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Coraline e o Mundo Secreto


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ovo_nota.gifovo_nota.gifovo_nota.gifovo_nota.gifovo_nota.gif5 ovos!




Não há pontas soltas no filme, seja na trama dos bordados ou na da história


02/02/2009Érico Borgo

O título original de O Estranho Mundo de Jack,
Tim Burton´s Nightmare Before Christmas, engana muita gente.
A grande maioria acredita que foi o cineasta Tim Burton o responsável
pela direção dessa cultuada animação em stop-motion,
mas a verdade é que ele apenas produziu e criou a história e os personagens
do filme. O diretor foi Henry Selick, espécie de "herdeiro
criativo" do mestre da técnica de animação com bonecos Ray Harryhausen e pupilo do grande nome da animação
experimental Jules Engel (1909 - 2003).


Depois de James e o Pêssego Gigante, Selick retorna aos holofotes
com seu maior projeto até hoje, Coraline e o Mundo Secreto
(Coraline, 2009), talvez a mais impressionante animação
stop-motion já criada. O longa-metragem é um exercício
de estilo emocionante, uma obra-prima de um artista em pleno domínio
de sua técnica e dotada de um escopo intimista e de sensibilidade autoral.


Mas em Coraline Selick não se limitou a reproduzir o que sabe
fazer melhor. Pelo contrário, foi além, introduzindo um novo desafio
ao seu ofício: o 3D estereoscópico. A técnica digital,
que faz com que as imagens "saltem" da tela com o uso de óculos
especiais, nunca foi tão bem aproveitada antes. Diferente das animações
digitais tradicionais que empregam esse tipo de tecnologia, todos os elementos
de Coraline foram criados à mão (cenários, personagens,
objetos, plantas...) e poder vê-los em profundidade acentua sua presença,
que se torna quase física e tátil. A fusão de técnicas
jamais parece gratuita ou forçada pois Selick e sua equipe de trinta
animadores a exploram com sutileza artística, guardando os maiores choques
(profundidade demais, beleza demais) para momentos-chave.


A atenção aos mais ínfimos detalhes de design e arte é
louvável. Note o fiozinho que liga as letras do bordado com o nome dos
atores nos créditos iniciais, o jeito como o pelo do gato capta a luz
(ele precisa ser tocado para ser animado, cada toque faz com que o pelo se mexa
um pouquinho), cada folha de grama mexendo-se ao fundo com o vento, a sujeira
no parabrisa do carro, a lindíssima referência ao quatro A
Noite Estrelada
de Vincent van Gogh... e fique até o final para
uma surpresa.


É inspirada também a contratação do compositor
francês Bruno Coulais para a trilha sonora estilo "caixinha
de música" e a presença da banda They Might Be Giants
nas canções. O tema da protagonista vai ficar horas em
sua cabeça.


Tudo isso, porém, não faria o filme passar de alento visual
e sonoro, um poético videoclipe, se o roteiro não fosse igualmente
brilhante. O filme é baseado no livro infanto-juvenil de Neil
Gaiman
, em que uma garotinha chamada Coraline (Dakota Fanning)
muda-se com seus pais workaholics (Teri Hatcher e
John Hodgman) para um enorme e antigo casarão. Aborrecida,
ela começa a conhecer seus estranhos vizinhos e a explorar o local -
e acaba encontrando um mágico universo alternativo, onde existem amorosas
versões de seus pais com botões no lugar dos olhos.


O texto expande o livro, criando um novo personagem (Wybie Lovat)
e desenvolvendo melhor o passado do misterioso Palácio Cor-de-Rosa, sem
perder nada do tom sombrio da obra original (é uma adaptação
de Neil Gaiman!). Algumas situações também são alteradas,
como a ocupação dos pais de Coraline, que justifica duas das melhores
cenas do filme (o jardim fantástico e o final) mas é tudo para
amarrar melhor os elementos visuais e a narrativa.


Não há pontas soltas no trabalho de Selick, seja na trama dos
bordados ou na da história. Com tanto esmero, é um filme para
ver, rever e adorar.


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Maravilhoso, principalmente pela perspicácia do autor em ter compreendido que o verdadeiro horror não mora na violência física nem em sua contextualização (O labirinto do fauno, por exemplo), mas pura e simplesmente na distorção do sonho em pesadelo e vice-versa. É um processo tão inteligente e tão bem arquitetado visualmente (quanta melancolia e solidão!) que dá gosto.

 

 

 

Gago2009-06-30 21:39:48

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Tão bom que só em escrever já abro um longo sorriso. Possui um visual fantástico, que é ainda mais realçado pelo stop-motion, que possui algumas coisas charmosíssimas. Fora que, apesar da tecnica, o filme jamais é limitado com relação a "movimentos de câmera", o Selick se adentra mesmo naquele mundinho assustador.

 

Montagem e trilha sonoras fantásticas, mas o melhor é que tudo isso vem acompanhado de uma narrativa inventiva e criativa, que é uma espécie de Alice no País das Maravilhas + A Noiva Cadáver. Não só é bem explorado o tema de "sonho que vira pesadelo", mas o afastamento dos pais, os únicos protetores de uma criança (me lembrou nesse sentido A Viagem de Chihiro que chega a ser mais cruel ainda). O mundo de horror, a menina tendo que enfrentar apenas com o gato a monstruosa Outra Mãe, o sonho que vira pesadelo num piscar de olhos, são coisas assim que torna o filme verdadeiramente assustador.
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Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009, EUA, Dir.: Henry Selick) - 10/10

 

Coraline

é uma garota que acabou de se mudar para uma casa muito, muito chata.

Os pais estão preocupados em terminar um guia de jardinagem, a

vizinhança é desagradável e nada anima a moça. Explorando a casa, acha

uma porta pequena, inicialmente tampada com tijolos, mas que, numa

noite, revelou um mundo alternativo, onde tudo ocorria do jeito que ela

queria. Entretanto, os habitantes deste mundo não entregariam tudo para

ela sem segundas intenções. E este mundo perfeito se transforma num

lugar de horror.

 

Semelhante a James e o Pêssego Gigante, com

toques de Alice no País do Espelho e pitadas de paganismo, é um filme

que assusta, emociona e diverte de forma equilibrada. A fotografia bem

sombria, típica dos trabalhos do diretor, a trilha sonora de

blockbuster e a empatia dos personagens fazem o filme ser bem visto por

crianças e adultos.

 

Graças a Deus há (muita) vida nas animações fora da Pixar!

 

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É muito bonito, tão bonito que quase me fez esquecer todo o lixo que está passando nos cinemas atualmente. O visual é extraordinário (ora dá medo, ora encanta, ora faz as duas coisas), nem preciso acrescentar algo ao que já foi escrito aqui. Mas o que eu gostei mesmo é que a fantasia de uma criança foi levada a sério, diferentemente do que ocorre com o Labirinto do Fauno, que é um filme que eu não curto muito justamente por tratar a fantasia como mera válvula de escape.

 

Muito bem editado e bem escrito, só peca um pouquinho no final meio corrido. E é Gaiman. O único criador atualmente que me faz querer ver ou ler tudo o que ele faça.

 

Desde já, Coraline é dos melhores filmes do ano.
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CORALINE E O MUNDO SECRETO é mais um otimo trabalho de Henry Selick, q já entregou excelentes animações como JAMES E O PESSEGO GIGANTE e o classico O ESTRANHO MUNDO DE JACK.

 

 Como alguns já comentaram aqui,a trama dosa muito bem momentos de suspense e comedia. É um suspense muito mais insinuado, do q explicito, oq é otimo. Um filme q pode ser visto tanto por crianças, como por adultos, sem o risco de parecer bobinho.

 

 Os aspectos tecnicos estão muito bons tambem.

 

 Recomendo bastante.

 

Valeu16

 

 

 
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  • 2 weeks later...

Tinha tanta coisa a dizer sobre esse filme, mais do que no meu primeiro post, que resolvi colar aqui uma resenha mais elaborada que fiz originalmente para o Multiplot!. Não tem spoilers.

 

 

Coraline e o Mundo Secreto (Henry Selick, 2009)<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><?:NAMESPACE PREFIX = O /><?:NAMESPACE PREFIX = O />

 

Quando Coraline – e não Caroline, como ela faz questão de frisar – se muda com seus pais para um apartamento novo numa antiga casa vitoriana, ela parece ter todos os problemas do mundo. Seus amigos ficaram na antiga cidade onde morava e, aparentemente, ela não tem mais ninguém com quem brincar; seus pais escrevem livros sobre jardinagem, mas não suportam a idéia de pôr a mão na massa e a proíbem de fazer qualquer coisa que envolva sujar ou desarrumar algo; seus novos vizinhos são completamente malucos – um acrobata excêntrico e duas irmãs, artistas aposentadas que guardam caramelos por décadas e empalham seus terriers escoceses após sua morte, expondo-os na parede; até o apartamento é velho e feio, sem falar na cor das paredes externas da casa, que são de um rosa um tanto esquisito.

 

Mas nem tudo está perdido. Coraline conhece um garoto estranho mas simpático, chamado Wybie, que é neto da proprietária do apartamento e tem um gato de rua sem nome. Mais tarde, ao explorar uma portinhola escondida com papel de parede na sala de estar, ela descobre um mundo novo ao final do túnel que existe lá, e nele seus Outros Pais a encorajam a brincar e sabem, de fato, cuidar do jardim, além de cozinhar tudo o que ela gosta de comer. Neste mundo a casa é bonita, o acrobata tem um circo de ratos que é uma verdadeira maravilha e as velhas senhoras excêntricas continuam atléticas e se apresentam em um número sensacional de acrobacia. Em resumo, tudo parece perfeito. Só que nesse mundo as pessoas têm botões ao invés de olhos e, para que Coraline possa usufruir dele pra sempre, sua Outra Mãe a pede que coloque botões no lugar de seus olhos também. As coisas, realmente, nem sempre são como parecem e quando Coraline recusa a oferta, ela começa a enfrentar problemas bem sérios. Em seu socorro vêm o Outro Wybie – que tem a boca fechada com um zíper – e o gato vira-lata, o único sem botões nos olhos.

 

Coraline e o Mundo Secreto é fruto da colaboração entre o talentoso Henry Selick, de O Estranho Mundo de Jack, e Neil Gaiman, o criador da revista em quadrinhos mais premiada da história, Sandman. De um esmero artístico impressionante, a animação em stop motion se equilibra entre a doçura e o pesadelo e, não raro, mistura as duas coisas, abusando de simbolismos e linguagens cifradas. Tudo é distorcido, quase grotesco mesmo, e de uma beleza notável, exatamente como eram os contos de fadas – não aquelas versões suavizadas que líamos em livros infantis, e sim os contos originais: violentos, macabros e sem sempre felizes.

 

Embora o diretor tenha contado com uma equipe de primeira linha para executar seu projeto – reparem na linda trilha sonora e no cuidado com a concepção visual da protagonista –, seu maior trunfo é, sem dúvida, a qualidade do material original. Neil Gaiman sabe que a fronteira entre realidade e fantasia é algo muito discutível e explora isso ao máximo, tingindo o real de surreal e vice-versa; o próprio sonho de Coraline, que periga virar um pesadelo, pode ocorrer com qualquer um de nós. Mas esta não é uma estória sobre a fantasia como válvula de escape, assim como também não é sobre velhas máximas morais ou padrões desejáveis de conduta. É sobre a coragem de uma criança e sobre o peso que pode incidir sobre suas decisões quando, finalmente, o universo ao seu redor exige que ela saia do egocentrismo que a dominou em seus primeiros anos de vida, como sempre ocorre com todas as crianças. As coisas não são belas porque são ao gosto de Coraline – como é o Outro Mundo no início do filme –, elas são belas por seus próprios atributos. Aí estão os verdadeiros botões que Coraline deve decidir se vai continuar usando ou não e é nessa singela descoberta, nesse pequeno despertar, que reside a verdadeira força do filme.

 

4/4

 

 

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