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O Primo Basílio (Daniel Filho - 2007)


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Crítica do KMF:

 

Primo Basílio, O

 

Duas%20estrelas%20e%20meia

PROJAC-RETRÔ

Por
Kleber Mendonça Filho
10/08/2007

Com 50 anos de filmes, teatro e TV, Daniel Filho torna-se o principal artesão do cinema brasileiro comercial nesta década. Investe na conquista de um público de perfil "médio" cujas ambições culturais nunca estiveram tão baixas nesse país. Importante registrar que esse cinema tem sempre o apoio da blitz Globo de auto-boca a boca em terra, ar e internet. Espera-se, portanto, que a adaptação de Daniel Filho para a obra de Eça de Queiroz, O Primo Basílio (Brasil, 2007) confirme-se como o maior sucesso brasileiro do ano nos multiplex. Sua linguagem 4:3 na tela 16:9 do cinema dá o que milhões já conhecem do sofá, apimentada por conflitos narrativos e melodramáticos infalíveis de tesão e chifre. É um filme bem sucedido na sua visão proposta e, especialmente, na atual lógica cruel de mercado.

Daniel Filho - seu Se Eu Fosse Você foi o maior sucesso brasileiro do ano passado - ainda encaixa um toque autoral, também oriundo do seu trabalho na Globo. Adaptou a obra original, ambientada na Lisboa do século 19, para a São Paulo dos anos 1950. Esse clima Projac-retrô parece ter origem nas cápsulas de dez minutos desenvolvidas por ele próprio em A Vida Como Ela É, exibidas no Fantástico dos anos 90 e adaptadas de histórias curtas de Nelson Rodrigues. A adaptação existe mais na trama do que no espírito. Um certo toque rodrigueano remixado para as especificações Globo fecham o todo.

Como sempre, apostam nos rostos mais televisionados da nossa cultura. Isso faz-se evidente não apenas no filme em si, mas na campanha de publicidade da distribuidora Buena Vista International, subsidiária da Disney, em peças expostas atualmente nos multiplex. Assustadoras figuras de papelão dos astros, em tamanho pouco menor do que o natural, vestidos a caráter, e com perturbadora aparência de hobbits do Senhor dos Anéis, lhe encaram no hall de entrada.

Ironicamente, esses papelões representam corretamente os personagens que vemos no filme. Luísa (Débora Falabella) é a jovem esposa do sério engenheiro Jorge (Reynaldo Gianecchini), empenhado na construção de Brasília. Enquanto o marido desbrava o planalto para Juscelino Kubitschek, o primo de Luísa (Fábio Assunção) investe num affair com a prima, que será observada pela ardilosa Juliana (Glória Pires), a empregada.

As atuações de Falabella, Gianecchini (malhado) e, particularmente, Assunção (malhado), associadas ao texto adaptado para o que há de mais simplório, fazem o espectador suspeitar que os três personagens têm baixíssimo QI. Falabella parece presa pelas deficiências do todo,uma patricinha frustrante. Gianecchini tenta lidar com um enorme bigode, mas é preciso que seja dito que ele não mostra-se errado em cena, lidando como pode com o que todos são obrigados a declamar, uma conversa constante de comadre, falada sem intuição. Assunção, que já esteve bem mais tranquilo em Bellini e a Esfinge, é particularmente problemático, transformando o seu Basílio numa versão simplificada de um boneco que mexe os olhos, um cafajeste modelo 1.0.

Ele e Falabella protagonizam as cenas de sexo que são um dos principais pontos de venda do filme, num "bom gosto" cronometrado, cada um oferecendo nudez e pelo menos um flash cada de genitália. É um pacote de imagens titilantes planejado profissionalmente (direção, montagem, câmera) para impor tom caliente chamativo.

No entanto, é a trama de adultério que segura o filme, e a sensação de diversão existe com a entrada de Pires. Ela é dotada de talento nato para gerar ódio por personagens seus, sua clássica Maria de Fátima na novela Vale Tudo (1987-1988) uma prova. A Juliana de Pires, com figurino e cabelo da mãe de Norman Bates, em Psicose, é a principal figura de papelão em cena. Pires saboreia cada palavra novelesca da sua vilania, mesmo, ao que parece, com uma meia enfiada na boca. Sua virada de jogo com a patroa expõe algumas tensões seculares da sociedade brasileira, sempre um prazer ver isso nos nossos filmes.

A ótima Zezeh Barbosa (Bendito Fruto) como a segunda serviçal, Joana, ajudaria muito caso tivesse sido desenvolvida. Simone Spoladore, como a amiga de Luísa, Leonor, dá mais uma demonstração de que só num cinema de mercado onde os valores são totalmente invertidos que uma atriz com esse domínio de cena fica presa em papéis secundários.

Tecnicamente, o filme casa TV com o acabamento industrial do cinema. Internas e planos fechados reinam, duas cenas apenas abrem timidamente para mostrar uma rua com carros de época. Jorge é visto em Brasília num barraco de estúdio, ao lado de uma janela com foto-montagem da catedral federal... Levanto isso pois trata-se de um filme brasileiro supostamente classe A, e é só isso que temos? Ao que parece, foi feito como se fosse TV não só na sua filosofia, mas também no que está na tela. não é possível se contentar com tão pouco, para um público que irá pagar tão caro para ver uma produção de luxo. Pensei muito no filme do Jorge Furtado, onde alguém diz que o problema do Brasil é saneamento básico.

PS: Esta é a segunda adaptação da Globo para O Primo Basílio. Em 1988, uma mini-série de 16 capítulos foi adaptada por Gilberto Braga e Leonor Brasséres. Marília Pera, no papel de Juliana, também deixou a mlehor das impressões.

Filme visto no UCI Boa Viagem, Recife, Agosto 2007

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Diálogo entre eu e uma outra colega do trabalho:

- Eu fui assistir "O Primo Basílio" nesse final de semana ... nossa, é muito bom !!!! - diz ela

 

- Puts, sério ... qdo eu vi o trailer já deu vontade de vomitar ... - disse eu

 

- Ah, sério ? Não sei vc, mas eu particularmente adoro esse novo cinema brasileiro da retomada ... - ela

 

- Mas "O Primo Basílio" não parece ser cinema ... parece novela. Vc gostou de "Olga" ? - eu

 

- Nossa !! "Olga" tb é muito bom !!!!! - ela

 

- "Olga" é horrível ... é novela pura ... é melhor ficar em casa ... - eu

 

- Eu gosto de ver esses filmes baseados em fatos reais ... o que acontece no filme não é nem 1/4 do que realmente aconteceu ... - ela

 

FIM DA CONVERSA

PS: Bom, eu pelo menos consegui obter a informação que eu queria ... não querendo dizer que quem gosta de "Olga" irá gostar de "O Primo Basílio", mas pelo fato de que quem gosta de "Olga" não tem muita "propriedade" pra falar de cinema, o que me leva a crer ainda mais que "O Primo Basílio" virou novela ... 06
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Esse Daniel Filho consegue ser mais idiota que o Jaime Monjardim ... ou não ????? 09

 

22/08/2007 - 09h16 - Atualizado em 22/08/2007 - 10h02

‘Primo Basílio’ sobe no ranking dos mais vistos

Em cartaz há duas semanas, filme nacional atinge feito raro no mercado de cinema.
Em entrevista ao G1, Daniel Filho diz que está "muito contente, rindo à toa".

Depois do enorme sucesso de “Se eu fosse você”, o diretor Daniel Filho mostra mais uma vez que o cinema brasileiro pode sim brilhar nas bilheterias. Seu novo filme, “Primo Basílio”, subiu da terceira para a segunda posição no ranking dos mais vistos no país, fenômeno raro no mercado cinematográfico.

“Estou muito contente, rindo à toa mesmo”, diz o cineasta em entrevista ao G1, soltando uma longa gargalhada. “Que bom que o público gostou do filme e está recomendando para outras pessoas; o boca-a-boca é a única explicação para esse resultado fantástico.”

Em cartaz há apenas duas semanas, “Primo Basílio” já atraiu cerca de 314 mil espectadores e ultrapassou o blockbuster “Duro de matar 4.0” na última semana.

“Sinal de que não foi tão duro assim”, brinca Daniel Filho.

“Esse resultado é muito animador já que estamos concorrendo com histórias em quadrinhos, superproduções milionárias de Hollywood que chegam aqui para arrasar mesmo. O resultado do ‘Basílio’ é muito bom se considerarmos que é um filme sobre pessoas que andam, não voam.”

 Terceiro do ano

Estrelado por Glória Pires, Débora Falabella e Fábio Assunção, “Primo Basílio” é a terceira maior estréia brasileira de 2007, com público de 109 mil no primeiro fim de semana, ficando atrás apenas da comédia “A grande família”, que atraiu 300 mil espectadores, e da animação “A turma da Mônica em uma viagem no tempo”, com 194 mil. "Estamos na corrida", afirma.

O diretor acredita que “Primo Basílio” não deve ultrapassar a bilheteria de “Se eu fosse você”, que atraiu quase 3 milhões de espectadores às salas em 2006. “É uma outra proposta, um melodrama baseado na literatura, um filme que nunca vai ter a performance de uma comédia; se acontecer, será um milagre”, diz. Entretanto, Daniel Filho diz que os números do novo longa “caminham para a meta em que estamos apostando e devem até superá-la”.

Apesar do otimismo em relação a “Primo Basílio”, para o diretor, 2007 não está sendo um ano positivo para o cinema brasileiro. “Viemos de uma safra ruim, de filmes mais fracos, e Hollywood está pegando pesado de verdade no Brasil. Isso só faz do resultado de “Basílio” ainda melhor, já que ele é o primo pobre da bilheteria”, diz.

 Mas será que o cinema brasileiro pode competir em pé de igualdade com os blockbusters? “O objetivo da produção nacional não é fazer blockbusters; só queremos continuar a respirar no meio desse tiroteio do cinema americano para cima do nosso público.”

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Acho estranho é a atitude do Daniel. Quando dá entrevistas ele fala como um grande entendido em cinema (talvez seja mesmo, sei lá, não estou julgando). Fala de cinema de antigamente com tanta ponpa, de filme de arte, de grande diretores e grandes artistas, etc e tal..., mas esses filmes que ele dirigiu são tão, pra dizer o mínimo, convencionais. Bem, não vi o nenhum deles, mas digo pela impressão que tenho deles ou o que ouço falar deles.

 

 

 

Enfim, acho meio estranho. Ele fala muito de um tipo de cinema, mas faz outro, totalmente oposto. Seria aquela velha máxima: "Faça o que eu digo e não faça o que eu faço?" 17.gif17.gif

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Acho estranho é a atitude do Daniel. Quando dá entrevistas ele fala como um grande entendido em cinema (talvez seja mesmo' date=' sei lá, não estou julgando). Fala de cinema de antigamente com tanta ponpa, de filme de arte, de grande diretores e grandes artistas, etc e tal..., mas esses filmes que ele dirigiu são tão, pra dizer o mínimo, convencionais. Bem, não vi o nenhum deles, mas digo pela impressão que tenho deles ou o que ouço falar deles.

 

 

 

Enfim, acho meio estranho. Ele fala muito de um tipo de cinema, mas faz outro, totalmente oposto. Seria aquela velha máxima: "Faça o que eu digo e não faça o que eu faço?" 17.gif17.gif [/quote']

 

Pelo que fala ele realmente parece entender de cinema principalmente a parte técnica, mas ja li uma entrevista dele falando que ele "faz cinema pra comer"...

 

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Estava esperando uma bomba, entretanto eu até gostei do filme. A parte do triangulo amoroso é um saco, oq salva o filme é a relacao da empregada (interpretada pela otima Gloria Pires) e patroa. Essa parte garante boas risadas. Só nao sei se um filme que diz romance, rir a maior parte da projeção é uma coisa boa. Em relação as cenas de sexo, elas são bem sem graça. Não vi química nenhuma entre Marcelo Assunção e Debora Falabela.

 

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Eu acho que vou assistir esse fil... ops... esse troço aí, nessa próxima semana. Já tô falando mal dele antes de assistir 06 Mas, pra perder um pouco do efeito "não vi e não gostei" eu vou gastar meu suado dinheirinho apreciando a "arte" do Daniel Filho...

 

Ah... e não me culpem por falar mal do filme antes de vê-lo... o cartaz horroroso e aqueles displays que ficam nas entradas de cinema, com os personagens em tamanho-quase-real são coisas tão escabrosas e assustadoras que seria impossível não ficar com os dois pés atrás...

 

 

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Eu gosto de Olga... 08

O filme é uma novelona' date=' mas uma novelona que consegue emocionar.

 

Agora, Primo Basílio parece ser uma bosta. Eu raramente gosto de melodramas, e esse parece ser um dos piores do ano.

 

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Eu não achei o filme tão ruim igual o povo desse fórum disse. Não é uma obra prima, mas tb nao eh um completo lixo. As cenas de sexo de Olga são lindas.

 

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Vi ontem... Pseudo-crap... Estava até gostando do filme apesar da atuação novelesca do trio principal (principalmente o Fábio Assunção, canastra até o último) e a direção sem inspiração do Daniel Filho... Talvez seja por causa do material original cuja relevância sempre aparece aqui e ali, mesmo com o diretor se esforçando para estragar tudo. Mas quando chega àquele final, pqp... Dois pontos devem ser destacados: a) a atuação magistral da Gloria Pires (vale o ingresso); B) as risadas homéricas durante a sessão... Sinal de esperança para uma conscientização cinematográfica por parte do público médio?

2/5
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