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Forum Cinema em Cena

O Que Você Anda Vendo e Comentando?


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Estou viajando, e fechado para filmes. Só levei um livro, "On The Road", do Jack Kerouac. E o terminei no meio da estrada. Foi uma experiência fabulosa, não sei por que adiei tanta sua leitura, qua dialoga tanta com o meu ser, em vários níveis. 

Premido pelo efeito do livro, tive de rever o filme de 2012, do Waltinho, no Youtube mesmo. Eu gostei bastante à época, e lembro de ter defendido com veemência uma indicação de Ator Coadjuvante para o Garrett Hedlund. Fato é que o filme é uns 85% fiel ao livro, o que é uma porcentagem alta, em virtude da quantidade de eventos relatados. Lembro de não haver gostado do que me pareceu "gratuitades": personagem atender a porta nu em pelo; o visual desvairado da Amy Adams; inúmeras cenas de dança como forma de libertação; o ritmo da última fase do filme...Mas, gente, que equivocado eu estava nesses pontos. Está tudo no livro, não são exageros, ou deficiências do filme que chegaram caídas do espaço. É tudo textual. 

Tendo o livro dentro de mim, e o filme nos olhos, percebo que seu maior problema é se focar nas "ações" enquanto o que mais importa no livro são o clima e as descrições fabulosas (à medida que o livro avança o texto vai ficando cada vez mais lindo, a parte final é um primor - e no filme é um saco), libertando a prosa americana de uma linguagem europeizante. Há um cheiro de gasolina no livro. No texto, há muito mais "marcha estradeira": descrição de caronas; dormidas fatigadas em estações de ônibus; disputas de rachas; fugas do controle rodoviário...O fator "estrada" é muito mais presente. Há um cheiro irressistível de sexo no livro. Há uma afronta ao conservadorismo americano. O cinema, todavia, pede ações, então, infelizmente, todos os cheiros e climas se esvaem, e fica parecendo que os caras são apenas idiotas narcísicos, sonhadores vãos... Há também algo na parte técnica que difere do livro: o perrengue das viagens era pesado, mano! Eles não tinham dinheiro mesmo. Os carros usados se desmanchavam pelo uso. No cinema, ao contrário, está edulcorado demais. A parte técnica, a parte visual, embelezou demais os cenários, os automóveis, os figurinos...Eu gostaria que o filme fosse mais "sujo", mais mundano, mais "feio" do que é. Fica difícil fazer algo mais feio com o brilhante fotógrafo (De "Na Natureza Selvagem", e do mais recente "Amor atè as Cinzas", filme chinês que eu amei e relatei aqui recentemente) Eric Gautier por trás.... Outra coisa que não gostei de jeito nenhum foi a alteração da primeira frase do livro. Eu abri o livro pra conferir e mal pude acreditar.  No filme, Sal diz que conheceu Dean pouco depois da morte do pai. Mas no livro é pouco depois que ele se separou da mulher. Isso tem até uma dimensão maior...

Um acerto do filme, entretanto, - ninguém fala sobre isso - é que ele retratou bem a "brotheragem perigosa" (como os gays costumam brincar) nessa história toda entre Dean e Sal...Existia uma admiração ali que roçava a bissexualidade o tempo todo. O Waltinho não deixou isso escapar. Não deixou essa faceta ficar, por pudor, como algo lateral na história. Em muitos casos, a amizade entre homens, frequentemente, explode. Vem uma fluidez não sei da onde. Talvez da juventude, mas, seja por que estrada for, a amizade cria uma geometria diferente.

Um dia alguém terá coragem de escrever que a literatura beat, o principal movimento literário norte-americano do século XX, foi feita, basicamente, por bissexuais loucos de si: Burroughs, Kerouac, Neal Cassady (mais como símbolo) e Ginsberg. Loucos, em suas loucuras que queimam. Todos com algum grau de amor um pelo outro.

 

Katrine De Candole, Maria Von Ritchie Lopez, and Aurora Maria Lopez in On the Road (2012)

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Vamos lá, chuchus. Nos brindem com seus comentários. E não vale só o nomezinho do filme.

"Baby Driver" é uma divertida matinê onde o roteiro batido não é o que interessa, mas sim o som e música, que são é mais um personagem ativo da estrutura do longa. Divertido,é mais um musical travesti

Barbie and the Rockers: Out of This World (Bernard Deyriès, EUA, 1987)   Os personagens são tão falsos quanto se tivessem sido criados para um material de ensino de inglês. Até mesmo Barbie, a única

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Godzzila 2 é um filme de monstros super bem feito mas que empolga nadicas, e olha que o primeiro não achei lá essas coisas que dizem. Filme de monstro tem que ter monstro mas aqui eles pouco aparecem, e quando o fazem é na total escuridão de forma a esconder o CGI porco. Não bastasse, os arco raso dos personagens é bem mal resolvido e piegas que beira dramalhão. Sei lá, é o caso do trailer ser infinitamente superior á obra mesmo. 7-10

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Darlin é a esperada sequência de foderoso e imperdível indie The Woman (que já era continuação do marromenos The Offspring) mas que decepciona fazendo jus á maldição das "terceiras partes". Se o anterior era um discurso original e dark contra o abuso, este aqui dispara pra todo lado (principalmente pra igreja) que beira a caricatura. E as interpretações? Pelamor.. creio que uma ou outra coisa se salva. Nem o gore ajuda. Uma pena, esperava no mínimo decente de fecho desta trilogia. 7-10

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8 hours ago, Jorge Soto said:

Godzzila 2 é um filme de monstros super bem feito mas que empolga nadicas, e olha que o primeiro não achei lá essas coisas que dizem. Filme de monstro tem que ter monstro mas aqui eles pouco aparecem, e quando o fazem é na total escuridão de forma a esconder o CGI porco.

Mas peraí! Nesse aqui os monstros também não aparecem?

Eu tinha perdoado isso no primeiro filme porque achei que aqui apareceriam mais, mas se for ficar na mesma coisa, com eles se escondendo, dispenso...

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2 hours ago, Jailcante said:

Mas peraí! Nesse aqui os monstros também não aparecem?

Eu tinha perdoado isso no primeiro filme porque achei que aqui apareceriam mais, mas se for ficar na mesma coisa, com eles se escondendo, dispenso...

Aparecem, mas de forma bem porca e sempre no escuro... o filme dá preferência aos dramalhões rasos dos personagens, principalmente o da pirralha, e parece nem se importar com a inverossimilidade do que é apresentado - vai vendo,  a atriz leva a filha traumatizada pro trampo dela como quem leva pro parque de diversões, onde tem um monstro colossal confinado que pode tocar o terror a qualquer momento.. ? são pequenos detalhes que somados chutam o pau na tal suspensão da descrença que depõem contra o filme.. ?

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On 8/6/2019 at 1:13 PM, Jailcante said:

Brochante isso. Desanimei em querer ver o filme.

assiste aí, Jail...vai que tua percepção difere da minha....?

 

Journal 64 é um ótimo thriller policial que faz jus á cinesérie sueca dos casos resolvidos pelo Departamento Q e dá continuidade á ótima trilogia original. A trama te pega já logo de início e a investigação é pura, sem deixar pontas soltas. Com boas atuações, tema atual e suspense bem dosado, este "noir nórdico" realmente se firma como uma das mais bacanudas sagas criminais européias, revitalizando os clichês das produções ianques. Que venha mais um! 9-10

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Clown Motel é um horror horrível que nunca dá cagaço e sequer sabe explorar bem sua boa locação, que realmente existe. Pois é, com a chegada da sequência do It os palhaços voltaram a ter relevância no gênero, mas aqui é tudo muito pobre, quase amador. Ações absurdas, slasher mal feito, atuações sem personalidade tanto dos palhaços quanto vítimas fazem desta produção paupérrima dispensável. Vade retro, pelamor! 4,5-10

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Minha vez de conferir esse "Anos 90", dirigido e escrito pelo ator Jonah Hill.

É uma produção que se fia em retratar bem uma comunidade específica, em um tempo específico. O roteiro é pura "jogação da real", entre os personagens. Gosto bastante. Passa legitimidade, naturalidade.

Gostei muito da montagem. Gostei da direção. Gostei das atuações. 

A pré-adolescência vem ganhando mais espaço ultimamente no cinema.

Sunny Suljic in Mid90s (2018)

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Nightmare Cinema é uma bacanuda antologia de curtas de terror, do naipe de "V/H/S" ou "Creepshow". O legal é que há pouca irregularidade entre cada um dos 5 contos, todos bem feitinhos, mas tem dois poréns: o primeiro, uma deliciosa homenagem ao slasher oitentista, é disparado o melhor de todos, o que faz com que o resto não acompanhe este nível. Outro ponto contra é que o pobre "mestre de ceremônias" ser o Mickey Rourke, que mete medo mais pela bizarrice do que se tornou seu rosto botocado. 8,5-10

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Feedback é um adrenante thriller espanhol que confina seu ator principal num espaço exíguo e o coloca na mira do captor, quiném "Grand Piano", "Desconocido" ou "Phone Boot". O roteiro é bem enxuto, tenso e cheio de reviravoltas, mesmo tudo ocorrendo num único cenário. Violento, o porém é sua fraca mensagem de criticar a tal de "pós-verdade", tão recorrente nos meios de comunicação e redes sociais. Mas se ignorar isto e algumas liberdades artísticas, o filme diverte a contento pra passar o tempo. 8,5-10

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Finalmente visto.

Olha a situação: Todo mundo vai em busca de um Filme do Almodóvar e encontra ao mesmo tempo, o filme com mais Almodóvar, e menos Almodovariano.

Brincando com  os limites da autoficção, brincando com a metalinguagem, a semelhança de um "8 e 1/2" particular,  "Dor & Glória" me encantou basicamente pela inteligência sutil do roteiro. Não sei se muita gente reparou mas...em meio a tantas recordações do protagonista, sua adolescência e fase adulta não são mostradas nem uma única vez. Todo o filme se concentra em um jogo entre velhice-infância, as duas fases extremas da vida, as duas águas do telhado (como diria Machado de Assis). É uma maturidade muito grande de Almodóvar entender isso. Deixar de lado a "carne trêmula", os ardores do sexo, as bizarrices do submundo, as fantasias da fase adulta...O que é mostrado de si, agora, são, como disse, aquelas duas fases da vida. Achei muito inteligente e diferente.É um outro registro do cinema dele.

Em matéria de Oscar, acho que é possível imaginar o filme presente em Filme Internacional, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator (Banderas, premiado em Cannes, talvez uma quinta vaga), e Melhor Trilha Sonora (Alberto Iglesias - seria sua quarta indicação). Não vejo o filme ganhando, entretanto. 

Ao escolher , como é dito expressamento pelo seu alter-ego, o controle, a contenção, e a redução do melodrama, Pedro Almodóvar também diminuiu a voltagem pop, que faz ganhar prêmios. Mas que sabiamente faz desse seu novo filme um produto especial.

Amei!

 

Antonio Banderas and Penélope Cruz in Dolor y gloria (2019)

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Todos nós sabemos que Quentin Tarantino é um eterno apaixonado pela sétima arte. De forma tão ousada, e às vezes irresponsável, o diretor sempre fez dos seus filmes uma verdadeira salada ácida de gêneros, referências e homenagens ao universo "pop". No seu novo filme “Era Uma Vez em... Hollywood” temos sua versão mais humana, sutil e amadurecida, em cima de uma história agridoce que merece tal abordagem.

A trama gira em torno do ator decadente Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu amigo dublê Cliff Booth (Brad Pitt), dupla que tenta se adaptar a uma Hollywood que passa por mudanças sociais e culturais, às vésperas de uma tragédia (esta ocorrida na vida real) que foi orquestrada pela “família Manson”. Tarantino nos coloca numa corda bamba emocional, oscilante entre a inocência cinematográfica daquela "terra dos sonhos", e o inevitável cinismo que começa a surgir após seu lado obscuro começar a ganhar forma...

Los Angeles é retratada com cores quentes, as quais se entrelaçam com o calor humano fornecido pelos personagens. Não à toa, as performances de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt são hipnotizantes e recheadas de nuances, tanto nos momentos cômicos como nos momentos dramáticos – e arrisco dizer que Pitt chega a quase roubar o filme para si. E Margot Robbie interpreta a saudosa atriz Sharon Tate de forma quase lúdica, como uma representação da imagem romantizada que temos de Hollywood. Há ainda uma galeria de personagens “secundários” que, de forma um tanto episódica, deixam sua marca pitoresca na tela.

Porém, nem tudo é perfeito, pois há um exagero na quantidade de homenagens cinematográficas que “apenas os fortes entenderão”. Os diálogos também não atingem sempre a genialidade trivial que costumava nos prender em cada cena da filmografia do diretor. Após alguma irregularidade narrativa, entramos no último terço do filme, no qual a tensão e suspense dominam de vez as nossas expectativas, e no qual temos também uma memorável e audaciosa cena dentro de uma casa – uma pequena obra prima por si só, “directed by Quentin Tarantino”.

Pequenas falhas à parte, “Era Uma Vez em... Hollywood” é um filme diferenciado de um diretor que costuma ser acusado de se repetir nas suas obras. Da comédia ao drama e suspense, passando pela declaração nostálgica de amor ao cinema, Tarantino faz deste o seu filme mais homogêneo e menos exagerado... e possivelmente, uma alusão tocante a qualquer pessoa que esteja prestes a entrar na fase mais decadente da vida. De alguma forma, podemos nos identificar com a tristeza de Rick Dalton, e podemos ver também a face real de Hollywood.

Nota: 7

cartaz-nacional.jpg

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MELHOR FILME DO ANO!!!!

Fantástico, sublime, mágico, extraordinário!

A Palma de Ouro em Cannes não poderia estar em melhor mãos.

Estou sem palavras e sem fôlego diante de tamanho talento. 

Penso em "Teorema" de Pasolini, penso nos irmãos Coen, penso em Claude Chabrol.

Será que algum diretor no mundo sabe preencher a parte central de um enquadramento tão bem quanto Bong Joon-Ho? Não é estático de um jeito Wes Anderson, é completamente teatral e fluído. "Parasite" é maravilhoso! Há uma dimensão de chão, remetendo ao título, com os atores rastejando nos cenários, se escondendo por debaixo dos móveis...ai, é sublime demais.

Oscar pra Coreia do Sul em Filme Internacional: Fato!

Consigo vislumbrar uma indicação a Melhor Roteiro Original e a Melhor Diretor.

É impossível essa obra-prima passar batida pela Academia.

Não satisfeito em fazer o melhor filme do século, até agora, Bong Joon-Ho agora faz mais um.

 

Kang-ho Song, Hyun-jun Jung, Sun-kyun Lee, Yeo-jeong Jo, and Woo-sik Choi in Gisaengchung (2019)

 

 

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A Dog´s Journey é a fofucha continuação do bunitinho "As 4 Vidas de um Cachorro". O filme tem outra estória e não precisa ter visto a produção anterior. E sim, tem um público bem definido: amantes de pets (eu!!). Melodrama até o talo, muita informação em pouco tempo, música sentimentalóide, pieguice, etc e tal.. Um filme que não se furta em reverenciar o "american dream e way of life" sob vista dos totós. O legal é que os pulguentos são reais e não bonecos de CGI. 8-10

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Mulberry Street é um bacanudo terror sobre um surto de infectados (zumbis?) que reverbera o ótimo espanhol "[REC]" mas sob outra perspectiva. Independente até o sabugo da unha e com orçamento merreca, consegue o que muito blockbuster sequer chega perto.. gerar tensão constante. A pegada do holocausto visto sob a ótica da classe C é outro diferencial. Pena que seu desfecho e as atuações não estejam a altura do resto. 8,5-10

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Sextuplets é uma bobagem sem tamanho que tive que assistir por intimação da patroa. Sabe aquelas antigas comédias escatológicas do Eddie Murphy onde ele interpretava vários personagens sob pesada maquiagem, tipo Norbit ou Professor Aloprado? É a mesma coisa, só que aqui o Marlon Wayams ta longe de ter o carisma do eterno Tira da Pesada. Não recomendo, mas tem quem curta este tipo de filme onde se ri apenas de vergonha alheia. Tô fora! 5-10

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Inquilinos é um terror mexicano que dá um leve frescor a um gênero pra lá de surrado, o de casa assombrada. Mas só no comecinho, porque depois parece uma colagem de tudo aquilo que já foi visto e feito pelos ianques. Tem alguns (poucos) bons momentos, principalmente em termos de atuação, mas no geral o conjunto parece ser algo mais do mesmo, bem genérico. É eficaz sim, mas creio que tinha bem mais potencial praquilo que se propôs. 7,5-10

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Fórum atualizado; voltemos aos filmes!!

Esse "Phoenix" do alemão Cristian Petzold fez grande sucesso em 2014 e está explicado o por quê. É um romantismo gelado, passado na pós-Segunda Guerra, e com 5 minutos finais extraordinários! Pode-se até achar o ritmo arrastado, ou nossa latinidade requerer mais paixão nos personagens, mas...os últimos 5 minutos compensam tudo.

Atuação maravilhosa da Nina Ross.

Em 2018, Petzold faria o belo "Em Trânsito" , para novamente brincar com identidades e com os ecos do pós-guerra.

Nina Hoss in Phoenix (2014)

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Crawl é um divertido trash B com crocodilos feito com milhões que, sem pretensão alguma, se estabelece como uma das melhores do gênero desde a franquia Pânico no Lago. Sim, a premissa é ridícula, é um The Shallows com jacarés.. o que o aproxima ao ótimo tailandês The Pool. Tenso e repleto de reviravoltas, prato cheio pra quem curte claustrofobia, bichos vorazes e algum gore. 8,5-10

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Little Woods é um drama meio pesadão que só não afunda por conta da eterna Tessa Walkiria Thomson. Ela que consegue impôr um peso de ânimo maior á obra, pra lá de sombria. O filme em si e seu plot já foram vistos, o de ser raio x dos males americanos, mas aqui a pegada ta longe de ser superficial. Mas apesar de tudo pra outros pode soar alguma falta de imaginação na história. 8-10

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"Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro" tem a chancela, e parte do roteiro, de Guillhermo Del Toro, e sobretudo seu famoso apelo à "criaturas". 

Tem todos os clichês de um filme de terror adolescente: casa mal-assombrada; maçaneta que gira devagar; idosa catatônica; espantalhos mórbidos...Tem, portanto, uma tessitura pré-fabricada, e mais do que isso, um público alvo, cultivado ao longo dos anos pelo mercado cinematográfico. É filme pra fazer dinheiro, com a continuação já embutida, e tamos combinados assim.

Não entendi por que diabos o filme foi lançado em agosto, se claramente poderiam ter aproveitado o Halloween.

A cena final é uma homenagem pobre ao Kubrick?

Scary Stories to Tell in the Dark (2019)

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Gosto bastante de "Medo da Verdade" e de "The Town", dois bons filme de ação. Sempre que dá os revejo. "Argo", no entanto, não consigo ver de novo.

Fotografia matadora de Robert Elswit, sem falar na montagem maravilhosa de Dylan Tichenor ("Magnolia", "Sangue Negro"). Tudo que tocavam esses dois na época virava ouro. São fodas. 

O elenco conta com atores excelentes e mais o Affleck hehe. Jeremy Renner indicado ao Oscar novamente, num autêntico "afterglow". 

Acho engraçado como na maioria dos filmes de roubo no Estados Unidos, os crimes são "justificados" pela ambição individual, por algum desajuste familiar. No Brasil, e na América Latina, os crimes de patrimônio buscam ser "justificados" pela questão social. De qualquer forma, é risível para nós latinos a ideia de Boston como capital do crime. Dá um passeiozinho em Maracanaú-CE, Ben Affleck.

Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Blake Lively, and Jeremy Renner in The Town (2010)

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Como seria uma realidade sem a música dos Beatles (e, por tabela, sem coisas como Coca-Cola e a banda Oasis)? Pior ainda: como seria a atualidade se, após um apagão no planeta todo, apenas um músico frustrado lembrasse da existência das canções? E se esse músico se apropriasse da autoria de todas essas canções? Essa é a história fantasiosa e quase fabulesca de "Yesterday" (2019), novo filme do consagrado diretor Danny Boyle.

Além da sua trama básica, temos também um lado forte de comédia romântica envolvendo os dois protagonistas: o desajeitado cantor Jack Malik (Himesh Patel) e a sua fofa amiga Ellie Appleton (Lily James). Apesar da boa química entre os dois, há alguns clichês e situações forçadas do gênero ao longo do filme, o que nos faz perceber como o roteiro seria ainda mais forte se trouxesse maior detalhamento nos desdobramentos musicais e nos seus subtextos sobre desonestidade e falta de personalidade.

Por sinal, essa hipotética realidade evoca a questão "talento vs. mediocridade", visto que nem todo mundo possui o dom para compor obras épicas - algo intensificado pelas ótimas piadas depreciativas em cima das aparições do cantor Ed Sheeran na história. Há ainda alguns geniais momentos que exploram o anacronismo que existe numa atualidade fictícia em que essas canções nasceram tão afastadas de sua época e contextos originais (preste atenção nas cenas de “Hey Jude”, “Back in the USSR” e do “White Album”, por exemplo).

Boyle continua empregando classe em sua direção, mesmo em uma narrativa que não se arrisca e não ousa tanto em suas reviravoltas e questões morais. No geral, ele se mostra econômico em seus habituais maneirismos de cores e montagens, além de fazer com que a certa falta de carisma do ator Himesh Patel seja ironicamente funcional para a história e sua mensagem. Some-se a isso a dose de simpatia fornecida pela atriz Lily James e alguns outros...

“Yesterday” é, no fundo, uma bela homenagem à universalidade das canções dos Beatles, em que somos presenteados com uma nostalgia reverente e ideal para uma boa sessão ao lado da família ou dos amigos. A comédia é bem sacada, elegante e nada apelativa – em especial durante as (re)criações das músicas -, e o lado dramático pode te extrair pequenas lágrimas em uma ou duas cenas... Temos aqui um estado de inocência não muito distante do que sentimos ao escutar os sons dos garotos de Liverpool. All You Need is Love!

Nota: 8

cartazbrasil.jpg

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Como eu queria que esse filme chegasse aos reais destinatários...

A cada dia, me torno mais orgulhoso do meu ateísmo, e cada dia mais agradecido por ser filho dos Três Pais da Descrença: Darwin, Nietzsche, e Freud.

"Divino Amor" tem um roteiro em que o pensamento daqueles pais da descrença fracassou, e o fanatismo religioso, ao contrário, triunfou magistralmente em um Brasil do Futuro. Distopia das boas, e sabemos que ela é boa, quando o futuro é um alerta para o presente.

Design em azul e rosa (cores de bebês); Figurino quase de um armário da Record; duas antológicas cenas de sexo para ensinar o povo careta a transar...

Gabriel Mascaro é necessário, no Brasil atual, no cinema atual. Antes que tudo termine em uma rave gospel cheia de gente hipócrita vendo uma luz que não existe.

Amei!

Divino Amor (2019)

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Vi no Canal Brasil, ontem à noite, essa cópia restaurada do filme de Cacá Diegues, assinando, então, 1976, Carlos Diegues.

É uma comédia histórica barroca muito divertida, que ajudou a popularizar uma figura real do Brasil-colônia, transformando-a em mito popular. Pobreza técnica, desnível de atuações, mas...é assim que fazíamos, é assim que podíamos fazer, continua sendo intenção artística da melhor, é cultura, ora bolas.

A cena de Xica da Silva se apresentando ao Comendador João Fernandes é excepcional, um brilho radiante de Zezé Motta, de resto uma das melhores cenas do cinema brasileiro. Bem como ela esfregando a carta de alforria na cara das pessoas, com um sorriso do tamanho do mundo. Mas, vamos ser claros, essas cenas em específico, esse filme no geral, não seriam 1/3 do que são se não fossem a música-tema de Jorge Ben composta exclusivamente para o filme. Vocal espontâneo, quase uma narração do próprio roteiro. Pérola da MPB.

Walmor Chagas, Altair Lima, Elke Maravilha, and Zezé Motta in Xica da Silva (1976)

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