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Nacka
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Vi o filme. Não sei o que dizer. Kielowski constrói um clima sufocante do início ao fim, creio eu para demonstrar a prisão que Julie seu auto-impôs. O silêncio permeia durante boa parte do longa, atos triviais e simplórios enriquecem o que ela se auto-impôs. Juliette Binoche consegue aqui, talvez a melhor atuação de sua carreira, já que a personagem é apática e raramente fala, o que impede uma atriz de dar dimensão a uma personagem, convenhamos. Isto é, impediria, caso Kielowski não tivesse escalado uma atriz tão competente como Binoche, que nem parece ser a mesma pentelha de Chocolate ou O Paciente Inglês. A atriz utiliza olhares com freqüência para mostrar a impessoalidade e o sentimento angustiante de Julie.

 

Os planos de Kielowski também são muito intrigantes. Geralmente atípicos, porém ajudam a compôr o clima do filme. A fotografia também é genial. A passagem final me lembrou imensamente os filmes de Lynch, com aquela surrealidade e sombriedade. A Liberdade é Azul é um filme lindo.10 Semana que vem alugo os outros dois.

 

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Sobre a resenha do Alexei, achei muito bom, excelente o trabalho de síntese dele. Seu tamanho é refletido pela duração do filme, que conta apenas com míseros 90 minutos para discutir um tema tão global como esse. Essa atitude aliás, só ressalta a eficácia tanto do texto quanto do filme, já que diz o que pretende sem rodeios, indo diretamente ao ponto. Ótima resenha.
Bernardo2007-11-11 17:15:50
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A Liberdade é Azul foi um marco na minha vida. Costumo dizer que esse filme foi um divisor de águas para mim, pois foi uma época em que eu descobri a verdadeira Sétima Arte (antes disso, assistia a filmes, digamos, "descerebrados"), quando era uma criança entrando na puberdade. Desde então, apaixonei-me pelo cinema europeu e, claro, pela Juliette Binoche.

 

Parabéns pela resenha, Alexei. Curta, mas bastante sucinta. 

 

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Depois do belíssimo texto do Alexei para o filme idem de Kieslowski, conferimos esta semana o texto sui-generis do usuário Fe Camargo para um filme da polêmica diretora, Agnieszka Holland. Desculpe Fe mas as fotos que você enviou com o texto não abriram e eu tive que garimpar na net por algumas e o tempo não me ajudou para que eu pudesse fazer isto com a calma necessária, então se algo estiver fora de ordem, serão as fotos e não o seu belo texto:

 

Eclipse De Uma Paixão - Dir Agnieszka Holland (Por Fe Camargo)

 

No século XIX, o relacionamento auto-destrutivo entre o poeta francês adolescente Arthur Rimbaud e seu mentor mais velho, Paul Verlaine, faz surgir “o poeta maldito”.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Eclipse de uma Paixão - Agnieszka Holland

(Por FeCamargo)

 

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Filme: Eclipse de uma Paixão (Total Eclipse – França, Grã-Bretanha e Bélgica, 1995). 

Direção: Agnieszka Holland. 

Elenco: Leonardo DiCaprio, David Thewlis e Romane Bohringer. 

Sinopse: Eclipse conta a estória de Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio) e seu relacionamento com seu " mentor" Paul Verlaine (David Thewlis). Encantado com o talento visceral de Rimbaud, Verlaine resolve apadrinhá-lo. Mas a irreverência e o brilhantismo do rapaz acabam por provocar no poeta uma paixão avassaladora, que põe em risco seu casamento com a jovem e bela Mathilde Maute (Romane Bohringer). Sinopse adaptada do site cineparadiso.

 

O que eu acho:

 

" Prezado leitor, antes de seguir adiante, tenha em mente que a pretensão abaixo é apenas comentar sobre a poesia, vida, personagem e cinemática da história de Rimbaud, transportada para as telas por Holland, sem julgar a idéia ou a proposta da diretora, visando aspectos mais técnicos de suas escolhas pois, honestamente, acredito imensamente que seria por demais cruel fazer algo assim, mas que infelizmente, se tornou tão comum hoje em dia. Se ainda assim se sentirem à vontade, por favor, rolem a página ". 

 

O preto e o branco – à literatura, à vida!

 

Arthut Rimbaud (1854 – 1891)

 

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Adormecido no Vale

 

É um vão de verdura onde um riacho canta
A espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.
Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.

Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.

E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
Tem dois furos vermelhos do lado direito.

 

Poesia e história ou seria história e poesia?

 

Um pouco de poesia não faz mal, certo? Na realidade, é impossível falar de um cinema sobre Rimbaud sem falar sobre a sua poesia ou, pelo menos, sem citar duas delas para que vocês possam, no caso daqueles que não o conhecem ainda, se esbaldar mesmo que minimamente neste primeiro contato com a genialidade deste poeta maldito, que antecipou e ultrapassou o imaginário parnasiano e simbolista da época.

 

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“O poeta faz-se vidente através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos”.

Na França, nesta época – século XIX, meados de 1850 –, o simbolismo surgia como a renovação, a revolução da literatura francesa. Era o surgimento do espírito moderno. Isso não quer dizer que houve uma quebra taxativa com o realismo de Zola ou, anteriormente ainda, com o romantismo de Hugo, Lamartine, etc. Houve a necessidade de se construir algo novo, uma nova tradição, autores desconhecidos e rejeitados por não se fazerem entender em sua arte. Ou seja, não eram aceitos pelo sistema literário francês. Quando digo sistema me refiro ao nicho literário burguês da época e, justamente por isso, os representantes desse simbolismo eram chamados de " poetas malditos". Imaginem agora a chegada nessa sociedade deste adolescente de 16 anos, chamado Jean Nicolas Arthur Rimbaud (nascido na França, em 20 de Outubro de 1854 em Charleville), utilizando as palavras de forma livre e moderna, até profana, fazendo com que todos entrassem em choque com suas crenças. Qual reação era cabível? Uma revolução estava anunciada: a revolução de Rimbaud, que influenciaria diversos artistas das mais variadas vertentes artísticas com seu verso livre, sua ideologia centrada no ponto onde o autor não teria controle da obra que cria. Isso vem de dentro, do obscuro, do profano, das profundezas do "eu", algo totalmente inconsciente, que podemos chamar de " outro". Daí a famosa frase de Rimbaud: "O eu é um outro".

Sem Rimbaud, não teríamos, por exemplo, um Genet. Provavelmente não compreenderiamos o surrealismo também. Sua arte era tão forte e feroz, que diziam:

 

Grávidas iam ao aborto após lê-la. É obscena, cruel, profana, sexual. Ele é o poeta maldito”.

Um tanto mitificado sim, mas as sensações que a sua poesia e prosa geraram em séculos são únicas e até hoje, na modernidade, muitos são influenciados pelo brilhantismo genial deste adolescente francês, incluindo eu... O " poeta dos sentidos".

Rimbaud era amoral, errante, um jovem adolescente com comportamento conturbado, que confesso, me fez levar e tomar certas atitudes sob uma influência muito grande do seu "eu", mas isso é outro assunto.

Estudiosos deste poeta sempre disseram não acreditar que ele teria imaginado que a sua arte influenciaria tão imensamente artistas das mais diversas vertentes em épocas posteriores a sua, partindo da música, onde a banda de rock The Doors e seu vocalista Jim Morrison se diziam hipnotizados pela poesia de Rimbaud, passando pela literatura, onde podemos citar Artaud, Bataille e Fernando, chegando ao cinema e a Holland. Mas antes, para completar este parágrafo, eu preciso terminar dizendo que discordo destes estudiosos, pois a genialidade permite que possamos pensar e ter a certeza que o nosso trabalho é e será sempre lembrado, seguido, e venerado. Rimbaud era gênio, Rimbaud sabia claramente de seu poder com as palavras, Rimbaud sabia que sua poesia não morreria com ele.

 

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“A nossa pálida razão esconde-nos o infinito”.

Agnieszka Holland (1948) é polonesa, fruto de um relacionamento entre um pai judeu e uma mãe católica, o que nos demonstra, na realidade, uma clara vontade de se superar literariamente, supondo que para realizar um filme sobre Arthur Rimbaud, ela deve, em algum momento de sua vida, ter sido capturada pela arte do poeta francês, o que claramente a colocava em choque com as duas religiões.

Amiga de Krzysztof Kieslowski, Holland já até colaborou com ele no roteiro de A Liberdade é Azul . Em seu cúrriculo temos filmes como O Jardim Secreto ou o mais recente O Segredo de Beethoven

 

 

Às cores – Ao cinema!

 

“Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens”.

 

Eclipse de uma Paixão começa nos situando à margem da história de Rimbaud e Verlaine – e ao início da projeção, uma das falas escritas por Christopher Hampton para a personagem de Verlaine surge com intenso poder:  

 

”Alma maravilhosa. Junte-se à nós. Você será bem-vindo”.

 

Este começo, poderoso e vivo, diga-se de passagem, anuncia que algo no mínimo interessante está por vir. Já adianto que ao final da experiência, o gosto do absinto proposto em diversas cenas do filme, acaba perdendo seu peculiar sabor, pois diferentemente da bebida e de seu incrível teor alcoólico de mais de 90%, o filme perde força com o passar dos plots, resultando em um leve gosto, alcoólico ainda, mas longe da libertação provocada pela bebida dos poetas.  

 

O roteiro

O roteiro opta por começar a estória já com a chegada de Rimbaud à Paris, deixando de lado tanto a vida do poeta em sua terra natal quanto o início de sua poesia. Uma escolha interessante, pois a apresentação da personagem se torna impactante e com apenas um gesto: um ranger de dentes. Gestos assim dizem mais sobre a psicologia da personagem – o seu jeito de ser – do que várias das falas propostas pelo roteirista. O roteiro segue nos mostrando a influência do jovem poeta na vida pessoal de Paul Verlaine, mas esquece de retratar a influência no trabalho do poeta, algo que é anunciado no início do longa, por meio de uma fala, mas que acaba não se concretizando mais por opção do que por erro. A teima por falas "poéticas" acaba prejudicando e indicando esses " erros", como vimos nesse caso, ou por exemplo, quando a personagem de Rimbaud relata à Verlaine a situação que gerou a inspiração para a poesia que coloquei inicialmente neste texto, Adormecido no Vale, onde Rimbaud diz que demorou horas para descobrir que a pessoa estava realmente morta. Um efeito do roteiro que acaba apenas por denunciar sua fragilidade ao diminuir as sensações do poeta perante a situação imposta, utilizando mais uma vez palavras de impacto. Hampton segue relatando a destrutiva relação entre Rimbaud e Verlaine até chegar na última virada de plot, onde partimos para a época final da vida de Rimbaud, ocorrida na África. É justamente aí que o roteiro leva o filme ao chão, pois devido à falta de informação histórica que temos da vida dele nesse período (saiu agora nas livrarias um livro sobre a vida dele neste período), o roteiro se prende a situações exageradas, fantasiosas, para assim captar o telespectador até o fim da projeção. Ledo engano, outros erros podem ser percebidos na construção dramática das cenas, como a cena do quarto entre Verlaine e sua esposa Mathilde, quando vemos o bebê chutando a barriga dela. Nesta cena, a personagem de Verlaine " estoura" sem haver uma construção de set up, não justificando a explosão dramática e deixando apenas a sensação de constrangimento para o ator. Outras cenas apresentam esse problema, mas acredito que cada um deva perceber por conta própria.

O roteiro também não se aprofunda na poesia de Rimbaud, o que é um crime, pois não demonstra ao público o talento desse gênio, deixando apenas uma vaga idéia apoiada e sustentada pelo seu comportamento, sua personalidade.

Partindo da proposta de Holland, que é mostrar a vida desse gênio e seu relacionamento com Verlaine, Hampton deveria ter tido a sensibilidade de saber onde parar, pois assim ele manteria o mistério, enalteceria o gênio e não acabaria com a performance de DiCaprio. Nem tornaria a experiência final, semi-cômica. Isso ocorre devido a fragilidade dramática que seu roteiro adquire ao final. Uma pena. 

 

 

“Acredito que estou no inferno, portanto estou nele”.

 

A direção

É clara a capacidade de Holland em decupar, é notável na realidade. Aliada à sua sensibilidade evidente, o filme acaba sendo composto por planos muito simétricos, frontais, muitíssimo bem enquadrados e em alguns pequenos casos, luminosamente inventivos. Chega a ser simples mas não simplório, e isso é um trunfo da diretora polonesa. No início da projeção, ela nos brinda com um Plano Conjunto da ponte, que está ao fundo, onde um trem passa. A fumaça é um detalhe impetuoso na composição de quadro. Em certo momento do filme há um plano, já clássico no cinema, focando a personagem de Mathilde pelo espelho, mas Holland acrescenta um pequeno recuo de câmera usando um travelling-out, justificado pela movimentação de rosto da atriz, sútil e eficiente.

A diretora constrói um ritmo interessante dentro dos planos, os  deixando respirar naturalmente, sem medo de ralentar o filme, ou seja, não é um longa com uma quantidade grande de cortes, o que para alguns "despreparados", pode significar uma falta de ritmo na idealização/construção da decupagem. Muito pelo contrário: o ritmo está lá e muito bem trabalhado por sinal. Méritos de Holland, aliados a montagem coesa.

Uma pena é que seu talento para decupar não seja visto em sua capacidade como diretora de atores. É clara a evidência que, quando o ator é brilhante (DiCaprio), ele se sai muito bem, mas quando é limitado (Romane), não deixamos de ter a impressão permanente de certo constrangimento, até incômodo, em cena, demonstrando que a construção das personagens e das partituras de emoção foram feitas pelos atores, e Holland apenas apontava suas impressões dramáticas de cada cena.  

 

“A poesia não voltará a ritmar a ação; ela passará a antecipá-la”.

 

O elenco

 

Partindo do ponto que o filme retrata a influência de Rimbaud na vida de Verlaine e depois em seu relacionamento com o poeta, vou me concentrar nas três personagens relevantes do longa: Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e Mathilde Maute.  

Leonardo DiCaprio (Arthur Rimbaud) – Está aí um dos maiores atores de sua geração. Desde o começo de sua carreira, DiCaprio demonstra ser visceral em suas construções ( Gilbert Grape, por exemplo). Como dizemos no meio cinematográfico, é um ator que se joga na merda sem medo de feder. Se o ator pegar a personagem no roteiro e apenas seguir as falas, construindo uma partitura de leitura básica, temos então uma verdadeira sessão de frases e pensamentos de impacto sem grande ação interior, sem subtextos. No momento posterior à leitura, entra o talento do ator para enxergar essas linhas, possibilitando uma construção da personagem e de sua partitura da forma mais rica e complexa possível. DiCaprio é mestre no detalhismo. Fisicamente ele confere uma agilidade ao andar de Rimbaud que é louvável, com certo ar espivitado que apenas acrescenta personalidade a sua construção. Gestos físicos, como um "ataque" com ranger de dentes nos dizem mais do que todas as frases de impacto do roteiro, e isso é pura criação do ator, que entendeu perfeitamente o universo de Rimbaud. Leonardo explode na tela. Seu olho brilha, mostrando uma frieza de emoções que chega a ser assustador. Cenas como a do saral de leitura poética nos fazem, ao menos que por um momento, enxergar quem era Rimbaud e o porque de seu comportamento ser considerado conturbado, o que eu discordo, sendo que na realidade, ele tinha era um imenso desprezo pelo lixo literário e apenas não o aceitava por comodidade como tantos outros faziam. DiCaprio explora isso brilhantemente. Constrói uma personagem multifacetada. O brilho principal de sua composição reside em como ele conduz a relação com Verlaine, passando por admiração, desprezo, pena, "pateticidade", interesse, proveito próprio e amizade. A personagem é uma bomba ambulante de emoções, e ele, com 23 anos na época, consegue indicar e apontar todos os caminhos de forma densa e realista. Composição riquíssima. Uma pena que o roteiro acaba com o ator no terceiro ato ao colocá-lo para fazer um Rimbaud na faixa de seus 30 e poucos anos (no filme, 30 parece 40, erro da direção da maquiagem e da diretora). Não se pode colocar um ator jovem para fazer um papel tão mais velho, não há estofo pessoal para isso, e a sensação de constrangimento volta a ficar claro na tela. Erro do roteiro e da direção. DiCaprio não tem muito o que fazer.  

David Thewlis (Paul Verlaine) – Este ator inglês tem certa teima por fazer biquinhos em cena. Não é possível que ele tenha achado interessante colocar isso como característica pessoal de Paul, pois ele consegue apenas gerar um desconforto quando o assistimos. David é um bom ator, mas que diferentemente de DiCaprio, ele precisa dos apontamentos da direção, e como neste caso ela se demonstra nula, ou quase nula, David nos brinda com diversos momentos contrangedores em que ele próprio parece desconfortável em cena, como a já dita cena do quarto. A personagem não tem grandes conflitos, o que é culpa do roteiro, que esquece, por exemplo, de colocar o homossexualismo como conflito psicológico, ou seja, o texto transforma Verlaine em algo unilateral, impossibilita a criação de linhas de subtexto. Ele anda, caga, vomita, trepa e sempre pensa nas mesmas coisas que a ação indica. David caminha tranquilamente por isso, por ser um bom ator e afinal, fica claro que ele é apaixonado por Rimbaud, mas diferentemente do poeta, não há múltiplas emoções dentro desta relação.  

 

Romane Bohringer (Mathilde Maute) – O elo fraco do triângulo amoroso. Essa atriz francesa sempre parece perdida em cena, fraca, não natural, uma verdadeira máquina de dizer o texto. Erro de escalação e principalmente erro de direção, à partir do momento que a escolheram, que a dirigiram e que a deixaram solta "aos leões". Crueldade. Ela some em cena quando divide a tela com David ou com DiCaprio. Não é culpa da atriz, que é fraca. Mas as vezes o cinema pode ser cruel e aqui isso fica apontado claramente. Não há nem como analisar a construção de partitura dela, pois não existe tal construção, e olhem que a personagem é até interessante e demonstra emoções e conflitos que, para outra atriz, seriam um prato cheio.  

 

“Ninguém é sério aos 17 anos”.

 

A fotografia e a trilha

 

Giorgios Arvanitis (fotografia) - Trabalha muito bem com a coloração. A opção tradicional do ocre para a fotografia  traduz a época muito bem. Não inova, mas também não atrapalha. Não há erros de foco nos planos. Os enquadramentos são rigorosamente bem feitos, sem excesso de teto. A exposição da luz é perfeita, utilizando toda a latitude da película e o "pró-misti" (se existir em 1995, pois não sei) apenas finaliza o acabamento muito bem dado no tratamento da imagem com certo esfumaçamento trazendo a difusão que a imagem do filme pedia.  

Jan A.P. Kaczmarek (trilha sonora) - É habilidoso em suas composições. A sua trilha mais recente que me vem à cabeça, é a de Finding Neverland, onde a sensibilidade e a delicadeza se destacam. Aqui, essa sensibilidade é evidente, mas a delicadeza não. Ele opta pelo celo, trazendo um certo tom brusco no início de cada cena, o que condiz muito com a estória, este tom frenético e urgente. Muito bem sacado. Só não entendi o porque de usar uma trilha tão espaçada e pontual em determinados momentos, dando a impressão de erro, que claro, é retirada quando a nota se repete segundos depois, mas a sensação de estranhamento permanece. Isso acontece no final do segundo ato.  

Sensation

Nas belas tardes de verão, pelas estradas irei,
Roçando os trigais, pisando a relva miúda:
Sonhador, a meus pés seu frescor sentirei:
E o vento banhando-me a cabeça desnuda.

Nada falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso me irá envolver,
E irei longe, bem longe, a alma despreocupada,
Pela Natureza — feliz como com uma mulher
.

Preste atenção: Na construção da personagem que DiCaprio faz, trilhando pelas mais diversas emoções com habilidade impressionante. Um prato cheio para os amantes dessa arte. Fique atento também aos planos de Holland, em sua simetria. São belíssimos.  

Porque não perder: Por ser o único filme que retrata a vida desse brilhante poeta, mesmo que deixe de lado sua poesia. Nele, você pode ter, por um breve momento, a idéia de quem foi Rimbaud, de seu comportamento, de seu instinto. Além disso, o filme pode te motivar a procurar a poesia dele, o que na realidade, acaba sendo o maior mérito do longa: o despertar da curiosidade.

Curiosidades: Quem faria Rimbaud seria River Phoenix, mas após sua morte, DiCaprio ficou com o papel. John Malkovich também foi inicialmente escalado para o papel de Verlaine, mas pulou fora.

Nas cenas de absinto, a produção usou outra bebida alcoólica, e os atores beberam tanto em cena que não lembram de quase nada. 

Dados do DVD: 

Gênero: Drama. 

Faixa etária: 16 anos.

Legenda: Português e espanhol. 

Idioma: Inglês. 

Duração: 111 minutos. 

Formato de tela: Widescreen 16x9. 

Extras: Sinopse e biografia. 

 

“Prezado leitor, se chegou até aqui, espero que tenha entendido a proposta deste texto, que nasceu pela paixão ao poeta. Espero ainda, que pelo menos à vontade de conhecer a obra de Rimbaud tenha sido, mesmo que por um breve momento, despertada”

 

 

 

 

 

 

“Dos meus antepassados gauleses tenho os olhos azuis pálidos, uma firmeza limitada e a falta de habilidade na luta”.

 

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Como é bom reler as poesias de Rimbaud. Simbolismo é um dos meus movimentos literários favoritos. É fascinante!

E Fe, seu texto está tão belo quanto as poesias do jovem. Muito bem redigido e muito interessante este seu ponto de vista sobre a obra cinematográfica. Abordagem bastante intuitiva e diferenciada.

Eu gosto bastante do filme e também acho que a construção do personagem que o Di Caprio realiza é muito boa. Um dos destaques. David Thewlis também faz uma composição bastante convincente.

Enfim. Um texto imperdível para um filme que também se adequa ao adjetivo. Parabéns. Muito bom mesmo. 03

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Eu acho que eu cometi um erro grave. Assisti a esse filme nova demais. Eu tinha 10 anos. Definitivamente, esse filme não é bem entendido por uma mente de uma criança. Então as imagens das quais eu tenho lembrança desse filme são péssimas.

Mas, lendo sobre ele hoje em dia acredito que este seja um ótimo filme. Ainda mais pelas belas palavras do FeCamargo. 01

Tenhoque conferir agora depois de velha. rs

 

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Com um pedido de desculpas pelo atraso o Cineclube publica a segunda parte da trilogia do Kielowski, a resenha foi feita pelo Lthrspm:

 

A Igualdade é Branca - Krzysztof Kieslowski (por Lthrspm) 

 

 

 

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Filme: A Igualdade É Branca [Trouis Couleurs: Blanc], de Krzysztof Kieslowski - 1994.

Sinopse:
Após se divorciar na França da mulher que ama, um polonês volta ao seu país de origem, disposto a ganhar muito dinheiro para poder se vingar da mulher da sua vida. (Fonte: AdoroCinema).

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O Que Eu Acho
“Enquanto houver a incompreensão, homens e mulheres viverão a desigualdade”. Krzysztof Kieslowski traçou em sua trilogia das cores as indagações sobre a atual situação dos lemas da Revolução Francesa, num estudo humanamente intimista. Apesar de uma centralização de um certo tema a cada filme – como reproduzem os títulos brasileiros –, é perceptível uma certa “dança” dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade pelos três filmes. A Igualdade É Branca centraliza-se na desigualdade do relacionamento entre Dominique (Julie Delpy, encantadora) e Karol Karol (Zbigniew Zamachowski), porém, assim como essa relação de (des)igualdade pode ser observada em outros panoramas – o foco dos parágrafos seguintes – também há uma ligação perpendicular à liberdade, principalmente, e uma certa valorização da fraternidade para construção geral dos argumentos.

O polonês Kieslowski também se permite observar a desigualdade social e as diferenças sofridas pelo imigrante polonês na França (a cena do julgamento), e vice-versa (quando Dominique é interrogada), talvez. Não tendo encontrado a felicidade no casório na França, Karol por lá fica pobre e precisa pedir esmolas tocando uma música polaca no metrô. Seus diplomas não têm mais serventia e é a ajuda de Mikolaj, outro polonês, que o faz voltar ao país de origem. Contrastando o pobre e o rico, seja pelos países (Karol encontra sucesso na, teoricamente, mais frágil economicante Polônica – por causa da antiga relação socialista, e a rixa com os russos é comentada de maneira humorística – apesar do fracasso na potência França), seja pela amizade que se estabelece, Kieslowski encontra na fraternidade entre a dupla de amigos uma causa para a igualdade de suas vidas, compartilhada na empresa e pelas vezes em que um salvou o outro.

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Por mais que tenha se reerguido fincanceiramente, o psicológico de Karol Karol ainda não é forte o suficiente para que ele obtenha a igualdade desejada com a ex-esposa, a quem tanto ama e amou. Após mais uma tentativa fracassada de reencontrar Dominique – já rico –, ele planeja uma vingança, provavelmente na busca da liberdade que não obtivera até então (a estátua é o elemento metafórico dessa dependência aprisionada de Karol à ex-mulher). Com a frase que se encontra na contra-capa do DVD e com a qual abri este texto, é interpretável a troca ambígua de olhares do casal, no começo e no fim. Enquanto o “adeusinho” de Dominique é uma das justificativas dela para que se separem (o marido seria incapaz de entendê-la); a consumação pós-casamento de Karol, a suposta volta para a mulher, é a armadilha triunfal para a sua vingança, pois, ainda inconsciente pela seqüência de acontecimentos – tal qual o marido anteriormente –, Dominique não compreende o arquitetado por Karol e cede a seu plano. Kieslowski fecha seu filme com uma nova troca de olhares, mas, dessa vez, sem palavras e à distância, os dois parecem ter se entendido. Havia amor de ambas as partes? Não há respostas simples na alma humana e o que realmente importa é que a igualdade, ao final, não foi o fato de um ter acabado (por mais que parcial ou totalmente) com a vida do outro; mas sim que houve uma correspondência entre os dois. Se a liberdade fora impedida ali, no comecinho, quando a personagem do filme anterior é impedida de entrar na sala, não se sabe.

Quanto à utilização da fotografia, o filme é o mais restrito dessa trilogia, por o branco ser mais natural e aparecer livremente; bem como é a soma de todas as cores, logo, uma estridência maior seria forçar o olhar íntimo, que Kieslowski já aborda em closes. A Igualdade É Branca é, para mim, o menos bom da trilogia, sofrendo com o tal “mal” de segundas partes de trilogias, porque não consegue mesclar tão bem a tentativa cômica de Kieslowski, e deixa detalhes serem revelados para, futuramente, serem esquecidos infortuitamente (a sua família principalmente). Mesmo assim, a síntese reproduzida em busca dos ideais arranjados em 1789 faz de Blanc um manifesto importantíssimo para a história, cinematográfica e social.

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Preste Atenção:
Nos pólos do filme: o começo, seguindo a mala, e a infelicidade de Karol Karol para satisfação de Dominique, enquanto passa a personagem de Juliette Binoche no tribunal, num tribunal; e o final, já numa prisão, e as lágrimas de Karol Karol.

Por Quê Não Perder: Não obstante participar de uma das melhores e mais importantes trilogias do cinema, A Igualdade É Branca é uma prova de que o cinema fora de Hollywood é super influente e, acima de tudo, simples em sua mensagem, que, por outro lado, é ramificável seguindo o próprio existencial de cada um. Além de ser concebido por um gênio.

O Que Já Se Disse:
“(...) é possível que a intenção real seja justamente fazer com que os filmes possam funcionar como janelas para reflexões sobre o lugar do homem no mundo, no tempo e na história. E isso é algo que, às vezes, nem mesmo o melhor cinema consegue fazer.” (Fonte: Rodrigo Carreiro, Cine Repórter).

Dados do DVD:
Mantém a qualidade descrita na resenha sobre A Liberdade, com os extras: A Lição de Cinema de Kieslowski (o diretor analisa a cena primeira, a cada detalhe), Making Of, Entrevistas, Apresentação de Andrea França, Trailer de Cinema, Vida e Obra de Kieslowski (segue o padrão da Versátil).

 

 

 

 

 

 
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Ainda não vi Psicose II nem revi A Missão, por isso vou ficar devendo ao Dook e ao Jail. O filme da Agnieska Holland eu vi só um pedaço, mas li a resenha ainda assim e gostei bastante, embora ache que a pontuação possa melhorar em algumas passagens (mas esse é um aspecto de menor importância). A escolha da fonte foi uma ótima sacada. Parabéns, Fe!

 

A do ltr está excelente. Curta como eu gosto, com boa capacidade de síntese (o filme todo está aí) e ótimo uso das palavras. Como ele, também acho que essa parte do meio da trilogia é a mais fraca, mas Igualdade não deixa de ser bem interessante, apesar de irregular. Parabéns, garoto!
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Ventos diferentes sopram no Cineclube em Cena, esta semana temos um filme derivado de uma série de tv. E para aqueles que torcem o nariz para essa cada vez mais efervescente modalidade, o texto do Cavalca é bem humorado o suficiente para nos fazer pelo menos pensar melhor antes de dizer que séries não são cinema.

 

Battlestar Galactica - Michael Rymer (por Cavalca)

 

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FILME: Battlestar Galactica - Astronave de Combate (Battlestar Galactica) de Michael Rymer (2003)

SINOPSE: Quarenta anos depois da guerra contra os Cylons, os inimigos mais perigosos da humanidade voltaram buscando vingança. Em um repentino e devastador ataque nuclear, os robôs Cylons (que agora tem a forma humanóide) eliminam bilhões de pessoas. O Comandante William Adama (Edward James Olmos), o militar sobrevivente de maior patente, reativa a Astronave de Combate Galactica para encarar, mais uma vez, o maior nêmesis da humanidade. O filme serve como piloto para a série homônima. (www.cdpoint .com.br - traduzido)

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O QUE EU ACHO: Peraê. Esse não é um espaço pra se falar de filmes? É, oras. Battlestar Galactica é cinema. Assim como Lost, Dexter e The West Wing também são. Explico: tivemos um processo de profissionalização poderoso nas emissoras de TV norte-americanas (poderíamos falar das ingleses, ou de alguns outros exemplos, mas não vamos complicar). Toda a parte técnica, além de roteiro, direção, e atuações que imaginamos como um padrão de excelência, geralmente ligado à tela grande aterrizou já faz algum tempo nas televisões. E essa simbiose fica ainda mais evidente em BSG, pois apesar de ter sido exibida como uma minissérie nos dias 8 e 9 de dezembro de 2003, ela foi editada como um único filme de 182 minutos de duração para o lançamento em DVD.

 

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Pra quem não sabe, houve uma primeira versão de Battlestar Galactica, série que durou uma temporada. Isso foi no começo dos anos 80. Claro que estamos falando de uma inocente série de aventura (que pegou carona no sucesso de Star Wars, claro) que se utilizou de um sem número de esteriótipos como por exemplo o filho exemplar que tem orgulho de seu pai e o vilão que de tão malvado chega a ter a voz grave. Mas o idealizador, Ronald D. Moore praticamente só manteve o nome da programa e dos personagens principais nesse remake.

Cinematograficamente falando, pode-se dizer que Moore é até mesmo co-diretor do projeto. Até mesmo a concepção visual foi idéia dele (câmera-na-mão-estilo-documentário - não é a reinvenção da roda, mas é extremamente bem aplicado). Essa teoria não é absurda, visto que o diretor Michael Rymer, apesar de já ter dirigido alguns filmes, nunca entregou nada de relevante. Seu trabalho menos desconhecido é um tal de A Rainha dos Condenados (não vi e não gostei).

O telefilme foge quase que completamente dos clichês do sci-fi. O bem e o mal não são entidades bem definidas (os cylons frequentemete dizem que o Armagedon causado por eles serviu para purificar a humanidade). Aliás, os robôs foram criados pelos próprios homens, mas se rebelaram contra eles na primeira guerra entre as duas espécies (?), ocorrida 40 anos antes. E para confundir ainda mais as coisas, algumas das ‘torradeiras’ agora tem a forma humana. O paralelo entre as atitudes de ambos os lados são frequentemente mostrados. A conclusão óbvia é que a raça humana está longe de ser flor que se cheire.

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Os personagens, mesmo os de postura mais heróica como Adama e Starbuck, tem diversas falhas. Culpa, ressentimento, saudade, complexo de auto-destruição são apenas alguns dos sentimentos que os personagens sentem nas pouco mais de três horas do filme. Muitas das situações apresentadas aqui e na série subsequente são metáforas claras de situações que acontecem no mundo real. Diversas discussões acerca de religião, filosofia e política são abordadas.

Isso coloca Battlestar Galactica em um confortável patamar acima de outros exemplares do gênero como Star Wars, que, com poucas exceções (Império Contra-Ataca, Vingança dos Sith) não é muito mais do que uma agradável diversão com um razoável drama familiar (ok, talvez seja um mais que isso, mas estou tentando vender o meu peixe aqui), a despeito de toda sua importância e influência na ficção científica.

Sabe aquele tecnicismo chato que volta e meia vemos na ficção científica? Algo como "Pegue o canhão sônico para destruir o fusível opositor e eliminar o campo de força iônico dos inimigos" que encontraríamos normalmente em exemplares do gênero aqui é substituído por um "MORRA, TORRADEIRA, MORRA!". Mais direto, impossível.

Toda a parte visual do filme é excepcional, ainda mais considerando que o orçamento do bebê aqui não deve ter sido maior que 5 milhões de dólares. Todas as cenas de batalha são belamente orquestradas e toda a física espacial criada por filmes como 2001 - Uma Odisséia no Espaço é respeitada (ok, nós ouvimos as explosões espaciais, mas pô, até o George Lucas cometeu esse pecado). A trilha sonora é outro destaque: o compositor Richard Gibbs foge dos temas grandiosos que estamos acostumados nesse tipo de produção e investe em uma trilha centrada na percussão, opção que se mostra acertada, principalmente nas cenas de batalha, que ganham dramaticidade e urgência extras graças ao uso da música.

E temos também um elenco fora de sério. Ele é liderado pelos gigantes e indicados ao Oscar Edward James Olmos como o Almirante William Adama e Mary MacDonnell como a Presidente Laura Roslin. Os outros eram ilustres desconhecidos anteriormente, mas não por isso menos competentes: Katee Sackhoff se entrega de corpo e alma para compor uma personagem de personalidade essencialmente masculina; Jamie Bamber faz um trabalho dificílimo ao mascarar seu forte sotaque inglês (só descobri que ele era inglês assistindo os extras do DVD, inclusive). James Callis não chega a esconder seu sotaque, mas seu personagem é tão complexo e cheio de nuances que podemos perdoá-lo por isso. Vamos apenas dizer que ele é um dos principais responsáveis pelo apocalypse nuclear que a humanidade sofreu mas o seu Dr. Gaius Baltar está longe de ser o vilão da história. E tem também a Tricia Helfer (a loira das fotos) que na proporção entre beleza e talento, está em um patamar bem acima das principais beldades de Hollywood.

Como expressão artística, Battlestar Galactica pode ser vista tanto como uma diversão mais descontraída (Batalhas espaciais! Mulheres gostosas!) ou como algo muito mais profundo e complexo. Entretanto, na maior parte do tempo, ela é as duas coisas simultaneamente.

PRESTE ATENÇÃO: o diálogo entre Adama e Roslin, logo após o discurso do Comandante, no final do filme, sintetiza muitas das características da série.

O QUE JÁ SE DISSE: "Contando com um forte roteiro, uma vasta galeria de personagens vívidos e um ótimo mix de bons diálogos e ação explosiva, Battlestar Galactica se dirige para ser um clássico do entretenimento intergalático." (Detroit Free Press - traduzido)

PORQUE NÃO PERDER: Porque a tela da televisão está ficando cada vez maior.

DADOS DO DVD: Aúdio: Inglês (5.1) e Japonês (5.1). Legendas: Português, Inglês, Espanhol e Japonês. Formato de Tela: Widescreen Anomórfico. Cor: Colorido. Embalagem: Amaray simples (ou como parte do box da primeira temporada da série). Região: DVD Zona 4 (América Latina, Austrália e Nova Zelândia). Extras: Documentário com entrevistas dos produtores (Ronald D. Moore, David Eick, Michael Rymer) e do elenco (Edward James Olmos, Katee Sackhoff, Jamie Bamber, entre outros). Preço médio: 19,90 (Lojas Americanas).

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Nessa semana, curiosamente, estou vendo alguns episódio de Jornada nas Estrelas - A Nova Geração, série que revelou Moore. Muito bacana ver que vários elementos que pontuam Galactica já estavam presentes lá.

 

 

 

Isso que ele não tinha nem 30 anos quando entrou pra TNG. Talento precoce.   16.gifCavalca2007-11-26 17:03:27

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Cadê os fãs de séries para comentar a resenha do Cavalca?1709

 

Eu não vi o filme, então o que posso comentar é essa questão de "séries vs filmes"...

 

Atualmente, eu vejo como principal diferença entre filmes e séries é o fio condutor. No filmes, temos os personagens trabalhando em função da história, e nas séries, o inverso, a história trabalhando em função dos personagens. Algo mais ou menos assim. E não que isso seja uma regra, mas é o que vejo.

 

Exemplificando melhor, me lembro que quando estava vendo as cenas excluídas do De Volta Para o Futuro 2, o Bob Gale (roteirista e produtor do filme), comentou nas cenas que envolviam a família de Marty no futuro, que eles filmaram muitas cenas e várias interessantes (quem vê elas confirma), mas que tiveram que cortar porque elas não eram necessárias para o filme. A história do Marty velho não tinha nada a ver com o resto do filme. Ou seja, os personagens ali (Marty velho e seus parentes) apareceram ali no tempo que a história pedia e sairam no tempo que a história pedia. Ponto. Dissecar aquela família se fosse necessário para história, teria ocorrido, mas não era.

 

As séries é o inverso. Com o tempo que ficam no ar, o principal mesmo são os personagens que são dissecados no decorrer da série, mesmo a história não pedindo. E muitas vezes uma história nem existe aí. Se pegarmos séries como Friends ou ER, qual é a história deles? ER mostra médicos no plantão de um hospital. Ponto. Friends mostra seis amigos, que dividem um apartamento e são vizinhos. Ponto. A história aí nem existe, mas a série vai lidando com os personagens, e a história gira em volta deles. Porque é a história deles que está sendo contada ali.

 

Como disse, não acho que seja uma regra isso, mesmo porque temos filmes como Closer - Perto Demais que lida com personagens basicamente, e não propriamente uma história, e séries como Simpsons que cada episódio é uma história isolada, cujo personagens aparecem mais ou menos dependendo do que a história do episódio pede.

 

Basicamente, é isso que acho.
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Cadê os fãs de séries para comentar a resenha do Cavalca?1709

 

Eu não vi o filme' date=' então o que posso comentar é essa questão de "séries vs filmes"...

 

Atualmente, eu vejo como principal diferença entre filmes e séries é o fio condutor. No filmes, temos os personagens trabalhando em função da história, e nas séries, o inverso, a história trabalhando em função dos personagens. Algo mais ou menos assim. E não que isso seja uma regra, mas é o que vejo.

 

Exemplificando melhor, me lembro que quando estava vendo as cenas excluídas do De Volta Para o Futuro 2, o Bob Gale (roteirista e produtor do filme), comentou nas cenas que envolviam a família de Marty no futuro, que eles filmaram muitas cenas e várias interessantes (quem vê elas confirma), mas que tiveram que cortar porque elas não eram necessárias para o filme. A história do Marty velho não tinha nada a ver com o resto do filme. Ou seja, os personagens ali (Marty velho e seus parentes) apareceram ali no tempo que a história pedia e sairam no tempo que a história pedia. Ponto. Dissecar aquela família se fosse necessário para história, teria ocorrido, mas não era.

 

As séries é o inverso. Com o tempo que ficam no ar, o principal mesmo são os personagens que são dissecados no decorrer da série, mesmo a história não pedindo. E muitas vezes uma história nem existe aí. Se pegarmos séries como Friends ou ER, qual é a história deles? ER mostra médicos no plantão de um hospital. Ponto. Friends mostra seis amigos, que dividem um apartamento e são vizinhos. Ponto. A história aí nem existe, mas a série vai lidando com os personagens, e a história gira em volta deles. Porque é a história deles que está sendo contada ali.

 

Como disse, não acho que seja uma regra isso, mesmo porque temos filmes como Closer - Perto Demais que lida com personagens basicamente, e não propriamente uma história, e séries como Simpsons que cada episódio é uma história isolada, cujo personagens aparecem mais ou menos dependendo do que a história do episódio pede.

 

Basicamente, é isso que acho.
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Concordo com várias coisas que disse, Jail. Aliás, ainda vou comentar a crítica do Cavs quando tiver um tempinho, que ficou muito boa (há coisas nessa série fantástica que têm que ser vistas e não descritas, até para mostrar a amplitude de interpretações que podem ter).

Só discordo de que ER - minha série preferida - mostra médicos no plantão de um hospital. Concordo que a maioria das séries é embasada em seus personagens e a exploração deles e que há exceções. Acho que você acerta em cheio quando fala que ER é focada nos personagens (incluindo problemáticas importantes no universo deles e mostrando como eles lidam com elas), mas discordo quanto ao foco: o personagem principal de ER é o HOSPITAL. (as pessoas que por lá desfilam com seus problemas, como outras pessoas lidam com eles, a reflexão sugerida ao espectador, etc.) Como um personagem de carne e osso, o hospital tem seus dias ruins e bons, trágicos pelo constante risco de morte e situações críticas e felizes pelo nascimento de uma criança ou recuperação de alguém que está doente. Tanto é que hoje não há NINGUÉM do elenco inicial, vários médicos se foram (alguns até voltaram) e a série continua. O personagem principal continua lá, intacto.

 

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Assim como o Daft nunca fui fã de séries/filmes de ficção científica, mas depois de Battlestar Galactica, a coisa continuou a mesma 06, explico: é que na verdade amo Battlestar Galactica, acho uma das melhores séries já feita, com roteiros inspiradíssimos, metáforas maravilhosas sobre os dias de hoje, a questão de uma "guerra santa", enfim encaro Battlestar Galactica como um DRAMA, e dos melhores, pois como a maioria das séries há o amadurecimento dos personagens e Battlestar faz isso de uma forma incrível, além é claro da coisa mais genial da série: os Cylons e seu amor a um Deus, enquanto os humanos veneram vários, algo que penso eu não foi feito para "chocar" e sim para fazer pensar. Enfim adoro Battlestar Galactica, mas continuo não gostando de séries desse gênero (só Firefly, que essa é 16).

 

Ótima crítica do Cavalca, e como o Scofield disse o melhor é ver e não descrever, pois a série e essa minissérie são incríveis.
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