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Forum Cinema em Cena
Michel M.

Preconceito

Qual tipo de preconceito você julga ter de forma mais explícita?  

63 members have voted

  1. 1. Qual tipo de preconceito você julga ter de forma mais explícita?

    • Preconceito de raça.
      5
    • Preconceito de classe.
      7
    • Preconceito de religião.
      4
    • Preconceito de sexualidade.
      16
    • Preconceito intelectual
      13
    • Outro tipo(qual?)
      3
    • Não tenho preconceito algum (pense antes de votar nessa)
      8
    • Mais de um dos exemplos citados.
      13


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Esse cara é pior que tudo. Como se não bastasse ser homofóbico, racista agora também é sexista. Ele deveria mudar seu nome para Marco Intolerância. E para muitas mulheres que defende ele o seu lugar é em casa como dona de casa de acordo com Marco Intolerância. E não é “brincadeira” machista. Ele simplesmente é machista mesmo.

 

 

Marco Feliciano diz que direitos das mulheres atingem a família

Em entrevista para livro, deputado e pastor diz que reivindicações feministas estimulam o homossexualismo

O Globo (Email · Facebook · Twitter)

 

Publicado:  

20/03/13 - 8h00

 

Atualizado: 20/03/13 - 8h46
2013-596698749-2013031480301.jpg_2013031

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no plenário da Câmara Ailton de Freitas / Agência O Globo

RIO — As críticas do atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC-SP), avançam também em outra direção: o direito das mulheres. Em entrevista para o livro “Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil”, ao qual O GLOBO teve acesso, o deputado critica as reivindicações do movimento feminista e afirma ser contra as suas lutas porque elas podem conduzir a uma sociedade predominantemente homossexual.

 

“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”, diz ele na página 155, em declaração dada em junho de 2012.

 

Para o pesquisador Paulo Victor Lopes Leite, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), um dos autores do estudo, a posição de Feliciano não é exceção: reflete o pensamento majoritário defendido pelos integrantes da Frente Parlamentar Evangélica.

 

— Constatamos que os parlamentares evangélicos trabalham com a ideia de pânico moral, que se manifesta sempre que qualquer atitude ou comportamento se mostra diferente do conceito de família patriarcal, com pai, mãe e filhos. É a ideia de pânico moral que faz com que rejeitem qualquer transformação natural da sociedade, como o casamento igualitário e a necessidade de se discutir a legalização do aborto — avalia.

 

As afirmações de Feliciano causaram revolta nos movimentos feministas. Para Hildete Pereira de Melo, professora da UFF e pesquisadora de relações de gênero e mercado de trabalho, as convicções do parlamentar são atrasadas porque não acompanham as necessidades da sociedade.

 

— Ele é misógino e homofóbico. Desde a invenção da pílula anticoncepcional, os casais heterossexuais podem manter vida sexual ativa sem que a gravidez ocorra. Atribuir aos homossexuais a responsabilidade pela destruição da família é um delírio. A destruição tem como culpado o homem, que sai de casa e abandona os filhos quando o relacionamento termina. É preciso entender que os filhos são responsabilidade do casal, e não apenas da mulher — critica.

 

Link.: http://oglobo.globo.com/pais/marco-feliciano-diz-que-direitos-das-mulheres-atingem-familia-7889259

 

Plutão:

 

A conivência com intolerantes faz com que sejam apenas intensamente ousados cada vez mais contra grupos étnicos, religiosos, ideológicos, gênero e opção sexual, que odeiam e sabemos bem o resultado desagradável histórico disso.

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Caramba!!! Criança querer ser transexual? Sério? Eu achei a reportagem do Fantástico muito tendenciosa e perigosa. E vai para o lado do radicalismo. A criança é incapaz de decidir por ela é um ser humano inimputável. Eu acho que isto pode até ter influencia dos pais ou de outras pessoas. E algumas até com má fé ou malícia.

 

Vejam bem não sou contra transexuais ou ninguém dos movimentos LGBTT ao contrario. Sou a favor do casamento Gay e até da adoção por pais homossexuais, mas isto ai não. Para mim é o limite e acho ridículo.

 

Achei essa reportagem muito cara de pau. Dizer que crianças podem decidir escolher o sexo que quer ter. Quando falamos de direitos não devemos esquecer-nos dos deveres. O menor não responde por ele. Queremos lutar por igualdade de condições, mas crianças não são capazes de ter essas decisões tão cedo.

 

Para não terem dúvida do que falo não teria vergonha ou demonstraria um amor diferente por ter um filho homossexual, bissexual, travesti e ou mesmo transexual. Mas a descoberta da sexualidade não é algo que vem cedo no meu entendimento como eles querem empurrar para a gente. Acho uma conversa fiada isso.

 

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/crianca-transexual-e-proibida-de-usar-banheiro-feminino-em-escola-nos-eua.html

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Esse cara é doente, tinham que fazer um exame psiquiátrico urgente. O que ele fala não tem a menor lógica. Quer dizer que se os homossexuais conquistarem direitos a sociedade vai ficar predominantemente homossexual? Ele deve ser uma bicha enrustida, não tem outra explicação.

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Caramba!!! Criança querer ser transexual? Sério? Eu achei a reportagem do Fantástico muito tendenciosa e perigosa. E vai para o lado do radicalismo. A criança é incapaz de decidir por ela é um ser humano inimputável. Eu acho que isto pode até ter influencia dos pais ou de outras pessoas. E algumas até com má fé ou malícia.

 

Vejam bem não sou contra transexuais ou ninguém dos movimentos LGBTT ao contrario. Sou a favor do casamento Gay e até da adoção por pais homossexuais, mas isto ai não. Para mim é o limite e acho ridículo.

 

Achei essa reportagem muito cara de pau. Dizer que crianças podem decidir escolher o sexo que quer ter. Quando falamos de direitos não devemos esquecer-nos dos deveres. O menor não responde por ele. Queremos lutar por igualdade de condições, mas crianças não são capazes de ter essas decisões tão cedo.

 

Para não terem dúvida do que falo não teria vergonha ou demonstraria um amor diferente por ter um filho homossexual, bissexual, travesti e ou mesmo transexual. Mas a descoberta da sexualidade não é algo que vem cedo no meu entendimento como eles querem empurrar para a gente. Acho uma conversa fiada isso.

 

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/crianca-transexual-e-proibida-de-usar-banheiro-feminino-em-escola-nos-eua.html

 

Muitas pessoas, mesmo sem saber, estão aderindo ao conceito americano de "liberdade". Lá, em uma interpretação completamente absurda da constituição, é possível expressar seu discurso de ódio, de radicalismo irracional, e ainda ser protegido pelo Estado (curiosamente, como abordarei adiante). Faço uma associação entre esse conceito antigo e um movimento mais recente, que muitos seguem mesmo sem dar nome aos bois. Chama-se objetivismo. É algo recente, mas que se encaixa com a interpretação de "liberdade" conferida à consituição de lá. Trata-se de um movimento "filosófico" (tenho problemas com a terminologia, mas isso não vem ao caso) encabeçado por uma imigrante russa chamada Ayn Rand (que se parece com a psicóloga da reportagem), que chegou aos EUA fugindo da revolução russa. Suas ideias, basicamente, defendem a liberdade para tudo. O problema é que o único intuito dela, com isso, era justificar a liberdade econômica, ou o libertarianismo. Uma pesquisada sobre essa filosofia revela que ela não se opõe a nada: é possível criar lugares que proíbam a entrada de negros, garantindo a liberdade de expressão do cidadão que não gosta de pessoas de cor, por exemplo.

 

Chegamos à matéria sobre a mudança de sexo em crianças. O brasileiro reacionário (de qualquer classe econômica/social) é o público alvo do Fantástico. A Globo, por sua vez, tem uma visão claramente alinhada à essa política/filosofia americana: é claramente direitista, mas com esse viés "bacana" no tocante às liberdades sociais (mas não necessariamente legais; apenas não é ilícito). Por isso vende essa visão terna das crianças transsexuais (sic). É uma mera cópia do sistema americano de "liberdade". Liberdade essa, claro, garantida pelo Estado, que só tem essa função: não pode o governo se meter em absolutamente nada, apenas garantir o direito de tudo e todos à liberdade. Obviamente, essa linha de pensamento tem problemas graves. No caso em questão, é ÓBVIO que a criança teve apenas uma identificação com a estética feminina. Não tem problema gostar, inicialmente, de bonecas. Mas entrar exclusivamente no universo feminino é um erro dos pais. Uma criança de 1 ano não tem capacidade para discernir isso. Ninguém nasce com um gene obrigando meninos a gostarem de azul e carrinhos e as meninas a usar rosa e brincar de boneca. Mas cabe aos pais, em tese, orientar a criança ao caminho natural da sociedade. Se a situação mais para a frente revelar um caso de homossexualidade, não vejo problema nenhum com o que a pessoa quiser fazer da vida ou do corpo, contanto que espere o amadurecimento para isso.

 

Não há "liberdade" que justifique o caminho da natureza ou da sociedade estabelecida. A criança/adolescente não é capaz para se sustentar financeiramente, mas é capaz para decidir sua opção sexual? É incapaz para tal ato, mas capaz para outro? Defendo que é necessário esperar a hora certa para tudo, mesmo que os sinais sejam gritantes desde cedo. É questão de prudência, não de liberdade. Os danos decorrentes disso podem ser permanentes

 

PS. Outra bobagem é esse papo de "mudei de sexo". NINGUÉM MUDA DE SEXO, nem a Lea T, nem a Roberta Close e muito menos a Divine. Os cromossomos continuam os mesmos, XX ou XY. A pessoa pode se esforçar ao máximo para mudar suas características visuais. Pode raspar o gogó, esculpir a genitália, tomar doses cavalares de hormônio para ficar com aquela voz de taquara rachada... o que for. Mas nasceu homem, morre homem. Isso a ciência ainda não conseguiu mudar. Ou alguém aqui gostaria de conhecer a mulher da sua vida, conferir o RG com nome feminino, casar com a pessoa e... descobrir que trata-se de um XY? Ou apenas beijar uma pessoa dessas, o que já me daria nojo. Vejo isso como um caso claro de estelionato. E patrocinado pelo Estado, diga-se de passagem. Pode até mudar o nome, mas deixe claro na documentação, eternamente, que trata-se de uma pessoa que "mudou" de sexo.

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Caramba!!! Criança querer ser transexual? Sério? Eu achei a reportagem do Fantástico muito tendenciosa e perigosa. E vai para o lado do radicalismo. A criança é incapaz de decidir por ela é um ser humano inimputável. Eu acho que isto pode até ter influencia dos pais ou de outras pessoas. E algumas até com má fé ou malícia.

 

Vejam bem não sou contra transexuais ou ninguém dos movimentos LGBTT ao contrario. Sou a favor do casamento Gay e até da adoção por pais homossexuais, mas isto ai não. Para mim é o limite e acho ridículo.

 

Achei essa reportagem muito cara de pau. Dizer que crianças podem decidir escolher o sexo que quer ter. Quando falamos de direitos não devemos esquecer-nos dos deveres. O menor não responde por ele. Queremos lutar por igualdade de condições, mas crianças não são capazes de ter essas decisões tão cedo.

 

Para não terem dúvida do que falo não teria vergonha ou demonstraria um amor diferente por ter um filho homossexual, bissexual, travesti e ou mesmo transexual. Mas a descoberta da sexualidade não é algo que vem cedo no meu entendimento como eles querem empurrar para a gente. Acho uma conversa fiada isso.

 

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/crianca-transexual-e-proibida-de-usar-banheiro-feminino-em-escola-nos-eua.html

 

 

 

Muitas pessoas, mesmo sem saber, estão aderindo ao conceito americano de "liberdade". Lá, em uma interpretação completamente absurda da constituição, é possível expressar seu discurso de ódio, de radicalismo irracional, e ainda ser protegido pelo Estado (curiosamente, como abordarei adiante). Faço uma associação entre esse conceito antigo e um movimento mais recente, que muitos seguem mesmo sem dar nome aos bois. Chama-se objetivismo. É algo recente, mas que se encaixa com a interpretação de "liberdade" conferida à consituição de lá. Trata-se de um movimento "filosófico" (tenho problemas com a terminologia, mas isso não vem ao caso) encabeçado por uma imigrante russa chamada Ayn Rand (que se parece com a psicóloga da reportagem), que chegou aos EUA fugindo da revolução russa. Suas ideias, basicamente, defendem a liberdade para tudo. O problema é que o único intuito dela, com isso, era justificar a liberdade econômica, ou o libertarianismo. Uma pesquisada sobre essa filosofia revela que ela não se opõe a nada: é possível criar lugares que proíbam a entrada de negros, garantindo a liberdade de expressão do cidadão que não gosta de pessoas de cor, por exemplo.

 

Chegamos à matéria sobre a mudança de sexo em crianças. O brasileiro reacionário (de qualquer classe econômica/social) é o público alvo do Fantástico. A Globo, por sua vez, tem uma visão claramente alinhada à essa política/filosofia americana: é claramente direitista, mas com esse viés "bacana" no tocante às liberdades sociais (mas não necessariamente legais; apenas não é ilícito). Por isso vende essa visão terna das crianças transsexuais (sic). É uma mera cópia do sistema americano de "liberdade". Liberdade essa, claro, garantida pelo Estado, que só tem essa função: não pode o governo se meter em absolutamente nada, apenas garantir o direito de tudo e todos à liberdade. Obviamente, essa linha de pensamento tem problemas graves. No caso em questão, é ÓBVIO que a criança teve apenas uma identificação com a estética feminina. Não tem problema gostar, inicialmente, de bonecas. Mas entrar exclusivamente no universo feminino é um erro dos pais. Uma criança de 1 ano não tem capacidade para discernir isso. Ninguém nasce com um gene obrigando meninos a gostarem de azul e carrinhos e as meninas a usar rosa e brincar de boneca. Mas cabe aos pais, em tese, orientar a criança ao caminho natural da sociedade. Se a situação mais para a frente revelar um caso de homossexualidade, não vejo problema nenhum com o que a pessoa quiser fazer da vida ou do corpo, contanto que espere o amadurecimento para isso.

 

Não há "liberdade" que justifique o caminho da natureza ou da sociedade estabelecida. A criança/adolescente não é capaz para se sustentar financeiramente, mas é capaz para decidir sua opção sexual? É incapaz para tal ato, mas capaz para outro? Defendo que é necessário esperar a hora certa para tudo, mesmo que os sinais sejam gritantes desde cedo. É questão de prudência, não de liberdade. Os danos decorrentes disso podem ser permanentes

 

PS. Outra bobagem é esse papo de "mudei de sexo". NINGUÉM MUDA DE SEXO, nem a Lea T, nem a Roberta Close e muito menos a Divine. Os cromossomos continuam os mesmos, XX ou XY. A pessoa pode se esforçar ao máximo para mudar suas características visuais. Pode raspar o gogó, esculpir a genitália, tomar doses cavalares de hormônio para ficar com aquela voz de taquara rachada... o que for. Mas nasceu homem, morre homem. Isso a ciência ainda não conseguiu mudar. Ou alguém aqui gostaria de conhecer a mulher da sua vida, conferir o RG com nome feminino, casar com a pessoa e... descobrir que trata-se de um XY? Ou apenas beijar uma pessoa dessas, o que já me daria nojo. Vejo isso como um caso claro de estelionato. E patrocinado pelo Estado, diga-se de passagem. Pode até mudar o nome, mas deixe claro na documentação, eternamente, que trata-se de uma pessoa que "mudou" de sexo.

 

 

 

Esse caso é polemico, mas o transexual "já nasce" se achando mulher. 

 

não é que que ele que ele se ache mulher, ele vai se identificando mais com as coisas oriundas da mulher até começar a entender o que é mulher e assim se ver como mulher em corpo de homem. É difícil explicar, imagino que o Fantástico tenha cido extremamente superficial com o assunto. 

 

Agora, uma coisa é o menino gostar de coisas de menina, outra coisa é o garoto se sentir menina. Um pai não precisa dar brinquedo de homem pro menino se desenvolver homem, ele pode dar brinquedo feminino ou vestido feminino e isso não interferir na sexualidade da criança no seu desenvolvimento.

 

E sinceramente, não dá para descartar o fator genético como uma das influências.

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Não estou negando a sua natureza se ela for mesmo transexual. Não estou defendendo liberdades, para uma futura decisão, por exemplo, de uma mudança de sexo. Tivemos um caso absurdo de criança de 8 anos que fez isto. Para mim isto é exagero. Ela não precisava fazer isto tão cedo e acho ate criminoso.

 

E sobre o banheiro é um problema, pois tanto a criança como as outras crianças ficam desconfortáveis. Pois logicamente vai incomodar as meninas. Nesse caso infelizmente vai ter que ter um banheiro especial. Ou só ir sozinha mesmo. Um menino que quer ser menina mesmo usar um banheiro vai sofrer esse tipo de situação. Lógico que com isto é segregado infelizmente. Mas e as outras crianças? Ali existe um comprometimento da liberdade de outros.

 

Sou muito cético com o despertar da sexualidade tão cedo como eles tentam mostrar. Essas noções de identidade “quem sou” ou “que sou” não vem tão cedo e é perigoso. No caso ali eles incentivaram a escolha o que não é bom. A escolha deve ser incentivada quando esta tem maturidade. E se amanhã a criança querer ser um astronauta e depois quer ser um engenheiro? Isto é bem comum. Algumas vezes é uma escolha até duradoura e raras vezes decisiva. Porém só com o tempo veem que aquilo não bem o que queriam ser e algumas fantasiosas. Tipo: “Quero ser um monstro, o super-herói tal e quero ser um animal e voar”.  Enfim claro não é mesma coisa de não aceitar seu sexo. Mas acho um exemplo válido.

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Não estou negando a sua natureza se ela for mesmo transexual. Não estou defendendo liberdades, para uma futura decisão, por exemplo, de uma mudança de sexo. Tivemos um caso absurdo de criança de 8 anos que fez isto. Para mim isto é exagero. Ela não precisava fazer isto tão cedo e acho ate criminoso.

 

E sobre o banheiro é um problema, pois tanto a criança como as outras crianças ficam desconfortáveis. Pois logicamente vai incomodar as meninas. Nesse caso infelizmente vai ter que ter um banheiro especial. Ou só ir sozinha mesmo. Um menino que quer ser menina mesmo usar um banheiro vai sofrer esse tipo de situação. Lógico que com isto é segregado infelizmente. Mas e as outras crianças? Ali existe um comprometimento da liberdade de outros.

 

Sou muito cético com o despertar da sexualidade tão cedo como eles tentam mostrar. Essas noções de identidade “quem sou” ou “que sou” não vem tão cedo e é perigoso. No caso ali eles incentivaram a escolha o que não é bom. A escolha deve ser incentivada quando esta tem maturidade. E se amanhã a criança querer ser um astronauta e depois quer ser um engenheiro? Isto é bem comum. Algumas vezes é uma escolha até duradoura e raras vezes decisiva. Porém só com o tempo veem que aquilo não bem o que queriam ser e algumas fantasiosas. Tipo: “Quero ser um monstro, o super-herói tal e quero ser um animal e voar”.  Enfim claro não é mesma coisa de não aceitar seu sexo. Mas acho um exemplo válido.

 

Putz, é absurdo mesmo, uma criança de 8 anos mudar de sexo.

 

Para uma pessoa mudar de sexo ela tem que passar 3 anos em consultas com psicólogos, para depois ter a autorização de fazer a cirurgia, isso é o que a lei exige. E eu acredito que a pessoa tenha que ser de 18 anos pra cima.

 

É uma questão complicadíssima porque após feito a remoção do orgão masculino, não da para voltar atrás.

 

Concordo com você em tudo.

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Só o que faltava o comentarista Arnaldo Jabor agora expos publicamente no Jornal da Globo seu anti-islamismo. Generalizou para variar islâmico com extremista radical ou terrorista. Incrível que a Globo ainda se apega a esses termos claramente preconceituosos e radicais made FOX News. Foi como eu disse e repito a Globo e o Jornal da Globo toma parcialidade como seu carro chefe. Nesse caso claro preconceito e generalização.

Agora vamos perseguir os islâmicos por considerar todos eles criminosos? Fazer como fez o Datena com os Ateus? Ou Hitler com os Judeus? Generalizar, banalizar e expor preconceitos. Alias foram esses mesmos sentimentos de generalização que fizeram o lamentável incidente em Boston. Nem todo Estadunidense é pró-guerra no Iraque e Afeganistão. Do mesmo modo que nem todo mulçumano Jabor templário é uma crença maligna. Volta para o século XXI.

Alias alguém leva Arnaldo Jabor a sério? Eu sei que muitos não, mas eu sei também que muitos sim infelizmente. Afinal ainda apresenta miseravelmente seu quadro idiota de comentarista. Desse modo é implanta o ovo da serpente aos poucos em mentes menos esclarecidas. Assim vem o retrocesso que permite Felicianos, Datenas, Jabores, Olavos de Carvalhos e Bolsonaros. Alguns na política e ai mora o perigo. Pessoas que desprezam a diversidade e esses sim são extremistas independente de suas crenças, ideologias e cor.

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=rVZNVDwnTcY

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O que será que acontece se trocar a palavra islã por judaísmo, catolicismo ou ateus? Tipo: “O judaísmo não quer progresso. Ou eles são animais. Uma religião do mal”.

Já vimos estes apelos chauvinistas antes na história. E sabemos onde isto vai dar.

 

Mais lixo generalizador:

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=V6oghb8zuIs&feature=youtu.be

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Jabor é um típico aristocrata brasileiro. Ou aspirante a tal. Desses que povoam a cena cultural do país. Não tem, como quase sempre ocorre em se tratando desse tipo de gente, talento nenhum. Seus filmes são bobagens, em sua maioria. Suas opiniões carecem de um mínimo raciocínio lógico, mas isso é ocultado por sua imposição teatral e histérica. O cara pode falar asneiras por 10 horas seguidas e convencer toda uma platéia, enquanto uma pessoa de opinião lúcida e embasada na lógica pode parecer um amador, quando a verdade é exatamente o oposto. Sua generalização, no caso, além de embasada no ódio não fundamentado, é "convincente" por seu talento teatral. Não merece respeito.

 

PS: ainda sobre sua formação aristocrática, isso pode se aplicar a qualquer "artista" desse país. Muita gente sem talento ou conhecimento técnico consegue fazer e dar publicidade à sua arte-porcaria. Uma pessoa sem recursos, mas com visível talento, não consegue se projetar na cena cultural. Não é que nosso país não tenha uma cultura rica, é que ela é sufocada por essa escória elitista de ego inflado.

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O que será que acontece se trocar a palavra islã por judaísmo, catolicismo ou ateus? Tipo: “O judaísmo não quer progresso. Ou eles são animais. Uma religião do mal”.

 

Já vimos estes apelos chauvinistas antes na história. E sabemos onde isto vai dar.

 

Mais lixo generalizador:

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=V6oghb8zuIs&feature=youtu.be

 

"habitadas por analfabetos e pobres.."

 

What porra is it?

 

ele sabe qual a lingua falada e escrita por lá? ele sabe o que e quem são os analfabetos e pobres de lá?

 

O My! 

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What the heck is this?
 

 

Feliciano coloca projeto de ‘cura gay’ para votação

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC-SP), colocou na pauta a votação do chamado projeto de “cura gay”. A proposta do tucano João Campos (PSDB-GO), que pretende suspender norma do Conselho Federal de Psicologia que proibia os profissionais da área de tentarem alterar a orientação sexual do paciente ou atribuir caráter patológico à opção sexual, já recebeu parecer favorável do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), indicado por Feliciano para a relatoria. O presidente da comissão, o autor do projeto e o relator são pastores evangélicos.

O Projeto de Decreto Legislativo de Campos será apreciado pelo plenário da Casa na próxima reunião da comissão, no dia 8. Depois, segue para a Comissão de Seguridade Social e Família e, em seguida, para a Comissão de Constituição e Justiça.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/julia-duailibi/feliciano-coloca-projeto-de-cura-gay-para-votacao/

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Ilhas Salomão: Onde parte da população negra tem cabelos loiros naturais!
 – 4 DE MAIO DE 2013PUBLICADO EM: CURIOSIDADESO CORPO HUMANO

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salom%C3%A3o.jpgParece montagem ou que os cabelos destas pessoas são descoloridos, mas não é. Cerca de 10% da população nativa, de pele negra das Ilhas Salomão possuem cabelos naturalmente loiros. Os habitantes locais diziam que os cabelos loiros eram resultado da excessiva ao sol, ou de uma dieta rica em peixe. Até pouco tempo acreditava-se que era uma herança genética de ancestrais distantes como mercadores europeus que por muitas vezes passavam pelas ilhas deixando descendentes.

Mas recentemente descobriu-se que a variante genéticaresponsável pelo cabelo louro dos insulares é diferente da que causa a mesma característica nos europeus. Pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos publicaram recentemente na “Science” os resultados da pesquisa. Foram analisadas amostras da saliva de mais de mil insulares, com atenção especial para um subconjunto de nativos de cabelos naturalmente loiros.

O gene é o TYRP1, o responsável por codificar uma enzima que age fortemente na pigmentação dos humanos. Acredita-se que durante as migrações humanas, algumas tribos se dirigiram para o norte, indo para a região onde hoje é a Europa. Estes povos expressaram o gene TYRP1, o que acabou lhes conferindo cabelos loiros. Entretanto, algumas pessoas das Ilhas Salomão, muito longe da Europa, apresentam cor de cabelos aloirados também, apesar da pele escura.

 Um estudo sobre essas pessoas revelou que elas evoluíram de forma diferente dos seus primos Europeus. Ao que parece, o gene responsável pelo cabelo loiro das pessoas das Ilhas Salomão não é exatamente o TYRP1 que ocorre nos europeus. Cerca de um quarto da população das Ilhas Salomão é portadora da mutação em seus genomas, mas como ele é recessivo, não aparece logo de cara, pois para que um gene recessivo seja expressado, são necessários dois deles. Os pesquisadores acreditam que a mutação que ocorre nos nativos das Ilhas Salomão pode ter surgido entre 5.000 e 30.000 anos atrás.

 negros-com-os-cabelos-loiros-1.jpg

popula%C3%A7%C3%A3o-das-Ilhas-Salom%C3%A

salom%C3%A3o2.jpg

meninos-negros-e-loiros.jpg

 

http://diariodebiologia.com/2013/05/ilhas-salomao-onde-parte-da-populacao-negra-tem-cabelos-loiros-naturais/

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Texto relativamente antigo, mas que vale muito a leitura e reflexão:

 


"O Fascismo Eterno"
Em 1942, com a idade de dez anos, ganhei o prêmio nos Ludi Juveniles (um concurso com livre participação obrigatória para jovens fascistas italianos – o que vale dizer, para todos os jovens italianos). Tinha trabalhado com virtuosismo retórico sobre o tema: “Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?” Minha resposta foi afirmativa. Eu era um garoto esperto. 

Depois, em 1943, descobri o significado da palavra “liberdade”. Contarei esta história no fim do meu discurso. Naquele momento, “liberdade” ainda não significava “liberação”.

Passei dois dos meus primeiros anos entre SS, fascistas e resistentes, que disparavam uns nos outros, e aprendi a esquivar-me das balas. Não foi mal exercício. 

Em abril de 1945, a Resistência tomou Milão. Dois dias depois os resistentes chegaram à pequena cidade em que eu vivia. Foi um momento de alegria. A praça principal estava cheia de gente que cantava e desfraldava bandeirolas, invocando Mimo, o líder a resistência na área, em alto brado. Mimo, ex-suboficial dos carabinieri, envolveu-se com os partidários do marechal Badoglio e perdeu uma perna nos primeiros confrontos. Apareceu no balcão da Prefeitura, apoiado em muletas, pálido; tentou acalmar a multidão com uma mão. Eu estava ali esperando seu discurso, já que toda a minha infância tinha sido marcada pelos grandes discursos históricos de Mussolini, cujos passos mais significativos aprendíamos de cor na escola. Silêncio. Mimo falo com voz rouca, quase não se ouvia. Disse: “Cidadãos, amigos. Depois de tantos sacrifícios dolorosos...aqui estamos. Glória aos que caíram pela liberdade...”. E foi tudo. Ele voltou para dentro. A multidão gritava, os membros da resistência levantaram as armas e atiraram para o alto, festivamente. Nós, rapazes, nos precipitamos para recolher os cartuchos, preciosos objetos de coleção, mas eu tinha aprendido então que liberdade de palavra significa também liberdade da retórica. 

Alguns dias depois vi os primeiros soldados americanos. Eram afro-americanos. O primeiro ianque que encontrei era um negro, Joseph, que me apresentou às maravilhas de Dick Tracy e Ferdinando Buscapé. Seus gibis eram coloridos e tinham um cheiro bom.

Um dos oficiais (o major ou capitão Muddy) era hóspede na casa da família de dois dos meus companheiros de escola. Sentia-me em casa naquele jardim em que alguns senhores amontoavam-se em torno ao capitão Muddy, falando um francês aproximativo. O capitão Muddy tinha uma boa educação superior e conhecia um pouco de francês. Assim, minha primeira imagem dos libertadores americanos, depois de tantos caras-pálidas de camisa negra, era a de um negro culto em uniforme cáqui que dizia: “Oui, merci beaucoup Madame, moi aussi j'aime le champagne...” Infelizmente, faltava o champagne, mas ganhei do capitão Muddy o meu primeiro chiclete e comecei mastigando o dia inteiro. De noite colocava o chiclete em um copo d'água para que ficasse fresco para o dia seguinte. 

Em maio, ouvimos dizer que a guerra tinha acabado. A paz deu-me uma sensação curiosa. Haviam me dito que a guerra permanente era a condição normal de um jovem italiano. Nos meses seguintes descobri que a Resistência não era apenas um fenômeno local, mas Europeu. Aprendi novas e excitantes palavras como “reseau”, “maquis”, “armée secrète”, “Rote Kapelle”, “gueto de Varsóvia”. Vi as primeiras fotografias do Holocausto e assim compreendi seu significado antes mesmo de conhecer a palavra. Percebi que havíamos sido liberados. 

Hoje na Itália existem algumas pessoas que se perguntam se a Resistência teve algum impacto militar real no curso da guerra. Para a minha geração a questão é irrelevante: compreendo imediatamente o significado moral e psicológico da Resistência. Era motivo de orgulho saber que nós, europeus, não tínhamos esperado passivamente pela liberação. Penso que, também para os jovens americanos que derramaram seu sangue pela nossa liberdade, não era irrelevante saber que atrás das linhas havia europeus que já estavam pagando seu débito. 

Hoje na Itália tem gente que diz que a Resistência é um mito comunista. É verdade que os comunistas exploraram a Resistência como uma propriedade pessoal, pois realmente tiveram um papel primordial no movimento; mas lembro-me dos resistentes com bandeiras de diversas cores. 

Grudado ao rádio, passava as noites – as janelas fechadas e a escuridão geral faziam do pequeno espaço em torno ao aparelho o único halo luminoso – escutando as mensagens que a Rádio Londres transmitia para a Resistência. Eram, ao mesmo tempo, obscuras e poéticas (“Ainda brilha o sol”, “As rosas hão de florir”), mas a maior parte eram “mensagens para Franchi”. Alguém soprou no meu ouvido que Franchi era o líder de um dos grupos clandestinos mais poderosos da Itália do Norte, um homem de coragem legendária. Franchi tornou-se o meu herói. Franchi (cujo verdadeiro nome era Edgardo Sogno) era um monarquista tão anticomunista que, depois da guerra, se uniu a um grupo de extrema direita e foi até acusado de ter participado de um golpe de Estado reacionário. Mas que importa? Sogno ainda é o sonho da minha infância. A liberação foi um empreendimento comum de gente das mais diversas cores.

Hoje na Itália tem gente que diz que a guerra de liberação foi um trágico período de divisão, e que precisamos agora de uma reconciliação nacional. A recordação daqueles anos terríveis deveria ser reprimida. Mas a repressão provoca neuroses. Se a reconciliação significa compaixão e respeito por todos aqueles que lutaram sua guerra de boa-fé, perdoar não significa esquecer. Posso até admitir que Eichmann acreditava sinceramente em sua missão, mas não posso dizer: “Ok, volte e faça tudo de novo”. Estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar solenemente que “eles” não podem repetir o que fizeram. 

Mas quem são “eles”?

Se pensamos ainda nos governos totalitários que dominaram a Europa antes da Segunda Guerra Mundial, podemos dizer com tranquilidade que seria muito difícil que eles retornassem sob a mesma forma, em circunstâncias históricas diversas. Se o fascismo de Mussolini baseava-se na idéia de um líder carismático, no corporativismo, na utopia do “destino fatal de Roma”, em uma vontade imperialista de conquistar novas terras, em um nacionalismo exacerbado, no ideal de uma nação inteira arregimentada sob a camisa negra, na recusa da democracia parlamentar, no anti-semitismo, então não tenho dificuldade para admitir que a Aliança Nacional, nascida do Movimento Social e Italiano (MSI), é certamente um partido de direita, mas tem muito pouco a ver com o velho fascismo. Pelas mesmas razões, mesmo preocupado com os vários movimentos neonazistas ativos aqui e ali na Europa, inclusive na Rússia, não penso que o nazismo, e sua forma original, esteja ressurgindo como movimento capaz de mobilizar uma nação inteira. 

Todavia, embora os regimes políticos possam ser derrubados e as ideologias criticadas e destituídas de sua legitimidade, por trás de um regime e de sua ideologia há sempre um modo de pensar e de sentir, uma série de hábitos culturais, uma nebulosa de instintos obscuros e de pulsões insondáveis. Há, então, um outro fantasma que ronda a Europa (para não falar de outras partes do mundo)?

Ionesco disse certa vez que “somente as palavras contam, o resto é falatório”. Os hábitos linguísticos são muitas vezes sintomas importantes de sentimentos não expressos. 

Portanto, permitam-me perguntar por que não somente a Resistência mas toda a Segunda Guerra Mundial foram definidas em todo o mundo com uma luta contra o fascismo. Se relerem "Por quem os sinos dobram", de Hemingway, vão descobrir que Robert Jordan identifica seus inimigos com os fascistas, mesmo quando está pensando nos falangistas espanhóis. 

Permitam-me passar a palavra a Franklin Delano Roosevelt: “A vitória do povo americano e de seus aliados será uma vitória contra o fascismo e o beco sem saída que ele representa” (23 de setembro de 1944).

Durante os anos de McCarthy, os americanos que tinham participado da guerra civil espanhola eram chamados de “fascistas prematuros” - entendendo com isso que combater Hitler nos anos 40 era um dever moral de todo bom americano, mas combater Franco cedo demais, nos anos 30, era suspeito. Por que uma expressão como “fascist pig” era usada pelos radicais americanos até para indicar um policial que não aprovava os que fumavam? Por que não diziam: “Porco Caugolard”, “Porco Falangista”, “Porco Quisling”, “Porco croata”, “Porco Ante Pavelic”, “Porco nazista”?

Mein Kampf é o manifesto completo de um programa político. O nazismo tinha uma teoria do racismo e do arianismo, uma noção precisa de entartete Kunst, a “arte degenerada”, uma filosofia da vontade de potência e daÜbermensch. O nazismo era decididamente anticristão e neopagão, da mesma maneira que o Diamat (versão oficial do marxismo soviético) de Stalin era claramente materialista e ateu. Se como totalitarismo entende-se um regime que subordina qualquer ato individual ao Estado e sua ideologia, então nazismo e estalinismo eram regimes totalitários. 

O fascismo foi certamente uma ditadura, mas não era completamente totalitário, nem tanto por sua brandura quanto pela debilidade filosófica de sua ideologia. Ao contrário do que se pensa comumente, o fascismo italiano não tinha uma filosofia própria. O artigo sobre o fascismo assinado por Mussolini para a Enciclopédia Treccani foi escrito ou inspirou-se fundamentalmente em Giovanni Gentile, mas refletia uma noção hegeliana tardia do “Estado ético absoluto”, que Mussolini nunca realizou completamente. Mussolini não tinha qualquer filosofia: tinha apenas uma retórica.

Começou como ateu militante, para depois firmar a concordata com a Igreja e confraternizar com os bispos que benziam os galhardetes fascistas. Em seus primeiros anos anticlericais, segundo uma lenda plausível, pediu certa vez a Deus que o fulminasse ali mesmo para provar sua existência. Deus estava, evidentemente, distraído. Nos anos seguintes, em seus discursos, Mussolini citava sempre o nome de Deus e não desdenhava o epíteto: “homem da Providência”. Pode-se dizer que o fascismo italiano foi a primeira ditadura de direita que dominou um país europeu e que, em seguida, todos os movimentos análogos encontraram uma espécie de arquétipo comum no regime de Mussolini. 

O fascismo italiano foi o primeiro a criar uma liturgia militar, um folclore e até mesmo um modo de vestir-se – conseguindo mais sucesso no exterior que Armani, Benetton ou Versace. Foi somente nos anos 30 que surgiram movimentos fascistas na Inglaterra, com Mosley, e na Letônia, Estônia, Lituânia, Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Grécia, Iugoslávia, Espanha, Portugal, Noruega e até na América do Sul, para não falar da Alemanha. Foi o fascismo italiano que convenceu muitos líderes liberais europeus de que o novo regime estava realizando interessantes reformas sociais, capazes de fornecer uma alternativa moderadamente revolucionária à ameaça comunista. 

Todavia, a prioridade histórica não me parece ser uma razão suficiente para explicar por que a palavra “fascismo” tornou-se uma sinédoque, uma denominação pars pro toto para movimentos totalitários diversos. Não adianta dizer que o fascismo continha em si todos os elementos dos totalitarismos sucessivos, por assim dizer, em “estado quintessencial”. Ao contrário, o fascismo não possuía nenhuma quintessência e sequer uma só essência. O fascismo era um totalitarismo fuzzy (1). O fascismo não era uma ideologia monolítica, mas antes uma colagem de diversas idéias políticas e filosóficas, uma colméia de contradições. É possível conceber um movimento totalitário que consiga juntar monarquia e revolução, exército real e milícia pessoal de Mussolini, os privilégios concedidos à Igreja e uma educação estatal que exaltava a violência e o livre mercado?

O partido fascista nasceu proclamando sua nova ordem revolucionária, mas era financiado pelos proprietários de terras mais conservadores, que esperavam uma contra-revolução. O fascismo do começo era republicano e sobreviveu durante vinte anos proclamando sua lealdade à família real, permitindo que um “duce” puxasse as cordinhas de um “rei”, a quem ofereceu até o título de “imperador”. Mas quando, em 1943, o rei despediu Mussolini, o partido reapareceu dois meses depois, com a ajuda dos alemães, sob a bandeira de uma república “social”, reciclando sua velha partitura revolucionária, enriquecida de acentuações quase jacobinas. 

Existiu apenas uma arquitetura nazista, apenas uma arte nazista. Se o arquiteto nazista era Albert Speer, não havia lugar para Mies van der Rohe. Da mesma maneira, sob Stalin, se Lamarck tinha razão, não havia lugar para Darwin. Ao contrário, existiram certamente arquitetos fascistas, mas ao lado de seus pseudocoliseus surgiram também os novos edifícios inspirados no moderno racionalismo de Gropius. 

Não houve um Zdanov fascista. Na Itália existiam dois importantes prêmios artísticos: o Prêmio Cremona era controlado por um fascista inculto e fanático como Farinacci, que encorajava uma arte propagandista (recordo-me de quadros intitulados Ascoltando all radio un discorso del Duce ou Stati mentali creati dal Fascismo); e o Prêmio Bergamo, patrocinado por um fascista culto e razoavelmente tolerante como Bottai, que protegia a arte pela arte e as novas experiências da arte de vanguarda que, na Alemanha, haviam sido banidas como corruptas, criptocomunistas, contrárias ao Kitsch nibelúngico, o único aceito. 

O poeta nacional era D'Annunzio, um dândi que na Alemanha ou na Rússia teria sido colocado diante de um pelotão de fuzilamento. Foi alçado à categoria de vate do regime pro seu nacionalismo e seu culto do heroísmo –com o acréscimo de grandes doses de decadentismo francês. 

Tomemos o futurismo. Deveria ter sido considerado um exemplo de entartete Kunst, assim como o expressionismo, o cubismo, o surrealismo. Mas os primeiros futuristas italianos eram nacionalistas, favoreciam por motivos estéticos a participação da Itália na Primeira Guerra Mundial, celebravam a velocidade, a violência, o risco e, de certa maneira, estes aspectos pareciam próximos ao culto fascista da juventude. Quando o fascismo identificou-se com o império romano e redescobriu as tradições rurais, Marinetti (que proclamava que um automóvel era mais belo que a Vitória de Samotrácia e queria inclusive matar o luar) foi nomeado membro da Accademia d'Italia, que tratava o luar com grande respeito. 

Muitos dos futuros membros da Resistência, e dos futuros intelectuais do futuro Partido Comunista, foram educados no GUF, a associação fascista dos estudantes universitários, que deveria ser o berço da nova cultura fascista. Esses clubes tornaram-se uma espécie de caldeirão intelectual em que circulavam novas idéias sem nenhum controle ideológico real, não tanto porque os homens de partido fossem tolerantes, mas porque poucos entre eles possuíam os instrumentos intelectuais para controlá-los. 

No curso daqueles vinte anos, a poesia dos herméticos representou uma reação ao estilo pomposo do regime: a estes poetas era permitido elaborar seus protestos literários dentro da torre de marfim. O sentimento dos herméticos era exatamente o contrário do culto fascista do otimismo e do heroísmo. O regime tolerava esta distensão evidente, embora socialmente imperceptível, porque não prestava atenção suficiente ao um jargão tão obscuro. 

O que não significa que o fascismo italiano fosse tolerante. Gramsci foi mantido na prisão até a morte, Matteotti e os irmãos Rosselli foram assassinados, a liberdade de imprensa suspensa, os sindicatos desmantelados, os dissidentes políticos confinados em ilhas remotas, o poder legislativo tornou-se pura ficção e o executivo (que controlava o judiciário, assim como a mídia) emanava diretamente as novas leis, entre as quais a da defesa da raça (apoio formal italiano ao Holocausto).

A imagem incoerente que descrevi não era devida à tolerância: era um exemplo de desconjuntamento político e ideológico. Mas era um “desconjuntamento ordenado”, uma confusão estruturada. O fascismo não tinha bases filosóficas, mas do ponto de vista emocional era firmemente articulado a alguns arquétipos. 

Chegamos agora ao segundo ponto de minha tese. Existiu apenas um nazismo, e não podemos chamar de “nazismo” o falangismo hipercatólico de Franco, pois o nazismo é fundamentalmente pagão, politeísta e anticristão, ou não é nazismo. Ao contrário, pode-se jogar com o fascismo de muitas maneiras, e o nome do jogo não muda. Acontece com a noção de “fascismo” aquilo que, segundo Wittgenstein, acontece com a noção de “jogo”. Um jogo pode ser ou não competitivo, pode envolver uma ou mais pessoas, pode exigir alguma habilidade particular ou nenhuma, pode envolver dinheiro ou não. Os jogos são uma série de atividades diversas que apresentam apenas alguma “semelhança de família”:

1 - 2 - 3 - 4
abc bcd cde def


Suponhamos que exista uam série de grupos políticos. O grupo 1 é caracterizado pelos aspectos abc, o grupo 2, pelos aspectos bcd e assim por diante. 2 é semelhante a 1 na medida em que têm dois aspectos em comum. 3 é semelhante a 2 e 4 é semelhante a 1 (têm em comum o aspecto c). O caso mais curioso é dado pelo 4, obviamente semelhante a 3 e a 2, mas sem nenhuma característica em comum com 1. Contudo, em virtude da ininterrupta série de decrescentes similaridades entre 1 e 4, permanece, por uma espécie de transitoriedade ilusória, um ar de família entre 4 e 1.

O termo “fascismo” adapta-se a tudo porque é possível eliminar de um regime fascista um ou mais aspectos, e ele continuará sempre a ser reconhecido como fascista. Tirem do fascismo o imperialismo e teremos Franco ou Salazar; tirem o colonialismo e teremos o fascismo balcânico. Acrescentem ao fascismo italiano um anticapitalismo radical (que nunca fascinou Mussolini) e teremos Ezra Pound. Acrescentem o culto da mitologia céltica e o misticismo do Graal (completamente estranho ao fascismo oficial) e teremos um dos mais respeitados gurus fascistas, Julios Evola. 

A despeito dessa confusão, considero possível indicar uma lista de características típicas daquilo que eu gostaria de chamar de “Ur-Fascismo”, ou “fascismo eterno”. Tais características não podem ser reunidas em um sistema; muitas se contradizem entre si e são típicas de outras formas de despotismo ou fanatismo. Mas é suficiente que uma delas se apresente para fazer com que se forme uma nebulosa fascista. 

1. A primeira característica de um Ur-Fascismo é o culto da tradição. O tradicionalismo é mais velho que o fascismo. Não somente foi típico do pensamento contra-reformista católico depois da Revolução Francesa, mas nasceu no final da idade helenística como uma reação ao racionalismo grego clássico. 

Na bacia do Mediterrâneo, povos de religiões diversas (todas aceitas com indulgência pelo Panteon romano) começaram a sonhar com uma revelação recebida na aurora da história humana. Essa revelação permaneceu longo tempo escondida sob o véu de línguas então esquecidas. Havia sido confiada aos hieróglifos egípcios, às runas dos celtas, aos textos sacros, ainda desconhecidos, das religiões asiáticas. 

Essa nova cultura tinha que ser sincretista. “Sincretismo” não é somente, como indicam os dicionários, a combinação de formas diversas de crenças ou práticas. Uma combinação assim deve tolerar contradições. Todas as mensagens originais contêm um germe de sabedoria e, quando parecem dizer coisas diferentes ou incompatíveis, é apenas porque todas aludem, alegoricamente, a alguma verdade primitiva. 

Como consequência, não pode existir avanço do saber. A verdade já foi anunciada de uma vez por todas, e só podemos continuar a interpretar sua obscura mensagem. É suficiente observar o ideário de qualquer movimento fascista para encontrar os principais pensadores tradicionalistas. A gnose nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincretistas ocultos. A mais importante fonte teórica da nova direita italiana Julius Evola, misturava o Graal com os Protocolos dos Sábios de Sião, a alquimia com o Sacro Império Romano. O próprio fato de que, para demonstrar sua abertura mental, a direita italiana tenha recentemente ampliado seu ideário juntando De Maistre, Guenon e Gramsci é uma prova evidente de sincretismo.

Se remexerem nas prateleiras que nas livrarias americanas trazem a indicação “New Age”, irão encontrar até mesmo Santo Agostinho e, que eu saiba, ele não era fascista. Mas o próprio fato de juntar Santo Agostinho e Stonehenge, isto é um sintoma de Ur-Fascismo.

2. O tradicionalismo implica a recusa da modernidade. Tanto os fascistas como os nazistas adoravam a tecnologia, enquanto os tradicionalistas em geral recusam a tecnologia como negação dos valores espirituais tradicionais. Contudo, embora o nazismo tivesse orgulho de seus sucessos industriais, seu elogio da modernidade era apenas o aspecto superficial de uma ideologia baseada no “sangue” e na “terra” (Blut und Boden). A recusa do mundo moderno era camuflada como condenação do modo de vida capitalista, mas referia-se principalmente à rejeição do espírito de 1789 (ou 1776, obviamente). O iluminismo, a idade da Razão eram vistos como o início da depravação moderna. Nesse sentido, o Ur-Fascismo pode ser definido como “irracionalismo”. 

3. O irracionalismo depende também do culto da ação pela ação. A ação é bela em si, portanto, deve ser realizada antes de e sem nenhuma reflexão. Pensar é uma forma de castração. Por isso, a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas. Da declaração atribuída a Goebbels (“Quando ouço falar em cultura, pego logo a pistola”) ao uso frequente de expressões como “Porcos intelectuais”, “Cabeças ocas”, “Esnobes radicais”, “As universidades são um ninho de comunistas”, a suspeita em relação ao mundo intelectual sempre foi um sintoma de Ur-Fascismo. Os intelectuais fascistas oficiais estavam empenhados principalmente em acusar a cultura moderna e a inteligência liberal de abandono dos valores tradicionais. 

4. Nenhuma forma de sincretismo pode aceitar críticas. O espírito crítico opera distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço dos conhecimentos. Para o Ur-Fascismo, o desacordo é traição. 

5. O desacordo é, além disso, um sinal de diversidade. O Ur-Fascismo cresce e busca o consenso desfrutando e exacerbando o natural medo da diferença. O primeiro apelo de um movimento fascista ou que está se tornando fascista é contra os intrusos. O Ur-Fascismo é, portanto, racista por definição. 

6. O Ur-Fascismo provém da frustração individual ou social. O que explica por que uma das características dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos. Em nosso tempo, em que os velhos “proletários” estão se transformando em pequena burguesia (e o lumpesinato se auto exclui da cena política), o fascismo encontrará nessa nova maioria seu auditório. 

7. Para os que se vêem privados de qualquer identidade social, o Ur-Fascismo diz que seu único privilégio é o mais comum de todos: ter nascido em um mesmo país. Esta é a origem do “nacionalismo”. Além disso, os únicos que podem fornecer uma identidade às nações são os inimigos. Assim, na raiz da psicologia Ur-Fascista está a obsessão do complô, possivelmente internacional. Os seguidores têm que se sentir sitiados. O modo mais fácil de fazer emergir um complô é fazer apelo à xenofobia. Mas o complô tem que vir também do interior: os judeus são, em geral, o melhor objetivo porque oferecem a vantagem de estar, ao mesmo tempo, dentro e fora. Na América, o último exemplo de obsessão pelo complô foi o livro The New World Order, de Pat Robertson. 

8. Os adeptos devem sentir-se humilhados pela riqueza ostensiva e pela força do inimigo. Quando eu era criança ensinavam-me que os ingleses eram o “povo das cinco refeições”: comiam mais frequentemente que os italianos, pobres mas sóbrios. Os judeus são ricos e ajudam-se uns aos outros graças a uma rede secreta de mútua assistência. Os adeptos devem, contudo, estar convencidos de que podem derrotar o inimigo. Assim, graças a um contínuo deslocamento de registro retórico, os inimigos são, ao mesmo tempo, fortes demais e fracos demais. Os fascismos estão condenados a perder suas guerras, pois são constitutivamente incapazes de avaliar com objetividade a força do inimigo. 

9. Para o Ur-Fascismo não há luta pela vida, mas antes “vida para a luta”. Logo, o pacifismo é conluio com o inimigo; o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente. Contudo, isso traz consigo um complexo de Armagedon: a partir do momento em que os inimigos podem e devem ser derrotados, tem que haver uma batalha final e, em seguida, o movimento assumirá o controle do mundo. Uma solução final semelhante implica uma sucessiva era de paz, uma idade de Ouro que contestaria o princípio da guerra permanente. Nenhum líder fascista conseguiu resolver essa contradição. 

10. O elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária, enquanto fundamentalmente aristocrática. No curso da história, todos os elitismos aristocráticos e militaristas implicaram o desprezo pelos fracos. O Ur-Fascismo não pode deixar de pregar um “elitismo popular”. Todos os cidadãos pertencem ao melhor povo do mundo, os membros do partido são os melhores cidadãos, todo cidadão pode (ou deve) tornar-se membro do partido. Mas patrícios não podem existir sem plebeus. O líder, que sabem muito em que seu poder não foi obtido por delegação, mas conquistado pela força, sabe também que sua força baseia-se na debilidade das massas, tão fracas que têm necessidade e merecem um “dominador”. No momento em que o grupo é organizado hierarquicamente (segundo um modelo militar), qualquer líder subordinado despreza seus subalternos e cada um deles despreza, por sua vez, os seus subordinados. Tudo isso reforça o sentido de elitismo de massa. 

11. Nesta perspectiva, cada um é educado para tornar-se um herói. Em qualquer mitologia, o “herói” é um ser excepcional, mas na ideologia Ur-Fascista o heroísmo é a norma. Este culto do heroísmo é estreitamente ligado ao culto da morte: não é por acaso que o mote dos falangistas era:“Viva la muerte!” À gente normal diz-se que a morte é desagradável, mas é preciso enfrentá-la com dignidade; aos crentes, diz-se que é um modo doloroso de atingir a felicidade sobrenatural. O herói Ur-Fascista, ao contrário, aspira à morte, anunciada como a melhor recompensa para uma vida heróica. O herói Ur-Fascista espera impacientemente pela morte. E sua impaciência, é preciso ressaltar, consegue na maior parte das vezes levar os outros à morte. 

12. Como tanto a guerra permanente como o heroísmo são jogos difíceis de jogar, o Ur-Fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais. Esta é a origem do machismo (que implica desdém pelas mulheres e uma condenação intolerante de hábitos sexuais não-conformistas, da castidade à homossexualidade). Como o sexo também é um jogo difícil de jogar, o herói Ur-Fascista joga com as armas, que são seu Ersatz fálico: seus jogos de guerra são devidos a uma invidia penis permanente. 

13. O Ur-Fascismo baseia-se em um “populismo qualitativo”. Em uma democracia, os cidadãos gozam de direitos individuais, mas o conjunto de cidadãos só é dotado de impacto político do ponto de vista quantitativo (as decisões da maioria são acatadas). Para o Ur-Fascismo os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos e “o povo” é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que exprime “a vontade comum”. Como nenhuma quantidade de seres humanos pode ter uma vontade comum, o líder apresenta-se como seu intérprete. Tendo perdido seu poder de delegar, os cidadãos não agem, são chamados apenas pars pro toto, para assumir o papel de povo. O povo é, assim, apenas uma ficção teatral. Para ter um bom exemplo de populismo qualitativo, não precisamos mais da Piazza Venezia ou do estádio de Nuremberg.

Em nosso futuro desenha-se um populismo qualitativo TV ou Internet, no qual a resposta emocional de um grupo selecionado de cidadãos pode ser apresentada e aceita como a “voz do povo”. Em virtude de seu populismo qualitativo, o Ur-Fascismo deve opor-se aos “pútridos” governos parlamentares. Uma das primeiras frases pronunciadas por Mussolini no parlamento italiano foi: “Eu poderia ter transformado esta assembléia surda e cinza em um acampamento para meus regimentos”. De fato, ele logo encontrou alojamento melhor para seus regimentos e pouco depois liquidou o parlamento. Cada vez que um político põe em dúvida a legitimidade do parlamento por não representar mais a “voz do povo”, pode-se sentir o cheiro de Ur-Fascismo. 

14. O Ur-Fascismo fala a “novilíngua”. A “novilíngua” foi inventada por Orwell em 1984, como língua oficial do Ingsoc, o Socialismo Inglês, mas certos elementos de Ur-Fascismo são comuns a diversas formas de ditadura. Todos os textos escolares nazistas ou fascistas baseavam-se em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico. Devemos, porém estar prontos a identificar outras formas de novilíngua, mesmo quando tomam a forma inocente de um talk-show popular. 

Depois de indicar os arquétipos possíveis do Ur-Fascismo, permitam-me concluir. Na manhã de 27 de julho de 1943 foi-me dito que, segundo informações lidas na rádio, o fascismo havia caído e Mussolini tinha sido feito prisioneiro. Minha mãe mandou-me comprar o jornal. Fui ao jornaleiro mais próximo e vi que os jornais estavam lá, mas os nomes eram diferentes. Além disso, depois de uma breve olhada nos títulos, percebi que cada jornal dizia coisas diferentes. Comprei um, ao acaso, e li uma mensagem impressa na primeira página, assinada por cinco ou seis partidos políticos como Democracia Cristã, Partido Comunista, Partido Socialista, Partido de Ação, Partido Liberal. Até aquele momento pensei que só existisse um partido em todas as cidades e que na Itália só existisse, portanto, o Partido Nacional Fascista. Eu estava descobrindo que, no meu país, podiam existir diversos partidos ao mesmo tempo. E não só isso: como eu era um garoto esperto, logo me dei conta de que era impossível que tantos partidos tivessem aparecido de um dia para o outro. Entendi assim que eles já existiam como organizações clandestinas. 

A mensagem celebrava o fim da ditadura e o retorno à liberdade: liberdade de palavra, de imprensa, de associação política. Estas palavras, “liberdade”, “ditadura” - Deus meu -, era a primeira vez em toda a minha vida que eu as lia. Em virtude dessas novas palavras renasci como homem livre ocidental. 

Devemos ficar atentos para que o sentido dessas palavras não seja esquecido de novo. O Ur-Fascismo ainda está a nosso redor, às vezes em trajes civis. Seria muito confortável para nós se alguém surgisse na boca de cena do mundo para dizer: “Quero reabrir Auschwitz, quero que os camisas-negras desfilem outra vez pelas praças italianas!”. Ai de mim, a vida não é fácil assim! O Ur-Fascismo pode voltar sob as vestes mais inocentes. Nosso dever é desmascará-lo e apontar o indicador para cada uma de suas novas formas – a cada dia, em cada lugar do mundo. Cito ainda as palavras de Roosevelt: “Ouso dizer que, se a democracia americana parasse de progredir como uma força viva, buscando dia e noite melhorar, por meios pacíficos, as condições de nossos cidadãos, a força do fascismo cresceria em nosso país” (4 de novembro de 1938). Liberdade, liberação são uma tarefa que não acaba nunca. Que seja este o nosso mote: “Não esqueçam”. 

E permitam-me acabar com uma poesia de Franco Fortini:

Sulla spalletta del ponte
Le teste degli impiccati
Nell'acqua della fonte
La bava degli impiccati
Sul lastrico del mercato
Le unghie dei fucilati
Sull'erba secca del prato
I denti dei fucilati

Mordere l'aria mordere i sassi
La nostra carne non à più d'uomini
Mordere l'aria mordere i sassi
Il nostro cuore non à più d'uomini.

Ma noi s'è letto negli occhi dei morti
E sulla terra faremo libertà
Ma l'hanno stretta i pugni dei morti
La giustizia che si farà.


(Na amurada da ponte/ A cabeça dos enforcados/Na água da fonte/ A baba dos enforcados/No calçamento do mercado/As unhas dos fuzilados/Sobre a grama seca do prado/Os dentes dos fuzilados/Morder o ar morder as pedras/ Nossa carne não é mais de homens/Morder o ar morder as pedras/Nosso coração não é mais de homens/ Mas lemos nos olhos dos mortos/ E sobre a terra a liberdade havemos de fazer/ Mas estreitaram-na nos punhos os mortos/A justiça que se há de fazer.)”

Umberto Eco, O Fascismo Eterno, in: Cinco Escritos Morais, Tradução: Eliana Aguiar, Editora Record, Rio de Janeiro, 2002.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16249

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