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Entre os Muros da Escola, de Laurent Cant


-felipe-
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"Entre os Muros da Escola" recebe o prêmio Lumière de melhor filme

 

Colaboração para a Folha Online

 

 

 

"Entre os Muros da Escola", o vencedor da Palma de Ouro no Festival de

Cannes 2008, recebeu o prêmio Lumière de melhor filme, concedido pela

imprensa internacional na França.

 

O longa de Laurent Cantet é o representante francês no Oscar de

melhor filme estrangeiro, e se encontra entre os nove finalistas na

categoria; as indicações ao Oscar serão divulgadas na próxima

quinta-feira (22).

 

 

 

A previsão de estreia no Brasil é no dia 13 de março.

 

 

O filme é baseado no livro de François Bégaudeau, que interpreta a

si mesmo, um professor de francês em uma problemática escola na

periferia de Paris.

 

http://sobretudofilmes.files.wordpress.com/2009/03/entre-os-muros-da-escola-poster12.jpg

Já estreou no Brasil, e achei até estranho que mais pessoas ainda não tenham comentado. Parece ser muito bom, verei assim que possível.

-felipe-2009-04-11 10:52:48

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Não vi este tópico antes.<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Estupendo ! <?:namespace prefix = v ns = "urn:schemas-microsoft-com:vml" />
O que é uma sala de aula ?!... aff!

Bom ver aqui o professor retratado de maneira mais “humanizada”, passível de erros e não como o detentor do conhecimento absoluto!

Dizem que ensinar é um dom, com François tu percebe bem isso, ele busca interação absoluta com os alunos e é brindado com uma classe questionadora. Sonho de todo prof... pelo menos dos que se importam em ensinar.

Embora François seja um prof acima da média, ele tb comete erros (nem vou citar o “vagabundas”), tipo, deixar que usem celular qd foi decidido em grupo que não, “só por ele não ter problema com isso” ou se recusar a trabalhar interdisciplinarmente ou pior achar que isto ou aquilo está além da sua classe, sem ter testado.

 

By the way, a função do prof é desafiar o aluno, forçar limites, senão ele estagna e não cresce.


Prova disso foi o tremendo soco no estômago que François levou qd Esmeralda (que me lembrou p/ caramba Lulu, de “Ao Mestre Com Carinho”) diz que não aprendeu nada com a droga de seus livros e ainda cita  e comenta Platão, um livro que leu por sua conta, e detona ironicamente um François pasmado: “não é um livro de vagabundas”... aff!

 

A coisa mais fascinante de ser prof é isso, as vezes os papéis se invertem e tu não sabe mais o qto tá ensinando e qto tá aprendendo.

 11,0/10,0MariaShy2009-04-11 12:59:35
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Achei um daqueles "food for thought", em que o roteiro e as atuações contribuem mais que a direção. Não há problema algum nisso, aliás é até uma forma de dirigir (basta ver os filmes do Denys Arcand, que gosto muito). Fiquei besta quando soube que o professor era um amador (aliás não há nomes fictícios no filme).

 

Mas indo ao ponto que interessa, gostei de como a profissão professor foi dissecada, mostrando os impasses que eles enfrentam com os alunos (quando realmente se importam com eles), e de certa forma você sabe que aquilo ali não vai terminar na escola. Pelo menos na minha vida foi (está sendo) assim.

 

Assisti ontem, e ainda estou digerindo... É um bom sinal.
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Tb gostei da relação de aluno-professor mostrada nom filme.

foi bem realista...aff!

É assim mesmo, as vezes o que o professor fala tem um peso muito grande.

E o que é esquecido é que ele tb é humano e tb erra.

Daí que um professor pode vir a usar palavras pesadas pq ele tb  se descontrola, tb se estressa, tb tem problemas e ele tb se frustra.

Mas sempre é cobrada uma postura, uma ética, uma moral impecável desses profissionais.

Um erro de um professor as vezes é tremendamente mais cobrado.

É como se fosse um sacerdócio... de repente seja... sei lá...

 

E acho que o professor-ator se saiu tão bem pq ele nada mais fez que retratar a sua realidade como profissional.

 
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  • 2 weeks later...

Uma outra faceta do filme é mostrar uma desintegração da França, por ter se tornado uma verdadeira esponja de culturas vindas de todos os cantos do mundo (aliás a Europa ocidental está assim). O corpo docente fica quase perdido, um simples nome ocidental dado como exemplo já dá início a um conflito. Ali, o professor se torna quase uma ONU dentro da classe.

 

Eu acredito até que esse lado "microcosmo" do filme seja o motivo dele ser tão bem sucedido.
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É, ele tinha que lidar com várias culturas ali.

 

Mas a parte mais relevante do filme é qd, no final do ano ele pergunta a cada um dos alunos o que eles aprenderam.

 

Ruim perceber que por mais esforço que um prof faça o aluno parece não se importar ou se dar conta de qto e quão importante pode ter sido cada hora, cada dia  de escola... aff! 09
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  • 1 month later...

 

É, ele tinha que lidar com várias culturas ali.

 

Mas a parte mais relevante do filme é qd, no final do ano ele pergunta a cada um dos alunos o que eles aprenderam.

 

[/quote']

Essa foi uma das cenas que mais me impactaram nos últimos tempos. Quando aquele aluna chega para o professor e diz que não aprendeu nada, e ele fica ali parado, sem saber o que dizer, sem acreditar que aquilo seja possível... Não podiam ter encontrado uma forma melhor pra fechar o filme.

E mesmo o momento com a Esmeralda, logo antes, é muito interessante e questiona o real papel da escola no ensino desses alunos.

 

O filme é realmente ótimo, não só trata sobre temas extremamentes interessantes e relevantes, que poderiamos passar semanas aqui discutindo, mas também consegue trazer tudo para perto de você, fazer você se sentir como se estivesse dentro daquela sala de aula, e não simplesmente assistindo um documentário sobre os problemas da educação. Um grande filme.

 

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Não sou mais mod... Então se aplica apenas no caso de eu ser professor... Ufa... ghehehehe...

 

Mas' date=' um amigo meu viu e falou q o filme é bom, mas que não traz nada de novo para quem é professor...

[/quote']

Bem, realmente não traz nada de novo, até porque trata de situações que os professores enfrentam em suas salas de aula diariamente, mas pode te fazer refletir sobre essas questões, que justamente por já estarem tão batidas, acabam passando batidas e vistas como naturais e inevitáveis.

 

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Eu achei que mostrou algo de novo, na verdade algo velho não discutido nem mostrado que é a visão nua e crua que nós professores temos dos alunos e a que os alunos tem dos professores.

Geralmente se doura a pílula, usa-se palvras politicamente corretas, éticas e tals.  Aqui chutaram o pau da barraca...aff!

 

By the way, achei injusto aluna dizer que não aprendeu nada com o prof dela. Só se a herege se mantevisse surda e cega durante as aulas.

Há algo que se aprende e que não pode ser medido em algo "concreto" digamos assim.

 

As aulas, os profs mudam a maneira dos alunos de  ver/ser/pensar o mundo.

Muitos profs conseguem lapidar o que ainda está cru nos alunos (os que permitem isso, né?).

Não é arrogância, é a função do ensino mesmo.

Esse filme escancara isso!
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  • 2 weeks later...

Cacete, que filme brilhante. E o que falar do excepcional momento em que François vai tomar satisfações com os alunos e estes se unem, formando uma roda enorme sedenta de sangue? O filme é tão genial na retratação da sala de aula que eu me identiquei plenamente na época em que estudava no fundamental. É pura imersão, coisa que só o melhor do cinema consegue fazer.

O mais genial é a construção precisa das cenas, que te chocam justamente por parecerem tão reais: a cena em que François se descontrola, que começa com a hilária pergunta de um aluno e termina te surpreendendo pela reação em cadeia dos acontecimentos é o ápice do brilhantismo. E Cantet é brilhante ao criar um ambiente tão confortável para os atores(?) que todos ali soam autênticos, especialmente o próprio François.

 

Um raro exemplo de cinema brilhante com conteúdo ainda mais genial.
Lumière2009-12-28 00:03:56
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  • 6 months later...

Alguns comentários...

 

1) Acho que a aluna não aprendeu nada porque ela não tinha nível para estar naquela série. Se a sua base educacional é ruim, a pessoa não consegue absorver conhecimento nas aulas. E isso é mais frequente em relação a estrangeiros, os quais precisam vencer a óbvia dificuldade linguística. Parto do pressuposto que na França, também não haja repetência.

 

2) As minorias são muito avessas a absorver o conteúdo programáitico desenvolvido pela elite branca, no intuito de valorizar a suas origens e sua própria individualidade.

 

3) A juventude de hoje desfruta de excessiva liberdade. Isso foi fruto do avanço democrático que acabou com a maioria dos regimes autoritários e refletiu-se também nos lares e nas salas de aula. Hoje é muito mais difícil para os professores imporem autoridade, dado o grande nível de liberdade que a juventude goza.

 

4) A estrutura de ensino apresenta uma aparente dicotomia. O sistema educacional procura recuperar o aluno rebelde e olimitado, fugindo de sanções drásticas (expulsão ou repetência), na esperança de pelo menos dar-lhes uma educação informal, preparando-os melhor para a vida. O problema é que isso inegavelmente prejudica o aluno "conformista", que quer aprender, pois, são atrapalhados pela falta de disciplina dos colegas e pelo nivel pouco desafiador das aulas, que são atraídos pelo ensino particular, contribuindo para cair o nível do ensino público. 

 

 

 

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  • 3 years later...

 Eu acho que o mérito do filme não esta na forma de filmar, e sim na excelente mise en scéne e direção de atores (alías, se não me engano, este filme trabalhou com "não atores" e o fato de não se notar isto no filme já é um grande mérito. Gosto muito deste aqui por que ele simplesmente exala naturalidade.

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  • 2 weeks later...

Confesso que "forma de filmar", como eu coloquei, fica bem vago, mas na real isso se inclui na misé-en-scène. Não achei mesmo particularmente inspirada. A única exceção que consigo lembrar é das cenas em que o professor é filmado do meio da sala, da visão de um aluno, por assim dizer, e parece não haver uma separação entre o professor e o grupo de alunos, dando essa ideia de que ele não é um ser superior que fica em outra esfera.

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