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Anita Malfatti - Uma Explosão de Cores


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Eu tinha 13 anos, e sofria porque

não sabia que rumo tomar na vida. Nada ainda me revelara o fundo da

minha sensibilidade [...] Resolvi, então, me submeter a uma estranha

experiência: sofrer a sensação absorvente da morte. Achava que uma forte

emoção, que me aproximasse violentamente do perigo, me daria a

decifração definitiva da minha personalidade. E veja o que fiz. Nossa

casa ficava próxima da educada estação da Barra Funda. Um dia saí de

casa, amarrei fortemente as minhas tranças de menina, deitei-me debaixo

dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim. Foi uma coisa

horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, a deslocação de ar, a

temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delírio e de loucura. E

eu via cores, cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria

fixar para sempre na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida

a me dedicar à pintura”.

Anita Malfatti

Sorte a nossa esta menina ter sobrevivido à experiência tão dramática

e transformado suas cores em arte apresentando-nos, tempos depois, o

“Homem Amarelo”, “A Mulher de Cabelos Verdes” e tantos outros trabalhos

de grande importância para as artes plásticas brasileiras. Anita

Malfatti nasceu com atrofia no braço e na mão direita. Aos três anos de

idade foi levada pelos pais a Lucca, na Itália, na esperança de corrigir

o defeito congênito. Os resultados do tratamento médico não foram

animadores e Anita teve que carregar essa deficiência pelo resto da

vida. Voltando ao Brasil, teve a sua disposição Miss Browne, uma

governanta inglesa, que a ajudou no desenvolvimento do uso da mão

esquerda e no aprendizado da arte e da escrita. Mas tinha outra pedra no

caminho da artista: Monteiro Lobato. Um escritor já famoso resolveu

implicar com seus quadros e lascou, sem dó nem piedade, uma crítica nada

elogiosa para a época:

“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem

normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura… Se Anita

retrata uma senhora com cabelos geometricamente verdes e amarelos, ela

se deixou influenciar pela extravagância de picasso e companhia – a tal chamada arte

moderna…”.

Foi um desastre que não deixou de ter sua importância na vida desta

mulher já tão calejada. Pouco depois jovens artistas e escritores,

possuídos pelo desejo de mudança que as obras de Anita suscitaram,

uniram-se a ela, como: Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia,

Guilherme de Almeida no que ficou conhecido como a Semana da Arte

Moderna. Nascia assim , em 1922 a arte puramente brasileira sem copismo

estrangeiro com Anita Malfatti líder e inspiradora deste movimento.

 

 

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4dpict2.jpg

 

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Big One2010-04-20 00:33:40

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  • 3 weeks later...

Na verdade o herege disse que suas pintura pareciam com a de um louco do manicomio... aff! 13 06

Interessante é que sua vida artística fez dela uma pseudo martir que o movimento modernista precisava.

 

Só queria saber se as linhas/contornos mau definidos  de seus quadros são propositais.

 

E ainda tem seu romance meio escondio/mau correspondido com Mário de Andrade.
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