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O Que Você Anda Vendo e Comentando?

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Não vou nem falar nada!

Ah, vou. Eu amo tanto esse filme, tanto! "The Best Years of Our Lives/ Os Melhores anos de Nossas Vidas, grande vencedor do Oscar em 1947, com suas 7 bem dadas estatuetas, e mais uma em caráter honorário. 

As pessoas burras, 74 anos depois, reclamam que é longo, que é melodramático, que preferem o igualmente longo e melodramático - "A Felicidade Não se Compra" - Eu não! - o adversário natalino destacado daquele ano no Oscar - mas é que essas pessoas não enxergam o principal.

A questão do filme é que o herói foi substituído pelo cidadão comum! O que é, em essência, a definição do Realismo, enquanto arte. O Realismo, como gênero, serve para mandar a mitologia passear. Pois bem, chegam os 3 militares e desembarcam na cidade esperando glórias, e só recebem o desemprego, a falta de emoção da rotina, a cidade alterada, a saudade do perigo, os transtornos mentais, a sensação de vazio, a namorada que lhe esqueceu...E precisam recomeçar! Do zero. Assim como nós teremos, depois desta guerra virótica. Por enquanto, seremos pequenos heróis; depois apenas cidadãos comuns, cheios de dívidas e cicatrizes emocionais. 

Em nome do realismo, colho alguns diálogos maravilhosos, históricos: "Ano passado era matar japoneses, neste ano é ganhar dinheiro"; "Dá para servir refrigerantes em qualquer cidade"; "Você se lembra?, na saúde e na doença; nos tempos bons e nos tempos ruins", "E quando é que chegam os bons?", e continua, um depois do outro. Tremendamente bem escrito. Tudo real, tudo tangível, vida comum esbofeteando a sua cara, assim como a longa fila do Cheque-Desemprego para o personagem de Dana Andrews.

Mas a maior cena de todas é o ator mutilado de duas mãos, com um par de ganchos bem treinados, o canadense Harold Russell, se despindo na frente da namorada. Que cena é essa? AN-TO-LÓ-GI-CA!  Um Oscar maravilhosamente bem dado a ele, que rouba o filme, além de ser, até hoje, o único ator a receber duas estatuetas pelo mesmo personagem na mesma noite:  Ator Coadjuvante, e um Oscar Honorário, em virtude da inspiração que proporciona a todos nós. Das cenas mais bonitas do cinema ever!

Teresa Wright, linda, um sonho. Myrna Loy, Virginia Mayo, maravilhosas. Fredric March, ótimo, seu segundo Oscar de Melhor Ator. 

William Wyler, também seu segundo Oscar como Diretor, depois do igualmente sublime "Rosa de Esperança". Este filme é a rosa esmigalhada! É o Sonho Americano em plena autocrítica, traumatizado, sem inimigos externos, só internos!

E Wyler ainda teria uma corrida de bigas pela frente...

Dana Andrews, Myrna Loy, Fredric March, Virginia Mayo, and Teresa Wright in The Best Years of Our Lives (1946)

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Minha vez de ver "The Way Back", novo filme de Ben Affleck, e novo filme do diretor Gavin O`Connor .

Do Affleck eu não espero muito como ator, mas do Gavin O`Connor eu esperava mais como diretor, mormente depois do excelente "Warrior" ( e do bom "O Contador", e de lá do comecinho da carreira dele, ainda gosto de "Livre para Amar"). Comparando os dois filmes, sai o MMA, entra o basquete; mas a questão de um treinador alcoólatra continua. Bem como continuam os paralelos com  a vida real: lá Nick Nolte, aqui Ben Affleck, ambos pacientes desse vício terrível, vítimas de dependência química. Há um detalhe que só quem tem vivência com a doença imaginaria: uma latinha de cerveja no suporte de shampoo! Esses detalhes, essas sutilezas, passam despercebidos, mas falam mais do que mil palavras. 

Porém, quem dera se o filme fosse composto por esses instantes de puro cinema. O roteiro é uma repetição de clichês do gênero: treinador sendo devolvido à vida por meio de seus atletas. Início perturbado de relação entre eles, depois a amizade, o reconhecimento.  É assistível, mas é pouco diante do talento do Gavin. Ele deveria ter escrito o roteiro, assim como fez em "Warrior" e  "Livre para Amar". 

A cena final, todavia, é outro instante de bom cinema: O caminho de volta será um caminho mais longo do que imaginamos. E solitário.

Ben Affleck in The Way Back (2020)

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Emma é mais um filme de época baseado na Jane Austen, autora que pra mim nem fede nem cheira. É bonitinho, deslumbrante no visual, bem feito e atuado, todos dão seu melhor mas quem se destaca é A Bruxa Anna Taylor Joy. Longe de ser complexo ou original, o filme tem problemas de ritmo em suas looongas duas horas. Forçado a assisti-lo pela patroa, que curtiu bem mais do que eu. Da autora ainda prefiro Orgulho e Preconceito, ta pau a pau com Adoráveis Mulheres mas é é superior a Razão e Sensibilidade e á versão de 96, com a Gwyneth Paltrow. 8-10

Emma | Adaptação estrelada por Anya Taylor-Joy tem primeiro ...

 

0.0 MHz é um terror teen coreano razoável que tenta ser uma espécie de Scooby-Doo ou Caça-Fantasmas mais hardcore. A mitologia que ele cria é bacana e começa muito bem. Só que da metade ele decai tanto em ritmo como se torna genérico, quase ianque. Não se define se quer ser terror, drama ou filme de vingança. As atuações não ajudam muito também, fraquíssimas, beiram o caricato e cartunesco. Depois vi que metade deles vem de grupos K-pop, o que explica muita coisa. Pena, tinha tudo pra dar um filmão pela estória, única coisa que te prende. 7,5-10

0,0 МГц (2019) смотреть онлайн бесплатно
 

 

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Finalmente vi "Lili Marlene", filme de 1981, do grande Rainer Werner Fassbinder.  O título é o mesmo da canção que embalou os soldados - do Eixo e Aliados - durante a Segunda Guerra Mundial, sendo, sem dúvida, a canção mais importante da Alemanha. Esse drama conta a história de amor de sua intérprete, que, corajosa, era apaixonada por um judeu, e não o abandonou, mesmo correndo grande perigo. A canção tornou-se um elo entre os dois, do mesmo jeito que servia de elo para os soldados no Front e suas famílias em casa. Se esse é o lado bonito da canção, ela também foi usada como propaganda do regime, já que caiu nas graças de Hitler. Essa manipulação da cultura é uma das denúncias do filme, principalmente quando o jogo vira, e tentam banir a canção.

Fassbinder estava no auge da carreira, e conseguira um orçamento enorme para rodar esse filme. Dá pra ver. Há um clima de cabaré decadente, que só o diretor alemão consegue instalar. Além de um ótimo diretor, penso ser ele na verdade um grande encenador. Amo a iluminação de seus filme, seu conhecimento dos bares, seu conhecimento do métier dos artistas, a aparência de festa problemática. Mas, devo dizer, eu tenho sempre alguns problemas com a montagem de seus filmes. Aqui, então, é um disparate. Os cortes estão hiperbruscos. Quando não se vale de imagens de guerra costurando as cenas (tanques, bombas, fuzilamentos, etc), os cortes são simplesmente secos. Inclusive com saltos temporais sem nem pedir licença.

Os atores são aquele (palavra masculina) entourage maravilhoso de sempre. Sua patota incrível, de todos os seus filmes, em uns filmes uns ficam com papéis maiores, em outros, menores, e tudo bem. Este conhecido elenco conta com o acréscimo feliz do italiano Giancarlo Giannini e, curiosamente, de Mel Ferrer.

Ninguém filmou a Alemanha do período da Guerra como ele!  Em sua visão, a política é apenas um empecilho para a consecução do amor - este  um sentimento que vale mais do que a vida. Mesmo quando ele é doentio, ou impertinente.  Procurei "Lili Marlene" por anos. Valeu a pena.

Meu ranking Fassbinder atualizado:

1) Berlin Alexanderplatz (maior "filme" que já vi na vida, 15 horas);

2) O Medo Devora a Alma; 

3) O Direito do Mais Forte é a Liberdade;

4) Lili Marlene;

5) O Amor é mais Frio que a Morte

 

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Dragged Acorss de Concrete

 

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Com Mel Gibson e Vince Vaughan...(de quem eu tinha certa birra até vê-lo na segunda temporada da série True Detective. Aqui Mel Gibson faz um policial em fim de carreira, old school, que não prima pelas boas maneiras qdo vai pegar algum bandido. (seria o fim de carreira Martin Riggs no mundo real). Mas o que o filme prima mesmo é , vc está fudido de grana e precisa fazer algo pra se virar...tem até a Jennifer Carpenter (Série Dexter) numa rápida aparição. O filme não poupa violência e tem uma história bem amarrada.

 

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Vivarium (2019)

Vivarium Poster

Filme com história nada convencional e pra á de esquisito, para quem gosta de filme com universos estranhos este é um prato cheio..o filme mostra um jovem casal, (Jesse Eisemberg e Imogem Poots), que vão junto com um corretor esquisitão procurar um casa nova pra morar num bairro onde todas as casas são iguais, as ruas..enfim, tudo. O filme depois começa a ficar bem esquisito. Não dá pra estender mais para não entregar. Me arrempedi até de ver o trailer, gostaria de ser mais surpreendido, mas o foi o trailer que me fez vê-lo , então...kkk 

Parece um episódio do Além da Imaginação. O Jail deve curtir.

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Depois de ver "The Current War", fiquei com a impressão que a história do Nikola Tesla já tinha sido contada em uma narrativa, e pelejei pra lembrar, até que me ocorreu "O Grande Truque", com David Bowie no papel. Se lá o colocaram como um mero Coadjuvante durante o desenvolvimento da transmissão elétrica, aqui fizeram dele uma espécie de "cientista louco", próprio de ficção científica.

Eu gosto bem desse filme. Mas acho que pelos motivos diferentes do que a maioria das pessoas. Amo o Design do Nathaw Crowley, um craque, indicado ao Oscar em 2007, que dá muito gabarito estético à essa trama elaboradíssima dos irmãos Nolan, muito mais avançada do que o do próprio livro em que é baseada. Amo o Figurino, amo a luz... 

Se todos os olhares se voltam em júbilo para as revelações à propósito do personagem de Christian Bale (para alguns sendo muito "na cara", para outros muito surpreedentes), eu parei para prestar atenção dessa vez mais no personagem do Hugh Jackman. E aí é que apareceram brechas de entendimento para mim, no que tange à "morte dos clones". Ou então são minhas próprias falhas de raciocínio. Bom, só queria dizer que acho o filme perfeitamente bem resolvido no que tange ao arco do personagem do Bale, tudo ali pra mim faz sentido. No caso do Jackman, alguma coisa pra mim não ficou muito "redonda". Tanto que se explica, de alguma forma, desnecessariamente, o truque do personagem do Bale ao final; mas não o do Jackman. Dito isso, acho a história, esse jogo de rivalidade, muito "dahora".

Os atores estão bárbaros também.

Meu Ranking Nolan:

1) Batman - The Dark Knight ;

2) Dunkirk;

3) O Grande Truque;

4) Amnésia;

5) Interstellar (o terceiro ato estraga implacavelmente toda a perfeição do segundo)

Christian Bale, Hugh Jackman, and Scarlett Johansson in The Prestige (2006)

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"Allegro non Troppo"/ Música e Fantasia, animação de 1976, do mestre italiano, Bruno Bozzetto. Pretende satirizar a ideia de "Fantasia" de Walt Disney, ao também imaginar animações para célebres peças musicais. 

O resultado é desigual. Alguns desenhos são muito inspirados como a criação da vida por meio de uma garrafa de Coca-Cola abandonada por uma nave espacial em um planeta desabitado, ao som de Bolero, de Ravel. Outras peças já não funcionam tanto. A que eu mais gostei foi a animação melancólica para Valsa Triste do finlandês Jean Sibelius, com um gatinho preto, só no mundo, que imagina um lar feliz, depois que os homens se destruíram. Muito tocante.

Allegro non troppo (1976)

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19 hours ago, Big One said:

Dragged Acorss de Concrete

Esse aí eu curti quando assisti, aliás o diretor não tem dó dos seus personagens..por isso nos filmes dele é bom não se afeiçoar muito a eles pois no minuto seguinte ele os manda pro saco, tipo Bone Tomahawk e Brawl in Cell Block 99..😂 E esse Vivarium é bem bizonho mesmo, nem lembro se curti ou não, pois assisti numa cópia porca na virada do ano🤣

 

Hogar é um bom thriller de suspense que se junta á recente leva de filmes que mostram a luta de classes, como se fosse o Parasita espanhol e tocado feito um telefilme Supercine, mas dos bons. Esquemático e muito bem atuado, principalmente pelo obsecado protagonista principal, a película tem algumas lacunas e pequenas falhas de roteiro não resolvidas (tipo o jardineiro!?), mas no geral o saldo é acima da média uma vez que me prendeu até o final. 8,5-10

Ver Descargar Hogar (2020) WEBRip 1080p HD - Unsoloclic ...


 

Corporate Animals é uma comédia negra que em formato de survival (tema que adoro!) busca satirizar o meio corporativista e o "canibalismo" capitalista, tipo The Office encontra Abismo do Medo, com resultado bem irregular uma vez que o filme parece esquete do Saturday Night Live. Tem gore, piadas que funcionam e outras não e várias referências a outros filmes de sobrevivência, tipo 127 Horas. Incrivelmente, as atuações do seu eclético elenco estão boas, a começar por uma maquiavélica e sumida Demi Moore. 8-10

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Estreia de Milos Forman em sua carreira americana, e já começou chutandobundas, com esse filme sensacional chamado "Taking Off"/ Procura Insaciável, em 1971.

Uma comédia maravilhosa que, distando 8 anos de "Hair", reflete sobre o embate de gerações: pais quadrados e filhos hippies. A história é simples: a filha de um casal careta, escondida dos pais, parte para fazer uma audição. Os pais entram em desespero quando a filha demora a aparecer, e entram, doravante, em contato com uma Sociedade de Pais de Jovens Desaparecidos. Desaparecidos não pela violência, mas simplesmente por quererem liberdade; quererem viver a vida de modo mais livre. Esse é apenas o fio condutor.

Na primeira parte do filme, durante a audição, vemos Nina Hart, Carly Simon, e, surpreendentemente, uma jovenzinha Kathy Bates, arrasando no teste musical; enquanto outras meninas esquecem a letra, desafinam, ficam nervosas. As audições delas são entrecortadas com os pais pirando no telefone, nervosos em casa. A segunda parte do filme, já tendo os adultos,entrado em contato com a tal Sociedade que procura Jovens, nos brinda com uma cena fantástica: um longo tutorial de como fumar maconha! É que um dos pais, um advogado, propõe aos outros integrantes entender de verdade o mundo dos filhos, o quê de fato eles procuram. Então, de smoking e vestidos de gala, eles ouvirão instruções de como acender, apertar, e tragar. Logo depois, a liberdade esfumaçada começará a produzir efeitos...

Em uma cena posterior ao tutorial, quando os adultos estão bem soltinhos, Forman recomendou aos atores que improvisassem uma longa cena de Strip Poker! Os atores, então, dão um banho! Notadamente, Lynn Carlin (indicada ao Oscar anos atrás por "Faces", de Cassavetes - um filme de mesma atmosfera) e Buck Henry, morto este ano, diretor indicado ao Oscar por "Heaven Can Wait".

Brilhante roteiro e execução, uma ousadia tremenda da Nova Hollywood. Amei!

Meu ranking Milos Forman atualizado:

1) Amadeus;

2) Um Estranho no Ninho;

3) O Povo contra Larry Flint;

4) Taking Off

5) Hair

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Loucademia de Polícia 2 - A Primeira Missão (Police Academy 2 - Their First Mission, Dir.: Jerry Paris, 1985) 2/4

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Mais um filme nostálgico. Na verdade, a série toda é (único que não curto é o sétimo que já saiu fora dos anos 80 em 1994 - mas todos os outros vi e revi várias vezes na época - então tenho carinho por eles).

Fico me perguntando que quando o elenco iria assinar para um novo filme, eles não perguntavam se o personagem teria relevância no roteiro, mas sim,  se teria piadas boas envolvendo o personagem. Porque no fim, muitos estão ali só pra executar as piadas mesmo. Filmes eram como um Zorra Total (ou um SNL - pegando um exemplo melhor), com muitas scretchs seguidas uma da outras, com os personagens fazendo sua graça, e um ripinha de história no meio.

Esse aqui até tem premissa interessante do grupo do filme anterior (os principais)  já indo pra delegacia num bairro peso pesado e começando a trabalhar oficialmente, mas tudo acaba tendo as mesmas piadas isoladas, variando de um e outro personagem, não muito diferentes do filme anterior (ou posteriores). Mas o/s filme/s vale/m mesmos porque a gente gosta dos personagens, e no fim, não liga pro resto, só que eles estejam ali fazendo rir.

Personagem mais privilegiado aqui foi o Tackleberry, já que arruma uma parceira que tem os mesmos gostos que ele e tem o envolvimento com ela, então tem uma história ali, os demais não tem nada a mais a acrescentar, só participar das piadas mesmo. E filme introduz 2 personagens muito bons (tanto que usaram eles nos 2 filmes seguintes): Sweetchuck e Zed (Zed inclusive é o vilão aqui que se torna um membro da turma de policiais no filme seguinte).

Primeiro filme é sempre superior mesmo, as continuações, eu nem sei dizer qual seria a melhor ou pior (tirando o sétimo filme que é o pior), todas são meio iguais e legais.

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Revi "À Prova de Morte", esse trash de luxo, esse menos celebrado Tarantino. Não sei vocês, mas eu cheguei a vê-lo no cinema, não lembro o ano exatamente, muito depois do lançamento. Lembro de ter detestado. Como é o efeito do tempo...Hoje já gostei bem mais. Entendi melhor o filme.

Seus dois segmentos, por trás da porralouquice, são quase uma conversa, uma dialética. Primeiro, as mulheres como vítimas. Depois, as mulheres em resistência, se vingando. E notei que há uma mudança de tempo sinalizada, por exemplo, pela capa das revistas nos cenários (Por exemplo, promovendo o filme "Maria Antonieta"), ou pelo figurino. Inclusive, tempo suficiente para as mulheres não serem vistas apenas como objeto sexual, aptas apenas a serem um cartaz sensual ou aptas somente a uma lapdance. Da primeira vez essa noção feminista me passou batida, creio.

Continuo não gostando dos diálogos deste filme. Esticam-se demais, mas sem a mesma qualidade dos outros filmes. Como não comparar?

Sua ponte temática com "Once Upon a time..." :  O decisivo papel dos dublês nos filmes de ação.

Tarantino assumiu a Fotografia neste filme. É notável como ele consegue assumir as rédeas, para desgastar, propositadamente, o seu próprio trabalho, esburacando a fotografia, arranhando, criando linhas, e defeitos de cor. O rebaixamento irônico de qualidade, in casu, é uma homenagem aos filmes B. Uma homenagem ao camp

Death Proof (2007)

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Downhill é uma comédia dramática que assisti meio sonolento e sem ler sinopse mas aos poucos reparei que ja tinha visto a estória. Daí caiu a ficha que é remake gringo do sueco Força Maior, que não achei lá essas coisas. Este aqui é mais comédia que drama e pior, sem graça. Apesar do elenco esforçado, o filme falha na mesma forma que o Corporate Animals ao querer ser um esquete filmado do SNL. Quem sabe os ianques curtam mais este tipo de humor, eu não. Preciso ler sinopses direito antes de ver qualquer coisa. 7-10

Downhill: Get Tickets | Fox Searchlight

 


The Gentleman é um thriller de ação divertidinho onde o diretor parece reciclar sabiamente Snatch e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. A metalinguagem na linha narrativa é bem simpática aos olhos (e entendimento) e o elenco estelar atua corretamente, com destaque disparado pro McConaughey, Grant e Hunnam. Dá pra ver de boa pois é um filme que sabe dosar bem sua comédia, violência e um tiquim de drama. Diversãozinha bacana, no final das contas, mas ciente de um ou outro defeito aqui e ali. Pelo menos dos 4 últimos filmes do diretor é o melhor. 8,5-10

Ariadna Sanahuja (@AriadnaSanahuja) | Twitter

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Minha vez de ver "Hogar"/ A Casa, título espanhol de sucesso da Netflix, nesses tempos de Quarentena.

Um passatempo, um entretenimento, um filme de resposta. Sua maior debilidade é o Roteiro - e não, como as pessoas apontam, as falhas de autópsia, por exemplo - é modificar - completamente do nada - o caráter do personagem principal. E, sub-repticiamente, creditar isso ao "desemprego" enorme da Espanha, também entre os mais educados. Socorro! 

Fotografia manjada de filme espanhol (que recentemente o crítico Dalenogare me respondeu dizendo que também pensa o mesmo); muitos cortes fáceis, o que deixa tudo confortável...

Porém, um grande ator é um grande ator é um grande ator, faz diferença, eleva os projetos. Javier Gutiérrez está excelente.

(OBS: Minha obsessão olímpica adorou ver em um filme a paixão dos espanhóis pela Ginástica Rítmica. Espanha, Prata no Rio 2016, na prova de Conjunto.)

Javier Gutiérrez in Hogar (2020)

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"Upstream Color"/ Cores do Destino, de 2013, é, por enquanto, o segundo filme do diretor americano Shane Carruth, depois de ter quebrado a cabeça de todo mundo com a matemática de "Primer" de 2004. Esse filme aqui é talvez até mais difícil. Eu só não compartilho da opinião: nada faz sentido! Ao contrário. Tudo me parece muito bem concatenado, ainda que eu - e 99% das pessoas - não consiga explicar o filme em sua totalidade.

De difícil interpretação, é aceitável dizer que o casal protagonista foi submetido a uma droga experimental, testada também em uma criação de porcos (aproveitando as semelhanças de genoma). E essa droga produzia uma espécie de ligação que reforçava os laços de "animalidade" entre os dois seres, além de produzir danos nos corpos. Por isso a mulher passa a sentir a terra, o ar, a água, as plantas, de uma maneira diferente e especial, como um retorno à natureza, simbolizada diversas vezes ao mostrar a leitura dela, "Walden, ou A vida nos Bosques", um livro que é ao mesmo tempo uma crítica econômica, uma experiência sensorial, e um documento de amor à natureza. Num outro giro, enquanto estava sob os efeitos da droga (mostrada mais no início do filme), a mulher é roubada materialmente pelo "cientista". Porém, quando encontra o amor, ambos percebem que suas memórias foram confundidas, outro efeito da droga, e percebem que isso não pode ser normal, e tentam se refugiar um no outro. Ao mesmo tempo, há a captação de uma música, muito suave e constante, presente em todo filme (muito bonita, por sinal), que é fruto da percepção aumentada dos sons da natureza. Ao final, os porcos doentes, que sofreram a experiência, são descartados, e uma nova ninhada de porcos saudáveis nasce - recebendo posteriormente os cuidados do casal,  da mulher, até de forma "maternal", pois um dos efeitos da doença foi ela não poder ter filhos - embora em determinado momento se imagine grávida (mas quem está prenhe na verdade é a porca! Ual, agora que me toquei! O que reforça o entendimento da ligação das espécies).

Ufa! Que dureza! Lembro-me da frase clássica de Antonioni: "Explicar um filme é trai-lo". Mas se um dia alguém procurar por esse filme no Fórum, talvez meu caminho hermenêutico ajude a aclarar as ideias.

Dito isso, um filme de montador, né? Dei a impressão que era um filme de roteirista, que estamos diante de um superoteiro, mas não acho isso mesmo. Acho um filme de Montador, como Carruth o é. Um filme feito basicamente na ilha de edição, juntando mil fragmentos e os espalhando ao longo da narrativa. 

Difícil, mas não impossível.

Upstream Color (2013)

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Terminei de ler a excepcional novela de Ernesto Sábato, "O Túnel", e corri para pesquisar qual seria a melhor adaptação do texto. Por larga maioria, deu-se esse filme de 1952, com o próprio Ernesto coassinando o roteiro. Essa película é tão importante, que, segundo comentários, é assistida nos colégios argentinos.

Eu diria sem pestanejar que o livro é muito melhor, embora em termos de fidelidade, essa película seja altíssima, tipo 85%. O grande problema é que no livro acompanhamos apenas o ponto de vista do ciumento protagonista. No filme, em certos pontos, nos afastamos dele, e passamos a ver os acontecimentos segundo a personagem feminina, vítima do amor enlouquecido. A razão só chega no finalzinho: uma tentativa de tornar a personagem feminina completamente inocente de seus pecados, uma tentativa de santificá-la. No livro, tudo é mais ambíguo. Não obstante, ela seja a vítima assassinada. Coisa que sabemos desde a primeira frase do livro.

Como filme, senti influência de "Rebecca", de 1940. Uma bem-sucedida tentativa latina de se fazer do drama romântico um thriller.

A romena de nascimento, Laura Hidalgo, lindíssima, uma luz em todas as cenas, deve ter algo a ver com a santificação da personagem, mencionada acima. Impossível não cair de amores por ela. Imagino as plateias de antigamente...

Se o Brasil tem Capitu, como mola propulsora do ciúme; a literatura Argentina também tem a sua própria inspiração.

Lamento apenas que a parte em que o autor reflete sobre o que seria o tal "túnel" não ganhou às telas de modo completo. Li a página várias vezes de tão bonita.

Laura Hidalgo and Carlos Thompson in El túnel (1952)

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A Night of Horror: Nightmare Radio é uma divertida antologia de terror onde incrivelmente todos os 8 contos que a integram tem seu devido valor,  com resultado acima da média, algo raro neste tipo de filmes. Tendo um radialista como fio condutor, tem gore, body horror, plot-twist, critica social, etc.. Particularmente gostei bem mais do curta da fotografia, do caçador, do condenado e um que lembra O Homem Invisível. O que menos curti é o desfecho, bem genérico. 8,5-10

Horror Anthology A Night of Horror: Nightmare Radio to Bring Nine ...

 

The Boat é um bacanudo thriller de sobrevivência com pitadas sobrenaturais que parece episódio de Além da Imaginação. Pelo plot emula um Christine em alto mar, ou o que o recente Mary (com Gary Oldman) quis ser e não foi. Incrivel a tensão e criatividade que fizeram com orçamento merreca e um único ator (o filho do diretor, bem convincente) num único lugar. Apesar de se arrastar sem necessidade nalguns momentos o resultado geral deste pequeno filme é mais que positivo.  8,5-10

Las 929 mejores imágenes de Cine de 2018 (#) en 2020 | Cine ...

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A onda "Parasite" rendeu muitos elogios à política cinematográfica de governo da Coreia do Sul, mas não houve tempo para se contar a sua contraface (detesto escrever junto!) histórica. "A Day Off", de 1968, talvez seja o melhor exemplo da censura às artes que impôs o ditador coreano Park Chung-hee (1961 a 1979), pois o filme só chegou ao cinema em 2005. É que em janeiro de 1962, o então Presidente promulgou uma Lei de controle do cinema, impedindo a produção e o lançamento de filmes independentes, que trouxessem prejuizo à dignidade da Coreia do Sul, bem como elogiassem o comunismo do país vizinho, ou mostrassem sexo ou violência. Por proximidade:  Um atrasado Código Hays coreano!

Se fosse só pela importância história, "A Day Off" já seria relevante, mas o filme, além de tudo, é ótimo. Trata de um casal de jovens, sem dinheiro, à procura de um aborto. Os homens são uns pulhas! Não só o pai da criança. Todos que aparecem. Incompetentes, machistas, violentos. Uma gregária cafajestada. Critica-se, assim, frontalmente a parcela masculina do país.  Em termos de enredo, assistimos à discussões do casal, suas rajadas de ofensas mútuas, mas, no meio do filme, o tom se ajusta, para deleite do espectador: O aborto torna-se necessário!

Essa jogada do roteiro me pegou direitinho! Fora ela, os diálogos são muito bem escritos, destaco um em particular, que vou tratar de decorar:

"Qual o seu desejo mais urgente?"

"Essa garrafa cheia novamente."

Uau! Viva o cinema livre de todos os lugares, de todos os tempos!

Hyuil (1968)

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Decepção monstra. Não vi "A Assassina" na época de seu lançamento e de seu prêmio de Direção para o chinês Hou Hsiao-Hsien em Cannes 2015. Mas sempre tendo a gostar desses filmes Wuxia. Porém aqui não foi o caso. A ação foi desossada, transformada em longos silêncios, pequenos movimentos precisos, roupas suntuosas, e uma quase inexistente trilha sonora (só ficando mais aparente ao final). Além disso, a história é muito etérea e confusa. 

Tudo que as pessoas podem dizer é que é lindo, que a fotografia é linda, que os cenários são deslumbrantes. Verdade. Mas se alguém perguntar o que aconteceu com a personagem x, ou com o personagem y, todo mundo vai titubear. O mérito é esse? Ser a desconstrução do gênero? Teria sido maravilhoso se tivesse deixado evidenciado mais claramente a proposta do amor predominando sobre a vingança.

Qi Shu in Ci ke Nie Yin Niang (2015)

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"Gladiador" é o filme-celeuma do Fórum. Em conversa com @Big One, me dei conta que precisava revê-lo, e que o Pablo Villaça tinha malhado bastante o filme, gerando contróversias acalouradas na época. Eu vi no cinema, muito jovenzinho, e lembro de ter, como os outros, num movimento de manada, aprovado. Mas logo aquele sentimento de aprovação fora transferido para outros filmes daquele ano, como "Quase Famosos", "You Can Count on Me", "Billy Elliot", "Quills", e principalmente "O Tigre e o Dragão".

Com a distância devida do tempo, achei o filme quase "datado". Aquelas tomadas em câmera lenta se transformaram em cafonices estéticas ( com certeza, uma herança de "Matrix", - mas é que as irmãs Wachowski são as que melhor dominam o recurso; sempre com grande beleza e competência). Achei terríveis. Li a crítica do Pablo, e ele foca muito na deturpação histórica trazida pelo roteiro. Eu não sou especialista em História romana, mas não me atenho tanto a esse aspecto. O que eu não curti no roteiro é a dinâmica clichê das relações! Falta verdade e bom senso o tempo todo todo, como por exemplo, ninguém se lembrar da figura do General. Isso não faz sentido. E é um texto ancorado em frases canhestras: "O que fazemos em vida ecoa na eternidade", por exemploAs pessoas realmente pensam que escrever uma coisa dessa - que nem é verdade! - é uma "poesia" foda, um verso de Camões. Demonstra falta de leitura.

No quesito atuação...Desde que vi pela primeira vez todos os indicados, meu voto para Melhor Ator no Oscar, sem dúvida, teria ido para Geoffrey Rush em "Quills", simplesmente arrasador. Agora, se é pra ser polêmico, como manda a antiga tradição do Fórum, todos os outros indicados (Ed Harris em "Pollock", Tom Hanks em "Cast Away", Javier Bardem por "Before Night Falls"), também estão, a meu ver, melhores do que o Russell Crowe. O Pablo diz que a atuação se centrou na virilidade. E senti a mesma coisa. Mas isso é fruto do Roteiro e sua construção cansativa, superexplorada, da figura do herói.

Porém, continuo achando o Figurino de Janty Yates muito bom, não por aquelas túnicias do período, mas pelas belíssimas máscaras dos gladiadores, e seus corpetes, que sem dúvida entraram para a memória, de modo indissociável ao filme, no decorrer dos anos. 

Sinceramente, "Gladiador" decaiu muito para mim. 

Russell Crowe in Gladiator (2000)

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"Bronson" é um filme de 2008 do dinamarquês ( na real, novaiorquino) Nicolas Winding Refn. Uma biografia anticonvencional, estilística e, surpreedentemente, bem humorada, de um cara cuja peculiar ambição era se tornar o preso mais violento e dispendioso do sistema prisional inglês. Ele está preso até hoje! E já passou mais de 30 anos na solitária!

O estilismo do Refn fica muitas vezes à frente do seu objeto temático, mas a crítica social não merece ser esquecida. Nenhum ser humano merece ficar 30 anos na solitária! Muito menos quando há um desvio paranoide evidente, muitos menos quando tudo advém de pequenos furtos. O filme é muito bom, mas é tanto "estilo", que às vezes desvia o foco do principal. 

Tom Hardy está incrível! Talvez a melhor atuação de sua carreira. A entrega física é requerida o tempo todo, incluindo passar uns 10% do filme em nudez total. É dizer: até as roupas aprisionam a alma insana, incontrolável, deste incorrigível detento.

O cartaz anuncia "Laranja Mecânica" do século XXI, e noto a ponte cinematográfica, quando, por exemplo, Bronson sai da prisão pro alguns dias, desfilando certa empáfia e normalidade, depois de muita medicação. Tratamento Ludovico da vida real.

Tom Hardy in Bronson (2008)

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Antrum: The Deadliest Film Ever Made é uma produção sobre o filme "mais mortal da história", ou seja, tem fama de quem assiste vai pro saco. Sério! O começo é mockumentary falando sobre ele pra depois vir o dito cujo, feito a toque de caixa na década de 70. Claro que pra quem ja viu Bruxa de Blair sabe que tudo é balela, mas a produção é bem feitinha, tem uma boa premissa e atuações razoáveis. No entanto, o mockumentary é melhor e mais envolvente que o filme mesmo pois sua premissa se dilui rapidinho numa trama enfadonha e previsível. Nesse sentido, Ringu é bem mais efetivo como filme maldito. 8-10

Deadly movie that's 'scared 86 fans to death' screened in Japan ...
 

 

After Midnight é um bom drama romântico em formato de filme de bicho-papão. O uso da metáfora do monstro nos problemas do coração e das duas linhas narrativas ta bem feito, mas ainda prefiro o ótimo indie The Monster nesse tipo de fantasia mais cerebral. É sutil, moroso e eficiente, mas peca nos finalmentes onde desenham tudo pro espectador numa sequência catártica desnecessária. As atuações do elenco estão dentro do desejável e a atmosfera da película te prende realmente, mas sei lá..falta alguma coisa, manja? É um filme de monstro que não é filme de monstro.. quiçá seja isso. 8-10

After Midnight amour mortel

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Entre Realidades (Horse Girl, 2020) Netflix

 

;Nao gosto de rótulos que tentam explicar o filme. Dito isso apesar de todas as viagens da personagem acho que a questão dela eh psicológica. 

Palmas pra atuação da Alison Brie. 

IMG_20200405_231259.jpg

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Revi "The Hero" , com meu pai, ontem. O filme não tem nada de mais em termos artísticos, mas é muito tocante e puro.

Penso que o cinema precisa contar todas as histórias, então é muito bom vermos um protagonista setentão, com o peito ainda desejante. Existe uma audiência significativa, no entanto negligenciada, para esse tipo de filme.

Sam Elliott, GZUZ, que atuação! Um monstro! A cena em que o personagem, ator, pega um roteiro chinfrim, e humaniza cada palavra vazia é de arrebatar. Por muito menos, foi indicado ao Oscar em "A Star is Born".

Veio no pacote da Netflix, que, como brinco, gosta de formar pares. Dessa vez por causa de ser obra do mesmo diretor de "Por Lugares Incríveis"

Sam Elliott in The Hero (2017)

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