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RAZIEL

Livros de Terror

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Tópico para postarmos resenhas de livros de horror. O objetivo não é trazer apenas livros conhecidos, mas também livros obscuros e esgotados, mas que podem ser encontrados em sebos (inclusive os virtuais). Vou começar com dois. Vamos ao primeiro:

 

 

 

OBRAS PRIMAS DO CONTO FANTÁSTICO, vários autores

 

 

 

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O título não mente: Obras Primas do Conto Fantástico, da Livraria Martins Editora (1961), realmente entrega aquilo que promete: 25 contos maravilhosos, que transitam entre o terror e o realismo fantástico em suas 376 páginas. O livro foi organizado por Jacob Penteado, que também escreve a introdução.

 

 

 

Nessa obra, atualmente encontrada apenas em sebos (ou, mais facilmente, em sebos e lojas virtuais), encontramos verdadeiras preciosidades da literatura fantástica. Vamos falar de algumas.

 

 

 

O livro abre com Avatar (não confundir com o filme, rsrs), do magnífico Teófilo Gautier (ou originalmente, Teóphile Gautier), sobre uma estranha doença que acomete o pobre Otávio de Saville; em seguida, já vem outra história tão boa quanto, O Espelho, de Gastão Cruls, onde um marido aconselha a esposa a não comprar um espelho de origem duvidosa, e obviamente, não é atendido; em Um Louco?, do grandioso Guy de Maupassant, vemos a triste história de Jacques Parent, aparentemente torturado por fenômenos sobrenaturais (ou não, vai saber... é uma dúvida comum nas histórias do Maupassant); em Metempsicose, de Walter Poliseno, a velha história da troca de corpos é abordada por um ângulo muito interessante, ambientado durante uma exploração arqueológica numa tumba egípcia. Sim, Teóphile Gautier e Guy de Maupassant no mesmo livro, e falamos apenas dos quatro primeiros contos!

 

 

 

Em seguida, temos a assustadora (mesmo) história Os Ratos do Cemitério, de Henry Kuttner. Se você for claustrofóbico, ou tiver pavor de ratos (ou ambos), esse conto vai te deixar com o coração acelerado. Que diabos, mesmo que você não sinta essas fobias, vai ficar com o coração acelerado!

 

 

 

Não vou comentar todas as histórias seguintes, mas vou falar um pouco sobre outras que são ótimas: em Camarote 105, Beliche de Cima, de Marion Crawford, um viajante marítimo desconfia que seu companheiro de cabine talvez não seja exatamente humano. Logo depois desse, vem o conto A Mão do Macaco, de William Wymark Jacobs, simplesmente a melhor história de "horror sutil" de todos os tempos; por fim, o livro fecha com Bugio Moqueado, de um escritor nacional mais ou menos conhecido, chamado Monteiro Lobato. Quem se apavorou com O Saci (da série Sítio do Pica-Pau Amarelo), durante a infância, sabe do que o homem era capaz.

 

 

 

Comentei alguns dos melhores, mas leia a lista completa de contos e autores abaixo:

 

 

 

Teófilo Gautier - Avatar.

 

Gastão Cruls - O espelho.

 

Guy de Maupassant - Um louco?

 

Walter Poliseno - Métempsicose.

 

Henry Kuttner - Os ratos do cemitério.

 

Afonso Schmidt - Delírio.

 

Victor Hugo - O diabo maltrapilho.

 

Conan Doyle - A mão do hindu.

 

Matteo Bandello - O macaco travesso.

 

Afonso Arinos - Uma noite sinistra.

 

Alexandre Pushkin - O recoveiro.

 

Jorge William Curtis - Os óculos de Titbottom.

 

Marion Crawford - Camarote 105, beliche de cima.

 

William Wymark Jacobs - A mão do macaco.

 

Anatole France - A missa das sombras.

 

Herbert George Wells (H.G.Wells) - O fantasma inexperiente.

 

Luigi Pirandello - A senhora Frola e o senhor Ponza.

 

Villiers de L'Isle Adam - A experiência do doutor Velpeau.

 

Jack London - O rei dos leprosos.

 

Jean Lorrain - A máscara vazia.

 

Somerset Maugham - Encontro em Samarra.

 

Leónidas Andreyeff - A mentira.

 

Giovanni Papini - O que o diabo me contou.

 

Viriato Correa - A ficha n.º 20.003.

 

Edgar Allan Poe - William Wilson.

 

Charles Baudelaire - O jogador generoso.

 

Monteiro Lobato - Bugio Moqueado.

 

 

 

Livro obrigatório para entusiastas do gênero.

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O HISTORIADOR, de Elizabeth Kostova

 

 

 

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O Historiador (Editora Suma) é um livro com qualidades. Seria tolice dizer o contrário, já que é extremamente bem escrito, amarrando de forma eficaz a parte ficcional com os dez anos de pesquisas da escritora Elizabeth Kostova, que desde criança desejava escrever um livro ao estilo de Drácula. A obra chegou a ficar na lista dos mais vendidos do New York Times e foi nomeada Livro do Ano pelo Book Sense, sendo extremamente elogiada pela imprensa especializada norte-americana, com exaltações como "eletrizante", "inteligente" e "impossível de largar". Bem, eu concordo que é inteligente, mas o resto...

 

 

 

A trama acompanha as desventuras de uma jovem em busca de seu pai, que desapareceu após realizar profundas pesquisas sobre o mito de Vlad, o Empalador (vocês sabem de quem estou falando...). O historiador acreditava que o mítico personagem ainda estava vivo, e que sua maldade deveria ser erradicada da face da terra. Assim, por meio de pesquisas e buscas em mosteiros, bibliotecas empoeiradas em universidades, viagens à Budapeste, Istambul e confins da Europa oriental, vamos descobrindo cada vez mais detalhes sobre o mito de Dracula, assim como pistas sobre sua ação nefasta nos dias de hoje e sobre o provável (e terrível) destino do pai da personagem central.

 

 

 

De certa forma, o livro homenageia muito bem o estilo de Bram Stoker, já que muitas vezes a história se desenrola através de cartas e anotações; cada localidade visitada é descrita nos mínimos detalhes, com pormenores históricos enumerados de forma quase obsessiva. É aí que está um dos grandes problemas da obra, que funciona muito mais como um guia turístico do que como um romance de terror (ou qualquer outro gênero). Sim, a presença do suposto vampiro é sentida no decorrer da obra, porém isso não é o bastante para espantar o inevitável tédio em ler 541 páginas descrevendo com exatidão os caminhos, construções, história antiga, os melhores pratos de cada restaurante, etc. E vejam, não estou criticando o uso desses recursos, que quando utilizados na medida certa, dão vida e verossimilhança à trama. O problema é que Elizabeth Kostova não soube dar o equilíbrio adequado à sua história, privilegiando aspectos históricos e geográficos em detrimento da trama, do suspense e do horror. O livro seria melhor caso fosse mais curto. Bem mais curto.

 

 

 

A obra é bastante comparada aos livros de Dan Brown, devido à estrutura "busca de pistas em uma corrida contra o tempo"; porém, ao contrário do dinamismo do autor de Código da Vinci, cujos livros podem ser lidos em um ou dois dias, O Historiador é uma leitura pesada, que demanda mais esforço e paciência. Dependendo do gosto do leitor, isso pode parecer uma vantagem, mas na opinião deste que vos fala, uma leitura que demanda esforço não é uma boa leitura (ou ao menos, não é uma leitura que alcança o seu principal objetivo, o de entreter); acredito que informações técnicas devem ser passadas na medida certa, sem exageros.

 

 

 

Tudo isso poderia ser (meio) perdoado caso o final do livro fosse absolutamente avassalador... quero dizer, depois de tanta enrolação, o leitor MERECE um desfecho surpreendente e espetacular, certo? Parafraseando o Lex Luthor de Superman Returns: WRONG! O final acaba de maneira rápida e simplista, de uma forma absolutamente anti-climática. A escritora foi concisa na única parte que demandava mais detalhes, o que é absolutamente revoltante para quem se arrastou por tantas páginas (e páginas com letras minúsculas!).

 

 

 

Apesar dos pesares, há aspectos elogiáveis na obra: a história dos pais da personagem principal é até interessante e bem "romanticuzona", aos poucos vamos descobrindo como o casal se conheceu, como começaram a fazer pesquisas sobre Vlad e, principalmente, como ocorreu a morte da mulher; o desenvolvimento dos personagens é coerente, embora falte carisma e senso de humor a quase todos; as poucas aparições da suposta ameaça são bem bacanas, mas nada tão assustador quanto a crítica dita especializada faz parecer. De fato, um dos aspectos menos presentes no livro é justamente o terror (o que, convenhamos, é uma grande defeito). E pensar que tem gente que diz que a obra é melhor que Drácula! Considero isso uma heresia, e olha que nem sou muito fã da obra de Bram Stoker (mas respeito imensamente, que fique bem claro).

 

 

 

Obviamente, minhas críticas são bastante subjetivas, e talvez meu pouco interesse em história e geografia tenham contribuído para a falta de empolgação com o livro (por exemplo, sempre gostei das didáticas obras de Michael Crichton, provavelmente por me interessar muito mais pelos temas científicos propostos pelo autor). Mas enfim, resenhas sempre refletem a opinião pessoal de seus autores, então esta aqui não poderia ser diferente.

 

 

 

Concluindo, fica a dica: se você é fascinado por história e geografia, e não se importa com páginas e páginas de descrições tão longas quanto a Grande Muralha da China (em detrimento do suspense e do horror), O Historiador é o livro certo para você. Conforme falei no início dessa resenha, é um livro com qualidades. Pena que tais qualidades talvez não sejam suficientes para todo aficionado pelo gênero terror.RAZIEL2010-01-07 18:40:27

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Excelentes textos Raziel. Eu me interesso muito pelos livros do gênero! O primeiro aí me agradou muito! O segundo não sei não. Parece ser um bom livro, mas não como horror. E não acho que descrições gigantescas sejam ruins. O Lovecraft passa boa parte dos seus livros descrevendo as coisas bizarras da sua imaginação (tb nem sei se os livros deles sejam realmente horror no sentido clássico, hehe)

Eu tenho Contos de Horror do seculo XIX e Contos Fantásticos do seculo XIX da companhia das letras.

Pessoalmente, me agrada bastante a literatura (principalmente  da língua inglesa) dos meados do Sec XIX até o início do XX. Mas a partir daí não li muita coisa. E confesso que é por preguiça. Tenho enorme preguiça destes livros  "best sellers". Nunca li nada do King (preguiça dos livros gigantescos dele. Acho o tamanho desnecessário), e o pouco que li do Clive Barker não me chamou muuito a atenção.

 

Mas e aí, quais melhores contos que vc já leu no gênero?

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Opa, alguém se interessou. Conan, eu também não costumo me incomodar com descrições longas, mas para tudo há limite: as descrições da Elizabeth Kostova são simplesmente intermináveis, a tal ponto que a trama acaba ficando em segundo plano várias vezes (e isso, acho imperdoável). Sim, H.P.Lovecraft era bem descritivo, mas acho que as descrições do autor serviam à trama, e não o contrário. Ele é um autor bem clássico (ou ao menos, assim é considerado pela maioria, eu incluso).

 

 

 

Eu tenho esses dois livros que você citou, são ótimos. De fato, os contos dessas épocas têm um charme especial, são histórias “classudas”, um horror mais aristocrático e, na maioria das vezes, mais sofisticado também. Mas os contos mais contemporâneos também possuem seus pontos fortes.

 

 

 

Sobre o Stephen King, ele tem um ritmo próprio que, muitas vezes (nem sempre, há exceções) justifica o tamanho dos livros. A gente lê rápido. Mas enfim, há bons livros dele que são mais curtos, se quiser, posso dar sugestões. Sobre Clive Barker, não é todo mundo que gosta de seu estilo. Eu acho legal, mas realmente, ele não é o “futuro do horror”, conforme Stephen King previu certa vez.

 

 

 

Meus contos de horror favoritos? Rapaz, são muitos, dezenas de histórias excelentes, não vou lembrar de todas agora... Mas posso dizer que meu conto favorito é “A Mão do Macaco”, de William Wymark Jacobs. Um primor, que influenciou muita coisa feita depois. Outros que consigo lembrar no momento: “O Pequeno Assassino”, “O Emissário” e “A Foice” (de Ray Bradbury); “O Fantasma”, “O Dedo Semovente”, “Sabe, eles têm uma Orquestra do Diabo” e “O Nevoeiro” (de Stephen King); “Homem ao Mar”, de Winston Churchill; “Tripas”, de Chuck Palahniuk; “A Morta Apaixonada”, de Teóphile Gautier; “O Gato Preto”, de Edgar Allan Poe; “Nas Montanhas da Loucura”, de H.P.Lovecraft; “O Horla”, de Guy de Maupassant... afff, se ficar falando, não paro mais. Esses são apenas alguns exemplos. Vou colocar outros livros por aqui agora. Abraço!

 

 

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Tem gente que separa horror de terror, mas bem...

ah sim, eu gosto do horror elegante e aristocrático, hehe. Meio que reação ao que transformaram hoje (nos cinemas), em um desfile de multilações, sangue e nojeira. Não que não tenha lá  a sua graça, mas o que me atrai é o elemento sobrenatural, o oculto e o desconhecido, e não o explícito.

Eu li recentemente o Hell House. Tem uma trama interessante, mas lá pelas tantas o livro não consegue mais passar alguma tensão. Acaba virando um Nelson Rodrigues com zumbins, heheh. Diverte um bocado, mas falha em criar o medo.

Se bem que em grande parte dos contos do Lovecraft não gera um medo forte para mim, embora seja um dos meus autores favoritos. Mas mesmo assim, tem alguns contos que são realmente de horror. Um muito bom é o estranho caso do doutor Herbert West (que deu origem ao filme carnavalesco divertido, mas longe de ser um horror de primeira). Não é um contro "trash" e com pitadas de humor, mas uma história séria e pertubadora.

 

Mas talvez é só preconceito mesmo. Ainda pego um livro do King. Pode passar sugestão. Eu estava para ler o It, mas eram dois volumes e muitos dizem que na metade para frente ele despiroca e fica doidão...hehe

 

os melhores contos que vieram na minha cabeça são: Janet do Pescoço Torcido do Stevenson, A Cor que Caiu do Ceu do Lovecraft (acho melhor que os nas montanhas da Locura) e Pombos do Inferno do E. Howard. (ciador do Conan e amigo do Lovecraft). A primeira parte deste último é uma obra-prima e uma lição de como se escrever um conto de horror. Eu li em inglês e imagino que em português deve perder um pouco do impacto. Não é leitura fácil, diversas vezes consultei o dicionário, pois é bem cheio de descrições e adjetivos. Mas vale a pena.
Conan o bárbaro2010-01-21 11:45:29

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Blz, Conan! De fato, tem quem separe horror de terror. Eu acho frescura (rsrs) e, como não existe consenso sobre isso, prefiro usar as palavras como sinônimos.

 

 

 

O oculto, o sobrenatural, o desconhecido e o não explícito, felizmente, não são prerrogativas apenas dos autores antigos (a literatura de horror, felizmente, é mais bem tratada do que o cinema de horror). O problema aqui no Brasil é que as coletâneas de contos de horror se limitam a autores antigos, e muita coisa boa atual nem chega aqui.

 

 

 

Hell House é antigaço (1971), mas só foi traduzido agora (particularmente eu gostei, só achei o final fraco).

 

 

 

Lovecraft é um problema... Ele abusa dos mesmos adjetivos exagerados, sempre e sempre ("indizível", "ciclópico", etc)... Ele tentava causar um horror extremo o tempo todo, mas é o tal negócio, quando tudo é grande, nada é grande. Mas também gosto dele, e adoro essa história do Herbert West (o curioso é que o próprio autor odiava. Foi uma história feita por encomenda para uma das revistas de horror que publicava seus contos).

 

 

 

Vejamos, do Stephen King... Já que você gosta de contos, eu sugeriria Sombras da Noite e Tripulação de Esqueletos, que acho fantásticos. Também recomendo Pesadelos e Paisagens Noturnas, mas com reservas (embora tenha contos ótimos, também tem alguns que não são grandes coisas, em proporção maior do que os dois primeiros que recomendei). Agora, de romance (e não muito grande), eu sugeriria Angústia (que gerou o filme Louca Obsessão), O Iluminado, Zona Morta, Carrie, O Cemitério, A Incendiária e Os Justiceiros (esse sob o pseudônimo de Richard Backman). O problema é que a maioria dos livros já foram transformados em filmes, o que desanima muita gente em ler, mas são experiências completamente diferentes (mais do que em muitos autores, creio eu). Eu gosto de A Coisa, mas não acho que seja um livro para alguém iniciar a leitura de King. Não é que a história "despiroque" (não mais do que em outras histórias do King), acontece apenas que o autor não fica explicando cada detalhe, cada coisinha. Ele conta com a imaginação e a interpretação do leitor para algumas coisas.

 

 

 

O fator medo é um lance subjetivo... Particularmente, se fosse para sentir medo, eu nem leria terror. É extremamente raro que eu sinta medo de verdade (normalmente, só alguns calafrios). O que me agrada mais é a criatividade, o fator humano, é me importar com personagens e depois ficar naquele suspense, temendo que algo de ruim aconteça com eles. O Stephen King é muito bom nesses aspectos, além de criar um suspense sufocante em algumas de suas histórias (como em Angústia). Claro que ele tem defeitos, mas... Ah, dá uma olhada na resenha que acabei de colocar no tópico sobre Stephen King. Lá, explico melhor o que penso do autor.

 

 

 

Vou citar três livros que me deram medo: Sombras da Noite (tem uma história apavorante), Horror em Amythiville (o truque de contar a história como se fosse real ajuda muito), Visões da Noite (de Ambrose Bierce, vou colocar uma resenha aqui)... ah, depois lembro de outros. Só sei que as únicas histórias que me causam medo são as de fantasmas, e precisam ser muito bem escritas. Histórias de vampiros, lobisomens, etc, me atraem por outras características, como o suspense, o mórbido, o macabro, o humor negro, etc.

 

 

 

Conheço A Cor que Caiu do Céu (putz, acredita que odeio esse conto? Rsrs. Acho um tédio) e Pombos do Inferno (é muito bom mesmo, e a tradução que eu li não me incomodou em nada). Agora, fiquei curioso com esse Janet do Pescoço Torcido, preciso encontrar.

 

 

 

Vou colocar mais alguns livros por aqui. Flow.RAZIEL2010-01-23 16:43:53

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VISÕES DA NOITE - HISTÓRIAS DE TERROR SARCÁSTICO, de Ambrose Bierce

 

 

 

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Já é lugar-comum afirmar que a vida do escritor Ambrose Bierce foi tão (ou até mais) misteriosa do que suas fantásticas histórias. Herói de guerra e jornalista mordaz, escrevia o que bem entendia, sempre com inteligência e fina ironia. Isso não contribuiu para que tivesse muitos amigos, mas duvido que tenha se importado com isso. Sua obra mais conhecida é O Dicionário do Diabo, onde arrasa com todos os aspectos da sociedade de A até Z (frases desse livro são presença obrigatória naquelas antologias de frases irônicas, como "O Melhor do Mau Humor"). Assim como em muitos dos seus contos, onde pessoas desapareciam sem deixar vestígios, Ambrose Bierce desapareceu no México por volta de 1913, aos 71 anos. Alguns dizem que morreu de causas naturais, outros acham que foi suicídio, enquanto outros afirmam que foi fuzilado após insultar Pancho Villa. Essa última morte parece mais adequada.

 

 

 

Enfim, parece estranho que um adepto da ironia tenha se interessado por narrativas com temática sobrenatural (afinal, pessoas de temperamento sarcástico costumam ser bastante céticas), mas foi o que aconteceu, para nossa sorte. Seus contos figuram facilmente em qualquer antologia do gênero, e juntamente com Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, ele é considerado um dos maiores expoentes norte-americanos do Terror.

 

 

 

O livro Visões da Noite - Histórias de Terror Sarcástico (Editora Record, 1999, organização de Heloísa Seixas) trás alguns dos melhores contos de Bierce. Não se assustem com a palavra "sarcástico" no subtítulo, que pode nos deixar temerosos de que o terror fique em segundo plano: na verdade, as histórias desse livro são algumas das mais arrepiantes já escritas! Muitos contos são narrativas curtíssimas, reunidas juntas sob um mesmo título, já que o tema é basicamente o mesmo.

 

 

 

"Cruzando o Umbral", por exemplo, narra desaparecimentos misteriosos, de pessoas que literalmente desvaneceram no ar; a narrativa é escrita em tom jornalístico (algo comum em seus contos), o que provoca uma estranha atmosfera de realidade, a sensação de que aquilo poderia mesmo ter acontecido. Não é a toa que algumas dessas histórias chegaram a ser narradas por jornais como fatos verdadeiros! Dessa forma, várias lendas urbanas nasceram da imaginação do escritor, que deve ter rido muito com isso (e riria até hoje, sabendo que muitas dessas lendas ainda perduram).

 

 

 

Em "Casas Espectrais", há uma narrativa aterrorizante sobre um homem que decide entrar em uma casa supostamente mal-assombrada. Provavelmente, uma das histórias mais assustadoras a utilizar este tema. "Aparições" e "Um Incidente na Ponte de Owl Creek", por sua vez, trazem encontros com fantasmas, em narrativas que serviram de influência para muitas outras que vieram depois. "Visões da noite", conjunto de contos que dá título ao livro, narra alguns pesadelos do escritor, sonhos que seriam capazes de fazer você acordar suando frio.

 

 

 

Também há contos mais longos: "O Ambiente Adequado" narra a história de um homem que, para entrar no clima adequado de um conto de horror, vai ler a história no lugar mais assustador possível; em "Os Olhos da Pantera", um homem rústico se vê envolvido com... bem, digamos que o título não é figurativo; "Um dos Gêmeos" aborda esse tema tão comum, mas que dá margem à excelentes histórias de horror.

 

 

 

Em resumo, Visões da Noite é mais uma obra obrigatória para os fãs do gênero. Se tiver a chance, compre sem medo. Ainda mais porque medo é algo que não vai faltar depois. RAZIEL2010-01-23 16:31:56

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ANTOLOGIA MACABRA, vários autores, organização de Peter Haining

 

 

 

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Antologias de terror são, muito naturalmente, compostas de autores conhecidos do gênero terror. Porém, você já imaginou uma antologia de contos de horror feita exclusivamente com autores conhecidos por outros gêneros literários? Mais do que isso, imagine uma antologia de horror feita apenas com autores conhecidos como “sérios”, que teoricamente passaram a vida inteira longe dessa literatura tão “frívola e infantil” (conforme a maioria dos críticos literários parece pensar). Pois bem, essa seleção de contos existe, e chama-se Antologia Macabra (Editora Nova Fronteira, 1972).

 

 

 

Segundo o organizador Peter Haining, a idéia surgiu quando ele encontrou, numa revista vitoriana, um conto de Sir Winston Churchill chamado Homem ao Mar. Encontrar um conto desconhecido do famoso primeiro-ministro já foi uma surpresa, porém não tão grande quanto a constatação do gênero do conto: era uma história de terror! Enfim, Winston Churchill foi escritor, jornalista, historiador, orador, o diabo a quatro, e em algum momento de sua vida escreveu uma história sinistra! Segue a transcrição de um trecho da introdução do organizador:

 

 

 

“À medida que fui lendo, começou a tomar forma em minha mente a idéia para uma antologia. Se um homem como Sir Winston Churchill, escritor notável entre seus muitos atributos, tinha tido a inspiração de escrever uma história macabra, com certeza deveria ter havido outros, talvez mesmo homens mais totalmente envolvidos na vida literária do que Sir Winston, mais conhecidos das platéias mundiais de leitores em campos que não a ficção de terror. Mesmo que suas motivações para a criação de tais histórias não passassem de um relâmpago de inspiração sombria, engendrada uma só vez e jamais repetida, ainda assim, que divertida e única reunião de contos não fariam eles.”

 

 

 

Sim, a idéia foi boa, e sim, essa reunião de contos é diversão pura.

 

 

 

Após uma verdadeira escavação literária, Peter Haining encontrou algumas obras-primas do horror feitas por escritores tradicionais, como William Faulkner, F. Scott Fitzgerald, Raymond Chandler, Truman Capote, Agatha Christie e outros mestres de seus respectivos gêneros. Aparentemente, muitos autores da chamada “elite” se aventuraram pelas escuras vielas do horror, indicando que, ao contrário dos críticos literários, os grandes nomes da literatura deviam apreciar (talvez secretamente) leituras menos “edificantes”, como H.P. Lovecraft, Ambrose Bierce, Edgar Allan Poe e outros grandes nomes desse nosso gênero tão querido.

 

 

 

Falarei rapidamente sobre alguns dos contos: Mata, de JohnGalsworthy, mostra o que acontece quando um inglês esnobe vai dar um último passeio no bosque que pretende vender (vocês sabem, os novos donos talvez não queiram transformar aquilo em um refúgio ecológico, e as árvores podem se revelar um tanto quanto vingativas); Animais ou Gente, de Angus Wilson, é uma divertida sátira ao hábito de certas pessoas tratarem seus animais como pessoas; A Porta de Bronze, de Raymonde Chandler, mostra a perturbadora possiblidade de alguém literalmente sumir com seus desafetos; Complexo de Inferioridade, de Evan Hunter, trás um personagem levemente paranóico, que desconfia (talvez com razão) que algo muito estranho está acontecendo em sua vida.

 

 

 

Todos os contos do livro são bons, alguns excelentes, outros nem tanto, porém todos têm suas qualidades. Mas particularmente, acho que Homem ao Mar, o conto que deu origem à antologia, é tão maravilhoso que as outras histórias empalidecem em comparação. O título já diz muita coisa, então contar qualquer detalhe é estragar a experiência. A única coisa que posso dizer é que esse conto é um diamante lapidado, perfeito em ritmo, tamanho, desfecho, enfim, cada palavra. É o primeiro conto do livro, então sugiro que deixem ele para o final.

 

 

 

Concluindo, os contos de Antologia Macabra merecem ser conhecidos não apenas pela qualidade de cada um deles, mas também pela curiosidade de ver autores do mainstream se aventurando pelo horror. Uma pena que não vieram outras seleções nesses moldes, pois segundo o organizador, ficaram de fora contos de Ernest Hemingway, Aldous Huxley, Pearl S. Buck... Afff, dá água na boca só de pensar! RAZIEL2010-01-23 16:36:43

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Adoro os adjetivos do lovecraft! São o cartão de visitas dele! hehe...

 

Mas é como eu estava falando, curto o Lovecraft a despeito do gênero, que no fundo não importa muito quando a trama é envolvente e que te deixa preso ali acompanhando as páginas. Eu diria que ele criou um tipo de gênero próprio e que, apesar de inúmeros seguidores, ninguém até hoje conseguiu recriar ou falar das mesmas coisas com a mesma maestria. Todos parecem sem sal quando aventuram-se no universo riquíssimo criado pela cabeça do Locevraft. Talvez por isso mesmo, por ser algo tão pessoal, que é um tipo de leitura única.

 

Não é tão somente horror. De fato, poucas vezes realmente passa esta sensação. Mas um tipo de texto que beira o poético pelas imagens que evoca. Daí a importância dos adjetivos na construção das frases. Cada palavra está encaixada perfeitamente. Cada adjetivo está ali dando as características precisas de que cada coisa necessita em cada momento. A frase é toda construída em função da situação e do momento em que esta se acha no texto. Tanto é assim que a forma e o estilo dos contos são bem semelhantes. E que funcionam bem.

 

Eu gosto da Cor que Caiu do Céu, por ser um conto absurdo e bizarro ao mesmo tempo em que é mais sutil e indireto que o resto dos contos (principalmente daqueles relacionados aos mitos dos deuses antigos). Fica aquele gosto de mistério e desconhecido.

 

Na verdade acho que ainda não estamos preparados ao terror cósmico do Lovecraft, hahaha. Deve ser algo só para mentes superiores temerem. Se bem que um dia, depois de um esforço titânico consegui recriar uma imagem aterrorizante das alucinações dele, heheh.

 

 

 

Isso leva em outro ponto Você disse que quase nenhuma história de horror te assusta. Mas não acho que isso seja uma função da história. Ou pelo menos a responsabilidade não cabe somente à ela. Acho que nós temos um papel muito importante nisso, de nos deixarmos ser levados pela história e entrar no clima Depende da boa vontade do leitor. Por isso eu diferenciei o horror do terror. Pois acho que o medo é mais marcante quando ele vem do desconhecido, pois aí preenchemos o espaço vazio com as nossas próprias criações e fantasias, ou seja, nós mesmos que construímos a nossa sensação de medo. Quando tudo vem mastigadinho, não gera um medo impactante. Daí a necessidade de apelar para coisas explícitas pensando que a falta de medo vem por tratar de coisas ultrapassadas e que é brincadeira de criança para as novas gerações. Não está errado. Nós, nos dias de hoje, estamos muito mal acostumados e temos preguiça de pensar. E como não criamos nada em nossa mente, temos que apelar para que outras pessoas façam isso. E a tendência é cada vez mais achar que o medo vem de coisas feias e nojentas. Mas o que acontece? Depois de um tempo, todos acostumam com o que vê. Aí cada imagem atemorizante criada rapidamente fica ultrapassada... Mas o verdadeiro horror vem do bom e velho desconhecido.

 

Digo que temos preguiça de pensar pois antigamente o povo era mais "a toa" (hehehe) e tinha uma visão das coisas diferente. A nossa visão está acostumada com luz iluminando a casa inteira (noite não difere mt do dia), imagens na televisão, etc... tudo pronto! Mas bom, não tem como voltar na época de iluminação com velas, né? hehe Daí que vem a originalidade dos orientais nesse campo! Estão sabendo criar situação de mistério e horror de acordo com o novo mundo em que vivemos, e não simplesmente atualizar monstros feios e nojentos. O desconhecido agora não vem das regiões onde a luz não ilumina mais, mas das próprias possibilidades que a tecnologia trouxe consigo.

 

 

 

Mas bom, só viajei um pouco, heheh...

 

 

 

Mas gostei mesmo das resenhas. Falando sério, vou dar um jeito de arranjar o Visões da Noite e o Obras Primas do Fantástico. Quanto ao King, quando eu disse do despirocar no IT é que fiquei sabendo de uma história de Tartaruga Cósmica que destoa completamente do resto da história, hehe. Ele dá uma de Lovecraft e começa a falar de entes antigos, poderosos e perversos habitando o nosso universo e bla bla bla... Mas tudo meio forçado.

 

 

 

Depois eu coloco algumas resenhas aqui, embora não tenho lido tanta coisa assim. Você estuda isso? Vc tem boas referências!

 

 

 

Quanto à Janet do Pescoço Torcido é um conto bem simples e o enredo também é. Mas sei lá, algo na história me pegou. Talvez seja minha própria cabeça criando a situação de modo que ela ficou aterrorizante, hehe. Algo daquelas velhas puritanas com cara grotesca, hehehe...

 

E você acha a história no livro O Médico e o Monstro daquela editora Martin Claret.

 

 

 

Mas é como estava falando, estes livros precisam da boa vontade. Não adianta ler o livro no ônibus voltando do trabalho! hehe Precisa de todo um ritual para "entrar em sintonia" com a história, hehe.Conan o bárbaro2010-01-24 00:49:05

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Salve, Conan. Que bom encontrar alguém com tanto ânimo para conversar sobre o assunto.

 

 

 

Também gosto do jeitão do Lovecraft, não me entenda mal. Mas quando leio algo como "o horror indizível" pela terceira vez na mesma história, isso me irrita um pouco, mas tudo bem. Não compromete.

 

 

 

De fato, sua escrita é muito pessoal, e se ninguém conseguiu recriar, creio que o motivo é que não existe uma razão para fazer isso. Não lembro de alguém ter tentado pra valer, mesmo pq, seria ridículo. Já vi muitos escritores fazerem homenagens ao autor (há histórias que inclusive utilizam a mesma mitologia), mas aí a história é outra. (Obs. O próprio Lovecraft foi bastante influenciado por Edgar Allan Poe. Inclusive, o final de Nas Montanhas da Loucura só é compreensível para quem leu A Narrativa de Arthur Gordon Pyn, de Poe).

 

 

 

Sou fã de Lovecraft, mas acho que ele tem lá suas falhas (assim como outros escritores que adoro). Mas esse papo de "mentes superiores" não tem nada haver, rs.

 

 

 

Acho que o medo é uma função das histórias de terror sim. Mas não da mesma forma que o "riso é importante para a comédia", por exemplo. O medo é uma jóia rara, e quando acontece, é porque o autor foi competente (ao menos, é o que penso).

 

 

 

Agora, o problema é: o medo é totalmente subjetivo, então, uma história que assusta indivíduo A não vai assustar indivíduo B, e vice-versa. Porém, quando o autor é bom, ele consegue driblar esse problema, oferecendo aspectos que nos fazem gostar da história, mesmo que não nos cause medo de verdade. Enfim, o medo é uma fator valioso, mas raro e, felizmente, dispensável (caso a história compense de outras formas).

 

 

 

É como você falou, temos o papel de "nos deixarmos ser levados pela história e entrar no clima Depende da boa vontade do leitor". Mas não depende unicamente da boa vontade do leitor, também depende do escritor ter sido competente o bastante em suas intenções.

 

 

 

A junção tecnologia/sobrenatural que os orientais tem feito é, de fato, interessante... Mas Stephen King já fez o mesmo em diversos contos antigos, de forma menos explícita (ele também soube tirar o horror dos castelos e masmorras góticos, trazendo-o para o cotidiano atual, algo bem interessante...). Mas enfim, acho terror oriental bacana, porém a originalidade me parece mais marcante nas lendas e mitos orientais que eles abordam, além de deixarem margem para o público concluir certas coisas. A propósito, acho que o melhor terror oriental está nos quadrinhos do Junji Ito, você já leu? São verdadeiras obras-primas!

 

 

 

Sobre It, bem... vai de cada um. Você "ficou sabendo" por outrem, mas não leu para saber o que você acharia. Não creio que os detalhes místicos destoem do restante da história, e de forma alguma Stephen King tenta "dar uma de Lovecraft" (sou um fã consciente, reconheço diversas falhas do autor... mas "dar uma de Lovecraft" está longe de ser uma delas, rsrsrs). O negócio de It é que o livro é uma homenagem a todo o gênero horror, e King mostra inclusive diversos monstros "clássicos" (do cinema e da literatura) no decorrer da história, então, certamente existem menções a Lovecraft. Mas King não perde o estilo próprio em momento algum.

 

 

 

Não é bem que eu estude, mas me interesso pelo tema. Acho que já li cerca de 300 livros do gênero, algo assim, além de alguns livros teóricos sobre o assunto. Também escrevo contos de horror, já tive alguns publicados em livros e revistas (inclusive, também já fiz um conto/homenagem ao Lovecraft 08.gif). As resenhas que estou trazendo aqui são do meu blog sobre livros de horror, A Biblioteca Mal-Assombrada. Se quiser, te passo o endereço depois, lá tem várias resenha prontas (minhas e de colaboradores), entrevistas com escritores nacionais, etc.

 

 

 

Pois é, ler esse tipo de coisa no ônibus é bobagem, temos que ao menos dar uma chance às histórias. Particularmente, leio apenas quando estou sozinho, de preferência de noite, he he.

 

 

 

Valeu, abraço!RAZIEL2010-01-25 20:11:51

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Cara, eu vibro quando aparece estas frases! hehehe... É o cartão de visitas. Não daria para imaginar um conto dele sem isso. Seria como o 007 sem o "Bond, James Bond" hahah.

Não acho que simplesmente ninguém gostaria de recriar os escritos do Lovecraft. Eu gostaria! Só não conseguiria... 06 Como você disse, as pessoas não tentaram pra valer imitar o Lovecraft. Ela colocam numa balança e vêem se é um esforço proveitoso. Mas a falta de interesse vem porquê eles sabem que seria um esforço inútil, não por se tratar de algo menor, pela pela incapacidade de fazer a mesma coisa... Quem que não gostaria de escrever como ele?

 

O negócio de mentes superiores foi só brincadeira, hehe. Como eu disse acho ele um escritor de histórias fantásticas, e não somente de horror. Aliás, eu nem faço tanta distinção assim. Gosto bastante de contos fantásticos. Por outro lado, não sou chegado em suspense e policial (que são gêneros vizinhos do terror). Isso para ver como é um campo abrangente, e que dentro dele mesmo são possíveis muitas variações. Por exemplo, eu já falei que existem tipos de histórias de terror que não me agradam muito: quando seguem o caminho de serial killer, situações sádicas e etc...

 

Os orientais são bacanas justamente por saberem conciliar tradição com o presente, que dá um gostinho saboroso nas histórias.

Mas quando eu disse em atualizar não foi somente a respeito de cenários ou ambiente em que se desenrola a história, mas a própria noção daquilo que é assombrado. Não que eles sejam os únicos nisso. Um exemplo clássico é como o cinema de um modo geral soube transformar a televisão em algo potencialmente assustador (mais ainda que raramente seja o foco da história).

Está certo, eles não são os únicos. O King já brincou com carro, máquina de lavar, etc... Mas sei lá. Não é mudar só o objeto assombrado, mas toda a idéia e possibilidades, como internet, ondas de rádio ou outros tipos.

 

Em alguns casos, são coisas que vão brotando espontaneamente no imaginário popular. Como aconteceu com a máquina fotográfica, que logo no início impulsionou um novo tipo de apreciação do sobrenatural, que seria a caputra de almas pelas fotos. Estas coisas não são necessariamente  invenções de alguém em particular, mas algo que surge da própria situaão nova.

Daí a dificuldade de agradar fulano de tal ou aquele. Não só depende do gosto individual como são padrões e idéias que não são estáticos e mudam muito com o tempo. Fazer uma obra de horror absoluta acho algo bastante improvável.

 

Mas quando digo do leitor é mais no sentido de dar uma chance ao livro mesmo. Claro que o autor precisa de competência para fazer uma boa obra literária, isso não há dúvida. Mas o leitor "precisa estar a altura".

 

Ora, passa a referência do seu site sim! Eu gostaria de ler. E os seus contos, por quê você não posta? heheh... ou eles só nos livros ou revistas? Se puder dar uma palhinha...

 

É bom mesmo encontrar alguém com um gosto assim, hehe. E só porque gostamos de uma historinha de horror não singifica que somos macabros. Aliás, digo que é infinitamente pior aquelas pessoas que (sem nem perceberem) se divertem estranhamente em acompanhar tragédias ou têm curiosidade macabras em ver acidentes. Eu nem chego perto disso e acho um absurdo o sensacionalismo que fazem na mídia quando ocorre uma tragédia. Sensacionalismo só com o intuito de alimentar a fome das pessoas por notícias insólitas, mesmo que às custas do sofrimento alheio... isso sim é de dar medo...

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Salve, Conan! Também não gosto de suspense policial (embora uma ou outra história até me agrade, mas é mais raro). E não quis desmerecer o horror oriental, é bacana sim... Ainda mais por mostrar uma certa inquietude com nossa sociedade altamente tecnológica.

 

 

 

Meu blog de livros de horror pode ser visto aqui: http://bibliotecamalassombrada.blogspot.com/

 

 

 

Já postei meus contos aqui uma época, mas ninguém deu atenção. Bom, vou passar o endereço do meu blog de contos(quem mandou pedir? Rsrs). Acabei de repostar uma das minhas histórias mais conhecidas, chamada O Lençol, então vou postar o link direto (se não gostar dessa, duvido que vá gostar de outra). Mas lembre-se de sua filosofia, leia de noite para dar uma chance! 11.gif06.gif Eis o link:

 

 

 

http://luamortal.blogspot.com/2010/01/o-lencol-conto-revisado_27.html

 

 

 

Flow!RAZIEL2010-01-27 14:26:13

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Noh Raziel, fui deixar para ler o conto ontem a noite, mas aí bateu uma dor de cabeça daquelas! huahuaha... isso também não ajudaria muito a entrar no cilma. Vou ler hoje a noite...

 

Mas eu entrei no Biblioteca mal assombrada...

 

(uma pergunta, uma casa deveria ser BEM assombrada. Então por que ela é mal assombrada? 06.gif )

 

 

 

Mas eu não sou rato de historinhas japonesas não, achando que é a maior maravilho do mundo. Só curto algumas mesmo...

 

Você já leu bastantes livros heim? Depois vc continua indicando aqueles que você achar melhor. Depois eu também vou fazer um comentário sobre um livro que acabei de ler, o História de Fantasmas do Charles Dickens....

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Boa pergunta! Acho que deve ser pq "mal-assombrada", além de tradicional, soa muito melhor que "bem-assombrada". Mas a explicação corrente é que se tratam de assombrações "do mal", e não de algo estilo Gasparzinho. 06.gif

 

 

 

Você leu o livro do Dickens, é? Ainda não tive a chance, aguardo seu comentário. Abraço!

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FOME DE VIVER, de Whitley Strieber

 

 

 

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Fome de Viver (Editora Record). Talvez você já tenha ouvido falar desse título antes, mas é mais provável que tenha sido através do filme com Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon. Não assisti o filme, sei apenas que divide opiniões. Mas enfim, aqui o assunto é livros, então vamos aos comentários sobre a obra em questão.

 

 

 

Este é, sem dúvida, um dos melhores livros de vampiros que já li. O grande charme da história, pra começar, é a sutileza; sabem quantas vezes a palavra "vampiro" aparece no livro inteiro? Nenhuma! Mas o que eles são, fica claro desde o início. A ausência da palavra não é, de forma alguma, uma manobra para "mascarar" o tema (como se o autor tivesse vergonha do que está escrevendo ou algo assim), mas sim uma maneira de abordar o mito com delicadeza.

 

 

 

A trama é basicamente a seguinte: um casal de vampiros (Miriam Blaylock e John Blaylock) aproveita a vida eterna, sugando suas vítimas e vivendo na luxúria, sem preocupações aparentes; porém, aos poucos John é atacado por uma misteriosa doença, que vai degenerando seu corpo; em desespero, ele procura a ajuda da doutora Sarah, especialista em envelhecimento; já Miriam, percebendo o mal que aflige seu companheiro, resolve ser mais prática, e vai em busca de um novo amante, que deve ser inteligente, determinado e com fome de viver, independente do seu sexo.

 

 

 

O livro é de um erotismo poético e avassalador, com passagens de esquentar o sangue de qualquer morto-vivo que se aventure por suas páginas; poucas vezes, vi uma personagem tão excitante, inteligente e mortal quanto Miriam, minha vampira favorita de todos os tempos; ela esconde um segredo que vai se revelando aos poucos, e a verdade é aterradora.

 

 

 

Após uma certa saturação nos livros de vampiros e em tempos de Crepúsculo, talvez você esteja lendo este post com ceticismo, pois não deve achar que os vampiros são as criaturas mais assustadoras da literatura fantástica. Mas acredita, Fome de Viver é um livro de vampiros que realmente funciona como terror. E o final é simplesmente uma obra prima do macabro.

 

 

 

Então, caso ainda não conheça, fica a sugestão. Fome de Viver foi publicado pela editora Record, lá pelos anos 80, porém é fácil encontrá-lo em sebos. Ah, o livro também teve uma continuação, mas isso é matéria para outro post.RAZIEL2010-01-28 13:40:06

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A ÚLTIMA VAMPIRA, de Whitley Strieber

 

 

 

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Pois muito bem... Whitley Strieber escreveu seu maravilhoso Fome de Viver (ver post anterior) em 1981; o livro fez sucesso, virou filme, etc e tal. Era uma história perfeita e fechada, que simplesmente não deixava margem para qualquer continuação. Porém, no ano de 2001, eis que surge a continuação de Fome de Viver: a obra A Última Vampira (Ediouro, 2002).

 

 

 

Embora nada possa afirmar sobre a situação financeira do escritor lá pelos idos de 2000, imagino que ele devia estar passando por sérias dificuldades financeiras. Só isso explica a existência deste livro lamentável, cujo único objetivo parece ter sido faturar alguns trocados.

 

 

 

Comecemos pelo título (The last vampire, no original); enquanto no primeiro livro, a palavra "vampiro" não aparecia uma vez sequer, aqui a palavra já vem no nome da obra. Parece um detalhe bobo, e não tenho absolutamente nada contra o uso da palavra "vampiro" nos livros. Mas, se formos contextualizar a utilização da palavra neste livro, podemos verificar os seguinte: enquanto sua ausência em Fome de Viver ressaltava a elegância e a sutileza da história, em A Última Vampira, seu uso evidencia a sutileza de um Tiranossauro Rex correndo por uma loja de porcelanas.

 

 

 

Elegância é algo que você não irá encontrar nessa sequência: a história narra as ações de um grupo secreto de policiais que extermina vampiros (sim, isso mesmo) e são liderados por Paul Ward, um ex-agente da CIA. Tudo vai indo muito bem, até que ele se depara com a bela Miriam Blaylock; a partir daí, começa o velho jogo de gato e rato, com os dois se envolvendo, etc e tal. Sim, a palavra que melhor define tudo é "clichê". Embora Miriam seja uma mera sombra da criatura poderosa e apaixonante do livro anterior, ainda é inaceitável o seu interesse por um personagem totalmente desprovido de carisma como Paul.

 

 

 

Um detalhe bem chato para os fãs de Fome de Viver é que o autor simplesmente ignora alguns aspectos da história anterior; assim, uma personagem do primeiro livro é ressuscitada de maneira arbitrária, negando (e praticamente destruindo) o perfeito desfecho da obra de 1981.

 

 

 

O livro segue sem qualquer surpresa, inovação ou passagem digna de nota. É tão ruim, tão diferente do primeiro, que chego a pensar se Whitley Strieber não contratou um "escritor fantasma" para produzir o livro a toque de caixa. Bem, bem, acho que nunca saberemos. O que eu sei é o seguinte: A Última Vampira é uma história estilo "sessão da tarde", que talvez até sirva de diversão descompromissada para aqueles que não leram Fome de Viver. Porém, para aqueles que leram, isso é muito, MUITO pouco, e a decepção é inevitável. Ah, e enquanto o final de Fome de Viver era aterrador por seus próprios méritos de livro de horror, o desfecho de A Última Vampira é aterrador porque dá margem para uma continuação! Cruzes!

 

 

 

Minha dica? Compre Fome de Viver e passe longe de A Última Vampira, pois é uma daquelas continuações com efeito retroativo, que chegam a tirar o brilho da obra original (assim como a nova trilogia de Star Wars, as continuações de Jurassic Park, etc). Ah, e não esqueça de fazer um pedido para o próximo morcego que passar voando por sua janela, pedindo que Whitley Strieber tenha juntado grana suficiente para não ter que continuar pagando esses micos.RAZIEL2010-01-28 13:53:40

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VISÕES DA NOITE - HISTÓRIAS DE TERROR SARCÁSTICO' date=' de Ambrose Bierce

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Já é lugar-comum afirmar que a vida do escritor Ambrose Bierce foi tão (ou até mais) misteriosa do que suas fantásticas histórias. Herói de guerra e jornalista mordaz, escrevia o que bem entendia, sempre com inteligência e fina ironia. Isso não contribuiu para que tivesse muitos amigos, mas duvido que tenha se importado com isso. Sua obra mais conhecida é O Dicionário do Diabo, onde arrasa com todos os aspectos da sociedade de A até Z (frases desse livro são presença obrigatória naquelas antologias de frases irônicas, como "O Melhor do Mau Humor"). Assim como em muitos dos seus contos, onde pessoas desapareciam sem deixar vestígios, Ambrose Bierce desapareceu no México por volta de 1913, aos 71 anos. Alguns dizem que morreu de causas naturais, outros acham que foi suicídio, enquanto outros afirmam que foi fuzilado após insultar Pancho Villa. Essa última morte parece mais adequada.

Enfim, parece estranho que um adepto da ironia tenha se interessado por narrativas com temática sobrenatural (afinal, pessoas de temperamento sarcástico costumam ser bastante céticas), mas foi o que aconteceu, para nossa sorte. Seus contos figuram facilmente em qualquer antologia do gênero, e juntamente com Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, ele é considerado um dos maiores expoentes norte-americanos do Terror.

O livro Visões da Noite - Histórias de Terror Sarcástico (Editora Record, 1999, organização de Heloísa Seixas) trás alguns dos melhores contos de Bierce. Não se assustem com a palavra "sarcástico" no subtítulo, que pode nos deixar temerosos de que o terror fique em segundo plano: na verdade, as histórias desse livro são algumas das mais arrepiantes já escritas! Muitos contos são narrativas curtíssimas, reunidas juntas sob um mesmo título, já que o tema é basicamente o mesmo.

"Cruzando o Umbral", por exemplo, narra desaparecimentos misteriosos, de pessoas que literalmente desvaneceram no ar; a narrativa é escrita em tom jornalístico (algo comum em seus contos), o que provoca uma estranha atmosfera de realidade, a sensação de que aquilo poderia mesmo ter acontecido. Não é a toa que algumas dessas histórias chegaram a ser narradas por jornais como fatos verdadeiros! Dessa forma, várias lendas urbanas nasceram da imaginação do escritor, que deve ter rido muito com isso (e riria até hoje, sabendo que muitas dessas lendas ainda perduram).

Em "Casas Espectrais", há uma narrativa aterrorizante sobre um homem que decide entrar em uma casa supostamente mal-assombrada. Provavelmente, uma das histórias mais assustadoras a utilizar este tema. "Aparições" e "Um Incidente na Ponte de Owl Creek", por sua vez, trazem encontros com fantasmas, em narrativas que serviram de influência para muitas outras que vieram depois. "Visões da noite", conjunto de contos que dá título ao livro, narra alguns pesadelos do escritor, sonhos que seriam capazes de fazer você acordar suando frio.

Também há contos mais longos: "O Ambiente Adequado" narra a história de um homem que, para entrar no clima adequado de um conto de horror, vai ler a história no lugar mais assustador possível; em "Os Olhos da Pantera", um homem rústico se vê envolvido com... bem, digamos que o título não é figurativo; "Um dos Gêmeos" aborda esse tema tão comum, mas que dá margem à excelentes histórias de horror.

Em resumo, Visões da Noite é mais uma obra obrigatória para os fãs do gênero. Se tiver a chance, compre sem medo. Ainda mais porque medo é algo que não vai faltar depois. [/quote']

 

 Esse livro é muito bom!!! Ambrose era um escritor genial. Pena ter "desaparecido" e nos deixado um legado tão pequeno de sua criatividade...

 

PS 1: Vocês aqui conhecem ou já leram alguma coisa da antiga série "Alfred Hitchcock" de livros de terror e suspense da Editora Record?? Coisas do tipo "Histórias Para Ler no Cemitério", "Histórias de Gelar o Sangue", "Histórias Para Ler Depois da Meia-Noite" etc?? Carai!! Tinha cada conto bacana e sinistro... icon_eek

 

PS 2:Tô doido pra comprar o livro "Fantasmas do Século XX" de Joe Hill. Já ouviram falar desse escritor? O cara é fera!

 

 

     

 

   

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 Esse livro é muito bom!!! Ambrose era um escritor genial. Pena ter "desaparecido" e nos deixado um legado tão pequeno de sua criatividade...

 

 

 

Vocês aqui conhecem ou já leram alguma coisa da antiga série "Alfred Hitchcock" de livros de terror e suspense da Editora Record?? Coisas do tipo "Histórias Para Ler no Cemitério"' date=' "Histórias de Gelar o Sangue", "Histórias Para Ler Depois da Meia-Noite" etc?? Carai!! Tinha cada conto bacana e sinistro...

 

 

 

Tô doido pra comprar o livro "Fantasmas do Século XX" de Joe Hill. Já ouviram falar desse escritor? O cara é fera! [/quote']

 

 

 

Deadman, nunca li essa série do Alfred Hitchcock, mas sempre ouvi elogios a respeito dela.

 

 

 

Opa, claro que conheço o filho do Stephen King! Rsrsrs. Esse livro do Joe Hill é bem interessante mesmo(assim como seu livro A Estrada da Noite). Alguma hora, posto uma resenha sobre ele.

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Poisé, ainda não fiz a resenha do livro do Dickens. Quando fizer eu posto aqui...

Mas depois de toda esta conversa aqui neste tópico, uma agradável surpresa: animado pela discussão, por curiosidade, resolvi pegar aquelas duas coleções de contos do sec XIX e fui ver qual era o autor dos contos que eu mais tinha gostado. E eis que, para surpresa minha, um dos contos que realmente me assustou era do Bierce!!! Eu tinha esquecido de pôr na minha lista pois eu tinha esquecido quem era o autor, e no livro não dá muito detalhes. Mas ele está lá! O conto é minúsculo e super simples, mas, putz, eu morri de medo quando eu li... sério! hahaha Vou correndo pegar o livro dele!

(por que você não falou que ele era do sec XIX? Eu, imediatamente, correria atrás dele! hehehe)

E finalmente li o seu conto, Razi, muito bom! Gostei bastante da idéia. Tem uma história bem criativa! Vou ler depois os outros contos lá do seu site! Todos lá são seus?

Eu bem que gostaria de escrever também, mas eles nunca ficaram prontos. Sempre tenho aquela terrível sensação de que não está bom e que pode melhorar algo, aí eles ficam lá maturando na gaveta! hahah... Mas que eu tenho vontade de arriscar pelo campo eu tenho, viu!

 

Noh, e hoje de madrugada vai passar o fome de viver. Não sei se assisto ou não. E ontem vi também o Inverno de Sangue em Veneza! Muito legal. Vale a pena assistir, é um dos filmes que mais se aproxima do clima, do estilo, da elegância, do mistério, do tema e das histórias dos contos de horror e fantástico mais antigos. Não tem muito sustos, mas a história é toda desenvolvida para o clímax, tal qual um conto.

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Que bom que gostou da minha história, Conan. Pode ler os outros contos, são quase todos meus. Acho que tem uns quatro contos que não são meus, pq são ganhadores de concursos que realizei na internet. Mas sempre está indicado antes que os contos são de outras pessoas. Para facilitar, tem um menu no lado direito, chamado "contos", e ali estão os links para somente minhas histórias. Se aceitar sugestões, eu recomendo "O Símbolo Circular" (meu conto/homenagem ao Lovecraft, que foi publicado em uma revista) e "O Confessionário" (também publicado).

 

 

 

Rapaz, se você tem vontade de escrever, escreva. Escreva e mostre para outras pessoas, para pegar sugestões, críticas, e ir melhorando. Eu e muitos autores começamos assim, com a ajuda de outros escritores via internet. Se quiser, te dou os toques, e mostro lugares onde você pode pegar dicas de mais gente e aprender bastante. Deixar suas idéias na gaveta, incompletas, é que não vai adiantar nada, rs.

 

 

 

Então gostou dos contos do Bierce, hã? Sim, o cara era fera. Você vai adorar o Visões da Noite, compre sem medo então.

 

 

 

Uia, não sabia desse filme não. Vou assistir qdo tiver chance.

 

 

 

Abraço!RAZIEL2010-01-30 15:19:30

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Eu lerei conforme o clima de leitura permitir... Esta noite lerei mais um, se tudo der certo! hehe.

Mas eu gostaria de entrar em contato mesmo! Você me passa? Mas tenho medo que com algumas críticas eu perco a minha individualidade na obra 06 A pessoa não gostar, tudo bem. Apontar o que não gostou também. Mas o problema é que entre ela apontar o que precisa melhorar e o que é mais conveniente é um passo muito pequeno, e nisso eu perco a originalidade e começo a escrever conforme um esquema padronizado no ramo. A cartilha de como escrever bem um conto de horror... isso eu quero fugir.

Às vezes o que me preocupa é a construção da narrativa mesmo. As orações, as palavras usadas. Cada termo não basta estar no lugar certo, mas tem que estar de modo que seja "artístico", sabe? A combinação das palavras tem que mexer com o leitor, provocar reações desejadas nele. Isso, Raziel, eu acho muito difícil mesmo. O controle das palavras.

 

Agora quanto à história, eu escrevo o que me vem à cabeça, e isso ninguém pode me falar que não está bom, pois é uma expressão minha! Isso ninguém pode corrigir, pois se trata de um processo pessoal de criação.

É um trabalho meio autista, né? hehehe... Mas acho que trabalho em equipe não entra muito bem, pelo menos na criação.

 

Uma vez eu e um amigo fazíamos desafios de escrever textos a respeito de um tema, um sem consultar o outro, aí depois mostrávamos o que tínhamos escrito. E então fazíamos comentários, críticas, etc.

Mas é algo muito difícil, pois esta sinceridade é amenizada pelo fator amizade, hehe... E pedir para que estranhos avaliem também é meio difícil, pois falta uma intimidade para ser mais aberto...

 

A idéia de lançarem um tema para eu escrever é até legal. Funciona bem, pois te força e te obriga a escrever focado em um objetivo. Caso contrário, a gente fica perdido e meio sem rumo quando não temos muito bem em mente o que queremos escrever...

 

Você ainda continua escrevendo os contos atualmente?

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Charles Dickens - Histórias de Fantasmas.

 

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Quem curte o gênero sobrenatural, leia este livro quando der. Não é um livro amedrontador, acho que em certos contos nem foi a intenção do autor fazé-lo assim, mas muito interessante assim mesmo. Principalmente para aqueles que gostam do sobrenatural e oculto (não necessariamente o terror). Vale a pena conferir pois, além de ser um autor clássico dono de uma escrita agradável e fluida, ele destrincha o tema em suas várias facetas (e não somente o terror).

Por exemplo, no conto Uma criança sonho com uma estrela, é uma história bela e triste, que chega até mesmoa umedecer os olhos ao desenrolar da história, hehehe. Já em outras histórias, o humor e a ironia dão o tom do clima. E outros contos, por sua vez, os fantasmas de Dickens se encontram dentro da psique humana, e assim os personagens são mergulhados em situações que beiram a insanidade, mais do que o horror propriamente dito.

E tem até um conto, Fantasmas de Natal, extremamente divertido por fazer um passeio pelos clichês das histórias de fantasma homenageando-as e nos mergulhando no clima arrepiante mas gostoso destas histórias.

Neste livro não tem o Conto de Natal, o clássico dele sobre fantastmas, e um ótimo exemplo de com ele aborda o tema: ela usa o sobrenatural para escrever histórias que passam por todos os gêneros, sem nunca soar forçado ou inconveniente.

E tem também O Sinaleiro, que está naquela coletânea dos melhores contos fantásticos do século XIX, que acho muito bom! Este sim, é um legítimo conto de horror...

 

Informações sobre o livro:

Treze dos melhores contos sobrenaturais de Charles Dickens acabam de ganhar uma edição da Coleção L&PM POCKET. Histórias de fantasmas pinça parte das tramas fantasmagóricas criadas pelo escritor vitoriano, como "O Sinaleiro", "Fantasmas de Natal" e "A noiva do enforcado".
Conhecido pelos personagens que dão nome aos clássicos Oliver Twist (1837) e David Copperfield (1849), Dickens fez sua estreia como escritor publicando contos em periódicos ingleses. As criações de Dickens eram obras de crítica social da era vitoriana. Suas narrativas contêm comentários ácidos a uma sociedade que permitia a pobreza extrema, as más condições de vida e de trabalho e o maltrato infantil. De Dickens, a Coleção L&PM POCKET editou também Um conto de Natal.
Conan o bárbaro2010-02-01 23:29:13

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Eu lerei conforme o clima de leitura permitir... Esta noite lerei mais um' date=' se tudo der certo! hehe.

 

Mas eu gostaria de entrar em contato mesmo! Você me passa? Mas tenho medo que com algumas críticas eu perco a minha individualidade na obra. A pessoa não gostar, tudo bem. Apontar o que não gostou também. Mas o problema é que entre ela apontar o que precisa melhorar e o que é mais conveniente é um passo muito pequeno, e nisso eu perco a originalidade e começo a escrever conforme um esquema padronizado no ramo. A cartilha de como escrever bem um conto de horror... isso eu quero fugir.

 

Às vezes o que me preocupa é a construção da narrativa mesmo. As orações, as palavras usadas. Cada termo não basta estar no lugar certo, mas tem que estar de modo que seja "artístico", sabe? A combinação das palavras tem que mexer com o leitor, provocar reações desejadas nele. Isso, Raziel, eu acho muito difícil mesmo. O controle das palavras.

 

 

 

Agora quanto à história, eu escrevo o que me vem à cabeça, e isso ninguém pode me falar que não está bom, pois é uma expressão minha! Isso ninguém pode corrigir, pois se trata de um processo pessoal de criação.

 

É um trabalho meio autista, né? hehehe... Mas acho que trabalho em equipe não entra muito bem, pelo menos na criação.

 

 

 

Uma vez eu e um amigo fazíamos desafios de escrever textos a respeito de um tema, um sem consultar o outro, aí depois mostrávamos o que tínhamos escrito. E então fazíamos comentários, críticas, etc.

 

Mas é algo muito difícil, pois esta sinceridade é amenizada pelo fator amizade, hehe... E pedir para que estranhos avaliem também é meio difícil, pois falta uma intimidade para ser mais aberto...

 

 

 

A idéia de lançarem um tema para eu escrever é até legal. Funciona bem, pois te força e te obriga a escrever focado em um objetivo. Caso contrário, a gente fica perdido e meio sem rumo quando não temos muito bem em mente o que queremos escrever...

 

 

 

Você ainda continua escrevendo os contos atualmente?
[/quote']

 

 

 

Salve Conan! Bom, antes de mais nada... Creeedo, cara! Sua desconfiança está fazendo você distorcer algo positivo em uma coisa totalmente negativa!!! 06.gif Calma, rapaz!

 

 

 

Pra começar, só perde a individualidade quem quer, então não se preocupe com isso. O importante é apresentar seus contos para outras pessoas e depois ouvir (no caso, ler) as críticas: vai ter críticas positivas, negativas, construtivas, destrutivas, críticas que vão ser uma "viagem total"... Enfim, de tudo. E caberá a você separar o joio do trigo, escolher aquilo que te acrescenta algo, etc. Muitas vezes, outra pessoa enxerga algo que estava bem diante do nosso nariz, um erro primário que não fomos capazes de perceber, e de cara, pensamos "nossa, boa dica". Outras vezes, ficamos na dúvida, e com o tempo podemos passar a aceitar certa opinião alheia (ou abandonar uma dica que parecia boa a princípio, mas que depois se revelou pouco útil). Enfim, ninguém é escritor sem leitores. Você de repente pode ser um daqueles que deseja escrever apenas para você, aí tudo bem. Mas a partir do momento que quiser que outra pessoa leia (correndo o risco de gostar ou não), você vai ter que pegar outras opiniões para evoluir. Não pense que os escritores aprendem sozinhos, todos precisaram ouvir opiniões e críticas alheias antes de chegarem "ao ponto", rsrs. E isso está longe, muito longe, de ser um trabalho de equipe. Na verdade, é apenas um trabalho de aprendizado e pesquisa do escritor, que no final das contas, vai trabalhar sozinho. Ele colhe as reações, as opiniões, vê se algo é pertinente, e utiliza se for necessário.

 

 

 

Não existe cartilha para escrever contos de terror. Ou se existe, ninguém conhece (eventualmente, aparece um doido afirmando que conhece, mas esses você percebe de cara, e ignora). É claro, tem muita gente que escreve exatamente as mesmas coisas que todo mundo está escrevendo, vezes e vezes sem conta, mas isso, também caberá a você perceber. Sua originalidade estará salva, contando que você acredite no seu talento e mantenha-se firme naquilo que acredita, mas sem fechar a mente para sugestões e influências úteis.

 

 

 

Sua preocupação com narrativa, palavras usadas, controle da palavra, etc... Cara, todo mundo se preocupa com isso, mas só escrevendo e mostrando aos outros para melhorar. E uma boa alternativa é um grupo do yahoo, onde aprendi muito (mas também tem seus poréns). Eu tive sorte de participar desse grupo na época certa, quando vários autores (que hoje estão escrevendo livros, ficando conhecidos) participavam também, e eram todos muito generosos e humildes em compartilhar seus conhecimentos. O problema é que fui dar uma olhada (não entro há anos), e não encontro ninguém daquela época por ali. Mas o pessoal ainda está se ajudando, e o esquema ainda é o mesmo: vocÊ manda seu conto, e várias pessoas opinam (e depois, você pode dar sua opinião sobre os contos deles, é claro). O link é este aqui: http://br.groups.yahoo.com/group/cryacontos/

 

 

 

Mas enfim, não sei como estão as dicas lá hoje em dia. Se você quiser que eu leia algo seu, prometo ser sincero (mas não vá me mandar um livro, ok? Só contos pequenos, rs). Se quiser, te proponho um tema.

 

 

 

Reparei que você está com preocupações genuinamente artísticas a respeito da escrita. Bom, minha filosofia é um pouco menos "artística"... Pra mim, terror bom é aquele que oferece um entretenimento de qualidade (o que inclui os autores clássicos e classudos que estávamos comentando antes). Por mais góticos e arcaicos que sejam os bons contos clássicos, sempre é possível perceber que o autor queria, sim, entreter o leitor; causar medo em pessoas que gostam de sentir medo (Supremo paradoxo: as pessoas que mais sentiriam medo de histórias de terror são justamente aquelas que nunca terão coragem de ler uma!), oferecer uma "montanha russa" de calafrios, uma trama delirante e fora do comum, que pode vir embalada em algo mais profundo ou não, não importa. O que importa é escrever algo legal, de preferência algo criativo, com pelo menos algum detalhe novo (ou um ponto de vista diferenciado). Poe e Lovecraft eram autores comerciais em suas épocas, mas ofereceram entretenimento de qualidade, por isso se tornaram clássicos.

 

 

 

Enfim, repito minha dica: se quer mesmo escrever, vai ter que escrever e mostrar para os outros. É um aprendizado que não acaba nunca, eu mesmo sei que ainda tenho muuuuuito que refinar e aprender. Ah, sim, outra dica importante é ler muito, mas muito meeesmo, do gênero que pretende escrever (além de outros gêneros, para não ficar limitado a paradigmas e clichês do horror). Sem isso, é difícil trazer algo novo por um simples motivo: o risco de plágios involuntários aumenta exponencialmente! Rsrsrs.

 

 

 

Continuo escrevendo, sim senhor! Acabei de escrever um conto para um livro sobre contos de Zumbis (artístico pacas, hãm?), onde sou autor convidado. E agora, estou trabalhando com um desenhista que está adaptando um de meus contos para os quadrinhos, e estou revisando meu livro solo de contos, que espero mostrar para algumas editoras logo, logo. O difícil é arrumar tempo livre para fazer tudo isso, mas sempre dou um jeitinho. Se não sentisse prazer em fazer essas coisas, acho que não faria não. Faço por puro amor mesmo, por mais piegas que pareça dizer isso, he he.

 

 

 

Abraço!

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Charles Dickens - Histórias de Fantasmas.

 

 

 

Quem curte o gênero sobrenatural' date=' leia este livro quando der. Não é um livro amedrontador, acho que em certos contos nem foi a intenção do autor fazé-lo assim, mas muito interessante assim mesmo. Principalmente para aqueles que gostam do sobrenatural e oculto (não necessariamente o terror). Vale a pena conferir pois, além de ser um autor clássico dono de uma escrita agradável e fluida, ele destrincha o tema em suas várias facetas (e não somente o terror).

 

Por exemplo, no conto Uma criança sonho com uma estrela, é uma história bela e triste, que chega até mesmoa umedecer os olhos ao desenrolar da história, hehehe. Já em outras histórias, o humor e a ironia dão o tom do clima. E outros contos, por sua vez, os fantasmas de Dickens se encontram dentro da psique humana, e assim os personagens são mergulhados em situações que beiram a insanidade, mais do que o horror propriamente dito.

 

E tem até um conto, Fantasmas de Natal, extremamente divertido por fazer um passeio pelos clichês das histórias de fantasma homenageando-as e nos mergulhando no clima arrepiante mas gostoso destas histórias.

 

Neste livro não tem o Conto de Natal, o clássico dele sobre fantastmas, e um ótimo exemplo de com ele aborda o tema: ela usa o sobrenatural para escrever histórias que passam por todos os gêneros, sem nunca soar forçado ou inconveniente.

 

E tem também O Sinaleiro, que está naquela coletânea dos melhores contos fantásticos do século XIX, que acho muito bom! Este sim, é um legítimo conto de horror...

 

 

 

Informações sobre o livro:

 

Treze dos melhores contos sobrenaturais de [color=#669922">Charles Dickens [/color">acabam de ganhar uma edição da Coleção L&PM POCKET. Histórias de fantasmas pinça parte das tramas fantasmagóricas criadas pelo escritor vitoriano, como "O Sinaleiro", "Fantasmas de Natal" e "A noiva do enforcado".Conhecido pelos personagens que dão nome aos clássicos Oliver Twist (1837) e David Copperfield (1849), Dickens fez sua estreia como escritor publicando contos em periódicos ingleses. As criações de Dickens eram obras de crítica social da era vitoriana. Suas narrativas contêm comentários ácidos a uma sociedade que permitia a pobreza extrema, as más condições de vida e de trabalho e o maltrato infantil. De Dickens, a Coleção L&PM POCKET editou também [color=#669922">Um conto de Natal[/color">.
[/quote]

 

 

 

Me interessei. O livro já está na minha lista de prioridades desde já. Acho que nunca encontrei esse livro para comprar, pois uma obra com esse título não teria escapado de minhas mãos, he he. Pelo que você falou, é mais sobre narrativas do gênero fantástico do que horror propriamente dito. Legal, pois também curto bastante esse tipo de literatura.

 

 

 

Abraço!

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Fala Razi! Tudo bom?

É bom conversar com você a respeito. Mas concordo totalmente que ninguém nasceu gênio (talvez sim, mas poucos casos, hehe), e só treinando que se chega a algum lugar.

Adoraria mesmo escrever algumas coisas "sob encomenda", pois são os meus melhores textos. Dão rumo, prazo e uma responsabilidade maior com o projeto. Se você quiser me passar um tema legal para escrever, eu gostaria de ouví-la (ler, no caso, hehe).

Lendo o seu conto O Lençol, lembrei-me de um conto que há muito tempo que desenvolvi na cabeça mas nunca cheguei a dar contornos mais precisos ou pôr no papel. Mas não se preocupe, não é plágio! heheh. Apesar de ter algo em comum como ponto de partida é uma história totalmente diferente (e isso é o legal das leituras, de ver como que vários autores dão tratamento distintos para um mesmo tema!). Se você se dispôr a ler, eu escrevo... ou então, pode passar um outro tema mesmo.

 

Mas pode deixar, vou abrir a minha mente às críticas! heheh

 

Eu escrevi dois contos (e um poema de humor, hahah, para mudar os ares de vez em quando, e tb um texto sobre o filme Drácula) no blog:

 

- Primeiro Desafio - Texto (está assim, não tem título. Foi um texto que fiz quando um colega propôs um tema)

- O estranho Caso da Pizza 57 (em setembro)

 

Não são histórias de horror propriamente dito, ainda que sejam escritas em referência ao macabro. Na verdade, são mais contos fantásticos onde o absurdo que é a chave, e não o medo...

E também muita gente não precebe o humor e a ironia. Mas estão lá, juro! hahaha É meio que uma mistura de deboche e história séria. Mas a questão não é ler tanto a sério... Por isso, acho que não faz tanta diferença ler a noite ou não.

Sei lá, deve ser uma coisa minha. Eu leio um tipo de história mas escrevo outro...

E ah, as palavras usadas também são homenagens (quase uma paródia homenagem, hehe) ao Lovecraft.

E na verdade são mais esboços mesmo. Não cheguei a trabalhar ou desenvolver mais. Tem até alguns erros de português que estão lá ainda, rsrs, mas enfim...

 

(Falando nisso, hoje vou ler o seu conto).

 

E bom, tenho uma preocupação artística sim. Mas eu acredito que esta é a função dela. E uma obra de horror muito bem feita é uma obra de arte! (aquele papo da competência do escritor, lembra-se?).

 

Mas também indico ótimos livros que servem de inspiração: livros de contos populares, "folclore", de histórias orais, tradicionais, etc. Muitos escritores se basearam nelas! Vale a pena!
Conan o bárbaro2010-02-03 23:42:05

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