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Forum Cinema em Cena

O Que Você Anda Vendo e Comentando?


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Em 1975, o Sindicato de Trabalhadores de Produção do Cinema e Telvisão de Portugal realizou esse documentário coletivo, com 20 diretores no total - entre eles Glauber Rocha - registrando a Revolução de Abril, mais conhecida como Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974, em Portugal, que pôs fim aos quarenta anos de Salazarismo/Marcelismo naquele país.

Quem mais se destaca? Glauber Rocha. Feliz como pinto no lixo, vai pra junto do povo, entrevistando os populares e os militares revoltosos, de baixa patente, que depuseram a Ditadura, perguntando a todos o que eles esperavam agora do país, como foram os anos sob o Regime, se foram torturados, como eles viam as guerras coloniais na África, etc. Os portugueses respondem educadamente, timidamente, e daquele jeito "duro", mas Glauber, com muito jogo de cintura, consegue deixá-los à vontade para falar.

É um documentário de raiz histórica, gravando o povo na rua, sim; com cravos na lapela, sim; mas também um documentário um tanto enfadonho pois registra longos discursos políticos. Minha cultura somente permitiu identificar alguns no púlpito, entre eles os ex-presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares. 

O título "As Armas e o Povo" me chama a atenção. Talvez sinalizasse, para Glauber, alguma esperança similar para o Brasil. Como se a nossa saída da nossa Ditadura, daquela época, também pudesse advir dessa aliança: um movimento militar revoltoso e povo aderindo a ele, em massa; legitimando assim a deposição.

Como consequência da Revolução em Portugal: uma nova Constituição em 1976; a indepedência das colônias na África (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, e São tomé e Principe; uma nova era de Democracia, enfim. Mas não o Comunismo, tampouco a substituição do capitalismo. Não iriam substituir uma ditadura por outra.

 

As Armas e o Povo (1975)

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Vamos lá, chuchus. Nos brindem com seus comentários. E não vale só o nomezinho do filme.

Barbie and the Rockers: Out of This World (Bernard Deyriès, EUA, 1987)   Os personagens são tão falsos quanto se tivessem sido criados para um material de ensino de inglês. Até mesmo Barbie, a única

"Baby Driver" é uma divertida matinê onde o roteiro batido não é o que interessa, mas sim o som e música, que são é mais um personagem ativo da estrutura do longa. Divertido,é mais um musical travesti

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Que filme!

"Certo Agora, "Errado Antes", de 2015, de Sang-Soo Hong. Ual, eu deveria ter visto esse filmes antes de "Na Praia à Noite Sozinha", de 2017. Mas as coisas são como são. De qualquer forma, esses filmes devem ser vistos juntos, e se você souber que o diretor, na vida real, teve um caso extraconjugal, de verdade, com a atriz Min-Hee Kim ( a beldade de "A Criada"), protagonista desses dois filmes, tudo se eleva de potência.

Diretor conhece uma ex-modelo que quer ser pintora, tomam um café juntos, tomam Soju juntos, e depois a verdade escondida aparece numa mesa com amigos (mesmo esquema de "Na Praia à Noite Sozinha"). No minuto 55, a mágica formal acontece. E eu vou dar um spoiler, me desculpem, senão não escrevo mais nada: O FILME RECOMEÇA! Com as mesmas falas, nas mesmas locações (a bem dizer, a câmera fica um tantinho mais à esquerda! Uma coisa linda!), e só quando chegam a um momento que gerou a crise anterior, as falas e situações se modificam. É como se o destino dos personagens fosse corrigido!

Quem dera se todas as histórias de encontros fortuitos pudessem ser retificadas!

Os planos estáticos de Sang-Soon Hong continuam gigantescos; o texto bem trabalhado ( com a crítica ao machismo oriental, de só enxergar beleza nas mulheres, e não outras qualidades); a lentidão; e as atuações fabulosas.

Quem acha que a Coreia do Sul só faz filme de zumbi, de violência gráfica, ou vencedores do Oscar? Fazem também pequenas histórias de amor.

Maravilhoso.

Certo Agora, Errado Antes - Filme 2015 - AdoroCinema

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"O Dia em que Ele Chegar", de 2011, é um filme de Sang-Soo Hong, em belo preto-e-branco (do mesmo fotógrafo de "Memórias de um Assassino"), que acompanha um diretor de cinema, que não filma já há algum tempo, de volta a Seul, e seu reencontro com amigos, ex-companheiros de trabalho, e uma ex-namorada. Claro, em uma mesa de bar, ao deleite de muitas e muitas garrafas de vinho de arroz; e, como diz o ditado, "o álcool entra, a verdade sai".

A intenção formal é falar sobre repetições. O encontro no bar é filmado de várias e várias maneiras, com modificações de assunto, e impressões díspares uns sobres os outros. Ou seja, a proposta pertence à mesma família de "Certo Agora, Errado Antes", só que lá é tudo feito de uma maneira muito mais limpa, mais organizada, e eficiente. Aqui, a cena é refeita inúmeras vezes, e acaba bastante confuso. E o padrão do texto é muito menos bom também.

Não gostei muito.

Criticofilia: Critica: The Day He Arrives ( O Dia em Que Ele Chegar)

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Ninguém me pediu, mas eu inventei de fazer essa maratona Glauber Rocha, e tive que rever esse curta, de 1959, "O Pátio", primeiro trabalho de Glauber. Gente...Nem com reza brava!

Não há enredo. Dois atores, Solon Barreto, e a musa (?), e esposa (até 1961), Helena Ignez, andam, deitam, rolam, evoluem, enfim, sobre um pátio em formato xadrez, voltado para o mar, protegido na folhagem. A dualidade dos quadrados em preto e branco refletindo a dualidade homem-mulher? Um Adão e Eva urbano? Ficam as perguntas irrespondíveis. Inclusive a grosseira "E, daí"? Não há final, não há substância. É mais uma performance experimental, do que qualquer outra coisa. A qualidade técnica é sofrível também.

11 minutos de tortura.

O Pátio - 1959 | Filmow

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F I N A L  M E N T E !!!

"N`um vou nem falar nada"!!!

Anos e anos e anos tentando ver esse "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant", de 1972, de Fassbinder. Aliás, Fassbinder ao quadrado, Fassbinder adaptando Fassbinder. A primeira uma hora é mais "dura", mas ainda sim válida, realmente uma preparação para o vendaval que é a segunda hora, um ciclone bomba. É um caminhão passando em cima, um caminhão descarregando areia. Pagaria o que pudesse para voltar ao início dos anos 1980 e conferir Fernanda Montenegro, Renata Sorrah e Juliana Carneiro da Cunha nos papéis principais, na versão brasileira paras os palcos, que foi um enorme sucesso. Mas divago...

É um texto sobre a escravização do amor, é um texto sobre a solidão homossexual, in casu, das lésbicasA atriz Margit Carstensen tem um papel difícilimo, como a estilista esnobe, crítica, completamente sádica com sua empregada (que age como um animal servil, masoquista, na esperança muda de que obtenha algum reconhecimento amoroso futuramente ) e que vai se apaixonar perdidamente por uma arrivista, uma moça linda - que dará o troco, a fará pagar o carma - que, por sua vez, vai rejeitá-la amorosamente, depois de viver às suas custas. Pura roda da vida! Todos nós, acredito, já passamos por alguém que nos fez de gato-sapato, e, pior, descobrimos, assustados, que gostávamos disso. Éramos escravos do (des)prazer. E levou um tempo para nos libertar, geralmente com outro amor, ou com terapia. Mas divago...

É um melodrama muito pomposo, alemão naquela pegada cabaré. Um único cenário: um quarto. Decorado com um painel, que nos remete a um templo de luxúria. Manequins, sem vida, sem expressão, são testemunhas silenciosas dos afetos humanos. Na segunda hora: objetos são quebrados, palavras virulentas são trocadas, os psicológicos são destruídos, e eles nada fazem....Mas divago...

Fassbinder filma tudo com tanta precisão, com cada enquadramento elegantérrimo... Maravilhoso o posicionamento dos corpos sobre a cama, muitas vezes, como se uma mulher estivesse amamentando a outra...Ual! O texto é de quem conhece do riscado. Que me desculpem os héteros, mas só poderia ter sido escrito por um homossexual. Só! O grau de verdade sobre as relações é muito forte. Deixo uns acepipes:

"Às vezes, havia uma certa frieza...
Dava pra sentir...
Você está com alguém num carro, num quarto...
Quer dizer algo... Mas tem medo...
Ou quer ser carinhoso... Mas também tem medo...
Tem medo de perder pontos, de ser o mais fraco....
É terrível, quando sabe que não pode voltar,
e começar de novo...."

"Sidonie:
-Todo mundo sabe que a Petra
é louca pela Karin.

Petra:
-Louca?
Não sou louca.
Eu a amo.
Como jamais amei ninguém antes.

Valerie:
-Você a ama?
Você ama uma mulher?

Petra:
-O dedo mindinho dela vale mais
que todas vocês juntas."

"Marlene, dez garrafas de gin!"

"Eu acho que as pessoas foram feitas pra precisar uma das outras, mas não aprenderam a viver juntas"

 Lembro que quando era criança, ouvi um adulto dizer algo sobre a homossexualidade feminina que me marcou muito, meu ouvido infantil já era superinteressado: "As mulheres podem sempre escolher". Fiquei com isso na cabeça, até hoje. Nunca vou saber se isso é verdade ou não. Pois não sou mulher, nem lésbica. Nunca saberei. O adulto queria dizer que, ao reverso, os homens gays estão "condenados", não podem evitar. Mas as personagens deste filme escolherem, em certa fase da vida, um homem; e sua vivência com outras mulheres tem um quê de fase redentora, como se tivessem ultrapassado gloriosamente, finalmente, as exigências familiares, a sociedade:

"...E então, pouco a pouco, começou a morrer a dignidade. Vi que me tinha enganado com ele, e comigo, e decidi acabar. Acabar com o meu amor por ele. Os últimos seis meses foram horríveis, acredita, horríveis! É claro que ele reparou que tudo tinha acabado, ou pelo menos desconfiou. Mas não levou a bem. E não procedeu com muita inteligência. Já que não conseguia prender a mulher em tudo, tentou ao menos na cama. Então surgiu o nojo. Ele foi usando a técnica, a força. Deixei-o, fui aguentando, mas a verdade é que o achava um porco."

Um filme obrigatório para as mulheres. Um filme infenso aos homens. O cromossomo xy não aparece. Só importa o amor das mulheres pelas outras mulheres. Minto, um homem aparece. É Fassbinder, em uma foto de jornal. Ele é o único homem desse mundo. O único homem que aparece.

Amor machuca.

Meu ranking Rainer Werner Fassbinder se altera, portanto:

1) Berlin Alexanderplatz (maior "filme" que já vi na vida, 15 horas);

2) As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant;

3) O Medo Devora a Alma;

4) O Direito do Mais Forte é a Liberdade;

5) Lili Marlene

 

magiadoreal: Filme do Dia: As Lágrimas Amargas de Petra von Kant ...

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Quase 10 anos sem filmar um longa, a argentina Lucrecia Martel adaptou para as telas um romance argentino de Antonio di Benedetto, fazendo esforços para tratar a história colonial de parte da América do Sul sem cair no "realismo histórico", mas, ao contrário, trabalhando os símbolos da ocupação europeia, neste seu filme "Zama", de 2017.

Vemos brancos desconfortáveis com perucas da corte; alpacas domesticadas; negros trabalhando no fundo das cozinhas; ouve-se históricas de índios caçados, escravizados, ou rebeldes; e principalmente trabalha-se a dualidade: uma terra cobiçada pela coroa espanhola, ao mesmo tempo em que seus funcionários a odeiam, só querem voltar. Sentimento que também se passa hoje em dia, com argentinos, brasileiros, uruguaios: desprezam onde vivem, sonhando com a Europa, até serem desprezados lá, uma terra que também não lhes pertencem.

Há uma confluência de línguas no filme: espanhol, português, idiomas indígenas; assim como registra-se a confluência do maravilhoso rio Paraguai - um rio importantíssimo, nascido no Mato Grosso, que os brasileiros não dão a mínima, esse rio que é uma artéria sul-americana para unir Brasil, Bolívia, Paraguai, e Argentina. Fico de cara com alguns comentários na internet falando a respeito do "mar". Socorro!

Matheus Nachtergaele é a surpresa brasileira no elenco; só aparece ao final e,claro, toma conta do filme. O filme é ambicioso, lento, intrigante, e sonoramente incômodo, mas, pra mim, quem se sai melhor é a designer brasileira Renata Pinheiro. Recriou com mágica aquele período histórico, mas sem seguir a cartilha que estamos acostumados. Ambientou de forma selvagem essa zona de fronteira, como tinha de ser:  injetando-nos medo do nosso passado bugre.

Festival de cartazes (+clipes!) de ZAMA, da diretora Lucrecia ...

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Em 1973, Glauber Rocha filmou em parceria com Marcos Medeiros um documentário chamado "História do Brasil", que é como abrir um livro de História mesmo. Em seus mais de 160 minutos, conta em minúncias desde as viagens do Descobrimento, passando por assuntos especifícos como ação jesuíta, ações governamentais do Marquês de Pombal, República Velha, a Abertura dos Portos, O Império I,  Império II, República Velha, Vargas I, Vargas II, Brasília, Ditadura, Bossa Nova, até, ufa, chegar no futebol tricampeão, Pasquim, Grandes Festivais, e terminar com imagens de Pelé no Santos...

Como se vê, é uma forma arcaica de falar de História, um projeto, em todos os níveis, estudantil; nada revolucionário, ou digno de um cinema novo.

Tem uma finalidade muito específica: contar didaticamente quem nós somos, de onde viemos, como fomos formados, etc. Mas mais importante do que o fim, é o público-alvo. Claramente, há um destinatário certo: os estrangeiros. Pretende-se chamar a atenção deles sobre nós.

Usa-se inteiramente uma voz em off, com imagens de arquivo, ou imagens que remetam aos períodos retratados, em uma grande colagem pictórica, que, como toda aula de história, é uma viagem no tempo.

Glauber estava no exílio, em Cuba e Itália, entre 1971 e 1973, portanto, há um sentimento escondido nesse livro de História: saudade.

História do Brasil - 1974 | Filmow

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Fechando a maratona Glauber Rocha com meu preferido, já resenhado aqui nessa seção do site em 2019, "Deus e o Diabo na Terra do Sol", mas que achei muito válido ter revisto de novo, no bojo da obra completa. Principalmente com a recente vista a "Antônio das Mortes - o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", cujo protagonista é Antônio das Mortes, esse matador de cangaceiro de poucas palavras, que, aqui, em "Deus e o Diabo na Terra do Sol", quando o sertanejo cego o recrimina, responde bravo: "Não quero que ninguém entenda nada de minha pessoa." Lindo momento, mas então, Glauber, 5 anos depois, fará um filme revelando outras facetas desse vilão atormentado. Essa frase sempre me passou meio batida, e agora tem outro significado.

Foi muito bom rever esse filme, também, para entender por que Bong Joon-Ho, o diretor do momento, declarou que este é seu filme latino-americano preferido:

“Sempre que posso, confiro o que estão fazendo os novos diretores chilenos, peruanos, argentinos, brasileiros”, afirma. “Porém, de todos eles, Deus e o Diabo na Terra do Sol, do Glauber Rocha, foi o filme que jamais saiu de minha cabeça. É impressionante – ainda hoje fico de boca aberta ao rever aquela maravilha!”

É um filme de fato muito rico. Prejudicado no Som, mas com diálogos, roteiro, e músicas excelentes.

Concluindo essa maratona, posso dizer que, sim, Glauber é o grande nome do cinema brasileiro, sua cabeça mais fervilhante, mais original, e culta. Entendia o cinema em termos marxistas, como superestrutura, incapaz de alterar o estado das coisas se não houvesse uma revolução na estrutura econômica. Se estava errado do ponto de vista ideológico, a meu ver, aos olhos de um Liberal, compreendia Glauber algo mais importante: o "colonialismo mental" do público brasileiro, doutrinado a só gostar de filmes aos moldes do cinema americano, quando muito, europeu. Seus filmes foram um cascudo na cabeça do acomodado público brasileiro de cinema da época. São um sopro de Brasil autêntico para o mundo. 

Porém, também penso que seu descuido técnico - tratado como estilo - acabou prejudicando muito o gozo de muitos de seus filmes, quando não da própria sobreviência deles. Por exemplo, não consegui ver seu segundo curta, "A Cruz na Praça", de 1959. Nem eu, nem ninguém. É um filme perdido. Dizem que ele foi concluído, exibido a poucas pessoas, mas Glauber teria pedido para incinerá-lo. Outros dizem que ele ficou inconcluso mesmo, e, doravante, se perdeu. O outro filme não visto é "Cabeças Trocadas", de 1970, disponível ao público apenas em poucos segmentos na Internet. Que pena! O que se junta ao lastimável fato de a instituição que cuidava da obra de Glauber ter sido fechada por falta de recursos. Que país é este?

Pobres de nós que sabemos tão pouco do pouco que temos.

Tendo visto então 16 dos seus 18 filmes creditados, todos os possíveis, meu ranking Glauber Rocha termina assim:

1) Deus e o Diabo na Terra do Sol;

2) Terra em Transe;

3) Di Cavalcanti Di Glauber / Maranhão 66 (TIE)

4) Câncer;

5) Jorjamado no Cinema

Ficheiro:Deus Diabo Terra Sol.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

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The Specials é um bonito filme humanista que trata de inclusão social com ternura e humor, assim como o filme anterior dos diretores, Intocáveis. No enanto, a pegada aqui é de denuncia contra um governo que fode programas assistenciais aos autistas. Na boa, a dupla prncipal Vicent Cassel e Reda Kateb carrega o filme nas costas. Tem os coadjuvantes de luxo, que não sao poucos, mas cumprem bem seu papel. O filme lembra muito o divertido Campeões, ma aqui o desfecho tem gosto agridoce uma vez que sua pegada documental ta longe do desfecho hollywoodiano. Uma dura realidade, porém amável. 8,5-10

Crítica de 'Especiales': cine necesario| Noche de Cine

 


Pinocchio é a versão do Matteo Garrone pro boneco mentiroso que queria virar gente, mas que poderia muito bem ido feita pelo Tim Burton. Seu estilo barroco, sombrio, cruel e heterodoxo transpiram Burton em cada fotograma, e salta aos olhos pelo espetacular desenho de producão. No entanto, o filme tem um grande defeito, seu pobre ator pro personagem principal, que fica facilmente ofuscado pelos demais coadjuvantes. É um filme ambicioso, porem que carece de ritmo e tensão, mas vale a pena porque ta longe de ser um conto pra pimpolhos. Ta quase pau a pau com o bom Tale of the Tales. 8,5-10

Roberto Benigni, Matteo Garrone Unveil New Live-Action 'Pinocchio ...

 

 

Aquaslash é um terror frauinho que peguei pensando que pelo menos fosse divertir feito Piranha ou Meg, mas pelamor...haja enrolação de 50 minutos de blábláblá somente pros restantes 15min se tornarem realmente divertidos no banho de sangue. Mas mesmo assim deixa a desejar como slasher, como terrir e como filme propriamente dito.. Mas quem não for tão exigente quanto eu quem sabe se divirta com esta tranqueira, que nem peitcholas tem pra elevar um tiquim a nota.. Só vale mesmo pelos efeitos práticos e pela cena pós-creditos, que homenageia Sexta Feira 13.. 7-10

Horror Movies Watch Online Free - GoMovies

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Incursão americana do sérvio Emir Kusturica, "Arizona Dream", de 1993, conserva toda a magia única do universo do diretor. Roteiro bizarro, animais pelos cenários, humor, drama, brigas quixotescas, trilha onipresente de Goran Brogovic, e ótimos atores. Aqui, Johnny Depp, Jerry Lewis, Faye Dunaway, Lilly Taylor, todos estão bem, mas quem rouba o filme inteiro é o Coajudvante, Vincent Gallo, como um ator aficionado por "Touro Indomável", ou pelo cinema de Hitchcock... Suas cenas são hilárias. E um modo de dizer que Kusturica foi formado também pela Hollywood tradicional.

Premiado com o Urso de Prata em Berlim, o filme não conquistou o público. Talvez as tietes de Depp, no auge do sucesso, o tenham considerado estranho demais. Pudera, os personagens sonham em voar, ou virar uma tartaruga, ou então sonham com os sonhos dos peixes. Também não é fácil vender um filme de desconstrução dos sonhos, que promete o avermelhado Arizona, e começa no ártico, com esquimós autênticos.

Não é o "American Dream", no qual todos podem ser o que quiserem, não podem, nem poderão; não é um sonho, mas é um devaneio delicioso sobre ele.

 

johnny depp movie posters | Johnny Depp Arizona Dream Movie ...

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A Disney lança uma carta que embaralha o jogo das premiações: o fantástico "Hamilton", a obra consagrada da Broadway, de autoria de Lin-Manuel Miranda.

Musical estupendo, brilhante, delicioso, importante, fantástico, não faltam adjetivos... São quase 3 horas de queixo caído com tamanho talento!

Mas será isso um filme? Com um adendo, um filme para o Oscar? As generosas regrais atuais parecem indicar que a produção será elegível, mas não acho que o corpo da Academia vai comprar esse entendimento. Porque, para mim, é apenas, sem desmerecer, "teatro filmado", ou um show gravado. 

Ademais, vemos os intestinos do teatro: plateia aplaudindo, microfones, luzes, há um intervalo de 1 minuto ou seja, não há disfarce. É uma peça. Uma peça filmada. 

O lance é que é das coisas mais lindas já feitas, e, se for elegível, como parece que é, vai ser engraçado ver "Hamilton" ganhar 11 Tonys e também algum Oscar.

Assistam!

Hamilton: Disney+ lançará adaptação do musical já em julho - TecMundo

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Há muito eu reclamo que "O Beijo da Mulher Aranha" quase não passa na tv a cabo, ou na tv aberta, e que dirá na Netflix, então fui atrás dele...

É tão inconcebível que Raul Julia não tenha sido indicado a Melhor Ator Coadjuvante - sabe-se lá o que aconteceu no Oscar de 1986. Ele está excelente. Pelo menos, Wiliam Hurt ganhou seu Oscar, na primeira de suas três indicações consecutivas, pela sua delicada construção.

O filme em si capta bem a polaridade Realidade x Sonho, e como os "filmes" dos dois presos são diferentes em perspectiva. Sônia Braga consegue tonalizar essas nuances em sua interpretação. José Lewgoy, dos brasileiros Coadjuvantes, é quem eu mais gostei, e nem lembrava que Nuno Leal Maia tinha sido dublado. Ficou engraçado, mas meio vergonhoso - se olharmos à distância. 

Babenco consegue uma movimentação de câmera muito boa na cela, rondando os dois personagens. Os dois sonhando com a liberdade.

 

O BEIJO DA MULHER ARANHA | Mulheres aranha, Cartazes de filmes ...

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"O Homem que Virou Suco", de 1980, é uma das pérolas do cinema brasileiro. O diretor e roteirista João Batista de Andrade fez um filmaço sobre o fenômeno da migração nordestina, particularmente intensa nas décadas de 1960 e 1970, que se estabeleceu na periferia de São Paulo - e que formará, aos poucos, a força de trabalho da indústria, bem como seu movimento sindical (ao final do filme, uma imagem distante de Lula no palanque. Junto da Odebrecht, penso, ninguém mostra, não é cinematográfico).

A elaboração de mundo marxista, com os sujeitos históricos Trabalhador x Empregador, é muito bem trabalhada, mas eu gosto particularmente da luta contra a desumanização. Por exemplo, o personagem principal, um paraibano orgulhoso de sua Terra, cordelista, é sempre chamado de "nortista", "cabeça chata", ou tem sua origem confundida com Alagoas, Ceará, Bahia, como se todos os estados fossem uma coisa só, na unificação preconceituosa. Não só sua origem é confundida, como até mesmo o seu próprio rosto, com o de um "Severino" (um alô a João Cabral) foragido, que assassinou um empresário americano.

A questão da desumanização vem à tona de maneira mais forte no meio do filme, quando um filmete empresarial é passado, tomando conta da tela, ensinando os "virgulinos" a usarem calçado, a tratarem bem os patrões, a se comportarem como um empregado padrão. Poucas coisas podem ser tão ofensivas a alguém, e o personagem de José Dumont é o único que se revolta.

Aliás, falar dele é chover no molhado, excelente em cena.

Amei!

Dvd - O Homem Que Virou Suco - De João Batista De Andrade - R$ 135 ...

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Muitos filmes nos ensinam mais sobre filosofia do que uma sala de aula. "Nunca aos Domingos", de 1961, é um deles, mesmo sendo assumidamente uma comédia. Um sucesso de crítica e público na época, mas também um triunfo de pensamento. 

Vemos aqui uma prostituta feliz, cheia de vida, rainha do cais do porto, e um filósofo americano que tenta "consertá-la" através de uma injeção de conhecimento. Ao fim, pensei em Nietzsche, um adversário - vamos dizer assim - dos Socráticos, da racionalidade gelada. Quando os personagens, sob as ruinas do Partenon, se questionam o porquê de a Grécia ter entrado em decadência, é dito que o fato deveu-se ao apego posterior dos gregos ao prazer. Poucos, como Nietzsche, atrelaram isso justamente ao seu contrário: Ao excesso de racionalidade, à confiança extrema no conhecimento, vindo de Sócrates, que imaginava que a virtude poderia ser ensinada.

Tudo isso não está dito, está simbolizado no filme. A atriz grega Melina Mercouri, Melhor Atriz em Cannes, e candidata ao Oscar em 1961, está maravilhosa, e há quem lamente ela perder a estatueta justamente para Elizabeth Taylor e sua prostituta padrão de "Butterfied 8".  Seu esposo, o diretor e roteirista, Jules Dassin, também foi indicado a Melhor Diretor e a Melhor Roteiro Original, mas o filme só levou mesmo o Oscar de Melhor Canção.

Como linguagem de cinema, na verdade, não apresenta novidades. Porém, sempre nos tira um sorriso ao ver os gregos dançando, vivendo a vida com paixão. Mas, reitero, há muita substância por trás da fácil simpatia. Um filme que deveria ser mais bem conhecido, e mais bem tratado pela história do cinema. Mesmo por que é ele, com seu sucesso, que abre as portas para o bem mais aclamado "Zorba, o Grego", de 1964.

SPACETREK66 - NUNCA AOS DOMINGOS - MELINA MERCOURI

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"N`um vou nem falar nada"!!!

Não dá pra ficar mais de 15 anos sem ver "O Jogador", de 1992, de Robert Altman. Tinha me esquecido da presença das vozes de Joyce e Milton Nascimento, na trilha, com "Tema para Jobim". Adoro colecionar mentalmente músicas brasileiras em filmes...

Mas a canção está quase no final, bem, bem longe do magistral plano-sequência que abre o filme, em homenagem sutil a "A Marca da Maldade", de Welles, ambos no paralelo de uma investigação criminal. Contudo, o thriller aqui vem como sátira: A indústria matar o escritor, matar o artista.

No cenário do crime, um mundaréu de atores e atrizes, impossível nominar a todos... A Era de Ouro de Hollywood, a Nova Hollywood, dezenas de astros e estrelas fazendo figuração no filme como si mesmos, passam, no todo, um irônico recado coletivo: Não ceder facilmente ao apelo comercial. O apelo comercial que elimina os verdadeiros mestres, tal qual Altman de certa forma ficou eliminado nos anos 1980, entre ets e guerras intergaláticas.

Brilhantemente executado, brilhantemente escrito, brilhantemente atuado (Tim Robbins - Melhor ator em Cannes; Altman, Melhor Diretor). Roubado no Oscar de 1993, ao ser apenas indicado em 3 categorias (Roteiro, Montagem e Diretor) mas não a Filme! É a ironia das ironias. A obra-prima passar batida na vida real.

O Jogador - 3 de Abril de 1992 | Filmow

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Primeiro longa de Léos Carax, "Boy Meets Girl", de 1984, também é o primeiro trabalho da parceria do diretor francês com o ator Denis Lavant. Que bela história de construção de alter ego! Ao final da década, a crítica francesa já o tinha como o único cineasta autêntico dos anos 1980.

Há um casamento muito curioso de cinema mudo - especialmente os rostos de Dreyer - e de Nouvelle Vague, em seu cinema, sempre visando desconstruir a narrativa clássica, capturando aqueles pequenos gestos incompreensíveis da natureza humana. A história de amor aqui, é uma história de sofrimento por amor. Alex e Mireille quando finalmente se encontram, estão chorando as pitangas pelos respectivos amantes anteriores. Daí se espantarem com os amores que dão certo, jogar moedinhas satiricamente diante de um beijo cinematográfico às margens do Sena, ou até tomarem atitudes mais radicais...

Não é um filme fácil, mas é tão belamente fotografado, e tão criativamente dirigido, que nos conquista.

"O problema dos solitários é que eles nunca estão sozinhos."

Em preparação para "Annette", de 2021, com Adam Driver e Marillion Cotillard, atualmente em pós-produção. O que sairá desse encontro?

Boy Meets Girl (1984)

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Gostei desse "The Old Guard", filme mais visto da Netflix nos últimos dias. O elenco é formidável, todos estão ótimos, sobretudo o ser humano mais lindo da face da Terra, Charlize Theron.

Não espero profundidade nesse tipo de filme. Aliás, quando filmes de ação ameaçam colocar elementos políticos, ou sociais, em geral, a diversão acaba. Fotografia muito boa de Barry Ackroyd e Tami Reicker; e bom design de Paul Kirby (um especialista em filmes de ação). Não espere inovação: nos últimos tempos, há sempre um grupo internacional de justiceiros resolvendo problemas transnacionais, uma desculpa para se viajar pelo mundo, mostrando belas imagens; um motivo para colocar um elenco diversificado (inclusive na sexualidade), todos bons atiradores e conhecedores de artes marciais...e por aí vai.

Mesmo assim, bom passatempo.

The Old Guard poster - Poster 1 - AdoroCinema

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Dos filmes do gênio Sion Sono, "Himizu", de 2011, vindo de um mangá, é o mais fraco que já vi. Mesmo assim, seu final, comovente, talvez um tanto melodramático, recompensa o esforço.

É um filme sobre o poder da amizade entre dois adolescentes, cujas famílias são pra lá de abusadoras. Tanta violência poderia fazê-los desistir de serem bons, mas a mensagem humanística é no sentido contrário. Vendo as cenas dos pais esmurrando os filhos, ou tipo construir uma forca para ameaçá-los, me passou pela cabeça que Sono é o anti-Ozu: Não acredita na hierarquia; no pater familias; ao contrário, são os pais que exploram os filhos. Em termos de gênero, a alternância entre comédia, gore, e drama, continua.

O mais importante são as imagens reais do desastre de Fukushima, e seus personagens vítimas da inundação, do medo atômico, e do desabrigo.

Pela pertinência no tempo, ganhou palmas em Veneza.

Themis (2011) - IMDb

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Conhecido por retratar mais a burguesia, "O Grito", de 1957, é um trabalho de Antonioni com um protagonista proletário. Porém, as questões sociais de classe, de uma Itália que tentava se reconstruir pós-guerra, são colaterais no drama no protagonista. Ele sofre por amor.

Ou seja, estamos falando de um plano existencial, individual, do trabalhador, não propriamente de política. Dispensado por sua amante, vagueia com sua filha de uma relação anterior, por outras cidades do Vale do rio Pó, e conhece algumas mulheres nesse trajeto (uma delas vivida por Betsy Blair, indicada ao Oscar de Coadjuvante um ano antes por "Marty" ; em bom italiano). Com todas há um súbito romance, e depois a despedida. É um homem perdido, vagueia com a filha, troca de pouso, procura um emprego qualquer, deseja apenas o acaso redentor. 

 Mas é ao final, quando Aldo volta a sua terra, e vê a sua comunidade mudando inapelavelmente em uma direção não planejada, que o filme justifica plenamente o seu título.  

Inesquecível.

O Grito - ( Il Grido ) Ed. Colecionador Versátil - Antonioni - R ...

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Proxima é um bom drama com pegada espacial pra metaforizar a relacões familiares, feito Ad Astra. Mas aqui a pegada ta mais pra Gravidade, Lucy in the Sky e First Man, pois pelo fato do filme ser europeu foge dos clichês batidos do cinemão. A Eva Green, sempre relegada a coadjuvante, tem aqui uma boa performance que se assemelha á de Jodi Foster em Contato. O desfecho me parece óbvio, mas dentro do conjunto isso se dilui facilmente. 8,5-10

PROXIMA' gets an official trailer & poster! | The Arts Shelf

 

Greyhound é um thriller dramático de guerra que parece arremedo de Dunkirk, porém pesando mais pro ótimo O Barco. Dilemas, alguma tensão e boa reconstituicão de época conseguem fisgar facilmente o espectador. Porém, os mais atentos verão que o papel principal foi feito sob medida pro Hanks, repetindo mais uma vez seu bom mocismo como capitão cheio de indagacões. É um Capitão Phillins embaixo dágua... Dá pa ver, mas é bem genérico.. 8-10

New poster for Greyhound featuring Tom Hanks

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Segundo filme do moçambicano Ruy Guerra, "Os Fuzis", de 1964, constitui um dos altos momentos do Cinema Novo. Completamente "embebido" na aridez de uma das maiores secas do Sertão nordestino, o histórico e terrível flagelo de 1963/1964, o filme se vale muito bem do povo local, para retratar uma disputa entre os famintos da região e o pelotão do exército enviado para cuidar do estoque de um armazem.

Um parêntese: Acompanho quase diariamente as obras de Transposição do Rio São Francisco, da qual os brasileiros infelizmente não estão nem aí. O filme se situa na região de um importante reservatório, o de Milagres, que, felizmente, graças à transposição, está muito cheio. Depois dele, as águas desviadas dirigem-se agora, pelo Eixo Norte, para o reservatório de Jati, no sul do Ceará, que já está enchendo paulatinamente; adiante, se tudo correr bem, encherão o maior de todos, o Açude do Castanhão, que abastece Fortaleza, bem como perenizarão o intermitente rio Apodi, que abastece o Rio Grande do Norte. Por que falo isso? Porque as pessoas, diante de um filme assim, preferem dizer que "nada mudou" a dar um simples Google. Não é assim.

Voltando ao filme, muitos planos-sequência, uma fotografia admirável, muito mais "bonita" do que a de outros filmes do Movimento, que foi criticada por isso. No elenco, Nelson Xavier, Maria Gladys, e os onipresentes Hugo Carvana, Joel Barcellos, e voz de Antônio Pitanga. Lamento apenas a cantoria regional em excesso.

"A gente tem fome e tem fé, só fica faltando o milagre"

O belo cartaz, um dos ícones do Design brasileiro, é de Ziraldo.

Os Fuzis - Cartazes de Filmes Nacionais | Banco de Conteúdos ...

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Sucesso em Sundance 2020, "Palm Springs" é uma comédia romântica muito acima da média, muito bem filmada, muito bem atuada, com uma montagem excelente, e uma trilha superlegal. 

A história é muito boa, embora não necessariamente original. Porém, é melhor não saber absolutamente nada sobre ela. Não leia nada sobre o filme! Apenas saiba que é diversão garantida.

Indicação no Globo de Ouro de Comédia?

Gostei muito.

Palm Springs | Pôster e data de estreia do novo filme de Andy Samberg

 

 

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Muito possivelmente, o melhor filme do ano!!!!

Desde Berlim, "First Cow" tem ganhado elogios entusiasmados mundo afora. Fui conferir a crítica do Pablo e ele chamou de "obra-prima". Este novo filme de Kelly Reichardt (assinando também roteiro e montagem) continua em seu estilo minimalista, de poucas palavras, lento, mas tem uma história muito melhor do que os outros filmes dela, na minha opinião, muito mais interessante, ainda que seja um fiapo de história: a amizade entre dois homens, que roubam leite, da primeira vaca trazida à região, para fazer e vender bolinhos na feira, no Oregon de 1820. O filme, no entanto, não começa naquela época de colonização. Começa 200 anos depois. E, de cara, saberemos o destino deles.

Os dois atores protagonistas, John Magaro e Orion Lee, estão muito ternos e cativantes. No meio da brutalidade dos coletores de pele, no meio da brutalidade existencial dos primeiros habitantes da região, eles se destacam pelo contrário: falam manso, agem delicadamente, se tratam bem, o que ganha o público de cara; embora, na rigidez da palavra, eles possam ser enquadrados efetivamente como dois ladrões.

A mim me pareceu um filme bastante político, que discute "como se ganha dinheiro". Os dois protagonistas roubam o leite para produzir, para criarem algo novo, visando a construirem futuramente um sonho. Completamente diferente dos outros homens locais, esses sim, efetivamente violentos, que enriquecem diretamente da "matéria-prima": estupram a terra, matam os animais, cortam as árvores, subjugam os índios num capitalismo de exploração. Os protagonistas não; eles sabem fazer alguma coisa. Só não têm os meios básicos para começar. 

Fotografia esplêndida, e desenvolvida em razão de aspecto de 1:31, da chamada "janela clássica", como uma foto antiga. Um design excelente, que reproduz não só um vilarejo de caçadores, mas também o interior das choupanas, e os precários instrumentos de uma cozinha rústica (adorei ver o "fouet").

Vai ganhar todos os prêmios Indie, se se lembrarem desse filme, lançado tão precocemente.

Um adendo: O título me remete não só à primeira vaca que chega à região, mas também o "First" pronome de tratamento, como Primeiro-ministro, Primeira-dama, etc, pois é comentado que a vaca do filme tem uma linhagem "nobre". A qual o chinês diz valer mais do que ele.

Amei.

First Cow poster - Poster 1 - AdoroCinema

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