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Caché


-felipe-
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Caché

 

Por

Mário "Fanaticc" Abbade

 

4/5/2006

 

 

poster.jpg

Caché, 2005

 

Áustria/França/Alemanha/Itália

 

Drama/Suspense - 117 min

Direção: Michael Haneke

 

Roteiro: Michael Haneke

 

 

 

Elenco:

Juliette Binoche, Daniel Auteuil, Maurice Bénichou, Annie Girardot,

Bernard Le Coq, Walid Afkir, Daniel Duval, Nathalie Richard, Denis

Podalydès, Aïssa Maïga, Caroline Baehr, Christian Benedetti, Philippe

Besson, Loic Brabant

 

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O diretor austríaco Michael Haneke tem

filmado ultimamente na França e usado em seu elenco os profissionais do

país. Seus filmes costumam ter como personagens a classe média atingida

por algum horror. Ele é um mestre no suspense e na violência abafada,

surda. Grande observador do comportamento humano em situações de crises

extremas e limítrofes. Diferente dos suspenses americanos, sua tensão é

provocada pelo dia-a-dia comum em que as pessoas vivem em situações

cotidianas.

 

Em Caché (2005), a trama é sobre uma família que aparentemente não tem nenhum problema emocional ou financeiro. Georges (Daniel Auteil) e sua esposa (Juliette Binoche)

começam a receber fitas de vídeo com imagens de sua casa e desenhos

sinistros de alguém misterioso que parece conhecê-los muito bem. Devido

ao episódio, o marido reencontra um personagem de sua infância: um

argelino, que se tornou pai e vive em um lugar humilde. Este encontro

irá resultar em uma tragédia que mudará para sempre sua vida e a de sua

família.

 

O filme

começa de uma forma inovadora. Os créditos iniciais são apresentados de

forma contínua como se fossem digitados diretamente na tela. Há uma

imagem ao fundo, que o público logo descobre ser o lar do casal. O

interessante é que, em vários momentos da produção, não se sabe ao

certo se a cena apresentada é do filme ou da filmagem feita pela figura

misteriosa. Esse tipo de informação se mistura com flashes do passado

de George e lembranças antigas. O espectador fica na dúvida se a imagem

é parte da narrativa, como mais um personagem, ou foi colocada para

compor a história.

 

Haneke,

um cineasta autoral, apresenta os elementos que sempre permearam sua

obra: o inevitável efeito que o passado faz no presente, a assombração,

a culpa pessoal ou coletiva, a paranóia criada por uma manifestação

doméstica ou externa e os indivíduos que relutam em aceitar a

responsabilidade por sua própria conduta ou atos. Esses aspectos são

relacionados ao medo e à culpa que qualquer ser humano possa vir a

desenvolver durante a sua existência. Ele tem uma visão sombria,

ambígua e cínica do mundo e isso é refletido em seus filmes.

 

Um outro

lado abordado pelo diretor é a relação entre o povo argelino e o

francês. Eles têm uma história tensa, pois a Argélia foi colônia da

França. A independência aconteceu há apenas 40 anos. Podemos notar a

mesma relação entre os personagens, como também a relação entre o

primeiro e terceiro mundo. O filme é, na verdade, uma alegoria política

das relações inter-raciais. O mais desenvolvido não se preocupa com o

mais necessitado. Só vê e acredita nas suas próprias necessidades.

 

Durante

o desenvolvimento do roteiro, além dos aspectos externos que trazem

desequilíbrio à família, os próprios envolvidos criam situações que

desestabilizam suas vidas. A desconfiança é plantada no seio familiar,

em todas as relações que há nele. Isso faz o público não ter pena dos

indivíduos, pois na verdade ninguém é mostrado como santo. Ao que

parece, a perfeita harmonia existente na família é apenas superficial,

bastando um elemento catalisador para jogar tudo por terra.

 

Caché

tem vários sentidos, alguns literais e outros metafísicos. A câmera

pode significar uma invasão de privacidade na vida de George, mas ao

mesmo tempo pode ser um elemento que irá trazer a luz ao seu passado

para sua esposa e em sua própria consciência. Uma espécie de acerto de

contas, possibilitando-o a enfrentar seus próprios demônios. Tanto que

a última tomada do filme é tão ambígua quanto a última cena em que

George aparece. O público que precisa de um final certinho pode ficar

revoltado, mas isso é o que menos importa nos filmes de Haneke. Seu

principal objetivo é apontar os movimentos emocionais e não

resolvê-los.

 

Já estreiou no Brasil.

 

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  • 2 weeks later...

Por falta de tempo não pude ver MI:III ainda (e pra dizer a verdade nem sei se irei).

 

Por um pouco de preguiça alidada á alguns problemas não fui assistir a tão criticada adaptação de THE DA VINCI CODE (mas devo ir por agora).

 

E por conta de uma viagem nesse fim de semana não fui ainda assistir ao novo X-MEN.

 

Na verdade só fui ao cinema uma vez essa semana, pra ver o filme que demorou a chegar aqui em BH, mas enfim veio. E como valeu a espera!

 

Não é necessário assistir aos outros filmes em cartaz pra ter certeza de que CACHÉ, do diretor austríaco Michael Haneke é o melhor filme em cartaz no país. Se bobear é o melhor que estreou no ano...e um dos melhores dos ultimos anos.

 

Até agora estou atordoado com o filme, o brilhantismo de Haneke, a direção perfeita, as atuações geniais de Binoche e Autieul...mas não consigo tirar da minha cabeça o significado, a idéia do filme. É assustador...dá medo de verdade!

 

Elaborei uma teoria para a motivação do responsável pelo envio das fitas e acho que é bem possível. Mas Haneke faz um trabalho tão complexo que começo a enxergar outras leituras e irei reassistir ao filme para ter mais segurança quanto á essa motivação. Não ficarei aqui colocando spoillers, revelando coisas sobre o filme. Recomendo a todos que vejam porque é uma experiência enriquecedora ir ao cinema e ver um filme que realmente te diz algo, te passa algo importante além do mero entretenimento.

 

CACHÉ é uma obra-prima fantástica e Haneke já merece seu lugar no olimpo dos cineastas por conseguir elaborar um filme tão fantástico (além de outros grandes filmes como FUNNY GAMES e LE PIANISTE).

 

smiley32.gif

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Acabei de assistir Caché (por meios ilícitos, confesso... o filme não está em cartaz - e provavelmente nunca estará - aqui no Paraná) e estou extasiado com a genialidade de Haneke nessa obra. As atuações são fantásticas (o que mais me impressionou foi o fato de todos os personagens conseguirem transmitir uma naturalidade impressionante, como se aquilo fosse uma espécie de "reality show" sem o consentimento de seus personagens) e a idéia de misturar na tela o que é "realidade" no filme com o que são as cenas das fitas enviadas à Georges foi estupenda. Amigo vcnpm, concordo plenamente com você: este, sim, é um filme que te faz ter medo! E, enfim, esse é um filme que irei rever muitas vezes, pois, repassando-o mentalmente, parece que ele abre um leque de interpretações que beira o absurdo... 

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Acabei de assistir Caché (por meios ilícitos' date=' confesso... o filme não está em cartaz - e provavelmente nunca estará - aqui no Paraná) e estou extasiado com a genialidade de Haneke nessa obra. As atuações são fantásticas (o que mais me impressionou foi o fato de todos os personagens conseguirem transmitir uma naturalidade impressionante, como se aquilo fosse uma espécie de "reality show" sem o consentimento de seus personagens) e a idéia de misturar na tela o que é "realidade" no filme com o que são as cenas das fitas enviadas à Georges foi estupenda. Amigo vcnpm, concordo plenamente com você: este, sim, é um filme que te faz ter medo! E, enfim, esse é um filme que irei rever muitas vezes, pois, repassando-o mentalmente, parece que ele abre um leque de interpretações que beira o absurdo... [/quote']

 

 

 

É meu caro... e eu que nem tinha noção de como poderia ficar ainda mais complexo.

 

Ainda não revi o filme, devo fazer isso no domingo. Mas as idéias, possibilidades e motivações andam pipocando na minha cabeça. E, ao invés de considerar somente duas opções para o mistério do envio das fitas, agora eu tenho outra...muito mais complexa, muito mais assustadora e, se for possível, ainda mais genial!

 

Certamente Haneke não teve a intenção das respostas fáceis e também não acredito que exista uma solução única e absoluta quanto ao filme. A cena final é tão enigmática quanto a volta do filho pra casa. Não dá pra ter uma única resposta, obter uma única possibilidade.

 

Pretendo ao menos encontrar a mais provável, de acordo com o estilo de Haneke. E para isso cabe também analisar sua obra, principalmente FUNNY GAMES. De onde vem o ódio de Pierrot, como se explica a cena do jantar, a mentira sobre a história do atropelamento do cão...aquilo não diz nada? Quem envia as fitas, uma pessoa só, dois? Eles são cumplices? Por quê? Ou, não é ninguém que a gente imagina...ou melhor, alguém muito mais familiar a nós todos?

 

É...um filme que foi capaz de me deixar assim...merece todo o meu reconhecimento e devoção!

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Eu tb preciso rever urgentemente.

 

Porém (SPOILER) você percebeu que, ao final do filme, na cena em que aparece o portão da escola de Pierrot, o próprio aparece conversando com o filho de Majid... isso acontece a, aproximadamente, um minuto antes dos créditos começarem a subir... eu vou rever e ter certeza disso, mas, se forem eles mesmo, acho que minhas teorias vão mudar drasticamente (FIM DE SPOILER)

 

Enfim, Haneke é um gênio, preciso ver Funny Games e até agora estou sob o efeito de Caché...

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Eu tb preciso rever urgentemente.Porém <span style="color: rgb(255' date=' 0, 0);">(SPOILER) <span style="color: rgb(0, 0, 0);">você percebeu que, ao final do filme, na cena em que aparece o portão da escola de Pierrot, o próprio aparece conversando com o filho de Majid... isso acontece a, aproximadamente, um minuto antes dos créditos começarem a subir... eu vou rever e ter certeza disso, mas, se forem eles mesmo, acho que minhas teorias vão mudar drasticamente <span style="color: rgb(255, 0, 0);">(FIM DE SPOILER)<span style="color: rgb(0, 0, 0);">Enfim, Haneke é um gênio, preciso ver Funny Games e até agora estou sob o efeito de Caché...</span></span></span></span>[/quote']

 

 

 

SPOILER

 

Bem, eu não quis revelar nada no meu post mas já que você falou...então lá vai!

 

Sim, são os dois! Eu vi isso no dia mesmo. E foi aí que elaborei a primeira teoria, de que os dois eram cumplices. Mas, pelo bem ou pelo mal?

 

A princípio pensei que pudesse ter sido algo infantil, talvez até com a intenção de reconciliar os pais. Mas se fosse assim, como explicar o ódio eminete que Pierrot tem dos pais?

 

E as atitudes da mãe, tão enigmática quanto Georges. Em um momento ela está numa festa, conversando com o marido ao telefone e falando mal do filho. Em outro demonstra extrema preocupação com seu sumiço.

 

E por falar no sumiço...estranho, não?

 

Então, se Pierrot mantém um ódio com relação aos pais (cada vez mais comum na sociedade atual), ele teria aliado ao filho de Majid pra ajudá-lo a destruir o próprio pai. Sim, eles poderiam ser cumplices, afinal o filho de Majid dificilmente teria dinheiro pra comprar uma câmera. Então um filmava na porta de casa, o filho de Majid ajudou na filmagem dentro da casa dele...ok, pode ser. Mas seria a real intenção deles? Ou a coisa fugiu do controle? A paranóia tomou conta de Georges, tudo piorou...

 

E se no final Majid simplesmente foi revelar á Pierrot sobre a verdade da vida do pai? Seria ele, só ele?

 

 

 

E, se no final das contas, não fosse ninguém? E se aquela última cena fosse alguém expiando eles? Quem seria? Um qualquer? Haneke? Nós mesmos?

 

Lembre-se de que Haneke não faz as coisas gratuitamente...ele brincou durante todo o filme com o que era real, o que era filmado. Lembra da brincadeira na mesa de jantar, quando um amigo do casal conta uma piadinha sobre um cachorro, late e tudo mais...e mesmo depois de ficar claro que era uma brincadeira uma outra amiga pergunta se é verdade. Afinal, o que é verdade?

 

 

 

Meu amigo...são muitas possibilidades, muitas questões. Haneke possivelmente não quis fechar tudo...mas enxergar a real intenção dele é o que me intriga agora. Bom revisitar a obra dele, quem sabe rever FUNNY GAMES. Espero que ajude.

 

 

 

 

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  • 2 weeks later...

06

de junho de 2006

AO

austríaco Michael Haneke é um cineasta que trabalha com a entre-imagem,

aquilo que fica entre uma imagem e outra, os sujeitos e os objetos

ocultos da linguagem cinematográfica. Caché (2005) é

um novo jogo de esconde-esconde que o cérebro fílmico de Haneke arma

com (e não para) o espectador; estes aspectos da direção de Haneke têm

tanto de gratuito estilístico quanto de contundência temática, e não

deixam indiferente o observador, cuja reação epidérmica é de uma

insegurança que não topa justificativa naquilo que as imagens mostram –

o realizador manipula o horror íntimo, um horror que vem de estar vivo,

e descarta amplamente o horror físico que interessa a diretores

americanos como John Carpenter, Wes Craven ou William Friedkin: o

susto, em Haneke, vem de dentro, não de fora; nós, os assustados, somos

o próprio susto.

O claustrofóbico maneirista de Funny Games, violência gratuita (1997) foi aprimorado criticamente em Código desconhecido (2000) e A professora de piano (2001),

revelando em Haneke um cultor da duração psicológica do plano: ele sabe

armar um plano-seqüência, evocando seu sentido pelo tempo de um plano

fixo ou pela sinuosidade de um travelling. Em Caché o

cineasta está na posse madura de suas faculdades de expressão: o plano

geral fixo duma visão de entre-prédios com uma rua no meio com carros

estacionados, que abre o filme é tão exacerbante quanto elaborado,

assim como o travelling-cobra em que Haneke acompanha seu protagonista

dirigindo-se pelo corredor ao apartamento do homem de quem há suspeita

de estar infernizando a vida daquele casal de classe média francesa

vivido com absoluto domínio por Daniel Auteuil e Juliette Binoche (ela

foi vista em caminhadas esquizofrênicas em Código desconhecido).

 

De uma certa maneira, o argumento inicial de Caché é idêntico ao de Sobre meninos e lobos (2003),

de Clint Eastqood, ao localizar na infância as motivações dos traumas e

dos acontecimentos traumáticos da idade adulta; mas Haneke situa-se no

pólo oposto da objetividade americana, não lhe interessa explicar por

uma trama lógica o que o espectador está vendo (quem está mandando as

fitas de vídeo, como funciona uma possível ira trazida da infância),

Haneke constrói a máxima subjetividade cinematográfica, onde a lógica

não é só a dos fatos mas a das sensações, como no universo dos  sonhos.

Assim, mais do que todos os pânicos que o cinema americano joga sobre a

juventude de hoje que vai ao cinema, Caché tem uma

estranheza que aterroriza; daí a insatisfação que se acerca do

espectador habitual diante de um filme que propõe estes liames

interrogativos.

Por

Eron Fagundes

 

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Caché - Dir. Michael Haneke - smiley10.gifsmiley10.gifsmiley10.gifsmiley10.gif ou 8,5/10

É interessante que vc reflete sobre o filme durante um bom tempo depois, tentando montar o quebra-cabeça, e é super foda o lance da culpa, a da mistificação passado/presente (assim como "Sobre Meninos e Lobos" e "Era Uma Vez na América"). Seria extraordinário se o filme não tivesse um fundo moralista-social, que tira parcela da cribilidade dele... Destaque para a direção (smiley32.gif) e as atuações do Daniel Auteuil e da Juliette Binoche (smiley32.gif)

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CACHÉ - smiley10.gifsmiley10.gif ou 4/10

Depois de ver as opiniões de todos aqui, me sinto um idiota...ou não entendi ou o filme é realmente fraco (não tenho coragem pra dizer q é ruim)

Eu adorei Funny Games mas achei Caché muito fraco, não vi em todo o filme um momento da magnitude que todos falam...e até agora só li aqui q gostaram, mas não o porquê...só elogiaram e tal, mas nada demais.

Adoro a Binouche e gosto do Auteuil, mas suas atuações não passam emoção, principalmente a de Auteuil.

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Olha' date=' eu gostei do filme, dei 4 estrelas, mas não acho um absurdo vc não ter gostado...

Além das atuações inemotivas, o que vc não gostou mais?

[/quote']

Tbm não gostei de ficar boiando em q o diretor pensou aoo fazer o filme...já li críticas q era sobre como os franceses trataram (e tratam) os argelinos, mas tbm dizer q não interessa quem mandou as fitas.

SPOILER

Era o q eu mais queria saber, já q tanto o pai do rapaz como o próprio dizem não ter nada a ver, e o personagem de Auteiul não se arrepende do que fez na infância...ou seja, pra que serviu tudo aquilo? pra destruir ou juntar a familia? pra atormentar o protagonista? se sim, pq?

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Olha' date=' eu gostei do filme, dei 4 estrelas, mas não acho um absurdo vc não ter gostado...

Além das atuações inemotivas, o que vc não gostou mais?

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Tbm não gostei de ficar boiando em q o diretor pensou aoo fazer o

filme...já li críticas q era sobre como os franceses trataram (e

tratam) os argelinos, mas tbm dizer q não interessa quem mandou as

fitas.

SPOILER

Era o q eu mais queria saber, já q tanto o pai do rapaz como o

próprio dizem não ter nada a ver, e o personagem de Auteiul não se

arrepende do que fez na infância...ou seja, pra que serviu tudo aquilo?

pra destruir ou juntar a familia? pra atormentar o protagonista? se

sim, pq?

 

 

 

Eu creio que a idéia é mostrar que Georges, mesmo tendo seus erros

jogados em sua cara, ainda levaria algum tempo de reflexão para

reconhecer (ou não) tais erros (ao menos, foi isso o que eu entendi da

cena em que ele vai se deitar e fecha todas as cortinas... talvez, uma

metáfora sobre o fato dele ter que se fechar em si mesmo para

compreender o que realmente estava acontecendo com sua família). A

idéia maior de Haneke foi justamente mostrar que problemas de tal calão

não são solucionáveis rapidamente e, muito menos, somente achando um

"culpado", exatamente quando não existe apenas um...

 

 

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Olha' date=' eu gostei do filme, dei 4 estrelas, mas não acho um absurdo vc não ter gostado...

 

Além das atuações inemotivas, o que vc não gostou mais?

 

[/quote']

 

Tbm não gostei de ficar boiando em q o diretor pensou aoo fazer o filme...já li críticas q era sobre como os franceses trataram (e tratam) os argelinos, mas tbm dizer q não interessa quem mandou as fitas.

 

SPOILER

 

Era o q eu mais queria saber, já q tanto o pai do rapaz como o próprio dizem não ter nada a ver, e o personagem de Auteiul não se arrepende do que fez na infância...ou seja, pra que serviu tudo aquilo? pra destruir ou juntar a familia? pra atormentar o protagonista? se sim, pq?

 

 

 

SPOILER

 

 

 

Você diz que ficou boiando no que o diretor que ao fazer o filme. Na verdade EU não acredito que Haneke quisesse fazer 1 coisa apenas ou, muito menos, fechar seu filme, aceitar 1 solução para o mistério.

 

As leituras para o filme são muitas e as mais variadas. Existe a de que as fitas fossem enviadas pelo próprio filho de Georges, Pierrot, o que poderia ser comprovado pela cena final do filme em que Pierrot é visto conversando com o filho de Majid. Seriam os dois cumplices? Mas qual seria o motivo deles? O filho de Majid foi diretamente afetado pelo ato de Georges, perdeu, por consequência, a oportunidade de ser alguém na vida. Então ele faria isso como vingança. Mas ele diz pra Georges que não foi ele quem mandou as fitas o que pode ser bem verdade. Ele pode ter simplesmente ajudado Pierrot ao filmar na própria casa ao contar a história mas poderia ter sido o próprio menino quem filmou na porta de casa (afinal, o filho de Majid nem deve ter câmera) e enviou as fitas com os desenhos, que por sinal parecem ter sido feitos por uma criança.

 

Mas então, qual seria a motivação do garoto? Uma possível reconciliação que fugiu ao controle? Uma brincadeira de criança? Ou o ódio eminente que ele sente pelos pais? Considerando isso cabe uma questão levanrada por Haneke; Pierrot tem uma estranha relação com os pais, principalmente com a mãe. E ela também parece não ser muito estável quanto ao próprio filho já que fala mal dele com Georges durante um coquetel (ele no telefone) e em seguida demonstra uma preocupação misturada com culpa depois do "desaparecimento" do garoto. O que teria por trás disso? Essa relação que foge do simples amor entre pais e filhos é cada vez mais constante na sociedade de hoje e Haneke parece ter explorado isso nesse ponto. Mas ainda acho que não seja o ponto principal.

 

 

 

Considerando então que não importa quem foi quem mandou as fitas, que tenha sido qualquer um, Haneke estaria mostrando como a sociedade atual é vulnerável ás coisas externas, até mesmo a aparentemente perfeita classe média/alta. E que nessas pessoas a paranóia anda se manifestando de maneira cada vez mais assustadora.

 

Além disso ele fala sobre a influência de suas atitudes no futuro, tanto seu quanto dos outros; ele dá o, muitas vezes, assutador peso de nossas atitudes. E isso assusta mesmo.

 

 

 

Mas depois de muito conversar, pensar e refletir atentei para duas coisas que me levam á outra possibilidade (a que mais me agrada). Na verdade são duas cenas que um amigo denominou corretamente como "chave" para o filme (ainda que não tenha uma solução única).

 

Em primeiro lugar a cena do jantar na casa de Georges, onde um amigo conta uma história sobre um cachorro, coincidência...e faz uma piada e mesmo depois que "fica claro" que era uma brincadeira a outra amiga vira e pergunta:

 

_Mas isso aconteceu mesmo?

 

E aí que tá, Haneke brinca o tempo todo com isso. Você vê uma cena pra depois descobrir que é uma gravação. Não sabemos o que é real e o que não é, o que aconteceu e o que não. Então o que é real mesmo?

 

Isso me leva á última cena do filme, a da escola em que os dois conversam na escadaria. A princípio pensei que Haneke estava revelano ali quem era responsável pelo envio das fitas mas pode ser que não. E se ali eles estão sendo espiados? E se aquilo é uma fita?

 

Então cabe outra pergunta: quem está filmando?

 

Aí entra o que Haneke fez o tempo todo com o espectador. Ele monta CACHÉ aos poucos, junto da gente. Então, quem está ali espiando pode perfeitamente sermos nós mesmos. Ou até o próprio Haneke, num exercício de direção que combina bastante com ele.

 

Ou então cabe outra possibilidade e que pode ser "comprovada" pelo título do filme, CACHÉ (que significa "obscuro", "o que fica escondido", "o que não se vê").

 

Haneke fala sobre a questão dos imigrantes que acabam se tornando uma parcela da população á parte, a que não tem nenhuma oportunidade. Majid fazia parte dessa parcela da população e quase conseguiu "entrar" no centro da sociedade francesa mas não pôde, graças á mentira de Georges. Então acabou continuando na obscuridade, sem poder fazer nada, incapacitado. Ou seja, só observando.

 

E repare que quem manda as fitas não faz nada realmente ruim, não age, só observa. Poderia ser porque essa pessoa simplesmente não pode fazer nada além de olhar á distância as coisas que acontecem. Então essa "pessoa" que observa pode ser essa parcela da população, a que nada faz, que não é reparada (Georges fala em determinada hora que não acredita como nunca reparou que alguém pudesse estar ali filmando sendo que ele parou o carro logo ao lado do local de filmagem), que não é vista e não tem identidade.

 

Assim como o filho de Majid que nem nome tem para nós...é simplesmente o filho de Majid.

 

 

 

Então, um filme capaz de estabeecer tantas possibilidades, fazer minha cabeça funcionar a mil tentando montar as questões...pra mim é brilhante sim!

 

Espero que possa ver alguma dessas questões!

 

 

 

Abraço

 

 

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Muito boa a sua explicação, e já tinha reparado em tudo isso, inclusive até no final, mas não consigo achar o filme magnífico ou brilhante, apenas razoável.

SPOILER

Qdo os 2 estão sendo filmados na escola, de q ainda poderia vir a acontecer alguma coisa pra eles...de q o verdadeiro motivo ainda apareceria....mas é importanto, pelo menos para mim, saber quem manda a fita pq os únicos q sabiam o q havia acontecido no passado eram Majid e Georges....e Majid se surpreendeu qdo o mesmo apareceu em seu apartamento.

Eu estava esperando pelo menos q o diretor chegasse perto de sua obra prima, Funny Games, mas me desapontou...por isso não consigo dizer q o filme é ruim, pois se eu não o entendi não posso simplesmente dizer isso.

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