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Forum Cinema em Cena

Takashi Miike


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Acho que consegui evitar spoilers.

 

 

 

 

 

As cenas iniciais já dão o tom: melancolia, tristeza e solidão. Esses

sentimentos farão parte da vida de Aoyama depois da morte de sua

esposa, mesmo com a companhia de seu filho, e isso é de fácil

percepção. A relação dos dois é amistosa e agradável, mas não calorosa.

Perceba, por exemplo, que nem sempre os dois dividem a mesa do jantar,

mas sempre se preocupam com a alimentação do outro. A casa é um

silêncio só - pai e filho não costumam bater aqueles bons papos, mas é

visível que se preocupam com suas relações perante outras pessoas. É em

meio a esse cenário desanimador que surge a idéia: "você deveria se

casar novamente, pai".

 

 

 

 

 

Aoyama reflete, pensa e chega à conclusão de que esse é o correto a

fazer. Ele é um bom homem, bem sucedido, com uma considerável eduacação

e um ar de gentelman. Não quer nada demais, apenas alguma moça que o

faça feliz e passe longe da futilidade mundana, tenha o seu próprio

charme: dance, toque piano, cante, etc. Pelo que é mostrado por Miike,

será uma tarefa difícil, ele vive em um mundo moderno completamente

incomunicável e só. O filme acaba sendo, dentre outras coisas, um

estudo sobre a solidão, sobre como você pode sair dessa.

 

 

 

 

 

Nesse momento, um amigo lhe dá uma idéia que é, no mínimo,

interessante: fazer uso de uma audição para encontrar uma atriz para um

filme. Não apenas isso, ele vai mais além: as candidatas também serão

avaliadas por Aoyama, só que por outro aspecto. É nesse processo que

ele acaba se apaixonando por uma meiga e triste menina que o atraiu

principalmente por alguns traumas que compartilham: ambos são tristes,

sozinhos (de certa forma) e sofreram uma perda muito grande no passado.

 

 

 

 

 

Pronto, Miike acaba de montar o cenário e parece pronto para começar a

brincar de cinema, brincar com as imagens dos personagens -

convenhamos, a idéia do encontro (o estopim de tudo) se tornar possível

graças ao cinema, a arte das imagens, não é nada menos do que genial -

onde nada parece ser o que é. E isso nos começa a ser mostrado aos

poucos, seja quando vemos Asami (a jovem) no seu quarto, seja quando

começamos a perceber que ela esconde algum mistério, ou até mesmo

quando vimos aquele saco bizarro.

 

 

 

 

 

Daí pra frente é horror puro, começando lentamente - o ritmo é lento,

perfeito - pelo psicológico, passando por  um cilma que sobrecarrega o

filme tornando tudo insustentavelmente sinistro, chegando ao ponto de

deslanchar de vez no que alguns chamam de "terceiro ato". Aí sim temos

terror, daqueles insuportáveis, que te fazem contorcer na poltrona,

juntar os dentes, ficar aflito, se recolher a um canto e espiar de rabo

de olho, arregalar os olhos e, vez ou outra, passar a mão no rosto com

firmeza só para saber se você não está, assim como o personagem, numa

daquelas sequências surreais. É agoniante. A coisa é tão absurda que

quando alguém acaba desmaiando e tendo um delírio, você até sente um

pouco de alívio.

 

 

 

 

 

Mas não se engane, essa é a arte do diretor, que desde o início brinca

com o cinema, brinca com a imagem. Logo você é transportado para a

realidade (dentro do filme, logicamente), para o horror. Você geme e

torce para que essa coisa acabe logo. Consegue até mesmo pronunciar em

alto e bom som um desesperado "Miike desagraçado, filho de uma puta". Você fica

boquiaberto e sente enjôo, a sensação é a de que um troço pode te

ocorrer a qualquer hora. O filme é foda, é terrível, é como se ele te desse um soco na pleura. Falta ar.

 

 

 

 

 

Acaba a sessão e você ainda está zonzo, desnorteado. Se já não bastasse

aquelas cenas fortes para te deixar fora do ar por um bom tempo, você

ainda precisa parar e refletir, pois algumas pontas ficaram soltas.

Você se identifica com o protagonista, mas no fim acaba duvidando de

suas reais motivações. E é aí que um certo mistério fica no ar, fixando

na sua cabeça o que você acabou de presenciar. Ou melhor, testemunhar.

A tortura se agarra ao espectador e não o larga mais. É para sempre.

 

 

 

 

 

Isso sim é o que eu chamo de experiência. Respira, 1, 2, 3... Ufa!

Kakashi2006-10-19 15:08:56

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Um thanks pela crítica, posso postá-la lá no armazem? Pena que os filmes de Miike são ainda inacessíveis para boa parte dos cinéfilos...

 

[/quote']

 

É verdade. Eu mesmo ainda não consegui ver algum filme do Miike em nenhum lugar. E como não tenho nenhum Kazaa ou Emule da vida....
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Um thanks pela crítica, posso postá-la lá no armazem? Pena que os filmes de Miike são ainda inacessíveis para boa parte dos cinéfilos...

 

[/quote']

 

Obrigado. Pode sim, sem problemas.

 

Eu sempre tive curiosidade com relação ao cinema do Miike, e aproveitei o clima que se apossou do fórum nesses 19 dias de horror para dar uma conferida em Audition. Um baita filme. Fiquei ainda mais curioso e é infelizmente como você disse: os filmes são um tanto inacessíveis. Hoje, por sorte, acabei encontrando numa locadora qualquer da vida um DVD de Imprint, também do Miike. Deve ser a única coisa do cara que tenha sido lançada DVD no Brasil.

 

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Opa, depois passo aqui com mais atenção e faço um apanhado geral do que vi, os que prefiro, o que não gosto em Miike, o que gosto, etc. O Scofield também viu muita coisa.

 

Enfim, o Miike é prolífico pra caralho, então "quase tudo" é um baita exagero. 05 Até o momento, considero "Audition" a obra-prima desse bloody japa.

 

Depois dele, acho que "Ichi the Killer" é também obrigatório´- e o Ichi do título nem é o personagem mais interessante, ou talvez seja, mas por um lado estranhamento cômico-patético.

 

E mais depois ainda, "The Happines of the Katakuris", uma refilmagem de "The Quiet Family", filminho mais ou menos do diretor de "A Tale of Two Sisters". Pois bem: "Katakuris" é muito melhor - é simplesmente um remake MUSICAL do original. Miike fazendo MUSICAL, uma coisa meio insana, hilária (o primeiro número é inesquecível), sobre uma família que começa um negócio de hospedagem, mas seus hóspedes vão morrendo e eles tem de se livrar dos corpos. Talvez seja um pouco longo demais, mas, nossa, é uma das coisas que você precisa ver pra ter o prazer de falar "Eu vi ISSO!".
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Takashi Miike é um dos melhores diretores de cinema do tão chamado gênero de horror.

 

Amo Audition, a cena de tortura é sublime, o filme é maravilhoso, poesia com horror, é divino.

 

Não gosto muito do One missed call dele, pois se parece muito com o Chamado e O grito, que são melhores que esse (O chamado americano, e o Grito japônes).

 

Adorei Imprint, só que achei que com essa cena de tortura ele queria impressionar muito, e conseguiu 05, muito foda.
Monster2006-10-19 00:42:00
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Eu fiquei pensando sobre Imprint nessa manhã. É incrível como ele cresce cada vez mais em minha cabeça. Se não é uma obra-prima, chega bem perto disso. O filme é intrigante e assustador, tanto nas imagens estória e construção de personagens. Dá para ficar discutindo por vários dias essa coisinha horripilante e maravilhosa.

 

PS: vou mudar o título do tópico para Takashi Miike.

 

 

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Oba, um tópico sobre Takashi Miike..foi bem legal a expansão do ótimo Audition para se transformar em uma discussão geral sobre o diretor.

Depois eu comento sobre os filmes, mas dele já vi:

 

Audition

The City of Lost Souls (esquisitíssimo com trechos no Brasil)

Gozu

Izo

Koshônin (a estória muda completamente do meio pra frente)

One Missed Call

Three Extremes (ele tem um dos contos)

Bizita Q (ou Visitor Q)

Ichi The Killer

Full Metal Yakuza

 

Estou louco pra ver Imprint e vários outros..depois comento sobre os que vi.

 

 

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Takashi Miike, não vi muita coisa dele, mas o que vi já da pra chamar de MESTRE!!

 

Sei que é meio clichê, mas não tem como evitar: É praticamente um David Linch nipônico

 

Audition é simplesmente um clássico. É a mais perfeita mistura de drama com horror que já vi. O ritmo é lento, a tensão vai aumentando até o insuportável. Quem não fechou nem um pouco os olhos no final do filme só pode estar morto.

 

Depois que acabou o filme eu virei pra minha mulher e disse: " Agora eu sei como tu te sentiu vendo Irresistível."

 

Spoiler:

 

E a cena que ela dá de comer para o cara do saco!!!1314
emadeira2006-10-20 19:45:55
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  • 1 year later...

Kathakuri-ke no Kôfuku (aka: Happiness of Katakuris - Miike, 2001) smiley10smiley10smiley107,4/10    Top 250   Intermediary   Bottom 42

Tentar assistir a qualquer um dos filmes de Miike sem mente aberta para uma abordagem incomum e totalmente original é besteira.

Em

Happiness of Katakuris, a exploração do bizarro e a contenção da tensão

pelo humor funciona de forma muito diferente de tudo que já tivemos a

oportunidade de ver...e funciona bem pra caramba.

A princípio, você

vai achar que está diante de um samba do crioulo doido. E enfatizo que

a estória simples não é capaz de explicar o quanto: Aqui temos uma

família japonesa que possui uma espécie de pousada ou hotel perto das

montanhas. No entanto não estão com muita sorte. Não há hóspedes novos

há algum tempo e eles começam a perder as esperanças.

Até que alguém

aparece e se hospeda. No entanto, o bizarro senhor, se suicida de

madrugada. E também os próximos hóspedes, que chegam um a um no local.

Naturalmente

a estória é o de menos. Abusando de criatividade e de animações, Miike

propõe um universo onde o horror e a comédia se unem ao trágico e

compõem algo diferente, amorfo, mas que proporciona de certa forma algo

positivo.

Música, sorrisos e comédia se superpõem a um cenário onde

a morte é encarada como algo comum, parte do processo de seleção

natural. Então pra que chorar? Vamos sorrir e entrar no clima e, pra

isso, vale até convidar os mortos vivos também!

 

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  • 3 weeks later...

Filmes do Takashi Miike já lançados oficialmente em DVD no Brasil:

 

Ichi the Killer -  O qual eu considero sua maior obra prima

 

Ligação Perdida - Sai do padrão sádico e escatalógico de sua produção, é mais um terror sobrenatural na linha de "O chamado" que pra variar ganhou um remake americano (e por isso está tendo o DVD lançado aqui).

 

Dead Or Alive 1 e 2, clássicos...

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