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Forum Cinema em Cena

Religião (#4)


Mr. Scofield
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Slash, não associe a crença religiosa das pessoas aos seus desvios de caráter. É como eu dizer que todo ateu apóia pedófilo por causa de UM ateu imbecil que defende pedófilos (e vc sabe de quem estou falando). É isso que estou discordando e não se trata de um direito meu, é uma constatação de um fato que nos ajuda a perceber a realidade de forma mais justa. 

 

E eu não duvido que o evangelicalismo, este que aí está, fará grandes estragos no país se chegar ao poder. Eu concordo com você. Mas eu não faço parte desse grupo. Isso aí é um sincretismo religioso importado dos EUA e, da mesma forma que lá, vai fazer muito barulho e estrago por aqui também. 

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Slash, não associe a crença religiosa das pessoas aos seus desvios de caráter.

 

Dook, aí que eu acho que você está enganado, o conhecimento exato da palavra de Deus afeta sim o caráter da pessoa, a própria bíblia diz isso.

 

Eu não vou muito com a cara dos Testemunhas de Jeová. Mas reconheço que eles foram vítimas do Nazismo luterano quando Hitler subiu ao poder. 

 

Você sabe porque?

 

 

 

  • A Bíblia disse que houve matança de inocentes nos tempos de Herodes. A História provou que não.
  • A Bíblia disse que o censo foi nos tempos de Herodes. A História provou que não.

 

Circunstancial, a história apenas não descobriu ainda.

 

 

 

  • A Bíblia disse que os judeus libertava prisioneiros na Pessach. Os judeus nunca ouviram falar disso.

 

Acredito que você teria que conversar com um judeu que viveu a mais de 2.000 anos atrás.

 

 

 

  • A Bíblia disse que nem todos os livros do mundo comportariam o que Jesus fez. Ninguém além dos redatores da Bíblia soube de nada.

 

É mesmo?Busque pela palavra "Jesus" numa livraria e veja o resultado.

Quanto aos daquela época, ninguém soube de nada porque não quis, que mandava naquela época proibia que se falasse em Jesus.

 

 

 

  • A Bíblia disse que todos os sábios e doutores se sentiram maravilhados com Jesus. Nenhum deles escreveu uma linha sequer.

 

Você sabe quais eram os sábios e doutores da época?

 

Mas vamos listar o que a bíblia disse:

 

- Terra é redonda séculos antes da ciência descobrir.

- "pele" do dente, séculos antes da ciência descobrir.

- Queda da Liga das Nações.

- Divisão do império de Alexandre o Grande.

- Reino de Sabá

- Outros que não lembro agora.

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Sem mais.

 

 

Perfect score.

 

Aliás, a coisa mais detestável do mundo é pessoa que acha que pode usar de uma condição sua que requer atenção da sociedade, de forma indiscriminada a fim de obter uma legitimidade totalmente sem base real através da criação de uma correlação injusta e/ou completamente inadequada de duas situações distintas (no caso a intolerância religiosa com o homossexualismo e o protesto no culto por ser o local de suposta disseminação de tais ideias). Há uma "falsa impressão de lógica" inicialmente, mas completamente errada sob uma análise mais profunda. Normalmente tais pessoas iludem várias outras utilizando-se de duas situações factíveis de modo independente mas que não apresentam a relação forçada por ela (ex. causa-consequência). Muitos não conseguem estabelecer correlação de ideias (afinal, nosso país mal sabe ler ou escrever de forma coerente, quanto mais aplicar raciocínios complexos!) e são completamente sugados por esses idiotas.

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Aproveitar e postar um outro vídeo aqui também:

 

http://www.youtube.com/watch?v=82z-LGd_RIk&list=TLJaMrQHFPkccFJacJHGeSi8hxaS1Qu0Qe

 

 

"Adoro" esse conservadorismo "brilhante". Se depender da mesma Igreja (SPQR) só os eruditos "bem nascidos" ficariam aqui postando em latim (língua devidamente morta como o império) de forma esnobe, mas com a cabeça para mudança das necessidades humanas do tamanho do cérebro de um estegossauro. Viveríamos como viveram a mais de 1000 anos atrás sem cismas e reformas (religiões Ortodoxa e os Protestantes mandam lembranças) até raça humana entrar em colapso. Alias crises religiosas, políticas dentre outras só ocorrem justamente quando as mesmas regiões e valores são imutáveis em seus dogmas, seus vícios, falhas etc.

 

 

Essa minha deixa final é para os herdeiros dos missionários das cruzadas disfarçados aqui. Eu mando lembranças deste ideal traiçoeiro de"admirável mundo novo", que de novo não tem nada. Mesma matriz podre, que caminha para o abismo de sede de poder por milênios trazendo de fato real as mesmas guerras, fanatismo, sacrifícios de inocentes e caos para bancar ordenadores e expurgar o livre arbítrio no processo de criar sua ordem elitista da mesmice.

 

“Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam”

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Algo interessante que li no facebook esses dias:

 

 

 

O assunto "Deus" é de uma importância sem parâmetros na história humana e em especial na literatura. Pense na incalculável literatura que gira em torno dEle. Você conhece livrarias especializadas em ateísmo? Do contrário, pense nas especializadas em religião. Deus é o assunto que mais gerou literatura em toda a história humana. E quando você pensa em um best-seller ateísta, que vendeu milhões de cópias, como, por exemplo: "Deus, um delírio" de Richard Dawkins, adivinhe por que vendeu tanto. Qual era o alvo do assunto mesmo? Creia ou não creia, mas o fato é que isso demonstra que Ele permanece sendo o assunto mais importante de nossas vidas."
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Mudando a toda hora? Conservadores! -_-

 

 Bem a reforma e contra reforma foram a mais de 400 anos. O cisma do oriente foi a mais de 1000 anos. Acho que não vejo essa mudança toda hora não. Alias toda religião muda com seu devido tempo, mas algumas especialmente as de matriz ocidentais são bem murrinhas para isto.

 

A prova disto é que BOA parte do conhecimento adquirido dos últimos 500 anos veio do oriente e não ocidente fechado em si mesmo. Boa parte da matemática básica com seus números arábicos conceito de zero, medicina, astronomia e mais criações como astrolábio, imprenssa, pólvora, metalurgia avançada etc. São apenas alguns dos muitos exemplos que tem dos avanços, que só vieram por conta de suas jornadas das cruzadas até as grandes navegações. Eu poderia ficar citando aqui o dia inteiro. Um exemplo desse engavetamento do saber feito pelos religiosos fanáticos daqui é os recentes estudos de células tronco entre outros dos avanços medicinais e biológicos. Alias vale lembrar que os hospitais só surgiram séculos depois do oriente a partir dos cruzados (hospitalários).

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Eu só não entendo porque vocês vêem ateísmo como algo a ser pregado.

Esse tipo de gente que tem que provar que não existe é tão recalcado quanto aqueles que vivem querendo te obrigar a acreditar em Deus.

Considero ateu aquele que não acredita e pronto. Gente que precisa rotular ou diminuir o outro por pensar diferente é sem sentido.

Acho tão estúpido alguém escrever um livro escrito Deus um mito, como alguém cobrar a importância do ateísmo porque não existem livrarias especializadas.

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Mudando a toda hora? Conservadores! -_-

 

 Bem a reforma e contra reforma foram a mais de 400 anos. O cisma do oriente foi a mais de 1000 anos. Acho que não vejo essa mudança toda hora não. Alias toda religião muda com seu devido tempo, mas algumas especialmente as de matriz ocidentais são bem murrinhas para isto.

 

A prova disto é que BOA parte do conhecimento adquirido dos últimos 500 anos veio do oriente e não ocidente fechado em si mesmo. Boa parte da matemática básica com seus números arábicos conceito de zero, medicina, astronomia e mais criações como astrolábio, imprenssa, pólvora, metalurgia avançada etc. São apenas alguns dos muitos exemplos que tem dos avanços, que só vieram por conta de suas jornadas das cruzadas até as grandes navegações. Eu poderia ficar citando aqui o dia inteiro. Um exemplo desse engavetamento do saber feito pelos religiosos fanáticos daqui é os recentes estudos de células tronco entre outros dos avanços medicinais e biológicos. Alias vale lembrar que os hospitais só surgiram séculos depois do oriente a partir dos cruzados (hospitalários).

 

Eu não falei em "mudança a toda hora", falei em "mudança ao gosto do freguês". Tem uma diferença enorme... 

 

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Dook

 

Vou ser sincero. Acho que devemos por um fim a isto da religião se por acima da sociedade. Pq toda vez que se enalteceu esse aspecto, desculpa dizer, mas a religião foi INJUSTA. Não por maldade propriamente tido(embora alguns religiosos tenham sido verdadeiros demônios), mas sim por conta da religião muitas vezes não conseguir se desprender de suas visões fechadas e até ultrapassadas sobre determinadas questões. Ao fazer isso, a religião acaba sendo INJUSTA, mesmo sem intenção. 

 

Vc viu o que o Papa Francisco falou recentemente sobre preservativo, aborto e homossexualidade? (depois vou postar aqui). Eu não sou cristão(e nem quero ser), mas achei isso super positivo para a sociedade. Talvez, espero eu, um primeiro passo rumo a solução de certas picuinhas que sempre existiram entre a religião e a sociedade como um todo. 

 

Enquanto o Papa Francisco tenta dar os primeiros passos rumo a uma mudança que com toda a certeza, será benéfica para o convívio entre religião e sociedade, alguns lideres pentecostais vão na contra mão, chegando ao absurdo de dizer que fiéis não devem denunciar pastores ladrões e corruptos, Que isso, acaba até em MORTE(é a máfia de Deus? Mata se abrir a boca?)

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Não entendi... como assim "se por acima da sociedade"? A religião faz parte da sociedade. Ela não é um ente separado. Deve portanto ser levada em conta, ainda que a sua posição seja descartada quando da tomada de decisões. Como já muitos vem falando, Estado laico é diferente de Estado ateu.

 

E como assim "visões fechadas e ultrapassadas"? Isto na sua opinião. O máximo que se pode dizer sem ser injusto é que é uma visão "diferente".

 

Eu não sei o que o Papa falou sobre preservativo, aborto e homossexualidade. De qualquer forma, se ele sinalizou com uma possível abertura sobre esses temas, sinto muito, o Bento XVI estava certo: estão conseguindo mudar a ICAR e logo logo a ICAR pode mudar de nome, pois não será mais ICAR, não será mais igreja, não poderá dizer que defende princípios bíblicos-cristãos.

 

Quanto aos líderes pentecostais, como já dito, o problema não é a religião em si, muito menos a Bíblia, mas a teologia torta abraçada por eles que determina seus posicionamentos, ações e decisões. É daí que sai caca. E só pra constar que não concordo com a posição do Malafaia de que tem que ficar quieto diante de sacanagens feitas por pastores e líderes. A Bíblia manda meter a boca nesses casos e em vários textos isso é não só incentivado a ser praticado como também é algo salutar para a vida na Igreja. 

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Eu não sei o que o Papa falou sobre preservativo, aborto e homossexualidade. De qualquer forma, se ele sinalizou com uma possível abertura sobre esses temas, sinto muito, o Bento XVI estava certo: estão conseguindo mudar a ICAR e logo logo a ICAR pode mudar de nome, pois não será mais ICAR, não será mais igreja, não poderá dizer que defende princípios bíblicos-cristãos.

 

O pessoal achou positivo o Papa ter feito comentários, digamos, menos ortodoxos sobre esses temas.

 

Mas é justamente o contrário! Quem é católico de verdade já vê esse Papa com muita, muitíssima desconfiança.

 

Fica a dica: se os secularistas, a mídia, os idiotas úteis aplaudiram, é de se desconfiar, no mínimo, que isso já não tem muito a ver com o Cristianismo...

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O que é ser um católico de verdade?

 

Se a Igreja Católica tem alguma virtude é a "malandragem". Acompanhe a história e verá como ela mudou muito ao longo da história.

Isto vale para qualquer religião: se ela não se adapta ao contexto histórico, ela vira uma relíquia do passado fadada a desaparecer. Rever alguns conceitos não é nenhuma aberração, mas o ticket para a inserção na sociedade.

Francisco não é nenhum tapado e sabe o que está fazendo, como um bom jesuíta que é, ordem criada para atualizar alguns pontos da Igreja Católica. Aliás, qualquer católico sabe muito bem o que significa um papa ter o nome "Francisco". São Francisco era o quê senão alguém que buscava renovar as bases da Igreja Católica?

 

Se o discurso do Francisco é atraente para muita gente além dos católicos mais "hardcore", ele está no caminho certo da pregação e divulgação da mensagem. Ponto para ele!

 

É como foi discutido umas páginas atrás. A Bíblia perde alguns trechos narrando a escravidão. Mas, ora, a escravidão fazia parte das relações sociais da época. Era uma instituição inserida num determinado contexto histórico. Absurdo ficar batendo nesta tecla hoje quando o escravismo tal qual é descrito na Bíblia deixou de ser uma instituição relevante. O contrário também vale: há inúmeras questões sociais contemporâneas que a Bíblia não contempla dado o intervalo histórico que separa a escrita da Bíblia e a leitura hoje.

 

Mas enfim, o que é ser um bom católico vai depender da definição. Entre um bom observador dos dogmas e rituais e aquele que prega o amor e a compaixão, fico com o segundo. :)

 

O Plutão tem razão neste aspecto.

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Ninguém em sã consciência segue ortodoxamente tudo dos livros sagrados como a milênios nem os ortodoxos de carteirinha, talvez nem os de sua época. As religiões e os seus livros sagrados deveriam ser guias, bússolas para viver bem em sociedade com os outros e não mantra do faz tudo da vida cotidiana, se tornando muitas vezes o dogmatismo fanático. Como alguns fazem. Alias não existe livro no mundo que ensina a viver a vida passo a passo. Cada um deve seguir seu caminho e aprender a conviver com as diferenças. Esse é caminho da sobrevivência na humanidade, se quisermos ter algum  futuro.

 

Aproveitando o rumo da discussão, me lembro de um texto que li dias atrás da superinteressante. Fica a dica para ilustrar ou esclarecer a discussão:

 

A bíblia como ela é

 

E se Moisés morasse em Nova York? Um jornalista americano decidiu passar um ano inteiro seguindo as leis bíblicas ao pé da letra.

 

Texto Marcos Nogueira

 

Jesus respondeu, e disse-lhe: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus”.

 

Disse-lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer”?

 

João, 3:3-4

 

Nicodemos não era burro nem ignorante. São Nicodemos, aliás, era um homem letrado, um rabino do sinédrio de Jerusalém – algo como o Supremo Tribunal da Judéia nos tempos bíblicos. Jesus falava de renascimento espiritual, mas o sábio tomou demasiado literalmente Suas palavras, como mostra o Evangelho de São João. Se até os contemporâneos de Jesus tinham problemas com tantas parábolas, metáforas e alegorias, imagine o que não ocorre às pessoas do século 21, desacostumadas ao estilo empolado em que os livros da Bíblia foram escritos, milhares de anos atrás.

 

Aqueles que interpretam a Bíblia ao pé da letra não apenas existem, como têm voz no gabinete presidencial dos EUA. São os fundamentalistas bíblicos. Eles crêem que o Universo foi criado em 7 dias de 24 horas e não duvidam que Matusalém tenha morrido aos 969 anos (e concebido um filho aos 187 anos). Mais: a palavra é a lei. Se os livros mandam dar o dízimo, lá se vão 10% da renda da pessoa; se os textos sagrados condenam a luxúria, é dever zelar pela castidade – a própria e a alheia.

 

O jornalista americano A.J. Jacobs fez uma lista de 72 páginas com mais de 700 regras, do Gênesis ao Apocalipse, que arbitram a conduta do homem comum. Decidiu que passaria um ano vivendo de acordo com os preceitos bíblicos, interpretando sozinho as escrituras. E encarnou o “fundamentalista máximo”, como ele define na introdução do livro que resultou desse projeto, The Year of Living Biblically (“O Ano em Que Vivi Biblicamente”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil).

 

Jacobs, um judeu que se define como agnóstico no início do livro, dividiu sua missão da seguinte forma: apenas os 3 últimos meses seriam dedicados ao Novo Testamento, exclusivo dos cristãos; os 9 primeiros abordariam o Velho Testamento, que cobre um período histórico muito mais extenso e também é adotado pelo judaísmo. Muitos dos ditames dos livros mais antigos já são observados pelos judeus de correntes ortodoxas.

 

No decorrer do tal ano bíblico, Jacobs foi se metamorfoseando numa espécie de Moisés a perambular pelas ruas de Nova York. Parou de aparar a barba (Levítico, 19:27), usou azeite como condicionador capilar e passou a vestir uma túnica branca (Eclesiastes, 9:8). Ainda no quesito ves­tuário, livrou-se das peças cujo tecido misturava lã e linho, pois a lei sagrada proíbe tal combinação (Levítico, 19:19). Jacobs esperava ser o único americano do século 21 a cumprir tal norma, mas encontrou um inspetor religioso especializado em examinar as roupas alheias ao microscópio, para detectar as fibras proibidas.

 

Julie, a mulher de A.J., não ficou lá muito contente com o novo visual do marido, mas foi outra regra bíblica que balançou a casa dos Jacobs: a proibição de tocar mulheres durante o período menstrual (Levítico, 15:19). Da porta para fora, tudo era uma maravilha para Julie. Ele não encostaria em nenhuma outra mulher, sequer apertaria sua mão, já que não poderia saber se ela estava ou não naqueles dias – exceção feita para uma colega da redação da revista Esquire, que lhe enviou as datas por e-mail. Dentro de casa, porém, a coisa ficou feia. A regra é clara e diz que a impureza da mulher menstruada se transmite para onde ela repousar o traseiro. Para contagiar o marido com sua irritação, Julie passou a sentar em todas as cadeiras do apartamento. Nosso herói não teve outra saída senão comprar um banquinho portátil que, quando dobrado, vira um cajado. Nada mais bíblico.

 

A esta altura, você já deve ter notado que uma boa parte das citações deste texto tem origem no Levítico. Esse é o livro que descreve o episódio em que Deus chama Moisés para o topo do monte Sinai e lhe dita os 10 mandamentos. Mas a coisa não acabou aí: Moisés passou 40 dias escutando as leis que o Senhor tinha a passar para o povo de Israel. Algumas diziam respeito à alimentação. Porco não pode (11:7). Coelho não pode (11:5). Escargot não pode (11:30). Camarão não pode (11:12), independentemente do tamanho – por acreditar que existam crustáceos microscópicos na água encanada de Nova York, alguns rabinos de lá recomendam o uso exclusivo de água mineral.

 

Jacobs obedeceu a todas as proibições.Mas o que de fato chamou sua atenção foi um alimento permitido: insetos saltadores (Levítico, 11:22). E por que diabos (ops!) comer grilos e gafanhotos? “A única referência a esse hábito na Bíblia é a história de são João Batista, que sobreviveu à base de gafanhotos e mel”, diz Jacobs no livro. O autor, então, agiu como o santo: encomendou uma caixa de bombons de grilo e, mui biblicamente, repartiu a refeição com um relutante amigo. Nojento? Talvez, mas nada mais que isso.

 

Já a ordem bíblica para apedrejar adúlteros (Levítico, 20:10) induz ao crime de assassinato. O sagaz Jacobs encontrou um jeito para obedecer à lei divina sem cair nas malhas da lei mundana. “A Bíblia não especifica o tamanho das pedras”, afirma. O que ele fez, então? Encheu o bolso com pedregulhos e foi à cata de uma vítima, o que deveria ser a parte mais difícil da tarefa. Eis que um desconhecido de 70 anos ou mais agrediu verbalmente nosso aspirante a beato, perguntando por que ele “se vestia como uma bicha”. Jacobs explicou que estava lá para apedrejar adúlteros. “Eu sou um adúltero”, disse o homem – e levou uma pedrada de leve no peito. Ponto para o vingador bíblico.

 

Manter escravos também não pega muito bem no Ocidente do século 21, mas era  prática corrente em todo o mundo na Antiguidade. O Velho Testamento, inclusive, traz instruções para espancar o servo sem causar sua morte imediata (Êxodo, 21:21) e recomenda não arrancar seu olho (Êxodo, 21:26), sob pena de ter de libertá-lo. Jacobs já havia desistido do personal escravo quando recebeu o seguinte e-mail: um universitário se oferecia como estagiário particular. “Qual é a coisa mais próxima da escravidão nos EUA?”, pergunta o autor. “Estágio não remunerado”, responde ele mesmo. “Caiu do céu.” O rapaz aceitou a condição do escritor – que exigiu chamá-lo de “escravo” –, mas o pior castigo que recebeu foi tirar algumas cópias xerox.   

 

Para que fazer tudo isso, afinal? O apedrejamento e o escravo foram apenas brincadeiras – embora o estagiário tenha realmente caído do céu. De resto, Jacobs não se ocupou somente de costumes exóticos e bizarros para faturar com o livro (a honestidade bíblica o obrigou a dizer que esse era, sim, um dos motivos de seu projeto). Ele impôs a si mesmo uma rotina de rezas (Salmos, 105:1), de caridade (Lucas, 11:41), de respeito às tradições de seu povo e aos idosos (Levítico, 19:32). Até palavrão ele parou de falar (Efésios, 5:4).

 

Essa parte menos espetacular do ano bíblico de Jacobs foi justamente a mais difícil. Para reprimir a luxúria (Oséias, 4:10), o autor cobriu com fita adesiva as imagens de potencial apelo sexual de sua casa – inclusive a foto de uma mulher vestida de gueixa numa caixa de chá. Não funcionou. O método mais eficiente de resistir à tentação, segundo ele, era pensar na própria mãe (aqui temos um claro abuso do voto de honestidade do autor).

Também a cobiça (Êxodo, 20:17) foi dura de controlar. Um dia, Jacobs listou as coisas que cobiçara desde a manhã: o cachê que outro escritor cobra por palestra, um computador PDA, a paz mental do fulano da loja de Bíblias, o jardim da vizinha, George Clooney e o roteiro do filme Como Enlouquecer Seu Chefe, de Mike Judd. E isso ele escreveu às 2 horas da tarde.

 

O maior desafio de A.J. Jacobs, contudo, foi a fé – que, convenhamos, é um requisito e tanto para ser plenamente bíblico. O escritor do início do livro é um homem de 38 anos, com um filho de 2 anos e uma enorme vontade de aumentar a família (Gênesis, 1:22). Ele não tem fé, mas sente falta de um alicerce moral para o próprio lar e mergulha na religião, um terreno desconhecido. Nos primeiros meses, sente-se desconfortável ao rezar; perto do fim do projeto, experimenta o êxtase místico – dançando feito um rabino louco ao som de Beyoncé, na festa de 12 anos (bat mitzvah) de uma sobrinha. Mas ainda se declara agnóstico.

 

Aparentemente, o cara conseguiu encontrar o sentido que buscava. E uma explicação, embora nem sempre convincente, para cada uma das regras bíblicas. A enorme barba, por exemplo, serve para indicar que se trata de um homem de paz. Um guerreiro nunca a usaria, pois o inimigo se agarraria aos seus pêlos – assim lhe disse um líder religioso em Jerusalém.

Jacobs encontra sentido até no mais estapafúrdio dos mandamentos, que ordena decepar as mãos da mulher que agarrar “as vergonhas” do oponente de seu marido em uma briga (Deuteronômio, 25:11-12). Aqui, a mensagem oculta é: a mulher causou vergonha tanto ao próprio marido (que venceu a luta injustamente) quanto ao inimigo dele. A interpretação rabínica das escrituras diz que a mulher que envergonha o marido deve pagar uma multa – a mutilação é metafórica.

 

Se os judeus aceitam como metáfora uma ordem divina e os cristãos ignoram muito do Velho Testamento – a vinda de Cristo teria anulado a necessidade de circuncisão, entre outras coisas –, quem segue a Bíblia ao pé da letra, de cabo a rabo? “Ninguém”, conclui Jacobs, “nem os fundamentalistas”. Quem se propõe a fazer uma leitura literal da Bíblia acaba sempre escolhendo o que vai obedecer.  

 

Eles vivem biblicamente

Testemunhas de Jeová

 

Não prestam serviço militar porque “todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mateus, 26:52). Não celebram o Natal ou outra data cristã, pois a Bíblia nada fala a respeito disso. Tampouco comemoram aniversários, pois as únicas menções bíblicas a eles são em festas de gente má – um faraó e um rei judeu mancomunado com os romanos. E repelem as transferências de sangue numa interpretação radical da frase bíblica “nenhum sangue comereis” (Levítico, 7:26).

 

Judeus messiânicos

 

No capítulo 19 do livro Números, há uma profecia a respeito de uma novilha vermelha, sem nenhum pêlo de outra cor, que deve ser sacrificada e cremada para a purificação espiritual de quem tocar suas cinzas. Acontece que os sacrifícios animais só podem ocorrer no templo de Jerusalém. O 2º templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos, e a construção do 3º templo marcará a chegada do Messias. Judeus ultra-ortodoxos dos EUA tentam criar a tal novilha na esperança de que ela seja o estopim dessa era messiânica. Até agora, sem sucesso.

 

Domadores de cobras

 

Alguns pastores da Igreja de Deus no sul dos EUA brincam com cobras venenosas como uma prova de fé. Eles fazem isso porque a Bíblia afirma que os homens de fé em Cristo “pegarão nas serpentes” (Marcos, 16:18). Uma interpretação menos literal diz que as cobras são, na verdade, dificuldades e provações.

 

Para saber mais

The Year of Living Biblically

A.J. Jacobs, Simon & Schuster, EUA, 2007. Versão digital disponível para download em: ebooks.palm.com

Bíblia Sagrada

www.bibliaonline.com.br

 

Link.: http://super.abril.com.br/religiao/biblia-como-ela-e-447269.shtml

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Defender o aborto é "pregar o amor e a compaixão"? Abrir as portas para isso é cristão? Ser conivente com o pecado é caridoso?

 

Para mim, é coisa bem diversa essa hecatombe de bebês assassinados por irresponsabilidade individual e conivência coletiva.

 

Além disso, essa história de acusar os outros de praticar os dogmas e não ter amor para com o próximo revela não apenas arrogância (pois todos os que acusam automaticamente se imbuem de um caráter profético e imaculado, no mais completamente falso, de que a falta de humildade é mais do que prova), como também não é novo.

 

Para ficar num exemplo recente, basta lembrar de "A Paixão de Cristo". Todos os "secularistas" se escandalizaram com o sucesso do filme entre os cristãos e logo trataram de dizer que o filme não era cristão, era apenas masoquista, e não refletia, assim, o amor do Evangelho. Isso foi dito hipocritamente, claro, uma vez que não acreditam nele e consequentemente nEle; assim como é hipócrita o P.Orco opinar sobre a boa ou má religião, justo ele que não sabe nada do assunto e quer o fim de todas elas. (Perguntem logo para ATEA quem é bom cristão...)

 

Sem entrar na discussão do título e portanto do tema do filme – não sei o que essa gente esperava de um nome como Paixão de Cristo (talvez uma participação privê de Maria Madalena) –, mas o fato é que os cristãos foram acusados por ateus, agnósticos e o caralho a quatro etc. de não serem cristãos...

 

Resumindo: mais um caso de "não são cristãos nem deixam os outros ser..."

 

Partindo do que disse acima, "se os secularistas, a mídia, os idiotas úteis aplaudiram, é de se desconfiar, no mínimo, que isso já não tem muito a ver com o Cristianismo...", posso concluir que, se os secularistas, a mídia, os idiotas úteis rangem os dentes, é porque o Cristianismo está incomodando, ou seja, está contrariando César, está sendo cristão.

 

Por fim, o que vocês desejam é que a religião curve-se e diga "amén" a César, isto é, ao Estado. Por isso, a Igreja parece mais "cristã" na visão de vocês quando defende valores defendidos por César, como o aborto e a homossexualidade. No fundo, admitam, vocês querem uma religião sem Deus, ou que César então seja o deus.

 

Mas isso é incompatível com o Cristianismo. E, assim sendo, vocês que "amam o próximo e praticam a compaixão" não terão opcão senão cruficificar Cristo, de novo e novamente até o fim.

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O “porco chauvinista” e talvez homofóbico do J. de Silentio acha que eu quero o fim de todas as religiões. Muito embora tenha dito com todas as palavras aqui no tópico em outras ocasiões da importância histórica, cultural das mesmas religiões. Religiões no plural, eu quero dizer todas. As religiões das matrizes além de base monoteísta, as de base animistas, panteístas, politeístas entre outras. Alias faltam muitas aqui que se quer são citadas. A não ser para denegrir em função de sua crença voltada para o próprio umbigo. Sempre tentei ser a favor de valores multiculturais e que deve se ter aceitação da humanidade em todas suas diferenças para ter um futuro.

 

Generalizar foi sua base ao criticar os ateus? Nós ateus dizem amém ao estado? Mesmo os anarquistas?  Vale lembra que o Vaticano é um estado. Vale lembrar que teocracia são estados nacionais também. Logo acho isto meio furado.

 

Eu quero religiões que respeitem os diferentes incluindo os homossexuais e que seja de fato justas. Para mim que sou ateu a religião mudando ou não me faz diferença. Contudo se elas quiserem segurar os fiéis elas terão que “aprovar o divorcio de reis” sim. A não ser que queriam a extinção como várias outras religiões ao longo da história.

 

Obs.: Gostei do termo "porco chauvinista" combina com você e vou chama-lo agora assim você J. de Silentio em retribuição ao P.Orco. Que tal? :)

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Testemunhas de Jeová

 

Não prestam serviço militar porque “todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mateus, 26:52). Não celebram o Natal ou outra data cristã, pois a Bíblia nada fala a respeito disso. Tampouco comemoram aniversários, pois as únicas menções bíblicas a eles são em festas de gente má – um faraó e um rei judeu mancomunado com os romanos. E repelem as transferências de sangue numa interpretação radical da frase bíblica “nenhum sangue comereis” (Levítico, 7:26).

 

Aqui cabem algumas correções, vejo que o escritor do livro não se prestou ao trabalho de nos conhecer.

 

- Não prestamos serviço militar por amor ao próximo.

-Não comemoramos o Natal ou outras festas "cristãs" porque a origem delas é pagã, como você mesmo deve saber Plutão e aí se incluí os aniversário.

- Não aceitamos transferência de sangue por conta do texto de Atos 15:28,29 - 

"Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: 29 de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!”

 

- Posso enquadrar aí também que nós não votamos, poís já escolhemos nosso governador (Jesus) e vivemos debaixo do Reino de Deus, somos súditos deste reino e, como Jesus disse, o reino dele não faz parte deste mundo.

 

 

Dook,

A expressão "Menina dos olhos" não está em Apocalípse, me desculpe.

Mas a parte de do livro que estou falando é esta:

 

12 “E os dez chifres que viste significam dez reis, os quais ainda não receberam um reino, mas eles recebem autoridade como reis por uma hora, junto com a fera. 13 Estes têm um só pensamento, e assim, dão o seu poder e autoridade à fera. 14 Estes batalharão contra o Cordeiro, mas, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, o Cordeiro os vencerá. Também [o farão] com ele os chamados, e escolhidos, e fiéis.”

 

Apocalípse 17: 12-14

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Não pegaram o ponto central sobre a necessidade de renovação. Não estamos falando de César ou de submissão à esfera política. Mas de sintonia com a sociedade, que é a própria base da Igreja, o corpo de fieis.

 

Mas bom, como definir o bom católico? O Silentio deu grande ênfase à Paixão de Cristo. Realmente, a Paixão é um dos trechos principais da Bíblia. Porém, nem sempre ela representou a mesma coisa que hoje. Aliás, dentro da própria Trindade, nem mesmo houve uma constância sobre qual pessoa seria privilegiada. Até o século XIII, valorizava-se mais a imagem de Deus-pai. A partir do XIV, o Deus-filho sofredor e glorioso. Nesta mesma época, começou também maior valorização da Virgem Maria.

 

Aliás, se forem observar a iconografia cristão perceberão que as representações variaram bastante com o tempo, enfatizando passagens distintas. Na Renascença era comum a representação do "Deus menino" nos braços da Virgem. Representava-se a dimensão humana de Deus e dava grande destaque à Maria. Nos primeiros anos do cristianismo era comum a representação do Cristo Pantocrator. Neste caso, raramente se fazia menção ao episódio da Paixão e ao sofrimento. Representava, antes de tudo, Cristo em glória e triunfante, após a ressurreição, portando as sagradas escrituras no momento do Juízo final. Neste caso, ao invés do caráter de expiação, era destacada a mensagem de Cristo. Ou seja, o elemento primordial era a segunda vinda de Cristo.

 

E é por isso que o filme do Mel Gibson foi criticado, principalmente pelos cristãos. O filme foi acusado de enfatizar o aspecto gráfico e de ter ignorado as mensagens de Cristo assim como a ressurreição. Aliás, o filme do Mel Gibson se aproxima muito das representações barrocas, momento em que o sofrtmento da Paixão ganha maior popularidade.

 

Não se trata de mera adaptação ao gosto do freguês. A Igreja passa por um momento crucial de renovação, e mais do que os discursos do Papa Francisco, foi o "pedido de demissão" do Bento XVI a grande evidência disso.

 

A questão do amor e compaixão não é fechar os olhos para o que se considera errado, mas evitar a reivindicação por alguém de exercer o papel de Deus e sair condenando as pessoas como a nossa pequena mente achar mais conveniente. Isso sim, Silentio, é o que chamo de arrogância. Amor e compaixão acompanham a humildade e a compreensão.

 

Não vou falar mais nada, só um exemplo perfeito do novo Papa:

sobre os homossexuais, ele simplesmente disse, "Quem sou eu para julgar um homossexual que procura Deus?".
Ou alguém aqui se acha qualificado o suficiente para dizer o que Deus realmente pensa e vai fazer?

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