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Forum Cinema em Cena

O Que Você Anda Vendo e Comentando?


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O Dilema das Redes (Social Dilemma, documentário Netflix)

Está aí um assunto que me interessa o que estas empresas techs fazem por trás dos bits e códigos. Que nossos dados são capturados e utilizados por terceiros isso já sabemos. Afinal, ninguém lê os termos quando cria um login numa rede. Mas pense no uso dos dados como uma coisa inocente, pois o negócio vai além. E está ficando cada vez mais perigoso. O negócio dessas empresas somos nós. Nós somos o produto e o objetivo dessas empresas tech é nos vender para isso ela tem que nos manter online o máximo de tempo possível. Para isso existem engenheiros e mentes brilhantes de 20 a 35 anos que criam fórmulas para ficarmos cada vez mais viciados.

Existem metas a serem atingidos, o tempo que ficamos na rede, quantos clicks damos e quanto mais tempo, mais dados sobre nosso comportamento são colhidos por eles. Quem tem mais dados podem vender por um preço melhor. A coisa fica perigosa quando entram as IA (Inteligência Artificial) pois com base no seu perfil, a IA fica sugerindo tópicos e esses tópicos podem ser fake news e quanto mais você clica em fake news mais ela se dissemina. A IA não diferencia o que é isso ou aquilo, ela só fornece a dopamina para ficarmos conectados. Com isso as pessoas consomem mais fake news e isso gera desinformação, polarização, intolerância. Por isso surgiram os que acreditam na terra plana por exemplo.

No doc temos depoimentos de gente de dentro da indústria gente que ajudou a construir esse código perverso e talvez estejam tentando corrigir o rumo, antes que o Titanic bata no iceberg. Eles não são gente do baixo nível hierárquico, são pessoas que foram engenheiros, vice presidentes e investidores do Google, Facebook, Instagram, Twitter e Pinterest.

 

"Quando você não paga pelo produto, você é o produto"

 

 

 

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Vamos lá, chuchus. Nos brindem com seus comentários. E não vale só o nomezinho do filme.

Barbie and the Rockers: Out of This World (Bernard Deyriès, EUA, 1987)   Os personagens são tão falsos quanto se tivessem sido criados para um material de ensino de inglês. Até mesmo Barbie, a única

"Baby Driver" é uma divertida matinê onde o roteiro batido não é o que interessa, mas sim o som e música, que são é mais um personagem ativo da estrutura do longa. Divertido,é mais um musical travesti

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Em 2018, houve a maior exposição já feita de Basquiat na América Latina, e fiquei um dia todo curtindo a mostra, só não entrei na sala de vídeo, onde passava justamente esse filme do Julian Schnabel, de 1996, sua estreia no cinema.

As pessoas em geral acham "Basquiat" um filme mediano, eu simplesmente acho uma delícia de assistir. E foge do padrão biografia: infância, família, adolescência, morte. Aquela continuidade boba. Aqui, há o recorte subjetivo, a carreira e, aos poucos, as informações mais importantes sobre a pessoa são passadas. O elenco é estelar. Mas ninguém brilha mais do que o ator protagonista, Jeffrey Wright, absolutamente formidável como Basquiat, principalmente na cena da entrevista, na qual percebemos a vulnerabilidade, a doçura, a loucura, a inteligência do pintor.

Foi maravilhoso reconhecer algumas pinturas/grafites nos cenários, como Flexible, Caveira, ou Cabeza. Achei muito legal como o Schnabel usou a coroa no filme, pois ela é um elemento que rotineiramente aparece nas obras de Basquiat, como um elemento de sagração da realeza de rua, onde seu codinome Soma apareceu pela primeira vez.

Agora vocês sabem por que a Osklen usa e abusa da coroa em sua linha de produtos...Não tem nada de original!

Trilha excelente.

Basquiat 11x17 Movie Poster (1996) | Basquiat film, Jean michel basquiat,  Basquiat

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"Two Friends" é um filme para a televisão feito pela Jane Campion em 1986, praticamente desconhecido hoje em dia, contando a desconstrução da amizade entre duas adolescentes da Nova Zelândia. O filme começa pelo fim da amizade, e vai retrocedendo no tempo, até mostrar o auge da amizade entre as duas. Bom, é um filme muito real, quem não passou por isso antes? Aquele melhor amigo, que, de repente, nem sabemos direito o por quê, se transforma apenas em um conhecido. O certo é que a adolescência tem muito disso: vive-se uma quase codependência, e depois a vida adulta vem como um raio separar as pessoas.

A montagem do filme é excelente, as duas atrizes são ótimas (adorei a cena em que as duas choram no sofá ao assistir a "E o Vento Levou..." e se perguntam se o filme não era um pouco racista....) mas o que mais me despertou prazer em assisti-lo é rememorar algumas coisas típicas dos anos 1980: do ioiô como algo cool, ao Banco Imobiliário, às festinhas americanas, os punks vistos como um perigo pelos yuppies de ombreiras... Uma aura muito legal!

E agora essa droga de 2020!

Two Friends Movie Posters From Movie Poster Shop

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Attraction 2: Invasion é um bom pipoca scy-fy russo que, resumidamente, é o que Independence 2 quis ser e não foi. O primeiro filme é legalzinho pois faz bem tudo que os ianques produzem no gênero. E este aqui consegue ser melhor, mesmo tendo um romance teen piegas, não apenas por ser tecnicamente muito bem produzido mas pela crítica ácida que faz ao próprio governo russo (Putin!), e a tática dos ets em usar fake news no ataque🤣. As atuações são corretas, mas o mocinho deixa muito a desejar.. O cara que faz o pancada das idéias carrega ele e a heróina no bolso.  Blockbuster de responsa. 8,5-10

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Hard Kill é a pá-de-cal que precisava pra não assistir mais filmes do Bruce Willis. Incrivel como os filmes dele eram legais e agora não passam de genéricos meia boca que poderiam ser feitos por qualquer ator desconhecido. O cara aqui ta no automático e visivelmente faz o filme sem vontade. Não bastasse, o argumento é fraquissimo, as cenas de ação toscas e os coadjuvantes despontam pro anonimato. Nessas horas dá vontade apenas de rever toda franquia Duro de Matar, Pulp Fiction e Corpo Fechado e vê claramente o antes e depois do ator.  Willis ja foi sinônimo de bom action movie, hoje não mais. 6-10

Review Archives - Loose Lips

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Double Dragon (idem, Dir.: James Yukich, 1994) 2/4

Double_Dragon.jpg

Esse foi um dos primeiros filmes baseados em um jogo de videogame. Ok, o filme é bem ruinzinho, nem tenho defesa pra ele, só que é um 'Guilty pleasure' mesmo. Até curto. Problema é que até tem um pano de fundo legal, de uma 'New Angeles' (filme acontece em 2007, era futuro na época, hoje já é passado) dominada pelas gangues, e a polícia sendo conivente (o filme até tenta emular um 'Robocop' nos noticiários de TV), mas colocaram tanta bobeira no filme, muita piada sem graça, (sim, ele é um filme bobo) que enterra qualquer intensão de fazer algo relevante. Mas mesmo assim foi visto muito nas 'Sessão da Tarde' da vida e acabou virando "cult".

**DVD tem um making off, que, na verdade, são 2 dos roteiristas (foram 4), mais um produtor e mais os 2 atores principais dando depoimentos sobre o filme. Nitidamente, fica claro que o filme foi feito por uma comissão que queria ele sendo vendido pra todo mundo (crianças, adolescente e adultos), aí atirou pra todo lado, sem um foco na narrativa e não tinha como isso dar certo mesmo (sem falar que foi feito às pressas, tinham pouco dinheiro e tempo pra fazer). Os roteiristas aqui até tentam se justificar do que foi feito, porque muita coisa filmada não estava no roteiro deles, e acabou sendo incluído nas filmagens de qualquer forma.

 

Footloose (idem, Dir.: Graig Brewer, 2011) 2/4

200px-Footloose2011Poster.jpg

 

Não sou tão fã do filme original e esse remake vai pelo mesmo caminho. Não são filmes musicais e sim 'filmes de dança', e particularmente prefiro filmes musicais mesmo. 'Filme de dança' não é muito minha praia. Até que considerei ele no mesmo nível do filme original dos anos 80, não achei nem muito pior e nem muito melhor (de certa forma, filmaram o mesmo filme, sem grandes mudanças). O que prejudica esse aqui em relação ao filme original é que ele é mais longo, quase 2 horas, e o filme é meio maçante na parte dramática e aí acabo sentindo mais esse tempo extra de duração. Não gosto muito dessa história do pastor lá não deixar a gurizada da cidade dançar ou ouvir música alto, porque considera perigoso (mas corridas de carros são permitidas? tem até um autódromo na cidade...). Poderia até funcionar de alguma forma, mas levam a sério demais isso. Acaba tendo muito drama inútil em cima disso, o que me irrita. Mas ok, não o considero ruim, só não muito atrativo (pra mim).

**A trilha do filme original ficou datada, e aí rolou novas versões de várias músicas dali, e não curti muito as novas versões, desculpe... E a cena do caipira aprendendo a dançar, continua vergonha alheia, apesar de notar que tentaram amenizar ao máximo essa cena, mas não deu, continua embaraçada.

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Dirty Dancing, eu me lembrava que ele teve uma "pseudo-continuação" com subtítulo de Havana Nights em 2004. Mas fui olhar aqui e realmente teve esse remake também, feito pra TV em 2017. Putz! Nunca tinha ouvido falar desse remake. hehehehe

 

Mas agora estão fazendo agora uma continuação que vai trazer a Jennifer Grey do filme original de volta (ela está produzindo o filme também).

 

 

P.S.: E pasmo de só descobrir agora que a Jennifer Grey foi casada com o Agente Coulson da Marvel por 19 anos (!!!), e anunciaram o divórcio recentemente:

https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2020/08/atriz-de-dirty-dancing-e-astro-da-marvel-entram-com-pedido-de-divorcio-apos-19-anos-de-casamento.html

 

 

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"N`um vou nem falar nada!!!"

Maratona Leos Carax, agora com a obra-prima "Os Amantes de Pont-Neuf", de 1991. Uma superprodução (!!), reiventando sob o pálio da ironia o mito comercial de cidade do romance, ao contar o relacionamento tormentoso entre dois sem-teto. Superprodução porque tiveram de recriar em cidade cenográfica toda a Pont-Neuf e seus arredores. Conta-se que custou uma baba. Mas valeu a pena. 

O que é o plano de Juliette Binoche e Denis Lavant dançando pirados na ponte durante - o quê? - quase 10 minutos, sob fogos de artífício?  Muitas vezes é colocada como uma das dez "cenas" mais bonitas do cinema. E não sem razão. É quase inacreditável como foi filmada.

O legal é que não há uma glorificação da sarjeta, nem tempo para pregação política. Aqui no Brasil, 9 entre 10 pessoas já estariam dispostas a escrever o chavão "desigualdade social", mesmo quando as grandes razões para a vivência nas ruas tenha a ver com desamor familiar e alcoolismo, como efetivamente mostrado no filme. Vemos, em contrapartida, os personagens como seres tridimensionais: com inúmeros defeitos, e também qualidades. Sujos, feios, rotos, doentes; no entanto, amam-se.

Na expectativa por "Annette".

 

 

Os Amantes de Pont-Neuf poster - Poster 1 - AdoroCinema

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Simpática comédia do italiano Mario Monicelli, "Mortadella", de 1971, que conta com a beleza e o talento de Sophia Loren no auge da fama, para tentar arrancar risadas do choque cultural. Uma italiana viaja à Nova York para se casar, trazendo uma enorme mortadela como presente ao noivo, mas é impedida de entrar no país, pois a burocracia sanitária impede o trânsito de carne de porco. Então, fica presa no aeroporto como forma de protesto, ganha atenção da mídia, briga com o noivo, e por aí vai...

Quer dizer, "por aí vai", não, por aí termina, pois isso tudo acontece na boa meia-hora inicial, mas depois a piada acaba.

Susan Sarandon faz uma pontinha ao final, em um de seus primeiros filmes.

Sophia Loren in 'Lady Liberty' (aka 'La Mortadella') via ITALY Magazine |  Cartaz, Filmes e Her filme

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Tenet é apenas um bom filme de espionagem scy-fy, que se não fosse pelo conceito da inversão seria apenas mais um genérico do gênero. Vai vendo, imagina uma mistura de Missão Impossível com Feitiço do Tempo ou qualquer filme de viagem temporal e blábláblá. É legal, muito bem feito e atuado, mas tem uns deslizes narrativos e trama confusa, compensados pelo deslumbre visual. E Washinton ofusca Pattinson facinho. É legal, mas é uma obra menor (e menos ambiciosa) do diretor se comparada A Origem, por exemplo. Na boa, só vale mesmo pelas impressionantes "cenas/sequencias invertidas" pois esse é seu diferencial, porque como ja disse é um filme de espionagem scy-fy genérico. Outra, é cansativo pela duração excessiva (assisti em duas sessões) e creio que meia hora menos cairia bem. Visto numa cópia chinfrim. 8-10

Tenet in the cinema Trailer, Times & Tickets | Pathé

 

 

Eli Roth´s History of Horror é um bacanudo documentário do diretor de Hostel. Didático, sincero, ilustrativo, interessante e feito com paixão por alguém que manja do gênero, o doc se divide oportunamente em segmentos dos quais curti os referentes aos monstros e dos vampiros. Claro que o melhor é o material de arquivo e seus depoimentos, em especial do Tarantino, do Freddy Krueger, Linda Blair e Jamie Lee Curtis 9-10

Nuestros terrores favoritos - El Periódico de Villena

 

 

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"N`um vou nem falar nada!!!""

Lendo o comentário do @Jorge Soto sobre "Tenet", e morrendo de inveja por ele já ter visto,  fico a pensar como  os "inocentes do Leblon" cultuam o Nolan - um diretor que eu gosto - exageradamente. Que alguém apresente aos fãs chatíssimos quem de verdade é capaz de mover uma montanha - LITERALMENTE - por seus filmes. 

Obra-prima absoluta, irrepetível, "Fitzcarraldo", de 1982, é o apogeu entre a ficção e o documentário em Herzog. Só de não contar com efeitos visuais na travessia do barco já fode a cabeça do espectador. Na vida real, índios teriam se oferecido para matar Klaus Kinski, de tão confundidos com esse retrato da megalomania, do homem tentando civilizar a natureza de forma tão insistente, tão louca, tão criminosa...

José Lewgoy e Grande Othelo têm atuações excelentes. Fala-se muito de como Kinski e Herzog são pessoas difíceis de lidar, mas parece que nosso Lewgoy não ficava por menos. O certo é que ele, mesmo dublado, está incrível. Kinski substituiu o doce Jason Robards, e Lewgoy, dizem, Mick Jagger. Seria um outro filme...

Os brasileiros em geral não sabem nada sobre o Rio Amazonas. Talvez por que ele não seja muito "bonito" (é frio, barrento), mas eu pessoalmente sou muito fascinado por ele. Pelo seu trajeto desde os Andes e pela potência da sua foz, talvez um dos locais mais impressionante do mundo, e, mesmo assim, um dos menos filmados. Infelizmente, não damos à mínima para a nossa natureza. Só queremos institucionalmente "passar a boiada".

Se ao menos fosse Caruso num megafone...!

Fitzcarraldo poster - Poster 2 - AdoroCinema

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A Babá - Rainha da Morte (The Babysitter - Killer Queen, Dir.: McG, 2020) 1/4

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Gostei não. Tirando o final, que gostei da conclusão ali, o resto não desceu. Muito personagem chato (queria que o pai do guri fosse morto também, que cara mala), os vilões antigos voltam sem função, e do nada, poderiam ter posto só vilões novos que não faria diferença, os antigos só voltaram pra passar vexame mesmo. Muita cena de morte em CG: brochante. Filme pára muitas vezes pra mostrar diálogos ruins de personagens que pensam que são personagens do Quentin Tarantino, mas estão bem longe de ser. Enfim, bem ruinzinho mesmo. 

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Maratona Hong Sang-soo, pessoal...

"Acho que você não entendeu o filme".

Até os 72 minutos, essa frase encaminhava-se para ser verdadeira, e para "Conto de Cinema" ser minha pior experiência com a obra do coreano. Mas faltando 17 minutos para o final - Ual!!! - o filme "desceu" inteiro, de uma vez só, para o meu cérebro. Há um plot-twist ma-ra-vi-lho-so, que me fez bater palmas. Não é só a reviravolta, todo o restante do filme, seu encaminhamento final pós-revelação é soberbo. Mas não posso contar muita coisa, infelizmente. Só encorajá-los a aguentarem os dois primeiros terços da história, com sua conversaria à mesa dos restaurantes, suas doses de Soju, seus amores "falados", típicos de personagrens que são, mais que tudo, narrações de si mesmos...

Sobre as repetições, característica formal de Sang-soo... Na primeira parte, há um mini-replay, mas deve durar uns 6 segundos, 7 segundos: A cena outra vez. Como é um filme de 2005, quem imaginaria que as voltas se estenderiam por tanto tempo, nos filmes posteriores? Só essa cena. Mas ao final entendemos o por quê.

Mais uma vez um filme sobre um diretor e uma atriz. Aliás, dois diretores. Aliás - que surpresa! - três.

Como eu sempre escrevo, o cinema contemporâneo mais relevante não se atém tanto às metáforas, mas às metonímias.

Maravilhoso!

Pin on Films 2005

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"N`um vou nem falar nada!!!"

Em 2020, ainda não falei que Jia Zhangke é um gênio. Gênio! Mas antes de 2020, voltemos um pouco no tempo, uns 20 anos, por volta dos anos 2000, quando foi lançado este filme, e quando o PIB do Brasil era maior do que o da China. Sim, a gente perde as perspectivas da nossa desgraça... Por que essa informação econômica é importante? 

Porque "Prazeres Desconhecidos", de 2002, é o filme da China em transformação, mas da China, digamos, ainda pobre, tornando-se classe média. A câmera, quase documental, mostra uma cidade pobre, rural, quase na fronteira com a Mongólia, em que as motocicletas começam a circular com mais ênfase, as casas começam a ter televisores, dar um celular pobrinho de presente é um presente de noivado... No meio do filme, a vila humilde fica acordada para assistir ao anúncio de qual será a cidade-sede para os Jogos Olímpicos de 2008 (imaginem como meu coração cinéfilo e olímpico saltou dentro do peito, unindo minhas duas paixões...), e comemoram, no meio da rua sem asfalto, sem muita iluminação, porém com fogos de artifício, a sagração da China potência. Da China potência, mas toda a juventude está desempregada; as fábricas tradicionais estão fechadas; é dizer, os jovens daquela geração, daquela localidade, não estão preparados intelectualmente para o novo. O problema é que desejam o novo.

Todos os personagens estão aflitos para obter dinheiro, dólar, tudo que nunca tiveram, mas preveem que agora podem sonhar em ter. Mas não querem apenas dinheiro, querem cultura holllywoodiana (compram o dvd de "Chinatown"). Em outra cena espetacular, a maravilhosa Zhao Tao, esposa do diretor, presente em todos os seus filmes, simula ser Uma Thurman em "Pulp Fiction", inclusive com peruca retilínea, saindo - num pulo, num corte cinematográfico - de uma lanchonete para dançar em uma boate, daquele jeito característico. Tipo...é um banho de cinema! E o banho projeta-se para o futuro, quando penso em "Ash Is the Purest White", incorporando cenas de toda a filmografia do diretor, e deste filme aqui há várias, a começar pela motocicleta engasgando no descampado de pedras.

Jia Zhangke, o diretor, em certo momento, aparece frente às câmeras, cantando uma ária. Acho que é Verdi. Não sei, não importa. Basta que não seja chinesa. Basta que aponte para o oeste, onde moram todos os prazeres. Os prazeres, pelos chineses, desconhecidos.

Prazeres Desconhecidos poster - Poster 1 - AdoroCinema

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On 1/24/2018 at 7:33 AM, Jorge Soto said:

call-me-by-your-name-2017.jpg

 

"Acts of Violence" é o Bruce Willis se repetindo até o sabugo da unha no papel do Liam Neeson, em "Taken". Dá pro gasto, mas este genérico já ta dando no saco de repeteco, inclusive com o bom canastra John McClane.. Seu próximo filme, o remake de "Death Wish", devo passar fácil. 7-10

Polêmica. Diretor rebate acusação de que deveria utilizar atores gays no filme Me Chame pelo Seu Nome 

 

 

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1 hour ago, Big One said:

Polêmica. Diretor rebate acusação de que deveria utilizar atores gays no filme Me Chame pelo Seu Nome 

Polemica nada...é falta do que fazer dessa galera mimizenta... o que é um ator? alguem artisticamente capacitado pra representar o que não é, independente de cor, raça, credo ou pistolão... Se for assim, numa ficção um personagem alien so deverá ser interpretado por um alienigena??😂

É a tal politica de cotas discriminando os demais...

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8 hours ago, Jorge Soto said:

Polemica nada...é falta do que fazer dessa galera mimizenta... o que é um ator? alguem artisticamente capacitado pra representar o que não é, independente de cor, raça, credo ou pistolão... Se for assim, numa ficção um personagem alien so deverá ser interpretado por um alienigena??😂

É a tal politica de cotas discriminando os demais...

Escrevi exatamente isso na semana passada. Como diz a minha mãe, é a prova que o PSOL existe em todo lugar.

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7 minutes ago, SergioB. said:

Escrevi exatamente isso na semana passada. Como diz a minha mãe, é a prova que o PSOL existe em todo lugar.

não é nem questão partidária...é que a internet deu voz aos retardados e covardes, que se escondem sob o véu do anonimato e se julgam donos do politicamente correto..

nessas,  do nada, de uma hora pra outra você é "cancelado" sumariamente pelo tribunal da internet... ah, vao se catar! vao procurar louça pra lavar ou quintal pra capinar..

fico pensando essa galerinha no século passado, na década de noventa, não ia sobreviver um dia sequer..

Best Alborghetti GIFs | Gfycat

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A fronteira enlouquece a gente.

Excelente filme do grego Theodoros Angelopoulos, "O Passo Suspenso da Gaivota" mais uma vez reflete sobre a questão humanística das fronteiras físicas, especialmente numa época de redefinição administrativa da Europa. Sei que o que chama a atenção no geral é esse curioso titulo. O passo suspenso é o passo do cidadão albanês,  que só pôde sair de lá livremente em 1992, com a dissolução da República Socialista.

Faltam dedos nas mãos para contar o número de cenas estonteantes nesse filme, como a do casamento separado pelo rio, ou a dos quase 20 eletricistas alçando os fios nos postes ao mesmo tempo, ou a do homem enforcado no guindaste... Fora a beleza dessas em particular, vejo no Angelopoulos um "rei do "plano médio". Os personagens ficam distanciados da gente, como manifestações enigmáticas, ao mesmo tempo, que se situam como objetos na paisagem. Tudo muito lindo. É um cinema silencioso e contemplativo, mas com muito a dizer.

A cena em que a personagem de Jeanne Moreau reencontra o pretenso marido vivido por Marcelo Mastroianni é fantástica.

 

O Passo Suspenso da Cegonha - Sebo Querelle

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4 minutes ago, Jorge Soto said:

não é nem questão partidária...é que a internet deu voz aos retardados e covardes, que se escondem sob o véu do anonimato e se julgam donos do politicamente correto..

nessas,  do nada, de uma hora pra outra você é "cancelado" sumariamente pelo tribunal da internet... ah, vao se catar! vao procurar louça pra lavar ou quintal pra capinar..

fico pensando essa galerinha no século passado, na década de noventa, não ia sobreviver um dia sequer..

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Escrevi PSOL não no sentido de partido lacrador, mas no sentido de burrice, mesmo. :)

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Usando a parábola japonesa para uma vida de harmonia, "Três Macacos", de 2008, do turco Nuri Bilge Ceylan, apresenta a contraface dessa história de "Não ver; Não ouvir; Não falar". Que é a aceitação hipócrita e complacente do mal.

Prêmio de Melhor Direção em Cannes, o filme ganhou elogios entusiasmados mundo afora. Mas, sinceramente, da ótima filmografia dele, é o que menos bate comigo. Acho a Fotografia um pouco escura demais. Claro, tem a ver com a sordidez da trama, e tudo, mas eu realmente não aprecio. As pessoas acham o filme por demais silencioso, mas isso também não me aflige, desde Antonioni - a quem o turco é frequentamente comparado - há um esvaziamento da ação mesmos nas tramas que dramaturgicamente demandariam mais calor... Desconfio que o filme não bata comigo pela trama ter um quê, ou vários quês, de novela rocambolesca. 

Seria mais instigante pra mim se ele tivesse inserido mais espelhamentos, como na cena em que mãe e filho estão ouvindo o noticiário, com Erdogan assumindo o poder. Se houvesse mais comentário político, eu teria gostado mais. Infelizmente, essa cena daí de cima quase passa batida, embora o político, na vida real, esteja dando as cartas por lá desde 2003, ora como primeiro-ministro, ora como presidente. Os turcos agora não podem ver, ouvir, ou falar.

THREE MONKEYS (2008) | ACMI

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Usando o conceito de inversão, "Tenet" é um passo para trás na carreira do Nolan. Por favor, não arrisquem adoecer por conta desse filme. É apenas um 007 ruim, ou um Michael Bay com mais grife. Não tem nada de mais. É confuso, bobo, sem substância.

Parece que o Nolan está sempre querendo enfrentar a questão do tempo. Há sempre um relógio regredindo, um tempo que perigosamente escapa. Cada diretor tem seus enfrentamentos, né? Nunca vou entender por que ele é tão ligado nesse tipo de coisa...

Em matéria de Oscar, não indicaria o filme a nada. Nem Som! Aliás, talvez seja um dos elementos menos lapidados. A voz varia de intensidade, os efeitos variam de intensidade. 

A produção é gigante, sim. Tem um avião esmagando carros, de verdade. Mas e daí? Nada. O plano mais legal, de uma luta corporal entre corredores apertados, é um plano repetido de "Inception".

Dos piores do Nolan. 

Confira o pôster oficial de TENET, novo filme de Christopher Nolan

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Aaaaaaa, vamos falar de coisa boa, agora!!!

"Mignonnes"/"Cuties/"Lindinhas", da diretora Maïmouna Doucouré, é um filme muito corajoso, que se arrisca, que dá um passo à frente para esticar a moral. Premiado em Sundance 2020 com um prêmio de Direção, deveria ter levado a meu ver prêmios da Crítica, do Júri, ou da Imprensa, por não se deixar abater.

As atrizes são espetaculares, principalmente a menina de óculos. Não são as intérpretes que provocam o público com suas coreografias, ou expressões copiadas da Pop Music, são as personagens! O óbvio às vezes precisa ser falado, pois o óbvio só existe para as mentes preparadas. A hiperssexualização não é do filme, é da sociedade atual, é da cultura, no geral, e, lamento informar, corroboro inteiramente com o que é mostrado no filme: essa tendência é mais forte do que toda e qualquer religião. Por isso a gritaria. A verdade dói. A religião ou a tradição não têm força suficiente para rivalizar com os valores da sociedade de consumo.

A França cosmopolita, globalizada, feita de imigrantes, orgulhosamente atéia, anti-clerical, anti-Damares, trata a realidade como ela é.

Parabéns, Netflix pela aquisição destemida.

Netflix Apologizes For “Inappropriate” 'Cuties' Poster – Deadline

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Minha vez de conferir o documentário "O Dilema das Redes", de Jeff Orlowski, em exibição na Netflix.

Pra começar, não há novidades espetaculares no que concerne às estratégias das empresas de tecnologia para controlar e lucrar com os dados das vida de seus usuários. Mas sempre se tira uma coisa ou outra dos entrevistados, por exemplo, nunca tinha pensado que as pessoas de vinte e poucos anos pra cima são a última geração que sabe o que era uma vida no anonimato, uma vida off. Aliás, que saudade disso! E quem fala em saudade da privacidade é uma pessoa que NUNCA teve Facebook, e NUNCA teve Instagram pessoal. Mesmo assim, sou um alimentador da internet de várias outras maneiras, seja aqui falando de cinema, ou em outros spots falando de outros hobbies meus. Mesmo assim, já tive foto roubada e copiada e dependurada em cortiça de casa de gente que nunca vi na vida. Bizarro!

Voltando ao documentário, e como arte de documentário, achei "O Dilema das Redes" bastante mediano. Não é segredo, odeio ficção dentro de documentário para ilustrar narração. Acho falso. Portanto, toda a encenação da família tendo que viver afastada do celular pra mim foi uma bobagem pra encher linguiça. 

Existem outras questões menores que me eu não gostei muito...Por exemplo, a eleição de Bolsonaro sendo colocada como um exemplo de dominação virtual/ou fake news. Sabemos que teve algo disso, mas sabemos que a última eleição teve a ação de vários fatores, por exemplo, o cansaço do Brasil com os governos petistas; a força dos evangélicos; os efeitos da Lava-Jato...Então vejo esse exemplo da eleição brasileira como um argumento em "viés de confirmação", expressão para designar quando um pesquisador deseja que a conclusão de sua tese caminhe em determinada direção, e procura os fundamentos que melhor encaixam nesse sentido, mesmo que isso seja contrário ao bom método científico.

Enfim, não gostei muito enquanto documentário. Mas o tema é pertinente.

 

O Dilema das Redes (The Social Dilemma) (2020) WEB-DL Dual Áudio – Top Dez  Filmes

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Na cerimônia do Oscar de 1998, só parecia existir um filme, "Titanic", mas o ano-base, 1997, havia sido um ano ótimo para o cinema no geral. Entre os filmes esquecidos tanto lá, como hoje, está "O Doce Amanhã", do egípcio, naturalizado canadense, Atom Egoyan.

É um drama de advogado, até bastante incomum, eu diria até "estranho", sem chororô, sem legislês, silencioso, a respeito de um acidente de ônibus que mata 22 crianças em uma cidadezinha do Canadá. Um advogado, vivido de maneira sóbria pelo falecido neste ano, Ian Holm, luta para conseguir maiores indenizações para as famílias. Mas o que mais interessa no filme são as repercussões emocionais das famílias dos sobreviventes e dos moradores da cidade como um todo. Até que o final do filme nos reserva uma grande reviravolta.

Um bom filme, que desfaz os clichês do gênero, que na época ganhou três prêmios em Cannes, e conquistou duas indicações ao Oscar: Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, ambas para Egoyan.

O Doce Amanhã The Sweet Hereafter Atom Egoyan Dvd - Música, Filmes e  Seriados no Mercado Livre Brasil

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