Jump to content
Forum Cinema em Cena
CACO/CAMPOS

The Irishman, Martim Scorsese e Pacino e De Niro

Recommended Posts

[CRÍTICA] SCORSESE REFLETE SOBRE ENVELHECIMENTO E CULPA EM FILME UM TANTO LONGO DEMAIS! (4/5)

Martin Scorsese é um cineasta de longa data, responsável por verdadeiras obras-primas do cinema, como Taxi Driver, Touro Indomável e O Lobo de Wall Street. E como prova de que o passar dos anos só amadureceu seu trabalho, O Irlandês chega como um filme “de máfia” que levanta reflexões acerca de temas como lealdade, responsabilidade e culpa.
Na trama, Scorsese se debruça sobre a história real de um motorista de caminhão, interpretado por De Niro, que faz negócios com a máfia e acaba encontrando um lugar “privilegiado” ao lado do chefe Russel Bufalino, vivido por Pesci.
Mas diferente de filmes como Os Bons Companheiros e O Lobo de Wall Street, aqui, não assistimos a história da perspectiva de que o crime não compensa porque o sistema um dia se coloca no seu caminho. Ao invés disso, o diretor  escolhe trabalhar sobre a ótica da passagem do tempo e do arrependimento.
Scorsese estava determinado a contar a história de Frank Sheeran, conhecido como “O Irlandês”, nas telonas desde 2007, quando lançou Os Infiltrados, filme estrelado por Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Jack Nicholson. Mas o cineasta não queria que outros atores interpretassem as versões mais jovens de seus protagonistas, ele precisa de uma ferramenta que os rejuvenescessem. Para isso, porém, ele teria que esperar.
E ele esperou. Foi preciso arrecadar um montante de 159 milhões de dólares para produzir o filme do jeito que queria, com três grandes rostos do cinema de máfia: Robert de Niro, que estrelou uma grande variedade de filmes de Scorsese, incluindo Os Bons Companheiros e Cassino, sendo estes também estrelados por Joe Pesci; e Al Pacino, lenda de Hollywood, e o grande protagonista da clássica trilogia O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola.
É claro que grande parte desse orçamento digno de um blockbuster de ação foi devido aos efeitos digitais nos rostos dos atores. De Niro e Joe Pesci tem, ambos, 76 anos, e precisaram se passar por muito menos que isso. E ainda que nem sempre os efeitos convençam, dá para dizer que o trabalho da equipe da Industrial Light & Magic é bastante eficiente.
Durante as três horas e meia de filme, acompanhamos as voltas que a vida de Frank Sheeran dá, sempre ouvindo a sua narrativa de tantos anos depois. Assistimos a ele cometendo todos os tipos de crimes, enfrentando a dificuldade de se comunicar com a filha, e se relacionando com Jimmy Hoffa (Al Pacino), um líder sindical ambicioso e corrupto, que acaba se tornando um grande amigo de Frank ao longo dos anos.
O roteiro escrito por Steven Zaillian é complexo ao ponto de deixar um tanto de questões importantes da trama apenas nas entrelinhas, se poupando de momentos de exposição. Porém, isso está longe de impedir que o filme seja verborrágico. Os personagens aqui têm bastante a dizer diante de pequenos e grandes confrontos, ou apenas quando jogam conversa fora.
A exceção talvez seja a filha de Frank, Peggy. Que entra muda e sai calada do filme. O que não quer significa, é claro, que ela não tenha nada a dizer. Na verdade, seu silêncio significa muito diante das atrocidades que sempre viu o pai cometendo. Na infância, a personagem é interpretada por Lucy Gallina, e na idade adulta é vivida por Anna Paquin, a Vampira de X-Men.
Apesar de Scorsese ter juntado um bom número de colaboradores habituais para o projeto, cada um dos grandes nomes do elenco se sobressai de maneira diferente. Robert de Niro, um dos maiores atores vivos, interpreta um cara que tá bem longe de ser alguém carismático e cheio de coração, mas que transmite todo seu conflito interno de uma maneira clara e emocional. Joe Pesci, por sua vez, parece realmente outra pessoa. O ator que normalmente tinha um tom acima com seus personagens, em O Irlandês assume o papel de um homem sério, poderoso e, surpreendentemente, de fala mansa. Al Pacino é o que parece se divertir mais com seu papel e é o grande responsável por oferecer mais leveza à longa duração do filme.
O Irlandês acaba por lidar de forma brilhante com a dor irreparável do envelhecimento à medida que nosso protagonista sente que não viveu da maneira que ele gostaria. O final do filme – pode-se dizer a última meia hora – se dedica à catarse de Frank, sendo um dos momentos mais emocionantes e significativos da obra.
O problema está quando o filme é longo o suficiente para não deixar o espectador apreciar da forma que deveria seus últimos minutos. São três horas e meia de filme, duração que poderia ter sido reduzida com algum sacrifício. Cenas do início ou do meio do filme poderiam definitivamente ter ficado na sala de edição em prol de uma sessão menos exaustiva e melhor aproveitada.
Mas por estrear na Netflix, é seguro dizer que vai ser menos difícil de assistir, já que além de estar a um passo do seu sofá, o filme contará com a incrível tecnologia da pausa para ir ao banheiro. De qualquer maneira, O Irlandês não deixa de ser gratificante. O filme é um deslumbre de cinema, com a marca de Martin Scorsese, e conta com atuações monstruosas – que certamente farão bonito no Oscar.

 

Share this post


Link to post
Share on other sites

Acho que o problema da Academia de cinema com filmes da NetFlix talvez seja isso: Netflix distribui os filmes dela no cinema só o suficiente pra serem nomeados pro Oscar (e demais premiações de fim de ano), então só um público limitado ali vai ver o filme nos cinemas. Assim, esses filmes acabam não tendo uma distribuição nos cinemas mais robusta "pro povão" ir ver.

Tem filmes que isso é perdoável, mas aqui, isso, de certa forma, prejudica o filme, já que Scorsa queria que a maioria visse nos cinemas (creio eu).

 

**Sei que da parte da Netflix é difícil convencer um público a pagar pelo filme nos cinemas, sendo que depois ele veria "de graça" na TVs, mas sei lá. É algo que esse serviço de streaming  tem que pensar pro futuro como vai lidar com esse tipo de situação. Do jeito que tá é meio brochante (falando como público que consome cinema - nos cinemas).

(ainda não vi o filme - surgiram imprevistos, mas desse fds não passa)

Share this post


Link to post
Share on other sites
13 minutes ago, Jailcante said:

 já que Scorsa queria que a maioria visse nos cinemas (creio eu).

infelizmente o povão ta nem aí pra esse filme...quer mais é ver carros turbinados em rachas, machos marombados se estapeando ou metralhando meio munco, robôs gigantes se digladiando com monstros, mascarados com cueca sobre roupa colante combatendo o crime, comédias estudantis com humor escatológico e.... muita mulher gostosa em trajes mínimos..😂

Share this post


Link to post
Share on other sites
3 hours ago, Jailcante said:

**Sei que da parte da Netflix é difícil convencer um público a pagar pelo filme nos cinemas, sendo que depois ele veria "de graça" na TVs, mas sei lá. É algo que esse serviço de streaming  tem que pensar pro futuro como vai lidar com esse tipo de situação.

Mas não tem como lidar com isso. O negócio da Netflix é Streaming, não circuito de salas de cinema. Eles lançam algumas coisas nas salas de cinema, mas isso sempre vai ser um "extra" e nunca o seu carro chefe. 

3 hours ago, Jailcante said:

, já que Scorsa queria que a maioria visse nos cinemas (creio eu).

 

 

Querer, ele queria, mas também sabia muito bem onde estava se metendo quando fechou com a Netflix para produzir o filme, já que foi a única que aceitou bancar o projeto dele. Ao fechar com a Netflix, você sabe que o grosso do publico do filme não vai ser o de cinema. (e dai vem o ranço do Scorsese com os blockubusters atuais, que ele simbolizou na Marvel).

Então não é a Netflix que tem que se adaptar e começar a priorizar o cinema ao invés do streaming. São os estúdios de cinema que precisam apostar mais em projetos como o do Scorsa (e esse é o ponto realmente importante do Scorsa por trás da bobagem de "esses filmes não são cinema").

Share this post


Link to post
Share on other sites

 

38 minutes ago, Questão said:

Mas não tem como lidar com isso. O negócio da Netflix é Streaming, não circuito de salas de cinema. Eles lançam algumas coisas nas salas de cinema, mas isso sempre vai ser um "extra" e nunca o seu carro chefe. 

 

Querer, ele, mas também sabia muito bem onde estava se metendo quando fechou com a Netflix para produzir o filme já que foi a única que aceitou bancar o projeto dele. Ao fechar com a Netflix, você sabe que o grosso do publico do filme não vai ser o de cinema. (e dai vem o ranço do Scorsese com os blockubusters atuais, que ele simbolizou na Marvel).

Então não é a Netflix que tem que se adaptar e começar a priorizar o cinema ao invés do streaming. São os estúdios de cinema que precisam apostar mais em projetos como o do Scorsa (e esse é o ponto realmente importante do Scorsa por trás da bobagem de "esses filmes não são cinema").

Você tá certo. Não tiro a razão. Netflix, ou serviços de streaming em geral, não teriam essa obrigação de pensar em manter o público que vá aos cinemas. Elas vão pensar no serviço que prestam, e fim. Talvez eu esteja vendo a coisa de um lado "meio romântico" dessas empresas quisessem ou se preocupassem ver por esse lado também do público que vai aos cinemas, sei lá, mas também não estaria querendo transferir essa obrigação pra elas, porque não seria mesmo.

(Acho que nesse sentido vai ser bom a Disney e WB entrando nesse mercado pra ver como vai ser o comportamento delas, e que talvez possam agir de outra forma da Netflix já que também lidam com distribuição de filmes nos cinemas, assim não vão querer que um 'serviço' canibalize o outro, aí podem tomar outra postura em relação a isso - espero).

Share this post


Link to post
Share on other sites

catso, se eu fosse ator nao pensava duas vezes em aceitar papel pra estar dentro desse filme...mesmo que fosse pra servir de samambáia de decoração😂

 

Elenco rebate acusações de que filme da Netflix cortou atuação de atriz para apenas 7 palavras

Resultado de imagem para anna paquin the irishman
O Irlandês, novo filme da Netflix com direção de Martin Scorsese, está passando por uma polêmica. Para muitos internautas e críticos, a atuação da atriz Anna Paquin, que vive Peggy, foi cortada. No filme, que tem quase 3 horas e 30 minutos, Peggy diz apenas sete palavras. Rumores também chegaram a dizer que Paquin foi “forçada” a aceitar o papel. Em entrevista ao USA Today, Robert De Niro rebateu a acusação. Para o ator, Paquin tem uma interpretação poderosa, mesmo com poucas palavras. “Ela foi muito poderosa e é assim que é. Talvez em outras cenas poderia ter mais interação, mas foi feito assim. Ela é incrível e isso ressoou”, disse o astro. 
No Twitter, a própria atriz respondeu a acusação de que teria sido obrigada a aceitar o papel da Netflix. “Não, ninguém estava fazendo nenhuma obrigação. Eu fiz a seleção para ter o privilégio de me juntar ao incrível elenco de O Irlandês e estou orgulhosa de fazer parte do filme”, publicou a famosa. 

 

Share this post


Link to post
Share on other sites

Pois eh..vi o filme hj..ela fala pouco..e qdo criança tb fala pouco...quem ver o filme vai entender o pq....é sempre bom ver esses caras fazendo filme de máfia..com essa gangue..O Irlandês foi a despedida deles..estão bem velhinhos...o CGI me incomodou muito...não eh aquele caso de no começo incomoda e depois vc se acostuma..fiquei incomodado do começo ao fim e depois não tinha certeza se era o CGI ou se a cara do De Niro era estranha daquele jeito mesmo..kkk..Joe Pesci monstro assim como Al Pacino e Deniro...

Share this post


Link to post
Share on other sites
On 12/5/2019 at 12:02 AM, Big One said:

Ainda sobre a Anna Paquim. Pablo resumiu bem. 

 

 

Não sei do que o pessoal reclama. A personagem é isso aí e fim (e ela fez bem). Representa de alguma forma as famílias dos mafiosos, que muita vezes, não gostavam, ou não aprovavam os métodos ali de trabalho do pessoal, mas se limitavam a ficar observando e julgando, sem coragem de enfrentar de frente os mafiosos e questioná-los (no caso, aqui todas as mulheres deviam ter esse comportamento, pelo menos foi o que deu a entender).

 

***Particularmente, acho que Scorsese poderia sim, ter incluído cenas da família do DeNiro pra gente ter um pouco mais de noção do que as mulheres ali pensavam exatamente daquilo tudo, como elas enxergam exatamente o personagem do DeNiro, mas Scorsese deve ter achado que só o posicionamento do personagem da Paquim durante o filme e uma fala de uma outra filha com o pai no final, bastaria pra ter ideia disso. Enfim.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Sobre o filme em si: Eu gostei muito, mas não sou muito chegado em filme de mafia então não consigo colocar um valor maior pro filme. Desculpe. Preferi bem mais a parte final do filme que o começo. Acho que tudo começa a engrenar melhor quando chega o Roffa (no fim, a história é dele mesmo, mostrar mais ele e o que rolou com ele, seriam os pontos mais importantes aqui).

O rejuvenescimento do DeNiro acho que não funcionou muito bem (pra mim) porque ele continuou velho o filme todo (não basta a cara, mas o corpo e toda uma movimentação que ele não tem mais, acabam entregando a idade - e a gente já viu ele jovem muitas vezes e ele não era exatamente assim, isso atrapalha). Considero que esse efeito é bom pra cenas rápidas, num filme todo, ainda não rola (e gasta-se muito dinheiro pra uma coisa que chamar um ator mais jovem ficaria bem melhor).

Enfim, fora isso não teria mais nada a reclamar, mas, como disse, não é um gênero que é muito a minha praia, aí não conseguiria me animar muito mesmo. Só pra constar: Sou meio torto mesmo no gênero, já que de máfia do Scorsese prefiro Cassino do que Bons Companheiros, por exemplo.

 

 

(Como era pro NetFlix, acharia melhor se Scorsa tivesse colocado como minissérie, talvez. Saiu um dado que só 18% dos que deram play no filme, chegaram até o final do filme. Povo no NetFlix tá mais acostumado com série/minisséries mesmo. Filme de mais de 3 horas deve ser uma eternidade pra maioria que assina o serviço - mas pensando com os botões aqui SPOILERS: Talvez cena inicial deveria ser o assassinato do Hoffa, assim as pessoas ficariam mais curiosas pra saber que o filme iria mostrar isso, a resolução desse grande mistério,  e aí ficariam no filme pra saber o que rolou até chegar naquele ponto. Com o marketing focando mais no personagem do DeNiro, as pessoas podem achar que é só mais um filme de máfia, e se a pessoa não tem muito interesse no assunto, iria abandonar mesmo se achasse que o filme não traz nada mais além disso).

Share this post


Link to post
Share on other sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

Loading...

×
×
  • Create New...