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Forum Cinema em Cena

Gustavo Adler

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  1. Desculpa, soto Mas a grande parte das criticas foi machismo, racismo e mimo sim. Os atores foram muito bem escolhidos, a protagonista não foi colocada de forma mal feita, muito pelo contrário. A triologia tem suas falhas, mas não as que os fãs racistas retardados apontavaram; Fizeram muito bem os diretores do GoT em pular fora, quem é que precisa de fãs racistas e retardados enchendo o seu saco? eles que vão pra puta que pariu
  2. Comigo acho que o encanto se dava pela ingenuidade de ver um mundoo novo, a força, o mistério da força e tudo o mais. Agora,, hoje com tantos filmes e histórias sobre novos mundos, etc, e com a mega exposição da franquia e também com a maturidade de perceber que toda a criação do starwars (mesmo os personagens criados) são com base na realidade, tipo, a forma dos bichos segue o que conhecemos no mundo que vivemos (não estou criticando, pois não tem como nós criarmos algo para além do que experimentamos)... isso acaba exigindo mais da franquia pra ser cativante. Só que, no fim, acaba que a franquia mais se vale da magia que ela criou do que tentar abordar outra experiencia pra tentar cativar (e não falo de um filme com roteiro mais inovador ou edição ou direção, falo mesmo de outros temas, outros assuntos que a saga pode abordar, sei lá). Eu também gostei do ep VII e VIII, mas, sei lá, pra mim foi só mais um. Situação parecida está acontecenndo comigo com relação aos filmes de herói.
  3. Comigo eu acho que SW tá banalizado. Nada que tá vindo dele mexe comigo mais, estou meio apático a essa franquia. Nem mesmo duelo de sabres se torna algo relevante. E esse retorno de palpatine, que brega isso heim? Seria genial se Kyle fosse, sem perceber, resultado de um plano de treinamento montado por Palpatine para que outros pudessem tentar continuar o que o Palpatine tentou. Ou o Snoke, mas isso? Parece que o unico problema do universo é o malvadão do Palpatine
  4. Mas o filme todo é assim, tanto a construção das cenas, a construção do personagem, a construção do treinamento (percebe que o treinamento a imagem que da é de que são pessoas dedicadas que tem que treinar arduamente e ter disciplina? nunca abordando como um ambiente opressor mas sim como ócios do oficio. As cenas que mostram o comandante ralhando com seus comdandados é sempre numa justificativa de que o trabalho é árduo e precisa estar preparado se não pede pra sair, mas nunca aborda a questão da policia ser treinada em uma lógica de guerra, os soldados serem treinados a tratar seu próprio povo como inimigos a serem eliminados, isso é dado como natural, como se fosse natural que surgissem pessoas que precisariam ser abatidas, que seriam inimigas do bem. E percebe como essa visão se encaixa na conduta policial durante suas ações nas comunidades). A minha opinião é que o tráfico ilegal É o sistema (tem um jornalista italiano que denunciou a márfia italiana que lançou um livro denunciando que o tráfico de cocaina que sustentou todo o crescimento econômico ocidental). Mas o primeiro filme não trata como sendo o sistema e nem como parte, e o segundo: Sim, mas isso no Tropa 2 e pecebe que ele trata como um sistema fechado? o governador corrupto, o marfioso, a policia corrupta. A discussão não passa de bandidos com poder de márfia que é capaz de financiar a carreira de um político e subornar alguns policiais. A discussão nunca nem ao menos se permite usar pra deixar em aberto que talvez todo o modelo de sociedade moderna tenha em sua natureza algo que de condições pra esses fenômenos e nem mesmo que esses fenômenos seja o sistema de forma mais escancarada. Sei lá, a impressão que eu tenho é que o Padilha é o Clint Eastwood brasileiro(me veio a mente aquele filme dele cuja a atriz principal é a Angelina Jolie). Mas ai nem a hq e nem o filme tratam como vilão, como alguém a serviço da mídia. Em nenhum momento da aparição do Murray ele fala pela empresa que o contratou, em nenhum momento ele fala o que a sua empresa quer que ele diga, em nenhum momento pareceu que o personagem estava atendendo uma ordem, etc. E em nenhum momento o personagem exercendo sua profissão trata o Arthur mal de uma forma que pareça atípico do trabalho normal e que se espera de um comediante como ele (é só lembrar do Jô Soares. Pra ter uma ideia, o Murray nem chega aos pés de ser tão cartunesco como aquele comediante escroto que me esqueci o nome e nem faço questão de lembrar, que foi processado por uma piada escrota contra a profissão de doadora de leite materno). Sim, mas nem tudo que é resutado (negativo) do sistema é anti sistema, e o Coringa é resultado negativo mas que não é anti-sistema. Brecha a gente pode ver, porque arte é isso. Mas a forma com que foi abordado os antagonistas, mais uma vez, repito, as pessoas com que o Capitão Nascimento combatia eram sempre tratados como necessário combater como um inimigo, um mal, e não como um ser humano. O capitão nascimento e sua função como agente que perseguia e combatia o crime como algo positivo e necessário. O que acho que de fato o Padilha fez foi tentar criar um choque para a abordagem que, pra ele, ao meu ver, era exagerada, só isso. Agora poucos dos quais o Coringa combatia eram coisas que pareciam humanas mas que eram más e que se fazia necessário combate-las. Nem os policiais, talvez os playboys, mas ainda sim, ali foi mais uma ação de reflexo, um resultado inexperado suas mortes do que algo desejado. E sobre o Onibus 174, bem, realmente parece uma coisa meio esquisito esse filme ser do mesmo diretor do 174, mas eu vi a muito tempo, não me lembro muito bem, mas me parece claramente a visão de alguém que vê os problemas mas não quer ou não sabe se aprofundar, se radicalizar neles Massa, você me deu uma boa oportunidade de como no Filme de Tropa de elite os antagonistas do personagem principal não dá muita dúvida de que precisam ser combatidas. Primeiro é importante salientar que nada do filme aponta como o personagem Wayne sendo hostil e sim a figura. Tipo, o Wayne não faz nenhuma ação ou atitude realmente anti-ética. Não expressa nenhuma opinião de querer o mal para o outro e suas ações não apontam para isso, até mesmo apontam pro sentido contrário. Agora sua figura sim, é hostíl, hostil a indiferença que ele tem (sem saber que tem) ao que passa a mãe e o Arthur, é repugnante essa pretensão de querer salvar pessoas e Gotham como se a vida dos outros fossem cachorros abandonados que precisam de um lar, vamos adotar.... Mas em nenhum momento o Wayne verbaliza ou se comporta a confirmar o que a ponta essa figura, como, por exemplo, a de fazer caridades para cuidar de pessoas carentes que precisam do seu cuidado. Sim, ele tem ongs filantrópicas, mas pessoalmente você não encontra nenhuma ação dele que possa apontar racionalmente: "ali, olha como ele é escroto" Agora compara com o Tropa de elite 1, me diz um antagonista do policial que você pode dizer que: "olha, aquele ali pode ser uma boa criança que está sendo torturada, talvez um estudante que tá precisando pagar a passagem pra ir a escola" ou "um jovem que vende drogas a varejo que poderia tar vendendo qualquer outra coisa e que isso não necessariamente o faz ser uma pessoa ruim". Não, ali ou são pessoas com má intenções FOREVER ou são pessoas que são, no mínimo, cumplices safadas. E a ação do Capitão e do Matias era de ou exageradas mas que é preciso ou exageradas que deveria ser evitadas, mas nunca se quer questionam se a policia deveria mesmo combater esses jovens. É sempre em tom de afirmação mas denunciando a forma abusiva. E percebe que enquanto o Coringa é muito mais aberto a você ver o Wayne como uma boa pessoa ou uma má pessoa, já que nos Tropa de Elite essa abertura é muito mais estreita? Bem, no primeiro filme eu só vejo o Matias como ascenção de um herói abusivo, vamos dizer assim. E sim, de fato é uma vingança e o filme trata meio com tom melancólico esse reinicio do ciclo de violência. Eu concordo que ele trata a questão com dor e tristeza, e usa o Matias pra mostrar isso, uma boa pessoa de boas intenções que, no fim, se ve fazendo os mesmos abusos e agindo por vingança pra combater o mal. Mas em nenhum momento o filme da abertura pra questionar a policia, a missão, a função do que eles estão fazendo ali. O Matias nunca, nunca em tempo algum (nem mesmo quando está em um ambiente onde toca a música policia dos titãs, e detalhe, que ao meu ver, essa inserção da música no filme é meio que um deboche a próprio sentido da música) é uma figura que questiona o papel da polícia e se essas pessoas devem realmente ser combatidas. O segundo, sim, vai procurar questionar se outras além dessas devem ser combatidas de fato, que esses é apenas uma estrutura. Mas de novo, sem questionar a função da polícia e sua atuação, e trata a milícia como um erro da polícia e não parte natural mas exagerada e sem medo de se expor de uma estrutura opressiva que treina seus funcionários a lerem o mundo sob essa ótica. Eu percebi também esse didatismo, mas não me incomodou. Inclusive essa cena dos garotos roubando o cartaz e chutando o Coringa me pareceu até a reforçar o carater cartunesco que o Questão aponta que o filme da pros seus antagonistas. Ali parecia mesmo que os garotos eram otários sádicos. Mas nem considero um pecadilho, considero como parte estrutural dos filmes de hoje, dentro do contexto de filme entretenimento do qual os filmes estão inseridos. E achei meio que orgânico
  5. Mas o filme percebe. Os bandidos são melindrosos, apanham e ainda sim tentam não confessar seus erros, e no fim confessam e dão a informação que os policiais queriam. Mensagem da cena: o muleque era um bandido que queria a todos os custos escapar da lei e graças ao rigor e determinação do policial (e isso tudo está na construção do personagem no filme) em fazer tudo o que for preciso pra que a justiça seja feita e seja punido os culpados, é que o bandido confessou seu crime e delatou seus parceiros de crime. Como disse, de a pessoa huma história e contextos em determinados pontos e você vai ver as opções de escolha que cada pessoa tem em cada determinado contexto nos momentos de sua história de vida. O filme Coringa julgou, e julgou ao meu ver que todos nós podemeríamos está ali, sendo um Coringa, dado determinado tipo de história de vida, determinado momento e contexto pelo qual aquele momento se insere, TODOS, inclusíve Gordon. Mas atenção para a palavra poderíamos, pois é isso que o filme julga. O filme não julga que IRIAMOS ser o Coringa. E é ai que você se equivoca ao achar que a questão de um adolescente escolher só roubar ao invés de matar depois de roubar é uma evidência de que nem todo mundo poderia ser um coringa. Porque poderia é um verbo que indica probabilidade e não certeza. Mesmo com toda as condições da pessoa ser Coringa, ela pode muito bem não ser, mas se você pegar uma quantidade de 100 pessoas, te garanto que mais de 50% delas seria um Coringa. Ou seja, o fato de uma ou outra pessoa não ter sido Coringa ainda não é a exclui do fato de que ela poderia ter sido um, só não foi por uma escolha ou escolhas idiossincráticas de sua personalidade, de seu momento, de seu temperamento, de sua crença... que distoaram do padrão. Entenda, a questão aqui não é a pessoa, não é persnoficar o problema. É claro que as estatísticas e o que o filme diz que qualquer um PODERIA ser um Coringa não é personificando a questão, mas entendendo o efeito da sociedade, da forma como a sociedade está estruturada, no fato social - como revelou Durkheim. Embora o filme todo seja um estudo da personalidade do Coringa, na verdade, o estudo da personalidade do Coringa como ferramenta de, também revelar, os fatores sociais que podem levar um ser humano a uma condição extrema a ponto de encarnar em toda a sua personalidade um comportamento que é apenas uma das tantos outros aspectos do comportamento que fazem parte da espécie humana. E sobre se por dinheiro, por fama, por aceitação, admiração, ascensão social, ou satisfação pessoal devido a alguma apego estético ou simbólico com essa personificação (que mais uma vez, é reflexo indireto dos fatores antes mencionado, admiração, ascensão social), essa personificação da pessoa é uma conduta como proposta de toda a sua identidade, como função social e como imagem de si mesmo e de como os outros reconhecerão essa imagem de si mesmo. Algins escolhem a identificação com o crime por ascensão ou aquisição de bens materiais e poder social, outros, muito influenciado por um meio social que cobra isso, por satisfação social, porque ali se sentem realizados, se sentem "macacos alfas" de seu próprio mundo. Então, que contra ponto heim? Matias é um policial honesto que basicamente, faz as mesmas coisas do Capitão. Mata, tortura, rotula, criminaliza, persegue, gentrifica, genocida... Percebe? Justamente por representar um exemplo de policial correto, a figura do Matias é um elogio a conduta da PM, é dizer que a PM faz o que faz porque é o que tem que fazer, e coloca as excentricidades do Capitão Nascimento como resultado de seus problemas pessoais. O filme não coloca o Murray como Avatar. O Murrey é um profissional da comédia, que fala por si e ele só representa a mídia porque é um funcionário da mídia e porque é o tipo de conduta de comediantes que mais a mídia tende a escolher para ser ancora de seus programas. Que sistema, Questão? bandidagem não é o sistema, ele só vai tratar da bandidagem como infiltrada (e não como parte, nem como inerente e muito menos como sendo o sistema) no Tropa de Elite 2 O primeiro é um combate a quem se desvia do sistema, simples assim. Esse é o erro dos conservadores e incels, achar que policia é anti-sistema, e que sair matando grupos representantes de minorias politicas é ser anti - sistema (quando na verdade, é base do próprio sistema ou fruto da base que o próprio sistema se vale como justificativa) A policia do Padilha nunca foi anti-sistema, nuuunca foi anti-sistema. E nem o Coringa. O Coringa (personagem construido após o Arthru surtar, como resultado do surto) foi resultado (indireto, pois o resultado direto foi o surto do personagem, dai o que resultasse desse surto é imprevisivel, e é isso que se tornou o Coringa, um resultado imprevisível do surto) do sistema, e não um anti-sistema. Onde é que o pai do Batman é hostil? Ele deu um tapa no Coringa porque o Coringa foi lá incomoda-lo. O Wayne pode muito bem ser um doce e uma pessoa amável e delicada, o fato dele ter sido "hostíl" com o Coringa não o faz ser uma pessoa hostíl, mas sim que o cara vem de um mundo completamente diferente da do Arthur e, portanto, não é capaz de entender, prever e, portanto, criar alguma simpatia ou empatia com aquele mundo do qual o Arthur é resultado, ou mesmo com a pessoa Arthur (que ele nem conhecia, era completamente indiferente, e veio esse "mendigo" ir lá incomoda-lo dizendo que era seu filho). Arthur e Wayne vem de mundos completamente distintos, e conflitantes (e o Coringa é resultado do conflito entre esses mundos). Não é spam, é um exemplo prático de que a qualidade de pessoas como Amoedo e Wayne é indiferente para o fato de que as estruturas sociais que permitiram eles terem a história de vida que tiveram e assim serem o que são como figura sociais, oportunidades e propostas dependem de que o outro mundo exista, de que um mundo de pessoas servis e com condições precarizadas. E Wayne será indiferente ao outro mundo, e toda proposta que vem deles para com os que vem desse outro mundo será indiferente a esse mundo. Será "um ato de solidariedade", no máximo. O filme do Coringa trata os Wayne como indiferente, mas trata a classe e a estrutura como indiferente (e justamente a questão do Wayne não ser pai dele e a mãe do Wayne ser uma pessoa surtada só deixa mais claro que o Wayne não é um fdp indiferente, que ele não abandonou a mãe do Arthur por ser indiferente, ele como pessoa, como carater. O Wayne não soube como lidar com os problemas que a mãe a aprensetava e a demitiu, ou a levou ao tratamento acreditando ser essa a melhor coisa a fazer, porque ele está preso nesse paradigma, está preso em seu mundo. Para ele, o mundo certo é o mundo em que ele vive, pessoas normais e corretas são qualidades proveniente do mundo dele, que ele aprendeu a reconhecer como normais e corretas). A qualidade do filme está justamente ai, em contar a história de uma pessoa, de um personagem, e de sua interação com os demais personagens, demais pessoas, sem personificar (ou de ir além de personificar) os problemas e fenômenos que resultaram naquela história e presentes naquela história. Macho, você está sendo seletivo. A classe média que ve a polícia como corrupta é uma, a classe média que ve como opressora é outra E É MINORIA. A classe média que o filme retrata é a minoria, é a classe média media alta da PUC que teve a oportunidade de dedicar suas vidas no estudo das relações e estruturas sociais e, portanto, consegue ter uma visão (não profunda, sua bolha não permite) do que é a polícia. A classe média em geral venera a policia e ve como autoridade. E muitos dessas também vê a polícia como entidade corrupta, mas isso elas tratam (como todos que veneram esse modelo de mercado) a questão como se fosse uma questão pessoa, personifica o problema. Todas elas acham a polícia como uma autoridade que deve ser respeitada e por isso não deve ser corrupta, acha que deve ser mais valorizada pelo estado e pela sociedade de forma que seja mais gratificante e incentivante o que eles definem como boa prática policial. E o filme do Padilha define as práticas policiais como honestas, não como corruptas. E abordam a imagem de policia dessa visão da maioria da classe média. E, sim, a periferia em grande parte ve a polícia como opressora, e diferentemente da minoria da classe média que teve a oportunidade de estudar a sociedade, com profundidade. Mas tem uma grande parcela das pessoas que fazem parte da classe social que são alvos da opressão policial que também vê a polícia como autoridade e valor acima de tudo. E muitos, inclusive, SONHAM em ser policial e matar bandidos (muitos são seus vizinhos e até amigos de infância, por mais irônico que posa parecer). Errata: tem as classes médias que usam entorpecentes e que tem uma chance maior, pouco mas tem, de serem abordadas pela polícia. Mas normalmente elas também se encaixam no grupo de pessoas esclarecidas a respeito das estruturas sociais (ou de certos aspectos delas). Mas enfim, lógico que há muitos sub grupos e grupos dentro de cada classe e que muitos verão a polícia como ferramenta opressora e muitos verão como autoridade a ser respeitada. Digo que a ideia "oficial" da classe média é a da policia como autoridade.
  6. Sim, nem todo mundo vai se corromper e quebrar diande das dificuldades, mas todo mundo tem sua história, e quando se torna parte do todo mundo já vem com a sua história. Por exemplo, Gordon na Piada Mortal, não cedeu a loucura, mas ali além de ele já ser parte de todo mundo, já ter sido resultado de uma história, a história dele já estava estabelecida, ele já era um adulto com suas definições de mundo bem consolidadas. Mas põe Gordon em uma história em que a escolha seja ganhar dinheiro matando o outro ou se matando aos poucos por migalha? a maioria vai escolher a segunda opção (a maioria da periferia brasileira escolhe a segunda opção), mas pega dentro do contexto da períferia algumas histórias, alguns contextos em desenvolvimento, ou já desenvolvidos, e você verá que dentro desse contexto, a escolha para a primeira opção se torna mais provável (e aparentemente a mais lógica a se tomar). Há estudos que revelam que as crianças adolescentes e adultos de periferia que entram ou praticam criminalidade como hábito profissão ou estilo de vida, a maioria tem algum histórico pertubador em seu desenvolvimento dentro de um contexto já privativo que é a periferia dos países. Aqui você está lendo as palavras da lei, não a interpretação dela, e muito menos como a nossa sociedade acha que deve ser. Na lei é proibido execução e tortura, porém, ao mesmo tempo perdoa execuções e torturas em determinados contextos, além dos vários mecanismos dispostos na constituição que servem pra dar permissão a matar, torturar, invadir, perseguir, criminalizar grupos, etc (só pra exemplo, tem o já falado abuso de autoridade, morte por resultado do conflito etc). Mas isso não tem nada a ver com o filme Tropa de Elite, ao meu ver. O filme "julga" como bom ou ruin os atos policiais do filme se baseano a constituição, mas sim com base nas compreensões de moral e ética de nossa sociedade (a constituição é a interpretação e a transcrição da compreensão de moral e ética da parte hegemônica do país), e, ao meu ver, querendo ou não, reforça a visão do que é certo da nossa sociedade com base na conduta policial! Esse Coringa é diferente, não me parece reforçar as atitudes do Coringa como boas, pois o ato que ele pratica é ponto passifico na nossa sociedade de ser um ato ruim (diferentemente do policial combatendo bandido que é tomado como ponto pacifico, até por nós, como algo bom), e em nenhum momento é ressaltado as qualidades consideradas boas (pela sociedade que o Padilha conhece muito bem) do personagem como se fosse ligado a profissão, como se fosse uma conduta boa de um bom policial. As qualidades do Coringa é de uma pessoa pertubada e que sua ligação com a profissão de matar é pertubada. O policial não, o policial é rigido, rispido, defende uma concepção moral com base na disciplina e na ordem, e tudo isso está refletido em cada ação de "tortura" da polícia, quando o policial bate em um vagabundo é pra quebrar a postura melidrosa do bandido, em nenhum momento se permite abrir pra uma sensação de que a pessoa possa tar inventando uma culpa pra não ser mais torturada. Ela é torturada porque assim tem que ser, ela não é torturada, ela é tratada com rigor porque é um bandido e como tal vai sempre querer o pior pro policial e pras pessoas de bem. A diferença é que o Coringa não é um herói que vai limpar a sociedade dos corrputos, sujos e não merecedores do sucesso, mas sim uma pessoa com problemas que não aguentou a pressão de seu contexto e surtou fazendo atos horrendos. O Capitão Nascimento não, é um policial honesto que luta pra limpar as ruas e as cidades da bandidagem e que é rigoroso no combate e no tratamento da bandidagem. O padilha trata a tortura policial meio que os ócios do ofício de uma profissão (naturalmente ou não, isso o TE não aborda) horrenda. E assim, até quero acreditar que o Padilha bajulou a policia sem querer, mas ao ver a propaganda que foi a série O Mecanismo (nem vi essa porcaria, mas nem precisa ver pra saber). Sim, mas você tá personalizando algo wque o filme mesmo tratou como social O Murrey não é o mesmo pro Coringa que o bandido é pro Policial (e pro filme Tropas de elite, pus policial pra ressaltar que antes e acima do filme tem a compreensão de policial da sociedade que o filme utiliza quase que ibis litros). O Murrey não faz nenhum ato imoral, não mata, não roube, e nem humilha de fato com esse intuito o Arthur. O Murrey tá mais pra <comediante> fazendo seus ócios do ofício do que realmente se valendo da posição dele pra debochar do Arthur (e não que pessoalmente o Murrey guarde um desprezo e deboche o Arthur, e ele faz, mas tudo dentro das normas da profissão, cumprindo o objetivo da profissão). Os únicos que seriam sinonimos artísticos do bandido do Tropa de Elite seriam os que roubaram o cartáz do Arthur e bateram nele e os playboys que assediaram a moça e bateram nele. Os policiais? ora, os policiais, perto do Capitão nascimento, foram até um anjo. Não há nada no filme do Coringa nesses personagens em si que justifique o ato do Coringa, o que há de justificativa é a estrutura social, será que a função de comediante está sendo bem empregada pelas instituições, pelas normas e diretrizes seguidas pela profissão? Será que o que é entendido como função de comediante é um entendimento justo? será que a função de policial está sendo bem seguida pelas instiuições, pelas normas e diretrizes seguida? Será que o que é entendido como função de policial é um entendimento justo? O filme não aborda isso, mas o resultado disso está presente, que não são exatamente as pessoas, mas o resultado do exercício de suas profissões como elas são concebidas, dentro de uma estrutura socialmente construida. Os policiais do filme do Coringa são corretos e exercem suas profissões de forma correta e honesta Percebe que enquanto no Tropa de Elite o policial carrega a imagem que a sociedade tem dele como uma profissão honrosa e que luta pelo que é certo, já no Coringa diz que não é certo o que o policial foi construido pra lutar por? A questão aqui, ao meu ver, é se o Padilha usou essa imagem de policial que temos como uma forma de escancarar seus horrores, que ao meu ver, se escancarou foi apenas na intensidade. Se a tortura não fosse com um saco na cabeça, mas dando tapas e tirando a roupa em praça pública, certamente essa impressão de policial extrapolando seu poder não estaria tão presente. Mas o filme do Padilha sim personoficia o mito da policia. O Coringa nem personifica o mito do Coringa e nem o mito do policial, do comediante. Talvez ele personifique a vingança contra o sistema. Mas não precisam ser figuras simpáticas. E cá entre nós, paremos de acreditar que Amoedos da vida serão simpáticos a vida da e nas periferias, serão simpáticas as lutas dos trabalhadores em teto e sem terra. Ao meu ver isso é a ilusão do Padilha. O policial é temido por quem é potencialmente um alvo de suas abordagens. Para a classe média em geral e classe baixa que quer ser média, a policia é respeitada e venerada. Não só o público vê como o filme aborda essa visão, se utiliza dela.
  7. Bem, a filha da Sophie é uma criança, logo a mãe pode ter sido assassinada pela memória da Sophie mas a Sophie não sabe quem, e isso pode ser mais uma coisa a enriquecer a trama nas mãos de um bom diretor (e estamos falando de Matt Reeves, que com base na trilogia do planeta dos macacos, me parece que tem competencia pra usar isso de forma muito boa).. Mas tem uma coisa aqui que não me agrada que é o fato de que, no fim, a origem do Batman e da Mulher Gato toda se concentrar no Coringa, dando a ideia de que tudo aconteceu porque o Coringa apareceu, ou porque em um dado momento Gothan estava tão corroida que gerou um problema social do qual gerou o Coringa e a partir dai tudo aconteceu. Acho isso um ponto fraco nesse potencial deixado Exatamente, e eu acho que ele usou a ausência desse contraponto pra justamente provocar em nós esse conflito de se ver torcendo pelo sucesso do personagem quando o sucesso do personagem significa fazer coisas horrendas. Ao meu ver, foi realmente uma brincadeira do diretor pra nos mostrar que qualquer um é um Coringa, que ao ver uma pessoa com os olhos cheio de ódio te assaltando, você pode ser aquela pessoa, aquela pessoa não é um monstro, é um humano, tão quanto você. E sobre a Sophie, eu acho que é uma dubiedade que ele deixa pra deixar multiplas interpretações e que conforme nossa resposta vai reforçar essa ideia de que a gente pode ser o Coringa ou não. Por exemplo, na cena final, após o assassinato do apresentador de TV, a parte em que a multidão salva o Coringa da polícia, foi real ou foi delírio? está em aberto e cabe a você decidir. Se você decidir que foi real, será que decidiu porque você embarcou no desejo de ver o sucesso do personagem? Na hora eu me senti incomodado, porque tava me vendo empolgado em ver a multidão ali e tava sentindo que o filme tava reforçando positivamente a atitude dele, segundos após, parei pra pensar e não achei que tava reforçando mas apenas mostrando como as pessoas são suceptiveis a embarcar nessa loucura, e depois que me dei conta de que pode ser um delírio do personagem é que agora estou parando pra pensar que na verdade, essa escolha que fiz de ter crido na cena de salvamento muito me diz sobre mim mais do que sobre o personagem. Mas ai acho que a alegação de que o filme tropas de elite é fascista procedem, porque toda a ação policial é justificável e valorizada como parte positiva da conduta policial do Capitão. Quando o policial está torturando, a abordagem é de tratar sempre o Capitão Nascimento como um policial rigoroso e disciplinador, e em todas as suas ações criminosas é sempre nesse tom, de um policial rigido e disciplinador que se sujeita aos piores horrores para combater criminosos. A narrativa é sutilmente diferente dessa do Coringa, sutilmente. Os personagens mortos pelo Arthur não são caricaturas como bandidos e tal, tirando os playboys no metro. Fizeram mal ao personagem, é meio que explicável como um ato de vingança, mas ainda sim, tanto o apresentador, como os policiais, são pessoas que estão ali exercendo sua profissão e não parecem demonstrar nenhum traquejo de sadismo ou diversão em ver o Coringa pra baixo (o apresentador está debochando do Arthur assim como debocharia de qualquer outro entrevistado excentrico e periférico, marginalizado. Pega o Jô Soares, por exemplo). E ele mata a MÃE dele, que por mais que tenha, supostamente, torturado ele, ela também sofria com problemas mentais e também foi meio que abusada, supostamente. E enquanto a violação da vida está sob uma ótica da disciplina em cumprir seus objetivos, que são inquestionavelmente valiosos para o filme do Tropas de Elite, no Coringa está sobre sim um desejo de expurgo social, de vingança a um sistema que o marginaliza e o abusa, mas não exatamente as pessoas que ele mata como pessoas ruins, e está sob a ótica de um homem torturado também por suas paranóias e suas loucuras, ou seja, não há qualidades positivas aqui que justifiquem seus atos, o que justifica seus atos são as qualidades negativas da desigualdade e indiferença do sistema, o ato de matar alguém continua sendo algo barbaro. Sim, não digo que o filme do Coringa seja totalmente de não valorizar a atitude dele, pois, ao meu ver, tem muitas escolhas ali que dão essa impressão de que ele está certo e tem que matar mesmo, aqui coloco como principal a escolha do Coringa de matar só o apresentador do programa e não os demais entrevistados e funcionários do programa, e não digo que o filme do Tropa seja fascistóide, porque ainda sim o Capitão Nascimento é um cara pertubado e o filme trata a profissão policial como uma profissão ingrata e que sua conduta fascistóide como um produto indesejado. Mas ainda sim, tenho a impressão que o filme Tropa de elite carrega o imaginário brasileiro de autoridade policial buscando fazer o que é certo dentro de um sistema corrupto.
  8. Essa é a filosofia certa pra se fazer um filme, ao meu ver. Espero que consigam realiza-lo como a filosofia diz
  9. Será, Questão, que é assumir algumas certezas? EU vejo um potencial de assumir que nada é certo e que se trata apenas de uma memória do personagem (nas aparições futuras) e que podem muito bem ser inventadas (e se tu pegar o filme, toda a história pode ser coisa da cabeça dele, só algumas que pode ser verdadeiras). Seria um trabalho muito dificil realmente pros futuros diretores pegarem esse filme e adaptarem pras suas versões de Coringa de forma que deixasse em aberto se a história de sua origem foi essa mesma ou essa foi apenas mais um delírio do personagem, e de explicar como um personagem como esse se torna o Coringa que ele quer abordar ou como esse universo se conecta ao universo que ele aborda. Mas se bem cumprido, acho que esse potencial dará uma dimensão "nunca antes vista na história do Batman pros" filmes que contam com a presença desse potencial deixado por esse Coringa, inclusive da pra fazer uma história do Batman prequel da do TDK assumindo que se trata do mesmo personagem do Heath Ledger, lembrando que o Coringa do Heath já ficava contando infinitas histórias de origens de acordo com sua conveniencia (o Coringa anterior a esse do Ledger pode ser um Coringa que inventa histórias de sua origem porque sua memória é confusa mas ainda não tem consciencia de como usar sua memória confusa pra se beneficiar própriamente disso, tornando ainda um Coringa caótico mas sem controle de suas ações e seus objetivos). E tá aqui uma coisa interessante que essa crítica me levantou no minuto 09:00 pode explicar o porque o filme abordou só as mortes que são justificadas por vingança: E se o filme não quis criar empatia ao personagem ao mostrar só os assassinatos justificados como ato de vingança, mas na verdade, criar esse sentimento a ponto de fazer as pessoas se pegarem torcendo pra que o personagem realize sua vingança e vibrar com ela, quase como se tivesse sentido o gostinho de sangue, como uma ferramenta pra dizer para todos nós que dado determinado contexto e determinado momento desse contexto, todos nós podemos fazer as mesmas atrocidades e ser tão escroto quanto o personagem? Ai sim, o filme não só seria que ser pra adultos como também não indicados pra pessoas susceptíveis a incorporar o personagem em sua conduta de vida. Mas ai gera outra pergunta, qual o limite que separa o filme provocar essa reflexão na gente do filme realmente ser tóxico e defender que a gente deva ter esse comportamento? acho que o filme em nenhum momento demonstra que as ações do Coringa são corretas e que a perturbação do personagem é correto, ele apenas revela a história de vida de uma pessoa que não se identificava e se encaixava na sociedade encontrando na violência um lugar onde ele se sinta confortável pra ser o que ele é. Ou seja, é a história de uma pessoa que não se encontrava e se sentiu realizado no comportamento sádico e niilista, na intensão de destruir tudo e deixar as vísceras expostas. A diferença é que não há nada ali no filme dizendo pra você que aquele comportamento é aprovável e deixando pra que as próprias cenas em si falem do quão desaprovável é esse comportamento, e a escolha de não mostrar os assassinatos sem explicação pode parecer que é pra venerar o ato de vingança do personagem mas na verdade é uma pegadinha pro espectador, convidando-o a ver a justificativa por trás do comportamento caotico dele e dai por diante, o ato de se apegar as ações indefensáveis do personagem é de responsabilidade do espectador, e não do filme, o filme não defende os atos de vingança, mas direciona o espectador a enfrentar esse dilema de, ao saber que seu estado emocional é fruto de um total descrença e desapego do personagem ao mundo a sua volta, se sentir a vontade pra torcer pro sucesso do personagem (e o sucesso do personagem aqui é ele matar e sentir o gosto do sangue). Ao nos fazer ter que decidir torcer pro sucesso do personagem, o diretor está dizendo que se fosse nosso caso de que nosso sucesso dependesse de fazer atos que deveriam ser considerados como impraticáveis, nós estariamos praticando tal ato feliz e realizado.
  10. Puxa, como queria que esse filme funcione pra mim a nível O Iluminado
  11. Eu concordo contigo, acho mesmo que foi uma ferramenta visando ganhar a empatia do público ao protagonista (inclusive, sei lá, não posso afirmar, mas senti que nessa pegada teve alguma influencia da vida de algum momento da vida do diretor, como talvez um momento em que ele queria se firmar como diretor e foi frustrado e dai usou esse filme como uma forma de descarregar esse sentimento entalado na garganta. Sei que é viagem minha, mas essas escolhas e a forma cuidadosa com que ele expõe as intimidades e dores do personagem e como isso o afeta e tal, me pareceu carregar algum teor pessoal, sei lá hahaha) Sim, isso é um efeito pra gerar comoção, mas que na verdade, foi realmente uma falha na escolha, ao meu ver, pois para que gerar comoção a um personagem que, no fim, não pode ter comoção? deve-se entender mas não aprovar, ao meu ver. E o filme parece meio que aprovar a atitude do Coringa. E aqui entra o problema de ser o Coringa, pois se fosse um filme sobre um trabalhador ficcional mas que não o Coringa, ai não vejo tanto problema. O problema é que sendo o Coringa, acaba perdendo a dimensão do inexplicável, pois tudo bem que tenha algum motivo pra sua origem, mas o seu comportamento é inexplicável, na piada mortal, por exemplo. Que ele sofreu abusos da sociedade, ok, mas o resultado é completamente inexplicável e imprevisivel. Porém, considero um pecadilho pois o fato tá lá, ele era meio pertubado, e o filme dá mais indicios de que ele matou por matar a Sophie e a psicóloga do que não matou. Independente do apego que a gente possa criar pela reação dele ao sistema abusador, ele também tinha seus problemas que o filme abordou. Mas o filme realmente deu um posicionamente, me parece que, pois mesmo ele cometendo um ato de violencia aqui outro aculá que possa ser imprevisivel, o núcleo, o cerne e a maioria dos seus atos, e mais, os atos que foram glorificados pela câmera, foram atos muito bem explicados e justificados. Sinceramente, no final do filme, me pareceu que as suspeitas de que o filme possa ser um filme incel tenham muito sentido, não que o filme seja incel, mas ao fazer da loucura do personagem como se fosse um ato de vingança meio que dá a mensagem de que é cool se vingar (e não se enganem achando que o motivo pelo qual há a vingança é importante pra livrar a responsabilidade do filme sobre os acontecimentos, pois dado o contexto, as pessoas frágeis, suscetíveis a serem cooptadas por essa cultura incel, irão pegar essa glamorização da vingança que um filme de sucesso aborda para se encorajar - se encorajar não é se embasar e muito menos criar essa ideia com base nisso - a despeito de qualquer contexto, a despeito da causa e contra quem e o que o personagem surtou). Pois ao meu ver, a perversidade do indivíduo foi abordada, só não foi mostrada. Ele tinha sérios problemas, assumidamente, e teve atitudes absurdamente ruins, como matar a Sophie (ambiguo ou não até mesmo a cena do programa de comédia pode não ter acontecido e sido só um delirio dele). E sobre a perversidade do personagem, até mesmo um psicopata sádico que a ciência demonstrou evidências de que há aparentemente fatores biológicos-genéticos ligados a esse tipo de personalidade é fruto sim do seu desenvolvimento na sociedade, da interação de como ele assimila as coisas na sociedade, dos objetivos que a sociedade lhe coloca, e de como ele reage a isso com base em seus sentimentos que são parte adquiridos por essa interação, parte influenciados por sua biologia. Um sociopata é sociopata por conta da sociedade, isso não há duvidas, mesmo que ele tenha características biológicas ligadas a isso, ele teve esse papel porque a sociedade tem esse papel vago dentro do seu modelo de viver e obter recursos do mundo. A biologia é a argamassa, é a estrutura, e a cultura é o construtor (inconsciente e impessoal), é a mão que vai pegar essa argamassa e fazer dela uma parede ou um piso ou uma mesa ou um vaso. Tanto é que na psicologia é entendido que a profissão de cirurgião é realizada muitas vezes por pessoas que sentem o prazer em cortar e ver alguém sendo cortada, e que esse traço da personalidade foi cooptado pra profissão de cirurgião (mais uma vez, não de forma planejada, mas dentro de uma trajetória de vida das pessoas dentro das oportunidades que elas tinham, uma pessoa que tem a possibilidade de investir na carreira médica de forma fácil e bastante acessível, talvez veja nessa carreira a possibilidade de realizar aquilo que tem como impulso o de ver pessoas sendo cortadas). Então, eu não vejo em nenhuma versão do Coringa a não presença da sociedade, pra mim, o Coringa é fruto da sociedade EM TODAS AS VERSÕES. Só que a diferença é que seu comportamento, no final, extrapola qualquer influência que a sociedade pode ter, e se torna inexplicável. E, repito, mesmo que nesse filme tivesse mostrando o Coringa matando todo mundo, matando a Sophie, por exemplo, ainda sim esse estado era fruto de todo o abuso e descaso e necessidade socialmente construida...(o pessoal que fica travando essa batalha se o criminoso é fruto da sociedade ou dele mesmo não para pra perceber que a necessidade de correr pra ter o seu sustento ou como pagar o seu sustento é uma construção social, ou seja, o criminoso correr pra roubar pra ter dinheiro pra ter uma vida mais confortável é fruto de uma construção social) Como esse filme é um filme de origem, então acho que esse recorte das ações do Coringa se focar somente como resposta a um abuso que ele sofreu seja apenas um pecadilho e não algo que comprometa o personagem para futuras sequencias e muito menos o filme. Então, esse filme pode ser abordado nos filmes futuros só como uma lembrança dos personagens, no caso do Batman uma lembrança vaga mas real, mas no caso do Coringa, pode ser uma coisa parecida com a do Coringa do Heath Ledger que cita várias origens, no caso do Heath era mais uma ferramenta pra causar impacto nas suas vítimas, mas nesse caso, pode ser criações da própria cabeça do Coringa e esse filme pode muito bem ter sido um delírio do Coringa e a aparição do Coringa nos filmes do Batman tratar desse filme como mais um possível delírio ou não, deixar essa dubiedade no ar, mas bem no ar mesmo, de forma que não tenha resposta, tá em aberto (e o fato que você frisou que o ponto de vista do personagem não é confiável é mais uma porta pra ser abordada nas suas aparições subsequentes e que reforçam isso que eu disse). Funciona como Stand alone mas acho muito rico pra ser jogado fora
  12. É verdade, não tinha me atentado pra isso, e esse processo de transformar um personagem para a faixa etária pré - adolescencia. Mas poderia ser abordado como uma lembrança folclórica do coringa mais velho, algo como imagens perdidas e desconexas, e infantilizadas
  13. Realmente, concordo com vocês, o filme esconde os assassinatos sem sentido e isso acho um pecadilho. O filme claramente é uma mensagem de como a pressão da sociedade sobre determinadas pessoas e descaso com seus traumas e suas causas (que vem desde aos traumas da mãe que lhe passando pra forma que a mãe tratava o filho e chegando no filho adulto, com transtornos) resulta em tragédias como policiais matando crianças que vem "do mesmo bairro" que ele, a pessoa vestida de policial, veio, crianças matando e roubando e pondo fogo em outros moradores da comunidade porque não fazem parte da mesma facção... Inclusive, ficou muito explicado uma coisa que tinha me incomodado nos trailers e que parecia reforçar a ideia de culto aos incels, que era a parte com que a população maltratava o Arthur Fleck, como a mãe da criança quando o mesmo brincava com seu filho, e os que roubaram o cartaz do Arthur. Mas vendo o contexto, aquela cidade desigual, sem o menor interesse em cuidar das pessoas (das pessoas incluindo si mesmas) e apenas voltado para o que lhes convenientemente julgavam como moral e modelo de sucesso, ve-se que ali todos meio que são um Arthur Fleck sem as idiossincrasias dele. Por isso que acho que foi um pecadilho, que sim, vai acabar meio que no filme justificando e não explicando, talvez o diretor não quis expor os assassinatos da vizinha e da psicóloga pra não fazer uma Tarantização, banalização dos atos de violência, mas, ao meu ver, acabou por dar uma valorização dos atos de violência como justificativa de todo esse descaso, desprezo e marginalização. Mas é um pecadilho pois esses assassinatos não anulam o fato de que o surto do Arthur é fruto de uma proposta de sociedade que pensa mais no crescimento do que nas pessoas, pois por mais que o Arthur tenha matado pessoas sem justificativa, ele simplesmente mandou o foda-se pra as regras sociais e aplicou exatamente o que o estado e a sociedade (e nisso a responsabilidade recai pesadamente nos mais ricos) faziam com grande parte da população, o foda-se e se tiver a oportunidade, eu piso, seja em quem for. Mas no filme, pareceu mesmo um ato de vingança e não de surto, justamente devido a só mostrar os assassinatos daqueles que foram de alguma, aparentemente, forma responsáveis pela tristeza dele.
  14. Eu concordo com a sua opinião, mas toda vez que leio revolução eu me pergunto: "ué? já tomamos as terras dos latifundiários, os bancos e os meios de produção dos nossos recursos?" Esse filme, isso não quer dizer que os próximos não tenham brinquedos e não sejam filmes com base numa outra atmosfera. Os próximos coringas podem ser loucos, insanos, niilistas, que remetem ao seu passado como uma memória distorida e dúbia (ou seja, pode até fazer com que os coringas sejam continuação mas que até esse filme do phoenix seja uma das possíveis origens do personagem) Exatamente
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