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Forum Cinema em Cena

Crônicas


Mr. Ibanez
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Tá faltando um espaço para as crônicas de Arnaldo Jabor,Luiz Fernando Veríssimo ou Mário Prata;e para não misturar lá no tópico de poesia vou abrir este tópico aqui.

Começando com:

MODOS DE MACHO - Campanha permanente pela utilidade do homem.

Queremos voltar a ser úteis, imploro, repito. Queremos prestar de novo. Mulheres, escutem o nosso grito. Ouviram do Ipiranga, da Pampulha, do Capibaribe, das margens do Jaguaribe? Ouviram?

Não se trata de mais uma cantada genérica. Cantar é fácil. Qualquer mané o faz. A grande arte de um homem começa quando a cantada dá certo, ouviram, rapazes? Sim, o feitio de oração, o devotar-se, como insisto aqui nesta campanha permanente.

E nesse quesito, amigos, quem mais se aproxima da nota dez é quem atende todos os pedidos, ou quase. Mesmo que seja uma daquelas gazelas que adoram ser mimadas 24 horas, filha única, carente, voz manhosa de Marilyn Monroe no faroeste Os Desajustados.

Porque só Marilyn, não por ser loira, mas pelo estilo da fala, sabe ensinar como obter tudo de um homem. Ainda mais nesses tempos de hoje, em que perdemos praticamente a utilidade. Não vamos muito além da velha troca do chuveiro queimado ou da lâmpada.

No restante dos ofícios, elas possuem dotes e consolos materiais e filosóficos. Nem a massagem do cansaço noturno passa mais por nossas mãos rudes - tem sempre um japa do ramo que já resolveu a parada antes.

A conta

Nesse critério, de nos tornar um pouco úteis, de deixar o macho se sentindo vivo e importante, queremos a chance de saber que na vida ainda existe almoço de graça. Deixem que o homem pague, mesmo que você seja aquela super-poderosa mulher que comanda uma plataforma de petróleo ou que tenha nascido da costela do Onasis.

Queremos a chance de atender os seus pedidos. Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir, não acha?

Como elas pedem gostoso.

Como elas são boas nisso.

Resistir, quem há de?

Um simples "posso pegar essa cadeira, moço?" vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo caliente da interrogação, a certeza de um "sim" estampado na covinha do sorriso. Pede que eu dou, meu amor, eis o mantra aqui repetido.

Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo! Estou pedindo: pede! É uma campanha permanente, por isso repito parte de uma velha crônica de costumes dirigida especificamente a uma moça.

Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis. Pede Chanel, pede Louis Vuitton, pede que eu compro nem que seja no camelô. Não me pede nada simples, faz favor. Já que vai pedir, que peça alto. Você merece.

Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses. Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, um cheque sem fundos.

Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço, são lindamente barulhentos. Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.

Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos, como um Wando, como o poeta mais brega ou como o T.S.Eliot. Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: "Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?"

Um castelo na Inglaterra?

Sim, eu dou na hora.

Sim, eu opero o milagre.

Como no pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!

Pede, benzinho, pede tudo.

Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???

Pede, minha nêga, que o amor tudo pode.

Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapam de um belo pedido. Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência.

Charme

Não é questão de poder ou dinheiro. O charme e o que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato. Os melhores cremes da Lancôme? Vou a Paris agora. Estou pronto.

Eu lhe peço: me pede.

Café da manhã na cama todas as manhãs? Já estou arrumando os potinhos de geléia e de olho na cafeteira mais moderna, mais "da hora".

& MODINHAS DE FÊMEA

Champanhe todas as noites?

Sim, terá, e sempre à luz de velas, não qualquer espumante, aquele da marca da nobre viúva.

Que eu abra a porta do carro, sem que você corra risco de parecer uma nostálgica? Abre-te Sésamo!

Puxar a cadeira? Só se for agora.

Reservar mesa para jantar fora? Acabei de providenciar, meu anjinho barroco.

Peço: me pede! Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara e tão em falta no mundo de homens e mulheres.

Xico Sá é jornalista e escritor. Nasceu no Cariri em 1963 e foi criado no Recife. 

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  • 2 weeks later...

20071013-1977.jpg

 

1977

Meu pai e o primogênito escolheram o Santos.

Ser corinthiano foi meu primeiro ato subversivo.

A Zelinha minha irmã naturalizada paulistana também foi subversiva no Natal de 77. Cúmplice minha irmã-madrinha ao me presentear com a peça de vestuário mais importante da minha vida.

Seguramente, ela não resistiu. A maior cidade do País - fustigada pelo Pacote de Abril e pela invasão covarde da PUC - arrancou as mordaças com bandeiras e gritos enlouquecidos naquela primavera. Era só futebol mas é como se fosse mais.

Osmar Santos fazia misérias na latinha, abastecendo a turba na Paulista, nos plantões das fábricas, nas celas ou nas vendinhas das favelas.

Quem resistiria compartilhar aquele sorriso da massa com um irmãozinho?

E foi assim que, diz a lenda, numa grande arara armada por um camelô na Sé, a Zelinha comprou uma alma para mim.

Aos três anos, ninguém gosta de ganhar roupa porque só adulto chato defende presentes pragmáticos para uma criança. Mas eis uma bela exceção. Gostei do desenho do timão e, diz a lenda familiar, que eu me recusei por dias a tirar o mantinho. Nunca mais troquei de roupa.

Dizem que isto é mentira e que a tal camisetinha foi devorada pelo tempo.

Mas acho que não, acho que agora a pecinha virou um porta-coração. Os dois são invisíveis mas estão lá, juntinhos e vitais. Não acho não, tenho certeza.

Quando o Betão deixou o título dos bambi sem graça - sinceramente qual é a graça de ganhar uma taça sem derrotar o Todo Poderoso? - vivi o júbilo dos grandes momentos e me lembrei da camisetinha, sempre a evitar que a bomba de sangue seja arremessada ao nada pela boca.

E lá vai o Timão, o ente superior com Betão ou Basílio, pulverizando tabus absurdos e apresentando a soma de todas as cores e a ausência absoluta delas como a dicotomia do orgulho.

E eu nem sei o que é viver sem ele.

A natureza também joga a favor e eu não me lembro de nenhum daqueles mil e cento e poucos dias em que eu não era corinthiano.

 

(Lúcio Flávio Moura - 13/10/07)

 

O amor pelo Timão nunca será  datado!
laure2009-11-13 15:53:47
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Crônica do Amor

 

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

 

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

 

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

 

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

 

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

 

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

 

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no

ódio vocês combinam. Então?

 

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

 

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a

menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

 

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama

este cara?

 

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

 

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura

por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

 

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

 

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

 

Não funciona assim.

 

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

 

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

 

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Kikas2010-04-08 14:21:21
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SacodeRatosBlues.jpg

 

 

E foi assim...

 

 

Sair de casa para mim é muitas vezes um problema. Começo a ler ouvindo um som e bate aquela preguiça. Se um amigo liga, acabo me animando. Ontem foi o contrário. Eu a procura de um amigo para me fazer companhia no show Saco de Ratos Blues no Cemitério.
Putz... ninguém a fim e eu na maior fissura.
Bem, acho que sou boa companhia para mim mesma e lá fui eu.
Chegar a um lugar que a maioria são homens é meio bravo, mas fazer o que né? Encostei no balcão, pedi uma cerveja e fiquei analisando as pessoas que estavam no bar, para variar vi as mesmas fisionomias de sempre. Melhor assim, não me senti tão sozinha.
O show demorou para começar, mais quando começou valeu cada minuto de espera.
A banda é ótima e não dá para acreditar que estavam desfalcados do guitarrista titular que é o Fábio Brum, pois o Marcelo Watanabe arrebentou nos solos.
Mesmo estando perto das caixas de som não me senti incomodada, ao contrário, a música entrou com mais vigor em minhas veias me fazendo viajar nos sons e até arrisquei dançar encostada na parede sem sentir meu joelho machucado.
A performance do Mário é incrível. O cara é super tosco, mas é sexy. Tá super charmoso com os cabelos mais escuro – se bem que gosto do grisalho original. Musicalmente falando ele grita um pouco, mais esse toque faz do show algo mais humano combinado com as letras num casamento perfeito! E o cara bebe o tempo todo, intercalando goles de água mineral com uísque.
Ele demonstra certa felicidade – felicidade?- que transparece nos sorrisos discretos que surgem em seus lábios quando seus amigos participam do show de uma forma descontraída.
E assim termina.
Que pena! Ouvira os caras pela noite afora sem nem mesmo sentir o joelho machucado!
Encostei no balcão para uma última cerveja e fiquei observando-o de longe, até pensei em chegar até ele para cumprimentá-lo, mas bateu uma timidez, afinal ele é o Cara!
E fui embora embalada pelos sons que permaneceram ecoando em minha cabeça!

( 08/06/08)
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  • 2 weeks later...

O sexto sentido das mulheres

Certo dia, parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto sentido. Alguém duvida que ele exista? E, como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você... Ou é a que você dá em cima? E, quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E, quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40ºC, você vai pegar um avião para São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala para você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
O sexto sentido não faz sentido! É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil...As mulheres são mães! E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em ensinar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"... Tudo isso é meio mágico... Talvez ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de seus filhos (que, aliás, foram criados à sua imagem e semelhança).
As mulheres choram, vazam ou extravasam? Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens... É choro feminino; é choro de mulher... Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos... Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. En-fei-ti-çam!
O amor leva as mulheres para perto de Deus... já que ele é o próprio amor. Por isso, dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam... Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora.

Kikas2010-04-08 14:22:37
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  • 2 weeks later...

Outros carnavais

Há poucos dias recebi um convite para me juntar ao Blog tipos.com.
Confesso que me sinto um tanto tímida ao expor o que escrevo!!
Esse ‘tipo’ que me convidou, eu conheci na época da faculdade. Moço simpático, bom de papo, sempre com assuntos interessantíssimos para discutir.
Fazia jornalismo.
Vivia pelos lados do CECA (Centro de Educação comunicação e Arte), eu pelos do CLCH (Centro de Letras e Ciências Humanas).
Foram algumas conversas na biblioteca, enquanto eu fingia estudar... e uma especial em Porecatu, cidade do ‘tipo’.
Fui passar o Carnaval na casa de uma amiga em comum.
Passar o carnaval em Porecatu? Só eu mesmo!
O ginásio de esportes bombando com as marchinhas de outros carnavais...
Eu e o ‘tipo’ sentados na arquibancada curtindo um papo sobre cinema! Foi um dos melhores carnavais da minha vida!
E veio a formatura! Cada um seguiu seu caminho... muitos só encontraram descaminhos...
Vez ou outra, em uma curva da vida, me deparo com algum companheiro da época da faculdade, nem sempre o encontro é feliz.
Do amigo de outrora sobrou pouco, às vezes nada!
A alegria juvenil de ontem já não existe mais, sugada pelos dissabores da vida!
Mais com o ‘tipo’ foi diferente!
Numa curva da vida, ou melhor, no Cabaré do Filo, na avenida Tiradentes, em que ano foi mesmo? 2002? Encontrei o ‘tipo’ sentado no intervalo do show... a memória falha: Tribo de Jah, João Bosco, Tom Zé, Jorge Ben Jor? Não importa.
O que importa é que o fato inesquecível desse Cabaré é: encontrei o ‘tipo’ e ele estava igual! Igual não. Melhor! Como um bom vinho, quanto mais o tempo passa, melhor fica!
Conversamos rapidamente e cada um seguiu seu caminho!
Alguns recados no Orkut e o tempo passou novamente, numa velocidade surpreendente!
Esse ano novamente no Cabaré o reencontrei.
Show da Sandra de Sá. Papo rápido e gritado ao som da música no último o volume.
Parecíamos fadados o nos encontrar em shows!
Valentino agitado pelo show do Set Satélite, do nada cruzo o olhar com o ‘tipo’.
A conversa flui com naturalidade, não nos importamos com o som no volume máximo!
O máximo mesmo é tê-lo reencontrado! O tempo passa rápido... gostoso... como se não tivesse passado doze anos desde nossa conversa na noite de carnaval em Porecatu.
O ‘tipo’ não mudou, permanece o mesmo intelectual, conversa inteligente, raciocínio rápido e humor indescritível.
No seu olhar algo de... não sei...talvez... sei lá!
O importante é que a essência permanece.
Depois dessa curva da vida sigo feliz, o ‘tipo’ não mudou e isso me acalenta o espírito.
Talvez eu também não tenha mudado e isso me faz seguir o caminho com passos seguros e sorriso nos lábios, como se o mundo me pertencesse, como me pertencia quando sentados no ginásio conversávamos ao som das marchinhas de outros carnavais!

 

(19/12/07, 10:40 )
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  • 5 weeks later...

Árvore genealógica

-Mãe, vou casar!!!

-Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?

-Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Julio.

-Você falou Julio... ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

-Eu falei Julio. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?

-Nada, não... Só minha visão é que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.

-Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

-Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso...

-Você vai ter uma nora. Só que uma nora... meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea.

-E quando eu vou conhecer o meu... a minha... o Julio?

-Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.

-Tá! Biscoito... Já gostei dele. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?

-Por quê?

-Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.

-Você acha que o papai não vai aceitar?

-Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas, isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metades com pinto...

-Mãe, que besteira... hoje em dia... praticamente todos os meus amigos são gays.

-Só espero que tenha sobrado algum que não seja... pra poder apresentar pra tua irmã.

-A Bel já tá namorando.

-A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?

-Uma tal de Veruska.

-Como?

-Veruska...

-Ah, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

-Mãe!!!

-Tá..., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...

-Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

-Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

-Quando ele era hétero. A Veruska.

-Que Veruska?

-Namorada da Bel...

-"Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... É a atual namorada da tua irmã...que é minha filha também... que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

-É isso. Pois é... a Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.

-De quem?

-Da Bel.

-Logo da Bel?! Quer dizer, então... que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska?!?...

-Isso.

-Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.

-Em termos...

-A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.

-Por aí...

-Por outro lado, a Bel..., além de mãe, é tia... ou tio... porque é tua irmã.

-Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

-Só trocar, né? Agora, o óvulo vai ser da Bel. E o ventre, da Veruska.

-Exato.

-Agora, eu entendi! Agora eu realmente entendi...

-Entendeu o quê?

-Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

-Que swing, mãe?!!...

-É swing, sim! Uma troca de casais... com os óvulos e os espermatozóides, uma hora do útero de uma, outra hora no útero de outra...

-Mas...

-Mas, uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... com incesto no meio.

-A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...

-Sei... E quando elas quiserem ter filhos...

-Nós ajudamos.

-Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...

-Que...?

-Fazer árvore genealógica daqui pra frente... VAI SER UMA MERDA

 

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Palavrões

 

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!". E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala.

Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas.Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade. E...foda-se!"

 
Kikas2010-04-08 14:23:33
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  • 2 months later...

Por que hoje é nosso dia!!! kkkk


São 6:30 da manhã...
O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede...
Estou tão cansada... não queria ter que trabalhar hoje...
Queria ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até....
Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas...
Aquário? Olhando os peixinhos nadarem...
Se eu tivesse tempo... gostaria de fazer alongamento...Brigadeiro...
Tudo menos sair da cama e ter que engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar. Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a infeliz matriz das feministas que teve a estúpida idéia de reivindicar direitos de mulher... queria saber PORQUE ela fez isso conosco, que nascemos depois dela...
Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós... elas passavam o dia a bordar, trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando as crianças, freqüentando saraus, ENFIM, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.
Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã nem tão pouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre 'vamos conquistar o nosso espaço'!!!
Que espaço, minha filha???
Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés.
Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, pra tudo!!!
Que raio de direitos requerer ?
Agora eles estão aí, são homens todos confusos, que não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo foge da cruz...
Essa brincadeira de vocês acabou nos enchendo de deveres, isso sim.
E nos lançando no calabouço da solteirice aguda. A
ntigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernardinho do vôlei.
PORQUE ???..me digam PORQUE um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo?
Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo!!! Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos combinar, que acessórios usar... tão cansada de ter que disfarçar meu humor , que sair sempre correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas que nem são meus!!! E como se não bastasse, ser fiscalizada e cobrada (até por mim mesma) de estar sempre em forma, sem estrias, depilada, sorridente, cheirosa, com as unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações (ufffffffffffffffffff!!!!!!!).
Viramos super mulheres e continuamos a ganhar menos do que eles... Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?
CHEGAAAAAAA!!!... eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela...ai , meu Deus, já são 7:30, tenho que levantar!...
E tem mais, quero alguém que chegue do trabalho, sente no meu sofá, coloque os pés pra cima e diga 'meu bem, me traz um cafezinho, por favor?', descobri que nasci para servir.
Vocês pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna.... Troco pelo de Amélia. Alguém se habilita?
(Autora: uma Executiva P. da Vida)!!!!
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AMOR É PROSA, SEXO É POESIA

 

Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:

- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.

- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.

- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...

Uma delas (solteira e lírica) me diz:

- Sexo e amor são a mesma coisa...

A outra (casada e prática) retruca:

- Não são a mesma coisa não...

Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.

O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.

O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.

No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.

Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.

Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.

Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... e-mails de quem souber para o autor.

Kikas2010-04-08 14:22:06
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  • 2 weeks later...

Não quero mais ser um tango

Crônica dedicada às mulheres de desejos colados e corações partidos

 Atingi a iluminação ou seria a insurreição? Só sei que, em matéria de amor, saí do mapa das ilusões perdidas e peguei um rumo só meu: não sofro mais. Percebi há alguns anos que gastei todo meu estoque de lágrimas,  ficaram os poemas, alguns piegas, outros cheios de inspiração. Mas depois de sacar band aids, mercúrio-cromo, anestesia, ansiolíticos, me enrolar em ataduras, chamar o SOS da desilusão, o CVV dos corações partidos, o SAMU dos desejos machucados, não sou mais a mesma. Aprendi a sair mais leve, linda e solta das relações que um dia me fizeram querer zarpar para a Antártica, naquele barco que a gente nunca sabe se volta.

 

De repente, descobri que não desejava mais enredos de bolero, mais que isso, não queria ser um tango, para viver de amores perdidos, rimas derretidas, confidências secretas. Ultrapassei a faixa dos amores vividos e dos amores bandidos, cruzei o semáforo no vermelho, como quem vira a página de um livro, louco para ver onde vai dar a história, com o desprendimento de não forçar o início nem segurar o fim.

 

Querendo ou não, deixar o romantismo excessivo é uma prerrogativa da maturidade, dá a sensação de abandonar o ventre da mãe. Ouçam isso meninas: de repente, o cordão umbilical se parte e a gente se sente livre e feliz para respirar sozinha. Quando crescemos - nem sei bem se é esta a palavra - há um certo alívio por ter nosso próprio abrigo à prova de balas, sem ser atingida por bombas, granizos, tempestades. Mulheres passam metade da vida procurando príncipes e engolindo sapos. Até conseguir sair de fininho num barco anfíbio.

Claro que a gente nunca pode desdenhar dos artifícios do amor, sua atração de lua, sua soberba de sol que nos espia nas frestas, enquanto juramos que ouvimos pássaros. Mas, que pássaros?

 

Um dia descobrimos que todo amor tem começo, meio e fim. Já será uma ousadia passear de mãos dadas por seus corredores, até aquela poltrona onde, enfim, descansamos de pernas pro ar, como quem faz a siesta, tomando um café e, ainda que não fume, dando baforadas num cigarro imaginário. Só para ver os círculos do passado subindo, se desprendendo, como um anjo que cumpriu sua missão, nos devolvendo a paz dos desencanados em vez dos “desenganados” do amor. 

 

Façam as contas: quantos amores vocês tiveram na vida? Noves fora, amor pra valer se contam um ou dois, três no máximo. Quase sempre aqueles que duram mais tempo. No mais, é a luta da desilusão, o boxe do faz-de-conta, o nado sem borboleta, a olimpíada sem tocha, o voo sem asa, a invenção de cada dia, para que a vida tenha alguma graça. Não me arrependo dos amores inventados, os que criei como enredos de filmes, fazendo diálogos, concebendo personagens, minhas Sabrinas açucaradas, meus clones de Baudelaire, rumbas e tangos, como quem vive eternamente numa calle de Buenos Aires.

 

Mas quando dei por mim, tinha aderido ao surf, quase sem perceber peguei outra onda, mais feliz, como se, finalmente, me livrasse das ilusões perdidas, para tirar férias no Havaí, onde não há tristeza que resista a um bom mergulho no ...pacífico. Cruzei o mar, não quero mais me afogar em mágoas. Descobri que a iluminação é a insurreição. Como não? 



(Célia Musilli)
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  • 2 weeks later...

Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.

Dormir me deixa 0 km.

Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.

Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.

Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.

E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!

Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!

E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!

Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!

Conversa é melhor do que piada.

Exercício é melhor do que cirurgia.

Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.

Economia é melhor do que dívida.

Pergunta é melhor do que dúvida.

Sonhar é melhor do que nada!

Kikas2010-04-08 14:20:48
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Kikas, o texto Árvore Genealógica não é de autoria de Luiz Fernando Veríssimo. Li seu texto e fiquei desconfiado...  O autor é (ou seria) de um tal Bond Bilau.

 

LFV é campeão em ter texto colocado como sendo de sua autoria. Aliás não é a primeira vez que vejo aqui no fórum texto atribuido a ele.

 

 

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Kikas o seu texto  que começa com:

 

Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola

previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário

de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água

em abundância, mas não exagere...

 

Também não é de LFV!! Idéia original: Martha Medeiros, (provavelmente

divulgado com enxertos).

 

Uma dica: Antes de publicar um texto como sendo de LFV é bom verificar a fonte primeiro.

 

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Agora são três textos publicados, só aqui no Fórum, atribuidos falsamente a LFV!

 

Cuidado! ao publicar textos de LFV é bom checar antes para não cair nesta armadilha!!

 

UMA DICA DE SITE PARA CONFIRMAR AUTORIA:

 

http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=373882

 

Moviolavídeo2010-04-04 15:36:41

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A mulher que assusta os homens?

 

por Marcelo Rubens Paiva

 

Eles namoravam na casa do cara.

Assim que terminaram, ela se levantou rápido, olhou o relógio, checou mensagens do celular, sorriu e começou a se vestir. Ele ainda arfava, nem tinha tirado a camisinha, ficou olhando surpreso e perguntou:

‘Pô, você já vai embora?’

‘Tenho que ir. Acordo cedo amanhã.’

Ele ficou mudo enquanto ela calçava as botas. O que eu fiz de errado? Foi ruim? Não, ela gozou duas vezes, forte. Mas ela nem beijou depois. Ela nem olhou com aquele ar apaixonado que toda mulher faz depois de gozar.

Tudo bem, era a primeira vez. Conheceram-se o quê, há uma semana, naquele restaurante? É. Onde rolou a troca de olhares. Onde rolou aquela conversa tola, enquanto aguardavam os carros. Onde ela deu o telefone do escritório, quando ele chegou perto, perguntou seu nome, o que fazia, elogiou sua roupa, disse na cara-dura que queria vê-la de novo, e ela ditou o número de seu telefone sem hesitar, e ele teve de decorar, ela disse que era arquiteta e zarpou, ele teve que pedir a caneta a um manobrista para anotá-lo na mão, e quando chegou em casa teve de se esforçar para decifrar aqueles números confusos em sua pele suada, para transpô-los para uma agenda em que anotou ‘garota do restaurante’, já que se esquecera do seu nome e teve de enrolar a secretária do tal telefone três dias depois — porque ele sempre ligava três dias depois —, porque se esquecera do nome da arquiteta que trabalhava lá, descreveu à secretária impaciente, até milagrosamente transferirem a ligação, e, sim, ela o atendeu, oi, sou eu, o restaurante, claro, ela se lembrou, conversaram alguns assuntos, marcaram um cinema, porque descobriram uma afinidade, filmes brasileiros, e tinha um bom em cartaz, em que foram dois dias depois, e mais um jantar.

Beijaram-se enquanto esperaram os carros, um beijo de recém-conhecidos, daqueles que ele investe, ela recua, ele insiste, ela cede, daqueles que apenas os lábios se encostam, as línguas timidamente se procuram, mas que depois se transformam e, apesar de dois desconhecidos, beijam-se intensamente, já as mãos dela em seus cabelos, já ele puxando o corpo dela contra o seu, pressionando-o, já seu pau endurecendo, com veículos de portas abertas e manobristas aguardando, até ela perguntar:

‘Onde você mora?’.

Transaram, terminaram, e ela se foi. Não foi daquelas que quiseram dormir. Nem daquelas que enrolaram para partir. Nem daquelas que perguntaram se ele ligaria. Nem fez questão de conhecer sua casa. Nem bebida, nem música. Foram pra cama assim que chegaram. E ela se foi enquanto ele ainda arfava.

Ele ligou dois dias depois, mas ela não o atendeu.

Nem quatro dias depois.

Nem quando mandou flores.

Nem quando mandou convites para a pré-estréia de outro filme brasileiro.

Ela é daquelas que assombram os homens.

Só quis naquela noite.

E por isso ele amargou uma paixão áspera.

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A espiral do vôo da borboleta

 

O baile se bailava sozinho enquanto ela pensava. E pensava. Pensava lá e cá, feito uma adolescente que talvez jamais tenha sido, tentando decidir se iria ou não. E ele a convidou para dançar. Não era um príncipe. O que importava? Ergueu-se um pouco aflita, sem jeito em sua magreza, ainda naquela dúvida que lhe balançava a alma. Ora, é pouca coisa, só uma dança. E foi. Rodopiando sem graça em seu vestido lilás. Então se arriscou nas palavras: e disse palavras proibidas no ouvido de seu par. Disse assim bem depressa pra se envergonhar depois. E ele não se fez de rogado e apertou os quadris ossudos da dançarina indiscreta. Ele, homem. Ela, frágil. Corando como fazia tempo não sabia corar. E balançando o corpo num balanço tímido. Pensando com certa graça: velha também pode dançar. Ele de aliança no dedo. Casado. Mais proibido, mais vontade, e ela bem queria lembrar se ainda sabia mexer os quadris. Se ainda sabia fazer. Sabia. Ele queria se divertir e não se perdia em pudores. Prendia o corpo no dela, levou-a prum outro lugar. Ela sabia que aquilo era feio, muito feio, e por isso mesmo achava bonito de doer. Fosse ele mais atento teria notado no riso dela a melodia silenciosa de um vôo de borboleta, em espirais apressadas e coloridas, uma juventude fêmea. Sorte dela que ele não notou. Ou teria ele se apaixonado pelas espirais infinitas da juventude tardia e a convidaria para mais que um vôo. Ela, então, na pressa de aceitar o amor fácil,  não teria tempo de aproveitar a tão recente solidão que lhe crescia e à qual, pouco a pouco, afeiçoava-se.  Não saberia, então, a borboleta que era. Por isso foi tão feliz na dor da despedida. Sabia: nada mais que uma noite. O resto do tempo era dela. Inteiramente dela. “Velha, pois sim. De tanto tempo de vida, sou mais menina que antes.” E foi-se em espiral no vôo do riso livre. Borboleta.

 

Carla Jaia
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Kikas o seu texto  que começa com:

Acho a maior graça. Tomate previne isso' date='cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Também não é de LFV!!
Idéia original: Martha Medeiros, (provavelmente divulgado com enxertos).

Uma dica: Antes de publicar um texto como sendo de LFV é bom verificar a fonte primeiro.
[/quote'] 

 

Isso é incrivel mesmo, há 'trocentos' artigos por net a fora que são creditados erroneamente para o Verissimo...07
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Não sei se o texto cabe na proposta do tópico (qquer coisa edito)

 

MAL EXISTE? <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Alemanha, Inicio do século 20.
Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta:
- Deus criou tudo o que existe?
- Sim, Ele criou - Um aluno respondeu valentemente:

Disse o professor: - “Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal?  Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?
O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, por ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse:

-  Posso fazer uma pergunta, professor? ”
- Lógico”, foi a resposta do professor.
- Professor, o frio existe? – pergunta o aluno.
- Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio
?


O rapaz respondeu:” De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia.
O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor

E, existe a escuridão? “, continuou o estudante.
Existe”- respondeu o professor .


O estudante respondeu: “Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. ”
A luz pode-se estudar, a escuridão não! Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?
Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente
.

- Senhor, o mal existe? -  o jovem perguntou ao professor
O professor respondeu: “Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal.

- O mal não existe! -  o estudante respondeu -  pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem.


”É o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. O mal não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.

Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?
- Albert Einstein - respondeu.

MariaShy2010-04-21 09:01:15
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  • 3 weeks later...

Luis Fernando Verissimo: Acolchoado

Você sabe que o assento da privada no lavabo da Celinha é acolchoado? E não só isso. O acolchoado é zebrado

 

– Nem te conto...

– O quê?

(O casal estava no carro, voltando de uma festa na casa de amigos. Marjori e Mário Luiz, idade entre 35 e 40 anos, classe B, B e meio, por aí.)

– Eu fui no banheiro...

– Eu vi.

– Você viu? Você passa o tempo todo me cuidando, Mário Luiz?

– Não, Marjori. Você tinha bebido, e eu achei que você estivesse passando mal.

– Eu quase não bebi e não estava passando mal. Fui fazer xixi.

– Está bem, está bem. O que você ia contar?

– Eu estava perfeitamente sóbria. Aliás, acho que era a única pessoa sóbria na festa.

– Está certo! Agora conta.

– Você sabe que o assento da privada no lavabo da Celinha é acolchoado?

– Acolchoado?

– E não só isso. O acolchoado é zebrado.

– Como, zebrado?

– Zebrado! O tecido que cobre o acolchoado tem um padrão de zebra. Preto e branco.

– E daí?

– Como "e daí", Mário Luiz? O que é que isso te diz?

– Não me diz nada. Acho até bem bolado. Não há razão pra gente não ficar confortável quando...

– Mário Luiz! Era no lavabo. Se fosse no banheiro da suíte deles, vá lá. Não me interessa o que a Celinha e o Germano têm no banheiro deles. Mas isso era no lavabo, no banheiro das visitas. A Celinha estava fazendo uma declaração pública. Aquilo é uma mensagem ostensiva da Celinha para quem vai na casa dela.

– Então: uma gentileza dela para as visitas. Pro bumbum das visitas.

– Você não acha um acinte? Quase uma provocação?

– Por quê?

– Francamente, Mário Luiz. Eu me lembro de quando você ficou indignado com o cortador de cabelinho do nariz que a Flávia trouxe da Europa pro Mingão.

– O cortador de cabelinho do nariz era de ouro. O assento da privada é de quê? Espuma? No máximo de espuma.

– E o simbolismo da coisa?

– Simbolismo de quê? Da decadência do Ocidente? Do ponto em que chegou a alienação da elite brasileira? E você não pensou que podia ser kitsch de propósito?

– O que é kitsch de propósito?

– É quando alguém faz alguma coisa como forrar o assento da privada com um acolchoado zebrado sabendo que é kitsch e esperando que os outros entendam que o kitsch é de propósito, e achem graça. Você simplesmente não entendeu o assento da privada da Celinha, Marjori.

– Como você mudou, hein Mário Luiz.

– Eu mudei?

– E pensar que nós nos conhecemos num congresso de estudantes em Cuba.

– Marjori...

– Francamente, Mário Luiz!

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É um pouco longo, mas é lindo!

 

 

Aqueles dois
(História de aparente mediocridade e repressão)

Caio Fernando Abreu


A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.

Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.

Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.

Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.

II

Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.

Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.

Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.

Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.

III

Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.

Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.

Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.

Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.

Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.

IV

Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia, La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.

Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.

Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.

V

Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.

No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.

Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.

Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.

Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.

Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.


 

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já que as pessoas não colocam crônicas eu vou colocar contos. Pode???

O Analista de Bagé


Luis Fernando Verissimo


Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.

— O senhor quer que eu deite logo no divã?

— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.

— Certo, certo. Eu...

— Aceita um mate?

— Um quê? Ah, não. Obrigado.

— Pos desembucha.

— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?

— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.

— Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe

— Outro.

— Outro?

— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.

— E o senhor acha...

— Eu acho uma pôca vergonha.

— Mas...

— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

~//~

Contam que outra vez um casal pediu para consultar, juntos, o analista de Bagé. Ele, a princípio, não achou muito ortodoxo.

— Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira... Mas acabou concordando.

— Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê! . Qual é o causo?

— Bem — disse o home — é que nós tivemos um desentendimento...

— Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?

— Eu não meti a espora. Não é, meu bem?

— Não fala comigo!

— Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.

— Ela tem um problema de carência afetiva...

— Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.

— Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento porque ela tem procurado experiências extraconjugais e...

— Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?

— Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?

— Ela tá procurando o verdadeiro tu nos outros?

— O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.

— Mas isto tá ficando mais enrolado que lingüiça de venda. Te deita no pelego.

— Eu?

— Ela. Tu espera na salinha.


Texto extraído do livro "O gigolô das palavras", L&PM Editores – Porto Alegre, 1982, pág. 78.

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  • 2 months later...

                       EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!


Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,

Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,

É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.

Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!

"Para conquistarmos algo na vida não é necessário, apenas, força ou talento; é preciso, acima de tudo, ter vivido um grande amor"

Arnaldo Jabor

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  • 3 weeks later...

Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.

 

Já fiz coisas por impulso.

Já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger do mundo.

Já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.

 

Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, “quebrei a cara por muitas vezes”.

Já chorei ouvindo musica e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso.

Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!

Mas vivi! E ainda vivo!

 

Não passo pela vida... e você também não deveria passar!

 

Viva!!! Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia,

porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante”.

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