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Forum Cinema em Cena

Mario Bava


Forasteiro
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Não custa tentar, embora seja quase certo que isto aqui não passe da primeira página e etc.

 

Mestre, mestre, mestre, mestre. Obras-primas absolutas até o 8, pelo menos. Um manipulador diabólico, perfeito construtor de atmosfera, uso sempre fantástico das cores, câmera, mise en scène inventivíssima, narrador completamente maluco e precursor do giallo (além de uma porrada de outras coisas, influência assumida de caras como Lynch, Burton e Scorsa). 

 

01. Operazione Paura (1966) - 4/4
02. Lisa e o Diabo (1973) - 4/4
03. Banho de Sangue (1971) - 4/4
04. Seis Mulheres Para o Assassino (1964) - 4/4
05. Schock (1977) - 4/4
06. O Chicote e o Corpo (1963)- 4/4
07. Olhos Diabólicos (1963) - 4/4
08. Rabid Dogs (1974) - 4/4
09. As Três Máscaras do Horror (1963) - 4/4
10. A Máscara de Satã (1960) - 2/4

11. Ill Rosso Segno Della Follia (1970) - 1/4
12. 5 Dolls For an August Moon (1970) - 1/4
13. Baron Blood (1972) - 1/4

 

E tá fácil de assistir Bavas, todos eles estão disponíveis por aí, vários com legenda em pt inclusive. VEJAM o cara, sério.
Forasteiro2009-02-15 13:26:13
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Coincidentemente baixei um filme dele que tava louco pra conhecer, mas não tinha oportunidade, já que é inédito em DVD no Brasil.

 

Estou falando de BANHO DE SANGUE (1971),  considerado por muitos como o pai de todos os SLASHER MOVIES - subgênero que bombou nos anos seguintes,  com filmes do calibre como Halloween, Sexta-Feira 13, O Dia dos Namorados Macabro, Acampamento Sinistro, Natal Sangrento entre outras muitas pérolas.

Com certeza é muito mais que um clássico, foi também uma grande fonte de inspiração, uma escola de sangue e violência para o gênero Terror.

Dá gosto de conhecer e apreciar filmes assim, e Mario Bava sempre vai ser um ícone pra quem gosta de filmes de terror.
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Tenho o Bava Box Set 1 e 2, a primeira com 5, a segunda com 8 filmes... E comprei o "Seis Mulheres Para o Assassino", que não tem nas caixas, à parte. Vou esperá-lo chegar pra (tentar) montar um top.

 

E o Bava não é ícone só pra quem gosta de filmes de terror, mas sim pra qualquer cinéfilo. Endosso o que o Forasteiro já falou, quem não conhece corra atrás.

 

 

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Ricardo, Banho de Sangue é OP. E é um exemplar interessante na filmografia do cara, porque neste ele manda à pqp toda aquela classe e sofisticação de outros trabalhos pra surtar com a narrativa e promover uma brincadeira com os personagens que tu nunca viu na tua vida (embora seja algo meio freqüente no horror italiano). Tem textinho aqui.

 

Aliás, o Schonfelder tinha me pedido, há uns 2 meses, se valia a pena comprar esse box e eu não sabia responder por ter visto a recém 3 ou 4 filmes. Pois então, vale demais, e Seis Mulheres Para o Assassino é pilar central do giallo, fundamental pra contrução do gênero.

 

Estes fora do ciclo do horror eu não vi (embora Rabid Dogs seja mais policial e de giallo 5 Dolls tenha muito pouco) e na verdade não tenho tanto interesse, a maioria eram trabalhos encomendados e etc.

 

E quanto ao que disse o Schonfelder sobre não ser apenas pra amantes do horror, pura verdade. Tinha esquecido de enfatizar isso, cinema é cinema, gêneros existem mais pra questão de organização de prateleiras de locadora. E o cinema colorido parece ter nascido para Mario Bava, o que esse homem faz com as cores é troço fora de série (o que também não impede que a fotografia p&b de Olhos Diabólicos seja das coisas mais lindas do mundo).
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  • 3 weeks later...

Chegou meu Blood & Black Lace; empolgado para assistir, uma vez que

trata-se de um dvd duplo, cheio de extras, enfim, uma edição

aparentemente caprichada. Eis que, quando o filme começa, me deparo com

uma imagem péssima, em alguns momentos parece que a matriz para a

digitalização foi uma vhs... Resumo, um filme que tem em seu ponto

forte o apuro visual (o jogo de cores é um dos melhores da carreira do

Bava), acaba levando uma rasteira graças a uma edição horrenda. Não dá

nem pra por numa balança de comparação com os 13 filmes lançados nas

caixas da Anchor Bay... E o pior, esta é a única edição em dvd do

filme...

 

 

 

Continuando a saga, estão a caminho : Diabolik e Shock.

 

 

 

E o top, enquanto isso, vai sendo protelado, hehe.

 

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Bah, que merda. Eu vi Seis Mulheres Para o Assassino num release muito porco também, mas essa notícia de que se trata da única edição em dvd é terrível. Eu até ia baixar o do mkoff, mas não deve ficar longe do que eu peguei então...

 

Editei a nota de Black Sabbath, é impressionante a visão do Bava sobre o horror italiano numa fase ainda embrionária, é tipo uma profecia bem definida do que viria a ser literalmente as três faces do terror pelos italianos: o gótico, o climático e o giallo. Bava é bruxo.
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  • 2 weeks later...

01. Lisa e o diabo - 5/5

02. Rabid dogs - 5/5

03. Schock - 5/5

04. Seis mulheres para o assassino - 5/5

05. O ciclo do pavor - 5/5

06. Olhos diabólicos - 4,5/5

07. Perigo: Diabolik! - 4,5/5

08. As três máscaras do terror - 4,5/5

09. O planeta dos vampiros

10. Banho de sangue - 4/5

11. Quatro vezes naquela noite - 4/5

12. 5 dolls for and august moon - 4/5

 

 Um dos filmes com melhor fluência do Mario Bava. Enquanto nos outros trabalho, por qualquer que seja o motivo, o primeiro ato costume ser ligeiramente monótono, em Seis mulheres para o assassino o cara já começa assombrando. Esse é um dos poucos giallos realmentes genuínos do diretor, tem uma fotografia irrepreensível, um uso mítico do vermelho, manipulação e atuações e estrutura que são dignas de uma grande produção com orçamento bem favorável. O que nem sempre é o caso do Bava.

 

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Pros que acompanham os filmes do cara (acho que poucos aqui, infelizmente), pergunto : Já assistiram a versão "remontada" de Rabid Dogs ? (remontada entre aspas mesmo, uma vez que na verdade essa foi a primeira a ser lançada, a que seria a "original" só foi finalizada após). Pois bem, assisti Kidnapped hoje (as duas versões vêm no mesmo dvd) e sinceramente achei os inserts totalmente desnecessários - principalmente os da cena final, onde a mãe da criança (apresentada chorando no início) surge atendendo o telefone. Um anti-clímax que dá uma pincelada melodramática naquele final que, ácido e curto, encerrava o ciclo de filhadaputagens do filme de forma genial.

Além disso, a trilha sonora original (aquela coisa italiana cheesy, quase um pastiche das trilhas dos policias americanos da década de 70), mesmo com o áudio mais pobre, se adequa melhor ao filme.

Resumindo, o filho do homem (também diretor de cinema, responsável por esta remontagem) fez cagada.

 

Schonfelder2009-03-09 00:50:40

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  • 2 years later...

 

 Visto AS TRÊS MASCARAS DO TERROR

 

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  O filme é composto por três historias curtas, ligadas por um anfitrião (Boris Karloff) que introduz estas historias ao expectador, e as encerra com um comentario irônico. A primeira historia é intitulada "O Telefone", e acompanha a aterrorizante noite de Rosy (Michele Mercier), uma prostituta que passa a receber uma série de telefonemas ameaçadores. A segunda historia intitulada "Wurdulak" acompanha a historia de uma família russa do século 19, que tenta sobreviver ao próprio patricarca (Boris Karloff) quando este é transformado em um vampiro. A historia "A Gota D'Agua" fecha o filme. Neste terceiro conto, uma enfermeira (Jacqueline Pierreux) rouba o anél do cadáver de uma senhora na preparação para o funeral, e passa a ser assombrada por seu espirito.

 

 ASTRÊS MASCARAS DO TERROR é o primeiro filme do Bava que assisto. E devo dizer que achei bem interessante. Primeiro pela participação de Boris Karloff, que dá um charme bem especial para a produção. Segundo que o filme trabalha muito bem o clima de suspense através de detalhes sensoriais, especialmente nas historias que abrem e fecham o filme.

 

 "O Telefone" obviamente influenciou muito o cinema de horror. Parece ser plantada aqui a semente para o surgimento do Giallo, onde um mániaco espreita uma bela mulher. Alem da influencia no proprio cinema italiano, a idéia de uma moça receber ligações de um psicopata que esta mais perto do que se imagina seria reutilizada em outros filmes, ganhando notoriedade especialmente em QUANDO UM ESTRANHO CHAMA e PÂNICO. O segmento tambem contem cenas de nudez que são bem ousadas para a epoca.

 

 Achei O WURDULAK o segmento mais fraco. Ironicamente, foi o que teve uma produção maior, pois possui mais cênarios e um elenco maior. É uma historia de vampiro convencional, mas nada demais.

 

  "A GOTA D' AGUA" fecha o filme com chave de ouro. É a com duração mais curta, mas a mais aterrorizante na minha opinião. A iluminação usada neste segmento é completamente surrealista, o que intensifica o clima de pesadelo presente aqui. Alem do mais, pequenos ruidos como o som das gotas d' agua caindo no chão, o vôo de uma mosca ou o ranger de uma porta ganham grande importancia em um muito bem pensado desenho de som.

 

 Enfim, vale a pena assistir este trabalho do Bava que alem de todos os seus méritos, emprestou sua tradução de título na Inglaterra a banda de um certo comedor de morcegos.  
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 Que papagaiada foi essa ai em cima?09

 

 Bom, assisti ao ótimo A MASCARA DE SATÃ

 

 238152_4.jpg

 

  Na trama, uma bruxa do século 17 (Barbara Steele) é queimada viva pelo irmão inquisidor, e tem a mascara de satã pregada em seu rosto, para que ela fosse identificada para sempre como uma serva do dêmonio. Antes da execução, a bruxa amaldiçoa a propria familia, prometendo que vai viver novamente no futuro e efetuar sua vingança. Dois séculos depois, um médico e seu assistente (Andréa Checci e John Richardson) viajam pela região, e acabam acidentalmente encontrando a tumba da bruxa e a ressucitando. Agora, a perversa feiticeira pretende executar sua vingança contra seus descedentes, alem de tentar possuir o corpo da bela Katia ( Barbara Steele novamente) para que possa ter juventude e beleza novamente.

 

  A MASCARA DE SATÃ é um filme de terror bastante atmosférico, que evoca aquele climão presente nos velhos filmes de horror da Universal feitos nas décadas de 30 e 40. E Bava utiliza-se muito bem de todos estes cênarios classicos, como a floresta enevoada onde lobos uivam de forma arrepiante, o castelo misterioso repleto de cantos escuros e passagens secretas, a tumba abandonada há séculos que é repleta de teias de aranha, e por ai vai.

 

 A trama do filme é simples, mas super bem conduzida. Na verdade, até lembra um pouco o média metratem O WURDULAK, que Bava dirigiria posteriormente, principalmente no que diz respeito ao par rômantico dos dois filmes.

 

 A MASCARA DE SATàé um filme válido principalmente pela excelente direção de Bava, que não se limita somente a um tipo de manipulação cinematografica para gerar terror ou suspense. Por exemplo, a cena de abertura que mostra a execução da bruxa é chocante pela brutalidade como Bava retrata a tal mascara do titulo sendo impiedosamente pregada no rosto da bruxa. Outra cena que merece destaque é a da ressureição do sevo da feiticeira, onde vemos o sinistro homem emergir lentamente de seu túmulo tambem usando a bizarra mascara de satã, e andar pela noite tempestuosa, até que enfim retira a mascara do rosto, e nos revela o seu rosto apodrecido. Essa sequencia ao contrario da cena de abertura é construida com toda a calma do mundo, apostando mais na sutileza do que no choque. É Bava mostrando que domina ambas as formas de fazer terror.

 

 Enfim, A MASCARA DE SATÃ vale a conferida. É um filme de terror gótico com um clima de suspense e horror muito bem construido. Bava manda bem aqui. Realmente fiquei com vontade de ver mais coisas desse cara.

 

 
Questão2012-02-18 08:45:41
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  • 2 months later...

 

 Visto SEIS MULHERES PARA O ASSASSINO

 

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  Na trama, uma agência de modelos italiana é abalada quando uma de suas modelos é assassinada nas dependencias da agência. Quando o diario da vitima, que contem informações comprometedoras sobre modelos e funcionarios da agencia é encontrado, o assassino mascarado que matou a modelo passa a tentar recuperar o diario, nem que para isso tenha que cometer novos assassinatos.

 

  Apesar do titulo horrivel, SEIS MULHERES PARA O ASSASSINO é um trabalho bem interessante do Bava, com uma direção bastante segura e inventiva, e doses de violencia e erotismo bem generosas para a epoca.

 

 Com certeza, o maior destaque do filme é a fotografia e a direção de arte. Não é uma fotografia que chama a atenção para si, mas constrói de forma perfeita o clima de suspense  da historia. A direção de arte já se destaca mais. Bava faz do vermelho a cor oficial do filme. Vemos o vermelho constantemente em objetos de cena, como nos varios manequins espalhados pela agencia, na capa do diario da primeira modelo morta, na placa da agencia, e mesmo nos telefones. E é claro, no sangue das vítimas. Alias, são através desses objetos de cena que Bava constrói uma inteligente rima visual, ligando o começo e o final do filme.

 

  A violencia do filme como eu já disse, é relativamente intensa para uma produção de 1964. Bava não economiza no sadismo, principalmente na morte da bela Peggy (Mary Arden) que primeiro é cruelmente espancada pelo psicopata, para depois ter seu rosto pressionado contra uma chapa em brasa. Claro que não chega nem perto da violencia que caras como Dario Argento e Lucio Fulci apresentariam na decada de 70, mas na epoca do lançamento deve ter sido bem chocante.

 

 O roteiro é bem simples, quase ingênuo. Temos uma clara trama policial com um claro "quem matou?" com direito a Mcguffin e tudo mais. Alias, na hora de apresentar esse McGuffin, Bava dá uma escorregada feia, ao mostrar um plano do rosto incomodado de cada personagem que consegue no momento em que é revelado a existencia do diario da primeira vitima. Uma falta de sutileza bem atroz do italiano. Mas os italianos nunca foram famosos pela sutileza mesmo, então dane-se06

 

 Mas se o roteiro do filme não é instigante, ao menos não ofende a inteligencia do expectador. Alem do mais, Bava esta claramente mais interessado na estética do que na narrativa. O interesse do italiano é retratar belas mulheres sendo mortas de forma criativa pelo assassino mascarado de chapéu. E isso ele faz muito bem. A atmosfera aqui é muito mais importante que a historia. Exemplifico aqui citando uma otima cena de assassinato que acontece em um antiquario. Bava dá a cena uma iluminação quase non sense, o que dá a ela um perturbador clima de pesadelo e sensação de desorientação, algo que ele já havia feito antes em um dos segmentos de AS TRÊS MASCARAS DO TERROR. O desfecho da cena é rapido e brutal, com o maniaco utilizando uma manopla para golpear o rosto da vitima, depois de persegui-la em um verdadeiro jogo de gato e rato pelo antiquario.

 

 Enfim, SEIS MULHERES PARA O ASSASSINO é o filme menos bom do Bava que ví até então, mas mesmo assim vale muito a pena. Aqui esta a fonte de onde surgiu os subgêneros slasher, e principalmente o giallo. 

 

 

 

 
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  • 4 months later...

Visto OLHOS DIABÓLICOS

 

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Na trama, Nora Davis (Leticia Roman) é uma jovem americana viciada em livros de mistério, que vai passar uns tempos em Roma com uma amiga de sua mãe. Mas a sorte da jovem não anda boa. Em sua primeira noite em Roma, sua anfitriã morre devido a um ataque de pressão alta. Como o telefone esta inoperante devido a uma tempestade, a jovem sai na rua em busca de ajuda, mas acaba levando uma pancada na cabeça após um assalto. Mas os problemas de Nora começam realmente depois que ela acorda, e testemunha uma mulher morrer apunhalada. Ela volta a perder os sentidos depois disso, e ao acordar, não há nenhum cadáver no local. Ninguem acredita na historia da moça, que vê a situação se complicar ainda mais quando descobre que dez anos antes, uma mulher foi assassinada no mesmo local em que ela testemunhou o suposto crime.

 

Há muitas discussões sobre qual teria sido o primeiro filme Giallo, mas não há discussão alguma sobre quem é o pai do Giallo, e este pai é Mario Bava. Com OLHOS DIABÓLICOS, Bava estabelece varias das caracteristicas deste subgênero, como a trama policial envolvendo um assassino em serie que só sera desmascarado ao final, e a pessoa comum que se vê envolvida nesta trama por estar no lugar errado e na hora errada (herança do mestre do suspense Alfred Hitchcock).

 

Ainda assim, esta obra soa bem diferenciada quando comparada aos outros trabalhos do mestre italiano. Neste filme, o cineasta preferiu trocar a sua habitual violencia gráfica pela sugestão. Ao mesmo tempo, há um certo ar de "cinema homenagem" no projeto. Se no posterior A MASCARA DE SATÃ, Bava homenageava os classicos filmes de horror da Universal, em OLHOS DIABÓLICOS, o realizador italiano parece pagar tributo ao cinema Noir. A historia é contada por um narrador observador, que acaba não sendo muito utilizado, já que muitas vezes só nos conta o que estamos vendo, embora Bava não chegue a desperdiçar o recurso totalmente, a exemplo da muito bem humorada cena em que o Narrador nos conta os planos de Nora e o que se passa na cabeça desta enquanto ela monta uma armadilha em sua casa para o assassino.

 

A belissima fotografia em preto e branco se utiliza muito bem do velho jogo de luz e sombras tão comum no cinema noir para gerar o suspense, e de quebra criar belos quadros. Destaque para a cena do assassinato que desencadeia o mote central da historia, onde Nora caida no chão, vê a silhueta do homem de chapéu se aproximar de sua vitíma e arrancar a faca que esta tinha cravada nas costas.

 

O elenco é bem dirigido, e parece ter entendido bem o espirito da obra. Leticia Roman, com seus olhos expressivos, consegue fazer com que o publico simpatize com Nora. A atriz é bem dirigida, conseguindo equilibrar bem os momentos mais apreensivos e os mais bem humorados de sua pérsonagem. Já John Saxon, mais conhecido por seu trabalho como o pai da mocinha de A HORA DO PESADELO, faz o papel simples do namorado preocupado com a paranóia da amada,

 

Enfim, OLHOS DIABÓLICOS é o filme mais "descontraido" do Mario Bava que vi até então. Não é nenhuma obra prima, mas com certeza vale a conferida. Um suspense Bem filmado, que origina o Giallo e homenageia o Noir. Diversão garantida.

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  • 11 months later...
  • 11 months later...

 Visto RABID DOGS

 

 rabid_dogs_dvd.jpg

 

   

   Na trama, três criminosos conhecidos como Doutor (Maurice Poti), Blade (Don Backy) e Trinta e dois (George Eastman) realizam um violento assalto a uma empresa farmacêutica, e na fuga sequestram Maria (Lea Lander) uma mulher que passava, assim como Riccardo (Riccardo Cucciolla) um homem que estava levando um menino doente para o hospital. Os bandidos obrigam seus reféns a leva-los até o local onde vão repartir o dinheiro, em uma tensa e violenta viagem.

 

  Por muito tempo, RABID DOGS foi considerado "o filme perdido de Mario Bava". Apesar de ter sido rodado em 1974, o filme só seria lançado nos cinemas vinte e quatro anos depois, já que na época de seu lançamento, a película foi apreendida pelos tribunais italianos depois que o produtor faliu, em decorrência da morte  do principal investidor do projeto em um acidente de carro. Bava teria tentado resgatar o filme até sua morte em 1980, mas foi somente em 1998 que RABID DOGS finalmente foi lançado no mercado Home Video, graças aos esforços de Lamberto Bava, filho de Mario, e seu assistente na produção deste filme. Palmas para Lamberto, pois se não fosse ele, o mundo não veria mais um ótimo trabalho do mestre Mario Bava, se aventurando em um subgênero até então inexplorado em sua filmografia.

 

  O roteiro escrito por Alessandro Parenzo é totalmente desiludido com a natureza humana, retratando os bandidos como verdadeiros "cães raivosos", especialmente o maniaco sexual Trinta e dois, que faz a histérica Maria passar o diabo em suas mãos, não perdendo uma unica chance de humilhar e aterrorizar a pobre moça. Como em todo o road movie que se preze, os criminosos e os reféns encontram todo o tipo de pessoa em sua viagem, que só reforçam a visão pessimista que Bava lança sobre o ser humano, como o omisso frentista encontrado pelo grupo, ou a oportunista (e irritantemente falastrona) caroneira vivida por Maria Fabbri.

 

 Acostumado a usar a fotografia de seus filmes para aumentar o clima de pesadelo das historias que conta, Bava opta aqui por utilizar uma fotografia mais saturada, para ressaltar o calor da tarde em que a trama se passa, o que consequentemente aumenta a tensão. Os personagens são sempre mostrados estando ensopados de suor, o que aliado aos figurinos esfarrapados e cabelos e barbas desgranhadas, torna personagens como Blade e Trinta e dois ainda mais ameaçadores.

 

  Falando em figurino e penteado, é interessante notar como o filme usa esses dois elementos para pontuar as diferenças entre o trio de criminosos. É só compararmos o visual de Trinta e dois, o mais violento e incontrolável do trio, retratado praticamente como um homem das cavernas, com o do Doutor, de barba feita e usando paletó ao invés das camisas regatas de seus companheiros, e que não surpreendentemente, revela-se como sendo o cérebro do grupo (mas não menos perigoso).

 

  Bava não chega a ser explícito nas cenas de violência. Nunca vemos o punhal de Blade perfurar a carne de alguém, ou as balas do revolver do Doutor rasgar a carne de suas vítimas. Diferente do que havia feito em BANHO DE SANGUE por exemplo, Bava mostra a brutalidade da violência nos momentos que a antecedem e a sucedem, e não no momento em si. Tal recurso funciona muito bem dentro do filme, e de bonus dá ao cineasta a chance de não se repetir.

 

  Destaque também deve ser dado a trilha sonora de Stelvio Cipriani, que já havia trabalhado com o diretor no já citado BANHO DE SANGUE. A musica constantemente presente casa direitinho com o clima do filme, e colabora no crescendo de tensão.

 

  Finalizando, vale muito a pena conhecer esta obra mais desconhecida, e quase perdida de Mario Bava. Um exercício de suspense e violência psicológica, com um desfecho totalmente pessimista e amoral, ressaltado pelo desconfortável plano final. Um thriller road movie de responsa.

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  • 4 months later...

 Visto O CHICOTE E O CORPO

 

 8479_poster.jpg

 

  

   Na trama passada no Sec. XIX, Kurt Menliff (Christopher Lee) é um nobre que retorna ao castelo de sua família anos depois de provocar o suicídio da filha da criada Giorgia (Harriet Medin). Kurt tem uma recepção fria de toda a família, mas não se importa nem um pouco, já que esta ali apenas para reclamar a sua pare da herança. Entretanto, Kurt é misteriosamente assassinado, e pouco tempo depois, sua cunhada Nevenka (Daliah Lavi), com quem mantinha um caso, começa a ver Kurt rondando as dependências do castelo.

 

  Lançado em meados dos anos sessenta, O CHICOTE E O CORPO é mais um horror gótico maravilhosamente dirigido por Mario Bava, que através de imagens fortes e de caráter fortemente onírico mostraram-se extremamente ousadas para o seu tempo. Entretanto, no primeiro ato da narrativa, o diretor faz a sabia escolha de se utilizar de uma linguagem mais sóbria e construir o suspense que existe em torno do personagem de Christopher Lee, desde antes que ele surja na tela, ao mostrar uma silhueta sombria cavalgando em direção ao castelo onde se passa a maior parte da história, enquanto Giorgia fala sobre a índole de Kurt.

 

. O talentoso ator britânico, que ficou marcado principalmente por seu trabalho como o Conde Drácula na franquia da Hammer (algo que a tradução brasileira descaradamente tentou aproveitar ao lançar o filme por aqui inicialmente com o título "Drácula: O Vampiro Do Sexo" :blink: ) tem uma atuação excelente como Kurt. Irônico e sedutor, Lee mantém um olhar sempre debochado no rosto do nobre sádico, que com longas vestes negras, anda quase como uma aparição pelo castelo de sua família.

 

  Mas é na relação de Kurt com Nevenka, vivida pela belíssima Dallah Lavi é que se encontram as maiores ousadias de O CHICOTE E O CORPO. Desde o início é clara a tensão sexual que existe entre os dois personagens, que enfim é liberada em uma cena passada na praia próxima ao castelo, onde os dois transam, não sem antes ela tomar umas chicotadas de Kurt. Embora essa não seja a cena mais explicita do filme, fica claro que a violência excita a moça, e que ela sente grande culpa por este fato. Isso fica mais claro ainda em uma cena posterior, em que Nevenka volta ser chicoteada por Kurt em seu quarto. Vemos a dor e o medo dela transformar-se em prazer através de um orgástico sorriso e gemidos abafados, e em seguida essas emoções serem substituídas pela culpa em um choro sufocado. Tratar tais temas em um filme de 1963 decididamente não era pra qualquer um.

 

  Entretanto, Bava começa a exibir sua pericia estética mesmo a partir da cena do assassinato de Kurt. A sequência envolvendo uma tempestade e cortinas esvoaçantes é bastante sinistra e chocante por seu final brutal para o personagem. Dai em diante, o cineasta juntamente com o seu fotógrafo Ubaldo Terzano, com quem já havia trabalhado em AS TRÊS MASCARAS DO TERROR dá ao filme um clima total de pesadelo macabro. O corredor que Nevenka percorre a noite ao escutar um sinistro estalar de chicote parece simplesmente não ter fim, a silhueta de Kurt empunhando o chicote, que a garota enxerga enquanto esta deitada em sua cama surge não como algo humano, mas sim fantasmagórico e aterrador. A enorme mão do agressor avançando em direção ao rosto de Nevenka é filmado por Bava sob uma luz azulada, como se esta fosse uma verdadeira entidade.

 

  O roteiro escrito a seis mãos é bastante coeso, contando uma narrativa que funciona como Whodunit, thriller sobrenatural e o já citado thriller psico sexual. Não acredito que a reviravolta final vá pegar alguém de surpresa, mas este é um dos casos em que a viagem vale muito mais do que o destino. Por fim, a trilha sonora de Carlo Rustichelli funciona dentro do contexto e da atmosfera do filme, mas não se destaca muito.

 

  No geral, O CHICOTE E O CORPO é mais um ótimo exemplar da filmografia deste mestre que foi Mario Bava. Um thriller gótico com o estilo estético inconfundível do diretor, um vilão muito bem interpretado por Christopher Lee, e um conteúdo psico sexual bastante interessante. Recomendo fortemente.

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  • 3 months later...
  • 1 year later...

 Shock4.jpg

 

 

  Este ultimo filme de Bava antes de ele nos deixar ainda guarda muito do estilo visual que o cineasta desenvolveu ao longo de sua carreira (especialmente em sua produção ao longo dos anos 60) mas ao mesmo tempo conversa muito com o novo cinema de horror italiano que surgia na época, através de nomes como Dario Argento e Lucio Fulci. Não chega nem de longe a ser o melhor trabalho do Bava, mas é uma história de fantasma bem atmosférica que vale a conferida.

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 Postando o meu top Bava atualizado.

 

 TOP BAVA

 

 1) BANHO DE SANGUE

 

 2) A MASCARA DE SATÃ

 

 3) O CHICOTE E O CORPO

 

 4) O CICLO DO PAVOR

 

 5) OLHOS DIABÓLICOS

 

 6) RABID DOGS

 

 7) AS TRÊS MASCARAS DO TERROR

 

 8) SEIS MULHERES PARA O ASSASSINO.

 

 9) PLANETA DOS VAMPIROS

 

10) SCHOCK

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