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Forum Cinema em Cena

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Poema do exílio<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

chego a cravar

meus dentes

em sua boca

e desço em rodopios

lambendo seu suor de homem

que eu quero cheio de febre

nos meus braços

para que nunca esqueça

da mulher que cabe

úmida de sonhos

entre os lençóis

na sua cama no exílio...

(Célia Musilli)

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Já que a Pipoquinha falou em Fernando Pessoa...uma poesia dele em homenagem à Portugal e aos bravos navegadores, que muitos brasileiros não dão muito valor. Neste primeiro vemos a melancolia portugues

Agora, continuando, mais Fernando Pessoa, numa poesia muito foda. Uma das mais célebres.Muito boa... Mar Português Ó mar salgado, quanto do teu sal São Lágrimas de Portugal! Por te cruzamo

"Tudo que cessa é morte,e a morte é nossa Se é para nós que cessa.Aquele arbusto Fenece,e vai com ele Parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi,se pa

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

william shakespeare
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A poesia latinoamericana de luto. Hoje morreu Mario Benedetti.

 

Te quiero

Mario Benedetti

Tus manos son mi caricia

mis acordes cotidianos

te quiero porque tus manos

trabajan por la justicia

si te quiero es porque sos

mi amor mi cómplice y todo

y en la calle codo a codo

somos mucho más que dos

tus ojos son mi conjuro

contra la mala jornada

te quiero por tu mirada

que mira y siembra futuro

tu boca que es tuya y mía

tu boca no se equivoca

te quiero porque tu boca

sabe gritar rebeldía

si te quiero es porque sos

mi amor mi cómplice y todo

y en la calle codo a codo

somos mucho más que dos

y por tu rostro sincero

y tu paso vagabundo

y tu llanto por el mundo

porque sos pueblo te quiero

y porque amor no es aureola

ni cándida moraleja

y porque somos pareja

que sabe que no está sola

te quiero en mi paraíso

es decir que en mi país

la gente viva feliz

aunque no tenga permiso

si te quiero es porque sos

mi amor mi cómplice y todo

y en la calle codo a codo

somos mucho más que dos.

040404

Não sabia que ele tinha morrido!!

Madame Bovary2009-06-03 17:26:45

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Versos Íntimos

(Augusto dos Anjos)

 

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

10
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Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, qusndo é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

Fernando Pessoa
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Todas as mulheres em mim<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

 

a cada vez que ele volta

abro meus braços de rio

serpente do Nilo

Alice no espelho

estrela cadente

gata no cio

sereia de Ulisses

Penélope nua

queria tanto ser sua...

(Célia Musilli)

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Os Sonhos <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

“Mar adentro, mar adentro,
E na leveza do fundo,
Onde se cumprem os sonhos,
Juntam-se duas vontades
Para cumprir um desejo.

Um beijo incendeia a vida
Com um relâmpago e um trovão,
E em uma metamorfose
Meu corpo já não era meu corpo;
Era como penetrar no centro do universo:

O abraço mais pueril,
E o mais puro dos beijos,
Até sermos reduzidos
Em um único desejo:

Seu olhar e meu olhar
Como um eco repetindo, sem palavras:
Mais adentro, mais adentro,
Até o mais além do todo
Pelo sangue e pelos ossos.

Mas sempre acordo
E sempre quero estar morto
Para seguir com minha boca
Enredada em seus cabelos”.

 

Ramón Sampedro

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DROPS DE DEUS

 

Alguns caras prestam atenção em poças d’água

Alguns caras correm em pistas de aeroportos & ouvem longas histórias & amam suas garotas

Alguns caras precisam de laranjas & alka-seltzer & se encantam com quartos de hotel & cheiram cinzeiros & manobram carrinhos de supermercado & não marcam touca - caem fora quando o ônibus explode & andam com a etiqueta do ano passado & sabem que cachorros são sagrados & pisam em ostras &

                                           escolhem um deus qualquer pra conversar

                                           mordem drops com os dentes da frente

Alguns caras caem de navios & quando voltam exibem passos de dança

Alguns caras afogam pérolas em taças de vermouth

& espantam os pombos com alucinadas corridas pelo parque

& bocejam

& contam longas histórias & são amáveis comendo hot-dogs

                                                                      dando um tapa na noite

Alguns caras nunca estão à vontade & choram em concertos de violino

& bebem cerveja lendo pocket-books

Alguns caras são apaixonados por carros usados

& comem suas garotas

& sábios sabem que cachorros são sagrados

Alguns caras planejam morar no litoral

& são capazes de longas histórias

Alguns caras prestam atenção em poças d’água.

 

                                 (Mário Bortolotto - http://atirenodramaturgo.zip.net/)
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  • 2 weeks later...

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...

Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:

Acho que você está errado, mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:

Sou seu amor! E estou Aqui!

 

william shakespeare
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O MAR

 

Antes que o sonho (ou o terror) tecesse
Mitologias e cosmogonias,
Antes que o tempo se cunhasse em dias,
O mar, sempre mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é aquele violento
E antigo ser que rói os pilares
Da terra e é um e muitos mares
E abismo e resplendor e acaso e vento?
Quem o olha o vê pela primeira vez.
Sempre. Com o assombro que as coisas
Elementares deixam, as charmosas
tardes, a lua, ou fogo de uma fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Isso saberei
No dia seguinte da minha agonia.



Jorge Luis Borges
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
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  • 2 weeks later...

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

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II
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Fernando Pessoa ou Alberto Caeiro, segunda parte do poema O Guardador de Rebanhos
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Ir-me

 

queria embarcar<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

no trem

do ir-me embora

 

em busca do destino

de não saber aonde

 

mas é de um cansaço

o gastar-me

em essas alegrias

 

e desistir por não saber

do talvez

ou

que houvesse

 

um descanso

de janelas

no balanço

  

(Carlos Alberto Muzilli)
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  • 2 weeks later...

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 Vi daniel de Oliveria declamando...maravilhoso !!!

“Ser ou não ser”

Ser ou não ser, eis a questão
 será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja?
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
e em luta pôr-lhes fim? (...)

Dormir... Talvez sonhar, eis onde surge o obstáculo
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.

Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,  quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal?

Quem levaria fardos, gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?

O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia (...)

W. Shakespeare (Hamlet)

MariaShy2009-07-17 13:44:38
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NADA A FAZER<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

“Quando fazemos tudo para que nos amem
e não conseguimos, resta-nos um último recurso:
não fazer mais nada.
Por isso, digo, quando não obtivermos o amor,
o afeto ou a ternura que havíamos solicitado,
melhor será desistirmos e procurar mais
adiante os sentimentos que nos negaram.
Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não,
espontaneamente, mas nunca por força de imposição.
Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;
outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés.
Os sentimentos são sempre uma surpresa.
 Nunca foram uma

caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.
Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos
quem melhor nos quer.
Assim, repito, quando tivermos feito

tudo para conseguir um amor, e falhado,
resta-nos um só caminho…
o de mais nada fazer.”

 (Clarice Lispector)

 

Malditamente sábia... aff!

MariaShy2009-07-23 20:54:38
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fantasia 

 

flor suspensa no equilíbrio que fenece

mão no gesto da carícia que aquece

sussurro em seus ouvidos de pedra

curvo a língua em ondulações de pétala

seu desejo no meu quarto imaginário

me descubro nos lençóis de orvalho

corpo sobre o seu corpo

hiato

passo a limpo meu êxtase inventado

beijo em círculo a sua boca

ausente 

mesmo assim, você sente? 

 

 

 (célia musilli)

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De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou

 

Willian Shakespeare
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Metade
(Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimento
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

 

A quem interessar possa tem o video por aí do Montenegro declamando...afff! 101010
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  • 2 weeks later...

EU...

                                                                    

    <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte

Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...

Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou.

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!

                      (Florbela Espanca)

 

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Ária para cravo e flauta

 

                                Cacaso

 

 

Momento suspenso e vário

feito de renda e contraste:

Escamas pulam do aquário

abrindo-se em véu e haste.

 

A frase que é doce e larga

provém de madeira incauta:

São séculos de vida amarga

em cinco linhas de pauta

 

Momento de claro-escuro

que às vezes pinta o universo

em tela de renda e muro

 

Meu suicídio é diverso

e morro no ar qual se fosse

som de cravo e flauta doce

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EU...

                                                                    

Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte

Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...

Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou.

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!

 (Florbela Espanca)

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Esse eu amo 10

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Hoje seria (é) seu aniversário!  Parabéns Paulo Leminski!<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

UM DEUS TAMBÉM É O VENTO (PAULO LEMINSKI)


um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar

me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar

a este deus
que levanta a poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro

nele cresça
até virar vendaval

 

Paulo Leminski
do livro Caprichos e Relaxos / Brasiliense

 

 

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