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-felipe-

Filhos da Esperança

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Achei o trailer bem fraquinho. Esperarei pelas críticas. 

 

Filhos da esperança


 

 

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Filhos da esperança
Children of Men

EUA/Inglaterra, 2006
Ficção/Drama - 109 min

Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro
: Alfonso Cuarón e Timothy J. Sexton, baseado em livro de P.D. James

Elenco: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Chiwetel Ejiofor, Charlie Hunnam, Claire-Hope Ashitey, Pam Ferris, Danny Huston, Peter Mullan, Oana Pellea, Paul Sharma, Jacek Koman

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Que me perdoem os clipeiros, eisensteinianos, pós-modernos e adeptos da montagem em geral, mas há poucas coisas no cinema tão fascinantes - e eficientes - quanto um bom plano-sequência.

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006) é o filme mais ambicioso do cineasta mexicano Alfonso Cuarón não apenas por sua temática futurista-globalizada, mas também por suas escolhas técnicas. Rodar grandes cenas de guerra com armamento pesado, explosões e correria já é difícil com várias câmeras. Imagine então com um único ponto-de-vista registrado em um só take longo e sem cortes. Há pelo menos dois planos-sequência no filme, em plena ação, a tocaia na estrada e a quase-execução depois de Bexhill, que pagam o ingresso.

A história se passa na Inglaterra, 2027. Já faz 18 anos que a humanidade se tornou infértil. A incapacidade reprodutiva provoca mais caos social, já agudo com o problema dos imigrantes, da fome e das doenças. Tudo piora quando a pessoa mais jovem da Terra falece. O ex-ativista e hoje burocrata Theo (Clive Owen) não consegue chorar a perda. Pelo contrário, consegue dispensa do trabalho alegando falsamente o peso do luto. Theo parece resignado - algo lhe falta, como na alma de todo herói. Quando uma menina negra se descobre grávida, e vira a pessoa mais perseguida do mundo, ele se vê impelido a protegê-la.

O esforço maior de Cuarón é tornar a cenografia de 2027 ao mesmo tempo apocalíptica e próxima de nós. Daí a escolha pelos planos longos, maneira de captar o espaço, mensurá-lo melhor, sem deixar escapar um detalhe, que seja uma placa de rua vista de relance. É o olhar absorto de Theo, virando-se de um lado ao outro muitas vezes sem acreditar no que vê, que nós acompanhamos, ainda que muitas vezes em terceira-pessoa. E a visão do mundo que o mexicano nos oferece através do personagem é angustiante - especialmente porque há muito nela que já acontece hoje em dia.

Mães árabes chorando a perda dos filhos, famílias do Leste da Europa mendigando comida em Londres, fotos e flores para os ídolos mortos, vacas queimadas para barrar epidemias, gente mais afeita a cães e gatos de estimação do que a contato humano de verdade. No fundo, o que há de novidade nessa ficção científica é a inexplicada premissa biológica - de resto, o futuro já chegou.

Há sempre a esperança, claro, como a própria tradução do título diz, e no filme essa luz tem muito de subtexto religioso (Theo fica sabendo da gravidez numa espécie de manjedoura) e muito de utopia cafona (a nau da salvação se chamar Amanhã é de um simbolismo dos mais piegas). A procura por respostas pontuais a dilemas tão vastos tende a ser problemática. Como em E sua Mãe também, Cuarón é bom em diagnósticos, não em soluções. E o que de melhor ele oferece em Filhos da Esperança é a sua percepção do mundo atual. Mais do que com estilo, ele nos filma com atenção.

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Ah... só eu notei que esse filme estreou aqui ANTES do que nos EUA? Alguém sabe explicar isto?

 

Imagino que o Cuarón tenha pedido um lançamento antes para a América Latina, mas que não muda o fato de ser estranho, não muda.

 

 

 

 

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Assisti ontem. Que filmão!

 

Os aspectos tecnicos desse filme são inacreditaveis. O recurso do plano-sequencia é usado a exaustão e gera 3-4 cenas inesqueciveis. Esse filme conseguiu ter a cena de guerrilha urbana mais impressionante que já vi no cinema, o melhor campo de concentração já montado cinematrogaficamente e algumas das cenas mais tensas já gravadas. Serio, o grande plano-sequencia do filme deve durar uns 10 minutos e envolver centenas de figurantes, tiros, explosoes, animais e tudo mais. Completamente insano.

 

Em termos de historia, é evidente a relação desse filme com "E a sua mãe também" em alguns pontos: 1) fiapo de historia que serve como condutora para um mundo com background elaborado e de diversos problemas; 2) ausencia de soluções aparentes ao final da projeção. No caso aqui, a historia central gira em torno do nascimento de uma criança após 18 anos de esterilidade mundial, e varios grupos perseguirem a mãe do bebe para usarem ele para fins politicos enquanto ela luta para ter o filho em paz.

 

A reconstrução do futuro é de dar medo, não há tecnologia ULTRA avançada. Não há carros voadores, robos e nada do genero. É um dos futuros mais realistas e decadentes já colocados em um filme. O background politico é extremamente real e de facil identificação, e a falta de esperança coletiva é assustadora (e gera a melhor cena do filme). E toda a premissa da infertilidade coletiva é genial, e a primeira cena do filme já mostra essa premissa por um otimo e acertado angulo, usando um recurso digno (consigo imaginar o filme contando essa mesma premissa atraves de uma narração em off ou um letreiro se fosse dirigido por uma pessoa menos inspirada). E a cena da escola abandonada consegue potencializar ainda mais a premissa (uma das cenas mais bonitas e significativas do filme).

 

Sim, Filhos da Esperança é um banquete. Está tudo que um filme precisa aqui: uma grande premissa, um background privilegiado (por ser uma releitura do mundo e comportamentos de hoje), atores competentes, tensao e aspectos tecnicos impressionantes.

 

Muitos vão se incomodar com o final aberto e com a simplicidade do plot principal, mas quem gosta de "E a sua mae também" por exemplo vai reconhecer de imediato o mesmo recurso. O final e o plot principal são apenas os condutores para o mundo que Cuaron quer passar, um mundo possivel e que incomoda por não estar longe do atual.

 

 

 

 

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10/10 - Uau !!!! Fazia tempo que um filme não me instigava de tal maneira como "Filhos da Esperança" de Afonso Cuáron. O filme é maravilhoso com uma premissa interessantíssima sobre como seria o futuro ( pq não o presente ???? ) caso os humanos não conseguissem mais se reproduzir - a sequência inicial acompanha a repercussão global da morte do garoto mais jovem do mundo de 18 anos ), conta com um ator soberbo ( Clive Owen ) encarnando um sujeito humano que muito longe da redenção é incubido da tarefa que pode trazer esperança ao mundo inteiro, participações pra lá de especiais de Julianne Moore ( em um papel que mesmo em poucas cenas - tenho uma certa ressalva apenas pelo momento em que dá um suave beijo no ex-marido, pois achei um tanto qto inapropriado diante do tom que a conversa seguia - nos sensibiliza intensamente, uma espécie de Tessa ) e Michael Caine ( engraçadíssimo, porém um dos personagens mais honrados de todo o filme ), mas o filme é arrebatador pela direção de Alfonso Cuáron. O que ele faz em "Filhos da Esperança" é um daqueles momentos que marcam as nossas vidas pra sempre e que se danem os críticos aos exageros, aos pleonasmos e todas as figuras de linguagem de todas as linguagens do mundo ... é sem dúvidas um dos trabalhos de direção mais vigorosos e mais surpreendentes de toda a história do cinema !!!!!!!!!!!!!!! O único problema relativo ao roteiro é que na morte de um determinado personagem embora tenhamos que acompanhar a sua execução ( aliás que veio em seguida de um belíssimo plano onde uma determinada personagem é "envenenada" ), afinal é um momento que demonstra a sua integridade e decência, a cena não teve a fluidez necessária, um dos poucos momentos em que a necessidade de emocionar/chocar soou impositva ( poderíamos ter acompanhado a cena sem ser na perspectiva de um personagem, mas acompanhá-la cronologicamente apenas ). Um filme grandioso e inesquecível !!!!!!!!!!!! Thiago Lucio2006-12-10 17:54:31

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Talvez seja exagero da minha parte, mas durante a exibição eu tive um feeling de que esse é um desses filmes que ficam pra história.

 

 

Três vivas para o México, que nos brindou com três dos melhores diretores da atualidade. E um viva especial para o Cuarón,  que fez na minha opinião, o melhor filme do ano, sem dar chance pros concorrentes.

 

 

 

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Nossa, depois de tantos elogios, fico até sem coragem de falar q achei o filme muito fraco, exceto pela parte técnica...talvez por ir contra algumas idéias minhas, minha opinião seria por demais subjetiva.

 

Só digo então q esperava muito mais desse filme.

 

 

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Ah... só eu notei que esse filme estreou aqui ANTES do que nos EUA? Alguém sabe explicar isto?




 

Simples: o filme não é americano.

 

A princípio, gostei bastante, mas do jeito que foi recebido em Venza, esperava OP, ou algo do gênero. Mas o Cuarón veio pra ficar mesmo, ele engata vários plano-seqüências muito bons, tomadas longas logo no comecinho, consegue mudar o foco dos personagens e seus dramas, da situação do mundo, ou uma mudança brusca na situação dos personagens - tudo isso sem sustos. Além de conseguir tudo com câmera na mão, que dá um desagradável (no bom sentido) sentimento de urgência. E o pior é que muita gente anda classificando esse filme como sci-fi, o que não deixa de ser válido (afinal, o filme versa sobre as possibilidades que 'algo científico' possa causar), mas o futuro de 2027 tem poucas diferenças com a sociedade de hoje em dia, o que dá uma credibilidade. A fotografia chega a ser quase monocromática, é muito fria mesmo. A melhor cena do filme é o parto, pela execução (a câmera, o CGI - só descobri que era CGI depois de ler algo sobre, pq durante o filme eu não percebi) e pelo significado do ato. A história de fuga é pontuada por humanos bem carismáticos, Julian e Kee especialmente. O problema é o elo humano do espectador e o mundo, que deveria ser Theo, é interpretado por Clive Owen, que está contido demais pro meu gosto. E além disso, a sua saída de cena acaba sendo bem d'oh se olhar de certo modo.

 

Detalhe para a inclusão de "Ruby Tuesday", dos Stones, que toca muitas vezes durante o filme. Uma música muito triste, que eu adoro, e inclusive, foi ela que inspirou meu nick.

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Filhos da Esperança (Children of Men - 2006 - Dir.: Alfonso Cuarón)

Que filme magnífico. Que cinematografia, que atuações! Clive Owen nos mostra a sua capacidade de atuar. Película impecável, surpreendente, dolorosa, polêmico. EXCELENTE. Entra no Top 10 do ano, com certeza.

 

Veredicto: ***** | 9.5 | A

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Excelente filme, alguns planos seqüência realmente nem bacanas... mas p*rra, é o quarto filme, quase seguido, que vejo onde o protagonista morre no fim11...  grande truque (06), os infiltrados, labirinto do fauno e filhos da esperança. kcta... é uma tendência??

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Nada melhor que boas cenas longas sem cortes, é uma das coisas q mais gosto no cinema. Até ver Filhos da Esperança o meu plano-sequência preferido era um de Magnolia, mas agora posso escolher uns 3 ou 4 do filme do Cuaron.

Os aspectos técnicos com certeza fazem a diferença pra melhor aqui, mas a história e as atuações não ficam muito atras não.

Interessante tb que o filme acabou na hora certa, não ficou se enrolando no final, outro ponto positivo.

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Nada melhor que boas cenas longas sem cortes' date=' é uma das coisas q mais gosto no cinema. Até ver Filhos da Esperança o meu plano-sequência preferido era um de Magnolia, mas agora posso escolher uns 3 ou 4 do filme do Cuaron.

Os aspectos técnicos com certeza fazem a diferença pra melhor aqui, mas a história e as atuações não ficam muito atras não.

Interessante tb que o filme acabou na hora certa, não ficou se enrolando no final, outro ponto positivo.

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Também acho isso.

 

Os planos-seqüência (feitos com câmera na mão, caralho) colocam ele como promessa boa pra mim.

 

Tem um cartaz do filme, que acho que não veio pra cá:

 

filhos-da-esperanca-poster02.jpg
rubysun2006-12-15 19:43:53

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Putz, excelente o filme!!!!

 

Adorei!!! Além do roteiro, gosto de filmes rodados fora dos EUa (Inglaterra como cenário ficou ótimo), com sotaque do inglês britânico e Clive Owen... 

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Eu posso dizer aqui que esse filme não é tão bom assim sem risco de ser linchado?

 

Eu até gostei do filme, mas só. Tecnicamente ele é realmente estonteante, mas depois de um tempo eu comecei a ter a sensação que era apenas isso que o filme queria fazer: impressionar.

 

Cuarón é sem dúvida um diretor estupendo, mas ele pareceu se encantar demais com isso.

 

Eu tenho um teste para saber se os personagens me cativaram: eu imagino eles mortos e, se a imagem me causar tristeza/pena, eu sei que eles conseguiram. MAS em Filhos da Esperança eu não me importava com ninguém.

 

Minha atenção caía majoriatiamente sobre a estrutura técnica, os planos-seqüência - mas não sobre os personagens ou sobre um conteúdo consistente.

 

Eu queria saber mais sobre aquele mundo caótico, e embora o filme vislumbrasse em diversos momentos algumas questões interessantes (imigração descontrolada, as mulheres chorando pela morte do "bebê", os "campos de concentração", etc), senti muita falta em saber como as pessoas em geral conviviam com suas perspectivas de futuro, por exemplo - se é que as tinham. A fala mais interessante do filme vem do irmão do Owen, que diz: "Eu não penso nisso".

 

De resto, o filme é quase o Cuarón se masturbando na direção. Na realidade, os planos seqüências são TÃO extremamente bem-feitos que em diversos momentos eu começava a divagar: "Como isso foi feito?", e simplesmente parava de prestar atenção no que acontecia. Acho que foi nesse momento que eu percebi que alguma coisa tinha ultrapassado os limites. A direção de Cuarón é tão poderosa que o tiro saiu pela culatra (para mim): ela engole a força da narrativa e o peso da história.

 

 

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Movie Reviews: 'Children of Men'

 

 

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Among this month's "movies for adults," Children of Men from director Alfonso Cuarón

is receiving much four-star praise. The movie, set in a worn-torn 2027,

is being called a masterpiece by not a few critics. One of them is Wesley Morris of the Boston Globe,

who comments: "This is an extraordinary artistic breakthrough from a

Mexican director who was already fearlessly good to begin with." Gene

Seymour in Newsday writes that it "offers inventive energy,

ferocious intelligence, and yet, affirmation of life against the most

calamitous circumstances." Ann Hornaday in the Washington Post

credits Cuarón for creating "the most deeply imagined and fully

realized world to be seen on screen this year, not to mention bravura

sequences that bring to mind names like Orson Welles and Stanley Kubrick." Geoff Pevere in the Toronto Star

calls the movie "sometimes astoundingly effective" and "a formidably

distinguished piece of pop filmmaking." And Manohla Dargis in the New York Times

observes that Cuarón's film "is a gratifying sign that big studios are

still occasionally in the business of making ambitious, intelligent

work that speaks to adults."

 

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