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Forum Cinema em Cena

O Último Rei da Escócia


-felipe-
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Nascido no meio dos anos 70, ouvi falar de Idi Amim pela primeira vez quando os Titãs cantaram a música "Nome aos bois", no disco Jesus não tem dentes no país dos banguelas

(1987). Ele estava logo depois de Sérgio Dourado e era seguido por

Plínio Correia de Oliveira e Plínio Salgado. Mas uma coisa eu sabia:

ser citado ao lado de Garrastazu, Stalin, Hitler e Mussolini não era

boa coisa.

O último rei da Escócia (The last king of Scotland,

2006) conta um pouco da história de Idi Amin, o ditador que governou

Uganda entre 1971 e 1979. Nascido no interior, ele serviu o exército

inglês durante a época em que o país ainda era uma colônia britânica.

Com a independência, em 1962, ele subiu rapidamente de patente,

chegando a ser chefe do exército em 1966, sob comando do presidente

Milton Obote, que ele mesmo destituiu do poder, no golpe militar de

1971, quando Obote ameaçava abrir investigação de desvio de verbas.

O longa, porém, procura dar ao sanguinário ditador algumas feições

humanas. O projeto é uma adaptação de um romance homônimo, escrito por Giles Foden. No livro, o autor cria a figura de um jovem escocês, Nicholas Carrigan (James McAvoy),

que acaba se tornando o médico pessoal e confidente do governante

ugandense. Nicholas, acuado pelo jeito como seu pai o tratava, resolve

pegar seu recém-conseguido diploma de medicina e partir para o mundo em

busca de aventuras, mulheres e experiência profissional. Acaba em

Uganda, trabalhando em condições precárias no interior do país. Após um

acidente com o presidente, ele é chamado para prestar

primeiros-socorros e com seu jeito sincero e direto conquista Idi Amin,

que já tinha admiração pelos escoceses e o convida para o cargo de

confiança.

A mudança para a capital parece ser o oposto do que Nicholas

pretendia. Mas usando o seu carisma, Amin convence o jovem que ali, ao

seu lado, ele poderia fazer ainda mais coisas por Uganda do que no meio

do mato. Inebriado pelo poder, pela riqueza e pelas grandiosas festas

oferecidas pelo presidente, o médico fica e vai descobrindo uma outra

faceta do ditador, que não consegue ser contrariado e usa seu poder

para se impor sobre os adversários.

Diferente de outros filmes sobre a África que vêm sendo feitos recentemente, como Hotel Ruanda (2004), ou Diamantes de Sangue (2006), O último rei da Escócia

pega leve quando o assunto é mostrar as barbaridades que aconteceram

por lá. Estima-se que Amin tenha matado entre 300 mil e meio milhão de

pessoas durante o seu regime, mas este seu lado mais feroz só aparece

mesmo na parte final do filme, quando Nicholas começa a enxergar quem o

general realmente era e a temer pela sua própria vida. Para se ter uma

idéia, desmembramento de uma de suas esposas e até canibalismo são

exemplos freqüentemente atribuídos ao ex-líder, morto em 2003, exilado

na Arábia Saudita. Torturas e assassinatos daqueles que não comungavam

da sua visão de governo também estão na lista.

Esta figura instável, da qual não se sabe se virá um ataque ou um sorriso, deve render a Forest Whitaker seu

primeiro Oscar de Melhor Ator. Merecido. Todo aquele discurso dos

atores de que eles não interpretam vilões, mas sim pessoas com visões

diferentes do mundo, se encaixa perfeitamente aqui. Whitaker consegue

mostrar na tela que Amin achava que estava fazendo o melhor pelo seu

país, pelo seu povo. Tanto é que até hoje o ex-ditador é lembrado com

uma certa afeição por alguns ugandenses. Durante as filmagens, toda

feita no país, um general disse ao ator "Sim, Amin matou meu pai, mas ele também fez coisas maravilhosas pelo país". O diretor Kevin MacDonald,

documentarista premiado, estréia na ficção mostrando a redenção de

Nicholas. Agora só falta o resto do Ocidente também mostrar seu

arrependimento e começar a ajudar o continente africano, que não está

muito melhor do que na época e Idi Amin.

 

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http://www.omelete.com.br/Conteudo.aspx?id=100003749&secao=cine

 

Estréia nessa sexta no Brasil.

 

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não é possível q aquela situação toda q rolou entre amin e o médico tenham sido verdadeiras, só pode ser piada, ..., e a atuação de whitaker é boa, mas bastante superestimada a meu ver, em algumas cenas ele mostra bastante força e convicção em suas palavras, porém em várias outras ele não consegue fugir daquele esteriótipo de "boa praça" q já conhecemos em tantos papéis de sua longa carreira.

nota 4

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  • 3 weeks later...

Teve uma parte que viu, não gostou, e não se deu ao trabalho de criar / procurar tópico. Além do mais, a única atenção que o filme está recebendo é por causa da chuva de prêmios que Whitaker vem recebendo, e não acho que o filme - regular - merece mais que isso.

Não achei o filme ruim, mas chega a ser constrangedor o fato de como ele é dirigido em função de Whitaker. Tem uma cena bizarra, em que tá um close na cara do Idi Amin, e a câmera fica tentandp captar o máximo de gestos, expressões possíveis no menor espaço de tempo.

 

Whitaker, foi um pouco superestimado; sua atuação é interessante nos momentos em que ele se torna imprevisível para o James McAvoy (atuando muito bem, OK), mas as vezes o sotaque divide um pouco o espaço.

 

E além do mais, existem algumas subtramas nesse filme que eu vou te contar...

 

No mais, o filme só me fisgou quando o personagem de McAvoy está recebendo, tentando manipular e sendo manipulado, pelo de Whitaker.
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não é possível q aquela situação toda q rolou entre amin e o médico tenham sido verdadeiras

 

Já li até que o personagem médico não existiu e o que foi feito é um amálgama de pessoas que conviveram com o tal ditador africano ... Isso é verdade mesmo ?  

 

é verdade, eu li na crítica do rubens q de fato toda essa situação foi fictícia! pô, então infelizmente só posso constatar q rolou um tremendo maniqueísmo na tentativa de "suavizar", "humanizar" a figura do ditador amin, ..., pois é, esse filme conseguiu cair ainda mais no meu conceito q já não era nada favorável! 06
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  • 5 months later...

Eu gostei do filme. Tem alguns lances claramente desnecessários, como o caso do Nicholas com a esposa de Amin, mas no geral achei o filme bom.

 

E pra mim Whitaker, mesmo se destacando mais, é coadjuvante no filme (tanto quanto Meryl Streep em O diabo veste Prada, por exemplo) e McAvoy é o protagonista.

 

 

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  • 5 months later...

O Whitaker também rendeu bem em O Quarto do Pânico, do Fincher.

 

Sobre o filme, também achei de mediano para ordinário. Me incomodou o desprezo para com os coadjuvantes, que não se fazem valer na estória, e as subtramas que não envolvessem Amin diretamente (inclui-se aí até o romance escuso entre uma das esposas dele e o doutor). Parecia que todos os outros, além de Amin e do médico, estavam ali apenas para encher a metragem final do filme, coisa porca mesmo.

 

 

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