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As Horas


jamesbond007
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obs: Pra qm gostou do filme vale a pena ler, as falhas são bem consideráveis!

PS: é Control V + Control C rsrsrsrsr foi tirado desse site: http://www.virginiawoolf.pro.br/00_frame.htm

comentário sobre o filme As Horas

por Vera Lima

Alguns amigos vêm-me cobrando uma posição sobre o filme The Hours (As Horas), principalmente depois que Nicole Kidman recebeu o Oscar de melhor atriz de 2002, por sua atuação nele.  Trata-se, na verdade, de uma cobrança lisonjeira por parte deles, já que depois de minha defesa de tese, parentes e amigos me "promoveram" à categoria de "especialista em Virginia Woolf". 

Honestamente, entretanto, não me vejo merecedora de tal título.  Acredito que "estudiosa e admiradora desta grande pensadora do século XX" caiba melhor, em meu caso. Afinal, meu conhecimento dentro do universo woolfiano é bastante setorizado, em virtude dos objetivos de minha tese de doutorado.  Além disso, tenho muita dificuldade em falar em poucas linhas sobre Virginia Woolf, ao contrário do que se dá  com verdadeiros especialistas. 

Entretanto, a urgência da questão me leva a um esforço de síntese e me impele a expressar meu protesto ante o filme, além de fazer alguns esclarecimentos.   A urgência e o protesto se explicam pelo "des-serviço" que The Hours  presta à imagem de Virginia Woolf.  O filme sinaliza um retrocesso crítico, pois volta a reforçar preconceitos que no passado esvaziaram a potência da escrita de Virginia e banalizaram sua biografia.  

Refiro-me a julgamentos difundidos entre os anos 40 e 70, por tendências conservadoras da crítica acadêmica e jornalística, que supervalorizaram certos episódios da vida pessoal de Virginia, com intuito denegridor.  Isso explica os rótulos de "excêntrica", "louca", "esnobe" e "obscura" que estiveram associados a seu nome, durante anos, e afetaram desfavoravelmente a recepção de sua obra em diversos círculos leitores.

Em décadas recentes, estes estereótipos começaram a cair, em função da emergência de novas tendências teóricas, e também em decorrência da publicação integral de seu legado autobiográfico.  Estes dois fatores deflagraram verdadeiras ondas de releituras e reviravoltas na fortuna crítica da autora.  Abriram campo para apreciações mais finas de um dos pensamentos mais lúcidos e brilhantes que o século XX produziu, e que havia estado, em parte, preservado em diários e cartas pessoais.  (Num dos capítulos iniciais de minha tese, disponível neste site, capítulo 2: fortuna crítica de Virginia Woolf, me aprofundo nesta questão da evolução de sua fortuna crítica.)     

Compreende-se, portanto, que os estudiosos que abraçaram a causa de difundir leituras mais "saudáveis" e luminosas da obra e biografia da escritora lamentem o retrocesso e se preocupem com a repercussão do filme, principalmente junto às novas gerações ainda não-leitoras de Virginia Woolf.  Alguns vêm lançando seus protestos pela Internet e junto-me a eles agora neste espaço para tecer um breve comentário crítico sobre o filme dirigido por Stephen Daldry, com roteiro de David Hare e inspirado no romance The Hours de Michael Cunninghan.

o problema das fontes

Virginia Woolf nasceu e viveu em Londres, entre 1882 e 1941.  Foi uma influente romancista e uma das principais mentoras do modernismo inglês.  Virginia levou a técnica do fluxo da consciência  a uma expressão sublime e publicou 9 romances e 4 coleções de contos.  Além disso, foi uma prolífica ensaísta e crítica literária, que deixou, nos mais de 2000 ensaios hoje coletados, escritos sobre literatura, arte, a questão feminina e o pacifismo, dentre outros temas.

  Desde os tempos de suas primeiras publicações, a obra de Virginia Woolf foi recebida e admirada tanto pelas vanguardas crítico-literárias, quanto pelo grande público, em virtude de seu lirismo e inovações formais.  Entretanto, também datam desta fase inicial as primeiras difamações e “mexericos” sobre sua vida pessoal e biografia. 

Em anos recentes, esta segunda tendência se viu sutilmente renovada por algumas publicações não mais em tablóides sensacionalistas, mas em livros portadores de uma suposta "legitimidade" acadêmica.  Dentre estes se destaca aquele de Louise de Salvo, intitulado Virginia Woolf:  the Impact of Sexual Abuse in her Life and Work (Virginia Woolf:  o impacto do abuso sexual em sua vida e obra), publicado em 1990. 

Este título se tornou um "best-seller", mas foi recebido com restrições por muitos estudiosos de Virginia Woolf, devido a suas pretensões clínico-psicológicas.  Menciono-o aqui por se tratar de uma das principais fontes biográficas que conduziram o romance escrito por Michael Cunninghan e, por conseguinte, o roteiro do filme.   

O texto de Louise de Salvo se propõe a explicar os "episódios de loucura" por que passou Virginia Woolf, a partir de uma "leitura clínica", que examina atos de abuso sexual, supostamente perpretados contra ela na infância por um meio-irmão mais velho.  Esta questão do incesto permanece até hoje hipotética e controvertida para muitos especialistas em Virginia Woolf.  No entanto, a intenção de Louise de Salvo é clara e simples.  Consiste apenas em levantar hipóteses e teorizar sobre uma possível "patologia psicológica" e suas causas.  Não há pretensão do texto em revelar ou documentar fatos biográficos novos e, principalmente, de se constituir como uma biografia.   Pode-se gostar ou não da proposta de de Salvo, questionar se foram surtos de loucura, estafa ou depressão os episódios que acometeram Virginia Woolf, se houve incesto ou fantasia de incesto, mas não se pode ignorar a coerência entre a metodologia de Louise de Salvo e sua proposta. 

Para alcançar seus objetivos, de Salvo recorre a uma "colagem" contendo exclusivamente episódios críticos ou "patológicos" da vida pessoal de Virginia, da mesma maneira que Freud fez com os casos que redigiu.  Ela não se obriga, assim, a incluir em seu texto os "bons" períodos da vida de Virginia, nem análises de suas obras ou idéias e, principalmente, outras hipóteses que contrariem as suas.  

O livro de de Salvo requer, portanto, o estofo de outras fontes, quando a questão é pintar  um "retrato vivo" de Virginia Woolf.  Com isso, não se está exigindo, competência de "exatidão" ou "realismo" na técnica do retratista.  Ao contrário, os meios técnicos  se afiguram secundários neste caso.  O que realmente se esperaria de um bom retratista seria a capacidade de evocar, sugerir e deixar entrever o máximo possível de complexidade num mínimo possível de linhas. 

Economia e condensação são grandes desafios não só para os bons retratistas, mas também para os  bons roteiristas, os bons escritores e todos os profissionais que se consideram "artistas" ou criadores.  Ela se relaciona a algo que, na falta de outra palavra, chamaria de verossimilhança persuasiva.  (Prefiro esta expressão a mimesis, devido às implicações históricas que esta tem com diferentes  noções de representação).  Ou seja, refiro-me à capacidade do artista ou criador de deflagrar no observador, leitor ou espectador, uma boa-vontade para suspender momentaneamente a descrença crítica e acreditar que aquilo que está lendo na página ou vendo numa tela de cinema seja real.  Isto é,  que seja real, durante duas horas ou o tempo de uma leitura, não porque tenha referências empíricas ou realistas, mas porque convence, comove e produz ressonâncias no receptor.

Não vem ao caso especular se esta capacidade de síntese e persuasão do artista é propiciada por um dom inato ou não, pois o que interessa é que, mesmo que o seja, ela exige muito esforço e trabalho de sua parte.  A criação não é gratuita.  Vem daí a necessidade dos artistas e criadores de passarem a vida enriquecendo e renovando suas fontes, saindo de si mesmos e experimentando novas matérias-primas.  Só assim eles podem se tornar filtros de sensações e informações a devolverem condensações para o mundo, sob forma de obras de arte. 

Neste sentido, Louise de Salvo não se propõe a criar ou a ser artista, mas simplesmente a fazer especulações clínicas em cima de dados informativos e desconexos que conectou.  Entretanto, Michael Cunninghan, o romancista, e David Hare, o roteirista, têm pretensões de criarem um retrato vivo e ficcionalizado de Virginia Woolf.  Só que para isso tomaram o livro de de Salvo como fonte de informação biográfica primordial e quase exclusiva.

Não é de se espantar, portanto, que o resultado tenha sido uma caricatura grotesca, que não convence, nem como personagem ficcional, nem como retrato documental.  Este é o aspecto mais lamentável do roteiro: a não-consolidação da personagem ficcional Virginia Woolf.  Isso faz com que até mesmo quem desconheça a vida e a obra da escritora Virginia Woolf e entre no cinema com o simples intuito de se "distrair e ver um bom filme" se incomode na poltrona.  Por mais boa-vontade que tenha o espectador (e isso ele tem, pois está pagando para ser convencido), a personagem na tela não lhe dá elementos para estabelecer empatia ou pelo menos compreender seu sofrimento.  Ela não ajuda.  Não expõe, sugere ou insinua qualquer complexidade ou multidimensionalidade.  Sua máscara dura e rígida, seu olhar vitrificado e vazio e seus trejeitos abruptos apenas sugerem uma criatura neurótica que passa o tempo a escrever e a preocupar o marido.  É esta "unidimensionalidade reduzida" da personagem que a torna uma caricatura.  No entanto, isso não teria importância alguma, caso ela não exercesse um papel tão central na trama ou não levasse o nome de Virginia Woolf.  

Com este nome ela ganha referência histórica e empírica e esta exige estofo e embasamento para sua sustentação.  E a falta destes no roteiro é evidente não só para estudiosos ou especialistas, mas para qualquer pessoa que tenha um mínimo conhecimento da obra e da biografia da escritora Virginia Woolf.  É impossível não se irritar com o espetáculo, pois os equívocos histórico-biográficos saltam aos olhos toda vez que Nicole Kidman entra em cena, com sua prótese nasal, cenho franzido, cigarro erguido e vestidinho florido.  

Os erros são inúmeros, mas me limito aqui a apontar os mais evidentes.

os equívocos do roteiro

O primeiro equívoco que gostaria de apontar é muito básico e de natureza estritamente histórica.  Trata-se da associação feita entre a  redação do romance Mrs Dalloway e o suicídio de Virginia.  Mrs Dalloway foi escrito entre 1923 e 1924 e publicado em 1925.  Virginia  só se suicidou em 1941, isto é, 16 anos depois.  No filme, contudo, Nicole Kidman sequer "envelhece" entre o momento em que escreve à pena o romance e aquele em que se prepara para imergir no rio Ouse.  Poderia pelo menos ter-se dado ao trabalho de trocar o vestidinho florido de 1923 por outra roupa... 

O roteiro de David Hare apresenta Virginia, durante a época da redação de Mrs Dalloway, como uma "louca" arrogante e insensível às questões alheias.  A "Virginia de Hare e Cunninghan"  não se importa, por exemplo, em sobrecarregar Nelly, a cozinheira, enviando-a à cidade, em meio às tarefas do dia, só para atender um capricho.  Tampouco  se sensibiliza com as preocupações de Leonard ou se interessa por suas atividades na gráfica.  De fato, nada no filme leva a crer que aquela Virginia, durante a redação de Mrs Dalloway, continuava ativamente envolvida com a Hogarth Press, a editora independente que ela e o marido haviam fundado e através da qual haviam lançado obras de James Joyce, Katherine Mansfield e T.S. Elliot, entre outros escritores modernos.

Nada tampouco sugere que ela continuava assídua a suas leituras, ao convívio social com amigos e às contribuições para o suplemento literário do jornal The Times, ao qual esteve ligada por 30 anos. 

Ou seja, em nenhum momento, o filme deixa entrever o interesse pelo mundo fora de si mesma, que constituía uma das fontes de matéria-prima de suas criações, ou a doçura e a afabilidade que animavam o caráter da escritora.

De fato, sua relação com Leonard aparece fria, distante e paternalista, mas basta uma rápida consulta a seus diários da época para perceber o quão forte era o companheirismo no casal, ele nutrindo profunda admiração pelo trabalho literário da esposa e ela orgulhosa pelas atividades pacifistas e socialistas do marido.  A Virginia de Cunninghan tampouco parece inspirar amizade, admiração ou respeito em Vanessa Bell, a irmã por quem Virginia Woolf tinha verdadeira adoração, mas nunca qualquer relação homossexual. 

Quanto aos 3 sobrinhos, os filhos de Vanessa, o filme não abre brecha que permita entrever o quanto adoravam a tia.  Quentin Bell, que aparece debochando dela no filme, dedicou anos de sua vida adulta a escrever a primeira biografia autorizada de Virginia Woolf.  Nela, Bell conta com sua própria memória pessoal, dentre outras fontes, para extrair um minucioso e comovente relato de 600 páginas, intitulado Virginia Woolf:  a biography, publicado em 1972. 

O reducionismo do roteiro tampouco poupou Mrs Dalloway.  Sem sair de sua primeira página, o filme passa a impressão de se tratar de um "dramalhão" pesado e deprimente, que só gravita em torno da questão do suicídio, quando também se trata de uma luminosa reflexão sobre a vida e o desejo de viver.  Mrs Dalloway certamente merece ser lido e relido, e se possível no original.  Não conheço a tradução para o português e não recomendo sua versão para o cinema, antes da leitura.  A adaptação é honesta e correta e conta com o brilho de Vanessa Redgrave no papel principal.  A direção da desconhecida Marleen Gorris, contudo, se revela incapaz de perfurar a camada estritamente externa dos fatos objetivos do enredo, para acessar a camada dos afetos e intensidades, em que o texto vibra.

Enfim, seria possível continuar listando outros exemplos de equívocos.  Ao invés disso, no entanto, prefiro olhar um pouco mais de perto o roteiro e tentar sugerir soluções de como "salvá-lo".   

da próxima vez, senhores ...

Pode-se argumentar, em defesa do roteirista e do diretor, que a adaptação de um romance para a tela é sempre problemática, ainda mais quando o texto original apresenta complexidades de tempo e enredo, como é o caso das Horas de Michael Cunninghan.  Cortes e simplificações radicais são exigidos e isso compromete, de fato, a aproximação entre o produto final e a obra-fonte.  Por outro lado, também é válido o argumento de que um roteiro adaptado não tem qualquer obrigação de se reduzir a uma simples tentativa de transposição de suportes, do papel para a tela.  Ele  pode ser, em si mesmo, uma criação ou uma ficcionalização livre, meramente inspirada numa fonte literária. 

Seja como for, sugiro que o roteirista, da próxima vez (em outra encarnação, talvez...)  deixe de fora  a estória pessoal de Virginia Woolf  e se restrinja às estórias das duas leitoras do romance Mrs Dalloway.  Ou seja, sugiro que limite sua atenção à dona-de-casa de 1951, interpretada por Julianne Moore, e a artista do ano 2001 vivida por Meryl Streep.  Ante a contestação de que isso já seria outro filme, retruco afirmando que esta alteração foi o que faltou às Horas para torná-lo um filme convincente e digno do elenco que o abrigou.  Com este corte, mas preservando-se a menção a Mrs Dalloway, seria possível tornar o simples nome "Mrs Dalloway" um "gancho" sutil a conectar as tramas das duas mulheres.  A tensão da narrativa teria como se concentrar mais facilmente assim, ao invés de se dispersar ante a dificuldade de se abordar três vidas, em três épocas diferentes e em apenas duas horas de filme.  Desta maneira, o clímax alcançaria um impacto mais intenso e eficaz, quando fosse revelado que o menino de 1951 é, em 2001, o artista aidético vivido por Ed Harris e, na verdade, o principal elemento articulador das duas tramas que se entrelaçam.  

Além de uma melhoria no ritmo, o corte favoreceria a credibilidade do que se vê na tela, pois restringiria as pretensões do filme a uma ficcionalização livre de fatos possíveis e verossímeis, mas sem comprometimento histórico.  E faria um favor ao nome de Virginia Woolf, uma vez que uma menção sutil e velada à sua obra e biografia respeitariam-nas mais e produziriam uma curiosidade mais favorável no público não-conhecedor da autora do que uma patética caricatura.

O problema de Stephen Daldry, o diretor, foi sua opção por um caminho arriscado, aquele de se trabalhar com uma biografia já muito estudada.  Esta é uma trilha de grande risco, pois a margem para a invenção e a ficcionalização são muito apertadas:  afinal, está-se entrando em domínios de competência e especialidade alheias.  Por aí sai-se da liberdade da "estória" para os rigores e constrições da "História".  O resvalo para o ridículo é uma ameaça constante e, por este motivo, pesquisa, embasamento e fundamentação não podem ser poupados. 

Entretanto, por envolver apenas os realizadores da obra cinematográfica, o risco do ridículo não é tão grave quanto o resvalo ético.  A  responsabilidade que um agente da grande mídia tem com os nomes e as imagens que veiculam em seus filmes e programas não pode ser subestimada. A denigrição não é apenas uma questão de mau gosto.  

Talvez, entretanto, ainda seja cedo demais para se falar em "danos" inflingidos à imagem de Virginia Woolf  para as novas gerações.  Muitas vozes protestam indignadas contra o filme, em vários meios, e os jovens de hoje têm na Internet um leque de opções informativas mais flexível e diversificado, que aquele proporcionado pelo monolito do "cinemão" de Hollywood e suas academias.  E é possível até que estejam rindo do papelão desempenhado por Nicole Kidman...

Esperemos apenas que esta não os desencorage a ler Virginia Woolf, em versão original e sem prótese.

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Depois de ler o texto, só posso tirar uma conclusão:

Diplomas não são atestado de inteligência. (Oh! Que novidade!)

A única qualidade da doutoranda é saber escrever - mas sem defender uma idéia plausível seu texto se transforma em uma falácia. E esse foi o caso.

Os únicos momentos em que parece que virá alguma coisa interessante são facilmente desmentidos por um "fato ou opinião?". Além do mais, os motivos em que ela se baseia pra dizer que a persona Woolf ficou comprometida são:

Ah, no filme ela se suicida logo depois de escrever Mrs. Dalloway, na realidade não foi assim!

A Virginia do filme era arrogante e insensível, e na realidade não era assim!

A relação com o marido e a irmã é diferente do que era na realidade!

Que equívocos do roteiro!

Convenientemente ela parece esquecer que o filme não se chama "Virginia Woolf" e nem é biográfico. Além do mais, mesmo se fosse biográfico, 'os equívocos do roteiro' deveriam ser mantidos, porque tornaram a composição da personagem ainda mais saborosa.

Quem diria, entre fãzóides do Batman, do Superman, do Homem Aranha, do X-Men, de SDA, de SW, de Matrix, estão também os fãzóides de Virginia Woolf.

vomit-smiley-007.gif

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é um ponto a se pensar com certeza, porque o filme realmente não é uma biografia e deixa claro o tempo todo. Eu acho que a idéia era mostrar como a obra Mrs. Dalloway influenciou as gerações futuras. E neste contexto mesmo que hajam falhas ao retratar a virginia woolf como foram expostas no artigo, são perfeitamente perdoáveis. e acho, ao contrário do que pensou a mulher do artigo e a maioria das pessoas que assistem o filme "as horas" as que o título se refere não são inerentes a Virgínia Woolf mas sim as personagens da Meryl Stripp, Julianne Moore e do Ed Harris. Talvez o erro do filme foi vender Nicole Kidman como atriz principal quando na verdade o personagem não se apresenta assim. (Sem discutir que a interpretação dela foi brilhante de fato).

Eu acho o roteiro de as Horas é igual ao d Syriana, sem atores principais, todos os "coadjuvantes" são importantes.

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Alguém tem que avisar a moça que cinema é fantasia por excêlencia, em vários dos possíveis sentidos que a palavra possua.

Deviam proibir pessoas que julgam ser capaz de tescer críticas a respeito de qualquer arte levando em conta a razão como foco principal, sendo que no texto aí de cima, até a razão passa longe, mas enfim.

Apenas digno de pena.

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Alguém tem que avisar a moça que cinema é fantasia por excêlencia' date=' em vários dos possíveis sentidos que a palavra possua.

Deviam proibir pessoas que julgam ser capaz de tescer críticas a respeito de qualquer arte levando em conta a razão como foco principal, sendo que no texto aí de cima, até a razão passa longe, mas enfim.

Apenas digno de pena.

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Concordo com vc FeCamargo.Simplesmente me irrita ver algumas pessoas comentando cinema,especialmente filmes q tratam de pessoas reais ou adaptações e ouvir da pessoa q ela naum gostou do filme pelo fato de q "NÃO FOI FIEL",fidelidade essa confundida transposição de TUDO.A fidelidade para mim consiste em transmitir ao espectador o espírito da obra ou de um artista,naum importando se foi alterado o número da rua onde fulano de tal realmente nasceu.Parabén FeCamargo!smiley32.gif

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 Ruby resumiu em um emoticom o que eu senti ao terminar de ler esse texto: vomit-smiley-007.gif

Quando as pessoas vão aprender que o cinema, por ser uma arte, permite várias interpretações de um mesmo tema e que, por isso, não existe essa obrigação do cinema retratar a "verdade"??? Ainda mais pelo fato de que o filme em questão não tem a menor pretensão de ser biográfico...

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Seja como for' date=' sugiro que o roteirista, da próxima vez (em outra encarnação, talvez...)  deixe de fora  a estória pessoal de Virginia Woolf  e se restrinja às estórias das duas leitoras do romance Mrs Dalloway.  Ou seja, sugiro que limite sua atenção à dona-de-casa de 1951, interpretada por Julianne Moore, e a artista do ano 2001 vivida por Meryl Streep. [/quote']

Deixar de lado a história da única personagem que realmente existiu e focar o filme nas duas outras que são ficção? Humm... brilhante conselho...

 

 

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Discordo quando dizem q a Virginia Woolf de As Horas era uma pessoa insensível e outros atributos.GALERA:AS HORAS MOSTRA UM DIA,EU DISSE UM DIA NA VIDA DA ESCRITORA!!!!!!!!!!!!!!!Não é prq naquele dia a escritora se sentia incomodada com a vida q levava e consequentemente a fazia confrontar com o marido q vamos deduzir q ela naum amava-o.Enfim...

A ausencia de Virginia na história a tornaria menos interessante ao meu ver.As três personagens se completam.

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Sim Texer eu entendi... eu fui... ah.. deixa pra lá.

smiley25.gif 

OBS:Queria dar uma sugestão para modificar o nome do tópico' date='ele foi "batizado" de As Horas só q a discussão não é propriamente do filme mas do artigo dessa moça daí de cima...

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Que vem a ser justamente sobre o filme... então... deixa o título como está.

 

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  • 3 months later...

o que  importa é o roteiro e as situações vividas pelas 3 personagens permitindo interpretações de diversas camadas. não é uma biografia de virginia mas sim uma tese de  como as personagens femininas são fortes e se deixam em segundo plano para satisfazer as necessidades dos homens de sua vida. é muito interessante e original a ligação entre elas atraves do livro.

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Nossa, todo esse ódio contra o artigo certamente mostra que existe muitas pessoas dispostas a aceitarem serem transformadas em transexuais assassinos em filmes sobre sua vida só para agradarem ao público. 03

 

Ok, sobre:

 

O filme: Considero As Horas um bom filme. Apenas bom, visto que funcionaria melhor como uma trilogia, visto que 2 horas foi muito pouco para contar três histórias, sem que ficassem soando superficiais. Não duvido nada que o livro seja centenas de vezes melhor.

 

O artigo: Apesar de algumas idiotices, como criticar a premiação de Nicole Kidman (se mereceu ou não é uma discussão que deve ser baseado em sua atuação, não no realismo do personagem) eu não critico o artigo.

Diferente do que o cinema americano adora dizer, as pessoas tem direito SIM de exigir que um filme seja fiel aos fatos. Um flme pode ser classificado entre bom ou ruim dependendo do seu realismo? Não, mas que as pessoas tem direito de reclamar caso a história seja alterada, elas tem esse direito sim.

 

Yoh2006-12-05 14:16:47

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Que equívocos do roteiro!

Convenientemente ela parece esquecer que o filme não se chama "Virginia Woolf" e nem é biográfico. Além do mais' date=' mesmo se fosse biográfico, 'os equívocos do roteiro' deveriam ser mantidos, porque tornaram a composição da personagem ainda mais saborosa.

Quem diria, entre fãzóides do Batman, do Superman, do Homem Aranha, do X-Men, de SDA, de SW, de Matrix, estão também os fãzóides de Virginia Woolf.

vomit-smiley-007.gif

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Olha até aceito que considerem tanto a composição de Nicole Kidman como a sua premiação superestimadas e equivocadas , mas as críticas aos ditos erros na biografia de Virginia Woolf não procedem se formos considerar As Horas como um conto simbólico em um dia na vida de três mulheres, seus anseios , suas ligações construída por uma linguagem tipicamente literária ( ou cinematográfica , em se tratando do filme baseado no livro)  . Nesse contexto , Virginia é mais um personagem do que qualquer outra coisa .É mais do que óbvio que o autor Michael Cunningham já a construiu assim : encaixar Virginia como personagem no contexto , além de homenagear a sua forma de escrever através do tipo de fluxos temporais e ligações entre os personagens .

 

 

Rubysun , os fãzóides existem em todo lugar ... Nem o meio dito " acadêmico " se salva , pois existem fãzóides de Virginia Woolf , William Shakespeare , Ernest Hemingway , Philip Roth , Machado de Assis , Eça de Queiroz e etc , etc ... 

 

Só explicando que aqui não está sendo criticado o fã , que todo o direito de defender a sua obra de adoração . No entanto , espera-se que faça com críticas sensatas, comentários pertinentes e sem pedantismo ou exageros fanáticos .   

 

Quanto às passagens temporais : a moça não prestou mesmo atenção nos detalhes do filme e isso acontece até mesmo nos meios ditos " acadêmicos " ...
Fernando2006-12-05 17:43:08
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O texto se sairia bem como crítica a uma biografia. E' date=' como As Horas não é uma...[/quote']

Mas fala de uma pessoa real. E nesse ponto o filme poderia/deveria ter algum respeito pela pessoa.

 

Eu tiraria o "deveria" de seu post. O filme apenas poderia ser fiel aos fatos. É uma escolha da equipe, e a meu ver não influi em nada na qualidade do filme.

 

Vide Amadeus, que é muito pouco fiel à história de Mozart.
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Quanto às passagens temporais : a moça não prestou mesmo atenção nos detalhes do filme e isso acontece até mesmo nos meios ditos " acadêmicos " ...

 

Ela notou sim a passagem dos anos. O que a irritou foi não terem mudado em nada a aparência de Virgínia de uma cena para outra (e não mudaram) e terem feito parecer que o suicídio teria alguma coisa a ver com o que ocorreu naquele dia, 16 anos atrás.

 

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O texto se sairia bem como crítica a uma biografia. E' date=' como As Horas não é uma...[/quote']

 

Mas fala de uma pessoa real. E nesse ponto o filme poderia/deveria ter algum respeito pela pessoa.

 

Eu tiraria o "deveria" de seu post. O filme apenas poderia ser fiel aos fatos. É uma escolha da equipe, e a meu ver não influi em nada na qualidade do filme.

 

Vide Amadeus, que é muito pouco fiel à história de Mozart.

 

Não estou comentando a qualidade do filme. Qualidade é uma coisa, respeito pela história é outra completamente diferente, e é sobre esse respeito que o artigo foi escrito.

Afinal, coloque-se no lugar... imagine que vc morra atropelado hoje. Amanhã  alguém resolve fazer um filme sobre a  vida dos brasileiros no presente e pega vc para protagonista para uma das histórias (seu nome, siua idade, sua família, tudo que nem a realidade). Inventa que vc é um estuprador-sequestrador-pedófilo e que a sua morte foi porque vc foi atropelado enquanto perseguia uma de suas vítimas para matá-la. Vc acha que sua família e amigos deveriam ficar parados e deixar  tudo assim porque simplesmente "o filme é bom" ? Afinal, só porque o fime queria provar que existem pessoas más no Brasil ele tinha o direito de pegar sua vida e inventar um monte de coisas?

Não, assim como o filme As Horas não tinha o direito de fazer o mesmo com Virginia Wolf.

 

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O filme foi baseado no livro, As horas, e se no livro é assim, então no filme também teria que ser.

Não é baseado em nenhuma biografia da Virginia e sim nesse livro, e como o livro a retrata assim, nada mais normal do que o filme seguir os mesmos passos.

Amo o filme, um filme com um elenco maravilhoso e atuações idem, Nicole Kidman dá um show, assim como Juliane Moore.

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