conhecendo o primeiro filme?) A procura pelos atores mirins do filme de 1987 serve aqui como motivo para mostrar um Irã que persiste, que não se entrega às dificuldades, mesmo quando o mundo inteiro está celebrando algo superficial, ignorando a tragédia persa. Mostra-se as estradas cheias de entulho, fendas na terra, colhe-se depoimentos de pessoas que perderam tudo, algumas 16 familiares, e, claro, encontra-se uma casa que foi cenário para o primeiro filme, mas na verdade, será a casa principal do terceiro filme, onde se repetirá inúmeras vezes a mesma cena, colhida originalmente para este segundo filme, do jovem noivo calçando o sapato. É cinema dentro do cinema dentro do cinema. Cinema ao cubo. Um filme entregando sentido ao filme seguinte. O plano final é espetacular. Plano final que será repetido em "Através das Oliveras" e "O Vento nos Levará".
  15. (228) De madrugada, revi "Cinema, Aspirinas e Urubus", de 2005, primeiro longa de Marcelo Gomes, que, a propósito, entrega um novo filme neste ano, depois do fabuloso documentário "Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar". Já escrevi que adoro quando o cinema incorpora elementos de astrologia, mas tinha me esquecido que o Ranulpho, do excelente João Miguel, é "de 5 de novembro". E quando a personagem de Hermila Guedes, uma "canceriana", e, como tal, chora à toa (já entra chorando na caminhonete), informa a ele que ele é escorpiano (como eu!), ele pergunta se isso é bom. Ela responde: "Bom e ruim. Fogoso". Ah, que resumo! Essa cena de sedução ao volante, aliás, é demais, com os três se azarando. Um filme excelente. Que tem a coragem de começar com quase 8 minutos de puro silêncio. Não é fácil começar assim.
  16. Extraordinário, mesmo. Como diria Godard: "Film begins with D. W. Griffith and ends with Abbas Kiarostami"
  17. Medalhas Brasil Total: 20 15º no Quadro de Medalhas. Ouro: (6) Equipe de Vôlei Masculino - Vôlei Pâmela Rosa - Skate - modalidade Street feminino Martine Grael e Kahena Kunze - Vela - classe 49er FX Isaquias Queiroz - Canoagem - C1 1000m Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Beatriz Ferreira - Boxe - categoria -60kg Prata: (1) Pedro Barros - Skate - modalidade Park masculino Bronze: (13) Bruno Fratus - Natação - 50m Livre Arthur Nory - Ginástica Artística - Barra Fixa Arthur Zanetti - Ginástica Artística - Argolas Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Individual Geral Rebeca Andrade - Ginástica Artística - Salto Luizinho - Skate - modalidade Park masculino Ágatha/Duda - Vôlei de Praia feminino Isaquias Queiroz/Erlon Silva - Canoagem C2 1000m Gabriel Medina ou Ítalo Ferreira - Surf masculino Alison dos Santos "Piu" - Atletismo - 400m com Barreiras Maria Suelen Altheman - Judô - +78kg Equipe Mista - Judô Fernando Reis - Levantamento de Peso - categoria +109kg
  18. No fim de semana, o Time Brasil foi o time do Brasil de vôlei. Que vitória! Que atuação! Minhas previsões se alterarão portanto. Outras notas: * Na seletiva americana de atletismo, tivemos resultados excepcionais, que projetam os americanos vencendo pelo menos 19/20 Ouros no esporte. Mas o que mais nos interessa foi vermos Ray Benjaman nos 400m com Obstáculos quase quebrando o recorde mundial da prova, com 46s83, segundo melhor tempo da história. Ual! Isso deixa claro que nosso Alison "Piu" lutará pelo Bronze. Nenhum outro americano quebrou a marca dos 48s. (Foto: Marco Mantovani/Getty Images) * Infelizmente, nossos nadadores do 4x100m foram bem mal no Torneio Sette Colli, na Itália. Breno Correia, em 7º, com 48s.82; Pedro Spajari, em 9º, com 48s.96; Gabriel Santos, 10º, 49s; Marcelo Chierighini, 11º, 49s.10. Estão "pesados", claro. Treinando musculação forte. Mas assim como os demais competidores estão. A prova deles é em menos de 30 dias. Que triste! Que caída! Vi o técnico Alberitnho anunciando que irá treinar Portugal depois de Tóquio. A CBDA precisa mudar tudo! Brasil fora do Polo Aquático, fora do Nado Artístico pela primeira vez na História, nenhuma chance nos Saltos Ornamentais, Apenas Ana Marcela na Maratona Aquática, e apenas uma chance de medalha em Tóquio nas piscinas. Triste. *Na Ginástica Artística, houve a última etapa da Copa do Mundo, com resultados impressionantes no masculino, enquanto o naipe fmeinino esteve esvaziado. Para o Brasil, o mais importante foi ver Arthur Zanetti tirando 14.933 nas argolas, nota que, por exemplo, lhe daria o título mudnial em 2019. Mas o grego Petrounias foi presenteado pelos juízes que lhe deral a irreal nota de 15.500 justamente para ele ir à Tóquio, superando os 15.400 do chinês. A china faz tudo certo, e conseguiu que esse chinês faça parte da Equipe, pois eles ganharam a cota extra pelo campeonato asiático, então não ficaram prejudicados. Assim, vejo Grécia e China lutando por Ouro e Prata, e Zanetti de volta ao jogo, para brigar contra italiano, francês e turco (atual campeão mundial, que acabou ficando em quarto, com 14.800). Fui checar, e a nota mais recente do italiano, feita em 13 de junho, é 14.733. O francês não competiu. Olha, ficou bom pro Zanetti. A apresentação dele, inclsuive, foi linda. Rebeca Andrade e Arthur Nory também ganharam medalhas nessa competição, mas, não entendi, realizaram rotinas mais fáceis do que farão em Tóquio. Não deu pra entender. Não era pra treinar? Flávia Saraiva caiu da trave mais uma vez. Ela, infelizmente, erra demais em competições. A surpresa no feminino é que a italiana Vanessa Ferrari tirou magníficos 14.266 no Solo, notassa, que lhe daria um Bronze tranquilo. Acho que a medalha da Rebeca "subiu no telhado", depois dessa prova. Nunca ela tirou acima de 14.100. Já Nory tirou 14.400, mesma nota do Pan (mas com outra série). Tem que ficar de olho, pois na seletiva americana, um deles tirou 14.800. Vai ter que dificultar mais, ou melhorar demais a execução, como no Mundial. Nesta competição, sua nota de diculdade foi menor do que de costume, apenas 5.9, com 8.5 de execução. * Que atuação incrível da India na Copa do Mundo de Tiro com Arco notadamente de Deepika Kumari: Ouro individual, ouro na Equipe feminina, e Ouro na Equipe mista. Na prova individual venceu a russa sensação do ciclo, Elena Osipova. Na Equipe, derrotou o México. Aliás, acho que o México conseguirá uma medalha de Bronze com a equipe feminina. Imagino o país com medalha no Softbol, Beisebol, Futebol masculino (pela sorte no grupo), Taekwondo, e no Tiro com Arco. Cinco. Nada nos Saltos Ornamentais dessa vez. Assim como no Rio, sem Ouro. No masculino, nosso Marquinhos parou nas quartas de finais, mas fez muito boa campanhas, batendo fortes rivais. Ouro para os Estados Unidos, Brady Ellison, claro. Décima vitória no currículo. * Mas a notícia principal é o Vôlei. As meninas ficaram com o vice, derrotadas por pouco pelas americanas. Jogaram muito bem. O mundo do vôlei dá graças por Zé Roberto não ter levado Sheilla, ou Dani Lins, ambas em péssima fase. Nosso time, se jogar como jogou a final, briga forte pelo Bronze. Temos que vencer a Sérvia na primeira fase de qualquer jeito, para cruzar com a Turquia nas quartas. É este o caminho. No masculino, após a excelente partida contra a França na semifinal, e contra a Polônia na final, com um show absoluto de todo o time, saiu agora a lista de jogadores que defenderão o título, e buscarão o tetra. Como era esperado, Flávio e Maique cortados. Fica para a próxima. (CBV/ Divulgação)
  19. (227) Produzido em 1981, censurado, e só lançado em 1987, "Sorte Cega" é um excelente filme de Krzystof Kieslowski. Aborda tantas questões políticas e existenciais que tenho até receio de falar apenas de uma das facetas do filme, e assim diminuí-lo. No básico, é um filme que imagina três destinos diferentes para seu protagonista. Pra começar, uma minibriografia, na qual conhecemos rapidamente o protagonista criança, sendo um bom aluno, despedindo-se do melhor amigo, tendo um primeiro amor...Depois, o filme pula para ele enquanto adulto jovem, estudante de medicina, em uma aula de anatomia, onde se está abrindo um cadáver (maravilhoso esse simbolismo). Segue-se o estudante até uma estação de trem, onde, apressado, uma moeda cai ( e pode dar cara, ou coroa - ou pelo filme, mais um resultado adicional), mas mesmo assim ele corre, atrasado, para pegar o trem. Na história 1, ou primeiro destino, o protagonista pega o trem e conhece militantes comunistas, que o fazem aderir ao partido, logo tornando-se um funcionário do governo, uma espécie de espião ideológico. Essa história dura uns 55 minutos, e nela vemos uma Polônia dividada politicamente, na qual os universitários lutam por liberdade, e recriminam os adesistas do comunismo, francamente em vias de extinção. Na história 2, ou segundo destino, o estudante corre mais uma vez pela estação, a moeda cai, faz de tudo, mas perde o trem. Furioso, acaba se envolvendo em uma briga com um guarda local. É julgado, pega uma pena ressocializadora, e então conhece a vida "marginal". Passa para o outro lado, digamos assim. Liga-se aos opositores do comunismo. Conhece uma revolucionária, faz amigos na clandestinidade, promove reuniões secretas para traficar literatura clandestina. Na história 3, ou destino 3, ele novamente corre pela estação, a moeda tilinta, compra a passagem, mas perde o trem. No entanto, resigna-se. Não briga com ninguém. Continua a Medicina,forma-se, casa-se com a namorada, tem um filho, arruma um emprego na Universidade, passa a ter uma casa, enfim, vira um "perqueno-burgês". É o prêmio pelo apartidarismo, digamos assim. Longe da política, não tem problema. Esquiva-se da Polônia dividida, levando uma vida normótica. O desfecho dessa história é riquíssimo. Infelizmente, não dá pra contar. Mas fiquei com a impressão, que ela conseguiu, pela ambiguidade, reunir os três destinos em um mesmo local: Os investigadores governamentais, os dissidentes, e o que acontece com quem acha que pode-se viver afastado da Política. Há um terceiro lado para a moeda. Maravilhoso!
  20. Vi este intrigante doc em outubro. Meu comentário: "Fata Morgana é um documentário de Werner Herzog, de 1971, bastante curioso enquanto forma. Uma narração do mito da criação maia, o Popo Vuh, é sobreposta à imagens do deserto do Saara, em sua porção do norte da República Centro-Africana, e também em Camarões. Ou seja, imagens do universo sem o homem, pré-civilização, quando a terra, com sua força, expulsou a água e o ar, diz o texto. Dunas, areia, ondas de calor, emolduram as palavras míticas. Aos poucos vão aparecendo sinais do homem (carcaças de tanques, ou de pequenos aviões, ou torres de petróleo). Depois aparecem imagens dos sofridos animais. Então o filme entra em uma segunda parte, enfocando as populações do deserto, seus nômades, seus caçadores... E depois há uma terceira parte, já em uma região mais estruturada, no qual aparecem imagens aleatórias de um homem tocando piano, ou de um mergulhador em um parque marinho, simbolizando, a meu ver, a "conquista" do homem daquele espaço africano. Bom, eis aqui um dos primeiros exemplos de Herzog mostrando a relação homem-natureza. Mas o grande diferencial do doc para mim é como o diretor conseguiu comparar o "realismo" próprio do documentário com as miragens - o tal efeito fata morgana - ocasionado pela inversão térmica. Isso fica claro desde o princípio, quando o espectador assiste a 8 aterrissagens de aviões. As imagens nos vêm tremelicando, sem nitidez. Sabemos, por experiência, é dizer, com o cérebro, que trata-se de um avião pousando em uma pista quente, mas não estamos vendo, é dizer, com os olhos, aquilo nitidamente. É realismo, ou apenas uma miragem? Nosso ato de ver, sob certas circunstâncias, fica distorcido. Assim como beduínos, ou aventureiros perdidos, enxergavam um lago no meio da areia; depois de assistirmos a essa obra, fica a pergunta: é isto um documentário, ou é uma miragem de um filme? Seleção musical de Mozart, Händel, e Leonard Cohen. "
  21. (226) Influenciado pelo doc de ontem, fui atrás do primeiro filme de Béla Tarr, feito em 1977, mas creditado como 1979, "Ninho Familiar". É uma estreia em preto e branco, como muitos de seus melhores filmes. Mas se parece tematicamente com outro dele, posterior, em cores, "Almanaque de Outono". Por parecido, ser rodado em um apartamento, retratando um lar sem afeto. Uma família de 8 membros, vive junta em um pequeno apartamento na Hungria socialista. A esposa de um dos filhos vive atormentada pelo sogro aka "pior pessoa do universo". O sogro a repreende à mesa, mete-se na educação da neta, reclama das contas, suspeita de sua fidelidade, trata mal aos amigos dela, enfim, cria um inferno. A nora, a protagonista, deseja uma casa para ela, o esposo e a filha, e está disposta a fazer de tudo para consegui-la. Endividar-se, ocupar uma vivenda abandonada, viver sem teto, sem chão, tudo, mas sair dali. Uma de suas estratégias é conseguir uma moradia junto ao generoso governo popular. Porém, aí está a riqueza do filme como tema: a economia socialista mata os empreendimentos imobiliários. Não há investimento, não há mercado. A fila para conseguir um teto via assistência social é gigantesca. Esta é uma das bençãos do socialismo, como vê-se em Cuba, hoje: gerações e gerações vivendo no mesmo lugar. O filme é praticamente todo feito em closes, ou primeiros planos, o que ajuda na sensação de sufocamento. A enorme família se atropela nos espaços. Queixas e críticas se amontoam. E o curioso é que as iniquidades de caráter também estão comungadas. Os filhos se mostram tão escrotos como o pai, ou tão inertes quanto a mãe. Esteticamente, é uma estreia bem diferente dos últimos filmes do húngaro, que o celebrizariam, de planos longos e silenciosos. Mas nem por isso deixa de ser ótimo. Quem casa quer casa; diz o ditado. Só se há casas.
  22. (225) Na Netflix está o documentário "Um Filme de Cinema", de 2017, do grande Fotógrafo, e diretor bissexto, Walter Carvalho. Pra quem curte cinema, é obrigatório, uma aula. Contando com depoimentos inteligentíssimos de gente como Lucrecia Martel, Jia Zhangke, Béla Taar, Júlio Bressane, Héctor Babenco, Asghar Farhadi, Gus Van Sant, entre outros maiorais, colhidos em instantes diferentes, em anos diferentes. Tais cineastas respondem a perguntas filosóficas sobre o cinema em si, a saber: O que é o plano, qual o tempo ideal do plano, a função do som, por que filmar... Béla Taar, Lucrecia Martel, Júlio Bressane, e Jia Zhangke, particularmente, arrasam. Já Ken Loach me decepcionou em sua participação, ligando o drama a Shakespeare (Ora, jogou fora cerca de mil anos de teatro grego), numa patriotada, bem ao estilo inglês de se considerarem o centro do mundo, em qualquer assunto. Os depoimentos são pontuados por cenas de filmes muito bem escolhidas, desde a travessia na ventania em "O Cavalo de Turim", até a emoção insegurável de "Cinema Paradiso". Amei ver Jia Zhangke explicando por que prefere o plano longo, e ligando isso a "democracia", por conferir liberdade maior aos atores. Sim, um chinês percebeu isso, quem melhor? Maravilhoso ver a Lucrecia Martel falando em "atmosfera" no cinema, mostrando por que uma narrativa não deve ser uma flecha para frente. Olha, pra quem é cinéfilo, um doc imperdível. Pra quem é público ocasional, entretanto, pode ser chato, pois é muitas vezes técnico e autorreferente.
  23. (224) Depois da sova que tomamos dos russos no vôlei hoje, assisti a outra sova russa, mas de cinema, É "Agonia Rasputim", de 1981, um longa difícil e exigente, do grande, do enorme, Elem Klimov. Confesso quer tive de dar um google. É que essa biografia do monge/charlatão/hipnotizador/influenciador político da Rússia Czarista não é das mais didáticas. Ou então eu que era ignorante mesmo. O diretor aproveita seu passado de documentarista e incorpora à sua ficção várias imagens raras e também fotografias raras, do fim do século XIX ao começo do Século XX, pré-Revolução, principamente no início, o que nos ajuda a contextualizar as situações. O Império Russo passava por tantas e tantas conflagrações sociais: fome, desigualdade social opressiva, confitos miltares com o Japão, ou conflitos internos, centenas de movimentos grevistas, revoltas sociais, revoltas prisionais. É nesse cenário que emerge a figura estranhíssima de Rasputin, como um conselheiro religioso, um adivinho, mas também um hábil conselheiro político. Ele cura o filho do Czar, se bem entendi, que sofria de males associados a Hemofilia, e ganha a simpatia das mulheres da Corte. Porém, sua faceta libertina, de predador sexual, de consumidor voraz de bebida, fora seu semblante tenebroso, causa pavor em certas alas do Império, cujo líder, o Czar Nicolau, em meio ao turbilhaõ social, só fazia caçar. Os políticos ao redor então tomam a iniciativa de matá-lo. Resumi bem resumido, mas isso nem importa tanto, embora tenha sido muito bom conhecer mais. O que importa é o talento para compor os planos. Ual! Cada cena é um delírio! O ator incorporou a figura, em um banho de atuação. Muita energia, com muita dramaturgia teatral bem potente, nada realista, contrapondo-se assim com as imagens documentais. Não é uma obra-prima como "Vá e Veja", mas é muito bom. Um alerta último: Exige demais do espectador. Como um saque russo. Como um ataque russo. Um bloqueio russo. É preciso estar preparado.
  24. (223) Nos últimos anos, só tenho elogios ao Spike Lee. Os filmes dele crescem para mim. "O Plano Perfeito", o verdadeiro, o de 2006, é uma delícia como entretenimento. Fora o absoluto show da montagem do inglês Barry Alexander Brown, temos muita ironia criativa desde a escalação dos atores. E não sei se as pessoas percebem que muito da riqueza desse filme é pré-filme, é desde a escolha do elenco. Tipo, o afro-americano é o homem da Lei, o mocinho; que tenta prender os ladrões brancos, com a ajuda de outros negros, ou de imigrantes albanêses; o refém mais destacado é um Silk ( que é confundido pelos brancos como árabe, e, portanto, quase vai preso); enquanto o proprietário do banco é o maior escroque de todos...É quem roubou primeiro...Ou seja, o cara faz um policialzão, bom pra caramba, que o público gosta e está acostumado a ver, mas com seu olhar social desmitificador ligado, ligadíssimo. Meu ranking Spike Lee é assim: 1) Faça a Coisa Certa; 2) Infiltrado na Klan; 3) Ela Quer Tudo; 4) Malcom X; 5) O Plano Perfeito
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