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Trotes


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Pois é, deixo dois textos para ajudar na discussão. De antemão, já digo que acho o segundo bastante infeliz. Ah, o texto é fácil de ler.

 

 

O ritual brasileiro do trote

Estamos na época dos trotes em calouros de universidade, um ritual coletivo tão brasileirinho quanto o

Carnaval e a carnavalização da Justiça nas CPIs.

O trote é medieval como a universidade e quase deixou de existir em lugar civilizado. No Brasil, é um meio

de reafirmar, na passagem para a vida adulta, que o jovem estudante pertence mesmo a uma sociedade

autoritária, violenta e de privilégio.

Submissão e humilhação são a essência do rito, mas expressivas mesmo são suas formas: o calouro é

muita vez obrigado a assumir o papel de pobre brasileiro. A humilhação também faz parte da iniciação universitária

americana, embora nesse caso o rito marque a entrada na irmandade, sinal de exclusivismo e vivência de

segredos de uma elite que se ressente da falta de aristocracia e de mistérios em sua sociedade ideologicamente

igualitária e laica.

De início, como em um ritual, o jovem é descaracterizado e marcado fisicamente. É sujo de tinta, de lama,

até de porcarias excrementícias; raspam sua cabeça. Ao mesmo tempo que apaga simbolicamente sua identidade,

a pichação do calouro lhe confere a marca do privilegiado universitário (são poucos e têm cadeia especial!). Pais e

estudantes se orgulham da marca suja e da violência.

Na mímica da humilhação dos servos, o jovem é colocado em fila, amarrado ou de mãos dadas, e conduzido

pelas ruas, como se fazia com escravos, como a polícia faz com favelados. É jogado em fontes imundas, como

garotos de rua. Deve esmolar para seu veterano-cafetão. Na aula-trote, o veterano vinga-se do professor

autoritário ao encenar sua raiva e descarregá-la no calouro, com o que a estupidez se reproduz.

Como universidade até outro dia era privilégio oligárquico, o trote nasceu na oligarquia, imitada pelos

arrivistas. Da oligarquia veio ainda o ritual universitário do assalto a restaurantes (‘pindura’), rito de iniciação pelo

qual certa elite indica que se exclui da ordem legal dos comuns.

De vez em quando, ferem, aleijam ou matam um garoto na cretinice do trote. Ninguém é punido. Os

oligarcas velhos revelam: ‘acidente’.

Não, não: é tudo de propósito.

(Vinicius Torres Freire.

In: Folha de S.Paulo, 13/02/2006.)

Vagabundagem universitária começa no trote

Todo começo de ano é a mesma cena: calouros de universidades, as cabeças raspadas e as caras

pintadas, incitados ou obrigados por veteranos, ocupam os sinais de trânsito pedindo dinheiro aos motoristas. É

uma das formas do chamado ‘trote’, o mais artificial dos ritos de iniciação da mais artificial das instituições

contemporâneas — a universidade.

O trote nada mais é do que o retrato da alienação em que vivem esses adolescentes das classes

favorecidas. Com tempo de sobra, eles não têm em que empregar tanta liberdade.

Ou querem dizer que essas simples caras pintadas têm qualquer simbologia semelhante à das máscaras de

dança das tribos primitivas estudadas por Lévi-Strauss?

Para aquelas tribos índias, as máscaras eram o atestado da onipresença do sobrenatural e da pujança dos

mitos. Mas esses adolescentes urbanos não têm tanta complexidade. Movido a MTV e shopping centers, o espírito

deles vive nas trevas. A ausência de conhecimento e saber limita-lhes os desejos e as atitudes.

Em tempos mais admiráveis, ou em sociedades mais ideais, essa massa de vagabundos estaria ajudando a

cortar cana nos campos, envolvidos com a reforma agrária, em programas de assistência social nas favelas ou

com crianças de rua, ou mesmo explorando os sertões e florestas do país, como faziam os estudantes do extinto

projeto Rondon.

Hoje, mais do que nunca, há uma tendência — característica da mentalidade das elites da economia

capitalista — de adulação da adolescência, de excessivo prolongamento da mesma e da excessiva indulgência para

com esse período tido como ‘de intensos processos conflituosos e persistentes esforços de auto-afirmação’.

Desde adolescente, sempre olhei com desprezo esse tratamento que se pretende dar à adolescência (ou

pelo menos a certa camada social adolescente): um cuidado especial, semelhante ao que se dá às mulheres

grávidas. Pois é exatamente esse pisar em ovos da sociedade que acaba por transformar a adolescência num

grande vazio, numa gravidez do nada, numa angustiante fase de absorção dos valores sociais e de integração

social.

Se os adolescentes se ocupassem mais, sofreriam menos — ou pelo menos amadureceriam de verdade,

solidários, ocupados com o sofrimento real dos outros.

Mas não, ficam vagabundando pelos semáforos das cidades, catando moedas para festas e outras

leviandades. E o que é pior, sentindo-se deuses por terem conseguido decorar um punhado de fórmulas e datas

e resumos de livros que os fizeram passar no teste para entrar na universidade.

A mim — que trabalhava e estudava ao mesmo tempo desde os 15 anos — causava alarme o espírito de

vagabundagem que, cultuado na adolescência, vi prolongar-se na realidade alienada de uma universidade pública.

Na Universidade de São Paulo, onde estudei, os filhos dos ricos ainda passam anos na hibernação

adolescente sustentada pelo dinheiro público.

(Marilene Felinto,

In: Folha de S.Paulo, 25/02/1997.)
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 Dizem que a conotação de "Trote" tem muito a ver com o trote de cavalo mesmo.

 Tipo assim, o trote universitário seria uma menira de fazer os potros (calouros) a aprenderem trotar que é um passo mais rápido.

 

 Alguns acham que trotar sópode ser ensinado com força, daí essa espécie de bullying.

 

 Há muita campanha de anti-trote.

 O meu tivemos que pedir pedágio, e fizemos uma festinha num barzinho.

 
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Se o veterano é cusão os trotes tendem a ser uma merda.

Se o Bixo é cusão os trotes são uma merda

Se ambos são cusões o trote vira putaria.

 

 

O fato do bixo ser cusão remete no futuro a um veterano mais cusão

ainda que não sofreu trote porém se sentirá no direito de dar o mesmo.

 

 

Eu

sofri trote pesado em festas de república, eu me fudi com trote em

república, mas isso faz parte do "ser bixo" a gente aceita pq sabe que

chegará nossa vez...

 

E um bom Bixo sabe ouvir um veterano porém não abaxia a cabeça para o mesmo.

 

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Sou contra trote. Também sou contra a postagem de textos da Marilene Felinto aqui no fórum. 

 

É, por quê? Eu, por esse texto, já posso dizer que não sou nenhum admirador da mulher.

É difícil respeitar uma pessoa ignorante(que pensa que matemática e física se trata apenas de decorar fórmulas), arrogante(faz uso de uma experiência banal e pessoal para se elevar a um patamar superior e "provar" o ponto) e (para dar ênfase) de pouca capacidade argumentativa(pois faz referência a um ritual desconhecido para demonstrar conhecimento). Além disso, o artigo ainda exala preconceito e o único ponto pertinente é muito mal desenvolvido, que é o pisar de ovos na adolescência. É só ler o primeiro texto e constatar que o que ela falou não passou de bullocks.
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Bem, não foi bem um trote, foi engano, mas foi engraçado:

 

Estavamos eu, Radek (tom Riddle do fórum) e jane (mãe do radek) sentados na cizinha e toca o telefone ela levanta e atende e o diálogo foi esse:

 

Jane: Oiii (ela atende telefone assim)

Desconhecido: Mão, eu vou dormir na casa do João, tá?!

Jane: Não, tu ligou enganado!

Desconhecido: tah, mas eu vou dormir aqui, to ligand pra avisar.

Jane: Ei, tu ligou enganado!

Desconhecido: tah mãe, eu vou dormir aqui, tchau!

 

A Jane vira de olhos arregalados: Uma mãe não vai dormir essa noite.

 

06

 

Tipo, o cara nãi tava prestando atenção no que a "mãe" dele tava dizendo ele só queria avisar correndo que ia dormir fora ...

 

Foi muito engraçado, essa mãe não deve ter dormido e esse guri deve ter apanhado pouco no outro dia!06

 

 

 

 

 

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Gente... deve ser porque o trote que vocês conhecem são muito ruins. Os trotes da minha faculdade são tradicionais e são super divertidos pra ambas as partes.

 

A gente faz brincadeiras tipo corrida de saco, etc... rsrs todo mundo se diverte. E no final, tudo termina numa grande festa na faculdade. É no trote que

os calouros conhecem os veteranos e tudo mais... é super legal. Nunca vi ninguém reclamar de nada de trote por lá... Teve um ano que o trote atrasou e os calouros reclamaram porque ainda não teve.

 

O meu, como caloura, foi divertidíssimo. Era num ano de Olimpíadas e o tema do trote foi umas maratonas de brincaderias homens x mulheres... foi um dos trotes mais divertidos até hoje.

 

Aqui nunca se ouviu falar de trote ue fizesse mal a ninguém. E quando alguém não quer participar do trote, simplesmente não participa e vai embora. Já vi acontecerem com 3 calouros que eram "contra" trote. E depois que eles viram como era, se arrependeram, já que ninguém faz mal a ninguém.

 

Acho que depende de lugar para lugar.

 

 

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Bem' date=' não foi bem um trote, foi engano, mas foi engraçado:

 

Estavamos eu, Radek (tom Riddle do fórum) e jane (mãe do radek) sentados na cizinha e toca o telefone ela levanta e atende e o diálogo foi esse:

 

Jane: Oiii (ela atende telefone assim)

Desconhecido: Mão, eu vou dormir na casa do João, tá?!

Jane: Não, tu ligou enganado!

Desconhecido: tah, mas eu vou dormir aqui, to ligand pra avisar.

Jane: Ei, tu ligou enganado!

Desconhecido: tah mãe, eu vou dormir aqui, tchau!

 

A Jane vira de olhos arregalados: Uma mãe não vai dormir essa noite.

 

06

 

Tipo, o cara nãi tava prestando atenção no que a "mãe" dele tava dizendo ele só queria avisar correndo que ia dormir fora ...

 

Foi muito engraçado, essa mãe não deve ter dormido e esse guri deve ter apanhado pouco no outro dia!06

 

 

 

 

[/quote']

 

Fram, não este trote que estamos falando060606

 

 

Estamos falando daquele em que ficamos muito bebados e pintados0606

 

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Bem' date=' não foi bem um trote, foi engano, mas foi engraçado:

 

Estavamos eu, Radek (tom Riddle do fórum) e jane (mãe do radek) sentados na cizinha e toca o telefone ela levanta e atende e o diálogo foi esse:

 

Jane: Oiii (ela atende telefone assim)

Desconhecido: Mão, eu vou dormir na casa do João, tá?!

Jane: Não, tu ligou enganado!

Desconhecido: tah, mas eu vou dormir aqui, to ligand pra avisar.

Jane: Ei, tu ligou enganado!

Desconhecido: tah mãe, eu vou dormir aqui, tchau!

 

A Jane vira de olhos arregalados: Uma mãe não vai dormir essa noite.

 

06

 

Tipo, o cara nãi tava prestando atenção no que a "mãe" dele tava dizendo ele só queria avisar correndo que ia dormir fora ...

 

Foi muito engraçado, essa mãe não deve ter dormido e esse guri deve ter apanhado pouco no outro dia!06

 

 

 

 

[/quote']

 

Fram, não este trote que estamos falando060606

 

 

Estamos falando daquele em que ficamos muito bebados e pintados0606

 

06

 

Aluém falou de telefone ali em cima!06

 

mas esses com certeza são os melhores!

 

Elefantinho, andar agarrado pelo campus todo, ovada na cabeça e dentro das calças! Cachaça!05

 

 

 

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Gente... deve ser porque o trote que vocês conhecem são muito ruins. Os trotes da minha faculdade são tradicionais e são super divertidos pra ambas as partes.

 

A gente faz brincadeiras tipo corrida de saco' date=' etc... rsrs todo mundo se diverte. E no final, tudo termina numa grande festa na faculdade. É no trote que

os calouros conhecem os veteranos e tudo mais... é super legal. Nunca vi ninguém reclamar de nada de trote por lá... Teve um ano que o trote atrasou e os calouros reclamaram porque ainda não teve.

 

O meu, como caloura, foi divertidíssimo. Era num ano de Olimpíadas e o tema do trote foi umas maratonas de brincaderias homens x mulheres... foi um dos trotes mais divertidos até hoje.

 

Aqui nunca se ouviu falar de trote ue fizesse mal a ninguém. E quando alguém não quer participar do trote, simplesmente não participa e vai embora. Já vi acontecerem com 3 calouros que eram "contra" trote. E depois que eles viram como era, se arrependeram, já que ninguém faz mal a ninguém.

 

Acho que depende de lugar para lugar.

 

[/quote']

Veras, não sei se o que descreveu pode ser chamado de trote. Parece mais uma confraternização, sei lá. 01

By the way, sou radicalmente contra QUALQUER coisa que OBRIGUE qualquer pessoa a fazer algo contra sua própria vontade.

Mr. Scofield2007-12-21 19:17:25

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