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Forum Cinema em Cena

Técnicas Para Uma Boa Resenha


-THX-1341325107
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Alguns críticos usam fatos históricos ou fazem uma comparação das obras do diretor, acho isso interessante, mas existe uma preocupação em não entregar cenas importantes que podem tirar a graça do filme para quem ainda não assistiu. Eu já escrevi algumas, mas me preocupei muito com as atuações, o impacto e a influência do filme para quem assistiu.

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 Qd não gostamos de algum filme é inevitável que isso transpareça.

 

 Acho que há que se ter tb um certo cuidado em equilibrar pontos altos e baixos do filme.  

 Algumas vezes os pontos baixos são tão ressaltados que acabamos sugestionados e até desmotivados a assistir ao um filme... aff!

 

 

 

 

 
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Eu acho besteira ficar comparando um filme com o outro' date=' antes da qualidade do filme em si. Sejam adaptações ou remakes.[/quote']

Acho importante citar tanto as qualidades quanto os defeitos. Quanto a comparações, considero válido desde que não fuja do contexto da critica e sirvam para agregar mais informações. Muitas cenas consideradas clássicas podem influenciar outros diretores e tomar outros rumos, por isso uma comparação pode acrescentar mais no desenvolvimento da crítica. No caso das continuações, comparações tornam-se inevitáveis.

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 1) Qd não gostamos de algum filme é inevitável que isso transpareça.

 

 Acho que há que se ter tb um certo cuidado em equilibrar pontos altos e baixos do filme.  

 Algumas vezes os pontos baixos são tão ressaltados que acabamos sugestionados e até desmotivados a assistir ao um filme... aff!

 

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Principalmente quando o filme não agrada mesmo, como Além da Linha Vermelha. Os aspectos negativos desse filme são tantos que fica difícil ser imparcial..

 

 

Além da Linha Vermelha (fonte: zerozen)

Aviso: esse é um daqueles filmes em que os telespectadores podem ouvir os pensamentos dos personagens. E, como se isso não bastasse, essa narrativa, arrastada e pedante, se resume a uma lengalenga existencialista, supostamente poética e intimista, que pouco ou nada acrescenta ao enredo do filme. Só serve para cansar o incauto telespectador, que tem de passar quase três horas ouvindo um bando de soldados americanos retardados, divagarem sobre o sentido de suas vidas desinteressantes e medíocres.

 
-THX-2007-11-05 19:36:40
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 Acho que há que se ter tb um certo cuidado em equilibrar pontos altos e baixos do filme.  

 

 

 

 

 [/quote']

Acho difícil fazer isso ao comentar determinado filme, embora pense que deva sempre ser feito. Não é sempre que vemos uma bomba completa ou uma obra-prima inigualável - e mesmo nesses casos, em geral, podem ser encontrados prós e contras.

 

Outro negócio importante é a capacidade de síntese, a fim de evitar textos demasiadamente longos, com partes desnecessárias, desinteressantes para o leitor.

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  • 6 months later...

Escrever resenhas sobre filmes demanda duas necessidades: uma é básica, conhecer sobre cinema - para inserir em meio à resenha comentários sobre o diretor, seu estilo de filmes e o que ele apresenta, bem como o próprio gênero, além de informações adicionais - e, acima de tudo, saber escrever. Sobre esse último ponto, o que se discute na faculdade de jornalismo é uma constatação óbvia: escreve bem que lê muito e costuma escrever.

Um bom exercício é não apenas ler constantemente qualquer coisa, mas ler críticas e tentar, você também, colocar no papel o que você pensa do filme.

Alguns críticos têm um hábito salutar: eles fazem pequenas anotações durante o filme. Não anotações acabadas, mas rascunhos. Uma frase, por exemplo, pode ter muito efeito e ser anotada para lembrar mais tarde. Muitos abdicam desse hábito e apelam apenas para a memória. Para uma crítica superficial, isso basta. Uma crítica mais apurada, que insira falas ou momentos específicos, pode ter uma bela ajuda nesse ponto.

Não existe uma receita para escrever uma crítica. Esses pontos seriam os básicos: saber cinema, pensar na sensação que o filme deixou em você e acima de tudo chapa, ler muito e escrever muito. Só escreve bem que lê muito.

Abraço
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PS: citações diretas como "ator tal está muito bem", "a fotografia é belíssima", "ótimo roteiro", sozinhas, não dizem nada. O ator tal está bem porque???O que na atuação dele te fez achar isso? Que conflitos ou sensações ele passa? Porque ele está mal? A fotografia é ótima porque? Que objetivos ela alcança? Porque o roteiro é ótimo?

Toda crítica deve tentar aprofundar isso, saindo do lugar comum de apenas dizer que isso ou aquilo está muito bom. A boa crítica é aquela que elogia ou denigre determinado aspecto mas tem uma aprofundamento do porque junto da afirmação, até mesmo usando exemplos, falas ou cenas.
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Alguns críticos têm um hábito salutar: eles fazem pequenas anotações durante o filme. Não anotações acabadas' date=' mas rascunhos. Uma frase, por exemplo, pode ter muito efeito e ser anotada para lembrar mais tarde.

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Gostei desse método, talvez me ajude a desenvolver mais quando eu pretender escrever sobre um personagem ou situação marcante em determinada cena. As vezes fica difícil lembrar de tudo num filme de mais ou menos duas horas e quando começamos a escrever, muita informação interessante pode ficar de fora de uma crítica. Ainda não desenvolvi o hábito de escrever resenhas de filmes, mas com as dicas que leio aqui acho que vou conseguirei elaborar algumas mais interessantes.

 

PS: citações diretas como "ator tal está muito bem"' date=' "a fotografia é belíssima", "ótimo roteiro", sozinhas, não dizem nada. O ator tal está bem porque???O que na atuação dele te fez achar isso? Que conflitos ou sensações ele passa? Porque ele está mal? A fotografia é ótima porque? Que objetivos ela alcança? Porque o roteiro é ótimo?

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Mas argumentar sobre isso numa crítica, necessita de certa bagagem cinematográfica, não é? Conforme você disse, não há receita para escrever resenha. Embora essas questões possam ser básicas numa crítica, para começar a desenvolver. Mas e para conseguir "captar" esses momentos? Por exemplo, fazer uma análise da fotografia, ou então abordar sensações de determinado personagem. Isso também demanda boa sensibilidade conseguida apenas com o tempo, imagino.

 
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Principalmente quando o filme não agrada mesmo' date=' como Além da Linha Vermelha. Os aspectos negativos desse filme são tantos que fica difícil ser imparcial..

 

 

Além da Linha Vermelha (fonte: zerozen)

Aviso: esse é um daqueles filmes em que os telespectadores podem ouvir os pensamentos dos personagens. E, como se isso não bastasse, essa narrativa, arrastada e pedante, se resume a uma lengalenga existencialista, supostamente poética e intimista, que pouco ou nada acrescenta ao enredo do filme. Só serve para cansar o incauto telespectador, que tem de passar quase três horas ouvindo um bando de soldados americanos retardados, divagarem sobre o sentido de suas vidas desinteressantes e medíocres.

 
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UGHHH.... isso é o tipo de resenha ruim, onde quem escreveu obviamente não respeita os filmes mais introspectivos e que exigem mais empenho por parte do expectador, por pura falta de paciência. A narrativa "arrastada e pedante" na verdade busca tirar sensações das imagens em cada cena se despreocupando totalmente de ser linear, situando a psique de todos os personagens de forma mútua, dentro do contexto da guerra. Isso além de inúmeras outras coisas que o Malick faz, contando sua história de forma totalmente imagética, na mais pura forma de cinema.
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Mas e para conseguir "captar" esses momentos? Por exemplo' date=' fazer uma análise da fotografia, ou então abordar sensações de determinado personagem. Isso também demanda boa sensibilidade conseguida apenas com o tempo, imagino.

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Eu acho que a sensibilidade a gente tem conosco. O que é preciso é, primeiro, desenvolver o hábito de descobrir esse sentimento - a maioria das pessoas só sente e nem sabe. E depois, a habilidade de conseguir passar isso para o papel. Assisti A Testemunha ontem, e vendo o filme senti quase que palpável a tensão sexual entre Harrison Ford e Kelly McGillis. Então me dei conta que o diretor usou de muita luz natural, luz de velas, usou de suor, sujeira no rosto de Ford, usou de ausência de maquiagem na McGillis para ajudar a criar essa tensão sexual. É algo quase animal. Claro que quem está só acostumado a assistir um filme e deglutir ele nem se dá conta disso, por mais que sinta. Mas acho que o básico é decifrar o que se sente e porque se sente. Muitas vezes o roteiro, a fotografia ou a trilha influenciam nisso, de tanto assistir filmes e ler sobre isso se aprende naturalmente.

 

Escrevo sobre cinema em jornal há dois anos, não aprendi isso no curso de jornalismo e também não me sinto em posição de ensinar ninguém a respeito. Na verdade, acho que é mais fácil fazer do que explicar mesmo 13
Dreyer2008-05-26 15:29:49
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UGHHH.... isso é o tipo de resenha ruim' date=' onde quem escreveu obviamente não respeita os filmes mais introspectivos e que exigem mais empenho por parte do expectador, por pura falta de paciência. A narrativa "arrastada e pedante" na verdade busca tirar sensações das imagens em cada cena se despreocupando totalmente de ser linear, situando a psique de todos os personagens de forma mútua, dentro do contexto da guerra. Isso além de inúmeras outras coisas que o Malick faz, contando sua história de forma totalmente imagética, na mais pura forma de cinema.
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O que me lembra uma historinha:

Coloque um admirador de Godard para criticar um filme de Wes Craven, ou um amante de Michael Bay para analisar um Antonioni. Dá certo? Só se o autor for uma pessoa de mente aberta.

Dificilmente gostos pessoais não influenciam. È como no jornalismo: diz-se que precisamos ser imparciais, quando isso não existe. Mesmo que não digamos publicamente, todos temos uma opinião sobre tudo. Não existe imparcialidade.

Mais: coloque um crítico para ver uma comédia num dia em que tudo deu errado e a cabeça está cheia de preocupações.

Ou coloque alguém em um dia agitado, com a corda toda, para ver um lento drama de Bergman. Até isso influencia na percepção final do filme.

 

Sobre o "Além da Linha vermelh"... concordo com o que foi dito aqui....

"soldados americanos retardados", "suas vidas medíocres"...

o autor acabou de colocar, principalmente na primeira afirmação, um preconceito formado contra os Estados Unidos. Ou acha que não? É algo óbvio pra mim. Deixou impressões pessoais influenciarem numa obra artística, em vez de avaliar a obra em si.

E, cá entre nós, escrever "Aviso: esse é um daqueles filmes em que os telespectadores podem ouvir os pensamentos dos personagens" é de uma ingenuidade e falta de qualidade literária absurda para um texto crítico...
Dreyer2008-05-26 15:35:20
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Nossa, sério que vc curtiu A Testemunha? Legal isso, não é um filme muito lembrado. Particularmente quando assisti tive a impressão que o único triunfo do filme era mostrar o mundo dos Amish, o que monopolizou a minha atenção. Conseqüentemente achei um filme apenas bom, mas é sempre positivo ver outras interpretações.

 

 

Quanto ao tópico, fora o que já foi dito pelo Dreyer, acho que uma boa resenha é aquela que analiza o filme sem redundâncias, esclarecendo as impressões citadas através de exemplos de cenas. Usar o esqueleto de uma dissertação já ajuda bastante neste quesito.
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Sobre o "Além da Linha vermelh"... concordo com o que foi dito aqui....

"soldados americanos retardados"' date=' "suas vidas medíocres"...

o autor acabou de colocar, principalmente na primeira afirmação, um preconceito formado contra os Estados Unidos. Ou acha que não? É algo óbvio pra mim. Deixou impressões pessoais influenciarem numa obra artística, em vez de avaliar a obra em si.

E, cá entre nós, escrever "Aviso: esse é um daqueles filmes em que os telespectadores podem ouvir os pensamentos dos personagens" é de uma ingenuidade e falta de qualidade literária absurda para um texto crítico...
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Hell yeah!16

 

Também acredito nesta teoria (até que se prove) que todos somos parciais, o que leva a noção de que a crítica cinematográfica é subjetiva (isso inclusive já foi discutido exaustivamente por aqui).

No entanto, o bom crítico é justamente aquele que além de ter a mente aberta, ameniza suas impressões tornando-as "menos" parciais, mas lógico que de forma convincente. 
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O que acho mais difícil é justamente equilibrar os pontos fortes do filme com as críticas.

 

Quando adoro o filme, saiu uma rasgação de seda e não acho espaço para comentar os elementos que não foram tão fortes assim. Em contrapartida, quando tento dissertar sobre algo que detestei, é só malhação.

 

Isso talvez ocorra na tentativa de não deixar os textos muito longos, afinal não sou ninguém famoso nem crítico profissional e por isso não acho certo forçar o pessoal a ler resenhas épicas, mas há pessoas que em dois míseros parágrafos dão conta de tudo bonitinho! 13

 

 

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Nossa' date=' sério que vc curtiu A Testemunha? Legal isso, não é um filme muito lembrado. Particularmente quando assisti tive a impressão que o único triunfo do filme era mostrar o mundo dos Amish, o que monopolizou a minha atenção. Conseqüentemente achei um filme apenas bom, mas é sempre positivo ver outras interpretações.

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Para ser sincero, curti mais do que quando assisti pela primeira vez. Não sei se é maturidade ou bagagem, vi ela muitos anos atrás. Escrevi mais no blog

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