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Forum Cinema em Cena

A Fita Branca, de Michael Haneke.


Beckin
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Tópico pro filme novo do Haneke, que passou no festival de Cannes e deve passar agora no festival do Rio (pros sortudos). Estréia ainda não programada aqui no Brasil.

 

Embaixo o sensacional cartaz alemão:

 

2dt59ol.png

 

Sinopse: No ano de 1913, estranhos eventos acontecem em uma escola no norte da Alemanha, tudo indica que um ritual de punição esteja afetando o sistema do colégio

 

Elenco: Susanne Lothar, Ulrich Tukur, Theo Trebs, Michael Schenk

Fotos:

 

onr6h.png

 

2nqwmz6.png

 

do9zmh.png

 

 

Vencedor da Palma de Ouro.

 

---

 

Altas expectativas pra esse, ainda mais depois do trailer e das fotos divulgadas. Tem cara de que ele tirou coisa ótima daí 05
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Do ponto de vista autoral, é o filme que faltava na filmografia do Haneke. É mais um filme sobre o mecanismo que afirma a passagem do bastão, sobre a herança recebida pelas crianças, que um ponto de vista a respeito de um específico espaço geográfico-temporal.

 

O que mais me interessou, além do apuro visual belíssimo, foi a decisão do diretor em pontuar a estória com um terror latente, quase subterrâneo, que surge marginalmente, de tempos em tempos. Como uma bomba-relógio que nunca chega às vias de fato.

 

Mas ainda me incomodo com a maneira esquemática com que ele, o Haneke, trata seu universo cinematográfico (personagens, construção ficcional, etc.). É tudo muito engessado, cultivado numa rigidez semelhante ao do próprio vilarejo. Seus personagens não são livres pra existir, são apenas peças dentro de uma tese, como passarinhos numa gaiola.

 

Esse é um porém que eu já comentei por essas bandas e que, pelo visto, não mudou muito. Maior até que a visão estreita que o Haneke tem das coisas.

Gago2010-02-18 17:30:08

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  • 1 month later...

(Ficou grande...)

 

Foi bom ter esperado pra comentar esse, pois vendo a trilogia do silêncio, percebi a imensa influência desta sobre Das Weisse Band. O padre deste e o de Luz de Inverno são quase a mesma pessoa (o daqui é ainda mais cruel, creio), enquanto que a amante do médico é idêntica à personagem da Ingrid Thulin do mesmo filme, além do personagem do Passgard e da Andersson em Através de um Espelho lembrarem os filhos mais velhos do padre e o menininho de O Silêncio assemelha-se a várias das crianças menores (principalmente o do pássaro). E a semelhança continua na estética: a rigidez dos planos presente nos filmes anteriores do Haneke encaixa-se perfeitamente ao estilo do Bergman, muitas vezes criando marcações de cena parecídissmas com as que ele gostava de fazer (como os atores olhando para diferentes direções enquanto dialogam entre si), os travellings que vão em direção aos rostos dos atores e as paisagens cobertas de neve, que Haneke as filma de tal forma, que a impressão que dá é que aquele local é isolado do restante do mundo. A forma com que ele filma as crianças lembra também outra obra-prima, Village of the Damned, onde eles sempre andavam pela cidade agrupados, aparecendo nos locais onde os acontecimentos centrais ocorriam. 

 

O filme é um microcosmo horroroso sobre a Alemanha daquele período, utilizando ferramentas do gênero apenas como base da trama. E mais assustador do que testemunhar aqueles incidentes, é notar a crueldade hereditária que Haneke pinta, numa hierarquização do mau que estarrece em função dos níveis que tomaria durante a segunda guerra mundial, período em que aquelas crianças seriam os representantes daquele país. É uma experiência intensa e, por vezes, chocante (que final!) - arrisco a dizer, a melhor das que Haneke já fez.

 

Quanto a esse esquematismo que o Gago reclamou, considero-o totalmente perdoável, já que ele pega emprestado as características típicas do gênero "filme de cidade pequena" e adequa-as a maneira que lhe interessa (a paixãozinha do professor como único sinal de amor verdadeiro de todo o filme, por exemplo). A verdade é que nem me fez falta.

 

Anyway, o melhor filme de 2009, até o presente momento.

 

P.S.: (SPOILERS)

 

Achei interessante aquela metáfora do pássaro. Quando o filho do padre o pede para ficar com ele e este mostra uma faceta um tanto mais bondosa, é como se víssemos um novo personagem surgir, um que mostra-se mais delicado com o filho. Porém, quando o pássaro é morto, qualquer resquício desse novo lado do padre desaparece. O pássaro, no caso, representa a esperança de Haneke sobre aquelas pessoas - e que, como ocorrera com a Grace em Dogville (filme de óbvia semelhança a este), dera sinal ser infrutífera.
Lumière2009-11-14 14:15:42
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  • 1 month later...

Eu tentei ignorar a advertencia inicial do filme (alusão ao nazismo?).

Alguns acham que Haneke deu uma visão germanista ao filme.

 

Sou avessa filmes em P&B mas aqui não poderia ser filmado de outra maneira.

A ausencia de cor parece cororborar com a opressão toda dali.

 

Uma das cenas mais duras é  qdo Martin tem que ele mesmo buscar a vara com que será castigado...aff!
MariaShy2009-12-29 16:05:15
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Sou avessa filmes em P&B,

[/quote']

 

 

pq?

Eu acho que tudo, cada detalhesinho de cenário, vestuário e mesmo expressões ficam mais nitido com cor.

Pior que que alguns filmes como "O Homem elefante" ' mesmo esse aqui, tão me fazendo mudar de idéia!

 

Aí é que você se engana, Shy.

 

O pessoal da Alemanha nos anos 20 conseguiam coisas maravilhosas com o P&B, sem falar no noir que não seria o mesmo sem o uso amravilhoro do chiaroscuro para expressar os tormentos dos personagens envolvidos em sua teia sinistra. Isso só para ficar em dois exemplos emblemáticos.

 

Tudo depende da maneira com que você utiliza os recursos que você têm (ou a falta deles).

 

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  • 1 month later...

 

Ainda não vi o filme' date=' mas como sou fã de Haneke, busquei mais informações sobre o filme aqui e... Nada!!?? 09

[/quote']

 

 Poxa, gente! Colocar o nome do tópico em alemão é foda, né? rsrs  Foi mal Beckin. 08

 

 Abaixo, link com entrevista do cara à Folha de São Paulo. Observações imperdíveis e que fala muito sobre o artista que é. Destaque para o conceito do que é Cinema pra ele...

 

 
Deadman2010-02-12 09:57:43
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8.5/10 - Eu assisti e gostei. O que mais me impressionou foi que o Haneke assina o filme de uma maneira, digamos assim, mais artística, mas não deixa de ser o Haneke de sempre. E não quero pregar aqui uma aversão ao explícito, afinal tudo depende da forma e do contexto, mas gostei da maneira sutil e até elegante com a qual ele monta as sequências, ou seja, tudo fica muito mais no poder da sugestão do que na exposição, seja nas sequências de choque ou naquelas com maior carga dramática. Com relação a abordagem das raízes do nazismo, embora tenha um caráter investigativo, a narrativa não funciona para descobrir quem é o culpado, mas sim mostrar como aquelas histórias influenciaram esta geração anterior à Primeira Guerra e ao nazismo. Faltou uma mãe a esta geração já que as mulheres eram submissas e humilhadas e os pais eram autoritários, opressores e donos de um falso moralismo. Para o Holocausto parece muito longe (ou não, dependendo do ponto de vista), mas digamos que este é um passo. Fotografia maravilhosa, por si só já é opressora pela ausência de cores, iluminação natural, trilha apenas quando um instrumento é utilizado em cena. Só não acho que é genial pq acho que Haneke poderia ter sacrificado a postura artística do filme e/ou até de algumas histórias ao longo de seus longos e, às vezes, irregulares 145 minutos.

 

PS: Não estou usando o tempo como "desculpa", antes que venham dizer...
Thiago Lucio2010-02-16 19:49:56
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