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Forum Cinema em Cena

Videocast # 04 - O Preço da Arte


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Olá Pablo! Gostei muito desse videocast. Sou cineasta e bem sei como funcionam as coisas. No meu caso específico, trabalho com os curtas-metragens.

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Quando ouço colegas falando de orçamentos de mais de R$50 mil para um curta-metragem eu só posso ficar indignado. Aliás, a quantia nem precisa ser tão alta para me deixar indignado. Um dos fatos da indignação você citou. Por aqui a captação de quase todos os nossos filmes, curtas e longas, é através de dinheiro público. Logo, a responsabilidade é muito, muito maior do que a que um realizador deve a um estúdio privado em Hollywood, por exemplo. Afinal é do dinheiro do povo que estamos falando.

 

Mas infelizmente projetos com valor artístico e qualidade duvidosa são os mais aprovados por aqui, entre curtas e longas. Além do fato de que muitos dos longas realizados com apoio de leis de incentivo fiscal não precisariam desse dinheiro, na verdade. Ora, Zezé Di Camargo e Luciano não precisam de lei de incentivo para financiar um filme. Podem usar seu próprio dinheiro e também o de patrocinadores que com certeza investiriam num filme deles, ainda mais sendo um bom filme.

 

Voltando aos curtas, um dos caminhos certamente é a tecnologia digital. Eu bem sei o quão maravilhoso é trabalhar com película. E a diferença no resultado final ainda é notável. Mas no nosso caso cogitar trabalhar com película é algo cada vez mais difícil, tendo em vista seus custos. Acrescente-se a isso o fato de que é um tipo de filme que não gera lucro. Uma marca pode ser divulgada, claro, mas não há bilheteria. Não há garantia do retorno do dinheiro de forma concreta. Por isso a preocupação com os gastos do filme deve ser maior.

 

Infelizmente ouço muitos dizerem que eu “penso pequeno”, ou que, como você disse, “arte não tem preço”. Concordo com você, no nosso caso tem sim. Fazer filmes é uma arte cara e por isso acarreta uma responsabilidade que muitos do nosso meio não possuem. E justamente esses muitas vezes acabam manchando o nome de toda uma classe que cada vez tem mais dificuldades para se financiar. E cada vez mais um pequeno grupo de pessoas do meio cinematográfico brasileiro são as únicas beneficiadas pelas leis e concursos, quando acredito que leis de incentivo deveriam ser para iniciantes e não para pessoas estabelecidas. Principalmente pessoas estabelecidas que já se mostraram economicamente lucrativas.

 

Sobre o olhar do público que vai ao cinema também acredito que muitas vezes bons filmes são injustamente ignorados e que péssimos filmes são diversas vezes absurdamente bem recebidos. Para mim o maior exemplo disso e também um dos mais tristes é o fato de Hollywood ter fechado suas divisões de animação 2D. O Japão pode provar que o que importa não é a técnica usada que importa, mas a qualidade da obra. Mas é claro que a qualidade do público também importa e cada vez torna-se mais duvidosa.

 

Agora, se somarmos o fato do público ter uma qualidade cada vez menor, onde o que quero dizer é que ele é cada vez menos exigente, mais preguiçoso, menos disposto a pensar e em busca de satisfação rápida e rasteira, ao fato dos filmes produzidos também terem uma qualidade cada vez menor, atendendo exatamente os baixos padrões desse público e ainda por cima praticando uma política de financiamentos muitas vezes mal pensada e irresponsável, vislumbro um futuro sombrio para minha classe. Um futuro onde um filme de qualidade encontre cada vez mais dificuldade de ser feito, mas o pior, de se ser visto. Isso já ocorre e sempre ocorreu, em escalas diferentes conforme época e local. Espero que não seja uma tendência, mas apenas uma fase.
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mas acho que o pablo fez isso não pensando em prejudicar a quem não tem banda larga, ele esta usando uma ferramenta comum hoje na internet, poxa quem não conhece o youtube, muita gente tem acesso a ele, e é só uma coisa a mais isso. Ele ainda escreve pro site, não ficou uma coisa exclusiva em video.

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  • 2 weeks later...

Bom ... outro bate-papo bacana com o Pablo ... realmente acredito que filmes como "Titanic" serão praticamente inconcebíveis daqui pra frente, ou seja, os custos das produções serão cada vez menores ... porém, como o Pablo comentou há o contraponto onde um diretor talentoso que para se valer da sua visão consegue um orçamento maior pra fazer o seu filme ( não necessariamente "pessoal" ) pode não ter a resposta adequada já que o público pode ser restrito ...

Em resumo, um bom cineasta precisa ser um bom economista também e a arte não tem preço e um bom filme supera qualquer fracasso e "fracasso" de bilheteria !!!!!! Tenha custado 10 ou 100 milhões !!!!

 

Agora vou ver se nesse final de semana consigo ter tempo e paciência pra ver o outro videocast ... rs
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Um exemplo desse "preço da arte": o filme "A Volta do Todo Poderoso" está custando um absurdo e eu pergunto: será que precisava de tudo isso para um filme de comédia ??? Isso me lembra a repercussão sobre "Little Nick - Um Diabo Diferente", tida na época como a comédia mais cara de todos os tempos ... 09

 

Será que vale a pena investir tanto em um filme que não terá uma repercussão tão grande garantida ?
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Oportuno o tema do quanto custa (e quanto deveria custar) um filme... Adorei a abordagem da 'preguiça intelectual' do expectador com a qual eu concordo plenamente...

 

Entretanto, uma coisa que me chamou deveras a atenção foi a questão 'visão pessoal do cineasta x grana de terceiros investida nessa visão'. Ora, se um cineasta precisa ser responsável ao gerir dinheiro dos outros, isso não reforça a tese de que o filme é, autoralmente falando, de seu diretor e que, portanto, ele faz com sua obra o que der na telha, mesmo depois de lançado? Se ele tem que ser responsabilizado pelos zilhões dos outros que gasta em seu filme que, eventualmente fracassa comercialmente, nada mais justo que atribuir a 'propriedade autoral' do filme a ele, não é mesmo? Ou será que o diretor só leva integralmente o prejuízo para casa, mas quando é hora dos louros tem que dividí-lo?

 

 
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Oportuno o tema do quanto custa (e quanto deveria custar) um filme... Adorei a abordagem da 'preguiça intelectual' do expectador com a qual eu concordo plenamente...

 

Entretanto' date=' uma coisa que me chamou deveras a atenção foi a questão 'visão pessoal do cineasta x grana de terceiros investida nessa visão'. Ora, se um cineasta precisa ser responsável ao gerir dinheiro dos outros, isso não reforça a tese de que o filme é, autoralmente falando, de seu diretor e que, portanto, ele faz com sua obra o que der na telha, mesmo depois de lançado? Se ele tem que ser responsabilizado pelos zilhões dos outros que gasta em seu filme que, eventualmente fracassa comercialmente, nada mais justo que atribuir a 'propriedade autoral' do filme a ele, não é mesmo? Ou será que o diretor só leva integralmente o prejuízo para casa, mas quando é hora dos louros tem que dividí-lo?

 

 
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Os produtores nada mais são do que investidores e como todo investidor ele pode ter retorno ou não. No caso das produções cinematográficas, eles investem seus milhões em uma idéia autoral ou em uma proposta já pré-concebida que pode ser bem recebida ou não. Por exemplo, eu posso "vender" a ídéia de fazer um filme sobre uma guerra intergalática entre besouros assassinos que custará 500 milhões de dólares. Se algum produtor apostar na idéia, a responsabilidade pelo lucro ou prejuízo deve ser compartilhada, mas a autoria é apenas minha.
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Poxa, fiquei deprê com o depoimento do rapaz aí. Estava pensando em fazer comunicação social e posteriormente partir para publicidade, que hoje é um dos meios mais seguros para entrar no audiovisual, mas com as perspectivas cada vez mais negativas em torno da nossa indústria cinematográfica, não sei se é válido correr esse risco. Lidar com grana pública é complicado. O Brasil ainda trabalha pouco com investimento privado. É claro que a falta de qualidade dos nossos filmes está alicerçada em questões culturais mais profundas, mas esse fator orçamentário tende a pesar muito também. Achei que o Meireles daria um impulso estratosférico no cinema nacional, mas o máximo que conseguiu (e merecidamente, ressalto) foi a autopromoção. Ele deu certo, mas o audiovisual brasileiro continua estagnado. Complicated.09

 

 

OBS: Pablo, seria muito pedir que vc fizesse um videocast e/ou resenha sobre os papéis desempenhados pelos diferentes profissionais na produção de um filme (produtor, diretor, roteirista, editor, fotógrafo, revisor...)? Tenho algumas dúvidas sobre quem faz o quê e quais funções carregam maior responsabilidade nessa hierarquia.02
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