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Forum Cinema em Cena

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(74)

"Sem tempo, irmão", tive de escolher um curta-metragem para ver hoje (e, a meu critério, conta como qualquer outro produto cinematográfico) e escolhi um do começo da carreira de Almodóvar. É de 1978, e se chama "Salomé" (ele que pode ganhar seu segundo Oscar, neste ano, por outro curta). Tem menos de 10 minutos, mas, pra quem tem olhos para ver, traz mais significados do que muitos filmes por aí.

O diretor espanhol misturou duas histórias bíblicas, a do sacrifício de Isaac, com a da dançarina Salomé, e a regionalizou.  Vaga um homem no deserto com seu filho - que usa All Star (um adolescente!) - com aquelas vestes do antigo Israel, quando se deparam com uma bela dançarina, da corte do palácio, como ela se identifica. Abraão se apresenta e pede a ela que dance para ele, a troco de qualquer coisa. Ela pede que ele jure por Deus e ele assim o faz. Ela então começa a dançar uma música de tradição flamenca. E depois de uns dois minutos dançando, pedirá a cabeça do filho como recompensa.

Regionalismo, sedução, elementos pop (como o calçado do pobre Isaac), mas talvez de mais importante o caráter de mistura de histórias. Como se a expressão oral misturasse tudo, principalmente essas histórias/lendas bíblicas. Ao fim, Deus aparece como fogo, assim como no Velho Testamento, e anula o sacrifício, dizendo "que é do humano pecar". Ou seja, Deus compreenderia mais os desejos da carne do que os homens compreenderiam os caminhos divinos.

Vê, homens de pouca fé no cinema, como um curta-metragem pode valer a pena?

 

Salomé - 1978 | Filmow

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Vamos lá, chuchus. Nos brindem com seus comentários. E não vale só o nomezinho do filme.

Barbie and the Rockers: Out of This World (Bernard Deyriès, EUA, 1987)   Os personagens são tão falsos quanto se tivessem sido criados para um material de ensino de inglês. Até mesmo Barbie, a única

"Baby Driver" é uma divertida matinê onde o roteiro batido não é o que interessa, mas sim o som e música, que são é mais um personagem ativo da estrutura do longa. Divertido,é mais um musical travesti

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Saint Maud é um arrepiante thriller religioso que trata sobre obsessao dogmática crista e o grande acerto é mostrar isso pela ótica da personagem principal, interpretada com maestria pela Morfydd Clark. É um filme que flerta com drama e terror psicológico construindo atmosferas agoniantes que nos colocam no lugar da crente maluca, sem falar na ajuda da ótima montagem que cria a distorcao da realidade da prota. Sua interacao com a patroa gera as melhores cenas. Mas tudo seria em vao nao fosse a dupla fantastica de atores este indie inglês. E os dois ultimos segundos do filme o resumem perfeitamente. 9-10

Celebrate Ash Wednesday with the Trailer for A24's SAINT MAUD

 

 


Puzzle é uma deliciosa matinê alto astral pra passar o tempo de boas. Imediatamente pensei no francês Xeque-Mate, só que ao invés de xadrez aqui a parada é com quebra-cabecas, embora este aqui seja refilmagem de um argentino de 2008. O tema da mulher submissa que se descobre por meio de alguma coisa banal é atemporal, mas aqui é tudo levado com tanta leveza que dá gosto, embora haja uma ou outra saida romântica fácil. O titulo diz mais da personagem que o jogo em si, de sonhos nao realizados e coisas que negligenciamos na vida em funcao dos outros. E claro, a atriz principal dá um show. 9-10

PUZZLE | Mary Riepma Ross Media Arts Center

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(75)

No começo de "Judas e o Messias Negro", aliás desde quando foi lançado o trailer, você pensa, "Pow, vai ser um filmaço!!", então pra mim rolou uma espécie de decepção quando foi chegando ao final e pra mim a narrativa estava apenas ok, comum. Claro, a expectativa nunca é um problema do filme, mas do espectador, assim como o fato de um outro filme de alguém infiltrado como "BlaKkKlansman" (meu segundo preferido naquele ano) ainda estar na cabeça de todo mundo...Expetativa e comparação não são problemas reais do filme.

O problema real do filme, pra mim, foi a direção do Shaka King, mesmo. Sem inventividade, nem elaboração. É um filme com uma encenação e uma concepção de planos bem normal. Nada demais. 

Dito isso, o filme tem atuações excelentes, principalmentes da dupla Daniel Kaluuya (pra mim, quase um "Lead", e, penso eu, favorito ao Oscar) e LaKeith Stanfield. A elogiada canção de H.E.R, abaixo postada, também pode estar na disputa contra a canção de "One Night in Miami". As duas são deveras muito bonitas. Não sei em qual votaria. Acho que nesta.

Sou um liberal de carteirinha, então nunca a luta revolucionária será um opção válida. Em certo momento, a ideia de reformas graduais é crititcada. Mas são elas, as reformas, que acabam vingando historicamente e transformando de fato a realidade - ainda que demande, infelizmente, mais tempo, tempo demais, sobretudo em assuntos tão premeentes quanto os Direitos Humanos. 

As informações finais do filme, em forma de créditos, para mim foram novidades. E são bem chocantes. Aliás, se fossem imagens, dariam ao filme um final ainda mais poderoso, mais "bíblico", mais justificativo do seu belo título. Não entendo por que não as transformaram em ficção e só as deixaram como apêndice. Talvez o filme, que já e grande, se estendesse demais.

Muito boa a Fotografia de Sean Bobbit (nunca indicado, nem por "12 Anos de Escravidão"!), e muito bem caracterizado Figurino. 

Gostei. Mas esperava mais. Gosto mais de "BlacKkKlansman". Problema meu. 

Judas And The Black Messiah' Set For Release In February 2021 | Bossip

 

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(76)

Que filme fraco! "Supernova"/ "Memórias de um Amor" é um filme que se fosse uma pessoa seria aquela pessoa educada, calma, introvertida, que fala baixo, que nunca comete uma indelicadeza, mas como filme todas essas características revelam uma tremenda falta de ação, ação dramatúrgica.

Colin Firth e Stanley Tucci interpretam um casal que passa apuros com a demência precoce de um deles. Uma demência que é, em termos de imagens, "falada", não há nenhuma cena mais simbólica de que algo grave está passando. A gravidade vem por meio das palavras.

A crítica Bárbara Heliodora ensinava que teatro é basicamente "Texto + Ação" . Ou seja, em termos amplos, alguma coisa precisa acontecer. Não basta boa intenção, não basta atuação boa, não basta diálogos ternos, não basta. Transferindo para o mundo do cinema, acho que é possível entender o roteiro de forma semelhante. Alguma coisa precisa acontecer.

Os dois atores estão bem, como era de se esperar, mas muito respeitosos...Pensar no Stanley Tucci indicado ao Oscar por este papel, como tentou-se, é, como os jovens falam, "Aqui tem uma barra, e você está forçando ela". Não tem nada de mais na atuação dele. Pra mim, a melhor atuação dele continua sendo a de "O Diabo Veste Prada".

Pra piorar, esse título estelar tem a ver com aquela informação batida de que somos, como humanos, produtos das estrelas, enquanto origem de átomos. Isso rende uma cena de ensinamento astronômico, como se essa fosse a maior novidade de todos os tempos. E a cena final é a confirmação dessa obviedade vezes mil.

Fraquíssimo.

Supernova - 20 de Novembro de 2020 | Filmow

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Tom & Jerry é uma matinê agradável que mistura animacao e live action de forma só mais ou menos. Em tempo, é uma producao que privilegia mais o publico infantil aos adultos, que ficam so na nostalia do antigo desenho. Sim, os melhores momentos sao as perseguicoes do gato e rato do titulo, mas a interacao com os humanos ta bem estranha..nao soa natural ou orgânica tipo o ótimo Uma Cilada para Roger Rabbit, e seu elenco humano ta bem fraquinho, dos quais so se destaca o Michael Penha. Tem cena pòs-credito, tem Spike, Butch e Frufru, etc.. Náo é óóóótimo mas é infinitamente superior ao medonho Pica-Pau. 8.5-10

Hashtag #tomejerryofilme na Twitteru


 

Flora e Ulysses é outra divertida matinê que mistura live action e animacao por CGI e trocentos outros recursos criativos pra mostrar os devaneios imaginativos da protagonista mirim titulo. É um filme pra quem gosta de super-heroi e quadrinhos, pois eles sao referenciados quase que inipterruptamente (principalmente os da Marvel). É um filme bem sessáo da tarde e inofensivo, onde a pirralha manda bem no papel principal. Outra, e o esquilo Ulysses, mesmo sendo totalmente CGI consegue cativar e é daqueles bichos que a gente quer apertar de tao ofinho que é. Sim, e tem uma divertida cena pòs-credito. 8.5-10

Michael Bouska Mixing | Score Mixer

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(77)

Pior filme do ano!!!!

A bomba do ano, o "Cats" do ano, "Music", dirigido pela cantora Sia, é um desastre, embora indicado a dois Globos de Ouro - vai saber por quê. A personagem autista, em uma forma severa, reforça estereótipos e esvazia a mensagem social. A diretora e os artistas já até pediram desculpas para os eventuais ofendidos.

Em termos de cinema, a montagem intercala na narrativa diversos videoclipes, meio parecidos com os que a cantora apresenta em sua carreira, cheios daquelas expressões facias, e expressões corporais, de gosto duvidoso. Ver Kate Hudson, ou Leslie Odom Jr. fazendo aquelas caras e bocas infantilóides é de lascar. Mas não é apenas a coreografia meio boba, o figurino e os cenários são terríveis. Há um deles, simulando uma piscina de plástico vermelho, com nado artítisco, que foi de doer. 

A história da meia-irmã envolvida com drogas que de uma hora para outra vira guardiã da irmã desejava ser uma espécie feminina de "Rain Man", mas faltou talento, senso crítico, e capacidade de entrega técnica.

Queria desver.

Music (2021) - IMDb

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2 hours ago, SergioB. said:

(77)

Pior filme do ano!!!!

A bomba do ano, o "Cats" do ano, "Music". dirigido pela cantora Sia, é um desastre,

Eita, sério mesmo? E olha que quase baixei pq o trailer pareceu meio louco... Ufaaa!? Ainda bem que meu instinto falou mais alto e insistiu pra dar download na última tranqueira do Nicolas Cage, que ainda nao conferi... espero que tenha valido a pena?

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(78)

Antes de ver temia que fosse apenas um doc especulativo, uma coisa de fã, mas "Framing Britney Spears" conseguiu ser um documentário jornalístico com fundamentos, que deveriam levar as autoridades jurídicas americanas a pelo menos se debruçarem sobre o caso. 

Eu não sei em que o silêncio beneficia o "outro lado". Se eu fosse acusado injustamente de algo, eu estaria enfurecido, gritando, reclamando, movendo terra e céu pra provar a ofensa. Esse silêncio é eloquente.

Parabéns a diretora Samantha Stark. Conseguiu alinhavar vídeos, fotos, depoimentos, de modo lógico e respeitoso; explicar a situação, e talvez alterá-la. 

Para ser justo, não gostei da parte referente ao namoro com o Justin Timberlake. Nada a ver envolvê-lo com a história presente.

#FreeBritney!

'Framing Britney Spears:' There's No Escape, She Can't Wait | New University

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(79)

Ainda muito impressionado com a qualidade cinematográfica de "Time", fui atrás do curta-metragem "America", do ano de 2019, da diretora Garret Bradley.

Também a preto-e-branco, belamente fotografado pelo mesmo fotógrafo, Zac Manuel (Aposto que em breve alçará voos maiores), com 29 minutos de duração, sem um único diálogo,é um painel sobre os negros em Nova Orleans, e de como eles foram registrados no começo do século XX. Isso não é mostrado de um jeito articulado, não. É bastante lírico.

Reúne desde fotografias antigas, a simulações de vivências antigas da região, mostrando a comunidade negra por ela mesma. Seja em batizados de igrejas, seja em campos de algodão, seja em fabriquetas, seja participando de bailes. É difícil extrair uma moral, ou uma interpretação vencedora. É algo livre, em direção ao passado americano.

A mim, parece uma declaração de "estamos aqui desde há muito, somos os Estados Unidos também, há muito tempo". Parece óbvio. Mas não é.

Garrett-Bradley-America-2019-Still.jpg?resize=2000%2C1125&ssl=1

("Still" , de "America")

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2 hours ago, SergioB. said:

(78)

Antes de ver temia que fosse apenas um doc especulativo, uma coisa de fã, mas "Framing Britney Spears" conseguiu ser um documentário jornalístico com fundamentos, que deveriam levar as autoridades jurídicas americanas a pelo menos se debruçarem sobre o caso. 

Eu não sei em que o silêncio beneficia o "outro lado". Se eu fosse acusado injustamente de algo, eu estaria enfurecido, gritando, reclamando, movendo terra e céu pra provar a ofensa. Esse silêncio é eloquente.

Parabéns a diretora Samantha Stark. Conseguiu alinhavar vídeos, fotos, depoimentos, de modo lógico e respeitoso; explicar a situação, e talvez alterá-la. 

Para ser justo, não gostei da parte referente ao namoro com o Justin Timberlake. Nada a ver envolvê-lo com a história presente.

#FreeBritney!

'Framing Britney Spears:' There's No Escape, She Can't Wait | New University

Com relação ao Justin Timberlake acho que foi mais pra mostrar como artistas e mídia eram misóginos. E como esses ataques de alguma forma contribuíram para os problemas que se seguiram. 

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2 hours ago, Big One said:

Com relação ao Justin Timberlake acho que foi mais pra mostrar como artistas e mídia eram misóginos. E como esses ataques de alguma forma contribuíram para os problemas que se seguiram. 

Não consigo ver misoginia.

Amo aquela música e aquele clipe.

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Relatos do Mundo
2020 ‧ Faroeste/Drama ‧ 1h 59m

 

O mérito desse filme, em tempos de fakes news e onde a imprensa em sendo atacada, falar sobre um cara que sai de cidade em cidade, lendo as notícias, é bem significativo. Ele carrega uma penca de jornais e lê para as pessoas, que trabalham muito na terra e não tem tempo de ler notícias, ou simplesmente não sabem ler. Apesar da boa atuação da atriz, Helena Zengel, o filme não passa, como diria o Soto, uma boa matinê, genérica, culpa do roteiro com soluções a lá Deus ex Máquina a todo momento e pelo Tom Hanks, que aqui empresta sua persona e só. A Isabela Boscov, já tinha mostrado receio a escalação do Hanks antes do filme sair, pois no livro o personagem dele é mais duro. Receio que ela estava certa. Hanks é muito paternalista demais para o papel.

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Bela Vingança (Promising Youg Woman)

Crítica do filme: 'Promising Young Woman' (Bela Vingança)

Já esse aqui não tem nada de genérico, apesar do temo batido de vingança, aqui temos uma Carey Mulligan que domina a tela, numa ótima interpretação, uma edição ágil e um roteiro esperto. Gostei dos planos em primeiro primeira pessoa (primeiro plano) que a diretora Emerald Fenel fez. Destaque também para Bo Burnham, vi a sua ficha que ele, além de outras coisas, é comediante, acho que isso ajudou muito na parte mais leve do filme. Como o filme é classificado como terror, eu esperava algo mais gore. O Mcloving está o filme!!!...kkk

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(80)

Espero muito que "Babenco", que eu ainda não vi, seja um documentário de qualidade, por que estou absolutamente encantado por outro concorrente à vaga brasileira na disputa do Oscar Internacional, "A Febre". Que filme ma-ra-vi-lho-so! Nem acredito que esteja na Netflix!

É claro que eu ia gostar, pois a influência do cinema do tailandês Apichatpong Weerasethakul é nítida. Temos igualmente totais condições de fazer um cinema enigmático, relevante, misterioso, florestal, como o tailandês consegue. A cineasta Maya Da-Rin pegou aquela atmosfera de cinema e a abrasileirou, com grande resultado, em sua estreia na direção. 

Falado em tukano e em português, "A Febre" trata do choque entre os povos Ameríndios da Amazônia e a ideia - historicamente atuante - de industrializar aquela região. Um homem índio, viúvo, chefe de família, trabalha como vigilante na hintelrândia de Manaus, acompanhando os processos de carga e descarga da Zona Franca. Tem um filho jovem, meio preguiçoso, meio afastado de suas origens, que por sua vez tem sua família; e uma filha, ténica de enfermagem, muito doce e amorosa, que é aprovada em Medicina na UNB, e sabe bem o valor dessa conquista. Ou seja, vemos um processo de introdução dos índios na cultura branca, na idéia de "salário", na idéia de "jornada de trabalho", na ideia de "Rh", na ideia de "universidade". Ficamos relativamente felizes em vê-los progredir, mas de repente, meio angustiados, por saber que o que chamamos de avanço, na verdade, também é uma perda. Uma perda da cultura própria, dos seus costumes, de vê-los sem tempo para participar dos costumes antigos da famílias...

Estou escrevendo aqui e lembrando de inúmeros detalhes do filme...Não vou conseguir fazer jus a tanta inteligência. Em certo momento, o protagonista, o pai índio, precisa comprar um saco de cimento, e ele vai carregando à noite, depois do expediente, o pesado saco nas costas, sem reclamar, e caminha, e caminha, e percebemos que eles moram na periferia de Manaus. Tipo, são índios "favelados". No trajeto, ele para e ouve em uma casinha a celebração de um culto evangélico, mas em língua tukana. É chocante ouvir passagens da Bíblia numa língua indígena, ela mesma quase um segredo, de poucos falantes...Que horror esse travesti de expansão jesuítica!

O título se explica pela reação no corpo do pai, ao perceber sua filha saindo de casa. Uma reação emocional a muitas coisas. Uma somatização de todas as mudanças. Ele começa a ter sonhos em que anda pela floresta à noite. Ao mesmo tempo, um animal está atacando outros bichos na região (exatamente como em "Mal Dos Trópicos"), como informa a televisão. Ao mesmo tempo, que um colega de trabalho, de aspecto perigoso, vindo de fora, traz uma aura de perigo na empresa de segurança, ao se revelar um ex-feitor de fazenda, preconceituoso ao associar os índios aos chineses das importações. Ao mesmo tempo, que ele começa a envelhecer e a cometer pequenos deslizes no trabalho...Ao mesmo tempo, que chove sempre...Ao mesmo tempo que faz calor...Ao mesmo tempo que...

O final é um deslize de canoa pelos igarapés. Uma cura ancestral ir para dentro da floresta.

O trabalho de som e o trabalho dos atores é maravilhoso, principalmente do ator Regis Myrupu. Salve o povo do Amazonas!

Que riqueza esse filme! 

Amei!

A Febre (2019) - IMDb

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(81)

"A Bela Junie"/ "La Belle Personne", filme de 2008, do francês Christophe Honoré. Adaptando um livro antigo de Madame de La Fayette, situando-no em uma escola do século XXI, o diretor consegue chegar em uma "Malhação" melancólica, com cérebro. 

Tudo ronda a chegada de uma aluna nova, vivida por Léa Seydoux, que faz a classe inteira se apaixonar por ela, mais um professor, vivido por Louis Garrel. Contudo, ela é uma jovem de alma meio antiga, vivida, enlutada pela morte da mãe, desconfiada dos homens que só a querem pela beleza, ou por uma noite apenas. O personagem de Garrel por sua vez é também um conquistador, de alunas a professoras. Então temos aqui um encontro de duas pessoas imensamente bonitas, acostumadas a sedução, mas que sabendo por experiência própria como é fácil descartar alguém terão medo de se envolverem.

A premissa é bem legal, mas achei o filme mais fraco do Honoré. O enredo se desvia muito dos dois personagens principais, para focar nos relacionamentos dos coadjuvantes, os outros alunos do colégio. Talvez para mostrar como o amor, ou, mais preciso, a beleza, fodem a cabeça de todo mundo. É legal ver que para os dois conquistadores, o melhor é o mistério, a dificuldade. A presa fácil é logo descartada. O amor difícil, no entanto, é o que dura.

A trilha sonora dos filmes dele é sempre legal, com muito Nick Drake, e uma canção original de Alex Beaupain. O clima é de Paris no inverno, cachecol, sobretudos, estudantes lânguidos despenteados, cartas de amor...

Cinema: La belle personne (2008) – Meu Logbook

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Ya No Estoy Aqui é um bom filme mexicano, estilo A Odisseia de um jovem expatriado nos States, mas aqui o componente extra é a resistência cultural sob forma da cumbia, o "forró latino". A música é bem forte e parte integrante da trama, embora o peso maior recaia sobre o personagem principal, que tem presenca bem forte. O resultado é positivo e beira o quase documentário, um filme agridoce sobre geografia humana, uma cronica urbana de gangues latinas, dignidade e pertencimento. 8.5-10

Sergio Napoli on Twitter: "Con estas dos películas en las salas de Buenos  Aires no hay excusas para no ir al cine este fin de semana.… "


 

Son é um bom thriller de terror do diretor do ótimo The Canal, onde aqui o lance ta em descobrir o que é real e o que é ilusao em todo o longa. É daqueles filmes de criancas malditas onde nao se sabe se o moleque é de fato o capiroto ou tudo nao passa de maluquice de sua mae. Bem conduzido e com gore decente, imagina um Bebe de Rosemary com A Profecia ou Deixe Ela Entrar. É isso! E apesar das referências óbvias o filme consegue ter identidade própria gracas a direcao e boas atuacoes do moleque e da mae. 8.5-10

Ирландские фильмы

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(82)

"N`um vou nem falar nada!!"

Último dos Seis Contos Morais de Éric Rohmer, "Amor à Tarde"/ "O Amor depois do Meio-Dia", de 1972, é tão sinuoso quanto encantador. Um homem feliz no casamento, com uma filha bebê, e outro a caminho, conformado com a monogamia e o fim dos flertes, reencontra uma velha amiga, que namorou um amigo que, por sua vez, se suicidou por ela. Começam a encontrar-se depois do almoço, para fazer pequenos passeios, ou para procurar um novo apartamento ou um novo trabalho para ela, até que os carinhos começam a aparecer entre eles, mas sem chegar aos finalmentes. Por razões diferentes, ambos se contentam com a amizade apaixonada.

Não existiria Hong Sang-soo, ou até mesmo Christophe Honoré, o resenhado de ontem, se esse editor do Cahier du Cinéma não tivesse também tomado a câmera, no início dos anos 1960. A vida urbana, adulta, amorosa, reflexiva, com o equilíbrio perfeito entre sedução e inteligência. Posso estar enganado, mas acho que neste episódio, aparecem as outras atrizes dos Contos anteriores...O que só reforça a inteireza do todo.

Este filme tem dois personagens muito bem desenvolvidos. A Chloé de Zouzou é demais! Franca, avessa à formalidades, sexy, sempre com boas tiradas...Bernard Verley entrega um homem que não quer ceder à vida segura, estável do casamento, e que vê seus impulsos sexuais aflorarem de modo delicado: seja pela sua extrema cortesia com as secretárias, os olhares para as jovens nos cafés, leve sedução com as vendedoras de lojas e senhoras, e o fato de não se entregar ao sexo fácil. Em nome da moralidade do casamento, substitui o impulso sexual pelo carinho galanteador, o que não deixa de ser uma estratégia masculina para reforçar o seu ego.

O final é ambíguo e irônico.

Filmaço para adultos.

Chloe in the Afternoon (1972) - IMDb

 

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(83)

Gosto de "Viva a Morte", e adoro a estranheza de "Irei como um Cavalo Louco", mas esse "A Árvore de Guernica", de 1975, o terceiro filme do diretor e dramaturgo espanhol, Fernando Arrabal, excedeu todas as expectativas. É excelente! Talvez seja pelo seu tema, mais acessível, mais claro, universal, a Guerra Civil espanhola - essa antessala terrível do que veríamos alguns anos mais tarde pela Europa e pelo mundo.

Por meio de uma cidade fictícia, mostra os republicanos comunistas resistindo ao avanço dos nacionalistas monarquistas amparados pelo nazismo e pela Igreja. Poderia ser só um filme de história, com incríveis imagens reais, da época, costurando a narrativa (que devem fascinar qualquer professor de História); mas como é Arrabal, encontramos imagens de cunho surrealista extremamente fortes e imaginativas.

De forte, por exemplo, algumas sessões de tortura, como republicanos assassinados em rodas (como na Inquisição), ou como um saco escrotal de um deles sendo incendiado!  De imaginativa, o extermínio em Guernica é retratado como uma maquete sendo bombardeada por aviõezinhos de brinquedo, mas depois seguem imagens fortes da época...Impactantes também as cenas profanação religiosa ( mostrando a crítica à Igreja Católica), com um anão simulando sexo com imagens da Virgem, passando esperma na face dela. Por exemplo.

O filme mostra muito bem o alinhamento dos militares-Igreja-tropas alemãs e italianas de suporte; bem como mostra a resistência comunista como uma resistência cultural ("O Fascismo Assassina a Cultura", em uma bandeira; além do clássico "Não Passarão!"), mas como um sonho comunista, de fim da propriedade privada. Pregam o fim do Capitalismo, assim como seus companheiros ideológicos de hoje, quase 100 anos depois. 

Vale notar que foi feito no ano da morte do General Franco.

 "Por Quem os Sinos Dobram" perto deste filme é apenas um olhar romântico-denotativo. Aqui, a guerra é um delírio.

Amei!

 L'Arbre de Guernica (Surréalisme dans l'Espagne Franquiste) - Cinéma Choc

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(84)

Dia cheio, sem muito tempo para o cinema, então escolhi ver esse "O Coro", curta-metragem de 1982, do gênio Abbas Kiarostami.

Quinze minutos de muita delicadeza e graciosidade. Um senhor idoso, com problemas de audição, caminha pela cidade, usando um aparelho de ouvido. Se o som lhe apetece, como o do arrulhado dos pombos da praça principal, ele mantém o aparelho. Se o som o desagrada, como o de uma picareta, ou o de um martelar em uma lojinha, ou uma conversa ininterrupta do comércio, ele o tira. 

O final é muito fofo, com ele em casa, sem o aparelho, e as netas gritando para ele abrir a porta. Não se fazem notar, então todas as meninas do colégio começam a gritar debaixo da janela.  Muito encantador ver a meninada de véu  - em coro, o coro do filme - se esgoelando para ser ouvida.

Uma metáfora sobre escolhermos o que queremos e o que não queremos ouvir? Mas também - penso eu -  a respeito do entendimento infantil, sutil, mas entendimento, das dificuldades dos mais velhos.

Cinco anos depois, outro filme escolar e com criança, "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" - aquela coisa!

The Chorus (1982 film) - Alchetron, The Free Social Encyclopedia

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(85)

Passando rapidinho pra saudar a Netflix por incluir no catálogo "Tony Manero", de 2008, o segundo longa do chileno Pablo Larraín. Eu não tinha visto, gostei muito.

Um psicopata fanático pelo filme "Os Embalos de Sábado à Noite" (aliás, acho um filmão também!) deixará um rastro de sangue até conseguir se apresentar imitando o personagem de John Travolta. A trama é legal, mas o pano de fundo, com a Ditadura de Pinochet à todo vapor, está muito bem posto. Mostra-se a perseguição aos artistas, o apoio da classe média, cita-se os pequenos conflitos de território com a Argentina...

O ator Alfredo Castro está espetacular. Há muitas camadas na atuação dele, desde a inveja, desde a insanidade, desde uma leve atração sexual por John Travolta, desde o escapismo, e até uma leve vergonha por ser um homem nitidamente mais velho interessado nesse tipo de personagem. Amei a performance!

A câmera segue o personagem bem de perto a maior parte do tempo, muitas vezes pelas costas, algo que se repetiria futuramente em "Jackie". É preciso dizer que o filme prepara o espectador para um grã-finale, que, no finalzinho, no finalzinho, acaba sem tanto sabor, mas - pensando aqui - talvez com muita dose de realidade. A realidade sempre se impõe.

Tony Manero: Rodrigo Perez, Nicol s Mosso, Antonia Zegers, Enrique  Maluenda, Hector Morales, Marcelo Alonso, Marcial Tagle, Nicolás Mosso,  Alfredo Castro, Amparo Noguera, H?ctor Morales, Paola Lattus, Elsa Poblete,  Francisco Gonzalez, Cristian

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(86)

Palma de Ouro em Cannes, em 1951, "Milagre em Milão" é quase uma fábula ( a ponto de começar com um "Era uma vez..."), enquadrado pelo neorrealismo italiano, movimento em que o pescador, o pintor, a prostituta, o adolescente infrator, tiveram espaço na tela, como símbolos da fome e das dificuldades econômicas do pós-guerra. Aqui, um órfão. Um drama, portanto? Não, dessa vez está mais para uma comédia chapliniana, pelo menos em sua primeira metade. Depois, o filme agarra a fantasia.

Totó sai do orfanato e sem ter onde morar acaba em um terreno, onde várias pessoas estão a começar um processo de ocupação, com seus barracos improvisados. Com inocência, alegria de viver, carinho pela comunidade, e extrema bondade, ele vai, aos poucos, transformando-se em um líder da ocupação. Um proto-Boulos com sentimento, sem política eleitoreira. Tenta conceber ruas, tenta educar as crianças, alegrar os mais velhos, tenta ornar o terreno com uma estátua achada no lixo... Aquele humanismo de Vittorio de Sicca, que nos enche o coração fácil...

Quando o rico proprietário do terreno aparece para reivindicá-lo, pergunta horrorizado ao ver a comunidade: "_ O que é essa gente?"; e responde a ele: "Os pobres". Há vários diálogos, como esse, muito bons. Como há várias cenas muito boas, a exemplo, da comunidade, recém-saída do inverno, lutando comicamente para ficar embaixo do único raio de sol. Essa abordagem afetuosa, terna, e engraçada da pobreza bebe muito em Chaplin, reforçado pela trilha sonora incessante.

Mas tenho que admitir que do meio para o final, quando aparecem os tais elementos "milagrosos", o filme decai muito para mim. O final é historicamente lembrado pela cena da - literalmente- "classe operária indo ao paraíso" (Será daí uma inspiração para o filme de Petri? Nunca saberei), mas envelheceu de forma infantil. 

Eu preferia que esse filme fosse um drama. A verdade é essa. Um drama realista. Um drama neorrealista.

Milagre em Milão - ( Miracolo a Milano ) Vittorio De Sica | Amazon.com.br

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