Jump to content
Forum Cinema em Cena

Direção ou Roteiro?


Dook
 Share

Recommended Posts

  • Replies 383
  • Created
  • Last Reply

Top Posters In This Topic

 

Não' date=' já que citamos exemplos por aqui de filmes com roteiros simplistas ou até fracos que viraram filmes excepcionais. Carrie me vem a mente. Se tu pensar neste roteiro na mão de um desses diretores atuais de terrorzinhos, imagine o que ia dar. Acontece que naquele trechinho entre o roteiro e o filme acabdo havia De Palma.[/quote']

 

Isso vai ser longo, coisa que eu odeio fazer.

 

Creio que estamos com um problema de semântica aqui. O que me parece que você está dizendo - corrija-me se eu tiver entendido errado - é que um roteiro ruim é um obstáculo superável, e eu concordo plenamente. Mas isso não implica desimportância da qualidade do roteiro, principalmente porque certamente há diretores que trabalham bem com maus roteiros e outros que não conseguem se libertar da pobreza do material com o qual estão lidando, ou até os pioram. O Ron Howard, por exemplo, escolhe roteiros pobres e ainda por cima os imbeciliza, o oposto do que faz o James Ivory, que escolhe roteiros interessantes e agrega conteúdos quando executa o filme.

 

Sendo assim, não vejo como pensar que a qualidade de um roteiro não importa. Imagino que qualquer diretor - qualquer um mesmo - ficaria mais feliz em trabalhar com um bom roteiro do que com um roteiro que considere ruim. O esforço pra fazer um bom filme a partir desse último deve ser maior. Não insuperável, porém maior ainda assim.

 

Também acho que o tópico está com um problema sério quanto à dimensão conceitual da palavra roteiro. É aquele conjunto de palavras escritas, com termos técnicos do tipo "ext" e "fade in"? Se for esse o caso, certamente que filmes foram, são e serão feitos sem roteiro. É o guia mental do diretor na hora de executar seu ofício? Se for esse o caso - e eu acho que este conceito é que é o mais importante - não vejo como ser possível realizar filmes sem roteiro. Eu posso pegar uma câmera digital e sair filmando cenas a esmo, mas essa aparente falta de critério já é, de fato, um roteiro.

 

Pegando esse palavreado todo e sintetizando: sim, a direção pode - e até tende a - ser mais importante que o roteiro no resultado final do processo, que é o filme. Mas a qualidade do roteiro importa? Sim, não tenho dúvida. Um roteiro ruim resulta invariavelmente num filme ruim, ou um bom roteiro resulta num bom filme, necessariamente? De jeito nenhum, mas isso porque há formas e formas de se lidar com bons e maus roteiros, não porque ele é desimportante.

 

E com isso encerra-se o assunto. Obrigado e fiquem ligados nas próximas atrações.

 

Link to comment
Share on other sites

 

Garbo' date=' seu comentário é tão antiquado e datado quanto a época da atriz que estampa o seu avatar (época essa que condiz com a "realidade" que você desenha no seu post) e, sinceramente, não reflete o mundo do cinema no qual estamos inseridos.

 

É claro que existem casos em que o estúdio decide sobre aspectos criativos de um filme ou mesmo o produtor. Porém há MUITOS anos - especificamente desde 1997, quando um certo diretor quase enlouqueceu e peitou toda uma corja de executivos para fazer seu filme do jeito que ele queria, resultando no filme de maior bilheteria da história do cinema até esta data, que os estúdios, SALVO ALGUMAS EXCEÇÕES, tem deixado os cineastas livres para criar. A liberdade não é 100% (essa sim, desfrutada por uns poucos sortudos como Kubrick, por exemplo), mas existe hoje em quantidade muito mais abundante do que nunca houve na história.  

 

Agora, se mesmo assim você acha que meu comentário não reflete a realidade, por favor, cite um blockbuster de sucesso recente que não teve impresso na tela a visão de seu diretor...
[/quote']

Algumas exceções? E pq vc chama apenas de "algumas exceções"? Eu não

tenho nenhuma estatistica pra te mostrar sobre os filmes que sofrem

essas influências, mas pelo que vejo são muitos. Há não muito tempo Os

diretores de Exorcista O início e Invasores foram até mesmo demitidos

por quererem fazer algo diferente do que o estúdio esperava. Julie

Taymor tbm foi afastada de Across the universe na pós-produção. E se

não me engano, a versão de a bussola de ouro que chegou aos cinemas não

era bem o que Weitz queria. O estudio colocou um outro diretor monitorando Judd Apatow nas filmagens de Ligeiramente Grávidos, pronto para assumir o filme, se "necessário". Os Weinstein cortaram mais de 50% do filme de Billy Bob Thorton, e ele afirmou que o que chegou aos cinemas não era sua visão. Existem vários casos em que o próprio

diretor cede (voluntariamente?) as preferências do público após um test

screening (em dvds é comum ver comentários do tipo "esse era o final

que pretendia, mas o publico não reagiu bem") e já vi em entrevistas ou

comentários em audio o diretor falando coisas como "essa cena eu

preferia ter cortado, mas o estudio estiuplou que o filme precisava ter

no minimo x cenas de garotas de biquini". Ou um exemplo como Duro de

Matar 4, que muita gente crítica pela natureza light, sem muita

violência e palavrões. Vc acha que o filme é assim pq Wiseman decidiu

que esse era o filme que ele queria fazer, ou pq o estudio impôs que o

filme deveria ser dessa forma pra conseguir uma classificação pg-13?

Aliás, no ultimos 10 anos (sim, mesmo depois de titanic), foram

inumeros os casos de filmes que tiveram de ser cortados (contra a

vontade do diretor) pra não pegar uma classificação nc-17.

Resumindo, as vezes o que chega as telas não é exatamente o que o diretor pretendia.

 

 

Diretor de Missão Babilônia acha o filme ridículo

 

Mathieu

Kassovitz (O Ódio), diretor de Missão Babilônia, não está feliz com o

resultado final de seu último projeto. O francês disse ao blog do site

AMC que "está muito descontente com o filme", protagonizado por Vin

Diesel (Velozes e Furiosos).

 

Kassovitz explicou o motivo de

tanta indignação. "Não tive a chance de fazer uma cena do jeito que

estava escrita no roteiro ou do jeito que queria. O script não foi

respeitado. Produtores ruins, parceiros ruins, foi uma experiência

terrível", contou.

 

Link to comment
Share on other sites

Godard foi citado, Mike Leigh...têm também o Wong Kar-Wai, que em muitos filmes partiu de uma concepção e começava a filmar de modo aleatório, respeitando a condição da câmera acima de tudo e depois, com o material que ia obtendo, dava um rumo, muitas vezes diferente da idéia inicial (exemplo disso, Amor à Flor da Pele, um filme que seria sobre comida!). Mas talvez o mais emblemático seja o caso de Cassavetes e seu Sombras, feito com uma diferença de mais ou menos dois anos, com mudanças no elenco, onde as seqüências filmadas determinavam a narrativa do filme. Assim ele "inventou" o cinema independente americano - e o melhor do cinema mundial, logo em seguida, na minha opinião - mas o próprio negava que seu trabalho fosse tão rígido, com relação à não-utilização do roteiro.

 

Seja lá como for, não é algo comum porque, como amplamente discutido, o roteiro é um guia necessário para que a coisa tome forma. Sua importância é - e deve ser - relativizada, de acordo com a obra a ser discutida, de acordo com o diretor. Eu só acho que roteiro não merece ser gesso, algo que determine mais que a própria criatividade, e que as palavras importem mais que a forma.
Link to comment
Share on other sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

Loading...
 Share

Announcements


×
×
  • Create New...