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Forum Cinema em Cena

Subjetividade na Prática da Crítica


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Olá, Pablo.

Eu posso ter entendido errado, mas você não considera que a percepção da obra feita pelo espectador seja inteiramente subjetiva? Quer dizer, você fala ali sobre "visão de mundo", e etc, mas não seria o mundo inteiro uma construção pessoal, incluindo os próprios filmes? Se for, não vejo como um filme possa ser analisado de maneira objetiva (mesmo que parcialmente).

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É óbvio que o conhecimento teórico e a bagagem cinematográfica são fundamentais para qualquer profissional que queira respeito como Crítico. Mas' date=' ao ignorar a subjetividade, eu estava ignorando justamente aquele fator que trouxe sucesso ao Cinema em Cena: a individualidade, a diferença.<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

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Sem dúvida... conhecimento teórico e bagagem são fundamentais até para que vc consiga apreciar determinados filmes...

Hoje' date=' acredito que, ao escrever seus artigos, o bom crítico de Cinema está combinando três elementos em suas análises:

 

1) Sua experiência de vida e, conseqüentemente, seu modo de enxergar o mundo e as pessoas;

 

2) Seu conhecimento teórico sobre Cinema;

 

3) Todos os filmes aos quais já assistiu.[/quote']

 

Aqui eu acredito que o item 1 influencie sobremaneira a sua percepção do filme... Claro que os itens 2 e 3 tb, mas a força do item 1 é esmagadora sobre as demais...

 

Se vc for um petista, pichará qq filme, por mais imparcial que seja, que tenha os tucanos como um partido que, para o bem e para o mal, fizeram algumas coisas pelo país; se vc for um judeu, certamente pichará Munique; se vc for um fundamentalista cristão, pichará A Última Tentação de Cristo; e por aí vai...

 

Claro que existem exceções... mas o equilíbrio mencionado em seu artigo será obtido se a pessoa tiver discernimento suficiente para filtrar o que viu no filme e, tb, sua visão de mundo.

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Eu acho que o item 3 na verdade PREJUDICA uma crítica...

 

Ele pode servir como elemento do texto, mas o crítico não pode se deixar levar por isso ao qualificar ou desqualificar o filme.

 

Eu creio que existam dois lados aqui. Um bom TEXTO precisa dos itens 2 e 3. Uma boa CRÍTICA, não necessariamente (lembrando que a crítica é sempre subjetiva).

 

 

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Acho que o Pablo quis dizer que vemos o reflexo desses itens em uma crítica... Um cara que analise Kill Bill pelas suas referências e faça um comentário sobre elas, demonstra que viu diversos filmes... Obviamente, como vc bem colocou, essas referências não podem NUNCA servir para qualificar ou desqualificar um filme... Filmes são bons por elementos intrínsecos a eles... o que muda aí é a percepção desses elementos, que é subjetiva.

 

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Acho interessante essa visão desses três pontos porque elas sempre entram em conflito. Sempre gostei das críticas do Pablo pq ele foi um dos primeiros críticos que consideram o cinema comercial como cinema de verdade, acho um absurdo um crítico de cinema assistir x-men, por exemplo e ficar comparando com um filme de Almodovar ou qualquer outro cânone do cinema. Ora... se vc não compara comédia com terror, não tem como comparar Brian Singer com Felini, por exemplo. Hoje tem muita gente que faz isso, alguns bem e a maioria muito mal, pois muita gente acha que pode fazer um "review" do filme mas sua bagagem é estritament comercial, então a crítica fica muito tendenciosa.

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  • 2 weeks later...

 

 

Eu geralmente discordo das críticas do Pablo, mas nada contra ele em especial: é só minha opinião.

 

Mas de uma forma geral, acho que todos temos uma função na sociedade. E sempre achei que a profissão de crítico de cinema é extremamente desnecessária. Quero dizer: se uma crítica negativa não tem o poder de destruir uma produção, que é um dos principais argumentos dos críticos, tampouco um crítica positiva acrescenta algo ao filme em questão, ou ao cinema em geral. Uma crítica de arte não tem mais valor do que uma simples opinião pessoal.

 

Taxativo, eu? Talvez, então vamos ponderar: a arte de uma forma geral é subjetiva. Arte é sentimento, e quem produz arte, retrata em livros, telas, ou filmes, um sentimento que est[á dentro de si, e talvez ninguém chegue a entender a verdadeira mensagem que o artista quer passar. Por isso, ele, se vive disso, tem que se esforçar para que sua mensagem possa cehgar com maior eficácia ao público. Esse caso, possibilitaria uma crítica mais técnica: será que o diretor desse filme pôde passar a sua mensagem de forma correta? Será que essa ou aquela opção de movimento de câmera contribuiu para a cena?

 

Acontece que há um porém: Como podemos exatamente saber o que se passava na mente do diretor? Se eu fosse crítico, por exemplo, poderia dizer que em Superman - O Filme, Lex Luthor mais parece um vilão de Pokemon, com assistentes bestas e sequências pastelão que arrasam o personagem. Já o Pablo disse que as tiradas cômicas são ótimas, mas que essa comicidade tira um pouco o impacto de vilão. Outro poderia defender, dizendo que o personagem é fiel aos quadrinhos originais, além de retratar a inocência da época. E o Richard Donner em pessoa, poderia chegar e dizer: Não, na verdade eu fiz aquilo porque achei legal.

 

Simples assim.

 

Uma vez um autor famoso brasileiro(não me recordo qual) respondeu perguntas de vestibular sobre seus próprios livros. Resultado: errou tudo! Sabem porque? Porque arte é subjetiva, tem à ver com sentimentos e é impossível fazer análises técnicas 100% corretas. Subjetividade não faz parte da crítica, ela é a crítica. Porque todos nós somos críticos, todos consumimos arte, e temos uma opinião sobre ela, alguyns gostam outros odeiam. Se fosse uma função exata, as críticas de cinema concordariam entre si. Pablo achou Superman Returns melodramático e frágil, li em outros sites resenhas dezendo ser mais um estrondoso filme de Brian Singer. Ora, que diferença então tem uma crítica dita "profissional", de uma opinião pessoal? Uma crítica é baseada em conhecimentos sobre o assunto? Ora, uma opinião de alguém que não tenha a crítica como profissão também é.

 

Se o critico fosse algum ex-cineasta, já seria comlicado aceitar uma carreira como essa. Mas alguém que leu um monte de livros, que sabe de cor nomes de ángulos, e termos técnicos, e fica vendo 50 mil filmes por semana, é apenas um cinéfilo mais dedicado, que terá suas opiniões pessoais mais embasadas por conhecimento teórico do que outros, e nada mais. Se eu acho então uma profissão como essa irrelevante, porque eu me incomodo com ela? Eu não me incomodo. Mas coinheço pessoas que deixam de ver um filme ao ler uma crítica negativa, e isso é mau. Sou a favor de sites na internet com resenhas de filmes, gosto de por minhas opiniõs e de ler as opiniões dos outros sobre os filmes, mas informalmente, deixando claro que são opiniões. Mas a partir do momento que eu me autodenomino crítico, e vivo disso, eu estou dizendo que tenho mais capacidade analítica do que os outros na área em questão, e que sou uma espécie de autoridade no assunto. Bem, então vamos supor que seja possível alguém analisar um filme: esse alguém tem que ter vivido isso. Como alguém que não sabe o que é estar atrás de uma câmera, desenvolver sentimentos em idéias, e depois em imagens, pode se dizer autoridade em cinema? Se a opinião de um cinesta "x" sobre o filme do cineasta "y" já não vale muito, imagina de um cinéfilo como eu ou você, mas que leu um pouco mais de livros e apreendeu mais conhecimento teórico? Em qualquer faculdade sabemos que teoria não vale nada, a prática faz o profissional. Eu amo cinema, e sabe de uma coisa? Eu não sonho ficar sentado vendo filmes e lendo livros, e vivendo de apontar "erros" e "acertos" dos filmes dos outros. Eu quero estudar cinema, poder contar minhas próprias histórias, e discutir todos os filmes com outras pessoas, para enriquecimento geral da indústria, informalmente.

 

Pablo, vc escreve muito bem, tem um ótimo conhecimento teórico, e criou o mais fantástico site de cinema em lingua portuguesa e um dos mais mundialmente, sou vidrado no Cinema em Cena. Então aí vai um conselho de admirador: continue com as críticas, mas para talvez embasa-las um pouco mais, pare de ler livros e ver filmes, e vá fazer seus próprios! Ou então, não escreva ,mais sobre a alcunha de "crítico", mas apenas de "cinéfilo", o que tiraria o peso que a primeira denominação provoca!!!

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Escrevi de improviso, tava com as ideias bagunçadas, mas não fui tão prolixo assim!

 

Os paragrafos, é problema no meu pc, tá todo erradão, coitado.

 

Mas que bom que vc se importa mais com as opiniões do forum do que da forma que foram escritas daí vc pode dar seu comentário tb, e seguir a discussão!!!

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"Como conseqüência desta insegurança, eu abraçava a subjetividade com paixão. Era meu colete salva-vidas: qualquer 'tropeço' que desse, poderia justificar dizendo que era 'minha opinião' e pronto. Quem poderia contra-argumentar? "

É o que eu venho dizendo nos últimos 30 anos. A subjetividade tem sido levantada em dabates por pessoas que perdem a argumentação e não querem dar o braço a torcer. Com esse tipo de mentalidade é que a maioria dos debates no fórum se transformam em um "pissing contest".

Por sua vez, a 'fonte 3' certamente terá expandido o universo diegético no qual você irá inserir o filme, mas sua leitura será prejudicada por não contar com o filtro e o enriquecimento proporcionados pela teoria e dificilmente poderá desenvolver uma discussão interessante sobre os temas, já que você não poderia se manifestar sobre os mesmos, analisando a produção apenas em função de outros longas

 

na verdade eu acredito que seja mais fácil desenvolver uma discussão sobre os temas e personagens com a a sua bagagem cinematográfica do que com a sua experiência de vida, uma vez que filmes fazem mais referências a outros filmes do que à vida real.

Folco Gamgee2006-7-20 0:15:56
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  • 3 weeks later...
  • 4 months later...

Olá pessoal,

 

Gostaria de dizer que em relação ao texto de Laivindil estou tendendo a concordar com ele em um ponto: acho que no fim das contas, críticos ou não, as opiniões de todos são igualmente válidas e importantes. A minha opinião sobre um filme não é menos correta do que a do crítico especializado. Só acho que isto não é  motivo para se dizer que a profissão de crítico não deveria existir. Já disse antes em outro tópico que o crítico existe porque tem mercado para ele. No fim das contas, se existe alguém disposto a ler uma crítica então estão dadas as condições para o crítico existir.

 

Quando leio as críticas de Pablo Villaça, não as leio porque ele é um crítico especializado que entende pra caramba de cinema. Leio porque quero saber a opinião dele sobre o filme, da mesma forma que converso com amigos depois de assistir a um filme. Nem mais, nem menos.  Os comentários técnicos sobre o filme que o crítico faz tornam mais rico seu comentário, claro. E essa é a única diferença entre o crítico e eu, que não sei o que diabos é um fade in.

 

No entanto, para algumas pessoas isso faz diferença e a gente tem que respeitar. Algumas pessoas realmente lêem uma crítica esperando ver comentários sobre as técnicas usadas, fotografia, referências a outros filmes (isso eu também gosto). Isso é bom, pois se todos fossemos iguais que porcaria seria esse planetinha hein?

 

Pra resumir: deixa os críticos em paz Laivindil.  :-)

 

Luiz Carlos Muniz

 

 

 

 

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