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Forum Cinema em Cena

O Maior Amor Do Mundo


Thiago Lucio
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smiley10.gifsmiley10.gifsmiley10.gif - O MAIOR AMOR DO MUNDO

Assim como o nome sugere, o filme “O Maior Amor do Mundo” fala a respeito daquele amor que não há igual, o amor maternal. Fala sobre a saga de Antônio ( José Wilker ), um astrofísico brasileiro recém-chegado dos EUA, em busca do paradeiro de sua mãe biológica após a descoberta de um tumor maligno em seu cérebro. Considerando a sugestão de que as metáforas de alguns roteiristas/diretores são muito fáceis de se compreender, considero esta que sustenta o personagem Antônio umas das mais belas obviedades do cinema ( com o perdão do exagero que parece clichê, que parece vazio, que sugere uma falta de argumento melhor ), ou seja, um profundo conhecedor dos segredos e mistérios do universo, Antonio é um sujeito frio e distante, incapaz de olhar para dentro de si mesmo ( redundância tão óbvia quanto proposital ). Uma outra “escada” que o roteiro usa para dimensionar o personagem é o fato dele possuir o TOC ( Transtorno Obsessivo Compulsivo ), porém não soa muito convincente atendendo por vez algumas necessidades do roteiro, mas que de maneira geral só serve para “engessar” ainda mais o personagem que com o que já havia sido estabelecido era bastante satisfatório ( e não deixa de ser inusitado acompanhá-lo recusando o cumprimento a uma pessoa, mas mesmo assim sujeitando-se a permanecer em meio a um lixão a beira de um rio ). Mas José Wilker realiza um ótimo trabalho e o resultado do seu trabalho alcança um saldo positivo mesmo diante de algumas inconsistências.

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Inconsistências que infelizmente não são poucas. Um dos maiores problemas do filme de Cacá Diegues é que o roteiro duvida da inteligência do espectador e procura entregar os grandes eventos da maneira mais “mastigada” possível, logo toda e qualquer idéia lançado ao longo do filme é aproveitada não apenas uma vez, mas ela é cercada de todas as formas possíveis para que não se tenha dúvida daquilo que foi gerado na primeira vez, como se fosse necessário, diga-se de passagem. Mas não é, na maior parte das vezes ( o amor do pai de Antonio por Flora, a resistência que ele tem com relação ao filho e até mesmo a inserção pouco sutil de uma garota misteriosa que sabemos rapidamente do que se trata são alguns exemplos  ). Um outro exemplo disso é a necessidade que os personagens tem em dizer em alto e bom som quais são seus propósitos dentro daquela história, logo não basta que Antonio crie uma relação o garoto Mosca ( Sérgio Malheiros ), um traficante mirim, e reconheça a triste perspectiva que aguarda aquele garoto, ele precisa dizer: “Eu poderia ser você.”, além de outras pérolas, como: “Eu nasci apenas para isso.”, “A promessa era mesmo a de que fosse a sua madrinha” e aquele que garante o momento mais forçoso do longo em que Antonio diz ao pai que “ela morreu para que eu pudesse viver.”, como se a gente não soubesse que a raiva do pai era justamente em função disso.

 

Outro problema é a falta de foco do roteiro. A história passeia por diversos caminhos e acaba não alcançando apelo em nenhum deles, especialmente naquela que poderia ser uma importante perspecitva que é a relação que se desenvolve entre Antônio e a jovem Luciana ( Taís Araújo ). É interessante constatar que o seu envolvimento físico com a garota confere uma modificação válida em seu comportamento, mas a relação nunca se torna algo além disso, logo invalida o romantismo que se tenta empregar para o casal ( e é de lamentar a intenção do roteiro em querer situar aquela relação como sendo a primeira vez de Antonio, outra coisa que não precisa ser dita, afinal mesmo se não tivesse sido, certamente foi a primeira vez em que ele fez ... de verdade ). Lá pela metade, a atenção do filme é voltada para a dinâmica entre o protagonista e o garoto Mosca, mas diferentemente de outras produções ambientadas nas favelas que procuravam apresentar a realidade vivida por aquelas pessoas encontramos uma tentativa forçada disto, com momentos dignos de “Cidade de Deus”, mas que de tão manjados, mas que se parecem com tudo menos com a realidade nua e crua ( muito se deve ao desnecessário conflito moral no qual o garoto é colocado já que temos a noção de como ele já está imerso naquele universo, beira o politicamente correto e a própria condução dada por Sergio Malheiros soa desproporcional, isto é, a malandragem do personagem é caricatural e nunca de maneira natural dando a nítida impressão de que é um ator mirim se fazendo de menino de rua ou coisa do gênero ). A busca pela verdade sobre o que aconteceu com a sua mãe e até mesmo o entendimento pleno da relação entre pai e filho acabam tornando-se segundo plano para essas duas situações, mas acabam tendo uma resolução bastante poética e sensível no caso da mãe ( a cena é muito bem conduzida por Cacá Diegues já que por mais melodramática que ela seja, não se apresenta de maneira piegas ) e dando uma dimensão um pouco maior sobre o rancor do pai, não que se justifique, embora o acerto entre ele e o filho não seja concretizado.

 

“O Maior Amor do Mundo” é um filme que merecia um cuidado maior por parte dos seus realizadores, principalmente no que se refere ao roteiro, pois traz uma história muito emocional e apesar de se justificar pelo título não faz por merecê-lo já que mesmo cercado de um contexto bem rico, ele acaba jogando contra à medida que pistas demais são oferecidas e perde-se um pouco do foco ao longo de sua duração. Ainda assim é um projeto bonito de se ver, conta com uma atuação inspiradíssima de José Wilker e convenhamos que se tratando de Cacá Diegues merece pelo menos uma conferida, afinal não estamos falando de Moacyr Góes.

Bruno Carvalho2006-09-29 13:48:48
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PS: DEPOIS DO EPISÓDIO DA "BORRA DE CAFÉ" ATÉ PENSEI EM PARAR DE ESCREVER ESSES COMENTÁRIOS MAIS LONGOS' date=' MAS SENTI QUE O FILME MERECIA ESSE "CARINHO", MAS AINDA NÃO SEI AO CERTO O QUE FAZER ... PODE SER QUE DAQUI EM DIANTE EU PREFIRA COMENTÁRIOS MAIS RÁPIDOS E RASTEIROS ...[/quote']

Thiago Lucio,creio q o nome do filme seja O MAIOR AMOR DO MUNDO...

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PS: DEPOIS DO EPISÓDIO DA "BORRA DE CAFÉ" ATÉ PENSEI EM PARAR DE ESCREVER ESSES COMENTÁRIOS MAIS LONGOS' date=' MAS SENTI QUE O FILME MERECIA ESSE "CARINHO", MAS AINDA NÃO SEI AO CERTO O QUE FAZER ... PODE SER QUE DAQUI EM DIANTE EU PREFIRA COMENTÁRIOS MAIS RÁPIDOS E RASTEIROS ...[/quote']

Thiago Lucio,creio q o nome do filme seja O MAIOR AMOR DO MUNDO...

Valeu rapaz ... corrigido !!!!!!!!!!!!

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E algumas coisas sobre o texto do Thiago Lúcio:  

- em nenhum momento achei que o personagem do José Wilker tivesse TOC. não sei onde você viu isso.

- e  o título do filme pode não ser sobre o amor da mãe pelo filho. E sim talvez pelo amor de algumas semanas entre os pais do josé wilker, que durou pouco e talz. O filme deixa isso meio em aberto.

mas blá.

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E algumas coisas sobre o texto do Thiago Lúcio:  

- em nenhum momento achei que o personagem do José Wilker tivesse TOC. não sei onde você viu isso.

- e  o título do filme pode não ser sobre o amor da mãe pelo filho. E sim talvez pelo amor de algumas semanas entre os pais do josé wilker' date=' que durou pouco e talz. O filme deixa isso meio em aberto.

mas blá.

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- vc percebe que em diversos momentos ( no momento em que ele é recebido no aeroporto e/ou quando ele visita a dona Santinha pela 1ª vez ) que ele se ressente em tocar e/ou ser tocado.

- creio que pelo desfecho dá-se a entender que a principal abordagem é justamente o amor da mãe com o seu filho, muito embora muitas relações de amor estão inseridas no contexto do filme, inclusive a que vc citou ... a busca dele é pelo amor de sua mãe biológica e no momento em que ele estava mais vulnerável foi o que lhe acalentou ... o principal enfoque é o amor de mãe.

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Nossa eu gostei mto do filme...

tipo o amor pode ser varios, mais o forte do filme eu achei que foi na virada q sofre o personagem, pq ele era um cara perdido no mundo, tipo ele ia morrer, e ia ser isso mesmo, mas no pouco tempo q ele vai atraz da mãe ele muda, ele vive, e o filme tem um desfecho q soa para o personagem como, que sua missão tivesse sido comprida.

e quanto ao fato de tentarem explicar tudo que se passa com o personagem eu não concordo, eu acho q vc foi mto critico nessa parte.

 

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Bom, só não queria ser o primeiro a elogiar. Achei o filme FODA; Eu realmente achei um dos melhores filmes brasileiros que já vi, atualmente perdendo ( por pouco) apenas para 'Casa de Areia', que acho uma OP. Eu me identifiquei com muitos elementos do filme, e achei que, tirando as músicas ridículas de rap no meio do filme, ele não pecou gravamente em nenhum aspecto. Belíssimo filme. Nota: 9,55 (top#18) - podendo variar bastante na revisitada.

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