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Sobre "Divino Amor", escrevi em 21 de agosto de 2019:

"Como eu queria que esse filme chegasse aos reais destinatários...

A cada dia, me torno mais orgulhoso do meu ateísmo, e cada dia mais agradecido por ser filho dos Três Pais da Descrença: Darwin, Nietzsche, e Freud.

"Divino Amor" tem um roteiro em que o pensamento daqueles pais da descrença fracassou, e o fanatismo religioso, ao contrário, triunfou magistralmente em um Brasil do Futuro. Distopia das boas, e sabemos que ela é boa, quando o futuro é um alerta para o presente.

Design em azul e rosa (cores de bebês); Figurino quase de um armário da Record; duas antológicas cenas de sexo para ensinar o povo careta a transar...

Gabriel Mascaro é necessário, no Brasil atual, no cinema atual. Antes que tudo termine em uma rave gospel cheia de gente hipócrita vendo uma luz que não existe.

Amei!

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(196)

Fiquei um pouco decepcionado com este tão elogiado "Os Assassinos", de 1946, que concorreu a quatro Oscars no ano de 1947, entre eles Direção para o alemão Robert Siodmak, Trilha Sonora para Miklós Rózsa, e para o roteiro, inspirado em um conto de Ernest Hemingway.

É um policial noir. As características do estilo (e não do gênero, como me alinho ao jeito de pensar), estão bem presentes, o que fazem dele um dos grandes representantes dos anos 1940 para os estudiosos. Chama a atenção também por ser a estreia no cinema de Burt Lancaster, a vítima assassinada, o que não é spoiler, já que acontece nos primeiros 15 minutos. Um dos interesses da trama é esta, ela é contada em forma de flashbacks, em busca dos motivos que levaram àquele assassinato, ou melhor, por que a vítima deixou-se tranquilamente matar.

Poxa, tanta coisa boa, até inovadora para a época, mas a história se arrasta da metade para o final, com leves rompantes de vivacidade, quando Ava Gardner, belíssima, uma deusa, entra em cena. Mas fato é que as virtudes, no decorrer dos anos, são mais "históricas", do que de essência.

A história, em suma, não é tão legal assim.

PACHOVSKI: The Killers 1946

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Nadie Sabe Que Estoy Aquí é um bacanudo drama indie chileno que trata de solidão e infância perdida. É um filme de imagem, gestos e pouco diálogo, onde logo lembrei do ótimo uruguaio Gigante, de anos atrás. O ermitão recluso da civilidade (antiga crianca prodígio) é interpretado a perfeicão pelo Jorge Garcia (o gordinho do seriado Lost), um ator que eu nao dava nada antes deste filme, mas aqui é ele que carrega a producão nas costas. É um comedido feel good movie onde não tem como se emocionar na redencão do personagem, nos finalmentes.Em tempo, o ator canta realmente e tem uma banda fundo de quintal, o que deve ter ajudado a compôr o personagem. Grata surpresa da Netflix. 8.5-10

Ninguém Sabe que Estou Aqui (2020) | Cineplayers
 

 

The Unholy é um terror genérico do qual esperava bem mais, sendo fã desse gênero. Ele até comeca bem interessante feito aquele francês A Aparicão (pela temática similar de busca da veracidade aos milagres religiosos) mas logo não demora a mostrar sua verdadeira cara. Tem jump scare fácil, explicacão mastigada demais e muita pirotecnia digital desnecessária nos finalmentes. Num diretor indie menos convencional teria vingado coisa melhor e o bom protagonista desperdicado, o eterno Negan" Jeffrey Dean Morgan, aqui dá sinais que nem ele guenta esse tipo de filme, infelizmente. Ainda torco pra ver ele interpretando Thomas Wayne em Flashpoint.. mas sei não. 7.5-10

Damodar Cinemas

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Eu havia assistido dois filmes de Christian Petzold: o filme de fantasma hitchockiano Phoenix e o exercício de projeção Transit. Estes dois filmes olhavam para a Alemanha da II Guerra. Jerichow, de 2008, tem um olhar contemporâneo, porém não menos político. Adaptado do muitas vezes filmado The Postman Always Ring Twice, esta visão de Petzold é menos carnal que a versão de 81, por exemplo e foca não só na geopolítica desta Alemanha, mas também na relação de forças entre oprimido x opressor (economica, social, gênero). 

Novamente usando sua rigidez e frieza para a construção do romance e visual, Petzold viria a evoluir ainda mais na transgressão de gênero e na própria concepção de encenação. 

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Tale of Three Sisters é um bom drama turco que adapta uma peca russa, que desconheco. Aqui o filme narra a desgraceira de uma familia rural que tenta se livrar de suas filhas, mandado elas pra servir de empregada pra familias ricas como meio de "subir" de vida. É legal mas é muuuito arrastado, valendo mesmo pela boa performance do trio de protagonistas mirins e seus coadjuvantes. Como denuncia social ta valendo, embora peque por um ou outro deslize no enredo. Atente pras lindas paisagens montanhosas que o longa emoldura.. ainda ei de viajar praquelas bandas. 8-10

A Tale of Three Sisters (2019) - Posters — The Movie Database (TMDb)


 

Willy’s Wonderland é um terrir fraquinho que so vale pelo sempre canastrão Nicholas Cage, que aqui nao abre a boca no decorrer da hora e meia de projecão, destacando o que sabe fazer de melhor... suas caras e bocas! E o plot? Imagina um Brinquedo Assassino misturado com Pague pra Entrar, Reze pra Sair.. É um filme pra nao levar a sério diante de tanta bizarrice e nonsense, vai vendo.. brinquedos animatrônicos ganham vida e matam gente num parque...mas é tudo muito tosco, beirando filme trash. So vale mesmo pelo Cage, e olhe lá. 7.5-10

Killer Robots Tumblr posts - Tumbral.com

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15 hours ago, Muviola said:

Eu havia assistido dois filmes de Christian Petzold: o filme de fantasma hitchockiano Phoenix e o exercício de projeção Transit. Estes dois filmes olhavam para a Alemanha da II Guerra. Jerichow, de 2008, tem um olhar contemporâneo, porém não menos político. Adaptado do muitas vezes filmado The Postman Always Ring Twice, esta visão de Petzold é menos carnal que a versão de 81, por exemplo e foca não só na geopolítica desta Alemanha, mas também na relação de forças entre oprimido x opressor (economica, social, gênero). 

Novamente usando sua rigidez e frieza para a construção do romance e visual, Petzold viria a evoluir ainda mais na transgressão de gênero e na própria concepção de encenação. 

 

 

Este eu não vi! Gosto muito de "Transit", mas amo os 5 minutos finais de "Phoenix". 

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(197)

Netflix investindo nos clássicos trash? Tomara! Não resisti a "O Ataque dos Vermes Malditos", de 1990, figurinha carimbada das tardes do SBT. A crítica de Veja, Isabela Boscov, é uma das maiores defensoras desse filme, incluindo-o no panteão dos "cults".

Tudo é simples e funciona. Efeitos, elenco, e seu roteiro injustificável: Sem pensações sobre origens dos vermes, sem discurso político ou ecológico.

Apenas há vermes debaixo da terra e você precisa ir para o telhado. Puro joy!

O resto da saga, eu passo...

DICA DA SEMANA: O Ataque dos Vermes Malditos (1990) | Toca o Terror

 

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Sergei Loznitsa é um pesquisador das imagens soviéticas. Nesta obra, ele mescla filmes de propaganda com arquivos de "notícias". Pinta-se o mosaico de uma sociedade coesa, otimista e orgulhosa. Algumas passagens são engraçadas e eloquentes, como a reunião de pauta da "imprensa" e a decisão de mostrar a chegada de um trem.

Interessante perceber como Lenin é altamente citado e mostrado, mas há 0 referências a Stálin, pouco depois de Kruschev tê-lo denunciado por seus crimes.

Acho que a pergunta no fim é se tudo foi de fato uma desilusão ou se já havia a consciência desta grande cortina de fumaça 

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(198)

Em vários filmes, os personagens - erráticos, loucos - querem fugir para o Brasil. Desde "Bando à Parte", até "Antes que o Diabo Saiba que você está Morto". Mas em nenhum filme que eu tenha conhecimento, a ideia de o Brasil como refúgio é mais eloquente do que neste "I Live in Fear"/ "Anatomia do Medo", de 1955, de Akira Kurosawa.

O protagonista vivido por Toshiro Mifune, envelhecido em mais de 30 anos, é um industrial que vive atormentado pelo medo de uma guerra nuclear com bombas de hidrogênio. Desistiu de comprar terras e construir abrigos em solo japonês, para desenvolver uma ideia melhor, fugir para o distante Brasil. Já tem tudo mais ou menos esquematizado: viver em uma fazenda de café, com toda a família, nos arredores de São Paulo ( e, no final do filme, até o Amazonas é cogitado). O problema é que sua numerosa família é contra, e interpõe um incidente de sanidade, procurado evitar que ele - como diriam os antigos - arruine sua fazenda. A questão é: Ele é louco, ou realmente, num Japão, pós-Hiroshima, seu receio é justificável?

Um ótimo drama, com um roteiro muito bem construído, pois essa questão social se misturará a questões familiares. Quem ainda gosta do pai, quem vê nele um estorvo para sua vida pessoal, quem ainda o respeita, quem aborda as questões de um modo realista. A cena final é brilhante. O velho chefe de família contempla o sol e acha que é a Terra pegando fogo. Ual!

"Quem deseja viver no Brasil"?, pergunta uma das filhas moças.

Ninguém.

I Live in Fear (1955) - Rotten Tomatoes

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20 hours ago, Muviola said:

Sergei Loznitsa é um pesquisador das imagens soviéticas. Nesta obra, ele mescla filmes de propaganda com arquivos de "notícias". Pinta-se o mosaico de uma sociedade coesa, otimista e orgulhosa. Algumas passagens são engraçadas e eloquentes, como a reunião de pauta da "imprensa" e a decisão de mostrar a chegada de um trem.

Interessante perceber como Lenin é altamente citado e mostrado, mas há 0 referências a Stálin, pouco depois de Kruschev tê-lo denunciado por seus crimes.

Acho que a pergunta no fim é se tudo foi de fato uma desilusão ou se já havia a consciência desta grande cortina de fumaça 

 

"Minha Felicidade" é meu preferido dele. Mas não conheço muito.

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Blue Miracle é uma simpática matinê de Sessão da Tarde. Misture órfãos, competicão, redencao de perdedores, etc.. tá tudo lá. O elenco mirím manda bem mas quem se sobressai é o eterno carrancudo Dennis Fera do Rock Quaid. É um filme que se sabe de cor o que vai acontecer e parece ter sido feito pela Disney, mas o que faz é bem feitinho, sem querer ser demais pretensioso. Opcao bem água com acúcar prum dia frio e chuvoso que poderia muito bem ser uma versao mirim do famoso livro do Hemmingay, "O Velho e o Mar". 8.5-10

Ficha Técnica | Milagre Azul (Original Netflix) - Entreter-se
 

 

Bloody Hell por sua vez é uma bacanuda comédia negra indie resultado duma mistura de vários gêneros: torture porn, survival, heist movie, canibal movie, etc É um filme que parece ter sido feita pelo Sam Raimi ou por um Tarantino mais fumado. As atuacoes sao todas boas, menos a do protagonista principal (canastra demais) que nao bastasse faz dois papéis, dele e da "consciência" dele. Com gore e violência gráfica boas de ver, atente pras boas e hilárias sacadas nos diálogos. 9-10

Bloody Hell (2020) - IMDb

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No verão de 1816, Mary Godwin, seu futuro esposo Percy Shelley, Dr. Polidori, Lord Byron se reúnem na Suíça para um final de semana de discussões e desafios literários, bebedeira e outros tóxicos, que nos deu Frankstein e O Vampiro.

Ken Russel reimagina o encontro numa noite em que os medos de cada um somado às suas próprias castrações se tornam catalisadores para as futuras criações. 

Não espere qualquer sutileza; Russel é barroco, barulhento, teatral e repulsivo. Um iconoclasta. 

 

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Spiral é um filme mediano como um todo, ainda mais fazendo parte da franquia Jogos Mortais. É bom como thriller policial mas deixa muito a desejar como parte daquele universo do Jigsaw. Parece que precisou dessa griffe pra se alavancar. Vamos por partes: previsível, a trama você ja pela metade saca quem é o autor da carnificina e a tensão acaba por ai mesmo. Gore e armadilhas tem (mas poucas), sao bem feitas mas nao basta, acho que so os fãs vão curtir. Outra: Chris Rock NAO convence como policial sério nem a pau. É um filme muito bem feito na parte técnica mas que dificilmente se tornará o preferido entre os fãs da franquia. Deixa a desejar. 7-10

Spiral (2021) - IMDb

 

 

Benny Loves You é um razoável terrir britânico de bonecos assassinos mas este aqui se assume terrivelmente trash até o sabugo da unha. Pensa num Demonic Toys com mais grana, o que não é elogio. Ta mais pra Chucky com uma versao B de Ted. As atuacões sao muito toscas assim como a interacão CGI com atores, mas os efeitos práticos sao bons. O melhor é o personagem principal, o tal Benny, consegue convencer mais que todo elenco somado e o último ato consegue ser insanamente divertido. É um bom filme ruim que se tivesse sido feito pela JasonBlum teria vingado coisa beeeem melhor. 7,5-10

Benny Loves You (2019) Altyazı


 

 

 

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10 hours ago, Jorge Soto said:

Spiral é um filme mediano como um todo, ainda mais fazendo parte da franquia Jogos Mortais. É bom como thriller policial mas deixa muito a desejar como parte daquele universo do Jigsaw. Parece que precisou dessa griffe pra se alavancar. Vamos por partes: previsível, a trama você ja pela metade saca quem é o autor da carnificina e a tensão acaba por ai mesmo. Gore e armadilhas tem (mas poucas), sao bem feitas mas nao basta, acho que so os fãs vão curtir. Outra: Chris Rock NAO convence como policial sério nem a pau. É um filme muito bem feito na parte técnica mas que dificilmente se tornará o preferido entre os fãs da franquia. Deixa a desejar. 7-10

 

 

Benny Loves You é um razoável terrir britânico de bonecos assassinos mas este aqui se assume terrivelmente trash até o sabugo da unha. Pensa num Demonic Toys com mais grana, o que não é elogio. Ta mais pra Chucky com uma versao B de Ted. As atuacões sao muito toscas assim como a interacão CGI com atores, mas os efeitos práticos sao bons. O melhor é o personagem principal, o tal Benny, consegue convencer mais que todo elenco somado e o último ato consegue ser insanamente divertido. É um bom filme ruim que se tivesse sido feito pela JasonBlum teria vingado coisa beeeem melhor. 7,5-10

 

 

 

 

 Vendo filme, pra carai !!!

Não consigo lhe acompanhar mais.

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(199)

Normalmente, só teço loas a todos os filmes do Fassbinder, mas uma hora tinha que ver algo que não desse certo comigo, e chegou a hora. Este "O Assado de Satã", de 1976, é uma comédia muito louca, muito louca mesmo, inspirada no movimento teatral surrealista do francês Antonin Artaud.

Um poeta anarquista alemão está com problemas financeiros, depois de ter sido negado a ele um adiantamento. Sua crise financeira combina-se com um dessaranjo familiar, no qual a esposa o odeia, o irmão coleciona  e transa (!!) com moscas, além da coleção de amantes que o exaspera, uma das quais ele mata. No meio do filme, nosso poeta ainda vive uma crise existencial, e sexual, com as pessoas dizendo que ele é homossexual: "Gay? Por causa daqueles 5 caras do passado?!". Foi a única vez que dei risada. Vou adotar essa blague na minha vida...

No mais, o roteiro do próprio Fassbinder foi muito louco para mim, e as situações longe do risível. Me causaram mais irritação.

Aprendo na Wikipedia que o Teatro da Crueldade do senhor Arnaud criticava a própria racionalidade do mundo ocidental e da cultura do espetáculo. A dramaturgia, segundo ele, não devia preponderar sobre a encenação. Se for assim mesmo, o filme está de parabéns. Conseguiu levar para a tela algo similar. Pois aquele lado teatral do Fassbinder está na tela, maravilhoso em suas composições, mas dessa vez sem dialogar com a logicidade do drama (num sentido amplo) convencional.

Daí a recomendar essa experiência para alguém...

Filme O Assado de Satã Online Dublado - Ano de 1976 | Filmes Online Dublado

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13 hours ago, SergioB. said:

 Vendo filme, pra carai !!!

Não consigo lhe acompanhar mais.

que nada Serjão... é que agora to com pouco trampo entao sobra tempo pra ver minhas tranqueiras no hd, meticulosamente escolhidas pelo tempo de duracão (que nao deve ultrapassar hora e meia) ou pela patroa... passou disso nao guento nao..🤣

 

Synchronic é uma boa scy-fy com premissa interessante: uma droga sintética que promove literalmente breves "viagens" no tempo. Algo parecido com aquele Project Power. Mas é daqueles filmes simples, com pouco orcamento e bem contidos, mas nem por isso deixa de prender tua atencão pro que vem a seguir. Tem um quê de thriller investigativo e boas atuacões, embora muita info tenha simplesmente sido jogada no ato final, algo previsível. O eterno Falcão aqui manda bem como herói da vez.  8,5-10

Synchronic (2019) - IMDb

 


Dalida é uma razoável biografia da cantora francesa que empresta nome ao titulo, famosa na década de 60/80 e que vira e mexe o Tarantino coloca música dela em seus filmes. Como biografia peca por condensar (e omitir) informacao demais no enxuto tempo de duracao do filme, pois a muié teve uma vida tao zuada quanto intensa. As atuacães tao boas e a atriz principal manda bem no papel principal. A trilha é o forte, muitas músicas que eu recordo da minha mãe ouvia no rádio. Sim, é inferior ao ótimo Piaf, mas é superior aquela coisa horrorosa do Bowie, Stardust. 8-10

Dalida (2016)

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(200)

Do grande Majid Majidi, revi "A Canção dos Pardais", de 2008, que rendeu o prêmio de Melhor Ator em Berlim a Mohammad Amir Naji, pela sua esplêndida atuação. Do pai disciplinador de "Filhos do Paraíso" agora ele é o pai de uma menina quase surda (Dessa vez a questão não é a cegueira, como em muitos filmes anteriores do diretor), cujo aparelho de surdez cai em poço e estraga. Sem dinheiro para comprar outro, é ainda demitido da fazenda de criação de avestruzes, quando deixa uma das aves escapar. Precisará então ir para a cidade grande, Teerã, a fim de obter outro aparelho, ou tentar ganhar algum dinheiro. 

O filme é sobre o materialismo da cidade contaminando a "bondade" do homem do campo. Em Teerã sofrerá golpes de espertalhões, ficará ávido por acumular objetos que as pessoas jogam fora, bem como quase cairá em tentação de se permitir pequenas ganâncias, trabalhando como motoboy. Quando voltar ao campo, é que perceberá que o pouco que acumulou vale menos do que pensava.

É um filme cheio de simbolismos, cheio. Mas a cena mais bonita é várias vezes citada por aí: Majidi consegue fazer os personagens do campo tocarem as estrelas com as mãos. É brincadeira essa cena! Os homens e o céu se encontram na simplicidade. Torna-se possível ver beleza na pequenez dos pardais.

A Canção dos Pardais, diretor Majid Majidi * Melhores Filmes

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(201)

"N`um vou nem falar nada!!" 

Um dos mistérios do cinema, na minha opinião, é por que "Pasqualino Sete Belezas", de 1975, caiu no esquecimento. Não bastasse a obra-prima que é, o filme ainda foi indicado a 4 Oscars, inclusive Melhor Direção para a italiana, e ainda viva, Lina Wertmüller, tornando-se a primeira mulher indicada na categoria. Outras indicações, em 1977: Filme Estrangeiro (que, surpreendentemente, perdeu!), Roteiro Original, e Melhor Ator para Giancarlo Giannini. Mesmo assim, é um filme esquecido.

Uma obra excêntrica, fora da curva, extremamente original, que mistura o horror do Holocausto com humor canastrão italiano. O que mais me impressiona, fora a atuação soberba, maior do que a vida, de Giannini, é a visão de mundo da Wertmüller. O protagonista é uma figura sórdida, um covarde, um pulha - e mais, um assassino, um estuprador - que o espectador deveria rejeitar, mas ele é construído de uma maneira incrivelmente humana, como alguém que fará de tudo para salvar sua vida. De tudo, mesmo.

Para no final, perceber que está vivo. Mas sem melodrama Schindler, nem satisfação religiosa, nem nada. Vazio. Uma cena extraordinária.

A tendência inicial é tratar os sobreviventes da guerra com uma aura de santo, mas esse filme tem a coragem e a destreza de quebrar essa quase inércia. Quantas pessoas terríveis sobreviveram? Algumas de pouco valor, baixo valor humano? E mesmo, assim, espantosamente, por serem humanos, têm algum valor?

Filmaço!

Pasqualino Sete Belezas | Amazon.com.br

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Os filmes de David Cronenberg costumeiramente ganham muito em revisões, por conta do caráter mais intelectual de sua obra. Sinto que este tendência fica ainda ressaltada na sua última leva de filmes, especialmente por focar menos nos horrores do corpo e adentrar o da mente. Foi assim com Cosmopolis e Mapa para Estrelas, e assim foi com este Método Perigoso. 

Eu assisti este no cinema em 2011. Lembro-me de haver saído frio da sessão, por conta de enredo, seu aspecto teatral (o roteiro de Christopher Hampton é baseado em sua própria peça, que foi baseada num livro de mesmo nome) e seu caráter missivo. No entanto, na época eu não estava preparado para acompanhar o que estava sendo mostrado na tela e ao rever hoje, me senti muito mais preparado. Muito disso vem de um início tardio de minha própria análise e também leituras da área (principalmente Freud e Lacan, não tanto Jung). 

100 minutos de sucessivas batalhas: o poder ego, judaísmo x protestantismo, sexualidade, ética médica, método científico. E Cronenberg faz um uso muito interessante nas sequências de diálogo; ao invés de usar o plano/contraplano, ele faz uso do split-diopter, marcando a disputa de poder e também fazendo alusão a uma sessão no divã. 

O design de produção é sempre um grande chamariz de suas obras, com seu apuradíssimo olhar para os materiais científicos, fora também a parceria com Howard Shore na trilha sonora, que nunca passa batida. 

Mudei inclusive minha percepção da interpretação de Keira Knightly, cujos gestuais, que haviam incomodado, passei a compreender muito melhor (só o sotaque que ainda acho um pouco estranho). 

Recentemente, li que Cronenberg vai começar nova produção com Viggo Mortensen. Não vejo a hora de vê-lo e, principalmente, revê-lo. 

Screen Shot 2021-06-03 at 19.50.08.png

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18 hours ago, Muviola said:

 

Mudei inclusive minha percepção da interpretação de Keira Knightly, cujos gestuais, que haviam incomodado, passei a compreender muito melhor (só o sotaque que ainda acho um pouco estranho). 

 

 

Este Fórum desceu o pau na atuação dela na época, lembro bem.

Quando penso em Jung, lembro-me de uma anotação de Freud, com aquele humor maravilhoso, mas decepcionado com o ex-parceiro: "Sempre precisei na vida de um amigo e de um inimigo, sendo ambos, em geral, a mesma pessoa"

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(202)

"N`um vou nem falar nada!!"

Polônia, fim da Segunda Guerra Mundial, um pianista tenta sobreviver...Já viu este filme? Pensou errado. Trata-se do maravilhoso, extraordinário, "Kanal"/ "Esgoto", de Andrzej Wajda, de 1957. O que é isso? Caramba!

Aproveitando-se da morte de Stálin, Wajda conseguiu produzir este filme que compõe a segunda parte da sua chamada "A Trilogia da Guerra".  "Kanal" centra-se sobre o episódio do Levante de Varsóvia. Para quem não está muito familiarizado, em 1944, remanescentes do exército polonês e civis tentaram tomar a cidade de Varsóvia, na expectativa de que o exército russo, às margens da cidade, derrotasse os alemães e acabasse com a aquela agonia. Era uma chance também de os poloneses "chegarem primeiro" pensando a futuro. Porém, Stálin refreia a invasão de propósito e o levante é derrotado. Sempre lembro de uma definição de Susan Sontag, minha ídola máxima, chamando a Polônia de "O Cristo da Europa". Como sofreram! 

O filme mostra os últimos soldados lutando na cidade quase destruída por completo, como mostram as incríveis imagens históricas que abrem o filme, pare depois mostrá-los fugindo pelos esgotos da cidade. É sufocante. É degradante. É nojento. É arrebatador! Mas o início do filme também me ganha, mostrando o dia a dia possível daquelas pessoas, discutindo sobre música, tentando fazer sexo, tendo crises de ciúmes... A vida acontece mesmo atrás de um pedaço de parede.

O maravilhoso design do cartaz reproduz uma das muitas cenas fantásticas deste filme.

Prêmio do Júri em Cannes em 1957, em empate com "O Sétimo Selo".  Cinquenta anos depois, Wajda filmaria outra presepada russa, no seu indicado ao Oscar, "Katyn".

Amei!

kanal 1957 | Kanal Andrzej Wajda Classic Wwii 1958 Super Rare Yugoslavian  Movie… | Theatre poster, Movie directors, Classic

 

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The Empty Man é um bom thriller de terror scy-fy bem zen que emula Candyman, filme de sitas ou cultos sinistros e policial investigativo. A mistura dá certo até certo ponto, principalmente no quesito thriller investigativo. Mas no quesito scy-fy deixa a desejar porque muita coisa fica em aberto, a cargo do espectador. Ele prende sim, mas falta alguma coisa mais, porque a interpretacao do cara principal ta boa e a atmosfera criada é bem medonha. Outra coisa: a duracão excessiva depõe contra, uma meia hora menos cairia bem ao conjunto.  Baseado numa HQ que nao li. 8-10

The Empty Man (2020) - IMDb


 

Percy é um bom drama de tribunal do subgênero "homem comum versus mega corporacões" que dá pro gasto, principalmnte pela boa atuacao do sempre ótimo e hoje sumido Christopher Walken no papel principal, numa atuacao bem minimalista porém intensa. Sim, as vezes o filme fica cafona e sentimentalóide demais, mas so o ator eleva o todo a outro patamar. Aqui o drama particular se mistura ao drama ambiental, fora os embates teatrais clássicos de tribunal. Atente pras pontas ilustres que pincelam o longa em suas duas horas de metragem. 8-10

Percy Streams for the full movie | KinoCheck

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Ainda não vi TENET. Faltava-me ver também seu primeiro. Tirei este da lista.

Um zé-ruela, pretendente a escritor gosta de seguir pessoas pelas ruas. Uma delas pode ser um tanto perigosa...

A construção é estritamente um noir: o protagonista que é vítima de golpe e personagens ambivalentes. É até um pouco engraçado pensar em Nolan fazendo noir, visto que ele tem sua mania de explicar para a plateia o que está mostrando, algo bem distinto das tramas incompreensíveis do sub-gênero. Aqui, ele já faz uso da montagem não-linear, que apareceria posteriormente em outras obras, mas ainda assim insere seus momentos mestre-dos-magos. 

Outra coisa irônica de Nolan fazendo noir é o componente sexual associada a estas obras. Os filmes dele são notoriamente assexuados, por isso acho que este deve ser o único de toda sua filmografia que exale um minimo de sexualidade.

Batendo pouco mais de uma hora, temos aqui os princípios de muita coisa que veríamos posteriormente.

 

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