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Forum Cinema em Cena

Poesias


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Noturno

Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?

Que vale o pensamento humano,
esforçado e vencido,
na turbulência das horas?

Que valem a conversa apenas murmurada,
a erma ternura, os delicados adeuses?

Que valem as pálpebras da tímida esperança,
orvalhadas de trêmulo sal?

O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,
no profundo diagrama.

E o homem tão inutilmente pensante e pensado
só tem a tristeza para distingui-lo.

Porque havia nas úmidas paragens
animais adormecidos, com o mesmo mistério humano:
grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas,
sem compromissos de viver.

Grandes animais sem passado, sem antecedentes,
puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.

Mas a noite desmanchava-se no oriente,
cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça,
e começavam a puxar as imensas rodas do dia.

Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!

Cecília Meireles 

Adorei este tópico, adoro poesias!!!!! smiley1.gif

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Dylan Thomas

 

 

 

A FORÇA QUE IMPELE

 

ATRAVÉS DO VERDE RASTILHO

 

 

 

A força que impele através do verde rastilho a flor

 

impele os meus verdes anos; a que aniquila as raízes das árvores

 

é o que me destrói.

 

E não tenho voz para dizer à rosa que se inclina

 

como a minha juventude se curva sob a febre do mesmo inverno.

 

 

 

A força que impele a água através das pedras

 

impele o meu rubro sangue; a que seca o impulso das correntes

 

deixa as minhas como se fossem de cera.

 

E não tenho voz para que os lábios digam às minhas veias

 

como a mesma boca suga as nascentes da montanha.

 

 

 

A mão que faz oscilar a água no pântano

 

agita ainda mais a areia; a que detém o sopro do vento

 

levanta as velas do meu sudário.

 

E não tenho voz para dizer ao homem enforcado

 

como da minha argila é feito o lodo do carrasco.

 

 

 

Como sanguessugas, os lábios do tempo unem-se à fonte;

 

fica o amor intumescido e goteja, mas o sangue derramado

 

acalmará as suas feridas.

 

E não tenho voz para dizer ao dia tempestuoso

 

como as horas assinalam um céu à volta dos astros.

 

 

 

E não tenho voz para dizer ao túmulo da amada como sobre o meu sudário rastejam os mesmos vermes.

 

 

 

(tradução: Fernando Guimarães)

 

 

 

 

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  • 2 weeks later...

Poeminha do Chaves

Kiko- Mamãe querida meu coração por ti bate como...

Chaves-  ...ponta de alicate.

Kiko- Mamãe querida meu coração por ti bata como...

Chiquinha-  ...caroço de abacati.

Kiko- Mamãe querida meu coração por ti bate como...

Chaves-  ...pano de alfaiate .

Kiko- Calem,-se, calem-se, calem-se, calem-se,     

Vcs me deixam LOUUUUUUUUUUCO!!!!!!!!!!!smiley7.gif

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Hahahaha, não avacalha, Aquiles!!! smiley36.gif

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !


Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

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Hahahaha' date=' não avacalha, Aquiles!!! smiley36.gif

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !


Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

[/quote']

Pra mim!?!?!?!?!?!?!?!, não precisava lindasmiley36.gif

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Naum sei se já colocaram

 

 

 

Soneto de Fidelidade

 

 

 

De tudo ao meu amor serei atento

 

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

 

Que mesmo em face do maior encanto

 

Dele se encante mais meu pensamento.

 

 

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

 

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

 

E rir meu riso e derramar meu pranto

 

Ao seu pesar ou seu contentamento

 

 

 

E assim, quando mais tarde me procure

 

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

 

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

 

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

 

Que não seja imortal, posto que é chama

 

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

 

 

Vinicius de Moraes

 

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As Roupas (Enzensberger)

Eis tuas roupas, calmas, como gatas
ao sol, de tarde,
tuas roupas amarrotadas
sem sonhos, como por acaso.
Elas têm um cheiro teu, fraco,
Quase se parecem a ti.
Transmitem tua sujeira,
teus maus hábitos,
os vestígios de teus cotovelos.
Têm tempo, não respiram,
sobram, moles, cheias de botões,
de características e manchas.
Nas mãos de um policial,
de uma costureira, de um arqueólogo,
revelariam suas costuras,
seus segredos fúteis.
Mas, onde tu estás, se estás sofrendo,
o que sempre querias me dizer
e nunca disseste,
se voltas, se aquilo
que aconteceu, aconteceu por amor
ou necessidade ou esquecimento,
e por que tudo isto
ocorreu,
como ocorreu,
quando a vida estava em jogo,
se morreste ou se
estás apenas a lavar teus cabelos:
isto não dizem.

(De "A fúria do Sumiço" In "Eu falo dos que não falam(Coletânea)", Ed. Brasiliense, 1985. Tradução: Kurt Scharf e Armindo Trevisan)

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Felicidade

 

 

 

 

 

 

 

Ainda agora e sempre

 

o amor complacente

 

 

 

De perfil de frente

 

com vida perene

 

 

 

E se mais ausente

 

com o passar do tempo

 

 

 

à alma que consente

 

no maior silencio

 

 

 

em guardá-lo dentro

 

da penumbra ardente

 

 

 

 

 

sem esquecimento

 

nunca para sempre

 

 

 

dolorosamente!

 

 

 

Henriqueta Lisboa

 

 

 

 

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Memória

 

 

 

 

 

"...Amar o perdido

 

deixa confundido

 

este coração.

 

 

 

 

 

Nada pode o olvido

 

contra o sem sentido

 

apelo do Não.

 

 

 

 

 

As coisas tangíveis

 

tornam-se insensíveis

 

à palma da mão.

 

 

 

 

 

Mas as coisas findas,

 

muito mais que lindas,

 

essas ficarão..."

 

 

 

 

 

 

 

DRUMMOND DE ANDRADE

 

 

 

 

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O PRÍNCIPE POETA

 

 

 

(Alexandre Lemos )

 

 

 

 

 

Por que eu vivo procurando

 

Um motivo de viver,

 

Se a vida às vezes parece de mim esquecer?

 

Procuro em todas, mas todas não são você

 

Eu quero apenas viver

 

Se não for para mim que seja pra você.

 

Mas às vezes você parece me ignorar

 

Sem nem ao menos me olhar

 

Me machucando pra valer.

 

 

 

Atrás dos meus sonhos eu vou correr

 

Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.

 

 

 

Se a vida dá presente pra cada um

 

O meu, cadê?

 

 

 

Será que esse mundo tem jeito?

 

Esse mundo cheio de preconceito.

 

Quando estou só, preso na minha solidão

 

Juntando pedaços de mim que caíam ao chão

 

Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

 

Talvez eu seja um tolo,

 

Que acredita num sonho

 

Na procura de te esquecer

 

Eu fiz brotar a flor

 

Para carregar junto ao peito

 

E crer que esse mundo ainda tem jeito

 

E como príncipe sonhador

 

Sou um tolo que acredita ainda no amor.

 

 

 

O poema acima foi escrito por um aluno da APAE de Ipatinga - MG, chamado, pela

 

sociedade de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade! Ele tem 28 anos.

 

 

 

 

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BEIJO

 

 

 

 

 

Se a minha voz pudesse te tocar

 

eu calaria a tua

 

com um beijo.

 

Mas a minha voz não te alcança

 

então

 

deixa o meu silêncio

 

percorrer a distância

 

para beijar teus lábios

 

e na quietude da noite

 

te adormecer de amor!

 

 

 

 

 

 

 

Carmelinda Bampi

 

Galadriel2006-5-8 14:58:14

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Soneto do Maior Amor

 

 

 

Maior amor nem mais estranho existe

 

Que o meu,que não sossega a coisa amada

 

E quando a sente alegre, fica triste

 

E se vê descontente ,dá risada

 

 

 

E que só fica em paz se lhe resiste

 

O amado coração, e que se agrada

 

Mais da eterna aventura em que persiste

 

Que de uma vida mal-aventurada

 

 

 

Louco amor meu, que quando toca, fere

 

E quando fere vibra, mas prefere

 

Ferir a fenecer - e vive a esmo

 

 

 

Fiel à sua lei de cada instante

 

Desassombrado, doido, delirante

 

Numa paixão de tudo e de si mesmo

 

 

 

Vinícius de Moraes

 

 

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DO IRREMEDIÁVEL

 

 

 

Devemos viver

 

a realidade de hoje

 

da tal forma

 

que o amanhã

 

seja a saudade

 

de algo de bom

 

que passou.

 

 

 

Que todo nosso anseio

 

seja um presente

 

que, ausente no futuro

 

nos traga de volta

 

o tempo

 

sem o arrependimento

 

que fica nos frios espaços

 

que deixamos de preencher,

 

ou nas horas irrecuperáveis

 

que esquecemos de viver,

 

pois há no tempo,

 

algo de irremediável

 

no seu eterno passar :

 

o seu nunca mais voltar.

 

 

 

 

 

( Nelly Todeschini Cantele)

 

 

 

 

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Testamento

 

O que não tenho e desejo

 

É que melhor me enriquece.

 

Tive uns dinheiros — perdi-os...

 

Tive amores — esqueci-os.

 

Mas no maior desespero

 

Rezei: ganhei essa prece.

 

 

 

Vi terras da minha terra.

 

Por outras terras andei.

 

Mas o que ficou marcado

 

No meu olhar fatigado,

 

Foram terras que inventei.

 

 

 

Gosto muito de crianças:

 

Não tive um filho de meu.

 

Um filho!... Não foi de jeito...

 

Mas trago dentro do peito

 

Meu filho que não nasceu.

 

 

 

Criou-me, desde eu menino

 

Para arquiteto meu pai.

 

Foi-se-me um dia a saúde...

 

Fiz-me arquiteto? Não pude!

 

Sou poeta menor, perdoai!

 

 

 

Não faço versos de guerra.

 

Não faço porque não sei.

 

Mas num torpedo-suicida

 

Darei de bom grado a vida

 

Na luta em que não lutei!

 

 

 

Manuel Bandeira

 

 

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A rosa de Hiroxima

 

 

 

Pensem nas crianças

 

Mudas telepáticas

 

Pensem nas meninas

 

Cegas inexatas

 

Pensem nas mulheres

 

Rotas alteradas

 

Pensem nas feridas

 

Como rosas cálidas

 

Mas oh não se esqueçam

 

Da rosa da rosa

 

Da rosa de Hiroxima

 

A rosa hereditária

 

A rosa radioativa

 

Estúpida e inválida

 

A rosa com cirrose

 

A anti-rosa atômica

 

Sem cor sem perfume

 

Sem rosa sem nada.

 

 

 

Vinicius de MoraesGaladriel2006-5-8 15:32:7

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Soneto da separação

 

 

 

De repente do riso fez-se o pranto

 

Silencioso e branco como a bruma

 

E das bocas unidas fez-se a espuma

 

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

 

 

De repente da calma fez-se o vento

 

Que dos olhos desfez a última chama

 

E da paixão fez-se o pressentimento

 

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

 

 

De repente, não mais que de repente

 

Fez-se de triste o que se fez amante

 

E de sozinho o que se fez contente.

 

 

 

Fez-se do amigo próximo o distante

 

Fez-se da vida uma aventura errante

 

De repente, não mais que de repente.

 

 

 

Vinicius de Moraes

 

 

 

 

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Soneto da intimidade

 

 

 

Nas tardes de fazenda há muito azul demais.

 

Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora

 

Mastigando um capim, o peito nu de fora

 

No pijama irreal de há três anos atrás.

 

 

 

Desço o rio no vau dos pequenos canais

 

Para ir beber na fonte a água fria e sonora

 

E se encontro no mato o rubro de uma amora

 

Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

 

 

 

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume

 

Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme

 

E quando por acaso uma mijada ferve

 

 

 

Seguida de um olhar não sem malícia e verve

 

Nós todos, animais, sem comoção nenhuma

 

Mijamos em comum numa festa de espuma.

 

 

 

Vinicius de Moraes

 

 

 

 

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Canção do Exílio

 

 

 

Se eu tenho de morrer na flor dos anosMeu Deus! não seja já;Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,Cantar o sabiá!Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morroRespirando este ar;Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novoOs gozos do meu lar!

 

 

 

O país estrangeiro mais belezasDo que a pátria não tem;E este mundo não vale um só dos beijosTão doces duma mãe!

 

Dá-me os sítios gentis onde eu brincavaLá na quadra infantil;Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,O céu do meu Brasil!

 

 

 

Se eu tenho de morrer na flor dos anos

 

Meu Deus! não seja já!Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,Cantar o sabiá!

 

 

 

Quero ver esse céu da minha terraTão lindo e tão azul!E a nuvem cor-de-rosa que passavaCorrendo lá do sul!

 

 

 

Quero dormir à sombra dos coqueiros,As folhas por dossel;E ver se apanho a borboleta branca,Que voa no vergel!

 

 

 

Quero sentar-me à beira do riacho

 

Das tardes ao cair,E sozinho cismando no crepúsculoOs sonhos do porvir!

 

 

 

 

 

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,Meu Deus! não seja já;Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,A voz do sabiá!

 

 

 

 

 

Quero morrer cercado dos perfumesDum clima tropical,E sentir, expirando, as harmoniasDo meu berço natal!

 

 

 

Minha campa será entre as mangueiras,Banhada do luar,E eu contente dormirei tranqüiloÀ sombra do meu lar!As cachoeiras chorarão sentidasPorque cedo morri,E eu sonho no sepulcro os meus amoresNa terra onde nasci!

 

 

 

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,Meu Deus! não seja já;Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,Cantar o sabiá!

 

 

 

Casimiro de Abreu

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INSÔNIA

<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Em noites de insônia desejada

busco você no silêncio do quarto,

no escuro dos cantos,

na concretitude da cama,

no perfume incógnito

da tua pele

de encontro

a minha.

 

Escandescendo os sentidos,

todos unos no desejo,

guardados a sete chaves

nas voltas e

reviravoltas

de você

dentro de mim.

 

Procuro sua presença no lençol,

mas o cetim sussurra

da inutilidade,

me fazendo lembrar

que você não está aqui...

Não importa!

O querer é demais.

E na febre que faz arder

meu corpo nu e suado,

me amo sozinho,

entregando-me a você

em delícias

compartilhadas

de pensamentos.

 

Então,

a noite fica

pequena demais,

casta demais

para tantos beijos,

línguas e pernas,

gostos e dorsos,

seios e sexos.

Atravesso assim a madrugada:

insone de delírios ansiados,

tornados reais no toque solitário.

Tateando meu corpo,

busco o seu.

 

A manhã chega

trazendo a realidade

do dia,

das coisas lá de fora

e me acorda de um sono,

adoravelmente,

mal dormido.

 

 

Meu alento é saber

que outra noite virá.

E a insônia,

uma vez mais,

me fará companhia;

solene e indecente,

madrugada adentro,

carinhando meu ser

até o adormecer,

quieto e cansado,

do pensar

em você.

 

<?:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />Ricardo Alves Leite              
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